A expansão da UFBA

A Comissão de Patrimônio, Espaço Físico e Meio Ambiente da Universidade Federal da Bahia tem estudado algumas propostas para a sua expansão em termos de área física. É sabido e visível que estamos já espremidos tanto no campus de Ondina como no Canela. Ao longo dos últimos anos, a UFBA ampliou seus espaços para além da capital, implantando os campi de Barreiras, que depois deu origem à Universidade do Oeste da Bahia, de Vitória da Conquista e um outro em Camaçari, que até agora não mostrou o foco de sua implantação sem ter efetivamente saído do papel. Estão sendo estudados, segundo seu Plano de Desenvolvimento Institucional, a “criação do Campus UFBA no Subúrbio Ferroviário de Salvador e um outro na Chapada Diamantina, com sede em Lençóis”. Não resta dúvida que a UFBA olha para diversos outros espaços e áreas e isso, em princípio, é muito bom.

No entanto, esta expansão precisa ser mais discutida no interior da própria universidade e, principalmente, com a sociedade baiana.

A questão norteadora das futuras discussões que espero que em breve aconteçam, deve ser prioritariamente compreender qual o modelo de universidade queremos para a Bahia. Um Estado que saiu da lamentável situação de só ter a UFBA como instituição federal de ensino superior, para a privilegiada situação de ocupar o 3º lugar no país em número de Federais por estado, contanto com cinco Instituições: além da UFBA, temos a UFRB no Recôncavo, a do Sul da Bahia, a do Centro Oeste e a do Vale do São Francisco, esta em pareceria com Pernambuco.

A UFBA cresceu, tendo hoje cerca de 40 mil alunos entre graduação e pós-graduação, com a implantação de muitos cursos noturno (em 2012.1 eram 7.679 alunos nos cursos noturnos), sendo esta uma aspiração de muitos, no interior na própria comunidade universitária e na sociedade. No entanto, precisamos pensar que tipo de universidade está sendo implantada, especialmente no período noturno. O que temos visto, basicamente, é que à noite, nossos alunos têm aulas e nada mais. O que sempre criticamos quando da absurda e desordenada expansão do sistema privado de ensino superior, está sendo a nossa prática: a implantação de escolões de terceiro grau! À noite, não há pesquisa, não há extensão, não há vida universitária! E mesmo para as atividades de ensino, as condições concretas estão longe de serem as minimamente adequadas para uma instituição que se valha do título de superior. São condições verdadeiramente inferiores, de trabalho, de infraestrutura e, como consequência, também de ensino.

É com base nesta experiência que temos que pensar sobre as possibilidades de expansão da UFBA. Durante o rico evento UrBA 2013, realizado em novembro último na Faculdade de Arquitetura, participei de um debate sobre o tema. Umas das apresentações realizadas foi a do superientende do IPHAN na Bahia, meu ex-aluno Carlos Amorim, que apresentou a possibilidade da UFBA vir a se agregar ao esforço de revitalização da região do comércio na cidade baixa aqui em Salvador. Com isso, alguns históricos prédios poderiam ser usados pela Universidade. De novo, a questão central volta à tona: usados para que? Para mais salas de aulas? Será essa a expansão que almejamos? Podemos pensar o mesmo para o chamado subúrbio ferroviário: que UFBA lá queremos?

Se a resposta for apenas ocupar salas de aulas para que alunos daquelas regiões possam receber aulas, estas oferecidas por professores que até lá se deslocariam para oferecer os conteúdos curriculares, seguramente esta não é uma adequada opção para a expansão da UFBA. Estaremos perdendo, assim, uma grande oportunidade de, efetivamente, entender a Universidade como um ente que tem como indissociável o ensino, a pesquisa e a extensão, tudo isso inserido fortemente naquelas regiões para, efetivamente, fazer a diferença na produção da ciência, de culturas e conhecimentos, estes fortemente articulados e enraizados com a realidade local que, conectada pelas redes digitais, seria, ao mesmo tempo planetária. Essa é a grande UFBA que queremos e não uma expansão pela simples expansão.

 

Publicado em A Tarde de 26.12.2013. Clique aqui para o pdf da página (na revisão que fizeram terminou saindo dois erros, atenção!).

Também na minha coluna do Terra Magazine.

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