Mulheres e a memória da educação na Bahia

Nesse dia 8 de março de 2017, dia internacional das mulheres, iniciamos uma nova articulação dos projetos Memória em Vídeo da Educação da Bahia e Conhecimento livre e Divulgação Científica, o primeiro com apoio do CNPQ, o segundo com apoio de emenda Parlamentar da Senadora Lídice da Mata (PSB-Bahia), com a Saladearte Cinema.

A partir de amanhã, da mesma forma como já está acontecendo na TVE Bahia, serão exibidos em todas as sessões, interprogramas (clips) contando, na voz de educadoras e educadores, um pouquinho da história da educação em nossa estado.

Para a estreia nos cinemas da Saladearte Cinema escolhemos o depoimento de Perfilino Neto sobre as três primeiras diretoras do IRDEB (Instituto de Rádiodifusão Educativa da Bahia- TVE e Rádio Educadora), Rute Vieira, Noelia Pessoa e Aristoclea Macedo.

Veja aqui o belo cartaz realizado por Karina Menezes.

Cartaz. Memoria na saladearte

Cartaz. Memoria na saladearte

 

Veja aqui o primeiro clip do projeto com a saladearte Cinema.

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Tá tudo dominado!

O que já se sabia a boca pequena foi tornado público ontem na aula inaugural do ano letivo da rede estadual, tanto pelo governador como pelo secretário de educação do Estado da Bahia.

Seguindo o modelo de vários outros estados, prefeituras e, inclusive, universidade públicas, a rede estadual de educação da Bahia passará a adotar, entre outras, a plataforma educacional desenvolvida pela empresa norte-americana Google. A Prefeitura de Salvador já adotou algo similar desde o ano passado nas suas EscolaLabs [aqui], tendo o prefeito ACM Neto e o secretário de Educação, Guilherme Bellintani visitado a empresa, nos Estados Unidos, no ano passado [aqui].

EscoLabs e Google

Imagem de divulgação da Prefeitura de Salvador para o Projeto EscoLabs

 

Algumas das questões associadas à essa duvidosa decisão do Estado precisam ser destacadas. A primeira, diz respeito à tranquilidade com que dirigentes da SEC e o próprio governador, segundo o jornal A Tarde de hoje, anunciam que a empresa fornecerá gratuitamente a sua suíte educacional para ser usada pelos estudantes da rede pública do Estado da Bahia. Tendo à frente da SEC um dos pioneiros militantes do movimento do software livre, o ex deputado e senador licenciado Walter Pinheiro, o governo vir a público afirmar que o custo do projeto é zero é uma total ingenuidade, para não dizer outra coisa. Quem não sabe que quando usamos esses sistemas ditos gratuitos, estamos, na verdade, remunerando essas empresas justamente com a moeda de maior valor no mundo contemporâneo: nossas informações. TODAS, em caixa alta mesmo, todas as informações sobre nossas vidas estarão à disposição para uma única empresa que vive, justamente, das informações que armazena e opera! Que cada sujeito faça isso individualmente é do seu foro íntimo e do seu livre arbítrio. No entanto, que um governo passe a adotar como política pública, “obrigando” toda uma comunidade escolar lá depositar seus dados e suas produções, é absolutamente lastimável.

O que tem acontecido com o crescimento dessas grandes corporações de TI, como Google, Facebook e outras, é um grande desafio contemporâneo e ações públicas no sentido de limitar a atuação dessas transnacionais precisam ser enfrentadas, principalmente através de políticas públicas corajosas.

Um segundo aspecto, mais amplo, diz respeito, justamente, ao espantoso crescimento dessas empresas, o que tem se tornado uma preocupação mundial. Através de algoritmos que ninguém sabe muito bem como são construídos, Google, por exemplo, deixa de ser apenas o nome de uma empresa e passa a ser um verbo: procurar, buscar. Como já fizemos com outras marcas no passado, como Coca-Cola, Gillette entre outras, hoje muitas dessas empresas estão se tornando sinônimo de internet ou de busca de informação. O trabalho da jornalista Naomi Klein é fundamental para melhor isso entender (No Logo).

Isso é ainda mais preocupante pois, com o gigantismo dessas empresas e seus mecanismos computacionais desconhecidos, os resultados das buscas são assustadores e preocupantes. Matéria recente no jornal inglês The Guardian analisa esses tendenciosos resultados que são buscados por 63 mil pesquisas por segundo, correspondendo a 5,5 bilhões de buscas ao dia. Por outro lado, as histórias da notícias falsas no Facebook, que dominaram o noticiário mundial nos últimos meses, mostrou a influência dessas notícias na eleição presidencial americana, não tendo ainda cessado o debate sobre o que fazer para isso evitar.

Esses sãos alguns exemplos que demandam corajoso enfrentamento, como já disse, que precisa ser feito com regulação e políticas públicas que fortaleçam as liberdades e a autonomia dos cidadãos.

No caso da educação pública no estado da Bahia, a situação é ainda mais contraditória, pois a própria SEC, através do IAT (Instituto Anísio Teixeira) tem desenvolvido um belo e avançado trabalho, de criação e implantação de um ambiente educacional, uma plataforma construída em software livre, licenciado em Creative Commons e com intensa produção colaborativa de Recursos Educacionais Abertos (REA), não dependente dessas empresas. Isso, sim, merece ser apoiado, ampliado e espalhado por toda a rede e poderia ser feito a partir de uma forte articulação dos diversos grupos que atuam na área de TI, envolvendo todas as 12 universidade e institutos de educação superior públicos aqui instalados, para a montagem de uma verdadeira operação de libertação da Bahia das amarras dessas empresas que, com a lógica do gratuito, aprisionam os cidadãos – transformados em meros consumidores – em uma internet totalmente murada.

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Artigo de Nelson Pretto – Memória da Bahia

 Memória da Bahia.

A passagem de um ano para outro é sempre oportunidade para acionar a memória, lembrar de cenas familiares e momentos significativos de nossas vidas. A memória pessoal, familiar, é um elemento fundamental na construção da história das civilizações. Essa história não é escrita apenas por meio dessas ações individuais, que dependem do cuidado que devemos ter com o nosso passado. São necessárias políticas públicas bem consolidadas para a garantia de que nossos arquivos e nossas memórias mais coletivas possam ser preservadas.

Saber do registro do quarto conjunto documental do Arquivo Público do Estado da Bahia no Programa Memória do Mundo da Unesco é, sem dúvida, uma noticia alvissareira. Mas ainda é muito pouco para uma terra com tão rica história. Precisamos de muito mais, pois sabemos das atuais condições do nosso Arquivo Público. Na esfera privada, o Mosteiro de São Bento, que tem uma rica e impressionante biblioteca, fez um belo trabalho para a preservação de seu acervo, disponibilizando, em acesso aberto, uma coleção de cinco Livros do Tombo que documentam importantes fatos da história da Bahia e do Brasil desde o século XVI (http://bit.ly/2hC3V82). Mas essas boas noticias são sempre acompanhadas de outras não tão boas.

Nosso projeto Memória da Educação na Bahia produz vídeos-depoimentos com pessoas que marcaram a educação em nosso Estado, e todo o material fica disponível na internet para ser usado livremente (http://bit.ly/MemoEd). Como consideramos importante para a educação resgatar a história do IRDEB (Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia), começamos a localizar educadores para, com eles, realizar gravações. Precisávamos, desse modo, de imagens e entrevistas da professora Aristocléa Macedo, fundadora do IRDEB, na década de 1970. Nada foi encontrado nas mais de 7.500 horas fitas do acervo da TVEBahia. Ficamos sabendo que esse rico arquivo é composto de fitas que, em alguns casos, já não são mais lidas pelos equipamentos disponíveis no mercado. Urgente se faz, portanto, que recursos sejam destinados para a imediata digitalização desse pedaço de nossa história. Fui informado que, entre tantas outras preciosidades ali guardadas e com risco de serem definitivamente perdidas, estão as imagens da posse de todos os governadores da Bahia, desde a criação da TVE, nos anos 70 do século passado.

O IRDEB é hoje integrante da Secretaria de Educação, de modo que nada mais pertinente para essa pasta do que cuidar da sua própria memoria. O secretário Walter Pinheiro e o governador Rui Costa deixariam uma significativa marca em suas gestões se, de forma imediata, providenciassem que todo esse material fosse digitalizado e colocado na internet disponível para todos. Cuidar da memória é uma das nobres tarefas de um país que almeja ser uma Nação.

Artigo de Nelson Pretto – professor da Faculdade de Educação da UFBA. nelson@pretto.pro.br, publicado em A Tarde em 09.01.2017, página 02.

Clique aqui para o pdf da página do jornal.

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