Interseções entre comunicação, técnica, arte e educação

Curso de Leitura de Cinema III

Curso de Leitura de Cinema III

 

De 27 de setembro a 13 de outubro passado, os cineclubes Vesúvio e CINECITTÀ do Instituto de Letras da UFBA (ILUFBA), em parceria com o cineclube Fruto do Mato (Lençóis-BA) e o programa de extensão Janela Indiscreta, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), realizaram a terceira edição do Curso Leitura de Cinema.

Na programação do Evento as discussões se pautaram nas seguintes temáticas: Procura-se a crítica desesperadamente, em 27/09, com a participação do professor do Centro Universitário UNIFTC, Leonardo Campos; em 29/09, a professora Janaína Vasconcelos, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), conduziu discussões sobre Fotografia Cinemática: decodificando o cosmos diegético; os cineastas Nádia Mangolini (SESC/SP) e Marcus Vinicius Vasconcelos (Estúdio Teremim) conversaram sobre A animação autoral e o formato do curta-metragem, no dia 04/10; já no dia 06/10, a conversa foi em torno de Cinema e literatura: um diálogo intersemiótico, com a presença do educador Juca Badaró (UESB). O quinto encontro (13/10) teve a participação do fotógrafo Miguel Vassy, que encerrou o evento com atividades práticas do uso da fotografia no cinema, cujo tema foi Filmar com o corpo: uma aula de câmera na mão e suas técnicas.

A ação educacional teve 10 horas de carga horária e ofereceu certificados para os participantes. A professora da Faculdade de Educação da UFBA, Kelly Ludkiewicz Alves, uma das organizadoras do Evento, e também integrante do GEC, fez o seguinte comentário sobre o envolvimento do GEC em questões relacionadas ao cinema:
A participação do GEC na promoção do Curso Leitura de Cinema III é importante por contribuir para o acesso a conteúdos relacionados ao cinema, em aulas que apresentaram ao público técnicas audiovisuais, que possibilitaram compreender o processo de realização dos filmes a partir da linguagem cinematográfica. Além disso, a promoção de atividades de ensino, pesquisa e extensão de forma articulada, promove espaços inclusivos, de formação, debate e valorização da arte e da cultura, que fortalecem a integração entre a universidade pública e a sociedade. Por fim, a realização de um curso utilizando soluções livres para transmissão das aulas é fundamental como movimento político para fortalecermos a importância do livre e do aberto na educação.

Já o doutorando Igor Tairone, também integrante do GEC, participou do Evento como intérprete de Libras. Segundo ele:
Os intérpretes de língua brasileira de sinais são importantes em palestras, cursos e demais eventos por possibilitarem que deficientes auditivos consigam ter acesso ao importante conhecimento produzido, bem como também participarem ativamente das discussões. No cinema, por exemplo, temos as legendas e outros mecanismos para promoção de acessibilidade, o que tornou extremamente positivo que houvesse interpretação num curso sobre a sétima arte, o cinema.

A iniciativa da ação educacional ajuda a firmar a presença do GEC como grupo de pesquisa vinculado às questões das tecnologias e da comunicação, ao trazer para um público mais amplo as interfaces entre ciência, técnica, artes e educação.

Que outros eventos assim possam ser realizados com a presença dos componentes do GEC e que sirvam para ampliar a atuação da Faced-UFBA como impulsionadora de pesquisa em educação de forma transdisciplinar.

Visite o site do Cineclube Vesúvio para obter mais informações sobre as atividades de extensão em cinema e educação na UFBA.

Os vídeos das aulas do Curso Leitura de Cinema III já estão disponíveis no Canal do Curso na plataforma EDUPLAY.

No Canal também estão disponíveis os vídeos do Curso Leitura de Cinema II, realizado em dezembro de 2020, no qual foram trabalhados os temas figurino, roteiro, efeitos sonoros e documentário.

Até a próxima!

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As tecnologias e a nova ordem do capital

Capitalismo de vigilância

A revista Nossa Ciência publicou artigo do doutorando em Educação Cleonilton Souza, membro do GEC, sobre o tema Capitalismo de Vigilância. Capitalismo de Vigilância é um tema transversal, que envolve áreas como economia, sociologia, filosofia, comunicação, tecnologia e educação, é claro.

Leiam o texto aqui no site na íntegra:

Capitalismo de vigilância

O cidadão acorda e vai à padaria comprar pão, passa na farmácia e adquire remédios; depois enche o tanque de gasolina do carro e volta para casa. Se esse cidadão pagou tudo com cartão de crédito, todas essas ações estão agora rastreadas na base de dados do banco.

Além de ter as transações comerciais registradas nas bases de dados, a instituição financeira ainda pode rastrear os comportamentos da pessoa. Com os dados comportamentais é possível, a depender da situação, identificar hábitos, analisar ações ou mesmo prever novas ações da pessoa, como, por exemplo, comprar combustível toda semana, em determinado posto, no mesmo horário. Informações assim podem servir tanto para ações de marketing personalizado, quanto para criar perfis que servirão de base para operações de seguros, seleção em empregos ou aquisição de crédito.

Este estado de coisas é denominado pela pesquisadora Shoshana Zuboff de capitalismo de vigilância, uma nova ordem econômica mundial, bem diferente do capitalismo industrial, cujo sustentáculo era a mercadoria. No capitalismo de vigilância, o suporte econômico é o comportamento humano e quanto mais dados pessoais houver em bases de dados, mais os sistemas terão facilidade em predizer ações humanas e transformar essa nova “mercadoria” em lucros.

O capitalismo de vigilância tem como suporte avançados sistemas de tecnologias baseadas em códigos computacionais, gerenciamento de grandes quantidades de dados e conexão contínua. Empresas como Google e Facebook assumiram posições de destaque no mercado global nos últimos 20 anos por atuarem no capitalismo de vigilância e hoje estão na categoria de maiores empresas do mundo.

Ao ter a própria experiência de vida capturada de forma contínua pelas empresas, o cidadão pode ficar sem proteção e ter os direitos comprometidos diante do poderio de grandes corporações, que acumulam dados da vida das pessoas e não prestam contas sobre o destino dos referidos dados.

Essa vigilância é sutil. Vez por outra, o cidadão em compras fornece números de telefone e CPF sem se questionar o porquê de esses dados serem registrados nos cadastros das empresas ou mesmo assinam termos de compromisso na internet sem ter lido as minutas de tais documentos.

Estas questões precisam entrar no debate público, e o cidadão precisa se reeducar para esse novo mundo do capital e aprender a defender os próprios direitos quando estes estiverem sendo prejudicados por essa nova ordem do capital sustentada pelas novas tecnologias que capturam os comportamentos humanos. E cabe à sociedade criar condições para o cidadão conviver nesses ambientes cuja ordem do capital se pauta na vigilância.

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Qual nossa resposta a essa tristeza toda? de Nelson Pretto A Tarde 01/06/2021

Muito me impressionou o clip da Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes da USP denominado Espero que nomes consigam tocar, baseado na obra Inumeráveis de Bráulio Bessa e Chico Cesar. O magnifico trabalho estreou em setembro de 2020, já sob o forte impacto do número de mortos pela Covid19 e pelo descaso do governo genocida de Jair Messias Bolsonaro.

Naquela data, já eram 980 mil mortos no mundo e 140 mil no Brasil. De lá para cá, tudo piorou e estamos quase chegando ao estrondoso meio milhão de brasileiros mortos pela Covid19 por conta de um governo que pratica a necropolítica.

O impacto em cada um e cada uma de nós é enorme. É indescritível.

Assim como na canção Inomináveis, os nomes nos tocam. Sonhos foram interrompidos, famílias destruídas, colegas e alunos nos deixaram, amigos se foram ao longo desses 14 meses de sofrimento. Não paramos de chorar os nossos mortos, sem luto, mas com luta. Aconteceram muitas coisas lindas em torno do cuidado com o outro, do afeto, da solidadriedade, da mão estendida, na maior parte das vezes apenas através das telas.

Não baixamos a guarda. Longe de se ter superado essas mazelas e desafios, já estamos a nos perguntar: “Qual nossa resposta a essa tristeza toda?”

É justo com esse tema-provocação-pergunta que faremos o último encontro das Polêmicas Contemporâneas, ação do Depto II da Faculdade de Educação da UFBA através do grupo de pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC). Queremos, juntos, pensar sobre nosso passado, presente e celebrar o futuro, homenageando aqueles e aquelas que não mais aqui estão.

Desde março deste ano, estivemos juntos – sim, juntos, através das redes, mas fortemente juntos – em nossas Polêmicas Contemporâneas debatendo e aprofundando os mais diversos temas. Agora, no encerramento do semestre, queremos mais uma vez lhe convidar para estar na tela conosco (07/06, 19 h) para celebrar a vida e pensar o futuro. Estaremos muito bem acompanhados com Carlos Barros, Cau Gomes (cartunista aqui em A Tarde), Lula Gazineu, Maria Simões, Claudio Leal, Juliana Ribeiro, Vitoria Dias e Lilian Conceição (coletivo Enpretecidas), Coletivo Khalid mob, Zakyn Sodré, Claudio Manoel, Marina Mapurunga, Gleydson Públio, Sebage, Gilvan Santos, Livia Santanna Vaz, Antonio Lafuente, George Vladimir, Alexandre Espinheira, Avelin Kambiwä Buniacá, Goli Guerreiro e… você.

Será mais uma uma noite de acolhimento, de cuidado e congraçamento. Uma noite de cultura, que incluirá artes plásticas, música, teatro, dança, educação, saúde, ciência e, claro, tecnologias, pois tudo acontecerá em nosso canalpolemicas.faced.ufba.br, uma solução livre, com softwares livres, tocada pela RNP e a STI/UFBA em conjunto com nossos alunos e bolsistas e apoio do CNPq e FAPESB.

Todos juntos pensaremos melhor: O que faremos com essa tristeza toda?

Qual nossa resposta a essa tristeza toda? de Nelson Pretto – professor da faculdade de educação da ufba – nelson @pretto.pro.br

Baixar o pdf da página do jornal, clique aqui.

Qual nossa resposta a essa tristeza toda?

Qual nossa resposta a essa tristeza toda?

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