Xô obscurantismo! – artigo de Nelson Pretto

Xô obscurantismo
 
Estive recentemente em Curitiba, capital do Paraná e da Lava Jato. Visitei o belíssimo MON – Museu Oscar Niemeyer. Estava interessado na mostra das obras apreendidas pela Operação, as quais deveriam estar lá, mas a sala estava fechada para manutenção, diziam os monitores.
Toda vez que visito esses espaços, fico a me perguntar por que não conseguimos atrair museus de grande porte para Salvador, que tem na cultura sua amálgama mais forte. Temos somente o MAM e Palacete das Artes, e nada mais de grandioso.
Em Belo Horizonte, encontramos o Museu de Arte da Pampulha; no Rio, os Centros Culturais BB e CEF; em São Paulo, o MASP, Tomie Ohtake e outros; em Porto Alegre, o belo Iberê Camargo, do arquiteto português Álvaro Siza Vieira, o MARGS e Santander Cultural. Neste último, nos deparamos recentemente com a covarde atitude do banco espanhol, que suspendeu a exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira”, em cartaz há quase um mês. Isso por conta de provocações lideradas pelo conservador Movimento Brasil Livre (MBL), que destilou seu ódio e intolerância nas redes sociais, alegando atentado à família, estímulo à pedofilia e zoofilia, entre outros argumentos. A exposição buscava mostrar como, através da arte, podemos ver e viver a diversidade da complexa sexualidade humana, nada mais necessário para o momento contemporâneo.
Ora, arte comportada, nem pensar! A função da arte é incomodar, isso sim! É provocar, e fazer-nos pensar sobre os nossos valores mais profundos. Há muito digo isso sobre a nobre função da educação: ela tem que incomodar e não acomodar!
Vivemos tempos obscurantistas. Não podemos baixar a guarda.
É obvio que nem todos precisam admirar obras de arte. Mas, se não gostam, que não vão à exposição. Simples assim. Agora, impedir que se aprecie essas obras chega a ser ridículo. Infelizmente, é isso que vivemos no país, trilhando caminhos perigosos da intolerância e censura.
Não podemos deixar de bradar, cotidianamente e em todos os espaços, por liberdade para a arte, para a educação, para o Brasil.
Artigo em A tarde de 19/09/2017
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Golpe no CGI, artigo de Nelson Pretto

Antes mesmo de acontecer a primeira reunião da nova composição do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), uma rápida mobilização das sociedades científicas provocou um intenso debate sobre o futuro da internet no Brasil e a composição do próprio CGI.

Isso porque, de forma inesperada e de maneira unilateral, o governo federal, através Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), lançou uma consulta pública para promover uma reestruturação do CGI. Mais golpe nesse acúmulos de golpes que estamos vivendo no Brasil recente.

Fruto da mobilização das sociedade científicas, uma Nota Pública foi lida logo na abertura da reunião do CGI ocorrida na última sexta feira (18.8.17). Após intensa discussão, chegou-se à uma solução de consenso, que mantém a Consulta já aberta, mas devolve ao plenário do CGI a responsabilidade de conduzir as demais etapas do processo, tendo o mesmo já se comprometido a ampliar esse debate. Atentos vamos ficar para que isso aconteça de fato.

Importante destacar que não fomos e não somos contrários a consultas públicas, mas sabemos muito bem que se as mesmas não forem bem elaboradas e que princípios democráticos de participação e de sistematização dos resultados não forem seguidos, os riscos de termos uma legislação que contrarie aos interesses dos cidadãos serão sempre grandes.

Por isso a importância de dar ao CGI a liderança nesse processo, já que ele tem uma composição multissetorial com representação de todos os interessados na questão.

Mais ainda, percebemos o quanto a mobilização das sociedades científicas afiliadas à SBPC (Socicom, Esocite, ABCiber, Abrapcorp, ABPEducom, Anpae, Ancib, Anped, Cbce, Intercom e Ulepicc-Br) foi importante para trazermos para o CGI esse necessário debate, uma vez que a internet evoluiu muito ao longo dos anos e isso pode demandar reestruturações e um pensar maior sobre o próprio funcionamento do CGI. No entanto, não podemos aceitar a pressão das grandes operadoras de telecomunicações que, com o objetivo de facilitar a implantação de seus modelos de negócios, transformaram a internet em um grande espaço de disputa, como aliás já havíamos acompanhado de perto quando do debate sobre o Marco Civil da Internet.

Essa é uma disputa intensa e cotidiana e a forte e rápida articulação das 12 sociedades científicas que participaram do processo eleitoral que levou os professores Marcos Dantas (UFRJ) e Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC) a integrarem o novo colegiado do CGI, foi crucial para essa parcial vitória.

Mais do que tudo, a academia e os acadêmicos precisam compreender e assumir, cada vez mais, o papel de intelectuais públicos, atuando de forma ativista na discussão e na defesa do público, da ética e da democracia.

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GEC na Campus Party Bahia | #CPBA

Começou nesta quarta-feira, 09 de Agosto, a Campus Party Bahia, evento que mobiliza interessados em tecnologia, empreendedorismo e cultura Geek. É a primeira vez que o evento acontece em Salvador e espera-se significativa repercussão  de modo a garantir a permanência do estado no circuito nacional de eventos dessa natureza. Antes mesmo de os portões da Arena Fonte Nova serem abertos, notou-se o envolvimento da comunidade local/regional que antecipadamente esgotou os ingressos postos à venda.

Aproveitando a realização do evento na cidade sede do nosso Grupo de Pesquisa, integrantes do GEC estarão envolvidos na programação da #CPBA. Dois eventos em especial estão abertos ao público em geral, já que integram a chamada “Área Open”.

Os professores Nelson Pretto e Salete Noro em parceria com a estudante do curso de Letras e bolsista do GEC Mariana Gama apresentarão uma conferência sobre REA cujo título é “Recursos Educacionais Abertos: Espaços e conteúdos livres“. A ideia é que nesse espaço possam apresentar à comunidade o conceito de Recursos Educacionais Abertos, sua origem e principais características, as políticas públicas nacionais e internacionais, as comunidades e coletivos que têm produzido e disponibilizado conteúdos em formatos livres, a relação com as comunidades de software livre e código aberto, a importâcia dos REA para a construção coletiva e livre de conteúdos, fomento à ciência livre, cultura livre e educação livre.

Anote aí: QUINTA, 10/08, das 16:30 às 17:15h.

No SÁBADO, 12/08,  pela manhã, das 10:30h às 11:15h, será a vez de Luciana Oliveira, que é integrante do GEC, coordenadora do ÉduCANAL/ Rádio Faced Web, e irá apresentar o painel “Software Livre na educação como ferramenta de apoio a inovação”Na oportunidade, será discutida a relevante experiência do ÉduCANAL – um projeto da Faculdade de Educação da UFBA, com o uso  do Software Livre na formação de professores e professoras na contemporaneidade.

Ambas atividades, apesar de gratuitas e abertas, exigem inscrição prévia. Acesse os links indicados na descrição acima para maiores informações sobre como participar.

O grupo também participará da área designada às Comunidades por meio do Projeto RIPE – Rede de Intercâmbio de Produção Educativa, sob a responsabilidade do Luan Menezes.

Tanto para quem já garantiu seu ingresso quanto para os que irão conferir o que há de interessante na Área Open, a Campus Party Bahia se mostra um espaço rico para novas aprendizagens, experiências e partilha de saberes.

À nossa rede ligada ao GEC, sugerimos a Hastag  #GECnaCPBA durante o evento.

 

Saiba mais sobre a #CPBA.

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