{"id":885,"date":"2023-10-26T13:33:52","date_gmt":"2023-10-26T16:33:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/?page_id=885"},"modified":"2025-02-11T22:30:31","modified_gmt":"2025-02-12T01:30:31","slug":"manoelito-damasceno-transcricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/manoelito-damasceno-transcricao\/","title":{"rendered":"Manoelito Damasceno &#8211; transcri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p> <style>p { line-height: 115%; margin-bottom: 0.25cm; background: transparent }<\/style><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"> <b>ENTREVISTA COM O PROFESSOR MANOELITO DAMASCENO<\/b><\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"> <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"><b>PARTICIPANTES: <\/b> <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"><b>MD: Manoelito Damasceno.<\/b><\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"><b>NP: Nelson de Luca Pretto.<\/b><\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"><b>VC: Vicente Calixto.<\/b><\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"> <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"> <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Simples. A gente quer que voc\u00ea fale a partir de 15 de setembro de 1946, quando voc\u00ea nasceu, que voc\u00ea lembre. Ou seja, \u00e9 do come\u00e7o. Fala sobre a fam\u00edlia, fala sobre a cidade. E a\u00ed a gente vai se metendo, fica \u00e0 vontade. Se precisar beber \u00e1gua, bebe. \u00c9 bastante formal. Olha para onde voc\u00ea quiser. N\u00e3o tem problema nenhum. Vamos gravando. Pode ent\u00e3o gravar. Ent\u00e3o se apresente e a\u00ed a gente come\u00e7a a conversar.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"> <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Eu me chamo Manoelito Caldino Damasceno. Sou filho de Manoel Caldino Damasceno, Joanita Marinda Damasceno. Manoel Caldino da Marcena era acorbador de bonde. Joanita Marinda Damasceno era costureira. Nasci em 1946, no bairro do Uruguai. Depois me transferi para o IAPI, Rua Conde de Po\u00e7a Alegre, onde estudei na escola classe 2, e, em seguida, na escola Parque. Mas antes de n\u00f3s tratarmos sobre essa quest\u00e3o da escola, eu vou falar um pouco da minha vida enquanto crian\u00e7a, que eu me lembro. Eu me lembro que eu, naquela \u00e9poca, eu devia ter uns sete ou oito anos, cinco ou seis anos, ali\u00e1s. E existia uma serraria que fabricava brinquedos de bonecas, de madeira, n\u00e9? Casas de bonecas. Eu me lembro que eu ia para l\u00e1, para a serraria, no lixo da serraria. Pegar aquele resto de madeira para transformar em brinquedos. Devia ter uns seis, sete anos. Eu j\u00e1 tenho seis, sete anos, e um colega meu, chamado Nerivaldo, que hoje tamb\u00e9m estudou na Escola Parque. E, nesse \u00ednterim, eu entrei na Escola Classe 2, no prim\u00e1rio, que era sempre chamado de prim\u00e1rio, e fiquei l\u00e1 at\u00e9 a quinta s\u00e9rie da prim\u00e1ria. Nesse percurso, eu tamb\u00e9m gostava de desenhar. E nessa escola tinha um concurso, que era o Dia das \u00c1rvores, que eu participava, eu participava do concurso, e ganhei o segundo lugar. O presente foi uma cole\u00e7\u00e3o do livro Bar\u00e3o do Rio Branco, que eu nunca li. Eu queria a bicicleta, n\u00e9? Quem ganhou o primeiro lugar ganhou a bicicleta. Ent\u00e3o, minha m\u00e3e sempre foi tamb\u00e9m artista. Minha m\u00e3e, apesar de ser costureira, tamb\u00e9m gostava de desenhar, pintar e tal. Ela fazia flores. Ela fazia flores. Eu, crian\u00e7a, com habilidade j\u00e1 um pouquinho\u2026 n\u00e9, agu\u00e7ada do ponto de vista da intui\u00e7\u00e3o, eu fazia o ferro para fazer as flores. Esse ferro \u00e9 um peda\u00e7o de a\u00e7o, mais ou menos de meia polegada de grossura. Eu fazia aquela bola na ponta do ferro para poder moldar as p\u00e9talas das flores. E era as flores que ela vendia para a pessoa que ia casar, para a noiva. E fazia tamb\u00e9m essas flores para vender na Baixa dos Sapateiros. <font color=\"#000000\">Eu ia vender com ela essas brinquedos de madeira. Nesse percurso todo, nessa atividade enquanto crian\u00e7a, eu tamb\u00e9m fazia raia para empinar, chamar de pipa, era raia. E nunca, nunca, n\u00e3o sabia empinar, mas fazia raia, n\u00e9? Fazia pe\u00e3o na m\u00e3o, fazia jogo de bot\u00e3o, bot\u00e3o, <\/font><font color=\"#000000\">n\u00e9<\/font><font color=\"#000000\">? Ent\u00e3o essa atividade , hoje em dia eu chamo de art\u00edstica, na realidade \u00e9 uma atividade comum. Eu, crian\u00e7a, como muitos colegas, sabe? E na escola classe 2&#8230; Nessa \u00e9poca da escola classe 2, era forte o preconceito de cor. Muito forte. Tinha uma atividade na escola, naquela classe 2, que era atividade tamb\u00e9m de arte. Com pe\u00e7as de teatro, sabe? Eu sei que, na \u00e9poca, eu fui escolhido como escravo. E um colega meu, que tinha o cabelo liso, foi escolhido como <\/font><font color=\"#000000\">C<\/font><font color=\"#000000\">astiguel\u00ea. Nessa \u00e9poca ningu\u00e9m ligava para isso, n\u00e3o estava nem a\u00ed, porque crian\u00e7a, n\u00e9? N\u00e3o vai perceber t\u00e3o claramente como a gente percebe hoje. Mas que, no fundo, no fundo, eu n\u00e3o me sentia mal com aquilo. Eu, crian\u00e7a, n\u00e3o me sentia mal. Mas reparava que existia uma diferen\u00e7a. Tinha essa atividade, tinha reparado que existia uma diferen\u00e7a no tratamento. Mas, ainda assim, a gente relevava, n\u00e9? Caminhava normal, como todo estudante de prim\u00e1rio, n\u00e9? <\/font>Desenhava muito. Na \u00e9poca de S\u00e3o Jo\u00e3o, eu fazia aqueles quadros para poder expor na escola. Uma vez eu fiz um trabalho de arte, um menino soltando um bal\u00e3o, e a minha diretora falou assim: esse menino est\u00e1 com a cabe\u00e7a quebrada. Porque eu olhava tanto o bal\u00e3o, como a gente fazia, eu olhava mesmo, que eu quebrei a cabe\u00e7a do menino no desenho. E a professora falou, voc\u00ea quebrou a cabe\u00e7a do menino? Quebrei, quebrei, quebrou sim. \u00c9 porque o menino est\u00e1 com a cabe\u00e7a t\u00e3o para tr\u00e1s que parece que est\u00e1 quebrada. Mas todo mundo valorizava os desenhos. E essa escola classe 2 era muito r\u00edgida. Muito r\u00edgida.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"> <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Vamos voltar um pouquinho nessa hist\u00f3ria de escola classe. O que era esse esquema de escola classe? Como \u00e9 que funcionava isso? Ela funcionava no Uruguai?<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\"> <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: N\u00e3o, funcionava no IAPI. Eu morava, nasci no Uruguai, morei um tempo, o meu tempo, minhas juventudes eram no IAPI. E fui estudar na escola classe 2. Porque a escola classe, existem tr\u00eas escolas classes. A escola classe 1, que funcionava na liberdade, no in\u00edcio da liberdade. A escola classe 2, que funcionava entre o IAPI, Rua Contra Porto Alegre e Peruvais. E a escola classe 3, que funcionava no Palmi\u00fado. Quem estudasse na escola classe 1, 2 e 3, poderia, no contraturno, estudar na escola parque. Eu estudava na escola classe 2 e, no contraturno, ia para a escola parque. Tarde de manh\u00e3 e de tarde ia para a escola parque. A escola parque \u00e9 uma escola de atividade profissional. Que n\u00e3o chamava-se profissional, era uma atividade pr\u00e1tica, n\u00e9. L\u00e1 tinha a \u00e1rea de madeira, a folhetaria, cartonagem, modelagem, serraria, serralheria, do lado masculino. Porque a escola parque tinha dois lados. Um lado que era feminino e outro masculino. E no centro da escola tinha a dire\u00e7\u00e3o. Hoje em dia, eu fa\u00e7o uma reflex\u00e3o com uma turma, dizendo o seguinte, parecia uma f\u00e1brica, onde os diretores ficaram no meio, olhando, com a vis\u00e3o panor\u00e2mica de todas as aulas. E, embaixo, os trabalhadores, trabalhando, fazendo suas atividades. Eu passei por v\u00e1rios setores. Passei pela cartonagem, passei pela madeira, n\u00e3o passei por metal, passei pela modelagem. Trabalhava com barro, etc. E a gente tinha um sentimento muito forte de que a escola parque ia nos preparar para a vida profissional mesmo. E n\u00f3s conviv\u00edamos com coisas bel\u00edssimas. De um lado, o painel de Carib\u00e9. Na parte feminina, o painel de Mario Cravo. O painel de carib\u00e9 retratava uma pintura parecida com um afresco, que tinha todas as atividades profissionais. E tinha atividade tamb\u00e9m do futuro, porque a gente via no painel de carib\u00e9 o cara viajando, assim, voando, com uma m\u00e1quina que parecia uma m\u00e1quina voadora. E aquilo impressionava os meninos tamb\u00e9m. A gente gostava disso.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E voc\u00ea dizia, ent\u00e3o, que a escola classe era muito r\u00edgida.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: R\u00edgida, \u00e9. Era muito r\u00edgida. A escola classe era r\u00edgida. A escola parque tamb\u00e9m era r\u00edgida, mas n\u00e3o tinha essa rigidez toda, porque era uma atividade pragm\u00e1tica. E no sal\u00e3o, que funcionava todas as atividades profissionais, era aberto. N\u00e3o tinha divis\u00f3ria n\u00e3o. Madeira, metal, cer\u00e2mica, alfaiataria. Tudo assim. Grupos, grupos de pessoas. Eu disse at\u00e9 ao pessoal. E n\u00e3o tinha&#8230; N\u00f3s n\u00e3o sent\u00edamos muito barulho, n\u00e3o. Apesar de ter madeira trabalhando ali, serraria. E no andar da cartonagem, parecia que era normal. E os professores eram r\u00edgidos. A escola parque tamb\u00e9m era r\u00edgida. Eu me lembro que, naquela \u00e9poca, eu tomei uma surra de r\u00e9gua, essa r\u00e9gua de um metro, de madeira, de uma professora, que me deu. Porque eu disse assim, professora, amanh\u00e3 eu vou. Voc\u00ea vai para onde? Para Maracangalha. Ela me chamou e me deu uma surra de r\u00e9gua.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Foi moleque demais.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Foi moleque demais. Bem, estudei nessas duas escolas. De manh\u00e3, na escola classe, a parte te\u00f3rica. E de tarde, na escola parque, a parte pr\u00e1tica.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Voc\u00ea lembra de nomes de professores?<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Lembro, lembro. Uma professora de cartonagem que eu me lembro muito bem, que ela gostava muito de mim, porque eu desenhava bem, e trabalhava bem produzindo capas de livros, etc, que era a professora Olga.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Sabe o nome dela?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: N\u00e3o sei, n\u00e3o. Olga. N\u00e3o sei o nome dela. Tinha outra professora da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica tamb\u00e9m, que era r\u00edgida tamb\u00e9m, Denorar. Era r\u00edgida demais. Uma vez eu sento\u2026 Na hora da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, ficava o grupo de meninos sentado assim, tudo sentado no ch\u00e3o mesmo, que tudo era limpinho e tal, sentado no ch\u00e3o. E ela fazia chamada. Fulano de tal, presente. Manoelito, eu n\u00e3o ouvi. Manoelito, eu n\u00e3o ouvi. Diz, presente, professora!. Ela me chamou e pegou a minha cabe\u00e7a e bateu na parede assim. Era um neg\u00f3cio assim meio\u2026<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Violento.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Violento, \u00e9. Violento. Mas n\u00e3o fiquei com raiva da professora. Depois tornou-se minha amiga. Quando ela bateu a cabe\u00e7a na parede, eu levantei e dei o murRo na professora. Imagina. Dei o muro e sa\u00ed correndo. Sa\u00ed correndo. Veio a copeira, que \u00e9 uma negra alta, assim, vistosa, com a m\u00e3o assim para me pegar. Pega o menino, pega o menino, pega o menino. Eu passei por debaixo da copeira. Subi no muro da Escola Parque. Ca\u00ed na banheira da Peixe. Veio um guarda, um guarda-civil me pegar. Um guarda como em duas vezes. E a\u00ed pulei o muro e fui para o campo do t\u00e9rreo jogar bola at\u00e9 as cinco horas da tarde.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Moleque.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: \u00c9 moleque, moleque mesmo. Ent\u00e3o, de forma que a minha vida nessa \u00e9poca tinha essa caracter\u00edstica muito natural. Era muito natural. N\u00e3o tinha coisas assim pesadas. Mas era uma coisa assim que a gente, como crian\u00e7a, reagia a determinadas a\u00e7\u00f5es.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E como era na Escola Classe?<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD:A Escola Classe era uma escola s\u00f3 te\u00f3rica. Voc\u00ea ia para l\u00e1, para a escola. Entrava na sala de aula. Tinha aula de matem\u00e1tica, portugu\u00eas, com o professor Assopro, que era o prim\u00e1rio. E sa\u00eda, meio-dia. Saia merenda. Antes de entrar na escola, cantava o Hino Nacional. Todo mundo perfilado, n\u00e9? Hino Nacional. Na hora de sair tamb\u00e9m, cantava o Hino Nacional e ia embora. Ia direto para a Escola Parque. Na Escola Parque, a gente almo\u00e7ava. Merendava tr\u00eas horas e jantava. N\u00e3o tinha falta de nada na Escola Parque. No final do ano, a Escola Parque fazia grandes exposi\u00e7\u00f5es dos trabalhos dos alunos, para vender, para comprar material para trabalhar no ano seguinte. No in\u00edcio, n\u00e3o se vendia. Mas depois, de algum tempo, em dois ou tr\u00eas anos, come\u00e7ou a se vender porque recursos estavam faltando. Deve ter sido isso mesmo, para poder repor os materiais que a gente usava. Bem, essa vida me levou\u2026<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Um segundinho ainda. Na Escola Parque tamb\u00e9m, a gente conhece, tem teatro, biblioteca.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: \u00c9.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Como \u00e9 que era a vida no conjunto da escola?<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: \u00c9. Quem ia para a Escola Parque, poderia escolher: ir para o teatro, ir para o canto, escola aula de canto, poderia fazer isso. Tinha alunos que iam, outros n\u00e3o iam. E o teatro era bel\u00edssimo. Campo de futebol, do melhor\u2026 O campo de\u2026 A quadra de esporte era, assim, tudo organizado. Tinha todos os instrumentos de esporte ali dentro. S\u00f3 n\u00e3o tinha piscina. Mas tinha tudo organizado. Tudo bel\u00edssimo. Os professores eram professores de esporte, pessoas conhecidas do Rio de S\u00e3o Paulo. Viam para aqui, para Bahia, fazer isso. S\u00f3 os professores da parte profissional: madeira, cer\u00e2mica, metal, alfaiataria, sapataria, que eram do bairro. Ent\u00e3o, parece que escolheu os profissionais, os oficiais do bairro para poder ensinar na Escola Parque. Eles a\u00ed preparavam pedagogicamente esses profissionais para poder dar. Elide L, voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em Elide? Elide L? Que tinha alfaiataria aqui na avenida da pra\u00e7a? Era professor da Escola Parque. Um professor de madeira que tinha essa oficina de madeira, que eu pegava os produtos, o resto de madeira para fazer brinquedos, era professor da Escola Parque. Morava no IAPI tamb\u00e9m. Porque a Escola Parque chamava os professores, os oficiais, para preparar pedagogicamente para poder dar aula. Ent\u00e3o, n\u00e3o nos faltava nada. Nem fora da escola, no campo da escola. Era muito rico em frutas. A gente sa\u00eda chupando manga, jaca, entendeu? Essas frutas, assim, tropicais.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: A escola era muito inserida na comunidade?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Muito inserida na comunidade.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E as fam\u00edlias se envolviam com a escola ou n\u00e3o?<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Pouqu\u00edssimas fam\u00edlias. Envolvimento era pouco. Porque a fam\u00edlia colocava os alunos na Escola Parque, ficava o dia todo l\u00e1. Agora, na sa\u00edda da Escola Parque, \u00e9 que voc\u00ea ia conhecer quem s\u00e3o esses meninos das periferias. Era briga todos os dias. Era briga, assim, de crian\u00e7a mesmo. Mas era tudo bem organizado na Escola Parque. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o sei que esse fato que aconteceu comigo, com a professora, foi suspenso por tr\u00eas dias. Minha m\u00e3e foi na escola. Depois, essa professora foi ser madrinha da formatura de um irm\u00e3o meu, que foi oficial da Pol\u00edcia Militar. Professora Denora. NP: Bem\u2026 A\u00ed voc\u00ea saiu da\u2026<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Sa\u00ed da Escola Parque.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: O prim\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9?<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Terminei o prim\u00e1rio. Fui para o Col\u00e9gio Baiano de Ensino. O diretor era o Batoz\u00e1 da Silveira. Fiz o gin\u00e1sio l\u00e1, uma parte do gin\u00e1sio l\u00e1, porque era pago. Minha m\u00e3e conseguiu uma bolsa como deputado, para poder estudar segundo nesse col\u00e9gio. Fiz uma parte l\u00e1 e outra parte fiz no Duque de Caxias. Quando eu estou no Duque de Caxias, essa \u00e9 a minha habilidade de desenhar. Tinha uma sess\u00e3o nesse Duque Caxias, que era desenho livre, que eu frequentava essas aulas de desenho livre. E a professora me dava para pintar paisagens e tal. Isso refor\u00e7ou a ideia de que eu devia continuar a desenhando, a pintando e tal. Fui para o Duque Caxias. Nessa escola eu consegui tirar o segundo grau. Antes de tirar o segundo grau, eu j\u00e1 estava desenhando bem. Fui trabalhar em empresas de acr\u00edlico, que \u00e9 um an\u00fancio maravilhoso, que voc\u00ea deve ter conhecido. JJL, JM e Albertone Blois. Trabalhei como desenhista projetista l\u00e1 por um tempo. E continuei trabalhando em outras empresas. Acripan, que funcionou aqui na Liberdade, que hoje em dia parece que n\u00e3o existe essa empresa. E continuei pintando. Fiz vestibular para a Escola de Belas Artes. Me inscrevi, primeira op\u00e7\u00e3o, em licenciatura, segunda op\u00e7\u00e3o, em desenho em pl\u00e1tica, porque na Escola de Belas Artes tinha dois cursos. O curso de desenho em pl\u00e1tica e o curso de artes pl\u00e1ticas. O curso de desenho em pl\u00e1stica \u00e9 voc\u00ea ser professor de desenho. Qualquer tipo de desenho, evidentemente, porque desenho art\u00edstico, desenho t\u00e9cnico. E trabalhava como desenhista tamb\u00e9m nessas empresas. Fiz o curso de Belas Artes. E na sa\u00edda do meu curso, eu tive a oportunidade de fazer algumas disciplinas aqui. Porque fazia a disciplina art\u00edstica na Escola de Belas Artes, a disciplina de desenho t\u00e9cnico em arquitetura, e a parte de educa\u00e7\u00e3o aqui em educa\u00e7\u00e3o. Esse conv\u00edvio aqui parece que enriqueceu mesmo a possibilidade de voc\u00ea ter uma integra\u00e7\u00e3o melhor com todas as \u00e1reas do conhecimento, algumas das \u00e1reas que s\u00e3o fundamentais.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E a faculdade j\u00e1 era aqui nesse pr\u00e9dio? N\u00e3o, a faculdade era l\u00e1 na Nazar\u00e9, onde funciona o Minist\u00e9rio P\u00fablico.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">VC: Quando o professor saiu desse sistema de ensino das escolas normais e foi para a UFBA, como foi essa mudan\u00e7a?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Eu mudei para a UFBA na \u00e9poca em que a lei mudou. A lei da universidade mudou. Porque um dia voc\u00ea tinha a Escola de Belas Artes, fazia tudo na Escola de Belas Artes. O que a lei fez? Colocou voc\u00ea para fazer a disciplina de arte na Escola de Belas Artes, a disciplina de educa\u00e7\u00e3o na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Isso foi em 70. E a disciplina de t\u00e9cnica em arquitetura. Quem fazia medicina fazia parte de todo o conhecimento m\u00e9dico na Faculdade de Medicina. E os outros conhecimentos faziam em outras escolas.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Eu fiz f\u00edsica e usava tudo. Foi a reforma universit\u00e1ria.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Foi a reforma universit\u00e1ria em 1970. Bem, fiz Belas Artes.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: De 1968 para 1969. E ela se implanta toda no novo.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Em 1970. Eu fiz vestibular j\u00e1 com a lei nova, com a reforma nova. E foi em 1970. 1970 para 1971.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Como era o vestibular?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Quando eu fiz vestibular, eram provas, n\u00e3o eram de m\u00faltipla escolha. Discutivas, provas. Primeiro ano que eu fiz. Matem\u00e1tica, discutivas. S\u00e3o cinco quest\u00f5es. Cinco quest\u00f5es de desenho. Tinha at\u00e9 prova de modelagem na Escola Parque. Eu fiz desenho. Tinha que fazer modelagem. Era de artista.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">LUISE: Tinha prova de habilidade espec\u00edfica?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Tinha habilidade. Tinha desenho, desenho. Mas, adiante, voc\u00ea vai ver que isso renova depois. Eu vou falar para voc\u00ea. Ent\u00e3o, o que aconteceu? Fiz essa prova, passei e cursei licenciatura. N\u00e3o fui nunca um bom aluno. Gostava muito de desenhar e tal. As disciplinas s\u00e3o te\u00f3ricas, muito te\u00f3ricas. Eu nunca fui, assim, um excelente aluno, mas conseguia avan\u00e7ar nessas disciplinas.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: O seu neg\u00f3cio era desenhar?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: \u00c9 desenhar. O meu neg\u00f3cio era desenhar. Tanto assim que, hoje em dia, por exemplo, o Aleixo Paredes, meu amigo, gostava muito de mim. Ele me dizia assim, Aleixo, voc\u00ea precisa participar desse concurso. Baia da d\u00e9cada de 70. Um concurso de cartaz. Porque o que eu fazia? Como eu tinha muita habilidade, eu fazia as coisas assim. Ele gostava. Nesse dia, ele dizia, olha, eu s\u00f3 vou dar nota, eu sei que o seu neg\u00f3cio \u00e9 direito. Para participar desse concurso. Eu passei na disciplina e fiquei em segundo lugar no concurso que ele dizia. Baia da d\u00e9cada de 70. Eu ganhei um cartaz para esse concurso.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">LUISE: E como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da pessoa que gosta de desenhar para chegar at\u00e9 a licenciatura, ou seja, ao ser professor?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Olha, a ideia de licenciatura, nessa \u00e9poca, eu nunca imaginava que ia ser professor. Eu fiz o curso de licenciatura porque era desenho. N\u00e3o fui com o intuito de ser um professor de desenho. E isso foi uma contradi\u00e7\u00e3o violenta porque, apesar de entrar na Escola Belas Artes, no primeiro ano, eu fui ensinar no Col\u00e9gio Comercial. Fui ser professor de desenho. Fui professor de desenho e coloquei o irm\u00e3o meu, que era tenente da Pol\u00edcia Militar, para ser tamb\u00e9m professor de desenho, porque eu ensinava ele desenho, ele ensinava de noite na escola. Bem, comecei a ensinar desenho e tomei gosto pela parte da educa\u00e7\u00e3o. Fiz aqui did\u00e1tica, metodologia, estrutura De funcionamento do ensino. Fiz aqui e gostei das disciplinas. Fui e peguei a amizade com o professor ESpedito, do Guirabati, que era tamb\u00e9m licenciado de desenho. Fiquei aqui com ele, orientando, fazendo as coisas e tal. E tinha um setor aqui da faculdade chamado t\u00e9cnica e recursos audiovisuais, que eu fazia todo o trabalho da faculdade de educa\u00e7\u00e3o, em termos de cartaz, representa\u00e7\u00e3o de professores, em termos de fazer representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica dos trabalhos dos professores. E continuei com o Espedito durante muito tempo, uns cinco ou seis anos. Nesse interino, eu na rela\u00e7\u00e3o com o Espedito, ele conheceu o Menando, professor Menando, que trabalhava no Jornal A Tarde, que era chargista do Jornal A Tarde. Tamb\u00e9m continuou ficando aqui com o Expedito. E n\u00f3s ingressamos na faculdade atrav\u00e9s de uma demanda que necessitava e uma prova que o Espedito fez com a gente para fazer. Eu ensinava metodologia e pr\u00e1tica do ensino em desenho e o Menando ensinava t\u00e9cnica e recursos audiovisuais. Ficamos aqui na faculdade. E nesse caminho todo, eu continuei desenhando, continuei pintando. N\u00f3s fizemos aqui v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es na faculdade de educa\u00e7\u00e3o. Fiz outras exposi\u00e7\u00f5es fora da faculdade tamb\u00e9m. Uma exposi\u00e7\u00e3o que eu fiz foi no Autumn Palace, Quarto Sal\u00e3o Nacional de Artes Pr\u00e1ticas, Genaro de Carvalho, que eu tirei medalha de ouro no trabalho que eu fiz. O sentimento que eu tenho, na realidade, de que essa minha \u00e1rea, dentro dessa faculdade, nunca me pareceu assim, uma \u00e1rea com muita import\u00e2ncia. Com muita import\u00e2ncia, frente \u00e0s outras \u00e1reas. Esse \u00e9 o sentimento que eu tinha. Esse pessoal parece que n\u00e3o d\u00e1 muita import\u00e2ncia \u00e0 arte, n\u00e3o. Nessa \u00e9poca que eu conheci o Nelson Pretto, ele n\u00e3o me conhecia, n\u00e3o. Eu o conheci porque ele estava ensinando no Salesiano tamb\u00e9m. Ele ia para l\u00e1 fazer a Revolu\u00e7\u00e3o, porque eu iria. A Sindicato dos Professores. Ele, voc\u00ea e aquele outro de Hist\u00f3rias, n\u00e3o sei se \u00e9 o nome dele, que hoje est\u00e1 na\u2026 \u00c9 Z\u00e9 Carlos? N\u00e3o, Z\u00e9 Carlos, n\u00e3o. Ele est\u00e1 na UNEB hoje em dia. Barbudo. Bem, conhecido\u2026 \u00c9. N\u00e3o, n\u00e3o. Depois eu me lembro. Vou tentar ver se consigo me lembrar. Bem, engajado na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, fazendo atividades, de trabalhos pr\u00e1ticos para apresenta\u00e7\u00e3o de professores, t\u00e9cnicas de recursos visuais. Tinha uma sala espec\u00edfica para l\u00e1 embaixo. Tem at\u00e9 uma m\u00e1quina dessa que est\u00e1 usando a\u00ed. Canom. \u00c9 Canom? \u00c9. N\u00f3s us\u00e1vamos muito esse trabalho para poder assessorar e dar uma esp\u00e9cie de ajuda aos professores nessa representa\u00e7\u00e3o da parte da educa\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s ficamos aqui na Faculdade. Em paralelo\u2026  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP.Desculpe, voc\u00ea ainda estava como colaborador?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Ainda estava como colaborador. Que era como chamava o professor eventual. Eventual, \u00e9. N\u00e3o era eventual, n\u00e3o era concursado.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: N\u00e3o era concursado, \u00e9. Mas eu passei a ser professor colaborador depois. Professor colaborador era nomenclatura que naquela \u00e9poca era dado como oficial. N\u00e3o era dado como uma coisa assim\u2026 assistente, ajuda, nada. N\u00e3o fazia parte da carreira de universit\u00e1rio. Era uma coisa paralela para justificar voc\u00ea ser professor universit\u00e1rio. Voc\u00ea entende? Eu continuei sendo professor colaborador. Continuei sendo colaborador, sem o nome de professor colaborador. Colaborador somente na ideia de que ele est\u00e1 colaborando. Depois \u00e9 que se passa a ser realmente professor colaborador. Mas eu ajudava os pedidos sem querer. Sem querer. Voc\u00ea vinha aqui, ajudava, voltava. Eu gostava de desenhar. Eu ia fazer meu desenho aqui. Nessa \u00e9poca tamb\u00e9m que eu fazia essa atividade, sem ser professor, tinha a professora Alda Pepe, que fazia o\u2026 que tinha aquele programa do\u2026 ProTAP. ProTAP. Entendeu? Participava a Alda Pepe, a irm\u00e3 dela, Espedito, que era marido dela, fazia parte do ProTAP, que fazia atividade de educa\u00e7\u00e3o nos interiores da Bahia, em barreiras, entendeu? Nesses interiores.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Essa cadeira \u00e9 do ProTAP.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: \u00c9 do ProTAP \u00c9. Viu? E eu ajudava, dava for\u00e7a a esse pessoal. Eu dava for\u00e7a, sustentava toda a parte de audiovisual. Bem, essa atividade que eu tinha aqui dentro n\u00e3o era atividade oficial. Era atividade que eu fazia porque eu queria fazer. Eu gostava de fazer. Volunt\u00e1rio. Volunt\u00e1rio. Foi a\u00ed que veio a ideia de que eu, como volunt\u00e1rio, daqui, j\u00e1 formado em Desenho e Pl\u00e1stica, j\u00e1 tendo p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Metodologia do Ensino Superior, dado por um americano aqui dentro, e Werrein tamb\u00e9m participou dessa atividade, professor Werrein, foi a\u00ed que me chamaram para dar umas aulas de Metodologia do Ensino de Desenho em Pl\u00e1stica I. N\u00e3o, um n\u00e3o. Metodologia do Ensino de Desenho em Pr\u00e1tica II. Porque Metodologia do Ensino de Desenho em Pl\u00e1stica I era dada para a professora Nildeia, que tinha muito mais tempo que eu, j\u00e1 era professora daquele dia. E a ideia que ela passava \u00e9 de que Metodologia de Desenho em Pl\u00e1stica I era a parte te\u00f3rica, que ela podia sustentar, porque ela tinha um tempo, tinha um conhecimento. E Metodologia de Desenho em Pl\u00e1stica II era somente a parte pr\u00e1tica da disciplina e o est\u00e1gio, a observa\u00e7\u00e3o de est\u00e1gio. Bem, depois eu passei a dar tamb\u00e9m Metodologia do Ensino de Desenho em Pl\u00e1stica I. E Menando ficou dando t\u00e9cnicas e recursos audiovisuais porque apareceu essa disciplina no Curr\u00edculo de Desenho em Pl\u00e1stica. E apareceu essa disciplina no Curr\u00edculo tamb\u00e9m de Pedagogia.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Que existe at\u00e9 hoje.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Ent\u00e3o eu continuei dando essa disciplina. Foi a\u00ed que veio a ideia de se contratar esse professor como professor respons\u00e1vel por disciplina, que envolveu a universidade como um todo. N\u00e3o era s\u00f3 aqui na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Est\u00fadio de F\u00edsica, Matem\u00e1tica, Ci\u00eancias Sociais, tudo. Toda a universidade tinha essa classifica\u00e7\u00e3o de professores que n\u00e3o era concursado. Depois \u00e9 que veio a lei e transformou isso. Quem tinha mestrado, quem tinha p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, transformou tudo em assistente. N\u00e3o foi? Eu sou assistente. N\u00e3o sei se voc\u00ea pegou isso.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Sim, eu tamb\u00e9m entrei dessa forma.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Sou assistente. Aqui fizeram uma prova general para ver como est\u00e1 a compet\u00eancia da gente e a gente ficou, porque a gente tinha algum tempo aqui, a gente tinha um conhecimento fundamental para assumir essa disciplina e n\u00f3s ficamos aqui ent\u00e3o como professor respons\u00e1vel. E depois passamos para ser professor assistente.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Isso foi que ano?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Acho que isso deve ter sido em 80. 80. Em paralelo, o anterior a esse 80, essa atividade que eu praticava aqui de artes pl\u00e1sticas, de desenho, eu j\u00e1 fazia isso como professor na faculdade de Feira Santana, na Universidade Estadual de Feira Santana, que n\u00e3o era universidade, era uma funda\u00e7\u00e3o da Universidade de Feira Santana, onde os alunos pagavam.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Fala um pouco mais sobre esse tempo l\u00e1 de Feira.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: E nessa \u00e9poca, que era uma faculdade de Feira Santana, que a faculdade de Feira Santana funcionava no centro de Feira, quando foi transformada em funda\u00e7\u00e3o passou a ser parte da funda\u00e7\u00e3o e os alunos pagavam isso, porque era funda\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era estadual ainda, n\u00e3o estava estatizado ainda. Eu fiz parte em 75 dessa entidade, Funda\u00e7\u00e3o Universidade de Feira Santana. O reitor era um m\u00e9dico, Leite, Jo\u00e3o Leite, se n\u00e3o me engano. E nessa faculdade, como eu j\u00e1 tinha um conhecimento do ensino superior, atrav\u00e9s de ter participado aqui da faculdade, que n\u00e3o era professor, participar da atividade pedag\u00f3gica aqui, ent\u00e3o eu fiquei como respons\u00e1vel por disciplinas tamb\u00e9m l\u00e1. E l\u00e1 existia 40 professores respons\u00e1veis por disciplinas. Foi que se encobriu de se reunir e criar um projeto de universidade do estado de Feira Santana. Criamos a Universidade de Feira Santana. Um dos professores, um dos coordenadores desse projeto era um padre, Eloy Barreto, n\u00e3o sei se voc\u00ea conheceu. E ele coordenava essas atividades, coordenava esse trabalho e o estado, ent\u00e3o, transformou essa funda\u00e7\u00e3o em Universidade Estadual de Feira Santana, que era UNICAMP. Em paralelo, j\u00e1 em 1980, que j\u00e1 existia o DESAP, ali\u00e1s, o DESAP foi criado antes dessas faculdades todas, que era o Departamento de Ci\u00eancia Superior, que funcionava no estado, que coordenava essas faculdades isoladas todas. Quando passou a ser universidade, o DESAP desaparece e aparece a Universidade Estadual de Feira Santana e o CESEB, que \u00e9 a UNEB hoje em dia. O CESEB foi criado em 1980, o primeiro reitor foi Edvaldo Machado Boaventura, com a ideia de ser a Universidade de Multicampos. Nessa universidade, eu fiz concurso, como eu fiz em Feira Santana, que eu era a pessoa respons\u00e1vel. Depois tive que fazer uma prova para passar a ser professor titular da universidade. N\u00e3o, para ser professor assistente. Fiz uma prova e nessa prova participou da banca Juarez Para\u00edso, Humberto Aquino e um professor de matem\u00e1tica, que eu esqueci o nome dele agora. Esse professor de matem\u00e1tica ensinava na UFBA tamb\u00e9m. Juarez j\u00e1 era professor da Escola Belas Artes. Eu passei em primeiro lugar nessa prova de professores, que tinha a prova escrita, a prova did\u00e1tica e a entrevista, como tem aqui. E a prova escrita que tinha l\u00e1, a prova did\u00e1tica, voc\u00ea fazia a prova escrita e voc\u00ea tamb\u00e9m tinha que ler durante a banca a sua prova escrita, um professor do lado ou do outro, para ele verificar, para fazer a avalia\u00e7\u00e3o dele. Aqui tamb\u00e9m teve isso. Algum tempo atr\u00e1s tinha, n\u00e3o sei se tem agora. Fui aprovado, passei a ser professor assistente na universidade de Feira Santana e, em 80, eu fiz concurso da UNEB. Passei a ser professor da UNEB. No mesmo ano, em 1980, ela foi transformada em Universidade do Estado da Bahia.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E a\u00ed voc\u00ea largou o Feira?<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: N\u00e3o larguei o Feira. Eu fiquei com o Feira de Santana, UNEB, UFBA, que eu j\u00e1 era professor da UFBA, vice-diretor de uma escola em Periperi, Humberto Alencar de Castelo Branco, que hoje em dia \u00e9 a Escola Nelson Mandela, e professor do seu pai, tamb\u00e9m, na Luz da Quina.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Dormia?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Rapaz, era de manh\u00e3, de tarde e de noite. Era de manh\u00e3, de tarde e de noite. Eu at\u00e9 achava absurdo, meu Deus, como \u00e9 que eu vou aguentar isso?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Ent\u00e3o, vamos pegar todas essas quatro coisas e falar uma em cada uma. Vamos l\u00e1 na escola de Periperi. Em Periperi.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Eu comecei em Periperi em 71. Quando eu entrei na universidade, eu falei com voc\u00ea e fui ensinar logo em Periperi, em 1971. L\u00e1 eu passei cinco anos. Quatro anos depois, um professor foi eleito diretor da Escola Humberto Alencar de Castelo Branco, que hoje \u00e9 a Nelson Mandela, e me convidou para ser vice-diretor dessa escola. Foi a\u00ed que, nessa \u00e9poca, eu, como vice-diretor, j\u00e1 ensinava em Feira Santana, em um col\u00e9gio particular aqui no Barris, Santa Marta, e no Salesiano. Col\u00e9gio Salesiano de Salvador. Foi l\u00e1 que eu conheci voc\u00ea. Fazendo sua campanha nas escolas particulares.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E me diga uma coisa. Conta um pouquinho sobre essa escola l\u00e1 de Periperi. Sobre a Castelo Branco Como \u00e9 que ela funcionava?<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Era uma escola que era paga. Mas era um pagamento assim, simb\u00f3lico. Acho que eram dez cruzeiros por m\u00eas.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Mas ela n\u00e3o era estadual? Ela era privada.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Senec. Fazia parte do Senec. Era uma entidade chamada Senec. N\u00e3o sei o que significa isso. Onde o diretor era o vereador, Castelo Branco. Bem, fiquei nessa escola durante cinco anos. Depois sa\u00ed dessa escola. Segundo, depois que eu entrei na UFBA. Entrei na UNEB. Essa escola, ela formava professores ensinando no fundamental. Criamos um curso de desenho t\u00e9cnico l\u00e1 nessa escola, como foi criado l\u00e1 em Jesus Tarquinho, desenho t\u00e9cnico. Criamos um curso de desenho t\u00e9cnico tamb\u00e9m no Salesiano, em Salvador. Tinha dois cursos profissionais l\u00e1. Desenho t\u00e9cnico e um outro curso na \u00e1rea de medicina. Na \u00e1rea de an\u00e1lise do material biol\u00f3gico. Criamos esses dois cursos. E eu fiquei nessa escola durante cinco anos e depois sa\u00ed. A\u00ed que eu fui para a UNEB. Na UNEB n\u00f3s criamos tamb\u00e9m um curso de design. Antes disso, em Feira de Santana, em 78, existia um curso de tecn\u00f3logo em constru\u00e7\u00e3o civil que o povo dizia assim, rapaz, voc\u00eas est\u00e3o com a bomba, porque Feira de Santana est\u00e1 duplicando aqui essa estrada, todo mundo vai trabalhar l\u00e1. Mas eu comecei a informar os alunos, eu vou trabalhar de qu\u00ea? Mestre de obra? N\u00e3o vou ser engenheiro. Vou ser o qu\u00ea? Mestre de obra? Foi a\u00ed que comecei j\u00e1 a lan\u00e7ar essa ideia de que engenharia n\u00e3o podia ser. Foi a\u00ed que fizemos a revolu\u00e7\u00e3o, transformamos um curso de tecn\u00f3logo em constru\u00e7\u00e3o civil em engenharia civil, em Feira de Santana. Bem, Feira com curso de engenharia civil, Luiz Sarquini com curso de desenho t\u00e9cnico, a UNEB com curso de design. Coordenei esse curso, fui chefe do departamento durante muito tempo, tr\u00eas ou quatro anos, ampliou, passei dois anos, mais dois anos, depois mais dois anos. Fizemos reuni\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 na UNEB, mas em Paran\u00e1, Santa Catarina, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, mostrando o nosso curr\u00edculo, que era o curr\u00edculo inovador, porque o que existia era design de moldes, design industrial de pe\u00e7a de carro, design\u2026 Existiam v\u00e1rios cursos de design. N\u00f3s criamos um curso s\u00f3: design. Com habilita\u00e7\u00e3o das industriais e gr\u00e1fico. Mas n\u00f3s t\u00ednhamos que construir um curso que o indiv\u00edduo pudesse entender o que \u00e9 design. Depois ele escolhia a \u00e1rea que ele quisesse escolher. Era essa a nossa proposta. No Brasil n\u00e3o existia isso. Existiam v\u00e1rios cursos de design, v\u00e1rias modalidades, v\u00e1rias \u00e1reas. Vestu\u00e1rio, pe\u00e7a de carro, entendeu? Era assim, design gr\u00e1fico, com publicidade e propaganda. E no curso da UNEB n\u00e3o existia isso. Existia o curso de design, com habilita\u00e7\u00e3o industrial e a parte gr\u00e1fica. Isso criou um impasse na proposta do curr\u00edculo das outras escolas do Brasil todo. Por isso n\u00f3s sa\u00edmos por esse estado todo explicando qual era a nossa ideia. O que \u00e9 que eu dizia? Eu dizia o seguinte, olha, se houve um problema de design ali, voc\u00ea vai chamar um design. Voc\u00ea n\u00e3o vai chamar um design gr\u00e1fico, n\u00e3o. Como \u00e9 que ele pode resolver esse problema? Problema de design. O que caracteriza o seu design? D\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o, d\u00e1 uma resposta a um problema dessa \u00e1rea. O cara cai doente ali, chama o qu\u00ea? Chama o m\u00e9dico, vai chamar o m\u00e9dico ortopedista? Vai chamar o m\u00e9dico, n\u00e3o \u00e9 isso mesmo? N\u00e3o vai chamar o m\u00e9dico urologista, vai chamar o m\u00e9dico. Ent\u00e3o ele sabe que a posi\u00e7\u00e3o dele como m\u00e9dico tem que dar uma solu\u00e7\u00e3o \u00e0quela situa\u00e7\u00e3o ali. Era essa a nossa proposta.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">VC: Houve muita resist\u00eancia?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Houve muita resist\u00eancia. E houve uma resist\u00eancia assim, meio esdr\u00faxula, que foi criada por nossos professores mesmo, que queriam colocar o curso de design, o Bacharel de Design, e o curso de Licenciatura em Design, que eu fui contra. Logo no in\u00edcio, aqui na Bahia, eu fui contra. Mas o colega levou isso, a ideia, para S\u00e3o Paulo. Eu criava em partes e dizia, n\u00e3o pode, n\u00e3o pode ser licenciado em design para ensinar o qu\u00ea? Para ensinar matem\u00e1tica? Ensinar a hist\u00f3ria do design? N\u00e3o sei. Ent\u00e3o, para mim, n\u00e3o existe licenciatura em design. Existe o design. Foi a\u00ed que a cria\u00e7\u00e3o do curso da UNEB s\u00f3 saiu com essa modalidade de ser um profissional do design.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Que seria o bacharel.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: O bacharel. Bem, esses cursos foram criados nessa universidade. E, em paralelo, eu fui chamado para ensinar na FACS. Que n\u00e3o era a UNIFACS, era a FACS. Existia tamb\u00e9m um grupo de professores que se reuniu para fazer esse projeto da UNIFACS. Como n\u00e3o \u00e9 o bacharel que era direito. Era o reitor. Anterior era Tabuco. Depois passou a ser faculdade. Depois foi ser universidade. Foi na passagem de faculdade para universidade que eu participei. Criamos o curso<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">de design l\u00e1. Que n\u00e3o era um curso de design, era educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica com \u00eanfase em computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica. Tamb\u00e9m n\u00e3o sei o que \u00e9 isso. Eu tamb\u00e9m fiz uma revolu\u00e7\u00e3o nessa faculdade, juntamente com o professor Jeferson Pedra, para mudar a proposta do curso de ser um curso de design. Se voc\u00ea n\u00e3o tinha uma estrutura para se conceber uma atividade ligada \u00e0 realidade industrial, \u00e0 ind\u00fastria, tinha uma estrutura para se criar. Uma \u00e1rea de design gr\u00e1fico. A\u00ed n\u00f3s criamos o curso de design na UNIFACS. Na d\u00e9cada de 90. Os encontros de design foi na d\u00e9cada de 90 no Brasil todo.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">E nessa \u00e9poca \u00e9 que foi criado esse curso. Passei l\u00e1 h\u00e1 algum tempo. Levei alguns colegas para poder dar aula l\u00e1. Inclusive ex-alunos meus. Hoje em dia s\u00e3o professores da UFBA. Professor Paulo Souza. Ensino na Escola Belas Artes. Professora Ana Beatriz, que era mulher de professor Jo\u00e3o Areia, tamb\u00e9m ensinou l\u00e1. E n\u00f3s seguimos essa proposta da \u00e1rea de design aqui na Bahia com essa caracter\u00edstica de ser uma \u00e1rea que integra qualquer modalidade de desenho. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 desenho, tem qualquer modalidade. Porque se compreendia que existia uma gram\u00e1tica de desenho que caracterizava ela como uma \u00e1rea muito restrita e ampla que congregava v\u00e1rias formas de representa\u00e7\u00e3o. Tanto a representa\u00e7\u00e3o intuitiva, livre, quanto a representa\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica, t\u00e9cnica. N\u00f3s t\u00ednhamos que entender qual era a gram\u00e1tica que dava linha definida a essa \u00e1rea de desenho. Qual \u00e9 a gram\u00e1tica do desenho? Quais s\u00e3o as leis que determinam que esse conjunto de atividades possa ser percebida como f\u00edsica, por exemplo. <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E na UFBA? Como \u00e9 que foi aqui?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Como eu dava aula nessas faculdades todas, tamb\u00e9m estava integrado aqui na UFBA como professor de metodologia de arte e desenho, que tamb\u00e9m representava, dava suporte aos professores aqui, tanto assim que na campanha do diretor eu fiz um slogan, porque a pessoa gostou.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Quem era a campanha?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Era a Lucila. Campanha de Lucila. Com a Ana\u2026 Como \u00e9 que foi? Diretora, vice diretora.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Na Greve? na Greve, n\u00e3o. Ana Greve era professora do Departamento 1. Bem-vindo a essa campanha aqui na faculdade. E eu seguia tamb\u00e9m na atividade de suporte dos professores e na atividade pedag\u00f3gica dando aula de metodologia de desenho pr\u00e1tico. Fiquei aqui, fiz esse curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em metodologia do ensino superior, fiz um outro curso tamb\u00e9m de t\u00e9cnica e recursos audiovisuais e em 80, n\u00e3o sei se foi 80 ou 80, 81, 82, eu ingressei no mestrado em educa\u00e7\u00e3o. Eu tinha feito algumas provas aqui para entrar no mestrado, n\u00e3o conseguia ser aprovado, mas em 80 fui aprovado aqui no mestrado em educa\u00e7\u00e3o. A minha orientadora foi a Iracy Vican\u00e7o, que me orientou at\u00e9 o final do curso. E esse curso de mestrado era feito em 4 anos. N\u00e3o eram 2 anos, eram 4 anos. 2 anos de cr\u00e9dito te\u00f3rico e 2 anos de cr\u00e9dito pr\u00e1tico. E, naquela \u00e9poca, n\u00f3s perceb\u00edamos que o trabalho do mestrado n\u00e3o era uma disserta\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m falava em disserta\u00e7\u00e3o, falava em tese, tese de mestrado. Talvez por causa da natureza, da estrutura, que era pesada. Era uma coisa assim.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Tinha o doutorado?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: N\u00e3o tinha o doutorado. Passou a ter o doutorado quando eu assumi diretor substituto, que eu era vice-diretor eventual. Os filhos sa\u00edram e eu assumi como diretor substituto aqui. Foi que foi criado o curso de doutorado aqui na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Bem, nesse \u00ednterim daqui a esses cursos todos, design na UNEB, design na\u2026 no Salesiano, design na UFBA tamb\u00e9m, porque fizemos uma reuni\u00e3o, eu, Juarez Para\u00edso, Humberto Aquino, uma diretora, que esqueci o nome dela agora, uma s\u00e9rie de professores se reuniram para estudar o curr\u00edculo do curso de licenciatura em pl\u00e1stica. Por qu\u00ea? Porque o dia D da educa\u00e7\u00e3o, que transformou a compreens\u00e3o da disciplina educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, que era dado como desenho antes, o desenho era dado em todas as s\u00e9ries, quando entrou a educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica mudou a compreens\u00e3o e a pr\u00e1tica dessa disciplina nas escolas. Por que mudou? Porque o desenho era dado como uma coisa pragm\u00e1tica: r\u00e9gua, compasso, t\u00e1bua. E a educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica era um processo onde possibilitava ao aluno o desenvolvimento da sua criticidade e da sua criatividade atrav\u00e9s das artes. Teve um dia D aqui, que revolucionou o Brasil na realidade. Eu participei desse movimento tamb\u00e9m na \u00e9poca. E a\u00ed o que acontece? As escolas assumiram a ideia de que educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica tem que ser dada em todas as s\u00e9ries, mas as escolas privadas n\u00e3o queriam oferecer mais uma disciplina. Queriam somente dar nas primeiras s\u00e9ries educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica e nas \u00faltimas s\u00e9ries desenho. E n\u00f3s tivemos essa revolu\u00e7\u00e3o e a coisa realmente ficou dentro desse panorama. Educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica para o desenvolvimento de habilidades e, no segundo grau, dar o desenho para especificidade j\u00e1 pragm\u00e1tica no sentido de ter um conhecimento pr\u00e1tico desse tipo de estudo, desse tipo de desenho. Feito caracterizar essas situa\u00e7\u00f5es de desenho e tal, eu aqui na faculdade de educa\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca eu j\u00e1 era professor, pessoa assistente. N\u00f3s entendemos que temos um grupo com uma ideologia um pouco diferente de outras que j\u00e1 existiam aqui dentro. Como, por exemplo, aquela professora que foi diretora da faculdade&#8230; uma diretora que foi professora da faculdade tinha uma ideia filos\u00f3fica da educa\u00e7\u00e3o e o povo da faculdade, o povo do departamento  tinha outra compreens\u00e3o talvez uma compreens\u00e3o at\u00e9 muito mais revolucion\u00e1ria.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Havia muita crise entre os dois departamentos?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Havia uma crise ideol\u00f3gica. Um lado ligado \u00e0 quest\u00e3o social quest\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o social outro ligado \u00e0 quest\u00e3o da pedagogia. Estrutura e funcionamento do ensino hoje na cidade civil n\u00e3o d\u00e1. Dado uma compreens\u00e3o baseada na lei nova que j\u00e1 aparecia, a gente tinha que decorar aqueles par\u00e1grafos de lei, aquela coisa toda para poder assumir como professor tamb\u00e9m e exigir essa&#8230; n\u00e3o \u00e9 briga mas essa luta ideol\u00f3gica entre o departamento e o outro. Um dava a did\u00e1tica e a pr\u00e1tica de ensinos, a metodologia o outro departamento dava a parte da estrutura pedag\u00f3gica. Ent\u00e3o evidentemente que nessa briga, entre aspas, eu como estava no departamento 2 que era a pr\u00e1tica de ensino e a disciplina ligada \u00e0 especificidade de cada \u00e1rea que tinha aula f\u00edsica, qu\u00edmica, etc. Engressi num grupo onde fez parte Lucila, Hermes e outros professores e n\u00f3s ganhamos as elei\u00e7\u00f5es para diretor. Eu substitu\u00ed a  vice-diretora Ana Cristina e Lucila a diretora.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E quem correu, voc\u00ea lembra?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Quem correu foi Felipe Serpa que foi reitor.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Eram duas chapas.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Felipe Serpa que era diretor e Racife Canso que fazia parte da outra chapa. O grupo ligado \u00e0 \u00e1rea social do conhecimento social que me parecia ser um grupo que fazia uma revolu\u00e7\u00e3o mais ideol\u00f3gica do ponto de vista social. O outro grupo fazia uma revolu\u00e7\u00e3o mais de especificidade da \u00e1rea pedag\u00f3gica. Nessa \u00e9poca que voc\u00ea entrou na faculdade, na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Eu tava em f\u00edsica. Vim pra c\u00e1 para a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: O que acontece? N\u00f3s ganhamos e minha diretora assumiu as elei\u00e7\u00f5es. Saiu Lucila, teve o tempo dela e eu assumi como diretor eventual, substituindo o eventual do diretor. Nessa \u00e9poca tamb\u00e9m teve a proposta do curso de doutorado do Nacional de L\u00ednguas. Depois houve a elei\u00e7\u00e3o, tinha que ter elei\u00e7\u00e3o. Entrou o professor Arapiraca como diretor e Menando como vice-diretor. Na morte do professor Arapiraca, Menando ficou como diretor da faculdade. Eu me lembro que concorreu com o Menando, foi Iracy Vican\u00e7o. Ela concorreu com o Menando e ela ganhou. Menando, ainda como diretor, que assumiu a faculdade da Arapiraca, houve elei\u00e7\u00e3o e ela ganhou quase que com um voto. Foi aquela confus\u00e3o da \u00e9poca. Eu imagino. Aquela confus\u00e3o. Mas uma confus\u00e3o assim era\u2026 tinha caracter\u00edsticas muito mais ideol\u00f3gicas do que\u2026 pessoas de pessoas. Era mais um grupo que tinha uma ideia, tinha um comportamento x, uma ideia x, e outro grupo que tinha uma ideia contr\u00e1ria. N\u00e3o era contr\u00e1ria, mas uma ideia que achava que a ideia era mais importante. Brigar pelo conhecimento pedag\u00f3gico, pela escultura pedag\u00f3gica \u00e9 mais importante do que brigar pela quest\u00e3o social. Como se a quest\u00e3o social n\u00e3o fosse pedag\u00f3gica tamb\u00e9m.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Nesse meio tempo, voc\u00ea, na UNEB, tamb\u00e9m assumiu uma dire\u00e7\u00e3o de um centro?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Veja bem, eu como estava aqui, eu levei 40 anos na UNEB e 35 anos aqui. Aqui eu comecei primeiro. Eu, em paralelo, na UNEB, tamb\u00e9m, como professor daqui, eu fui chefe de departamento na UNEB. Diretor. Depois, a UNEB transformou o departamento em unidade de ensino. O departamento era por \u00e1rea. Departamento em desenho e tecnologia. Departamento de matem\u00e1tica. Depois se criou, congregou cada departamento numa situa\u00e7\u00e3o \u00fanica. Alguns departamentos se uniram e formaram faculdades. Unidades isoladas. Departamento de Ci\u00eancias e Cidades da Terra. Departamento de Educa\u00e7\u00e3o. Departamento de Sa\u00fade. Departamento de Ci\u00eancias e Cidades da Terra ficou o qu\u00ea? Ficou com engenharia, desenho, arquitetura, entendeu? E Departamento de Sa\u00fade ficou com todas as \u00e1reas de sa\u00fade. Nesse departamento eu fui diretor interino do Departamento de Ci\u00eancias e Cidades da Terra. Ainda como professor aqui. Depois nos reunimos, sei l\u00e1, como diretor do departamento, nos reunimos e fizemos um grupo. Na sa\u00edda de professor Joaquim como reitor, Ivete se candidatou a reitora, me convidou para ser vice-reitor e eu n\u00e3o quis. E a\u00ed eu fiz campanha junto com o Ivete e assumi o cargo de pr\u00f3-reitor de pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na UNEB. Na UNEB s\u00f3 existia quatro doutores nessa \u00e9poca. N\u00f3s sa\u00edmos e deixamos sessenta doutores na UNEB. Na \u00e9poca foi uma revolu\u00e7\u00e3o tremenda. Porque o pessoal dizia que eu estava gastando muito dinheiro como pr\u00f3-reitor, que estava dando, financiando muitos cursos para os professores. A pessoa pedia a bolsa, dava a bolsa de sul e fazia o doutorado dele. A universidade \u00e9 isso. E a\u00ed eu me lembro que teve uma professora que assumiu a pr\u00f3-reitoria de planejamento e identificou que a minha pr\u00f3-reitoria estava gastando muito dinheiro com financiamento de bolsa para os professores. Mesmo assim, a gente continuou. Depois de Ivete, como reitora, fez um movimento l\u00e1 e achou que devia colocar um outro pr\u00f3-reitor. Eu sa\u00ed da pr\u00f3-reitoria da UNEB e fui dirigir o Centro de Pesquisa das Popula\u00e7\u00f5es Afro-Indo-Americanas. E o Centro de Pesquisa do Euclides da Cunha. Trabalhava naquela regi\u00e3o toda da seca. Funcionou aqui no Pelourinho. Fui ser diretor desse Centro de Pesquisa. O Centro de Pesquisa das Popula\u00e7\u00f5es Afro-Americanas trabalhava somente com conte\u00fado ligado \u00e0 quest\u00e3o do negro e do \u00edndio. N\u00f3s criamos um grupo da UNEB que viajou o Brasil inteiro para participar do movimento contra a AIDS. Com esse grupo, n\u00f3s fizemos algumas reuni\u00f5es com o Euclides da Cunha para discutir a quest\u00e3o daquela regi\u00e3o, o desenvolvimento daquela regi\u00e3o, para que se criasse um departamento no Eclides da Cunha. Depois n\u00f3s sa\u00edmos. Sa\u00ed desse Centro de Pesquisa como diretor. Voltei \u00e0 UNEB e \u00e0 UFBA. Quando eu volto da UNEB e da UFBA, eu assumo uma outra posi\u00e7\u00e3o aqui na UFBA, que era coordenar o Departamento do Setor de T\u00e9cnicas e Recursos Audiovisuais daqui da faculdade com a morte de professora Sueli. Bem, nessa caminhada toda, eu consegui avan\u00e7ar um pouco, me aposentar daqui da faculdade, me aposentei da faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e fui chamado para ser secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o da cidade de Sim\u00f5es Filho. Na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de Sim\u00f5es Filho, era uma coisa assim, para mim, n\u00e3o era revolucion\u00e1rio, mas uma coisa assim, diferente, porque sair de uma situa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica para ir para a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, onde sua voz acad\u00eamica n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte quanto a voz pol\u00edtica, para mim, me deixou em um estado de tens\u00e3o a todo momento. Visitar escolas onde o \u00edndice de vulnerabilidade criminal era grande nessa regi\u00e3o, era uma cidade que tinha um \u00edndice alt\u00edssimo de criminalidade, onde eu entrave numa escola\u2026  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">VC: Em que ano o senhor foi para a Secretaria?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Em 2016, n\u00e3o foi?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Foi, mais ou menos, em 2016. Passei l\u00e1 quatro anos. Eu entrava na escola e, quando ia visitar uma escola, tinha um grupo de arma na m\u00e3o. Dizia, vai para onde? Eu vou para a escola tal. Ah, \u00e9 Secret\u00e1rio, pode ir embora. Eu passava e ia visitar a escola. A regi\u00e3o j\u00e1 era assim, o pessoal andava armado e tal. Chegava na escola, os meninos diziam assim, chegou o delegado, chegou o delegado. Entendeu? Ent\u00e3o eu passei l\u00e1 quatro anos na faculdade. Criamos o curso, fiz um projeto l\u00e1 na \u00e1rea naval, porque aquela regi\u00e3o fica numa \u00e1rea beira-mar, Map\u00e9 e tudo isso que \u00e9 Ba\u00eda de Todos os Santos. Levei um projeto para ser implantado naquela regi\u00e3o, um projeto de forma\u00e7\u00e3o profissional, que eu j\u00e1 tinha apresentado, inclusive, na Assembleia Legislativa, esse projeto para um deputado. Ele apresentou esse projeto para o governador e o governador aprovou como indica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o, a C\u00e2mara aprovou como indica\u00e7\u00e3o, mas o governador n\u00e3o implantou esse projeto. Porque ele n\u00e3o implantou no Estado, eu levei para a Prefeitura e disse, olha, eu vou levar, eu vou implantar esse projeto naquela regi\u00e3o toda perif\u00e9rica. O pessoal trabalhando com marcos, fabrica\u00e7\u00e3o naval, \u00f3timo. Tamb\u00e9m n\u00e3o consegui implantar esse projeto l\u00e1. E pedi para sair. N\u00e3o quero mais ficar aqui. Porque todo o esfor\u00e7o que estou fazendo aqui \u00e9 para, inclusive, alimentar, diria, a vontade pol\u00edtica dos vereadores, n\u00e3o era nem do prefeito, dos vereadores, que \u00e9 quem sustentava, quem sustentava, diria, a situa\u00e7\u00e3o do prefeito era a C\u00e2mara de Vereadores, dizia, aprov\u00e1vamos ou n\u00e3o, dependendo do seu interesse. Bem, a\u00ed eu pedi para sair de dire\u00e7\u00e3o. E fiquei muito ligado \u00e0 Marinha do Brasil, \u00e0 Base Naval de Aratu, por qu\u00ea? Porque esse projeto, eu tinha colocado a proposta para ser implantado dentro da Base Naval de Aratu, onde a Base Naval de Aratu ia me oferecer todas as condi\u00e7\u00f5es materiais para a efetua\u00e7\u00e3o desse projeto. Os laborat\u00f3rios, as oficinas da Base. Mas n\u00e3o houve \u00eaxito, porque o prefeito n\u00e3o avan\u00e7ou nessa ideia. Bem.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E teve alguma rela\u00e7\u00e3o com o quilombo Rio dos Macacos?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Teve, teve, teve. Eu visitei o Rio dos Macacos e a comunidade. Tanto sim, que para o prefeito, at\u00e9 o ano passado, o comandante, o capit\u00e3o-tenente, me ligava me pedindo um favor para que eu pudesse pedir ao prefeito para colocar algumas situa\u00e7\u00f5es que eram de responsabilidade da Prefeitura l\u00e1 na Base. E o prefeito, um dia, entrou no Rio dos Macacos e o pessoal me ligou perguntando se ele podia entrar. Imagina. Se o prefeito podia entrar. Meu Deus do c\u00e9u. O que ele est\u00e1 vendo? Porque existiu uma confus\u00e3o entre a passagem da comunidade dos Rios dos Macacos pela frente daquela onde ficam os marinheiros, fica a porta do\u2026 e o lateral que deve ficar fazendo. At\u00e9 o ano passado, at\u00e9 o ano retrasado, o capit\u00e3o-tenente me ligou, dizendo vamos conversar com o pessoal da comunidade para ver se o pessoal ia entrar em acordo e tal. Porque a marinha n\u00e3o ia entrar em acordo nem o pessoal do Rio dos Macacos ia entrar em acordo com onde iria passar ou n\u00e3o. Porque ali atr\u00e1s existia um tanque, um rio, que o pessoal pescava, sustentava a pesca ali. Com essa profus\u00e3o toda de situa\u00e7\u00f5es, eu como secret\u00e1rio, eu encerro aqui, eu encerrei ali a minha atividade enquanto secret\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o, enquanto pol\u00edtico.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E a\u00ed? Bom, veio a pandemia praticamente logo depois, n\u00e9?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Veio logo a pandemia. E hoje?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Eu continuo pintando, continuo fazendo minha arte. Eu em um momento parei.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: Mas como professor, mais nada?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Como professor, mais nada. Aposentado mesmo. Comecei a me relacionar.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: D\u00e1 saudade de ser professor?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Muita saudade. Comecei a me relacionar com outros espa\u00e7os de pessoas, outra compreens\u00e3o de pessoas. Mas n\u00e3o deixei a atividade art\u00edstica, continuei essa atividade art\u00edstica. Tanto que em minha casa tem um painel de doze metros de comprimento, d\u00e1 uns trinta metros quadrados. Tem um painel que eu fiz, fiz um painel l\u00e1 na UNEB tamb\u00e9m, l\u00e1 no sal\u00e3o da UNEB, d\u00e1 uns oito metros quadrados. Eu jurei esse para\u00edso, dentro do audit\u00f3rio. Eu fiz fora do audit\u00f3rio. E continuei pintando. Como professor, n\u00e3o. Mas como artista cl\u00e1ssico, sim.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E quais s\u00e3o os planos para o futuro?  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">MD: Bem, agora, exatamente agora, eu continuo pintando. Eu comprei um s\u00edtio agora em Jacu\u00edpe, que \u00e9 um muro de cem metros de comprimento. Eu vou fazer um trabalho de arte l\u00e1. E agora, fui convidado para fazer uma exposi\u00e7\u00e3o, talvez na It\u00e1lia, n\u00e3o sei se vou ainda. Estou pensando. Se der certo, irei fazer essa exposi\u00e7\u00e3o.  <\/p><p style=\"line-height: 100%;margin-bottom: 0cm\">NP: E n\u00f3s vamos prestigiar a dist\u00e2ncia. Muito bem. Mais alguma coisa? Muito obrigado, Manoelito. Eu que pe\u00e7o obrigado. Desculpe se eu fui muito redundante. N\u00e3o, n\u00e3o. Maravilhoso, maravilhoso. \u00c9 tudo o que a gente quer registrar, essa hist\u00f3ria toda. Se faltar alguma coisa, voc\u00ea me pergunta.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENTREVISTA COM O PROFESSOR MANOELITO DAMASCENO PARTICIPANTES: MD: Manoelito Damasceno. NP: Nelson de Luca Pretto. VC: Vicente Calixto. NP: Simples. A gente quer que voc\u00ea fale a partir de 15 de setembro de 1946, quando voc\u00ea nasceu, que voc\u00ea lembre. Ou seja, \u00e9 do come\u00e7o. Fala sobre a fam\u00edlia, fala sobre a cidade. E a\u00ed a gente vai se metendo, fica \u00e0 vontade. Se precisar beber \u00e1gua, bebe. \u00c9 bastante formal. Olha para onde voc\u00ea quiser. N\u00e3o tem problema nenhum. Vamos gravando. Pode ent\u00e3o gravar. Ent\u00e3o se apresente e a\u00ed a gente come\u00e7a a conversar. MD: Eu me chamo Manoelito Caldino Damasceno. Sou filho de Manoel Caldino Damasceno, Joanita Marinda Damasceno. Manoel Caldino da Marcena era acorbador de bonde. Joanita Marinda Damasceno era costureira. Nasci em 1946, no bairro do Uruguai. Depois me transferi para o IAPI, Rua Conde de Po\u00e7a Alegre, onde estudei na escola classe 2, e, em seguida, na escola Parque. Mas antes de n\u00f3s tratarmos sobre essa quest\u00e3o da escola, eu vou falar um pouco da minha vida enquanto crian\u00e7a, que eu me lembro. Eu me lembro que eu, naquela \u00e9poca, eu devia ter uns sete ou oito anos, cinco ou seis anos, ali\u00e1s. E existia uma serraria que fabricava brinquedos de bonecas, de madeira, n\u00e9? Casas de bonecas. Eu me lembro que eu ia para l\u00e1, para a serraria, no lixo da serraria. Pegar aquele resto de madeira para transformar em brinquedos. Devia ter uns seis, sete anos. Eu j\u00e1 tenho seis, sete anos, e um colega meu, chamado Nerivaldo, que hoje tamb\u00e9m estudou na Escola Parque. E, nesse \u00ednterim, eu entrei na Escola Classe 2, no prim\u00e1rio, que era sempre chamado de prim\u00e1rio, e fiquei l\u00e1 at\u00e9 a quinta s\u00e9rie da prim\u00e1ria. Nesse percurso, eu tamb\u00e9m gostava de desenhar. E nessa escola tinha um concurso, que era o Dia das \u00c1rvores, que eu participava, eu participava do concurso, e ganhei o segundo lugar. O presente foi uma cole\u00e7\u00e3o do livro Bar\u00e3o do Rio Branco, que eu nunca li. Eu queria a bicicleta, n\u00e9? Quem ganhou o primeiro lugar ganhou a bicicleta. Ent\u00e3o, minha m\u00e3e sempre foi tamb\u00e9m artista. Minha m\u00e3e, apesar de ser costureira, tamb\u00e9m gostava de desenhar, pintar e tal. Ela fazia flores. Ela fazia flores. Eu, crian\u00e7a, com habilidade j\u00e1 um pouquinho\u2026 n\u00e9, agu\u00e7ada do ponto de vista da intui\u00e7\u00e3o, eu fazia o ferro para fazer as flores. Esse ferro \u00e9 um peda\u00e7o de a\u00e7o, mais ou menos de meia polegada de grossura. Eu fazia aquela bola na ponta do ferro para poder moldar as p\u00e9talas das flores. E era as flores que ela vendia para a pessoa que ia casar, para a noiva. E fazia tamb\u00e9m essas flores para vender na Baixa dos Sapateiros. Eu ia vender com ela essas brinquedos de madeira. Nesse percurso todo, nessa atividade enquanto crian\u00e7a, eu tamb\u00e9m fazia raia para empinar, chamar de pipa, era raia. E nunca, nunca, n\u00e3o sabia empinar, mas fazia raia, n\u00e9? Fazia pe\u00e3o na m\u00e3o, fazia jogo de bot\u00e3o, bot\u00e3o, n\u00e9? Ent\u00e3o essa atividade , hoje em dia eu chamo de art\u00edstica, na realidade \u00e9 uma atividade comum. Eu, crian\u00e7a, como muitos colegas, sabe? E na escola classe 2&#8230; Nessa \u00e9poca da escola classe 2, era forte o preconceito de cor. Muito forte. Tinha uma atividade na escola, naquela classe 2, que era atividade tamb\u00e9m de arte. Com pe\u00e7as de teatro, sabe? Eu sei que, na \u00e9poca, eu fui escolhido como escravo. E um colega meu, que tinha o cabelo liso, foi escolhido como Castiguel\u00ea. Nessa \u00e9poca ningu\u00e9m ligava para isso, n\u00e3o estava nem a\u00ed, porque crian\u00e7a, n\u00e9? N\u00e3o vai perceber t\u00e3o claramente como a gente percebe hoje. Mas que, no fundo, no fundo, eu n\u00e3o me sentia mal com aquilo. Eu, crian\u00e7a, n\u00e3o me sentia mal. Mas reparava que existia uma diferen\u00e7a. Tinha essa atividade, tinha reparado que existia uma diferen\u00e7a no tratamento. Mas, ainda assim, a gente relevava, n\u00e9? Caminhava normal, como todo estudante de prim\u00e1rio, n\u00e9? Desenhava muito. Na \u00e9poca de S\u00e3o Jo\u00e3o, eu fazia aqueles quadros para poder expor na escola. Uma vez eu fiz um trabalho de arte, um menino soltando um bal\u00e3o, e a minha diretora falou assim: esse menino est\u00e1 com a cabe\u00e7a quebrada. Porque eu olhava tanto o bal\u00e3o, como a gente fazia, eu olhava mesmo, que eu quebrei a cabe\u00e7a do menino no desenho. E a professora falou, voc\u00ea quebrou a cabe\u00e7a do menino? Quebrei, quebrei, quebrou sim. \u00c9 porque o menino est\u00e1 com a cabe\u00e7a t\u00e3o para tr\u00e1s que parece que est\u00e1 quebrada. Mas todo mundo valorizava os desenhos. E essa escola classe 2 era muito r\u00edgida. Muito r\u00edgida. NP: Vamos voltar um pouquinho nessa hist\u00f3ria de escola classe. O que era esse esquema de escola classe? Como \u00e9 que funcionava isso? Ela funcionava no Uruguai? MD: N\u00e3o, funcionava no IAPI. Eu morava, nasci no Uruguai, morei um tempo, o meu tempo, minhas juventudes eram no IAPI. E fui estudar na escola classe 2. Porque a escola classe, existem tr\u00eas escolas classes. A escola classe 1, que funcionava na liberdade, no in\u00edcio da liberdade. A escola classe 2, que funcionava entre o IAPI, Rua Contra Porto Alegre e Peruvais. E a escola classe 3, que funcionava no Palmi\u00fado. Quem estudasse na escola classe 1, 2 e 3, poderia, no contraturno, estudar na escola parque. Eu estudava na escola classe 2 e, no contraturno, ia para a escola parque. Tarde de manh\u00e3 e de tarde ia para a escola parque. A escola parque \u00e9 uma escola de atividade profissional. Que n\u00e3o chamava-se profissional, era uma atividade pr\u00e1tica, n\u00e9. L\u00e1 tinha a \u00e1rea de madeira, a folhetaria, cartonagem, modelagem, serraria, serralheria, do lado masculino. Porque a escola parque tinha dois lados. Um lado que era feminino e outro masculino. E no centro da escola tinha a dire\u00e7\u00e3o. Hoje em dia, eu fa\u00e7o uma reflex\u00e3o com uma turma, dizendo o seguinte, parecia uma f\u00e1brica, onde os diretores ficaram no meio, olhando, com a vis\u00e3o panor\u00e2mica de todas as aulas. E, embaixo, os trabalhadores,<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"single.php","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-885","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-transcricoes"],"featured_image_src":null,"featured_image_src_square":null,"author_info":{"display_name":"bsglinux","author_link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/author\/bsglinux\/"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=885"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1145,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885\/revisions\/1145"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}