{"id":351,"date":"2020-10-07T12:10:31","date_gmt":"2020-10-07T12:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/memoriaeducacaobahia\/?page_id=351"},"modified":"2025-02-11T22:30:32","modified_gmt":"2025-02-12T01:30:32","slug":"renata-becker-transcricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/renata-becker-transcricao\/","title":{"rendered":"Renata Becker &#8211; transcri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Gravado no Teatro Martins Gon\u00e7alves em 28\/05\/2019.<\/p>\n<\/p>\n<p>Nelson Pretto (NP): Renata, a gente sempre come\u00e7a essa conversa pedido para voc\u00ea se apresentar. Quem \u00e9 voc\u00ea?<\/p>\n<p>Renata Becker (RB): Quem sou eu?<\/p>\n<p>NP: \u00c9.<\/p>\n<p>RB: Eu sou Renata Becker, sou aposentada da universidade desde 1993 e trabalhei aqui na escola de teatro tamb\u00e9m nos \u00faltimos anos. Eu entrei na universidade aqui da Bahia nos anos&#8230; 90, 90 e&#8230; Eu vim para c\u00e1 para Bahia&#8230; Eu estou esquecida! Deixa eu ver&#8230; Eu entrei na universidade aqui quando eu vim do Rio Grande do Sul&#8230;<\/p>\n<p>Alice Becker (AB): 70, 71?<\/p>\n<p>RB: 70, 71, n\u00e9? Eu n\u00e3o me lembro bem&#8230; Devia ter trazido por escrito.<\/p>\n<p>NP: N\u00e3o, n\u00e3o precisa {risos}.<\/p>\n<p>RB: Bom, eu entrei via Instituto de matem\u00e1tica na \u00e9poca, porque eu tava rec\u00e9m-formada, em 60 e poucos, n\u00e9? E vim pra Bahia e vim indicada para Martha Dantas, porque ela era de matem\u00e1tica e a minha professora l\u00e1 do Rio Grande do Sul era Martha Menezes, amiga de Martha (Dantas). E ela fez uma cartinha para Martha (Dantas) me indicando. Eu entrei ent\u00e3o no Col\u00e9gio Aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>NP: Ent\u00e3o voc\u00ea nasceu no Rio Grande do Sul?<\/p>\n<p>RB: No Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>NP: Conta um pouquinho dessa hist\u00f3ria de l\u00e1&#8230; L\u00e1 de tr\u00e1s&#8230;<\/p>\n<p>RB: Pois \u00e9, l\u00e1 de tr\u00e1s&#8230; \u00c9 bem longo. Eu sempre fui muito pela m\u00fasica, n\u00e9? Eu gostava muito de m\u00fasica. E cantava e a minha m\u00e3e, meus pais me incentivavam muito com a m\u00fasica. Bom, e o que mais que eu tenho que dizer? Fico meio perdida porque \u00e0s vezes os pensamentos desaparecem.<\/p>\n<p>NP: Mas voltam.<\/p>\n<p>RB: Voltam, n\u00e9?<\/p>\n<p>AB: E voc\u00ea era muito musical.<\/p>\n<p>RB: Minha m\u00e3e disse que eu cantava desde 10 meses, eu cantava afinadinho can\u00e7\u00f5es alem\u00e3s que ela me ensinava n\u00e9? E, de fato, eu comecei cedo na m\u00fasica.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea nasceu em Novo Hamburgo?<\/p>\n<p>RB: Nasci em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>NP: Deixa eu te mostrar uma coisa que eu acho que voc\u00ea vai gostar de ouvir.<\/p>\n<p>(Reprodu\u00e7\u00e3o de \u00e1udio da Magdalena Cassel): Renata era uma crian\u00e7a muito linda e esperta. Tinha olhos escuros e cabelos ondulados. Desde cedo procurava impor sua vontade. Era decidida e voluntariosa e, \u00e0s vezes, um tanto rebelde no que se refere a regras e conven\u00e7\u00f5es da \u00e9poca.<\/p>\n<p>RB: At\u00e9 hoje&#8230; {risos}<\/p>\n<p>(Reprodu\u00e7\u00e3o de \u00e1udio da Magdalena Cassel): Cursou o gin\u00e1sio na Funda\u00e7\u00e3o Evang\u00e9lica em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e seguiu fazendo o curso cient\u00edfico no Col\u00e9gio Sinodal de S\u00e3o Leopoldo. Foi aprovada no vestibular da UFRGS, indo morar em Porto Alegre com mais duas colegas nas imedia\u00e7\u00f5es da faculdade. Formou-se em matem\u00e1tica, coisa rara na \u00e9poca. Gostava muito de ler, era objetiva e determinada. Tinha uma excelente voz, tanto que participou por v\u00e1rios anos do grupo de canto regido por Madeleine Ruffier em Porto Alegre, onde conheceu An\u00edbal Denovaro, que veio a ser o seu marido e pai de seus quatro filhos, acabaram a formar um coral de fam\u00edlia (pai, m\u00e3e, Alice, S\u00e9rgio, Daniel e Andr\u00e9).<\/p>\n<p>NP: Te lembra muita coisa isso?<\/p>\n<p>RB: Lembra sim, eu tenho at\u00e9 umas coisas a\u00ed registradas&#8230;<\/p>\n<p>NP: Desse per\u00edodo?<\/p>\n<p>RB: Desse per\u00edodo. E cantamos muito at\u00e9 no Teatro Castro Alves numas Segundas Musicais, que era um programa e a gente cantava mesmo, n\u00e9? E a\u00ed, em seguida, eu me separei, e da\u00ed eu tomei meu rumo no Antic\u00e1lia, grupo com Avel\u00e3s y Avestruz&#8230; A gente fez muito trabalho junto.<\/p>\n<p>NP: Aqui na Bahia, n\u00e9?<\/p>\n<p>RB: Aqui na Bahia, aqui na Escola de Teatro.<\/p>\n<p>NP: Aqui na escola de Teatro. E l\u00e1 no Sul? Assim, a gente v\u00ea que voc\u00ea desde o come\u00e7o tinha m\u00fasica, mas tamb\u00e9m entrou na matem\u00e1tica. Como era sua escola l\u00e1? Porque eu tamb\u00e9m eu sou ga\u00facho, n\u00e9? Eu nasci em Porto Alegre. \u00c9, eu nasci em Porto Alegre, e eu senti uma diferen\u00e7a muito grande entre a escola de l\u00e1 do Rio Grande do Sul e a daqui. Como era a sua escola prim\u00e1ria? N\u00f3s estamos falando dos anos 30, 40, n\u00e9?<\/p>\n<p>RB: \u00c9, dos anos 40&#8230; \u00c9, na escola eu n\u00e3o notei tanta diferen\u00e7a assim, porque eu terminei o meu curso l\u00e1, n\u00e9? Ent\u00e3o eu fiz todo o meu prim\u00e1rio e secund\u00e1rio l\u00e1 e eu tive uma escola diferente, porque era uma Escola Comunit\u00e1ria l\u00e1 da Igreja Luterana, n\u00e9? Ent\u00e3o era uma escola dirigida at\u00e9 por pessoas que vinham da Alemanha, ent\u00e3o era uma escola diferente e que dava muita \u00eanfase para a arte, para a educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Uma escola completa. Aquela coisa que a gente acha que \u00e9 importante, n\u00e9? Eu tive uma escola secund\u00e1ria muito positiva, muito boa.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea lembra de professores dessa \u00e9poca que marcaram?<\/p>\n<p>RB: Sim, mas ningu\u00e9m conhece aqui, n\u00e9?<\/p>\n<p>NP: Mas vamos registrar um pouquinho.<\/p>\n<p>RB: Pois \u00e9, que eu me lembro assim, a gente tinha em Franc\u00eas um professor que era franc\u00eas mesmo, o base. E o professor de Latim&#8230; Eu estudei Latim e estudei Franc\u00eas, estudei Ingl\u00eas e eram professores que vinham at\u00e9 da Alemanha e de fora. A escola era muito boa, ent\u00e3o me deu uma vis\u00e3o geral, n\u00e9? A gente fazia teatro, coisas que nas outras escolas n\u00e3o tinha. Tinha coral, n\u00e9?<\/p>\n<p>NP: Era muito r\u00edgida?<\/p>\n<p>RB: Era, mas eu n\u00e3o achava t\u00e3o r\u00edgida na \u00e9poca. A pr\u00f3pria regi\u00e3o, n\u00e9? A coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 \u00e9 bastante organizada, e ela tinha uma certa rigidez.<\/p>\n<p>NP: E a sua rebeldia? Como \u00e9 que ficava ali dentro?<\/p>\n<p>RB: Ah, isso a\u00ed \u00e9 o que dizem&#8230;<\/p>\n<p>NP: Ah, n\u00e3o \u00e9 verdade? {risos} tem gente que acha&#8230;<\/p>\n<p>RB: \u00c9, tem gente que acha que eu sou at\u00e9 hoje meio rebelde ainda. \u00c9 porque eu saio dos padr\u00f5es&#8230; Trazendo pra minha filha outro dia que eu tenho grupos onde eu n\u00e3o me sinto muito inclu\u00edda porque eu me sinto diferente, ent\u00e3o eu n\u00e3o posso dizer as minhas ideias, porque n\u00e3o s\u00e3o aceitas, s\u00e3o consideradas rebeldes. Eu acho que eu sou rebelde at\u00e9 hoje, n\u00e9? Porque agora, ainda mais nessa situa\u00e7\u00e3o aqui agora de pol\u00edtica, eu nunca sou a favor de todas, eu sempre sou contra. Ent\u00e3o, \u00e9 uma rebeldia, n\u00e9?<\/p>\n<p>NP: E naquela \u00e9poca, n\u00f3s estamos falando em per\u00edodo que praticamente o mundo vivia j\u00e1 a guerra, n\u00e9? Isso com alem\u00e3es l\u00e1&#8230; E como isso era nesse seu cotidiano l\u00e1?<\/p>\n<p>RB: Eu era muito pequena, quer dizer, eu n\u00e3o conseguia absorver isso muito, n\u00e9? Mas eu sempre fui rebelde.<\/p>\n<p>AB: Mas voc\u00ea se lembra que voc\u00eas tinham vergonha de falar alem\u00e3o uma \u00e9poca?<\/p>\n<p>RB: Ah, \u00e9! Tinha mesmo.<\/p>\n<p>AB: Teve uma \u00e9poca em Novo Hamburgo que&#8230;<\/p>\n<p>RB: Na \u00e9poca da guerra era proibido. Minha av\u00f3, por exemplo, n\u00e3o sabia falar direito o Portugu\u00eas, ent\u00e3o eu ficava longe dela, n\u00e3o queria que vissem que eu falava, que eu entendia Alem\u00e3o, n\u00e9? Porque, inclusive, as pessoas eram \u00e0s vezes punidas, n\u00e9? Eu tive amigos do meu pai que foram presos porque falavam Alem\u00e3o. Entraram na casa do meu pai e levaram a biblioteca, porque meu pai tinha muitos livros alem\u00e3es. Meu pai teve uma educa\u00e7\u00e3o bastante&#8230; Ele era engenheiro, tinha uma biografia alem\u00e3 e jogaram tudo fora. Entraram, invadiram a casa do meu pai ent\u00e3o tinha esse&#8230;<\/p>\n<p>AB: Voc\u00eas tamb\u00e9m tiveram a sua primeira l\u00edngua na escola, n\u00e3o foi Portugu\u00eas e nem dentro de casa, n\u00e9? Era uma col\u00f4nia Alem\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o. Dentro de casa a primeira l\u00edngua foi o Alem\u00e3o. Eu aprendi a falar Alem\u00e3o em casa quando crian\u00e7a, mas depois na escola nunca aprendi Alem\u00e3o, nunca tive uma disciplina de Alem\u00e3o, n\u00e3o falava Alem\u00e3o, mas meu pai e a minha m\u00e3e falavam Alem\u00e3o comigo quando eu era pequena pra eu aprender ent\u00e3o eu tinha familiaridade, at\u00e9 hoje eu falo Alem\u00e3o, mas n\u00e3o falo direito, porque nunca aprendi a l\u00edngua, n\u00e9? Eu falo o coloquial dessa l\u00edngua, o \u201cfeij\u00e3o-com-arroz\u201d.<\/p>\n<p>NP: Como era o nome dessa primeira escola sua?<\/p>\n<p>RB: Era Funda\u00e7\u00e3o Evang\u00e9lica. Era uma institui\u00e7\u00e3o da Igreja Luterana Evang\u00e9lica, mas os diretores todos eram brasileiros, n\u00e9? Mas como n\u00e3o tinham muitos professores na \u00e9poca, vinha muita gente da Alemanha, da Fran\u00e7a e professores estrangeiros.<\/p>\n<p>NP: E voc\u00ea fez l\u00e1 at\u00e9 que&#8230;<\/p>\n<p>RB: At\u00e9 a quinta s\u00e9rie. N\u00e3o, at\u00e9 a oitava s\u00e9rie, na \u00e9poca gin\u00e1sio ia at\u00e9&#8230;<\/p>\n<p>NP: Prim\u00e1rio e gin\u00e1sio, n\u00e9?<\/p>\n<p>RB: Prim\u00e1rio e gin\u00e1sio. \u00c9. E depois eu fui pra S\u00e3o Leopoldo, que era uma escola coirm\u00e3, s\u00f3 que era masculina, era para rapazes, e quando eu entrei ficou mista para o segundo grau, Col\u00e9gio Cient\u00edfico, na \u00e9poca, e eu fiz o Cient\u00edfico nessa Escola S\u00e3o Leopoldo.<\/p>\n<p>NP: Porque voc\u00ea j\u00e1 estava dirigida para matem\u00e1tica,  ou ainda n\u00e3o?<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, ainda n\u00e3o.<\/p>\n<p>NP: E por que fez o cient\u00edfico, e n\u00e3o o cl\u00e1ssico?<\/p>\n<p>RB: Pois \u00e9, porque eu n\u00e3o queria, porque eu j\u00e1 tinha mais prefer\u00eancia por&#8230;<\/p>\n<p>NP: E como foi viver esse momento na escola de s\u00f3 masculina para mista?<\/p>\n<p>RB: Ah, era muito bom! Era muito bom, porque era mais livre, n\u00e9? E tenho lembran\u00e7as maravilhosas do tempo que a gente&#8230;<\/p>\n<p>NP: Ent\u00e3o conta.<\/p>\n<p>RB: E isso importa?<\/p>\n<p>NP: Importa, claro. {Risos}<\/p>\n<p>RB: Bom, sabe como \u00e9, a gente era adolescente, ent\u00e3o entrar no col\u00e9gio misto, tinha um monte de rapazes bonitos e interessantes, e eu era muito namoradeira, sempre fui muito, ent\u00e3o sempre tinha paqueras, n\u00e9? E at\u00e9 hoje me lembro at\u00e9 dos nomes das paqueras.<\/p>\n<p>NP: Mas n\u00e3o pode dizer ou pode?<\/p>\n<p>RB: Pode dizer, tem uns que j\u00e1 morreram, n\u00e9? {Risos} tem outros que j\u00e1 est\u00e3o mais para l\u00e1 do que para c\u00e1, ent\u00e3o foi muito bom, foi uma \u00e9poca muito bacana.<\/p>\n<p>NP: E como funcionava a escola nesse Cient\u00edfico?<\/p>\n<p>RB: A escola eram as disciplinas comuns, essas que tem hoje, mas tinha coral, tinha teatro&#8230; Eu fiz teatro nessa escola e eu sempre participei dessas coisas, sempre fui muito mais participante das disciplinas extras do que das curriculares.<\/p>\n<p>AB: Nossa, me lembra a minha filha. Completamente a Sofia.<\/p>\n<p>RB: \u00c9, eu gostava de fazer teatro, de cantar. Sempre cantei, toda a vida coral, todos os corais que tinham eu participava e teatro tamb\u00e9m eu gostava muito. Eu fazia teatro quando era crian\u00e7a, em meus anivers\u00e1rios eu fazia sempre uma apresenta\u00e7\u00e3o de teatro, inventava, n\u00e3o me lembro mais, mas eu escrevia alguma coisa, pegava a minha prima e fantasiava ela de&#8230; Tem at\u00e9 umas fotos de quando ela era crian\u00e7a, n\u00f3s duas no fundo da minha casa, eu montava um palco e fazia teatro. Teatro sempre foi a minha&#8230; Tenho at\u00e9 no meu di\u00e1rio que eu queria ser cantora de \u00f3pera, que eu achava que ia ser o m\u00e1ximo cantora de \u00f3pera, queria ser cantora de \u00f3pera e acabei nunca sendo, mas&#8230;<\/p>\n<p>NP: E nesse Cient\u00edfico algum professor, alguma professora que marcou a\u00ed na forma\u00e7\u00e3o e marcou por qu\u00ea? Voc\u00ea lembra ou o que valia mesmo era o teatro? {risos}<\/p>\n<p>RB: L\u00e1 no Sinodal n\u00e3o, muita coisa n\u00e3o marcou n\u00e3o assim. Tinha um professor de F\u00edsica que era muito bom, que eu me lembro que eu gostava de estudar f\u00edsica com ele, ele era bom professor, muito organizado, ele gostava e s\u00f3 que eu me lembro assim. Eu n\u00e3o me lembro muito mais.<\/p>\n<p>AB: Eu tenho uma informa\u00e7\u00e3o errada ou as mulheres n\u00e3o faziam Universidade naquela \u00e9poca e elas estudavam na escola prendas dom\u00e9sticas?<\/p>\n<p>RB: Ah, sim! Eu fui da minha gera\u00e7\u00e3o, eu fui uma das poucas das minhas amigas que entrou para faculdade, o resto terminava o gin\u00e1sio, fazia economia dom\u00e9stica, que era uma disciplina pra formar, para preparar a mulher para casar e eu n\u00e3o queria, nunca quis, nunca tive tend\u00eancia a ser dona de casa, nem cozinheira, nem nada e nisso a minha irm\u00e3 por exemplo fez esse curso, ela aprendeu a cozinhar, botar uma mesa, receber&#8230; Era um curso de economia dom\u00e9stica mesmo e para mim aquilo era humilhante, n\u00e3o queria saber. {risos}<\/p>\n<p>NP: E ainda por cima, a\u00ed voc\u00ea vai pela carreira cient\u00edfica, e entra em matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>RB: E entro em Matem\u00e1tica&#8230; N\u00e3o sei como tamb\u00e9m eu entrei, entrei mais por falta de op\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, porque eu gostava de Matem\u00e1tica, mas ao mesmo tempo, n\u00e3o tinha outra op\u00e7\u00e3o. Porque, na verdade, quando eu fiz um teste psicol\u00f3gico, eles me mandaram pra Arte e eu n\u00e3o tinha como. N\u00e3o me lembro que tinha essa op\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eu tinha que escolher alguma coisa, a\u00ed eu escolhi Arquitetura, mas Arquitetura eu n\u00e3o passei no vestibular ou ent\u00e3o n\u00e3o fiz. Achei Matem\u00e1tica o mais f\u00e1cil de entrar e entrei assim, mas muito sem est\u00edmulo, sem voca\u00e7\u00e3o mesmo. Foi sempre uma coisa que pra mim foi dif\u00edcil, n\u00e3o foi f\u00e1cil fazer Matem\u00e1tica, n\u00e3o foi f\u00e1cil optar por esse caminho.<\/p>\n<p>NP: E voc\u00ea fez a UFRGS?<\/p>\n<p>RB: Fiz a UFRGS.<\/p>\n<p>NP: E morava ali perto&#8230;<\/p>\n<p>RB: Morava ali perto.<\/p>\n<p>NP: Como era a vida em Porto Alegre nessa \u00e9poca? E a pr\u00f3pria Universidade? Como \u00e9 que seria?<\/p>\n<p>RB: A vida em Porto Alegre, eu me senti muito livre l\u00e1, n\u00e9? Porque eu estava morando com colegas, meu pai me dava toda a liberdade, nunca me cobrou nada, ent\u00e3o eu sa\u00eda, volta e meia eu ia ao cinema sozinha ou ent\u00e3o acompanhada, mas era uma coisa que eu podia fazer isso sem&#8230; Nunca fui muito estudiosa, sabe? Eu n\u00e3o era, n\u00e3o era o meu caminho. Eu queria mesmo era cantar, a\u00ed eu entrei pro coral da Faculdade de Filosofia e l\u00e1 eu fiquei com a Marlena tem at\u00e9 umas fotos a\u00ed, eu participava de concertos, tudo que era arte me interessava, n\u00e9? Eu achei que eu peguei o bonde errado, como eu dizia, n\u00e9? Mas pra mim n\u00e3o era conflito, era uma coisa que eu entrei, tinha que ser assim e pronto. Eu n\u00e3o questionava muito.<\/p>\n<p>NP: A\u00ed voc\u00ea se formou e a partir da\u00ed a mudan\u00e7a pra Bahia j\u00e1?<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, pera a\u00ed, deixa eu pensar. Eu a\u00ed no Coral, n\u00f3s viemos pra Bahia convidados pelo Edgard Santos, naquela \u00e9poca que a Bahia era uma coisa maravilhosa, n\u00e9? E a\u00ed o Koellreuter foi pra l\u00e1. Eu conheci o Koellreuter l\u00e1 no Rio Grande do Sul e a mulher dele deu um semin\u00e1rio de m\u00fasica l\u00e1 e foi muito bom isso, porque eu voltei&#8230;<\/p>\n<p>[PAUSA POR MOTIVOS T\u00c9CNICOS]<\/p>\n<p>NP: Ent\u00e3o, eu queria que voc\u00ea voltasse aqui com Edgard Santos e Koellreuter&#8230;<\/p>\n<p>RB: Ah, sim, isso foi uma coisa maravilhosa, n\u00e9? Foi a\u00ed que eu conheci a Bahia e eu vim com um grupo de m\u00fasica e a gente veio morar sabe aonde? N\u00f3s chegamos aqui na v\u00e9spera de Dois de Julho e n\u00f3s ficamos ali em Brotas, l\u00e1 onde ainda \u00e9 o Convento de Brotas. Me ajuda&#8230;<\/p>\n<p>NP: O Centro de Treinamento de L\u00edderes?<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, era&#8230; \u00d4, meu Deus, que coisa&#8230; D\u00e1 um branco.<\/p>\n<p>NP: Ah, eu sei do que voc\u00ea est\u00e1 falando. Fechou at\u00e9, n\u00e9?<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, o Retiro de S\u00e3o Francisco!<\/p>\n<p>NP: \u00c9 isso, eu acho que fechou, n\u00e9?<\/p>\n<p>RB: \u00c9? Ser\u00e1 que fechou?<\/p>\n<p>NP: Eu acho que sim.<\/p>\n<p>AB: Tem certeza? Porque eu acho que era um asilo de idosos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>NP: Naquele em Brotas, l\u00e1 no fundo?<\/p>\n<p>AB: N\u00e3o \u00e9 aquele perto do Horto Florestal?<\/p>\n<p>RB: L\u00e1 em cima.<\/p>\n<p>NP: Olha, n\u00e3o tenho certeza n\u00e3o, mas eu lembro que teve uma pol\u00eamica enorme no jornal sobre ele.<\/p>\n<p>RB: Ser\u00e1?<\/p>\n<p>NP: Por que ele hospedava pessoas, n\u00e9?<\/p>\n<p>RB: \u00c9, e ali n\u00f3s ficamos hospedados, n\u00e9? O grupo todo&#8230;<\/p>\n<p>AB: No Retiro do S\u00e3o Francisco?<\/p>\n<p>RB: Retiro do S\u00e3o Francisco. Ele fica hoje quem vai l\u00e1 quase chegando no final da&#8230; Como \u00e9 que chama aquela rua?<\/p>\n<p>NP: L=A que sobre? Ladeira do Acupe?<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, n\u00e3o&#8230; N\u00e3o \u00e9 Ladeira do Acupe n\u00e3o. Waldemar Falc\u00e3o. Waldemar Falc\u00e3o.<\/p>\n<p>NP: Certo.<\/p>\n<p>AB: Hum, sim. Que vai do Rio Vermelho at\u00e9&#8230;<\/p>\n<p>NP: Ah, \u00e9 verdade. <\/p>\n<p>RB: E foi pra n\u00f3s, pro nosso grupo e pra mim, especialmente, uma lembran\u00e7a que eu nunca vou tirar da minha cabe\u00e7a. Foi a coisa mais maravilhosa, a gente chega na Bahia, primeiro sair do Rio Grande do Sul, daquele clima horr\u00edvel, medonho, n\u00e9? \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9? {Risos} E chegar na Bahia, ver o mar l\u00e1 do Retiro do S\u00e3o Francisco a gente olhava, via aquele mar lindo, maravilhoso e n\u00f3s ficamos completamente enlouquecidos. Eu fiquei maravilhada e a\u00ed a gente acordou de manh\u00e3 e as freiras&#8230; A gente n\u00e3o podia, a gente queria sair de biquini j\u00e1 e ir pra praia, porque quando n\u00f3s vimos aquele mar, a primeira ideia era ir pro mar e naquela \u00e9poca a Valdemar Falc\u00e3o era de terra. A gente de manh\u00e3 saiu pra n\u00e3o sair de biquini, porque as freiras n\u00e3o deixavam, n\u00e9? Ou n\u00e3o deixavam, ou n\u00e3o queriam, e a gente botou os casacos da gente. Imagina, aqueles&#8230;<\/p>\n<p>AB: De coral?<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, n\u00e3o eram de coral n\u00e3o.<\/p>\n<p>NP: Sa\u00eddas de praia?<\/p>\n<p>RB: As capas de chuva, n\u00e9? Porque naquela \u00e9poca chovia muito. Botamos as capas e o biqu\u00edni por baixo. Biqu\u00edni n\u00e3o, naquela \u00e9poca n\u00e3o usava biqu\u00edni, imagine! Usava mai\u00f4 e fomos a p\u00e9, descemos a Valdemar Falc\u00e3o at\u00e9 o Rio Vermelho, at\u00e9 ali onde hoje s\u00e3o os pescadores, ali hoje eu moro l\u00e1 na frente, n\u00e9? E era assim, completamente, embasbacadas de tantas maravilhas pra n\u00f3s, o clima, as cores, o mar, tudo para mim&#8230; \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje eu sinto ainda, n\u00e9? Muito forte&#8230; E de noite, era Dois de Julho. Durante o dia, n\u00f3s pegamos um \u00f4nibus e fomos pro Campo Grande e aquilo foi o segundo choque, porque eu entrei no \u00f4nibus, s\u00f3 tinham pessoas de cor e, pra mim, aquilo era uma coisa fora de s\u00e9rie, n\u00e9? Eu achava bonito e todos de branco assim. Me lembro que eles usavam roupa de algod\u00e3o e a lembran\u00e7a que eu tenho, pode ser at\u00e9 que n\u00e3o tenha sido isso, mas eram todos vestidos de branco e eu achava aquilo lindo. O negro vestido com a cor branca nos \u00f4nibus, eu fiquei apaixonada, eu fiquei apaixonada pela Bahia e essa paix\u00e3o dura at\u00e9 hoje, n\u00e9? Eu gosto da Bahia, eu amo a Bahia, n\u00e3o quero sair daqui para canto nenhum. N\u00e3o tem lugar no mundo que me ofere\u00e7am melhor lugar, eu n\u00e3o vou. A Bahia \u00e9 o lugar que eu quero ficar e morrer aqui, que coisa linda!<\/p>\n<p>[PAUSA POR MOTIVOS T\u00c9CNICOS]<\/p>\n<p>NP: \u00d4 Renata, voc\u00ea disse que veio porque Koellreuter foi l\u00e1. Isso \u00e9 uma parte importante pra gente. Quer dizer, como era essa hist\u00f3ria? Koellreuter sai daqui pra l\u00e1?<\/p>\n<p>RB: \u00c9, mas \u00e9. Porque n\u00f3s t\u00ednhamos uma regente, chamada Madeleine Ruffier que era a regente do nosso coral, e ela, n\u00e3o sei como, mas ela se dava com Koellreuter, porque eles eram todos, na \u00e9poca, conhecidos, n\u00e9? Os regentes e os m\u00fasicos&#8230; Era o Koellreuter, depois mais tarde foi o Isaac Karabtchevsky tamb\u00e9m que foi l\u00e1 e n\u00f3s ficamos amigos dele, ent\u00e3o era assim. Ele convidou o coral para vir para c\u00e1 e a\u00ed n\u00f3s viemos para c\u00e1 e cantamos na Reitoria, demos o concerto l\u00e1, um ou mais concertos na Reitoria.<\/p>\n<p>NP: E foi atrav\u00e9s dele que se conseguiu tamb\u00e9m hospedagem l\u00e1 no Retiro de S\u00e3o Francisco?<\/p>\n<p>RB: Foi atrav\u00e9s dele, \u00e9, exatamente. Provavelmente, isso eu n\u00e3o tenho certeza, mas eu sei que nosso lugar que n\u00f3s ficamos foi l\u00e1.<\/p>\n<p>NP: Com quantos anos voc\u00ea tava mais ou menos?<\/p>\n<p>RB: Eu tava com 20&#8230; Isso foi em 1950, 60&#8230; <\/p>\n<p>RB: 57, faz a conta, eu tinha 20 anos&#8230; Eu tinha 20 anos. \u00c9. E eu me lembro que n\u00f3s ficamos aqui e fomos para praia. Eu n\u00e3o me lembro quantos dias a gente ficou e voltamos pro Rio, e nosso coral&#8230; nos apresentamos no Rio e em Curitiba na volta. E foi muito bom. Dessa \u00e9poca eu comecei a namorar o pai dela, n\u00e9? Da Alice. E ele tamb\u00e9m cantava e a gente se apaixonou pela Bahia. E da\u00ed \u201cj\u00e1 vamo casar\u201d e vamo morar na Bahia\u201d e a\u00ed a gente veio morar na Bahia por amor, n\u00e3o tinha nada, n\u00e3o tinha emprego n\u00e3o tinha nada. Ele entrou para o Instituto de F\u00edsica e eu pro Instituto de Matem\u00e1tica, atrav\u00e9s da Marta Dantas.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: S\u00f3 um pouquinho para eu entender melhor assim. Como voc\u00ea via a Universidade aqui e a Universidade l\u00e1? Por que a universidade aqui, voc\u00ea falou, tinha o Edgar Santos, que era uma refer\u00eancia, e voc\u00ea chegava nova relativamente, n\u00e9?  Rec\u00e9m-formada. como \u00e9 que a Universidade era pra voc\u00ea que estava chegando do Rio Grande do Sul?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Como a Universidade era aqui para mim?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: \u00c9<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Era&#8230; era assim uma coisa que eu n\u00e3o conhecia, n\u00e9? Porque era assim muito aberta, muito pras artes, n\u00e9? Para m\u00fasica principalmente e a gente n\u00e3o tinha isso l\u00e1. Tinha o nosso coral que tamb\u00e9m era da Faculdade de Filosofia, mas n\u00e3o tinha esse apoio da Universidade, da Reitoria, eu n\u00e3o me lembro desse apoio. Aqui a gente sentia que era apoiado pelo Reitor.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: E a cidade? Voc\u00ea percebia a rela\u00e7\u00e3o da Universidade com a cidade, com Salvador? <\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Aqui?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: \u00c9, por causa dessa coisa da Arte, ou n\u00e3o?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Na \u00e9poca eu n\u00e3o tinha consci\u00eancia disso, mas era&#8230; n\u00e3o sei. Eu tava t\u00e3o apaixonada pela Bahia que tudo que eu via aqui era o que eu imaginava que eu queria para minha vida, n\u00e9?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea entrou ent\u00e3o, l\u00e1 no Instituto de Matem\u00e1tica. Onde funcionava o Instituto de Matem\u00e1tica?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Em Nazar\u00e9, l\u00e1 onde hoje, onde era a antiga Faculdade de Filosofia<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Onde hoje \u00e9 o Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: \u00c9. Bom, e o Instituto de Matem\u00e1tica ficava no pr\u00e9dio atr\u00e1s, eu n\u00e3o sei se ainda funciona, era um pr\u00e9dio grande, atr\u00e1s do pr\u00e9dio velho e l\u00e1 eu fiquei. Da\u00ed eu casei e vim morar na Bahia e meu filho nasceu, meu filho mais velho nasceu aqui, e eu era \u2026 Eu tinhas muitas amizades aqui no Instituto j\u00e1, professores que at\u00e9 hoje a gente se re\u00fane ainda se encontra, uma vez por m\u00eas, o pessoal da matem\u00e1tica. Maria Augusta, voc\u00ea deve conhecer, n\u00e9? Maria Augusta, (Ana) Eliana Nogueira, Marta Dantas que j\u00e1 faleceu, Nilza Medrado, que j\u00e1 faleceu tamb\u00e9m e enfim.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Conta um pouquinho ent\u00e3o apesar que a gente j\u00e1 sabe, tenha consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 a sua grande paix\u00e3o, que \u00e9 a m\u00fasica. Mas voc\u00ea viveu nesse per\u00edodo, que foi um per\u00edodo muito rico, no ensino da matem\u00e1tica.<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Foi, foi. Foi muito bom.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Fala um pouquinho delas e do que voc\u00eas faziam no Ensino de Matem\u00e1tica na Universidade.<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: \u00c9 que eu fui l\u00e1 tanto, fui l\u00e1 e c\u00e1, que eu tenho que pensar um pouquinho como \u00e9 que foi. \u00d4 meu Deus como \u00e9 que foi?<\/p>\n<\/p>\n<p>AB: Eu me lembro que voc\u00ea parou de trabalhar quando a gente era pequeno, ficou um temp\u00e3o sem lecionar, quando veio pra Bahia voc\u00ea voltou a trabalhar.<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: \u00c9, exatamente<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea disse que veio para trabalhar com Marta Dantas, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Eu trabalhava no Col\u00e9gio Aplica\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Com Marta Dantas<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: J\u00e1 no Col\u00e9gio Aplica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: J\u00e1 Col\u00e9gio Aplica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Ela funcionava ali em Nazar\u00e9 tamb\u00e9m?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, mais tarde quando eu voltei, ele j\u00e1 estava aqui no Canela<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Onde hoje \u00e9 a Escola de Nutri\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Eu acho<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, antes ainda. Antes. Na Padre Feij\u00f3<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Ahhhh, onde \u00e9 a Creche hoje<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Eu n\u00e3o sei<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: \u00c9, eu acho que sim, foi onde \u00e9 a creche<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Antes tamb\u00e9m aqui na rua&#8230; no tempo d\u00e1&#8230; n\u00e3o sei se voc\u00ea se lembra, era um professor de S\u00e3o Paulo que veio, ele era diretor do Instituto. Ah, n\u00e3o lembro \u2026 Eu teria que\u2026 a\u00ed n\u00e3o lembro agora<\/p>\n<\/p>\n<p>NP:  Do Instituto de Matem\u00e1tica?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: O Instituto de Matem\u00e1tica funcionou tamb\u00e9m na Marechal Floriano Peixoto, logo no come\u00e7o, entrando aqui na Marechal, um pr\u00e9dio logo a direita a gente funcionou ali tamb\u00e9m, depois \u00e9 que fomos para Padre Feij\u00f3. E a\u00ed quando\u2026 De l\u00e1 eu fui para Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e acabou o Col\u00e9gio Aplica\u00e7\u00e3o e n\u00f3s fomos locadas na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea lembra como foi esse processo do fim do Col\u00e9gio Aplica\u00e7\u00e3o? E se lembrar um pouquinho de l\u00e1 do pr\u00f3prio Col\u00e9gio, porque O Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o sempre foi uma refer\u00eancia.<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Foi, era um Col\u00e9gio muito, muito bom. No tempo meu, a direto era a \u2026 \u00f4 meu Deus \u2026 Como era o nome dela? Eu n\u00e3o poderia dar essa entrevista, n\u00e9? Porque eu t\u00f4 esquecendo muito.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: N\u00e3o&#8230; {risos}<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Oh meu Deus (eu vou ver se eu me lembro.) Ela \u00e9 \u2026 Zilma Parente<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Ah, Zilma Parente, eu tava achando que era ela, mas n\u00e3o tinha&#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Zilma Parente \u2026 Depois o Col\u00e9gio acabou e a\u00ed eu tive que fazer uma prova, alguma coisa para vir para Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, que eu n\u00e3o me lembro muito bem. Eu me lembro que quem me ajudou a ir para l\u00e1 foi o Weidman, porque eu fazia m\u00fasica, ele me conhecia, eu n\u00e3o sei por qu\u00ea. Ele era pr\u00f3-reitor de alguma coisa.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: De extens\u00e3o, eu acho<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: \u00c9, de extens\u00e3o. E ele me chamou me encaminhou, me chamou, e disse \u201cOlha, venha fazer a prova, que voc\u00ea vai entrar pro Col\u00e9gio\u201d e a\u00ed eu entrei no col\u00e9gio aplica\u00e7\u00e3o\u2026. n\u00e3o \u2026 na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, no departamento 2<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Ficou l\u00e1 com o ensino da matem\u00e1tica ainda.<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Sim, no ensino da matem\u00e1tica, metodologia, da\u00ed eu passei para educa\u00e7\u00e3o mesmo, n\u00e9? Metodologia da Matem\u00e1tica, aqueles cursos de curta dura\u00e7\u00e3o, voc\u00ea lembra disso?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Uhum<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Era \u2026<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: PROTAP?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: PROTAP, eu entrei para o PROTAP e dava aula na&#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Porque o PROTAP naquela \u00e9poca era bastante forte, n\u00e9?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Era, fiquei no PROTAP bastante tempo, com Alda Pepe, e aquela&#8230; depois T\u00e2nia Zacarias&#8230; e a\u00ed depois voc\u00ea entrou<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Eu cheguei mais ou menos nesse per\u00edodo. E voc\u00ea lembra da conviv\u00eancia com Omar Catunda, Marta Dantas, com Arlete<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Sim, sim, muito, muito. Catunda, Eu convivi muito com ele, Arlete, Marta, Moreno, como \u00e9? \u2026 Deu um branco agora, o que eu tava falando?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: O nome deles, eu tamb\u00e9m n\u00e3o lembro tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p>\n<p>AB, NP, RB: Omar, Artele, Catunda&#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Voc\u00ea conhecia Catunda que fazia aquele trabalho de Filigrana, n\u00e3o n\u00e9?<\/p>\n<\/p>\n<p>AB: Eu lembro do nome, Omar Catunda, como autor de livros<\/p>\n<\/p>\n<p>RB, NP: Foi muito famoso<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: \u00c9 de matem\u00e1tica. Era um professor, foi meu professor, muito famoso e muito<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Muito bom professor e os livros dele eram \u00f3timos, pouco divulgados, porque eles eram dif\u00edceis, era dif\u00edcil de ensinar, n\u00e3o era qualquer professor que ensinava, n\u00e9? E Marta Dantas com Catunda, \u00e9 um grupo que fez aqueles livros que a gente usou no Col\u00e9gio Aplica\u00e7\u00e3o, n\u00e9? De Matem\u00e1tica de primeira \u00e0 oitava s\u00e9rie. Eram livros com as transforma\u00e7\u00f5es e a geom\u00e9trica, era uma geometria avan\u00e7ada, n\u00e9?<\/p>\n<p>Muito depois, n\u00e9 \u2026 hoje eu nem sei se ensina matem\u00e1tica pelas transforma\u00e7\u00f5es, eu acho que n\u00e3o, porque aquilo morreu por que era dif\u00edcil, n\u00e3o \u00e9 qualquer professor que dava aquilo, n\u00e9?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Chama aten\u00e7\u00e3o, e a gente observou isso, que voc\u00eas eram um grupo de muitas mulheres na Matem\u00e1tica, isso era assim no Brasil ou era uma caracter\u00edstica aqui desse grupo, voc\u00ea sabe?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Tu sabe que quem pode te responder isso bem, \u00e9 uma professora que foi at\u00e9 nossa colega l\u00e1 do Instituto que a tese dela foi sobre isso, da import\u00e2ncia das mulheres, da quantidade de mulheres aqui na Bahia principalmente, eu perdi o contato com o Rio Grande o Sul, e depois que eu sa\u00ed de l\u00e1 nunca mais tive contato com a matem\u00e1tica de l\u00e1, n\u00e3o sei se l\u00e1 tamb\u00e9m a aconteceu isso. Mas hoje em dia, hoje em dia isso \u00e9 muito comum, n\u00e9?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Bom, a\u00ed ent\u00e3o voc\u00ea estudava na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, trabalhando com o ensino da matem\u00e1tica, mas seu interesse mesmo tava mais aqui para perto.<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Era m\u00fasica, n\u00e9? M\u00fasica e teatro<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: E como \u00e9 que voc\u00ea conseguiu fazer essa ponte? A\u00ed voc\u00ea come\u00e7ou a vir dar aula aqui?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: \u00c9 por que eu trabalhava com o Canto, eu comecei c com esse grantando com esse grupo&#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p>AB: Avel\u00e3s y Avestruz?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, Avel\u00e3s y Avestruz n\u00e3o. Nosso grupo, AntiCalha, n\u00f3s gravamos aquele CD aqui o disco, que eu trouxe para voc\u00eas, foi com esse grupo que eu trabalhei com o canto e a\u00ed comecei, depois que o grupo acabou, acho que j\u00e1 tinha acabado eu, a sequ\u00eancia eu n\u00e3o me lembro muito bem. Eu sei que eu comecei a mexer com o canto, com aulas de canto e da\u00ed me chamaram aqui pro teatro, para fazer n\u00e3o era nem canto, era dic\u00e7\u00e3o, mas eu trabalhava a voz pro teatro pros atores e fui professora desses meninos todos. Hoje eles me veem e se lembram. Quem foram meus alunos aqui, n\u00e3o me lembro mais o nome deles, mas eles me veem \u201cOh, Renata suas aulas de canto\u201d e falam comigo, eles iam l\u00e1 para casa e eu trabalhava a voz deles, n\u00e9? Passei bastante dando aula de canto aqui na escola, a disciplina chamava Dic\u00e7\u00e3o 2, mas era canto, era t\u00e9cnica vocal pro ator, n\u00e9?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: E voc\u00ea chegou formalmente a ser transferida da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, era cedida. N\u00e3o me lembro qual era o procedimento, sei que eu vinha aqui, tinha duas disciplinas aqui e depois eu fui para escola de m\u00fasica tamb\u00e9m, l\u00e1 tamb\u00e9m eu trabalhei com a voz, com o canto \u2026 mas era, eu n\u00e3o era titular l\u00e1 tamb\u00e9m, eu era uma professora cedida pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Eu dava um tempo l\u00e1 e outro tempo aqui.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: E cada vez mais se afastando da Matem\u00e1tica \u2026<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Cada vez mais, por que na verdade Matem\u00e1tica n\u00e3o foi a minha &#8230; praia, n\u00e9? Como se diz hoje.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: E sua praia foi aquela que voc\u00ea viu pela primeira vez quando chegou aqui em Salvador {risos} Aquela foi a grande praia.<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: {risos} \u00c9, exatamente, aquela foi a minha grande praia.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Bom, a\u00ed conta um pouquinho mais desse per\u00edodo final de universidade, a\u00ed voc\u00ea em 1978, n\u00e3o? Se aposentou em 93 &#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Me aposentei em 93, \u00e9. L\u00e1 eu tava em Educa\u00e7\u00e3o aquela \u00e9poca, n\u00e9? De l\u00e1 para c\u00e1 eu s\u00f3 trabalhava com a voz na minha casa ou ent\u00e3o \u2026 Eu cantava muito assim, com grupos, qu\u00ea mais? Eu n\u00e3o me lembro mais onde eu trabalhei.<\/p>\n<\/p>\n<p>AB: Prepara\u00e7\u00e3o vocal de atores em pe\u00e7as de teatro e coisas assim\u2026<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: \u00c9 talvez, o \u00faltimo eu n\u00e3o me lembro mais. A\u00ed vai, minha mem\u00f3ria n\u00e3o marcou muito.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: A sua rela\u00e7\u00e3o com a Arte fica evidente na conversa toda, super forte. Voc\u00ea chega em um per\u00edodo aqui na Universidade que a Arte est\u00e1 super forte. Que \u00e9 marcante para constru\u00e7\u00e3o da UFBA e nesse percurso voc\u00ea se aposenta de novo na arte. Nesse per\u00edodo que voc\u00ea se aposenta e hoje, como voc\u00ea est\u00e1 vendo a Universidade? Voc\u00ea acha que essa dimens\u00e3o cultural e art\u00edstica da Universidade continua forte ou voc\u00ea acha que ela caiu um pouco? Como voc\u00ea v\u00ea isso?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Eu vejo que caiu bastante, mas por outro lado tamb\u00e9m eu vejo que tem um movimento de jovens tamb\u00e9m de arte &#8230;Que s\u00e3o fortes, por exemplo esse grupo, essa orquestra dos jovens que eu acho uma coisa fant\u00e1stica<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Neojiba<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Neojiba, que \u00e9 uma coisa maravilhosa, isso a\u00ed cresceu muito, nesse ponto, arte mais erudita, cresceu muito aqui o que n\u00e3o tinha no meu tempo com essa for\u00e7a, mas por outro lado eu vejo tamb\u00e9m, hoje em dia eu n\u00e3o vejo mais \u2026 Meus filhos querem que continue cantando, eu n\u00e3o me sinto mais \u2026 n\u00e3o encontro mais o meu caminho aqui dentro, acho que n\u00e3o se faz mais a m\u00fasica que eu gosto de fazer e que eu gostaria de continuar fazendo, ent\u00e3o parei por causa disso<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Mas parou, parou mesmo, ou a gente vai ouvir voc\u00ea cantar um pouco?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, aqui n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00e3o \u2026 eu t\u00f4 sem voz tamb\u00e9m, porque a muito tempo n\u00e3o fa\u00e7o nada de exerc\u00edcio nada, ent\u00e3o n\u00e3o tenho como \u2026<\/p>\n<\/p>\n<p>AB: Morena quando&#8230; (Come\u00e7a a cantar)<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, n\u00e3o venha n\u00e3o<\/p>\n<\/p>\n<p>{risos}<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Hoje ela canta, ela canta bonito<\/p>\n<\/p>\n<p>AB: Ela tamb\u00e9m.<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Eu n\u00e3o tenho mais voz \u2026 n\u00e3o sai mais<\/p>\n<\/p>\n<p>AB: A exig\u00eancia&#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: A menina rebelde tamb\u00e9m \u00e9 uma menina exigente<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: {risos} Isso mesmo, sou exigente com afina\u00e7\u00e3o, com tudo&#8230; N\u00e3o admito mais desafina\u00e7\u00e3o, porque desafinada eu n\u00e3o sou, mas \u00e9 porque eu n\u00e3o posso afinar tudo e a\u00ed eu n\u00e3o canto mais.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Isso te faz falta?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: \u00c0s vezes, mas n\u00e3o muito. \u00c9 bem op\u00e7\u00e3o minha n\u00e3o continuar, por que eu vejo assim &#8230; Que as pessoas jovens t\u00eam \u2026 n\u00e3o quero tirar a oportunidade de ningu\u00e9m de fazer m\u00fasica, eu acho que fazer mal, eu n\u00e3o fa\u00e7o. N\u00e3o fa\u00e7o mais. Se eu pudesse cantar, e cantar bem eu faria, mas n\u00e3o tenho mais, n\u00e3o posso mais.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Muito bem, algu\u00e9m mais?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Pergunte.<\/p>\n<\/p>\n<p>Camila: A gente t\u00e1 aqui querendo saber quem \u00e9 sua inspira\u00e7\u00e3o na m\u00fasica&#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Quem \u00e9 minha inspira\u00e7\u00e3o? Hoje em dia?<\/p>\n<\/p>\n<p>Camila: Na sua vida toda, e hoje tamb\u00e9m. Quem sempre te inspirou na m\u00fasica<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Sempre me inspirei muito na m\u00fasica erudita que eu gosto muito, eu ou\u00e7o muito at\u00e9 hoje. Cantoras boas e aqui tamb\u00e9m tem&#8230; foram alunos de canto, que s\u00e3o pessoas que at\u00e9 hoje est\u00e3o cantando e s\u00e3o \u00f3timas como cantoras, que eu formei parte, e at\u00e9 me dou com elas. Eu sempre me inspirei na m\u00fasica erudita porque \u00e9 onde eu me sentia mais \u00e0 vontade e eu infelizmente fui criada num ambiente germ\u00e2nico, onde n\u00e3o se conhecia&#8230; muito a m\u00fasica brasileira, a m\u00fasica popular&#8230; infelizmente eu acho isso uma coisa que eu sinto muita pena de n\u00e3o ter sido criada aqui na Bahia fazendo m\u00fasica popular, porque teria outra vis\u00e3o, outra \u2026 ent\u00e3o infelizmente o meu modelo e a minha inspira\u00e7\u00e3o sempre foi na m\u00fasica erudita, de cantoras boas, at\u00e9 hoje. E hoje em dia pode se ouvir de tudo, n\u00e3o precisa de cd nem disco, pode jogar fora os cds e os discos, t\u00e1 tudo na internet. O que tem de melhor no mundo t\u00e1 na internet, n\u00e9? Essa \u00e9 minha inspira\u00e7\u00e3o, por que eu fui criada nesse meio, n\u00e9? Nesse ambiente.<\/p>\n<\/p>\n<p>Gabriel Lima: Como era para voc\u00ea participar do Avel\u00e3s y Avestruz e como foi essa apresenta\u00e7\u00e3o de Rapunzel?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Essa foi uma coisa inesquec\u00edvel, foi assim muito para mim muito nova, muito vanguardista\u2026  Porque eles eram \u00f3timos atores, irreverente e a gente se sentia muito bem fazendo e participando, eu nunca participei como atriz, ali\u00e1s, participei como atriz tamb\u00e9m, mas eu cantava no grupo. O meu grupo cantava com o Avel\u00e3s y Avestruz. Voc\u00ea se lembra do Avel\u00e3s y Avestruz, era do seu tempo?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: \u00c9, novinho<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Voc\u00ea era criancinha, n\u00e9?<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: N\u00e3o, criancinha n\u00e3o&#8230; {risos}<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Sim, \u00e9 isso \u00e9 o que mais?<\/p>\n<\/p>\n<p>Gabriel: E voc\u00eas ainda mant\u00eam contato?<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Ainda mantenho contatos? Com alguns com M\u00e1rcio Meirelles com a ex mulher dele a \u2026 Como \u00e9 o nome dela? Ela t\u00e1 a\u00ed at\u00e9, na foto, aquela outra menina a gordinha, Chica Carelli, que at\u00e9 hoje eu tenho contanto, quem mais? Eu acho que s\u00f3, e M\u00e1rcio Meirelles e a ex mulher dele&#8230;<\/p>\n<\/p>\n<p>AB: Maria Eugenia<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Maria Eugenia, lembrei.<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: Maria Eug\u00eania, exatamente. Super. obrigado<\/p>\n<\/p>\n<p>RB: Eu sou t\u00e3o atrapalhada<\/p>\n<\/p>\n<p>NP: N\u00e3o t\u00e1 atrapalhada nada, o que a gente quer \u00e9 exatamente deixar essas coisas todas registradas, muito obrigado.<\/p>\n<\/p>\n<p>(Palmas)<\/p>\n<\/p>\n<p>Gabriel: Primeiro de tudo agradecer a sua presen\u00e7a, por ter vindo aqui por estar aqui com a gente hoje dividindo um pouquinho das suas experi\u00eancias, sua importancia para Matem\u00e1tica, como uma mulher pioneira no Ensino da Matem\u00e1tica tamb\u00e9m. Trouxe as fotos e os recortes de jornais tamb\u00e9m, foi bem interessante que a gente conversou ali antes da entrevista&#8230; e agradecer pela participa\u00e7\u00e3o e por voc\u00ea estar aqui com a gente.<\/p>\n<\/p>\n<p>Isadora: Agradecer a professora Renata Becker por ter aceitado o convite de vir para entrevista do Mem\u00f3ria em V\u00eddeo, como dito por Gabriel, tamb\u00e9m parabenizar por ter sido uma mulher pioneira em Matem\u00e1tica na Bahia, a gente sabe que a \u00e1reas de exatas \u00e9 uma \u00e1rea majoritariamente dominada por homens. \u00c9 tamb\u00e9m muito bonito ver o seu encantamento pela Bahia e as cores e o azul daqui. Quando a senhora falava tamb\u00e9m de rebeldia, a gente ficou conversando um tanto aqui, e vendo que mesmo em uma \u00e9poca que o machismo era de uma forma ainda mais forte, a senhora j\u00e1 era muito dona de suas escolhas assim &#8230; do que queria, a da nega\u00e7\u00e3o a educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, foi muito valoroso ouvir isso.<\/p>\n<\/p>\n<p>Revis\u00e3o final da transcri\u00e7\u00e3o por Isamara Ellen, aluna de pedagogia e monitora de EDC61 \u2013 Mem\u00f3ria em V\u00eddeo da Educa\u00e7\u00e3o na Bahia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gravado no Teatro Martins Gon\u00e7alves em 28\/05\/2019. Nelson Pretto (NP): Renata, a gente sempre come\u00e7a essa conversa pedido para voc\u00ea se apresentar. Quem \u00e9 voc\u00ea? Renata Becker (RB): Quem sou eu? NP: \u00c9. RB: Eu sou Renata Becker, sou aposentada da universidade desde 1993 e trabalhei aqui na escola de teatro tamb\u00e9m nos \u00faltimos anos. Eu entrei na universidade aqui da Bahia nos anos&#8230; 90, 90 e&#8230; Eu vim para c\u00e1 para Bahia&#8230; Eu estou esquecida! Deixa eu ver&#8230; Eu entrei na universidade aqui quando eu vim do Rio Grande do Sul&#8230; Alice Becker (AB): 70, 71? RB: 70, 71, n\u00e9? Eu n\u00e3o me lembro bem&#8230; Devia ter trazido por escrito. NP: N\u00e3o, n\u00e3o precisa {risos}. RB: Bom, eu entrei via Instituto de matem\u00e1tica na \u00e9poca, porque eu tava rec\u00e9m-formada, em 60 e poucos, n\u00e9? E vim pra Bahia e vim indicada para Martha Dantas, porque ela era de matem\u00e1tica e a minha professora l\u00e1 do Rio Grande do Sul era Martha Menezes, amiga de Martha (Dantas). E ela fez uma cartinha para Martha (Dantas) me indicando. Eu entrei ent\u00e3o no Col\u00e9gio Aplica\u00e7\u00e3o. NP: Ent\u00e3o voc\u00ea nasceu no Rio Grande do Sul? RB: No Rio Grande do Sul. NP: Conta um pouquinho dessa hist\u00f3ria de l\u00e1&#8230; L\u00e1 de tr\u00e1s&#8230; RB: Pois \u00e9, l\u00e1 de tr\u00e1s&#8230; \u00c9 bem longo. Eu sempre fui muito pela m\u00fasica, n\u00e9? Eu gostava muito de m\u00fasica. E cantava e a minha m\u00e3e, meus pais me incentivavam muito com a m\u00fasica. Bom, e o que mais que eu tenho que dizer? Fico meio perdida porque \u00e0s vezes os pensamentos desaparecem. NP: Mas voltam. RB: Voltam, n\u00e9? AB: E voc\u00ea era muito musical. RB: Minha m\u00e3e disse que eu cantava desde 10 meses, eu cantava afinadinho can\u00e7\u00f5es alem\u00e3s que ela me ensinava n\u00e9? E, de fato, eu comecei cedo na m\u00fasica. NP: Voc\u00ea nasceu em Novo Hamburgo? RB: Nasci em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. NP: Deixa eu te mostrar uma coisa que eu acho que voc\u00ea vai gostar de ouvir. (Reprodu\u00e7\u00e3o de \u00e1udio da Magdalena Cassel): Renata era uma crian\u00e7a muito linda e esperta. Tinha olhos escuros e cabelos ondulados. Desde cedo procurava impor sua vontade. Era decidida e voluntariosa e, \u00e0s vezes, um tanto rebelde no que se refere a regras e conven\u00e7\u00f5es da \u00e9poca. RB: At\u00e9 hoje&#8230; {risos} (Reprodu\u00e7\u00e3o de \u00e1udio da Magdalena Cassel): Cursou o gin\u00e1sio na Funda\u00e7\u00e3o Evang\u00e9lica em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e seguiu fazendo o curso cient\u00edfico no Col\u00e9gio Sinodal de S\u00e3o Leopoldo. Foi aprovada no vestibular da UFRGS, indo morar em Porto Alegre com mais duas colegas nas imedia\u00e7\u00f5es da faculdade. Formou-se em matem\u00e1tica, coisa rara na \u00e9poca. Gostava muito de ler, era objetiva e determinada. Tinha uma excelente voz, tanto que participou por v\u00e1rios anos do grupo de canto regido por Madeleine Ruffier em Porto Alegre, onde conheceu An\u00edbal Denovaro, que veio a ser o seu marido e pai de seus quatro filhos, acabaram a formar um coral de fam\u00edlia (pai, m\u00e3e, Alice, S\u00e9rgio, Daniel e Andr\u00e9). NP: Te lembra muita coisa isso? RB: Lembra sim, eu tenho at\u00e9 umas coisas a\u00ed registradas&#8230; NP: Desse per\u00edodo? RB: Desse per\u00edodo. E cantamos muito at\u00e9 no Teatro Castro Alves numas Segundas Musicais, que era um programa e a gente cantava mesmo, n\u00e9? E a\u00ed, em seguida, eu me separei, e da\u00ed eu tomei meu rumo no Antic\u00e1lia, grupo com Avel\u00e3s y Avestruz&#8230; A gente fez muito trabalho junto. NP: Aqui na Bahia, n\u00e9? RB: Aqui na Bahia, aqui na Escola de Teatro. NP: Aqui na escola de Teatro. E l\u00e1 no Sul? Assim, a gente v\u00ea que voc\u00ea desde o come\u00e7o tinha m\u00fasica, mas tamb\u00e9m entrou na matem\u00e1tica. Como era sua escola l\u00e1? Porque eu tamb\u00e9m eu sou ga\u00facho, n\u00e9? Eu nasci em Porto Alegre. \u00c9, eu nasci em Porto Alegre, e eu senti uma diferen\u00e7a muito grande entre a escola de l\u00e1 do Rio Grande do Sul e a daqui. Como era a sua escola prim\u00e1ria? N\u00f3s estamos falando dos anos 30, 40, n\u00e9? RB: \u00c9, dos anos 40&#8230; \u00c9, na escola eu n\u00e3o notei tanta diferen\u00e7a assim, porque eu terminei o meu curso l\u00e1, n\u00e9? Ent\u00e3o eu fiz todo o meu prim\u00e1rio e secund\u00e1rio l\u00e1 e eu tive uma escola diferente, porque era uma Escola Comunit\u00e1ria l\u00e1 da Igreja Luterana, n\u00e9? Ent\u00e3o era uma escola dirigida at\u00e9 por pessoas que vinham da Alemanha, ent\u00e3o era uma escola diferente e que dava muita \u00eanfase para a arte, para a educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Uma escola completa. Aquela coisa que a gente acha que \u00e9 importante, n\u00e9? Eu tive uma escola secund\u00e1ria muito positiva, muito boa. NP: Voc\u00ea lembra de professores dessa \u00e9poca que marcaram? RB: Sim, mas ningu\u00e9m conhece aqui, n\u00e9? NP: Mas vamos registrar um pouquinho. RB: Pois \u00e9, que eu me lembro assim, a gente tinha em Franc\u00eas um professor que era franc\u00eas mesmo, o base. E o professor de Latim&#8230; Eu estudei Latim e estudei Franc\u00eas, estudei Ingl\u00eas e eram professores que vinham at\u00e9 da Alemanha e de fora. A escola era muito boa, ent\u00e3o me deu uma vis\u00e3o geral, n\u00e9? A gente fazia teatro, coisas que nas outras escolas n\u00e3o tinha. Tinha coral, n\u00e9? NP: Era muito r\u00edgida? RB: Era, mas eu n\u00e3o achava t\u00e3o r\u00edgida na \u00e9poca. A pr\u00f3pria regi\u00e3o, n\u00e9? A coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 \u00e9 bastante organizada, e ela tinha uma certa rigidez. NP: E a sua rebeldia? Como \u00e9 que ficava ali dentro? RB: Ah, isso a\u00ed \u00e9 o que dizem&#8230; NP: Ah, n\u00e3o \u00e9 verdade? {risos} tem gente que acha&#8230; RB: \u00c9, tem gente que acha que eu sou at\u00e9 hoje meio rebelde ainda. \u00c9 porque eu saio dos padr\u00f5es&#8230; Trazendo pra minha filha outro dia que eu tenho grupos onde eu n\u00e3o me sinto muito inclu\u00edda porque eu me sinto diferente, ent\u00e3o eu n\u00e3o posso dizer as minhas ideias, porque n\u00e3o s\u00e3o aceitas, s\u00e3o consideradas rebeldes. Eu acho que eu sou rebelde at\u00e9 hoje, n\u00e9? Porque agora, ainda mais nessa situa\u00e7\u00e3o aqui agora de pol\u00edtica, eu nunca sou a<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":51,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"single.php","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-351","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transcricoes"],"featured_image_src":null,"featured_image_src_square":null,"author_info":{"display_name":"bsglinux2","author_link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/author\/bsglinux2\/"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=351"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":977,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351\/revisions\/977"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}