{"id":339,"date":"2020-10-07T11:49:01","date_gmt":"2020-10-07T11:49:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/memoriaeducacaobahia\/?page_id=339"},"modified":"2025-02-11T22:30:32","modified_gmt":"2025-02-12T01:30:32","slug":"harildo-deda-transcricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/harildo-deda-transcricao\/","title":{"rendered":"Harildo Deda &#8211; transcri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Gravado no Teatro Martins Gon\u00e7alves em 09\/04\/2019.<\/p>\n<p>Nelson Pretto (NP): Ent\u00e3o Harildo, como eu estava te dizendo nessa atividade somos todos amadores, nessa dimens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica e de televis\u00e3o, mas o que a gente quer mesmo, o que a gente gosta \u00e9 de hist\u00f3ria, n\u00e9? \u00c9 de mem\u00f3ria. Ent\u00e3o o convite a voc\u00ea \u00e9 muito pra que voc\u00ea possa falar livremente; a gente ficou futucando sua vida e vai te provocar um pouquinho mas a gente come\u00e7a sempre dizendo quem \u00e9 voc\u00ea, como nasceu, e a partir da\u00ed a gente vai conversando de Sergipe pro mundo.<\/p>\n<p>Harildo D\u00e9da (HD): [risos] De Simon Days, Sim\u00e3o Dias para o mundo. \u00c9, esse neg\u00f3cio de teatro j\u00e1 come\u00e7a l\u00e1 em Sim\u00e3o Dias mesmo, no interior de Sergipe, com os dramas, os dramas feitos na Igreja Presbiteriana de Sim\u00e3o Dias, recitando poesia e at\u00e9 quando eu vim com 12 anos pra c\u00e1 pra Salvador pra estudar no Col\u00e9gio 2 de Julho; e aqui como uma atividade lateral fazendo essas coisas de, recitando poesia e fazendo\u2026 fazendo \u201cdrama\u201d.<\/p>\n<p>NP: E l\u00e1 em Sergipe, n\u00e9? Sua fam\u00edlia? A forma\u00e7\u00e3o? A alfabetiza\u00e7\u00e3o? Como \u00e9 que\u2026?<\/p>\n<p>HD: A fam\u00edlia, a fam\u00edlia \u00e9 a fam\u00edlia que tem nome, mas n\u00e3o tinha dinheiro. Meu pai \u00e9, na \u00e9poca que eu vim pra c\u00e1, ele era sapateiro, tinha uma loja de cal\u00e7ado e n\u00e3o queria mais que filho nenhum estudasse porque o mais velho n\u00e3o deu\u2026 s\u00f3 terminou o gin\u00e1sio e n\u00e3o queria continuar. Ele disse ent\u00e3o \u201cningu\u00e9m vai mais, vai estudar n\u00e3o! N\u00e3o vai mais n\u00e3o\u201d. Mas eu consegui aos 12 anos de idade, eu consegui pedi uma bolsa para o col\u00e9gio j\u00e1 que ele n\u00e3o queria pagar nada, vim para o Col\u00e9gio 2 de Julho com uma bolsa at\u00e9 fazer gin\u00e1sio e, na \u00e9poca o cl\u00e1ssico, o curso cl\u00e1ssico at\u00e9 fazer o vestibular de letras. Que era alguma coisa que eu gostava muito e no Col\u00e9gio 2 de Julho fui bem preparado com estudo de l\u00ednguas, com o franc\u00eas, ingl\u00eas e fiz logo que sa\u00ed do 2 de Julho fiz o vestibular pra Letras, passei, no meio do segundo semestre, eu ganhei uma bolsa para os Estados Unidos, com 19 anos, e fui pra estudar l\u00e1, e l\u00e1 \u00e9 que eu vi que havia uma possibilidade daquilo que eu fazia como amador e por gostar de fazer, que aquilo podia ser uma profiss\u00e3o. Eu sabia que existia profiss\u00e3o de ator, mas n\u00e3o com a coisa t\u00e3o clara como foi l\u00e1 no nos Estados Unidos a forma\u00e7\u00e3o daqueles alunos para serem atores diretores e l\u00e1 eu vi que era poss\u00edvel fazer isso. Quando eu voltei n\u00e3o quis nem saber mais de letras, eu cheguei a terminar anos mais tarde, mas eu voltei em 61 e em 62 criava-se aqui na Bahia, gra\u00e7as a uma visita do Centro Popular de Cultura da UNE, criava-se aqui na Bahia o CPC, o Centro Popular de Cultura da Bahia e eu entrei e a\u00ed eu comecei a realmente fazer teatro junto com o CPC.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea lembra de professores que te marcaram, professoras? Desde l\u00e1 de tr\u00e1s, de l\u00e1 de Sergipe. alfabetiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>HD: Ah, de Sergipe tinha. Tinha uma professora que marca todo mundo l\u00e1 dentro da minha gera\u00e7\u00e3o que era dona Otaviana. Dona Otaviana que tinha uma escola particular onde a gente aprendia as primeiras letras, a ler com dona Otaviana. E eu era o queridinho dela e pronto, a\u00ed eu&#8230;<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea era o queridinho?<\/p>\n<p>HD: Ah, sim<\/p>\n<p>NP: Porque?<\/p>\n<p>HD: Sei l\u00e1, eu acho que eu tinha facilidade de aprender as coisas. N\u00e3o tinha facilidade para Matem\u00e1tica, isso de jeito nenhum. Eu quando eu fiz vestibular eu tava fazendo vestibular e fazendo segunda \u00e9poca no Col\u00e9gio 2 e Julho de Matem\u00e1tica, o professor Benevides de Oliveira, que era uma pessoa maravilhosa, mas me botou em segunda \u00e9poca pra fazer no ano que eu tava saindo do col\u00e9gio 2 de Julho. Matem\u00e1tica. N\u00e3o d\u00e1, n\u00e3o d\u00e1. N\u00e3o dava mesmo.<\/p>\n<p>NP: Essa professora marcou, e depois no 2 de Julho?<\/p>\n<p>HD: No 2 de julho tem dona No\u00eamia da Veiga Rego, vulgo Calamit\u00ea. Foi quem me ensinou franc\u00eas. No Col\u00e9gio 2 de Julho eu sa\u00ed com sete anos de Col\u00e9gio 2 de Julho eu sa\u00ed falando em franc\u00eas e ingl\u00eas gra\u00e7as a Mister Gravis e, em Teatro quem tava botando na minha cabe\u00e7a pra fazer teatro era Dona Maria Nazar\u00e9 de Seixas que tinha um grupo de teatro aqui na cidade e se interessou por mim, pra que eu seguisse o caminho.<\/p>\n<p>NP: Mas ela era professora?<\/p>\n<p>HP: Era professora de Canto Orfe\u00f4nico do Col\u00e9gio 2 de Julho. E l\u00e1 quando eu voltei dos Estados Unidos comecei a fazer o CPC e em 64 me impediram de continuar, obviamente. Era Centro Popular de Cultura da UEB (da Uni\u00e3o dos Estudantes da Bahia) e fui impedido de continuar. E volto em 66 pra n\u00e3o largar mais nunca, ent\u00e3o s\u00e3o 53 anos j\u00e1 disso.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea viveu ent\u00e3o aqui na Bahia naquele per\u00edodo em que a UFBA come\u00e7ava a florescer muito fortemente por causa do Teatro.<\/p>\n<p>HD: Teatro, da m\u00fasica e de dan\u00e7a. Koellreutter&#8230;<\/p>\n<p>NP: Conta ent\u00e3o, como era isso? Como voc\u00eas viam isso e viviam?<\/p>\n<p>HD: Olha eu era interno do col\u00e9gio 2 de Julho. No Col\u00e9gio 2 de Julho tinha internato, masculino e feminino. A coisa era t\u00e3o forte, era muito r\u00edgido o Col\u00e9gio 2 de Julho. Era t\u00e3o forte, para mim pelo menos, que eu fugia de noite para assistir pe\u00e7a. Fugia do internato, e era fugir mesmo, com o sapato na m\u00e3o e passar pela casa do diretor, pela garagem do diretor para poder vir assistir pe\u00e7a. Eu assisti a pe\u00e7a que inaugurou esse teatro 1958 que foi a Senhorita J\u00falia, que eu n\u00e3o esque\u00e7o nunca mais na minha vida. [tempo\u2026 emociona-se]. Ver isso aqui, a magia disso foi muito forte pra mim, pra eu poder continuar aqui, vendo essa pe\u00e7a, a senhorita J\u00falia de Strindberg, disse que se eu quero fazer isso e vou fazer isso.<\/p>\n<p>NP: Como era o p\u00fablico? Voc\u00ea vinha com a sua turma?<\/p>\n<p>HD: Eu vinha sozinho, sozinho&#8230; Fugia ali do Garcia, vinha para assistir a pe\u00e7a aqui e era useiro e vezeiro at\u00e9 que um dia em que o Mr Gravis me pegou, era o diretor e disse: \u201c\u00d4 Harildo, onde \u00e9 que voc\u00ea estava?\u201d Eu disse, ah, mister Gravis eu n\u00e3o vou mentir eu tava assistindo teatro. \u201cOh! quando for pe\u00e7a me pe\u00e7a\u201d [risos].<\/p>\n<p>NP: Nunca encontrou ele aqui dentro?<\/p>\n<p>HD: Nunca, nunca.<\/p>\n<p>NP: Nem professores, aqui?<\/p>\n<p>HD: Dona Maria, Dona Maria Nazar\u00e9 vinha vez em quando aqui.<\/p>\n<p>NP: Mas ela, estava a favor?<\/p>\n<p>HD: \u00c9. \u00e9 claro.<\/p>\n<p>NP: Ela queria que voc\u00ea ficasse\u2026?<\/p>\n<p>HD: Queria, mas n\u00e3o\u2026 do col\u00e9gio n\u00e3o.<\/p>\n<p>NP: E o que mais da Universidade que voc\u00ea lembra, que acha que era importante a gente? E que era a \u00e9poca em que a UFBA estava nascendo, Edgar Santos parece que era um Reitor dur\u00e3o.<\/p>\n<p>HD: Olha, eu acho que doutor Edgar, \u00e9, descobriu a voca\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, que \u00e9 nas artes. A voca\u00e7\u00e3o para a Bahia e para a Universidade Federal da Bahia era nas artes. A\u00ed ele pega e funda as tr\u00eas escolas, ele quis incluir Belas Artes, mas Belas Artes era, j\u00e1 era uma escola centen\u00e1ria e n\u00e3o quis se meter nessa, nessas empreitadas, mas ele funda a Escola de Teatro e chama Martim Gon\u00e7alves, ele chama, ele funda os Semin\u00e1rios Livres de m\u00fasica que depois vira Escola de M\u00fasica e chama uma das pessoas mais importantes em m\u00fasica naquela \u00e9poca n\u00e3o s\u00f3 no Brasil que era o Koellreutter, e em dan\u00e7a uma polonesa chamada Yanka Rudzka que realmente consegue levantar e transformar essa Universidade num polo cultural onde as coisas&#8230; Isso virou um point de cultura na Bahia. E a\u00ed logo depois junta Belas Artes e ent\u00e3o, as artes dentro da universidade \u00e9 um achado de Edgar Santos para o ensino superior na Bahia.<\/p>\n<p>NP: E a sociedade baiana nessa \u00e9poca, n\u00e3o tinha um certo p\u00e9 atr\u00e1s?<\/p>\n<p>HD: Tinha, tinha, tinha. A Bahia, a gente sempre gosta de pensar como uma coisa livre, liberta, libert\u00e1ria. Mas a Bahia \u00e9 aparentemente, s\u00f3 ela na apar\u00eancia \u00e9 m\u00e3e, mas ela \u00e9 muito madrasta. E a\u00ed, e \u00e9 muito conservadora e era muito conservadora. Ent\u00e3o isso n\u00e3o era bem aceito pela dita sociedade local. Ent\u00e3o havia uma coisa contr\u00e1ria a isso; mas Martin sabia levar, Koellreutter tamb\u00e9m sabia levar e doutor Edgar principalmente no comando disso.<\/p>\n<p>NP: Porque ele era classe dominante n\u00e9?<\/p>\n<p>HD: Tamb\u00e9m, tamb\u00e9m. E isso \u00e9 saber como lidar com essa classe dominante. Com eles.<\/p>\n<p>NP: Muito interessante! Nesse movimento todo ent\u00e3o, voc\u00ea entra na universidade, vive isso, da\u00ed vai pra os Estados Unidos\u2026<\/p>\n<p>HD: Eu vou pros Estados Unidos a primeira vez, volto, largo letras, que eu j\u00e1 estava na universidade, largo letras. Tento fazer direito, mas era uma coisa que eu tava fazendo apenas para agradar meu pai, porque seu D\u00e9da apesar de n\u00e3o interferir muito na minha educa\u00e7\u00e3o, muito pelo contr\u00e1rio, ele queria que o filho tivesse um diploma. Ent\u00e3o eu tentei, vamos satisfazer seu D\u00e9da. A\u00ed fui fazer\u2026 M\u00e1rio Kertz quando eu cheguei dos Estados Unidos, M\u00e1rio que era irm\u00e3o de um colega meu que era Eduardo, Eduardo Kertz, me chamou pra estudar com ele para fazer o vestibular de Direito. Eu disse, bora, bora estudar juntos, voc\u00ea faz e eu n\u00e3o perco nada porque eu t\u00f4 estudando com voc\u00ea. A\u00ed ele disse: porque voc\u00ea n\u00e3o se matricula? \u00c9, eu disse bora, eu me matriculei pra fazer o vestibular. Eu passei e ele perdeu. Mas no ano seguinte ele fez Administra\u00e7\u00e3o que a dele n\u00e3o era Direito mesmo.<\/p>\n<p>NP: E nem a sua era Direito tamb\u00e9m, n\u00e9?<\/p>\n<p>HD: \u00c9, \u00e9, \u00e9.<\/p>\n<p>NP: E como foi o curso de direito? A gradua\u00e7\u00e3o, foi? Os professores?<\/p>\n<p>HD: Eu comecei a fazer Direito, no segundo semestre, uma aula de Nelson Sampaio sobre Teoria Geral do Estado, ele falando l\u00e1 e eu aqui pensando naquela sala que \u00e9 um anfiteatro, meu deus o que \u00e9 que eu t\u00f4 fazendo aqui? Eu n\u00e3o quero t\u00e1 aqui. Professor licen\u00e7a! Nunca mais voltei, nem para trancar. Fui direto para fazer teatro mesmo e pronto. \u00c9 o que eu chamo os famosos seis meses de esfiha e coca-cola. Seu D\u00e9da n\u00e3o mandava mais a mesada, ent\u00e3o eu tinha que viver com o que vinha do teatro, foi a\u00ed que eu comecei a fazer teatro profissionalmente que era 66, j\u00e1 em 66 com Arena Conta Zumbi que foi minha primeira pe\u00e7a profissional no barrac\u00e3o da gra\u00e7a, al\u00ed vizinho, em frente aquela lanchonete al\u00ed, tinha uma feira e n\u00f3s constru\u00edmos um teatro l\u00e1 para apresentar a pe\u00e7a, a pe\u00e7a foi um sucesso, maior sucesso, mas a gente tem que continuar porque a gente construiu o teatro ent\u00e3o tem que pagar as d\u00edvidas. Ent\u00e3o teve que continuar, e continuar e continuar pagando d\u00edvida, mas foi a\u00ed que n\u00e3o deixamos. Nessa \u00e9poca tava fazendo Teatro de Arena eu, Domingos Leonelli e Luiz Lamego na produ\u00e7\u00e3o, isso continuamos e fazendo at\u00e9 que n\u00e3o foi poss\u00edvel mais carregar o Teatro de Arena da Bahia ent\u00e3o cada um seguir o seu rumo.<\/p>\n<p>NP: E acabou o teatro l\u00e1?<\/p>\n<p>HD: Acabou, acabou porque n\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>NP: E era voc\u00eas mesmo, n\u00e9?<\/p>\n<p>HD: Era.<\/p>\n<p>NP: E esse tamb\u00e9m era um per\u00edodo complicado, politicamente\u2026<\/p>\n<p>HD: \u00c9, em 66 eu come\u00e7o a fazer teatro profissional, em 68 recrudesce mais a censura e ficou brabo pra gente continuar, mas n\u00f3s continuamos. As pessoas desistiam do teatro de texto para fazer o teatro express\u00e3o corporal porque a censura, porque a censura \u00e9 o seguinte voc\u00ea chegava para fazer um espet\u00e1culo, voc\u00ea ensaiava durante dois meses, no dia da estreia voc\u00ea tinha o ensaio na tarde da estreia para a censura. A censura vinha e cortava; Antes j\u00e1 vinha de Bras\u00edlia o texto cortado, ou n\u00e3o! E aqui o espet\u00e1culo era cortado, ou n\u00e3o, ou n\u00e3o. Ent\u00e3o a gente no dia da estreia \u00e9 que a gente sabia se podia continuar com o espet\u00e1culo no qual voc\u00ea gastou produ\u00e7\u00e3o, dinheiro de produ\u00e7\u00e3o, pagamento de ator e coisa e tal, e cen\u00e1rio e figurino, na corda bamba porque podia ser que a censura cortasse. Isso a gente viveu de 68 at\u00e9 78 quando eu viajei novamente dos Estados Unidos para fazer o Mestrado. Quando eu voltei em 81 j\u00e1 tava um pouco melhor. De 72 a 78 eu j\u00e1 tava no Vila Velha com teatro livre da Bahia fazendo teatro com Jo\u00e3o Augusto.<\/p>\n<p>NP: Conta um pouquinho mais dessa cena assim, pra n\u00f3s aqui por que eu acho que \u00e9 muito importante principalmente nesse momento, essa coisa de um censor chegar e diz \u201ccorta isso\u201d. Como era a cena propriamente dito, porque \u00e9 meio inacredit\u00e1vel n\u00e9, essas coisas.<\/p>\n<p>HD: \u00c9, chegava, eu peguei por exemplo um sensor que era um ex-padre, uma simpatia, muito simp\u00e1tico, ele ia assistir e se ele gostasse ou n\u00e3o do espet\u00e1culo ou ele achasse que tava&#8230; que tinha&#8230; era imoral ou politicamente incorreto, ele cortava e o espet\u00e1culo n\u00e3o podia ir mais a cena. O espet\u00e1culo n\u00e3o podia estrear. Ent\u00e3o a gente tava assim na tarde da estreia nas m\u00e3os do padre Pinheiro ou de Maria Helena n\u00e3o sei mais quem quer que fosse, esperando que o espet\u00e1culo, que a gente, que o espet\u00e1culo tivesse carreira e muitas vezes muitos espet\u00e1culos foram cortados na ra\u00edz, porque n\u00e3o podia ser feito. Agora, malandramente a gente tamb\u00e9m tinha estrat\u00e9gias com a censura, no Vila Velha, por exemplo, eu e Bemvindo Siqueira nos junt\u00e1vamos, na hora que tinha uma possibilidade do sensor cortar a gente chegava com uma cachacinha para dar para o sensor, nessa \u00e9poca ele gostava muito de tomar uma cachacinha E a\u00ed eles come\u00e7aram a conversar aqui e o espet\u00e1culo correndo l\u00e1. Mas viu, passava a cena, sim mas vamos continuar agora, a\u00ed ele n\u00e3o via a cena, n\u00e3o via a cena, ou quando ele vinha ver durante a temporada, a gente ficava no Vila na porta l\u00e1 de cima e \u2026 \u201c\u00f3 hoje para fazer o espet\u00e1culo como o sensor viu\u201d, por que se n\u00e3o ele cortava novamente e ainda aplicava, a gente ainda podia ser preso.<\/p>\n<p>NP: Chegou caso de algum espet\u00e1culo j\u00e1 na temporada?<\/p>\n<p>HD: Chegou sim, chegou. Comigo, comigo n\u00e3o. Mas eu sei Deolindo Checcucci teve espet\u00e1culos cortados, Alvinho Guimar\u00e3es teve a c\u00e9lebre incidente no teatro Castro Alves em que ele estava fazendo um ensaio, o espet\u00e1culo foi proibido, ele estava fazendo um ensaio para a classe teatral. fechado, a pol\u00edcia chegou invadiu levou muitos atores presos. E o espet\u00e1culo chamava Senhoritas, com, deixa eu ver se eu me lembro quem eram os atores, Maria Idalina, Vieira Neto e Valdemar Nobre. A cabe\u00e7a ainda funciona. Dire\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Guimar\u00e3es. E era a incerteza de continuar com essa profiss\u00e3o. Muita gente largou, muita gente que era imprescind\u00edvel, era triste ver certas pessoas n\u00e3o aguentar mais, mas os sobreviventes aguentaram.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea adora essa express\u00e3o, sobreviventes\u2026<\/p>\n<p>HD: Sobreviventes\u2026 porque \u00e9 isso que n\u00f3s somos, essa semana a gente tava aqui eu e o Ylmara [Rodrigues] sendo objeto de mem\u00f3rias, e tava lembrando disso n\u00f3s somos os sobreviventes. Gra\u00e7as a Deus que \u00e9 assim.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea falou agora \u201cGra\u00e7as a Deus\u201d e, tem uma dimens\u00e3o religiosa tamb\u00e9m em toda a sua forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem?<\/p>\n<p>HD: Tem sim, eu sou de fam\u00edlia protestante, comecei dentro da Igreja Presbiteriana de Sim\u00e3o Dias, sou crist\u00e3o, pelo menos tento ser, mas [Luiz] Marfuz tamb\u00e9m fala no no humanismo e na milit\u00e2ncia, pra mim \u00e9 o trip\u00e9 que me faz ainda ser.<\/p>\n<p>NP: Pra fazer uma ponte disso com a educa\u00e7\u00e3o, quer dizer essa dimens\u00e3o crist\u00e3, essa dimens\u00e3o do humanismo, essa dimens\u00e3o da milit\u00e2ncia faz alguma rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o? Quer dizer, o que voc\u00ea teve ou o que voc\u00ea gostaria de ter.<\/p>\n<p>HD: Olha \u00e9, pra mim a educa\u00e7\u00e3o vem como voca\u00e7\u00e3o, e voca\u00e7\u00e3o \u00e9 um termo bem crist\u00e3o. Eu sou principalmente, primordialmente ator e diretor, e professor de teatro, e professor de teatro. Acho que eu tomo como uma miss\u00e3o, miss\u00e3o \u00e9 outra palavra crist\u00e3. Eu sou principalmente e primordialmente, ator e diretor e professor de teatro. Acho que eu tomo como uma miss\u00e3o \u2013 miss\u00e3o \u00e9 outra palavra crist\u00e3, mas tamb\u00e9m \u00e9 de milit\u00e2ncia \u2013 o ser professor. Encontrei isso pra mim e, hoje em dia, eu n\u00e3o consigo dividir as duas coisas e n\u00e3o posso passar sem o fazer teatral e o passar experi\u00eancia do teatro na minha vida para outros. Eu falei naquele dia tamb\u00e9m que eu me considero como vampiro de juventude e \u00e9 verdade. Pra mim, \u00e9 o que eu posso passar de experi\u00eancia s\u00f3 sobrevive se eu tamb\u00e9m consigo tirar da juventude para mim. Ent\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio b\u00e1sico de vampiro mesmo: engole o sangue, suga o sangue pra continuar vivendo.<\/p>\n<p>NP: Alguma refer\u00eancia de professor ou professora que te mostrou isso ou foi uma descoberta sua mesmo?<\/p>\n<p>HD: Olha, diretamente assim, n\u00e3o. Mas eu tenho alguns mestres que\u2026 Aqui na Escola, um professor, um dos \u00faltimos italianos que vem aqui para o teatro brasileiro de com\u00e9dias em S\u00e3o Paulo e que veio \u201cpraqui\u201d em dois anos, quando Martins j\u00e1 tinha ido embora, a Escola estava em um per\u00edodo de decad\u00eancia. Alberto da Versa veio aqui para montar duas pe\u00e7as e com ele eu descubro essa coisa de&#8230; num primeiro ensaio dele. Por um acaso, o texto n\u00e3o estava pronto pra ele distribuir com os atores para fazer a primeira leitura, ent\u00e3o s\u00f3 tinha o texto dele. N\u00f3s, alunos, sentamos a\u00ed e ele aqui em cima leu a pe\u00e7a inteira, fazendo todos os personagens. N\u00e3o \u00e9 o fato dele dessa&#8230; dessa coisa histri\u00f4nica de ler todos os personagens, mas \u00e9 o fato de querer passar para o outro, o mais jovem, aquilo que o mais velho tinha. Isso para mim \u00e9 muito importante. O mais experiente passando para o mais jovem a sua experi\u00eancia. N\u00e3o ensinando, mas passando a experi\u00eancia. \u00c9 quase dizendo: \u201cOlhe, minha experi\u00eancia \u00e9 essa. Fa\u00e7a disso o que voc\u00ea quiser. Deixa at\u00e9 de seguir, mas veja isso.\u201d Que \u00e9 uma das coisas que eu gosto muito de citar \u00e9 que eu n\u00e3o acredito em iconoclasta que n\u00e3o foi santeiro, ent\u00e3o \u00e9 preciso voc\u00ea aprender a fazer o santo para depois quebrar o santo, se quiser.<\/p>\n<p>NP: Isso tem sido uma marca em Harildo professor?<\/p>\n<p>HD: Eu espero que sim, eu espero que sim. Porque \u00e9 isso que eu quero. E a\u00ed entra um pouco na coisa da milit\u00e2ncia, que \u00e9 o di\u00e1logo. O ator quando t\u00e1 aqui, ou o diretor quando t\u00e1 aqui, ele n\u00e3o est\u00e1 apenas se exibindo narcisisticamente, ele t\u00e1 apenas dizendo: \u201cOlha, eu vejo o mundo assim. Como \u00e9 que voc\u00ea v\u00ea o mundo?\u201d e \u00e9 assim que a gente dialoga. O estar no mundo. N\u00e3o mudamos o mundo, n\u00e3o queremos mudar o mundo, mas queremos que veja a nossa vis\u00e3o de mundo para que a gente possa dialogar e ter uma terceira via ou um terceiro tom que chamamos \u201cAurora\u201d, como diz Drummond.<\/p>\n<p>Fernanda Accorsi: O senhor coloca a milit\u00e2ncia como uma das partes do trip\u00e9.<\/p>\n<p>HD: Sim.<\/p>\n<p>Fernanda Accorsi: E qual seria a maior relev\u00e2ncia dessa milit\u00e2ncia enquanto ator e enquanto professor\/educador? Qual seria a marca, a import\u00e2ncia, a relev\u00e2ncia mesmo dessa milit\u00e2ncia enquanto educador?<\/p>\n<p>HD: O que ser\u00e1 que eu te digo? Eu acho que essas tr\u00eas coisas est\u00e3o t\u00e3o amalgamadas que n\u00e3o faz diferen\u00e7a, porque voc\u00ea encontra no ator algumas coisas do professor e no professor voc\u00ea tem que usar a interpreta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para poder fazer e \u00e9 um corpus que voc\u00ea passa adiante para receber de volta e para poder dialeticamente a gente seguir.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea viveu isso como aluno, depois como ator, depois como ator e professor aqui dentro. Voc\u00ea acha que, ao longo desse tempo, essas coisas est\u00e3o ficando mais ou menos intensas na educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>HD: Detesto dizer isso, mas acho que est\u00e3o cada vez menos intensas. N\u00e3o sei se \u00e9 coisa de velho, mas a gente&#8230; a gente tinha mais responsabilidade, tanto de uma parte, como de outra. Responsabilidade como a origem da palavra Latina \u201cresponsa\/reposta\u201d. N\u00f3s temos que dar uma resposta para receber outra resposta, dialeticamente. Sinto falta, sinto falta disso. Acho que t\u00e1 tudo muito superficial, a gente t\u00e1 lidando com causas s\u00e9rias e necess\u00e1rias de forma muito irrespons\u00e1vel. Sem respostas.<\/p>\n<p>NP: Eu queria voltar um pouquinho l\u00e1 para voc\u00ea entrando aqui na Escola de Teatro como professor. Tem Lia Robatto, n\u00e3o \u00e9 isso?<\/p>\n<p>HD: Lia Robatto e Lia Mara.<\/p>\n<p>NP: Lia Mara e reitor Roberto Santos.<\/p>\n<p>HD: Isso.<\/p>\n<p>NP: Fala um pouquinho desse processo desses professores.<\/p>\n<p>HD: {risos} Como foi essa\u2026 {risos}&#8230; essa passagem? Eu tava na \u00e9poca, na \u00e9poca o Doutor Roberto era o reitor, eu tava me formando em 1970. Tava me formando aqui com um espet\u00e1culo chamado \u201cA \u00daltima Grava\u00e7\u00e3o de Krapp\u201d de Beckett, Samuel Beckett. E eu tava com convite para ir para o Rio (de Janeiro) para trabalhar l\u00e1. Ainda n\u00e3o era\u2026 ainda n\u00e3o havia a \u201cV\u00eanus Platinada\u201d, a Rede Globo {risos}. Mas tava com convite para ir para l\u00e1, inclusive, para fazer uma pe\u00e7a que pra mim era muito importante, que \u00e9 \u201cUm Grito Parado no Ar\u201d de Guarnieri, na companhia de Othon Bastos, ent\u00e3o tava muito encantado com isso, o canto da sereia era muito forte e eu falei para as duas Lias -Lia Robatto e Lia Mara- que eram uma professora de dic\u00e7\u00e3o (Lia Mara) e uma professora de express\u00e3o corporal (Lia Robatto) e \u201cA gente tem que fazer alguma coisa para voc\u00ea n\u00e3o ir, para poder ficar aqui\u201d. \u201cBom, como ficar aqui?\u201d E a\u00ed, quase que sem a minha revelia, elas foram ao Doutor Roberto, que era reitor na \u00e9poca, o filho de Edgard Santos, doutor Roberto Santos e disse: \u201cOlha, Doutor Roberto Santos, estamos com um aluno aqui que t\u00e1 indo embora e a gente queria ver se o senhor tinha alguma forma de contrat\u00e1-lo aqui.\u201d \u201cAh, vamos ver. Ele t\u00e1 fazendo alguma coisa?\u201d E disse: \u201cT\u00e1, ele est\u00e1 fazendo uma pe\u00e7a, a pe\u00e7a de formatura dele em interpreta\u00e7\u00e3o.\u201d \u201cDiga a ele que eu vou l\u00e1 hoje de noite pra ver.\u201d E veio ver {risos}. No dia seguinte, ele chama as duas Lias e \u201cDiga ao rapaz que ele est\u00e1 contratado como ator, e a\u00ed eu comecei a trabalhar como ator contratado da Escola de Teatro e fazendo trabalho de ator em v\u00e1rias pe\u00e7as que eram feitas aqui, eu comecei a ensinar a hist\u00f3ria do teatro, a\u00ed fiz concurso interno -que na \u00e9poca fazia o concurso interno- e fui contratado para ensinar primeiro hist\u00f3ria do teatro e depois me achei, que era interpreta\u00e7\u00e3o, pra ensinar interpreta\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que eu vou para os Estados Unidos, a\u00ed gra\u00e7as a outra pessoa de dan\u00e7a, que a Escola de Teatro se juntou com a Escola de Dan\u00e7a e de M\u00fasica para formar a EMAC (Escola de M\u00fasica e Artes C\u00eanicas), e Dulce Aquino tava respons\u00e1vel pelo departamento de Teatro e com uma vis\u00e3o de futuro de \u201cesse povo tem que ir fazer o mestrado fora\u201d. Ent\u00e3o foi primeiro Hackler, fez mestrado em interpreta\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, tinha bolsa da Fulbright, depois foi eu, fui fazer o mestrado. Depois Tudella\u2026 N\u00e3o, antes de Tudella foi Deolindo e Bi\u00e3o, e depois Tudella. Ent\u00e3o todos os quatro foram fazer mestrado ou mestrado e dire\u00e7\u00e3o e doutorado nos Estados Unidos com a bolsa da Fulbright, e esse povo quando volta, come\u00e7a a ver uma coisa e da\u00ed come\u00e7a a Escola, que tava numa coisa de decad\u00eancia, com a chegada desse povo, eu, inclusive, come\u00e7amos a criar a Companhia de Teatro da UFBA em 1981 e a soerguer isso aqui e conseguimos. Mas o que eu quero falar \u00e9 sobre essa vis\u00e3o de Dulce e das duas Lias de\u2026 As duas Lias, pessoalmente comigo, porque era quem tava ali e \u00e9 claro que eu pessoalmente gostei muito disso, e depois com essas bolsas para os Estados Unidos que era pra estudar. Hackler foi para universidade da Calif\u00f3rnia, que era uma das melhores. Eu fui para Universidade Iowa, que era uma das 20 melhores no programa de teatro. Deolindo foi para universidade do Kansas, Bi\u00e3o pro Michigan e Tudella para Universidade de Nova York. Todas essas universidades estavam pelo menos entre as 20 maiores, os 20 melhores programas de teatro nos Estados Unidos em Universidade. E a\u00ed foi muito bom para isso aqui, para n\u00e3o deixar morrer isso aqui. T\u00e1 precisando de outras coisas mais agora.<\/p>\n<p>Fernanda Accorsi: O senhor falou um pouco de que, antes dessa renova\u00e7\u00e3o, estava num estado meio decadente. Pode especificar um pouco mais o que era e como era esse ambiente?<\/p>\n<p>HD: Olha, o que houve foi que a Escola \u00e9 fundada em 1956, ou pelo menos Martim chega para dar os primeiros cursos da Escola em 1956. Em 1958 \u00e9 inaugurado esse teatro, primeiro como Teatro Santo Ant\u00f4nio, depois que vira Martim Gon\u00e7alves. Em 1961, por essa coisa que Nelson tava falando dessa Bahia Madrasta, Martim vai embora e ele n\u00e3o deixa substituto. Vem Luiz Carlos Maciel como diretor art\u00edstico, mas como diretora administrativa da Escola fica Nilda que n\u00e3o tinha nenhuma experi\u00eancia, Nilda era uma excelente atriz e a Escola vai caindo porque os conv\u00eanios que tinha, por exemplo com a Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller, Martim sai e a\u00ed acabam esses conv\u00eanios. Os professores que vinham dos Estados Unidos para ensinar aqui tamb\u00e9m, Martim sai e\u2026 Talvez o pecado de Martim foi n\u00e3o ter deixado um substituto ou algu\u00e9m para dar continuidade a esse trabalho, era ele. Primeiro, porque ele era uma personagem assim muito centralizadora, talvez naquela \u00e9poca se precisasse disso. Mas enfim, a Escola vai caindo at\u00e9\u2026 Quando eu entrei, em 1966, o neg\u00f3cio tava feio aqui. Tinham alguns professores bons, a\u00ed vem D\u2019aversa, ele vem montar fazer duas montagens e erguer um pouco mais o corpo de alunos. Ele junta os dois espet\u00e1culos que um foi \u201cEssa Noite Se Improvisa\u201d de Pirandello, alunos e professores se juntam, eu tive a sorte de ta tamb\u00e9m nesse elenco como aluno. Depois ele faz o \u201cBiedermann e os Incendi\u00e1rios\u201d, que eu tamb\u00e9m tava, tive a sorte de t\u00e1&#8230; Eu tenho tido muita sorte tamb\u00e9m, viu?! \u00c9 claro que tamb\u00e9m tem um pouco de coragem. Um dia desse eu tava dizendo \u201ceu sou \u00e9 corajoso para enfrentar vir \u2018praqui\u2019 para Bahia aos 12 anos de idade em 1952 n\u00e3o era, n\u00e3o era f\u00e1cil ficar aqui, depois ir para os Estados Unidos com 18 anos e ficar l\u00e1 durante dois anos sozinho sem dinheiro\u2026\u201d {risos}.<\/p>\n<p>NP: Antes disso, fugir do internato pra vir assistir pe\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>HD: \u00c9 muita coragem no que eu quero, no que me motiva e que, l\u00e1 vem uma palavra, no que \u00e9 minha salva\u00e7\u00e3o como pessoa.<\/p>\n<p>NP: Mobilizador.<\/p>\n<p>HD: \u00c9, l\u00e1 vem ele com a milit\u00e2ncia\u2026 {risos} \u00c9 essa palavra, eu falo em salva\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 isso mesmo. {risos}<\/p>\n<p>Fernanda Accorsi: E nesse cen\u00e1rio decadente, o senhor falou que houve uma parceria entre os alunos em uma pe\u00e7a que ajudou a\u2026<\/p>\n<p>HD: \u00c9, mas a\u00ed D\u2019aversa vai embora, continua a cair. Vem um desastre chamado Jesus Chediak que realmente era uma coisa que n\u00f3s n\u00e3o merec\u00edamos aquilo. Eu tava na escola.<\/p>\n<p>NP: Vem de fora?<\/p>\n<p>HD: Vem de fora, vem do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Fernanda Accorsi: Houve alguma mobiliza\u00e7\u00e3o desses alunos tamb\u00e9m? Houve uma participa\u00e7\u00e3o dos alunos para mobilizar, pra ajudar a reerguer?<\/p>\n<p>HD: Houve, houve sim, houve sim. Houve primeiro, para tirar esse senhor daqui.<\/p>\n<p>NP: Como ele chega?<\/p>\n<p>HD: Ele chega convidado por um diretor da Escola que n\u00e3o tinha nada a ver com teatro, Ant\u00f4nio Carvalho de Assis Barros, que era professor de Letras, ensinava aqui, se n\u00e3o me engano, Hist\u00f3ria do Teatro, mas ele era de Letras e n\u00e3o tinha nada a ver com ele, n\u00e3o gostava muito de teatro n\u00e3o. Ele chegava ali naquele neg\u00f3cio daquela janela que tem ali que n\u00e3o d\u00e1 para lugar nenhum. Ali era uma porta. Ele ficava l\u00e1 e olhava para baixo, os meninos sentados ali \u201cei, o que \u00e9 que voc\u00ea ta fazendo aqui?\u201d \u201cah, professor, eu vim estudar\u201d \u201cah, meu filho, desista! Isso aqui \u00e9 pra puta e pra viado\u201d. Diretor da Escola&#8230; E a\u00ed n\u00e3o vestia a camisa da escola, no m\u00ednimo \u00e9 isso, e a\u00ed as coisas foram caindo, caindo\u2026 Vem Jesus, Jesus sai, a\u00ed come\u00e7a um per\u00edodo de soerguimento quando entra Possi Neto. A\u00ed sim. Possi, rec\u00e9m formado pela ECA, vem para c\u00e1 e quer, quer fazer carreira, mas quer tamb\u00e9m contribuir para aqui, fazendo carreira contribuindo.<\/p>\n<p>NP: E ele tamb\u00e9m vem convidado?<\/p>\n<p>HD: Vem convidado.<\/p>\n<p>NP: Por quem?<\/p>\n<p>HD: E a\u00ed j\u00e1 era Nilda de novo. \u00c9, Nilda. E ele fica aqui com uma s\u00e9rie de espet\u00e1culos, porque a grande mostra da Escola de Teatro eram os espet\u00e1culos que eram feitos aqui, ent\u00e3o Possi faz \u201cA Casa de Bernarda Alba\u201d -memor\u00e1vel-, \u201c\u00c1lbum de Fam\u00edlia\u201d de Nelson Rodrigues tamb\u00e9m, \u201cAmerican Dreams\u201d, um musical chamado \u201cMarilyn Miranda\u201d Marilyn Monroe e Carmen Miranda ele junta nas duas coisas e faz. Essa fila que a gente t\u00e1 vendo agora nessa pe\u00e7a a\u00ed da companhia, a gente via na \u00e9poca para as pessoas virem assistir \u201cMarilyn Miranda\u201d, de dar a volta no quarteir\u00e3o aqui. E conseguiu, mas a\u00ed teve aquelas coisas, n\u00e9? Aceita, aceita, aceita e depois&#8230; Que \u00e9 um bocado de providencialismo na hist\u00f3ria, n\u00e9? Mas enfim. Depois, quando a gente volta dos mestrados e doutorados da vida, a gente funda aqui a companhia de teatro da UFBA que come\u00e7a a ser o cart\u00e3o postal da Escola de Teatro e a criar possibilidades. Uma das grandes voca\u00e7\u00f5es da Escola \u00e9 essa: artista ensinando, passando experi\u00eancia para artistas, e que muitas vezes a gente esquece disso, que \u00e9 o artista passando experi\u00eancia para artista. Quer dizer, quem \u00e9 professor, quem t\u00e1 ensinando, t\u00e1 passando experi\u00eancia para o artista menos experiente, que \u00e9 o aluno, mas s\u00e3o artistas. T\u00e3o todos os dois na mesma profiss\u00e3o, t\u00e3o os dois no mesmo barco, pra fazer.<\/p>\n<p>NP: Harildo, nesse per\u00edodo, voc\u00ea falou desse movimento a\u00ed. Voc\u00ea fala de Dulce, de Lia, das Lias, n\u00e9? E voc\u00ea falou teatro, a m\u00fasica, a dan\u00e7a tavam juntos, tavam separados\u2026 Nessa subida e descida do teatro, como \u00e9 que tava o movimento na Dan\u00e7a, na Belas Artes, na M\u00fasica?<\/p>\n<p>Harildo D\u00e9da: Belas Artes sempre esteve na dela. Sempre. Descia e subia, mas era na dela. E fazia. Porque tinha, e continuava aqueles artistas que come\u00e7aram como vanguarda e continuaram como tal. Depois com o tempo se tornam mais tradicionalista em rela\u00e7\u00e3o a\u2026 mas Belas Artes sempre tava na dela. Sempre. N\u00f3s aqui \u00e9 que\u2026 a escola de teatro come\u00e7a a entrar numa\u2026 numa decad\u00eancia. A palavra \u00e9 essa mesmo. dan\u00e7a continua mais ou menos, mas quem tinha a hegemonia das tr\u00eas era m\u00fasica. Que tinha gente, tinha mais gente, al\u00e9m de ter mais gente, tinha gente que\u2026 por ter mais gente recebia mais dinheiro da Universidade, e tinha gente que sabia cuidar desse dinheiro.<\/p>\n<p>NP: E tinham pessoas muito importantes&#8230;<\/p>\n<p>HD: E tinham pessoas muito importantes!<\/p>\n<p>NP: E voc\u00ea conviveu com elas? Com elas quem\u2026<\/p>\n<p>HD:Smetak, W\u00eddmer, Bastianele, esse povo todo\u2026 Beg, Lindenbergue Cardoso&#8230;<\/p>\n<p>agora, eles aproveitaram da posi\u00e7\u00e3o deles, que era hegem\u00f4nico o poder deles, e ent\u00e3o {risos} eles gostavam era de botar adiante a escola deles, que nunca deixaram de ser cada um, uma escola. Chamava-se escola de m\u00fasica e artes c\u00eanicas, mas era escola de m\u00fasica, a Escola de Dan\u00e7a e a Escola de Teatro. Mas a Escola de M\u00fasica com essa hegemonia, e n\u00f3s nunca pod\u00edamos nunca, pelo n\u00famero de professores dentro de uma congrega\u00e7\u00e3o, desses tr\u00eas departamentos, m\u00fasica, que a\u00ed j\u00e1 departamentos, m\u00fasica, teatro e dan\u00e7a, a representa\u00e7\u00e3o de m\u00fasica era muito maior, e sempre, qualquer coisa saiam ganhando sempre, sempre&#8230; at\u00e9 que teatro conseguiu fincar p\u00e9, e a\u00ed chegou a hora certa, que chegaram as pessoas certas Gleize mendes, Paulo Dourado e a\u00ed, vamos separar. Dulce, l\u00e1 tamb\u00e9m querendo separar para voltar a ser as 3 escolas.<\/p>\n<p>NP: Quando foi isso? Voc\u00ea lembra?<\/p>\n<p>HD: Ai, na d\u00e9cada de 80<\/p>\n<p>NP: Mas me lembro dessa&#8230; {risos} A escola de dan\u00e7a funcionava no terreiro, n\u00e9?<\/p>\n<p>HD: \u00c9, no terreiro<\/p>\n<p>NP: Primeiro aqui embaixo, a escola de teatro sempre foi aqui<\/p>\n<p>HD: Sempre\u2026 foi aqui<\/p>\n<p>NP: E m\u00fasica tamb\u00e9m sempre aqui<\/p>\n<p>HD: Sempre ali<\/p>\n<p>NP: E belas artes sempre ali tamb\u00e9m<\/p>\n<p>HD: N\u00e3o, belas artes \u00e9 na rua 28 de setembro, ali em uma daquelas transversais, da Barroquinha, da baixa de sapateiro, depois \u00e9 que veio para c\u00e1, que ai era geologia, depois arquitetura e finalmente voltou a ser belas artes. E isso quem t\u00e1 falando \u00e9 gente velha<\/p>\n<p>NP: {risos} Mas arquitetura como parte de belas artes, n\u00e9? lembra que no come\u00e7o era parte, que foi outra briga enorme?<\/p>\n<p>HD: Foi, foi outra briga daquelas.<\/p>\n<p>NP: Muito bem, ent\u00e3o a\u00ed a escola levanta um pouco mais, n\u00e9? E voc\u00eas j\u00e1 como parte desse levantar da escola. Lembra de mais nomes? Que voc\u00ea falou a\u00ed Paulo Dourado, Gleice Mendes que foram contribuindo com isso e a\u00ed alunos que foram chegando.<\/p>\n<p>HD: \u00c9, e a\u00ed a gente come\u00e7a a ter\u2026 Coisa que voc\u00ea faz parte voc\u00ea n\u00e3o lembra n\u00e3o, ent\u00e3o eu tava metido, quer dizer, Petrovick, eu, S\u00f4nia Rangel, Haclker, Bi\u00e3o, Deolindo Kekut, Jorge Gaspare, ent\u00e3o esse grupo come\u00e7ou a se unir, a vestir realmente a camisa da escola, a saber que essa escola tinha um passado, que estava em um presente em vista de um futuro, que o que est\u00e1 faltando agora epa, epa, epa\u2026 {risos} Que o que est\u00e1 faltando agora, n\u00e3o tem gente que sabe o que era essa escola, o que foi essa escola ent\u00e3o n\u00e3o pode saber como essa escola \u00e9 para saber o que \u00e9 que vai dar. E \u2018periga\u2019\u2026 Por que as coisas voc\u00ea precisa saber do seu passado para viver o seu presente pra planejar num futuro. A escola n\u00e3o t\u00e1 sabendo como foi seu passado mais, t\u00e1 esquecendo seu passado. E eu n\u00e3o t\u00f4 querendo ser tradicionalista n\u00e3o, pelo amor de Deus, mas o que eu quero saber \u00e9 que tem um passado que forma o meu presente em vias de um futuro. E a\u00ed essas pessoas que a gente consegue formar, est\u00e3o por a\u00ed, pelo Brasil inteiro que a gente formou, tem um bocado de gente, tem um bocado de gente na televis\u00e3o, desde Othon Bastos a Vladimir Brichta, a Cristiane Amorim, que t\u00e1 agora nessa nova novela, tudo passou por aqui, e que levam {emocionado} essa\u2026 esse passado, esse passado&#8230; para dizer o que \u00e9 que n\u00f3s somos e como somos.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea acha que a UFBA, como um todo, tamb\u00e9m vive um pouco esse\u2026 Essa falta de passado, ou essa falta de mem\u00f3ria do passado?<\/p>\n<p>HD: Acho que sim, acho que sim. Acho que sim, pronto, ponto.<\/p>\n<p>NP: Eu tem uma parte dois, ser\u00e1 que o brasil tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00e1 vivendo?<\/p>\n<p>HD: Pois \u00e9, \u00e9 isso, isso tudo \u00e9 um reflexo do que o pa\u00eds t\u00e1 vivendo, e do que\u2026 Gente, n\u00f3s estamos vivendo o que estamos vivendo e \u00e9 pelo voto. N\u00e3o \u00e9 como em 64 n\u00e3o, que foi tomado, \u00e9 pelo voto e o terr\u00edvel \u00e9 isso. Esse homem que t\u00e1 a\u00ed, \u00e9 pelo voto. E o qu\u00ea que a gente faz? Como fazer? \u00c9 uma nova maneira de luta. Eu fico brincando muito com o meu pessoal de teatro que t\u00e1 comigo l\u00e1 no sem fam\u00edlia, somos uns 10, 12 e as pessoas come\u00e7am a se decepcionar e baixar a cabe\u00e7a. Gente, isso t\u00e1 pior que 64, por n\u00e3o foi tomado, n\u00e3o foi \u2018tchuum\u2019, \u00e9 por baixo. \u00c9 como minha terra diz, \u00e9 como \u2018fogo de monturo\u2019, \u00e9 por baixo e \u00e9 dif\u00edcil por que teve mais gente que votou nele do que a gente votou. Ent\u00e3o tem que achar uma maneira, mas tamb\u00e9m eu digo \u201c\u00e9 cedo para ceder\u201d n\u00e3o t\u00e1 na hora de baixar a cabe\u00e7a n\u00e3o, t\u00e1 na hora de encontrar meios de azer o que fazer, n\u00e3o sei o que ainda, mas n\u00e3o pode baixar a cabe\u00e7a n\u00e3o.<\/p>\n<p>NP: Ent\u00e3o levantando a cabe\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>HD: {risos}<\/p>\n<p>HD: \u2026 Pensando um pouco naquele tempo, voc\u00ea come\u00e7ou a falar uma horinha e a\u00ed a gente te desviou, do Vila Velha.<\/p>\n<p>HD Sim.<\/p>\n<p>NP: No Vila Velha, termina sendo um caminho, voc\u00ea chamaria de paralelo?<\/p>\n<p>HD: N\u00e3o, eu acho que o Vila Velha desde o momento, desde o momento em que os novos saem em 59, quando o bonde descarrilha, o bonde \u00e9 \u201cO bonde chamado desejo\u201d, que estava em cartaz aqui e tinha um grupo que ia se formar dentro de tr\u00eas meses e que saiu, gra\u00e7as a lideran\u00e7a de Jo\u00e3o Augusto. Saem e formam a sociedade de teatro dos novos que vai construir e eles v\u00e3o construir, est\u00e3o a frente carregando tijolo, mesmo, n\u00e3o \u00e9 figura de linguagem n\u00e3o, mesmo, carregando tijolo para fazer o teatro Vila Velha, em um local dado pelo ent\u00e3o governador. Agora a gente \u00e9 classe dominante, \u00e9 claro, seis pessoas e quem tinha de pobre era Petro, o resto era tudo de fam\u00edlia tradicional baiana. Mas enfim, eles fizeram isso e gra\u00e7as a lideran\u00e7a de Jo\u00e3o Augusto e a dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Augusto, eles assumem um papel que a escola estava deixando de ter, que \u00e9 falar a l\u00edngua que o momento exigia e que era um teatro popular. Popular n\u00e3o do povo fazendo, mas o que a gente chamava \u2018para o povo\u2019. Meio vis\u00e3o de classe dominante, mas pelo menos j\u00e1 se ia num caminho, e a\u00ed come\u00e7ava o teatro de cordel. que entra num\u2026 S\u00e3o v\u00e1rios, v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es desse teatro de cordel, que inclusive vai para o Festival de Nanci num ano, no ano seguinte vai com Quincas Berro d&#8217;\u00e1gua baseado nesse teatro tipo cordel para a Am\u00e9rica Latina, a gente faz Venezuela, Col\u00f4mbia e Panam\u00e1 e na Europa, no teatro de Nanci a gente faz a Fran\u00e7a, um pouco a It\u00e1lia. Come\u00e7a a ser conhecido internacionalmente inclusive, o Teatro livre da Bahia sob a dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Augusto com esse tipo de teatro. Tamb\u00e9m que por um lado a gente faz, quando a gente veio d\u00e1 do festival de Cararas a gente veio com uma d\u00edvida, com um rombo&#8230; ent\u00e3o tinha que montar espet\u00e1culo. Ao montar&#8230; ao escolher um espet\u00e1culo, eu e Benvindo come\u00e7amos a fazer a tradu\u00e7\u00e3o de um texto chamado La Revolucion de Isaac Chocr\u00f3n, que com esse nome n\u00e3o ia passar nunca, a gente muda para Gracias a LaVida, {risos} que \u00e9 a hist\u00f3ria de um travesti que faz um espet\u00e1culo junto com o seu agente, s\u00e3o dois, dois personagens. Jo\u00e3o Augusto quando a gente traduziu, acabou de traduzir. Espet\u00e1culo de dois atores, pobre, sem gastar dinheiro com elenco nem nada, para poder o que viesse de lucro pra pagar as dividas, ai Jo\u00e3o Augusto, \u201cvoc\u00ea acha que eu vou deixar, quinze atores sem fazer nada? Bota voc\u00eas 2 para fazer os pap\u00e9is principais, mas bota todo mundo trabalhando\u201d, desde o (nome inaud\u00edvel) at\u00e9 \u2026 {risos}. E ficou um espet\u00e1culo em que todo mundo, pelo menos a maior parte daquelas pessoas que viajaram, come\u00e7aram a trabalhar fazendo ponta, fazendo canto e enriquecendo esse cabar\u00e9, que era num cabar\u00e9 que passava. Que no final o travesti derruba o agente, tenho at\u00e9 foto disso, derruba o agente, e chama o p\u00fablico, quebra a quarta parede e diz: \u201cA revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 fora, v\u00e3o fazer a revolu\u00e7\u00e3o l\u00e1 fora\u201d a gente teve que claro fazer aquelas cachacinhas da censura para n\u00e3o, para poder passar.<\/p>\n<p>NP: Quando foi isso?<\/p>\n<p>HD: Olha, n\u00f3s fomos quase j\u00e1 em 75&#8230; 76. 76.<\/p>\n<p>NP: Que esse tamb\u00e9m era o tempo em que o teatro Vila Velha se constituiu o grande palco da resist\u00eancia<\/p>\n<p>HD: Ah sim, com certeza, com certeza. Os grupos universit\u00e1rios, os grupos de teatro a sede deles, onde eles queriam sempre querer saber alguma coisa era l\u00e1 no Vila Velha, n\u00e3o era mais aqui (Escola de Teatro &#8211; UFBA), o que era aqui passou pra ser la. O point de resist\u00eancia cultural, era l\u00e1.<\/p>\n<p>NP: E m\u00fasica, teatro&#8230;<\/p>\n<p>HD: M\u00fasica, teatro. O teatro Vila Velha era inaugurado, com que? Com dois espet\u00e1culos, um chamado \u201cN\u00f3s, Por Exemplo\u201d com Caetano, Gil, Gal, Beth\u00e2nia, Alcyvando Luz, Pitty\u2026 nem sei se \u00e9 isso, que tavam come\u00e7ando, ningu\u00e9m conhecia, ningu\u00e9m sabia quem era Maria das Gra\u00e7as, ou Gracinha, que era Gal Costa. Eu n\u00e3o conhecia, s\u00f3 conhecia Caetano e Gil dos ensaios do CPC, que a gente ficava at\u00e9 duas horas da manh\u00e3, debaixo da est\u00e1tua de Rio Branco contando conversa, batendo papo ou indo depois pro Dique onde Lia Mara tinha um bar e a gente tomando cacha\u00e7a e pra l\u00e1 at\u00e9 l\u00e1 caminhando {risos}. Mas enfim, \u00e9 com esses espet\u00e1culos, \u201cN\u00f3s, Por Exemplo\u2026\u201d e mais dois outros, \u201cVelha Bossa, Nova, Nova Bossa Velha&#8221; e tinha mais um que eu t\u00f4 esquecido agora, \u201cTom Z\u00e9\u201d, tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, \u00e9, o pessoal de m\u00fasica tamb\u00e9m era li, o point, tamb\u00e9m era ali no Vila Velha, Jo\u00e3o Augusto dirigiu v\u00e1rios espet\u00e1culos dessa turma em Julho de 64 e que \u00e9 inaugurado com o teatro que \u00e9, \u201cEles n\u00e3o usam Black Tie\u201d, de Guarniere com a dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Augusto.<\/p>\n<p>NP: Porque tamb\u00e9m a escola de m\u00fasica n\u00e3o exercia esse papel, n\u00e9? Ela era muito&#8230;<\/p>\n<p>HD: N\u00e3o, era muito elitista.<\/p>\n<p>NP: \u2026 Cl\u00e1ssica, experimental&#8230;<\/p>\n<p>HD: No m\u00e1ximo experimental, essa coisa do&#8230; da m\u00fasica popular n\u00e3o era muito l\u00e1 n\u00e3o. S\u00f3 depois \u00e9 com Begue, Aucivan, esse povo, \u00e9 que come\u00e7a a surgir, Tom Z\u00e9 que tamb\u00e9m era aluno da escola de m\u00fasica. Essa retomada de uma m\u00fasica popular na escola de m\u00fasica vem da parte dos alunos.<\/p>\n<p>NP: Queria voltar um pouquinho ao que voc\u00ea&#8230; l\u00e1 atr\u00e1s voc\u00ea falou assim, voc\u00ea falou assim&#8230;<\/p>\n<p>HD: T\u00e1 acabando viu. {risos}<\/p>\n<p>NP: N\u00e3o, t\u00e1 n\u00e3o, ainda tem coisa demais&#8230;<\/p>\n<p>HD: N\u00e3o, t\u00e1 acabando, t\u00e1 acabando a fonte aqui&#8230;<\/p>\n<p>NP: A fonte? N\u00e3o t\u00e1 n\u00e3o. Quer ver? Eu ainda vou te provocar um pouquinho a\u00ed. Porque voc\u00ea disse assim, Edgar Santos foi muito esperto porque ele pegou o teatro, a m\u00fasica e a dan\u00e7a, como sendo a voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>HD: A voca\u00e7\u00e3o da universidade.<\/p>\n<p>NP: E depois, essa voca\u00e7\u00e3o foi caindo\u2026 t\u00e1 forte&#8230;?<\/p>\n<p>HD: Foi por que, a hegemonia passa realmente para as grandes escolas: direito, medicina que elegem seus reitores, entende?<\/p>\n<p>NP: Que j\u00e1 eram grandes<\/p>\n<p>HD: Que j\u00e1 eram grandes antes, e elas extremamente ressentidas por causa disso, pela cria\u00e7\u00e3o dessas tr\u00eas escolas.<\/p>\n<p>NP: Conta um pouquinho mais disso a\u00ed que \u00e9 interessante.<\/p>\n<p>HD: Olha, at\u00e9 a esquerda foi contra Martin, teve um per\u00edodo que foi contra Martin, a esquerda s\u00f3 abriu o olho, movimento de esquerda s\u00f3 abriu o olho em rela\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da escola de teatro, quando Gl\u00e1uber entrar aqui, quando Gl\u00e1uber assume, porque tava namorando com Helena Ignez e a\u00ed entra um pouco do folclore. E ele fica aqui e vai conhecer um pouco mais o que \u00e9 que Martin quer, Martin \u00e9 um cara que monta \u201cO Bonde Chamado Desejo\u201d monta \u201cCal\u00edgula\u201d mas tamb\u00e9m monta \u201cO Alto da Compadecida\u201d, monta pe\u00e7as de alunos daqui \u201cCachorro dorme na cinza\u201d, \u201cA nova Helena\u201d de Chico Pereira da Silva, entende? Mas as pessoas s\u00f3 viam essa coisa do\u2026 que era importante na \u00e9poca ter isso tamb\u00e9m para forma\u00e7\u00e3o do alunato e at\u00e9 dos professores locais.<\/p>\n<p>NP: E tamb\u00e9m para se colocar na sociedade, n\u00e9?<\/p>\n<p>HD: Sim, claro, claro, era um estrat\u00e9gia dele, muito boa por sinal. Mas a m\u00eddia n\u00e3o engolia, tudo por diferen\u00e7as de personalidade, Martin de um lado, Odorico Tavares de outro e a\u00ed briga de prov\u00edncia<\/p>\n<p>NP: A arte sofre.<\/p>\n<p>HD: A arte sofre.<\/p>\n<p>IC: Professor, o senhor poderia compartilhar com a turma sua experi\u00eancia no cinema, e como era fazer cinema na d\u00e9cada de 60, 70.<\/p>\n<p>HD: Como \u00e9 que \u00e9?<\/p>\n<p>IC: Compartilhar com a turma sua experi\u00eancia no cinema<\/p>\n<p>HD: Minha experi\u00eancia com cinema \u00e9 assim, todo filme que era feito na Bahia eu tava. {risos} Minha experi\u00eancia com cinema \u00e9 essa, desde 1970 eu fiz um filme com Orlando Cena, que eu nem vi depois, por que o produtor teve medo, destruiu o filme junto com censura e tudo destruiu o filme, que \u00e9 \u201cA constru\u00e7\u00e3o de morte\u201d, de Orlando Cena, depois em 70 com \u201cPindorama\u201d com um filme de Arnaldo Jabor feito na ilha de Itaparica, me chamaram e da\u00ed tudo quando era filme que a loca\u00e7\u00e3o era na Bahia me chamavam. E ai eu tava l\u00e1 sempre por que sempre adorei cinema, sempre, desde os tr\u00eas anos de idade em Sim\u00e3o Dias, sentado no colo de seu Oscar que era o celeiro da loja de meu pai, aqui no joelho dele vendo o cinema. Me lembro do primeiro filme que eu vi na vida, que \u00e9 \u201cA noiva de Frankenstein\u201d, com Nina Fauche. E a\u00ed essa coisa, eu descobri teatro atrav\u00e9s do cinema. E sempre, \u00e9 trivia de cinema, de d\u00e9cada de 30 at\u00e9 60, sei nome de artista, de tudo, tinha \u00e1lbum de artista, essa coisa toda, essa frescura toda, de quem n\u00e3o tinha\u2026 cuja \u00fanica divers\u00e3o era ver cinema. Ent\u00e3o minha experi\u00eancia \u00e9 essa, hoje meio dia eu tava falando sobre Central do Brasil, que \u00e9 uma ceninha desse tamanhinho, mas que \u00e9 deliciosa de ter feito, muito boa, e contracenar com Fernanda Montenegro e Othon Bastos do lado n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil n\u00e3o, \u00e9 maravilhoso para um ator. E a\u00ed tudo, cinema local, \u201cAi que calor\u201d com Jos\u00e9 Fraz\u00e3o e Deolindo, tava l\u00e1. Cinema internacional, gra\u00e7as a deus n\u00e3o veio aqui, eu me esque\u00e7o at\u00e9 o nome, \u00e9 um com, John Phillip Law, \u00e9 \u201cO anjo da Barbarella\u201d, Stella Stevens, ai na ilha de itaparica tamb\u00e9m, mas gra\u00e7as a deus n\u00e3o apareceu por que mas muito ruim, ruim demais, muito ruim nunca apareceu, e que nem apare\u00e7a, eu acho que eu esqueci o nome para n\u00e3o dizer para ningu\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>NP: Para ningu\u00e9m procurar. {risos}<\/p>\n<p>HD: Mas \u00e9 isso, n\u00f3s sempre aqui televis\u00e3o, minha experi\u00eancia com televis\u00e3o um pouco maior a partir de Gabriela, que foram sete meses de trabalho direto e intensivo, direto que foi ador\u00e1vel fazer e \u00e9 que \u00e9 muito bom mas&#8230; assim, o povo fala que essa coisa de esperar \u00e9 terr\u00edvel em cinema e em televis\u00e3o, para mim eu acho ador\u00e1vel esperar, porque fica no papo aqui conversando, trocando ideia aqui com os colegas. Gabriela, pra mim, foram sete meses. E sete meses de uma escola em televis\u00e3o e na Globo, e numa \u00e9poca que a Globo tava\u2026 basta dizer que eu chegava e dizia:<\/p>\n<p>Acabou? Acabou grava\u00e7\u00e3o hoje? Ent\u00e3o me d\u00e1 uma passagem que eu vou hoje de noite pra Salvador!<\/p>\n<p>Mas amanh\u00e3 voc\u00ea tem grava\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Eu volto amanh\u00e3, eu s\u00f3 quero dormir em casa<\/p>\n<p>E conseguia essas coisas, a Globo botava no melhor hotel da cidade, essas coisas todas, um privil\u00e9gio da\u2026 Agora t\u00e1 meio dif\u00edcil. Mas \u00e9 isso, a minha experi\u00eancia \u00e9 essa, de fazer sempre. E fazer tudo que foi feito aqui. Ultimamente a televis\u00e3o tem duas s\u00e9rie agora, \u201cO Pequeno Gigante\u201d dire\u00e7\u00e3o de Anderson (esqueci o sobrenome dele agora) e um que eu fa\u00e7o um cap\u00edtulo, \u201cn\u00e3o-sei-o-qu\u00ea frequ\u00eancia\u201d, \u201cFrequ\u00eancia Positiva\u201d \u00e9 uma outra s\u00e9rie, t\u00e1 pra sair agora. Duas del\u00edcias de fazer, muito bom. E aprendendo assim, fazendo, fazendo.<\/p>\n<p>NP: E essa experi\u00eancia de cinema e televis\u00e3o chegou aqui na Escola? Voc\u00ea termina trazendo alguma coisa?<\/p>\n<p>HD: \u00c9 mais pessoal, \u00e9 mais pessoal. \u00c9 claro que a minha contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 pegar aluno daqui e jogar l\u00e1, pegar pelo cangote e levar pra l\u00e1, como todo pai faz, n\u00e9? [risos]<\/p>\n<p>NP: E todo professor, n\u00e9?<\/p>\n<p>HD: Pois \u00e9. Eu costumo dizer que eu n\u00e3o tenho filho biol\u00f3gico, mas tenho um bocado de filho aqui dessa escola, de aluno da escola que eu escolhi como filhos e que tenho uma liga\u00e7\u00e3o maior, a\u00ed tem bocado de gente nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Fernanda Accorsi: Eu queria aproveitar e perguntar sobre alguma lembran\u00e7a, alguma mem\u00f3ria, experi\u00eancia que tenha tido enquanto educador, quando come\u00e7ou a dar aula, alguma coisa que te marcou como uma experi\u00eancia pessoal mesmo, que te marcou na sua trajet\u00f3ria<\/p>\n<p>HD: Olha, tem v\u00e1rias coisas. [pausa] Uma \u00e9 de professor que sai de professor para ser colega no mesmo espet\u00e1culo, na mesma pe\u00e7a, de um aluno e a\u00ed me lembro de Ecos, eu e Wlad, Wladimir Brichta, fazendo. Outra \u00e9 vendo um ator desenvolvendo uma cena que foi indicada pra ele fazer, n\u00e3o me esque\u00e7o nunca de Jarbas Oliver fazendo o Romeu e Julieta na janela, \u201cque luz \u00e9 aquela que brilha na janela?\u201d. Uma coisa m\u00e1gica. Assim como Marcelo Flores fazendo, Marcelo e Aleteia, fazendo junto comigo, Marcelo como diretor e Aleteia como atriz, fazendo \u201cGaivota\u201d. Tem muita coisa, se eu deixar de dizer \u00e9 injusto. E eu sou uma besta, me emociono muito facilmente e choro, e a\u00ed quando eu vejo um filho desse meu fazendo as coisas\u2026<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea acha que isso \u00e9 um pouco caracter\u00edstica de um bom professor?<\/p>\n<p>HD: Eu n\u00e3o sei, eu sei que eu sou assim. E eu gosto de ser tido como um bom professor, eu gosto quando me chamam de mestre, gosto. Porque \u00e9 isso que eu quero ser, que eu planejo ser, t\u00f4 com quase 80, mas ainda tem muita coisa pela frente.<\/p>\n<p>NP: Aposentado, n\u00e9?<\/p>\n<p>HD: Aposentado. Tem 10 anos de aposentadoria, mas n\u00e3o tem um dia que eu n\u00e3o venha aqui. Venho aqui todo dia, inclusive pra brigar.<\/p>\n<p>NP: Tem brigado muito?<\/p>\n<p>HD: Muito, muito, gra\u00e7as a Deus!<\/p>\n<p>NP: \u00c9 a milit\u00e2ncia&#8230;<\/p>\n<p>HD: \u00c9.<\/p>\n<p>NP: Ela n\u00e3o larga, n\u00e9?<\/p>\n<p>HD: N\u00e3o larga, ela muda o foco, mas \u00e9 sempre milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>NP: Como voc\u00ea v\u00ea o futuro da Escola?<\/p>\n<p>HD: T\u00e1 dif\u00edcil, viu? Eu tava falando um dia desses, n\u00f3s estamos sem um corpus, porque t\u00e1 tudo espalhado l\u00e1 em Ondina, tem gente que n\u00e3o sabe que \u00e9 colega. \u201cAh! Voc\u00ea estuda Teatro? Eu tamb\u00e9m!\u201d. Eu vi isso l\u00e1 em Ondina em um daqueles PAF da vida, t\u00e1 faltando aqui, aqui voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea mais aluno. Ent\u00e3o\u2026 Tem sete anos que esse pr\u00e9dio t\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o, porra! N\u00e3o \u00e9, n\u00e3o d\u00e1! Vai acabar a Escola, eu disse ao diretor, h\u00e1 umas duas semanas atr\u00e1s. Eu n\u00e3o dou dois anos pra essa Escola acabar se voc\u00eas n\u00e3o acabarem esse pr\u00e9dio! Tava indo bem, a\u00ed de repente\u2026 n\u00e3o-sei-o-qu\u00ea a firma faliu, n\u00e3o-sei-o-qu\u00ea a\u00ed para. A\u00ed tem mais tr\u00eas meses pra licita\u00e7\u00e3o n\u00e3o-sei-o-qu\u00ea, n\u00e3o-sei-o-qu\u00ea. E os alunos!? Os alunos nem sabem que s\u00e3o alunos da Escola. T\u00e1 faltando corpus.<\/p>\n<p>NP: E a UFBA?<\/p>\n<p>HD: T\u00e1 faltando corpus [risos]. \u00c9 injusto dizer isso, mas \u00e9. Quer dizer, n\u00e3o queria dizer isso. Mas \u00e9. T\u00e1 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>NP: Voc\u00ea j\u00e1 falou da import\u00e2ncia da mem\u00f3ria, esse \u00e9 um projeto nosso de mem\u00f3ria. Pra n\u00f3s \u00e9 uma alegria estar ouvindo essas suas hist\u00f3rias. Fala um pouco mais sobre mem\u00f3ria. Voc\u00ea vai fazer 80 anos, tem uma hist\u00f3ria toda de vida. N\u00f3s somos ainda novinhos.<\/p>\n<p>HD: Eu costumo dizer em rela\u00e7\u00e3o a isso\u2026 como \u00e9 o nome daquele alem\u00e3o com quem eu brigo tanto? Hackler? N\u00e3o, o outro, Alzheimer! [risos]. Gra\u00e7as a Deus a mem\u00f3ria antiga ainda t\u00e1 firme, ainda me lembro, ainda me lembro de textos. Eu n\u00e3o me lembro do texto de \u201cEm Fam\u00edlia\u201d, mas me lembro do cordel.<\/p>\n<p>[Recita cordel]: \u201cEu agora vou contar uma hist\u00f3ria verdadeira, fala de uma mulher que um dia fez asneira, pediu um filho ao Diabo, o filho nasceu de rabo, mordeu a m\u00e3o da parteira, essa mulher se chama Filirmina do Orob\u00f3 casada com Chico In\u00e1cio do Alto do Cocorob\u00f3, vivia t\u00e3o cansada depois de tanto tempo casada nunca teve um filho s\u00f3, quem sabe se seu marido (&#8230;)\u201d. E a\u00ed continua [risos]). Cordel. Jo\u00e3o Augusto. Um dos meus mestres.<\/p>\n<p>NP: E a\u00ed voc\u00ea fala que \u201cEm Fam\u00edlia\u201d, como t\u00e1 sendo a viv\u00eancia daquela espet\u00e1culo magn\u00edfico?<\/p>\n<p>HD: Rapaz, t\u00e1 sendo de uma alegria pra mim\u2026 H\u00e1 muito tempo, tem uns 30 anos que eu n\u00e3o tenho uma (&#8230;). Teatro aqui na Bahia t\u00e1 virando evento! A gente vai pedir pauta num teatro e dizem: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o podemos porque temos temos evento na sexta-feira.\u201d O evento \u00e9 uma p\u00e7a, a estreia de uma pe\u00e7a e \u00e9 s\u00f3 naquele dia. Daqui a uns dias vai bater na porta do outro: \u201cVoc\u00eas querem teatro hoje? A gente faz!\u201d. O que \u201cEm Fam\u00edlia\u201d nos deu agora, pra mim pelo menos, tem uns 20\/30 anos que eu n\u00e3o tenho isso, \u00e9 uma continuidade de trabalho que a gente pode se aprimorar a cada dia\u2026 e \u00e9 feliz e faz isso com uma satisfa\u00e7\u00e3o imensa porque melhora o seu personagem. E a cada dia isso vai continuando e se tornando uma outra coisa continuando a mesma coisa. Ent\u00e3o, pra mim, todo dia a gente teve tr\u00eas semanas aqui e depois sete semanas na Sala do Coro, que \u00e9 assim de uma continuidade\u2026 Eu venho de uma \u00e9poca em que se fazia teatro de ter\u00e7a a domingo e com matin\u00ea aos s\u00e1bados. Aqui, aqui [Escola de Teatro]. Agora t\u00e1 de sexta a domingo ou quinta-feira a gente faz, espera a pr\u00f3xima quinta seguinte pra fazer de novo, n\u00e3o tem tempo de aprimorar, melhorar-se, \u201cfazer e refazer fazem um s\u00f3 mister\u201d, Jo\u00e3o Cabral.<\/p>\n<p>Fernanda Accorsi: Eu queria aproveitar e pedir que deixasse uma mensagem pra quem chega novo nessa Escola, o que \u00e9 que ele precisa ouvir?<\/p>\n<p>HD: A primeira coisa que ele precisa ouvir, e a\u00ed n\u00e3o sou eu, t\u00f4 roubando de Fernanda, a primeira coisa que ele precisa ouvir \u00e9:<\/p>\n<p>Desista!<\/p>\n<p>Ah\u2026 mas n\u00e3o-sei-o-qu\u00ea\u2026\u201d<\/p>\n<p>Desista.<\/p>\n<p>N\u00e3o desisto, vou fazer<\/p>\n<p>Ent\u00e3o venha.<\/p>\n<p>\u00c9\u2026 desista. Porque talento a gente acha em qualquer lugar, voca\u00e7\u00e3o t\u00e1 dif\u00edcil. Ent\u00e3o a gente precisa \u00e9 de voca\u00e7\u00e3o mais do que talento.<\/p>\n<p>FS: Querer fazer.<\/p>\n<p>HD: Querer fazer. Chamado pra isso, a\u00ed volta o Cristianismo. Ser chamado pra fazer. Miss\u00e3o.<\/p>\n<p>NP: Harildo, eu queria te pedir, \u00e9 quase que um pedido pessoal, assim pelo meu encantamento com uma pe\u00e7a que eu sei que voc\u00ea gosta tamb\u00e9m, que \u00e9 \u201cGalileu Galilei\u201d que eu acho que faz tanta falta de novo ser reapresentada. Fala um pouquinho da experi\u00eancia. \u00c9 uma pena porque essa pergunta de Fernanda era pra gente encerrar [risos]. Como foi? Como isso te mexe naquela coisa fant\u00e1stica.<\/p>\n<p>HD: Sabe\u2026 \u00e9 uma daquelas pe\u00e7as que ficam, que a gente n\u00e3o lembra de citar como a primeira coisa. Mas que depois quando vem, a gente pensa: foi ali que eu aprendi um bocado de coisa. Politicamente. Politicamente! Isso \u00e9 muito importante pra mim. Eu preciso sempre, eu, como pessoa humana, preciso sempre dessa vis\u00e3o pol\u00edtica do mundo pra poder continuar a fazer, pra continuar a ter minha miss\u00e3o e continuar a fazer teatro. Porque \u00e9 a forma que eu escolhi de fazer pol\u00edtica. Ent\u00e3o, Galileu pra mim \u00e9 essa coisa de que voc\u00ea (\u00e9) safadamente encontra uma forma de continuar vivo. Muito importante. E esse humor \u00e9 que leva a gente adiante.<\/p>\n<p>NP: Eppur si move.<\/p>\n<p>HD: Eppur si move.<\/p>\n<p>NP: Obrigada, Harildo!<\/p>\n<p>[PALMAS]<\/p>\n<p>HD: Obrigado voc\u00eas!<\/p>\n<p>Depoimento dos(as) estudantes p\u00f3s entrevista<\/p>\n<p>Gabriel Lima: Eu gostei muito da entrevista que a gente fez com o senhor e pensei muito em mudar pra Teatro [risos]. Foi a primeira coisa que veio assim na cabe\u00e7a, como o senhor falou \u00e9 sempre bom ouvir as experi\u00eancias, as hist\u00f3rias e foi encantador. Teatro sempre foi uma das minhas paix\u00f5es desde que eu era pequeno, nunca mais consegui estar envolvido com o Teatro, mas s\u00f3 de ouvir sua fala j\u00e1 despertou algo que eu sempre gostei e me interessei: a quest\u00e3o de atuar, de estar no palco. Ent\u00e3o foi um conhecimento maravilhoso que o senhor passou pra gente.<\/p>\n<p>Camila Souza: Primeiramente agradecer por esse momento, de compartilhar tantas experi\u00eancias, tanta coisa da sua caminhada e o que eu fiquei muito emocionada foi ver o brilho nos olhos quando o senhor fala do Teatro, principalmente quando o senhor fala da Escola de Teatro aqui da UFBA. \u00c9 muito encantador esse brilho nos olhos. Obrigada!<\/p>\n<p>Yasmin Santos: Duas coisas me marcaram que voc\u00ea falou\u2026 Que voc\u00ea saia, fugia para assistir e eu prestei aten\u00e7\u00e3o nisso, nos olhos, porque quando voc\u00ea falou que na pe\u00e7a que voc\u00ea veio e percebeu que era aquilo que voc\u00ea queria fazer, eu vi os seus olhos brilharem. E eu me deparei muito com o Jornalismo, j\u00e1 pensei muitas vezes em desistir, mas teve um momento na entrevista que eu vi que \u00e9 o que eu queria. E me marcou mais ainda quando voc\u00ea falou do \u201cdesista!\u201d e se voc\u00ea n\u00e3o desiste \u00e9 porque voc\u00ea tem voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fernanda Accorsi: Eu acho que o mais marcante pra mim, de tudo que eu pude ouvir e me sinto privilegiada foi encontrar a quest\u00e3o da disposi\u00e7\u00e3o. Uma pessoa disposta a enfrentar o tempo todo o que fosse, como citou que com 12 anos veio pra Salvador sozinho por acreditar em algo. Foi pra fora mesmo contr\u00e1rio a tudo que o impulsionava como a fam\u00edlia. E ainda assim, essa disposi\u00e7\u00e3o de correr atr\u00e1s. E o que eu vejo hoje s\u00e3o muitas pessoas que nesse primeiro \u201cdesista!\u201d, realmente desiste, e eu acho que o que agrega, de fato, em termos de experi\u00eancia, pelo menos pra mim, o que marcou, \u00e9 justamente o continuar, dar continuidade.<\/p>\n<p>Mesmo hoje aposentado, o senhor poderia estar pensando em n\u00e3o se importar mais com isso, mas mesmo assim n\u00e3o desiste, \u00e9 aquilo que move, \u00e9 aquilo que impulsiona, a continuidade.<\/p>\n<p>Isamara Ellen: Eu tamb\u00e9m achei muito interessante o senhor ter falado sobre o pr\u00e9dio que t\u00e1 sendo constru\u00eddo e que nunca termina de ser constru\u00eddo e sua forma de indigna\u00e7\u00e3o, mesmo n\u00e3o precisando mais disso, mas pensando nas outras pessoas que est\u00e3o precisando, que precisam de um corpus, algo pra chamar de seu, \u201co pr\u00e9dio de Teatro que eu fa\u00e7o parte\u201d. E eu tamb\u00e9m achei interessante a emo\u00e7\u00e3o, as vezes o choro, o senhor mesmo falou que era besta e que chorava muito. E isso \u00e9 \u00f3timo porque a gente v\u00ea a humanidade, a emo\u00e7\u00e3o dentro dos professores, e quando o professor consegue passar isso pro aluno, isso d\u00e1 mais sentido a todo aprendizado que ele t\u00e1 recebendo e ouvir essas palavras de uma pessoa que fez tanto pela Escola de Teatro e ainda faz diariamente \u00e9 muito importante pra gente. Obrigada pela entrevista.<\/p>\n<p>Isadora Cruz: \u00c9\u2026 Ent\u00e3o, primeiro agradecer ao professor Harildo pela oportunidade da gente estar podendo te ouvir. Muitas partes da entrevista me emocionaram muito. Principalmente quando o senhor fala de voltar ao passado pra reconstruir o presente e formar um novo futuro. \u00c9 a minha filosofia de vida, eu tenho at\u00e9 tatuado um p\u00e1ssaro africano cujo significado \u00e9: voltar ao passado, pegar a sementinha que caiu pra jogar em um outro lugar e construir um novo futuro. Ao ouvir me formo tamb\u00e9m enquanto educadora no sentido de pensar que as artes devem estar mais inseridas na escola e tamb\u00e9m a pedagogia do di\u00e1logo que o senhor falou que dialogava sempre com seus discentes. \u00c9 isso.<\/p>\n<p>Revis\u00e3o final da transcri\u00e7\u00e3o de Isamara Ellen, aluna de pedagogia e monitora de EDC61 \u2013 Mem\u00f3ria em V\u00eddeo da Educa\u00e7\u00e3o na Bahia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gravado no Teatro Martins Gon\u00e7alves em 09\/04\/2019. Nelson Pretto (NP): Ent\u00e3o Harildo, como eu estava te dizendo nessa atividade somos todos amadores, nessa dimens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica e de televis\u00e3o, mas o que a gente quer mesmo, o que a gente gosta \u00e9 de hist\u00f3ria, n\u00e9? \u00c9 de mem\u00f3ria. Ent\u00e3o o convite a voc\u00ea \u00e9 muito pra que voc\u00ea possa falar livremente; a gente ficou futucando sua vida e vai te provocar um pouquinho mas a gente come\u00e7a sempre dizendo quem \u00e9 voc\u00ea, como nasceu, e a partir da\u00ed a gente vai conversando de Sergipe pro mundo. Harildo D\u00e9da (HD): [risos] De Simon Days, Sim\u00e3o Dias para o mundo. \u00c9, esse neg\u00f3cio de teatro j\u00e1 come\u00e7a l\u00e1 em Sim\u00e3o Dias mesmo, no interior de Sergipe, com os dramas, os dramas feitos na Igreja Presbiteriana de Sim\u00e3o Dias, recitando poesia e at\u00e9 quando eu vim com 12 anos pra c\u00e1 pra Salvador pra estudar no Col\u00e9gio 2 de Julho; e aqui como uma atividade lateral fazendo essas coisas de, recitando poesia e fazendo\u2026 fazendo \u201cdrama\u201d. NP: E l\u00e1 em Sergipe, n\u00e9? Sua fam\u00edlia? A forma\u00e7\u00e3o? A alfabetiza\u00e7\u00e3o? Como \u00e9 que\u2026? HD: A fam\u00edlia, a fam\u00edlia \u00e9 a fam\u00edlia que tem nome, mas n\u00e3o tinha dinheiro. Meu pai \u00e9, na \u00e9poca que eu vim pra c\u00e1, ele era sapateiro, tinha uma loja de cal\u00e7ado e n\u00e3o queria mais que filho nenhum estudasse porque o mais velho n\u00e3o deu\u2026 s\u00f3 terminou o gin\u00e1sio e n\u00e3o queria continuar. Ele disse ent\u00e3o \u201cningu\u00e9m vai mais, vai estudar n\u00e3o! N\u00e3o vai mais n\u00e3o\u201d. Mas eu consegui aos 12 anos de idade, eu consegui pedi uma bolsa para o col\u00e9gio j\u00e1 que ele n\u00e3o queria pagar nada, vim para o Col\u00e9gio 2 de Julho com uma bolsa at\u00e9 fazer gin\u00e1sio e, na \u00e9poca o cl\u00e1ssico, o curso cl\u00e1ssico at\u00e9 fazer o vestibular de letras. Que era alguma coisa que eu gostava muito e no Col\u00e9gio 2 de Julho fui bem preparado com estudo de l\u00ednguas, com o franc\u00eas, ingl\u00eas e fiz logo que sa\u00ed do 2 de Julho fiz o vestibular pra Letras, passei, no meio do segundo semestre, eu ganhei uma bolsa para os Estados Unidos, com 19 anos, e fui pra estudar l\u00e1, e l\u00e1 \u00e9 que eu vi que havia uma possibilidade daquilo que eu fazia como amador e por gostar de fazer, que aquilo podia ser uma profiss\u00e3o. Eu sabia que existia profiss\u00e3o de ator, mas n\u00e3o com a coisa t\u00e3o clara como foi l\u00e1 no nos Estados Unidos a forma\u00e7\u00e3o daqueles alunos para serem atores diretores e l\u00e1 eu vi que era poss\u00edvel fazer isso. Quando eu voltei n\u00e3o quis nem saber mais de letras, eu cheguei a terminar anos mais tarde, mas eu voltei em 61 e em 62 criava-se aqui na Bahia, gra\u00e7as a uma visita do Centro Popular de Cultura da UNE, criava-se aqui na Bahia o CPC, o Centro Popular de Cultura da Bahia e eu entrei e a\u00ed eu comecei a realmente fazer teatro junto com o CPC. NP: Voc\u00ea lembra de professores que te marcaram, professoras? Desde l\u00e1 de tr\u00e1s, de l\u00e1 de Sergipe. alfabetiza\u00e7\u00e3o? HD: Ah, de Sergipe tinha. Tinha uma professora que marca todo mundo l\u00e1 dentro da minha gera\u00e7\u00e3o que era dona Otaviana. Dona Otaviana que tinha uma escola particular onde a gente aprendia as primeiras letras, a ler com dona Otaviana. E eu era o queridinho dela e pronto, a\u00ed eu&#8230; NP: Voc\u00ea era o queridinho? HD: Ah, sim NP: Porque? HD: Sei l\u00e1, eu acho que eu tinha facilidade de aprender as coisas. N\u00e3o tinha facilidade para Matem\u00e1tica, isso de jeito nenhum. Eu quando eu fiz vestibular eu tava fazendo vestibular e fazendo segunda \u00e9poca no Col\u00e9gio 2 e Julho de Matem\u00e1tica, o professor Benevides de Oliveira, que era uma pessoa maravilhosa, mas me botou em segunda \u00e9poca pra fazer no ano que eu tava saindo do col\u00e9gio 2 de Julho. Matem\u00e1tica. N\u00e3o d\u00e1, n\u00e3o d\u00e1. N\u00e3o dava mesmo. NP: Essa professora marcou, e depois no 2 de Julho? HD: No 2 de julho tem dona No\u00eamia da Veiga Rego, vulgo Calamit\u00ea. Foi quem me ensinou franc\u00eas. No Col\u00e9gio 2 de Julho eu sa\u00ed com sete anos de Col\u00e9gio 2 de Julho eu sa\u00ed falando em franc\u00eas e ingl\u00eas gra\u00e7as a Mister Gravis e, em Teatro quem tava botando na minha cabe\u00e7a pra fazer teatro era Dona Maria Nazar\u00e9 de Seixas que tinha um grupo de teatro aqui na cidade e se interessou por mim, pra que eu seguisse o caminho. NP: Mas ela era professora? HP: Era professora de Canto Orfe\u00f4nico do Col\u00e9gio 2 de Julho. E l\u00e1 quando eu voltei dos Estados Unidos comecei a fazer o CPC e em 64 me impediram de continuar, obviamente. Era Centro Popular de Cultura da UEB (da Uni\u00e3o dos Estudantes da Bahia) e fui impedido de continuar. E volto em 66 pra n\u00e3o largar mais nunca, ent\u00e3o s\u00e3o 53 anos j\u00e1 disso. NP: Voc\u00ea viveu ent\u00e3o aqui na Bahia naquele per\u00edodo em que a UFBA come\u00e7ava a florescer muito fortemente por causa do Teatro. HD: Teatro, da m\u00fasica e de dan\u00e7a. Koellreutter&#8230; NP: Conta ent\u00e3o, como era isso? Como voc\u00eas viam isso e viviam? HD: Olha eu era interno do col\u00e9gio 2 de Julho. No Col\u00e9gio 2 de Julho tinha internato, masculino e feminino. A coisa era t\u00e3o forte, era muito r\u00edgido o Col\u00e9gio 2 de Julho. Era t\u00e3o forte, para mim pelo menos, que eu fugia de noite para assistir pe\u00e7a. Fugia do internato, e era fugir mesmo, com o sapato na m\u00e3o e passar pela casa do diretor, pela garagem do diretor para poder vir assistir pe\u00e7a. Eu assisti a pe\u00e7a que inaugurou esse teatro 1958 que foi a Senhorita J\u00falia, que eu n\u00e3o esque\u00e7o nunca mais na minha vida. [tempo\u2026 emociona-se]. Ver isso aqui, a magia disso foi muito forte pra mim, pra eu poder continuar aqui, vendo essa pe\u00e7a, a senhorita J\u00falia de Strindberg, disse que se eu quero fazer isso e vou fazer isso. NP: Como<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":55,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"single.php","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-339","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transcricoes"],"featured_image_src":null,"featured_image_src_square":null,"author_info":{"display_name":"bsglinux2","author_link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/author\/bsglinux2\/"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=339"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":964,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339\/revisions\/964"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}