{"id":173,"date":"2020-10-06T18:03:53","date_gmt":"2020-10-06T18:03:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/memoriaeducacaobahia\/?page_id=173"},"modified":"2025-02-11T22:30:35","modified_gmt":"2025-02-12T01:30:35","slug":"silvestre-teixeira-transcricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/silvestre-teixeira-transcricao\/","title":{"rendered":"Silvestre Teixeira &#8211; transcri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong><span style=\"font-size: 10pt\">Mem\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o na Bahia<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\">Gravado nos est\u00fadios do \u00c9duCANAL &#8211; Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; em 24\/04\/2012<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\">\n<strong><span style=\"font-size: 10pt\">Silvestre Ramos Teixeira<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Nelson Pretto (NP)<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">: Pode come\u00e7ar falando um pouquinho do seu comecinho de vida: nascimento, l\u00e1 fazenda&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Silvestre Teixeira (ST)<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">: Fazenda Torneiro [risos]. Como \u00e9 que voc\u00eas descobriram isso, menino?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: A gente futuca tudo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Fazenda Torneiro\u2026 Munic\u00edpio de Cora\u00e7\u00e3o de Maria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: \u00c9 perto de Feira, n\u00e9?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: H\u00e1 oito quil\u00f4metros de Feira, por dentro. Pela estrada d\u00e1 quatorze. \u00c9 uma beleza! Lugar gostoso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E voc\u00ea nasceu l\u00e1?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9. De fato eu n\u00e3o sei\u2026 Me contam que eu nasci por l\u00e1 aparado pelo minha av\u00f3 parteira Agripina, m\u00e3e\u2026 m\u00e3e do meu pai. Ali\u00e1s todos os cinco primeiros irm\u00e3os meus foram\u2026 o parto foi com a minha av\u00f3 Agripina. Todos vivos, todos bons, todos sadios, todos saud\u00e1veis. N\u00e9? Naquela \u00e9poca como era gostoso. Eu vim conhecer m\u00e9dico bem depois, quando eu quebrei meu bra\u00e7o. Eu quebrei o meu bra\u00e7o com seis anos, seis para sete anos. \u00c9\u2026 montado a cavalo, n\u00e9? Fui dar \u00e1gua ao cavalo no Rio Pojuca, sete anos. O grau de confian\u00e7a que os velhos tinham comigo, n\u00e9? A\u00ed eu desci, fui dar \u00e1gua ao cavalo. Tinha uma ladeira. Fui l\u00e1 no Rio Pojuca, ele bebeu \u00e1gua, etc. E eu na subida instiguei o cavalo, ele come\u00e7ou a querer correr, mas como era ladeira \u00edngreme, ele foi\u2026 Quando abriu a cancela, ele disparou e eu peguei uma galha de umbu, umbuzeiro, e ca\u00ed, quebrei o bra\u00e7o. Quebrei o bra\u00e7o e as coisas\u2026 n\u00e3o sei. Quando eu me vi, eu estava deitado com o bra\u00e7o em cima de uma telha. Era a \u00fanica coisa que podia ficar. E os meus pais chamando, chamando. Tinha um carro velho, <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Land Rover<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, da \u00e9poca da guerra. E foi com o <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Land Rover<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\"> que a gente teve que sair correndo pra encanar o bra\u00e7o. Quem eu sou\u2026 rapaz, Silvestre, eu estava explicando para as meninas aqui, por que Silvestre? Meu pai, meus pais tinham o h\u00e1bito de dar o nome ao filho do santo do dia. Ent\u00e3o, dia trinta e um de dezembro \u00e9 dia de S\u00e3o Silvestre. Ent\u00e3o eu tenho irm\u00e3os que s\u00e3o Miguel, tenho irm\u00e3os que s\u00e3o Jos\u00e9, tenho irm\u00e3o que \u00e9 Eduardo, tenho irm\u00e3o que \u00e9 Ant\u00f4nio&#8230; Porque os santos dos dias eram estes. Ent\u00e3o era uma forma que os velhos l\u00e1 nas ro\u00e7as tinham para homenagear os santos e, quem sabe, buscar gra\u00e7as para os filhos. N\u00e9? Por isso a gente tinha essa nomea\u00e7\u00e3o: o santo do dia. \u00c9\u2026 a gente chama na religi\u00e3o: onom\u00e1stico, a data do onom\u00e1stico. A data do onom\u00e1stico \u00e9 a data do santo do dia. Ent\u00e3o, quando o anivers\u00e1rio \u00e9 no dia do onom\u00e1stico, h\u00e1 uma dupla festa. Isto \u00e9, \u00e9 o anivers\u00e1rio e a data do onom\u00e1stico. Isso dentro de um\u2026 Pois \u00e9, mas eu estava falando antes da queda do bra\u00e7o. E eu dizia que eu ca\u00ed e fui ter&#8230; fui levado pra encanar. Mas Feira de Santana ficava longe, embora sejam doze quil\u00f4metros, era complicado&#8230; Isso nos idos dos anos quarenta, era complicado chegar l\u00e1. O resultado \u00e9 que no meio do caminho eu tive que voltar e os meus pais, mais os compadres da vizinhan\u00e7a, tiveram que dar uma arrumada com a talisca de bambu. Arrumando por cima para que a gente ficasse o mais parado poss\u00edvel. Passei assim dois dias, at\u00e9 que uma irm\u00e3 minha, Dalva, gorduchinha, tinha&#8230; devia ter o qu\u00ea\u2026 uns quatro anos\u2026 Querendo saber como \u00e9 que eu estava e n\u00e3o sei o qu\u00ea\u2026 subiu na cama e sentou em cima do bra\u00e7o. E eu querendo tirar o bra\u00e7o, e ela era gordinha, era pesada&#8230; Resultado, saiu do lugar. A\u00ed n\u00e3o teve jeito. No dia seguinte eu estava no\u2026 em Catuissara, um lugarejo que pertencia ao munic\u00edpio de Santo Amaro e que era vizinho da Fazenda Torneiro. Era umas seis l\u00e9guas. A gente media muito mais por l\u00e9guas do que por quil\u00f4metros, naquela \u00e9poca. Ent\u00e3o fomos at\u00e9 Catuissara, que hoje se chama Teodoro Sampaio porque ali nasceu Teodoro Sampaio, no engenho chamado Bom Jardim, pegar o trem. Eu vim de trem pra Salvador, vim direto pro Hospital das Cl\u00ednicas aonde um conhecido amigo, n\u00e9?, me levou at\u00e9 Fernando Filgueiras, foi o primeiro m\u00e9dico que me cuidou. Fernando Filgueiras, ele cuidou, encanou, botou gesso, aquelas coisas todas\u2026 E eu ent\u00e3o pude\u2026 n\u00e3o voltei pra Salvador. Fiquei aqui em Salvador na casa de parentes, tios, etc. E no ano seguinte eu j\u00e1 estudei aqui. Mas antes eu quero me referir ao meu estudo l\u00e1 na Fazenda Torneiro. Eu fui aluno de uma escola multisseriada. Sabe o que \u00e9 isso? Pois \u00e9, a escola multisseriada da professora Edith. Edith era filha de um vizinho e compadre de meu pai. Da fazenda vizinha. E a professora Edith tinha essa escola multisseriada da prefeitura de Cora\u00e7\u00e3o de Maria. Ah, a escola era uma del\u00edcia, n\u00e9? N\u00f3s \u00e9ramos cinco irm\u00e3os, ali\u00e1s tr\u00eas irm\u00e3o nessa \u00e9poca. Tr\u00eas irm\u00e3os que frequent\u00e1vamos a escola e a gente tinha o banco do primeiro ano, o banco do segundo, o banco do terceiro, o banco do quarto e o banco do quinto. Naquela \u00e9poca tinha o quinto ano. E a\u00ed as aulas eram dadas pela professora Edith para cada um. E as disciplinas eram as mesmas: era matem\u00e1tica, era leitura, etc, etc. E havia uma troca, uma sinergia fant\u00e1stica dentro da sala de tal forma que, quem sabia menos, aprendia com quem sabia mais. Quando ela fazia perguntas ou ensinava a algu\u00e9m do segundo ano, n\u00f3s no primeiro j\u00e1 est\u00e1vamos captando aquela coisa. Quando ela dava aula para o segundo ano, quem estava no terceiro e quarto refor\u00e7ava aquilo que j\u00e1 tinha aprendido. Ou seja, era uma sinergia, uma for\u00e7a interessant\u00edssima. Eu n\u00e3o sei porque mataram as escolas multisseriadas&#8230; N\u00e3o que eu seja um defensor das coisas antigas, mas acho que essa, esse envolvimento, n\u00e9?, de v\u00e1rios n\u00edveis de idade em uma mesma sala trabalhando o mesmo conte\u00fado ou conte\u00fados diversos, \u00e9&#8230; eu acho muito interessante. Acho&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Quantas pessoas tinham, mais ou menos?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Algo em torno de uns vinte alunos, em todos os grupos. Eram vinte pessoas mas cinco de um, quatro de outro, seis de outro, tr\u00eas de outro&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E chegava na escola com seis, sete, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9. \u00c9. Era a idade. Houve uma \u00e9poca em que ir pra escola era com sete anos. Antes disso n\u00e3o existia esse tipo de preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Pois \u00e9, ent\u00e3o a escola multisseriada foi o meu primeiro contato com as letras, os n\u00fameros, com rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E a professora Edith, fala um pouquinho dela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Professora Edith.\u00a0 Era fant\u00e1stica essa professora Edith. Ela ia montada em uma \u00e9gua, n\u00e9?, ela chegava&#8230; As mulheres naquela \u00e9poca, poucas usavam cal\u00e7as. Elas sentavam de lado, elas n\u00e3o sentavam como os homens, abrindo em cima da cela. O selim, que era a cela das mulheres, tinha uma forma de andar de lado. Ent\u00e3o ela virava \u00e0 frente, mas andava de lado. E os animais que serviam de montaria para as mulheres, eram animais mais domesticados, melhor\u2026 Ent\u00e3o era uma forma e ela chegava montada em uma \u00e9gua l\u00e1 na escola. E a gente chegava l\u00e1 cedo, era o qu\u00ea, algo em torno de um quil\u00f4metro entre a casa, a minha casa, e a escola. Todos os, quase todos esses vinte eram parentes, primos, n\u00e9?, vizinhos\u2026 A rela\u00e7\u00e3o de vizinha que no interior acaba sendo quase uma rela\u00e7\u00e3o de parentesco. Rela\u00e7\u00e3o de vizinhan\u00e7a cria muita intimidade entre compadre fulano e compadre beltrano. A rela\u00e7\u00e3o entre os compadres, isto \u00e9, entre os vizinhos mais velhos acabava gerando uma amizade tal, que eram quase parentes, n\u00e9? Alguns at\u00e9 se consideram parentes, alguns vizinhos meus consideravam o meu pai como tio. Ent\u00e3o hoje eu n\u00e3o estranho muito quando algu\u00e9m me chama de tio, sem muita raz\u00e3o de ser,porque isso era habitualidade daquela \u00e9poca em que eu era moleque. Pois \u00e9, ent\u00e3o por conta&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Quem sustentava essa escola?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: A prefeitura era quem mantinha a escola. A prefeitura de Cora\u00e7\u00e3o de Maria, era ela. A escola era p\u00fablica, n\u00e3o era uma escola particular. Embora os vizinhos se cotizassem para melhorar o telhado, melhorar o acesso\u2026 Mas era a prefeitura. A professora era da prefeitura. A professora Edith.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E o pr\u00e9dio?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Tamb\u00e9m. Tamb\u00e9m. Bom, suponho que fosse, embora eu n\u00e3o vi, n\u00e3o sei se algu\u00e9m construiu e deu, doou para a prefeitura. Eram apenas uma sala e uma recep\u00e7\u00e3ozinha, um lugar onde a diretora, a professora Edith botava algumas coisas l\u00e1 dentro. \u00c9\u2026 a gente, a gente n\u00e3o tinha caneta nem papel. A gente escrevia em uma lousas. Que a gente tinha um grafite para anotar as coisas em cima da lousa. Depois molhava a m\u00e3o, passava por cima e apagava. Isto \u00e9, as coisas n\u00e3o eram gravadas de forma definitiva, era o nosso papel de rascunho, e de trabalho, e de dever, e etc. Era uma lousa mais ou menos tipo papel of\u00edcio A4. E essa lousa tinha um grafite espec\u00edfico que por cima da lousa escrevia as coisas, anotava, fazia as contas, fazia o ditado em cima da lousa. Era uma tecnologia tamb\u00e9m superada, acho que hoje as digitaliza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o superando essa lousa, isto \u00e9, aquela lousa hoje \u00e9 um iPod, um celular, uma coisa qualquer\u2026 Mas naquela \u00e9poca a gente usava a lousinha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Talyssa: E o ensino era ofertado em qual turno?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Era pela manh\u00e3, pela manh\u00e3. Eu me recordo que era pela manh\u00e3 pelo seguinte: porque de noite, se fosse de tarde, a gente voltava por um caminho que contavam mis\u00e9ria desse caminho. Que aparecia lobisomem e etc, a gente nunca queria passar de tarde. Mas a gente voltava meio-dia com uma fome, com uma sede terr\u00edvel. Subia e cada qual ia pra casa, ningu\u00e9m tinha tempo de ficar matando qualquer coisa depois da aula, n\u00e9? Porque meio-dia era hora de chegar em casa pra comer. Ent\u00e3o era pela manh\u00e3. As aulas eram pela manh\u00e3.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Como foi essa sua educa\u00e7\u00e3o familiar l\u00e1 com essa turma toda, cavalos&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Ah, foi uma coisa\u2026 a rela\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a com a natureza, com o meio ambiente, com o processo de produ\u00e7\u00e3o, fundamental isso: voc\u00ea v\u00ea que seu pai, sua m\u00e3e, seus parentes est\u00e3o envolvidos diretamente com o processo de produ\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, n\u00e3o apenas uma coisa de cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o. A gente v\u00ea o que \u00e9 uma, uma\u2026 um equipamento de\u2026 de fazenda. Como \u00e9 os cavalos, os bois puxando o arado, como \u00e9 que o arado corta a terra, de que forma, por que aquela profundidade e n\u00e3o outra? Porque ali j\u00e1 plantaram milho, ou vai plantar feij\u00e3o, ou vai plantar fumo. Meu pai era produtor de fumo, tinha, portanto, os momentos que ele tinha que fazer as sementeira, sementeira depois de dois meses, quando o fumo estava mais ou menos dez, doze cent\u00edmetros de altura era arrancado e transplantado para as covas. Ent\u00e3o meu pai era produtor de fumo, vendia fumo para \u00e9&#8230; o munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo dos Campos, aonde ainda hoje, \u00e9 talvez a \u00fanica grande f\u00e1brica de charutos na Bahia produzindo charutos com, com volume, at\u00e9 de exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 em s\u00e3o Gon\u00e7alo dos campos, que pertence a um cubano que se fugiu de Fidel Castro e veio para a Bahia, e chegou aqui porque a Bahia tinha a fama de produzir bons fumos, n\u00e9? E se estabeleceu em S\u00e3o Gon\u00e7alo e hoje tem uma f\u00e1brica de charutos l\u00e1 e dizem que s\u00e3o charutos tipo Havana, charutos bons, n\u00e9?\u00a0 \u00c9, ent\u00e3o essa rela\u00e7\u00e3o com ambiente, com a natureza, com os animais, n\u00e9? Cada um de n\u00f3s, dos filhos, tinha uma vaca, tinha um animalzinho de estima\u00e7\u00e3o, um cavalo ou uma \u00e9gua, um neg\u00f3cio qualquer. Isto \u00e9, n\u00f3s t\u00ednhamos essa rela\u00e7\u00e3o muito prazerosa, n\u00e9? Embora fosse duro e pesado no sentido que n\u00f3s t\u00ednhamos tamb\u00e9m, que nos envolver com o processo de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9&#8230; at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 aquela para o consumo, para a comercializa\u00e7\u00e3o, como o fumo, mas at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do cotidiano. N\u00f3s t\u00ednhamos um quintal fant\u00e1stico, tinha de tudo, frutas de todo tipo. Tinha lugares onde se plantava as sementeiras de legumes e hortifruti de um modo geral. A gente via aquilo, tinha pocilga, matava o porco a galinha, matava\u2026 isto \u00e9, n\u00f3s conviv\u00edamos com esse universo da vida rural muito intensamente e gostava, eu gostava muito daquela vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: A\u00ed quebrou o bra\u00e7o&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: A\u00ed quebrei o bra\u00e7o e vim pra c\u00e1. Foi um choque&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Fora a dor do bra\u00e7o? [risos].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Foi, foi&#8230; mas n\u00e3o me acostumei muito facilmente aqui n\u00e3o. A\u00ed voltei um ano. Aos 8 anos voltei para a professora Edith de novo. Somente aos 9 anos que vim para Salvador estudar, ainda em escola publica. A Escola Visconde de Cairu, em Brotas, rua Frederico Costa. Era uma escolinha, \u00e9&#8230; E nessa escola eu fiz o curso e fui fazer o exame de admiss\u00e3o, em 1951. Dezembro de 51 no Col\u00e9gio Liceu Salesiano do Salvador, em Nazar\u00e9. Eu descia o G\u00e1lez, subia a ladeira, tava em Nazar\u00e9. Fiz exame de admiss\u00e3o l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Fala um pouquinho como era esse exame de admiss\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9, acho que aqui quase nenhum de voc\u00eas fez isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Nem eu nem eu\u2026 [risos].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Nem voc\u00ea. O exame de admiss\u00e3o era um vestibular [risos].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Ele existia, mas eu pulei, com a mudan\u00e7a do Rio Grande do Sul pra c\u00e1.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Ah&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Mas ele ainda existia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Ah\u2026 porque aqui, aqui acabou-se. Aqui ele acabou em\u2026 Em uma \u00e9poca houve uma esp\u00e9cie de&#8230; com Luiz Viana. Ele extinguiu o exame de admiss\u00e3o aqui. Mas depois a gente fala um pouquinho sobre isso. Mas voltando l\u00e1 para o exame de admiss\u00e3o, ele era uma esp\u00e9cie de vestibular: voc\u00ea terminava o curso prim\u00e1rio e se fazia o exame de admiss\u00e3o ao gin\u00e1sio.\u00a0 Admiss\u00e3o, \u00e9\u2026 isto \u00e9, o gin\u00e1sio \u00e9 que esperava. O grau mais alto, o n\u00edvel mais alto. E ent\u00e3o tinha que ser admitido ali, n\u00e9? N\u00e3o era qualquer um que passava. Ent\u00e3o era isso o exame de admiss\u00e3o. E era passado um exame de alguma forma com grau de exig\u00eancia razo\u00e1vel. Eu fiz ent\u00e3o o exame de admiss\u00e3o no Col\u00e9gio Salesiano Sagrado. N\u00e3o! No Liceu Salesiano de Salvador, em 1951. Pronto. Fui aprovado. \u00c9&#8230; Meus pais e minhas tias e amigos bateram palmas, porque praticamente minha forma\u00e7\u00e3o, foi praticamente l\u00e1 com Edith, e ent\u00e3o, sa\u00ed de Edith direto para o Col\u00e9gio Liceu Salesiano de Salvador. Tirei o 3\u00ba lugar, foi uma euforia, uma coisa bacana. \u00c9&#8230; Nessa mesma \u00e9poca, em 1951, eu j\u00e1 estava mais taludo. Obviamente, com 12 anos. Ent\u00e3o eu j\u00e1 tinha feito exame, minha primeira comunh\u00e3o na Igreja do Bom Jesus dos Milagres, que fica ali ainda perto da Acupe, em Brotas, na entrada que vai para o bairro de Cosme de Farias, naquela igreja. Aquela igreja \u00e9 a igreja de Nosso Senhor dos Milagres. Isso minha fam\u00edlia, meus pais, minhas irm\u00e3s me envolveram muito com essa ideia de igreja, de me envolver no mundo e at\u00e9 de fazer o exame de admiss\u00e3o no Salesianos. Foi uma forma de eu ficar envolvido com esse processo religioso&#8230; E a\u00ed fui para o semin\u00e1rio em 1952. Fui para o semin\u00e1rio. E a\u00ed peguei um, em 52, peguei um navio chamado Ipatinga. Eu canto \u00e0s vezes \u201ceu peguei um Ita&#8230;\u201d, diz a m\u00fasica, \u201cdo norte\u201d, mas eu peguei um Ita do Sul e subi, fui pra Recife. Ent\u00e3o, foi tr\u00eas dias de viagem: Ipatinga parou em Macei\u00f3 e depois foi para Recife. Depois de alguns anos, n\u00e3o, alguns meses fiquei sabendo que o Ipatinga, a pororoca tinha comido no encontro dos rios, no encontro do mar com o Rio Amazonas. O Ipatinga foi\u2026 afundou. Eu digo: poxa, n\u00e3o foi minha viagem&#8230; [risos]. Nem \u00eda t\u00e3o longe. Pronto, fui para o col\u00e9gio, semin\u00e1rio chamando Salesianos. J\u00e1 que eu tinha feito o exame de admiss\u00e3o aqui, eles me acataram l\u00e1 em Recife, num col\u00e9gio chamando Col\u00e9gio Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, no bairro de Boa Vista, que tem em Recife. E l\u00e1 estudei o gin\u00e1sio inteiro, vinha de vez em quando em Salvador. Vinha de&#8230; vinha de navio. Era o transporte naquela \u00e9poca mais r\u00e1pido, mais f\u00e1cil e mais barato at\u00e9. Pronto. Nesse per\u00edodo de Recife, eu fiquem em Recife, Jaboat\u00e3o, acabei o curso do 1\u00ba e 2\u00ba gin\u00e1sio e col\u00e9gio. Fui ent\u00e3o fazer a Filosofia. Eu fiz filosofia, comecei a Filosofia em Natal, Rio Grande do Norte, onde eu fui vizinho de C\u00e2mara Cascudo. Ent\u00e3o ouvia os gargarejos de C\u00e2mara Cascudo, que ele fumava um charuto horr\u00edvel. \u00c9&#8230; mas tamb\u00e9m ouvia as belas e jocosas e gostosas hist\u00f3rias, n\u00e9?, do folclore brasileiro com Luiz da C\u00e2mara Cascudo, que era vizinho da gente. Ent\u00e3o ele \u00eda para a biblioteca l\u00e1 e agente ia para a biblioteca dele. Ent\u00e3o era uma coisa interessante, os seminaristas e Luiz da C\u00e2mara Cascudo, que n\u00e3o gostava de padre, mas era absolutamente cordato, bom.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E esse vizinho era o semin\u00e1rio ou morava em uma casa, o pr\u00f3prio semin\u00e1rio?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o, era o semin\u00e1rio. Vizinho, que eu falo, \u00e9, tinha o semin\u00e1rio, tinha uma rua, tinha um jornal chamado a Rep\u00fablica, um jornal de Natal e vizinho da Rep\u00fablica, era a casa de Luiz da C\u00e2mara Cascudo. Ele \u00eda para l\u00e1 e agente ia pra l\u00e1 para a casa dele. Ent\u00e3o era uma troca: sabia latim, conhecia grego&#8230; Ent\u00e3o interpretava e mostrava a origem das palavras. Era um grande intelectual. Luiz da C\u00e2mera Cascudo, um grande intelectual. Pronto. A\u00ed esse per\u00edodo a gente teve alguma experi\u00eancia j\u00e1 docente de inter-rela\u00e7\u00e3o, porque os Salesianos mant\u00e9m um certo grupo de estudantes, particularmente chamado de Orat\u00f3rio Festivo, era um per\u00edodo da semana: dois dia, duas tardes. Fundamentalmente s\u00e1bado e domingo, onde reunia os meninos para as pr\u00e1ticas de esportes e catequese. Mas isso acaba caminhando, de certa forma, para uma outra pr\u00e1tica de educa\u00e7\u00e3o mais aberta, mais abrangente, n\u00e9? Esses Orat\u00f3rios Festivos, em alguns lugares, acabaram se transformando em col\u00e9gios, em cursos. Havia os cursos profissionalizantes desses meninos, isso se prende ao processo, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios Salesiano. Quem criou o Salesianos foi S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco. Jo\u00e3o Bosco nasceu em 1.908. S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco, famoso, chamado Dom Bosco, em 1.908. E aos 15 anos atr\u00e1s, eu andei tentando fazer a rela\u00e7\u00e3o entre o percurso de Jo\u00e3o Bosco e o percurso de Marx, que naquela \u00e9poca, na metade do s\u00e9culo XIX, tamb\u00e9m andava fazendo suas estripulias, escrevendo suas coisas. E Jo\u00e3o Bosco fazendo coisas envolvendo a ideia de trabalho. Eram as escolas, eram as escolas de trabalho de Dom Bosco. Eram as escolas profissionais Salesianas. Aqui na Bahia aconteceu uma forte, com artes pl\u00e1sticas, com musica com artes de madeiras. E eram escolas profissionais, do conceito profissional anterior, isto \u00e9, do processo artesanal. Eram produtores, eram cursos para forma\u00e7\u00e3o profissional de artes\u00e3os, n\u00e3o eram pessoas orientadas para o processo de fabrica\u00e7\u00e3o\u00a0 fabril, n\u00e3o. Eram profiss\u00f5es com habilidades para atividades do artes\u00e3o, por isso, inclusive, o processo de industrializa\u00e7\u00e3o, as escolas profissionais, foram decaindo. Por exemplo, o SENAI cresceu e as escolas profissionais, hoje, quase ningu\u00e9m falam delas. E aonde existe est\u00e3o aliadas com as novas dimens\u00f5es dos conceitos de trabalho de produ\u00e7\u00e3o. Portanto as escolas profissionais hoje t\u00eam, digamos, a mesma dimens\u00e3o digamos que o SENAI ou coisa equivalente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Isso j\u00e1 era ali em Nazar\u00e9? Onde funciona at\u00e9 hoje&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Ainda hoje existe.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Isso correspondia \u00e0 meninada de 14, 15, 16 anos?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9 de 14 at\u00e9 18 anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Isso era equivalente ao colegial, 2\u00ba grau, o Ensino M\u00e9dio hoje?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Exatamente, exatamente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E a Filosofia que voc\u00ea fazia l\u00e1 tamb\u00e9m era?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o foi aqui, foi l\u00e1 em Natal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: L\u00e1 em Natal tamb\u00e9m era de Ensino M\u00e9dio?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o, n\u00e3o. J\u00e1 era universit\u00e1rio\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: A universidade era do pr\u00f3prio Salesiano?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o. Eram os cursos do semin\u00e1rio que foram absorvidos pela faculdade. Os Salesianos abriram uma faculdade em Lorena, em S\u00e3o Paulo e todos os seminaristas que estavam naquele processo de forma\u00e7\u00e3o chamado Filosofia, foram pra l\u00e1. Ent\u00e3o eu me transferi de Natal para Lorena, em S\u00e3o Paulo, aonde eu conclui minha faculdade. Onde eu fiz faculdade. Entendeu? Foi na faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Lorena. Eu fiz l\u00e1 dois anos, depois eu conclui minha faculdade aqui em Salvador. Acho que o terceiro ou quarto ano aqui na UCSAL na Universidade Cat\u00f3lica de Salvador. E ent\u00e3o&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Isso foi ent\u00e3o a sua gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia que \u00e9 em mil novecentos e&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: 1962<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Quanto ?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Terminei em 62. Terminei em 62, portanto \u00e9 um per\u00edodo a\u00ed de 22 a 23 anos, mais ou menos, a\u00ed essa idade. Eu acho que foi 63, terminei em 63 e n\u00e3o 62\u2026 Pronto. Em 63 e 64, eu fiz meus exames de consci\u00eancia e vi que meu neg\u00f3cio n\u00e3o era ser padre. Em 62-63 eu estava com minha passagem para ir estudar Teologia na Europa, na It\u00e1lia. E eu pego aquela&#8230; aquela carta de recomenda\u00e7\u00e3o e aquela passagem e procuro o meu diretor e digo: \u201cOh, padre, eu estarei cometendo um&#8230; um grave erro se eu for me beneficiar deste tipo de esfor\u00e7o que os Salesianos fazem de encaminhar para a Europa, fazer Teologia na faculdade gregoriana de Roma e porque n\u00e3o \u00e9 a minha, n\u00e3o&#8230;n\u00e3o quero mais\u201d. A\u00ed sa\u00ed do semin\u00e1rio e ent\u00e3o fui me envolver com aquilo que sabia fazer de alguma forma, trabalhar com educa\u00e7\u00e3o, escola, etc. Neste per\u00edodo de 63, no final de 62, eu ainda fiz um outro exame, um outro vestibular para Direito. Eu fiz ate o 3\u00ba ano de Direito, at\u00e9 que me desesperei com o ent\u00e3o reitor da Universidade Cat\u00f3lica, Eug\u00eanio Veiga. Disse uns desaforos e ent\u00e3o ouvi uns desaforo, dizendo que eu ia ser expulso, etc. Querendo me dedurar junto com a revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e9?, a Ditadura 1.965, e a\u00ed eu n\u00e3o aguentei as barras e antes que ele me mandassem para algum lugar, eu resolvi fechar, trancar minha matr\u00edcula e n\u00e3o mais complementei meus estudos na \u00e1rea do Direito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nessa \u00e9poca, ent\u00e3o tinha que trabalhar. Fiz ent\u00e3o uma sele\u00e7\u00e3o para tr\u00eas bancos, fiz para o Banco do Povo, para o Banco da Bahia e para o Banco Com\u00e9rcio e Industria de Minas Gerais. Nenhum dos tr\u00eas existe mais. O Banco do Povo foi comprado pelo Banco da Bahia e o Banco da Bahia acabou sendo vendido ao Bradesco e o Banco Com\u00e9rcio e Industria de Minas Gerais, n\u00e3o sei o que aconteceu com ele&#8230; Ent\u00e3o eu fiz para os tr\u00eas e fiquei aguardando. O primeiro que me chamasse, eu iria porque precisava sobreviver. E quem me chamou primeiro foi o Com\u00e9rcio e Industria de Minas Gerais. Ent\u00e3o minha primeira atividade fora do semin\u00e1rio, como atividade profissional, foi banc\u00e1rio. Minha carteira do Minist\u00e9rio do Trabalho t\u00e1 l\u00e1, primeira, n\u00e9? Primeiro registro \u00e9 como banc\u00e1rio no Banco Com\u00e9rcio e Industria de Minas Gerais, Edif\u00edcio Cidade de Salvador, l\u00e1 no Com\u00e9rcio. E eu trabalhava de forma\u2026 Informes. Eu sabia a vida de meio mundo da Bahia e aquilo me angustiava&#8230; Eu digo, sabe de uma coisa? Eu vou pedir minha demiss\u00e3o e vou fazer outras coisas. Isso aqui vai fazer eu ficar biruta, porque eram informa\u00e7\u00f5es e mais informa\u00e7\u00f5es e acusa\u00e7\u00e3o. E isso tudo o Banco registrava e naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha computador, era tudo na m\u00e3o. Ent\u00e3o tinha que saber das coisas ou ent\u00e3o datilografia, a\u00ed eu sa\u00ed. Eu sa\u00ed do Banco. A\u00ed fiz um processo seletivo. Hoje em dia existe o REDA, naquela \u00e9poca existia o chamado Professor Interino. O Professor Interino \u00e9 :precisa de um professor, faz um processo seletivo mais aligeirado e o professor era contratado. Ent\u00e3o eu fui contratado para ser Professor Interino do ICEIA com a professora Teodolina Nogueira Passos, uma grande figura n\u00e3o sei se voc\u00eas j\u00e1 ouviram falar dela, mas depois perguntem a outras pessoas porque eu n\u00e3o gostaria de falar muito dela n\u00e3o. Professora Teodolina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Mas por que n\u00e3o ?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Porque era uma figura mancomunada com os valores daquela \u00e9poca, ent\u00e3o a gente tem certas&#8230; N\u00e3o gostaria de comentar, nem mesmo agora.\u00a0 Ent\u00e3o eu fui ser professor do ICEIA. Com dois anos depois, aqui no Garcia, foi criado o Col\u00e9gio Edgar Santos. Eu vim para a instala\u00e7\u00e3o do Edgar Santos, ent\u00e3o foi o primeiro grupo de professores do Col\u00e9gio Edgar Santos, aqui no Garcia. Nessa \u00e9poca, eu j\u00e1 estava trabalhando com outros col\u00e9gios: tinha o col\u00e9gio 7 de Setembro que funcionava ali no Campo Grande. Hoje \u00e9 um edif\u00edcio enorme que t\u00e1 l\u00e1 no lugar. \u00c9 o Col\u00e9gio 7 de Setembro, da professora Vinhas. Tamb\u00e9m trabalhei no Col\u00e9gio S\u00e3o Salvador que fica onde \u00e9 hoje a sede do IFAN, ali na Barroquinha. Ent\u00e3o eu acabei ficando com&#8230; me equilibrando para poder receber e me manter e viver. Dois anos depois eu fiz um concurso para professor da Escola de Aprendiz de Marinheiro. Observe bem, eu estou na ditadura j\u00e1, mas eu trabalhava como oriundo, que era do semin\u00e1rio, etc. Com uma chamada JIC \u2013 Juventude Independente Cat\u00f3lica, que foi a cabe\u00e7a do n\u00facleo do AP &#8211; A\u00e7\u00e3o Popular. Tem umas historinhas sobre isso, mas n\u00e3o \u00e9 o caso. Mas naquele per\u00edodo eu fiz uma sele\u00e7\u00e3o para ser professor da Escola de Aprendiz de Marinheiro era&#8230; havia na Bahia, naquela \u00e9poca, hoje foi transferida para o Rio de Janeiro. E a\u00ed eu fui aprovado e durante um ano e meio eu era Capit\u00e3o-tenente. Eu entrava no portal da\u2026 hoje \u00e9 aquela escola da Marinha. Hoje n\u00e3o \u00e9 mais escola, \u00e9 a sede da Marinha que fica ali embaixo do Elevador, e os meninos faziam contin\u00eancia para mim porque eu era\u2026 minha profiss\u00e3o, meu trabalho, equivalia ao chamado Capit\u00e3o-tenente. Era graduado. Os meninos batiam contin\u00eancia, faziam aquelas refer\u00eancias todas e eu me sentia mal com aquela coisa, porque pensava de um jeito e fazia de outro, trabalhava no lugar. At\u00e9 que andaram descobrindo coisas minhas e eu, antes que fosse mandado embora, eu dei uma recuada e voltei atr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Vamos descobrir um pouquinho mais dessas coisas ai\u2026 Queria que voc\u00ea voltasse um pouquinho para a d\u00e9cada de 60. Semin\u00e1rio. como \u00e9 que se dava sua percep\u00e7\u00e3o na sociedade?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Olha, at\u00e9&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: No semin\u00e1rio, como atuava as rela\u00e7\u00f5es que voc\u00ea fazia: Dom Bosco e Marx, o qu\u00ea que&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Olha, a reflex\u00e3o Dom Bosco e Marx foi bem posterior, depois eu falo um pouco sobre isso, foi depois da d\u00e9cada de 70. N\u00e3o foi naquela \u00e9poca, n\u00e3o foi essa minha preocupa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Como \u00e9 que estava o pa\u00eds naquela \u00e9poca?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: 62, era \u00e9poca\u2026 60, 61, 62, 63, era uma \u00e9poca de grande ebuli\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e9? Mas \u00e9 uma \u00e9poca de Jo\u00e3o Goulart, praticamente. Ent\u00e3o havia\u00a0 uma\u2026 alguns questionamentos. Eu era leitor da \u00daltima Hora, que era o jornal da oposi\u00e7\u00e3o daquela \u00e9poca. Mas embora muita gente andasse preferindo outros jornais, mas a \u00daltima Hora eram os jornais que faziam recortes e publicavam na, isso mesmo no semin\u00e1rio&#8230; nos murais, etc, as informa\u00e7\u00f5es que se passavam e o que acontecia no Brasil, todo movimento do Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso, ainda forte naquela \u00e9poca. Um pouquinho mais cedo, iniciado e com for\u00e7a para isso e isso aconteceu ainda. Ent\u00e3o o semin\u00e1rio n\u00e3o era um quisto, n\u00e3o era uma coisa fechada. N\u00f3s nos abr\u00edamos e est\u00e1vamos atentos ao que acontecia. E em 62-63, que eu sai do semin\u00e1rio, a\u00ed entrei foi de cabe\u00e7a porque eu era da JIC &#8211; Juventude Independente Cat\u00f3lica e se reunia ali no Col\u00e9gio S\u00e3o Bento, no Convento S\u00e3o bento. T\u00ednhamos um respons\u00e1vel: Dom Jer\u00f4nimo, era o monge respons\u00e1vel pela condu\u00e7\u00e3o dos estudantes e dos profissionais. A Juventude Independente Cat\u00f3lica n\u00e3o era mais a JIC era a JUC &#8211; Juventude Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica. Foi a\u00ed que eu conheci Joviniano Neto, por exemplo. \u00c9ramos colegas do mesmo grupo de estudo da JIC: eu, Joviniano e alguns outros colegas. Nesse per\u00edodo j\u00e1 estava me aliando e me filiando porque j\u00e1 dava aula em tr\u00eas col\u00e9gios, como j\u00e1 falei para voc\u00eas. J\u00e1 estava me filiando \u00e0 APLB que ainda n\u00e3o era a APLB como hoje, mas tava come\u00e7ando a germinar uma APLB lutando por alguns projetos, at\u00e9 que em 66 a APLB passou a ser uma entidade preocupada com o modelo de desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o baiana, que foi quando come\u00e7ou aqui a se preparar o chamado Plano Estadual da Educa\u00e7\u00e3o. Foi feito o Plano Nacional da Educa\u00e7\u00e3o, o primeiro plano. E eu estava envolvido com isso tamb\u00e9m, eu e o Juscelino Barreto, que era o presidente da APLB. Eu era diretor e Laerte Correia Lima tamb\u00e9m era diretor, n\u00f3s \u00e9ramos diretores com Juscelino. E ficava na ladeira de S\u00e3o Bento. Ent\u00e3o a gente se reunia l\u00e1 em S\u00e3o Bento, na JIC ou se reunia na APLB. E quando a coisa apertava na APLB, a gente corria pra c\u00e1 pro S\u00e3o Bento. A gente ficava, era o que, uns duzentos metros de dist\u00e2ncia \u00a0 entre a igreja, o convento e a APLB.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Ent\u00e3o esse plano, ele foi desenhado fora do governo?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o, n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E como \u00e9 que voc\u00eas fizeram, APLB j\u00e1 era muito forte? Como \u00e9 que era ?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o era forte, era forte&#8230; E nessa \u00e9poca de 66 eu j\u00e1 era professor do Edgar Santos e j\u00e1 tinha sido convidado por Dilza Ata para vir trabalhar na Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o. E nessa \u00e9poca, nesse per\u00edodo, j\u00e1 estava acontecendo, dir\u00edamos, o diagnostico da Bahia. Tinha o professor Rama Christie Bhagavan dos Santos, estat\u00edstico e professor de matem\u00e1tica que fazia os levantamentos dos estudos. At\u00e9 que se fazia um convenio entre a Bahia, a SUDENE e o Banco Interamericano, o BID, para fazer o plano de educa\u00e7\u00e3o. O plano de educa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser gestado, digamos assim, e neste per\u00edodo de 66 ate 70 praticamente 68, 69&#8230; \u00c9\u2026 foram feitas algumas inova\u00e7\u00f5es interessant\u00edssimas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Quem governava a Bahia, e quem&#8230;quem coordenava?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: J\u00e1 era o Navarro de Brito, era o secretario e o&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Lomanto?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o. Lomanto, foi at\u00e9 64, de 65, 66 pra frente, foi o conselheiro Luiz Viana. Luiz Viana Filho. \u00c9, neste per\u00edodo ent\u00e3o a gente j\u00e1 come\u00e7ava a ter essa penetra\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do planejamento, da planifica\u00e7\u00e3o. Em 66-67, Dilza tinha ido para Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o. Ant\u00f4nio Mateus do Amaral Leal era superintendente da educa\u00e7\u00e3o, e a\u00ed n\u00f3s come\u00e7amos a nos envolver com o processo de\u2026 de planejamento da educa\u00e7\u00e3o. Muito ligeiramente e superficialmente a minha vincula\u00e7\u00e3o, porque eu n\u00e3o tinha ainda um preparo para isso. Nessa \u00e9poca, 66 e 67 havia\u2026 havia uma esp\u00e9cie de acordo entre a CEPAL e SUDENE. E CEPAL, SUDENE era como se fossem duas ag\u00eancias de forma\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnicos, profissionais envolvidos com\u2026 com modelos de setores gerais em termos de desenvolvimento socioecon\u00f4mico e a Bahia e Recife. A sede da SUDENE era em Recife, tinha sempre duas, tr\u00eas a quatro vagas nesses cursos. Eu acabei fazendo um desses cursos. Em 1968 eu fiz o curso, fui selecionado aqui e fiz o curso em Recife CEPAL, SUDENE intensivo um curso de 600 e poucas\u00a0 horas em 6seis meses que acabou servindo como se fosse meu mestrado, porque dada a intensidade, acabada esse curso no encerramento desse curso aconteceu no mesmo per\u00edodo na mesma data, \u00e9 acontecia uma reuni\u00e3o no conselho deliberativo da SUDENE, este conselho era constitu\u00eddo pelos governadores do estado do nordeste, e ent\u00e3o no dia da gradua\u00e7\u00e3o nossa La nesse curso e foi o encerramento tamb\u00e9m desse conselho, uma reuni\u00e3o do conselho e ai La para as tantas o locutor o chefe o diretor chamou ent\u00e3o o doutor Luiz Viana filho para dar o diploma ao primeiro lugar do curso que foi silvestre ramos Teixeira, ai Luiz Viana chegou e eu cheguei perto dele e ele me perguntou: \u201cO senhor \u00e9 Teixeira da onde?\u201d. Eu digo: \u201cdo rec\u00f4ncavo doutor\u201d. \u201cDiga a Navarro que leve-o ao meu gabinete\u201d. Digo: \u201cSim senhor\u201d, e voltei. Tr\u00eas meses depois estava eu no gabinete de Luiz Viana com Navarro de brito e ele dizia, \u201cesse menino tem futuro Navarro\u201d. A\u00ed Joaquim Coutinho era outro meu companheiro nessa \u00e9poca de Navarro, come\u00e7\u00e1vamos a trabalhar juntos na concre\u00e7\u00e3o do plano de fato a\u00ed foi que juntamos com Rama Christie, Joaquim Coutinho, eu e Dilza no pedag\u00f3gico a conceber o plano a concep\u00e7\u00e3o dos GOTS &#8211; Gin\u00e1sio\u00a0 Orientados para o Trabalho foram as concep\u00e7\u00f5es dos centros integrados de educa\u00e7\u00e3o, n\u00e9?, foi a \u00e9poca do CETEBA come\u00e7ar a preparar os professores para as artes t\u00e9cnicas das disciplinas t\u00e9cnicas, foi um per\u00edodo que a educa\u00e7\u00e3o tomou uma esp\u00e9cie de um susto, n\u00e9?, e na \u00e9poca houve a um Dilza concebeu um chamado de curso concurso que era um concurso de 100 horas, dois meses intensos de trabalho que ao final do qual os professores eram selecionados, ent\u00e3o isso aconteceu em 68 e aconteceu em 70 os cursos concursos. Isso mudou um pouco a mentalidade da secretaria e mudou tamb\u00e9m a mentalidade dos professores muita gente tamb\u00e9m, passou a ter a APLB como uma entidade de valor de import\u00e2ncia, etc. Foi quando Juscelino e Geraldo assumiram novamente a APLB e foi um movimento forte, a concep\u00e7\u00e3o do plano, a gente se ateve mais a visar a distribui\u00e7\u00e3o das escolas pelo estado da Bahia seguindo as orienta\u00e7\u00f5es do Rama Christie em termos estudos demogr\u00e1ficos, proje\u00e7\u00f5es de crescimento da escola e etc., etc. As cidades foram mapeadas. No Brasil, nessa \u00e9poca do plano, ou do processo de panifica\u00e7\u00e3o do plano estava em moda, vamos dizer assim, talvez conduzida ate pela pr\u00f3pria UNESCO as chamadas teoria dos polos de desenvolvimento, tinha o [Fran\u00e7ois] Perroux n\u00e3o \u00e9 o Fran\u00e7ois Perrenaud, \u00e9 o outro, tinha concebido essa ideia dos polos de agrega\u00e7\u00e3o, aqui na Bahia tamb\u00e9m o nosso querido inesquec\u00edvel o professor R\u00f4mulo Almeida tinha capturado essa ideia tamb\u00e9m dos polos da\u00ed porque chamar, chamou-se de polo, ou de polo l\u00e1 de Cama\u00e7ari, Polo Petroqu\u00edmico e os industriais em certas \u00e1reas chamadas agregadoras, salvador e regi\u00e3o metropolitana, fera de Santana tinha um em Jequi\u00e9, Alagoinhas, Vit\u00f3ria da Conquista, Itabuna, Juazeiro, eram cedes dos distrito por onde a ideia se entendia que estes lugares eram polos de desenvolvimento a educa\u00e7\u00e3o tinha que ponga neste processo ai o modelo de educa\u00e7\u00e3o passou a ser concebido a partir disso ai. Eu me recordo de uma reuni\u00e3o, me recordo como se fosse agora\u00a0 e, Dilza me pediu par vir pra c\u00e1 eu, ela e Dorgival Oliveira e Rama Christie nos reunimos no, naquele bar no barra vento, no barra vento era muito mais agrad\u00e1vel do que \u00e9 hoje, at\u00e9 um filme chamado barra vento foi dessa \u00e9poca, ent\u00e3o, ali a gente se reuniu para discutir um modelo de escola que seja poss\u00edvel de crescer para cima mas tamb\u00e9m, de atender para baixo, ent\u00e3o o modelo de escola que se sonhava era o pleno, era o centro integrado de educa\u00e7\u00e3o, entretanto o plano de desenvolvimento de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o nascia totalmente feito ele nascia em um bloco central onde as demandas fosse bem maior e mais forte que \u00e9 o antigo gin\u00e1sio, col\u00e9gio mas poderia descer ate as pr\u00e9 ou subi ate as faculdades nessa \u00e9poca j\u00e1 estava a Bahia entrando numa processo de interiorizar o processo de forma\u00e7\u00e3o dos professores atrav\u00e9s das escolas de professores, abriu-se ent\u00e3o em polos feira de Santana, Conquista, Jequi\u00e9, Alagoinhas, n\u00e3o se abriu em Itabuna porque em Itabuna j\u00e1 existia uma faculdade de filosofia que era mantido pela prefeitura, Itabuna era forte naquela \u00e9poca em termos econ\u00f4micos, ent\u00e3o era a prefeitura e era meio particular meio municipal, ent\u00e3o ali n\u00e3o se fez um centro de forma\u00e7\u00e3o de professores j\u00e1 tinha Alagoinhas, Feira de Santana, Jequi\u00e9 e Vitoria da Conquista, n\u00e3o se fez tamb\u00e9m em Juazeiro, que era outro polo porque ali j\u00e1 existia uma escola estadual de agronomia que seria o foco de uma escola de filosofia tamb\u00e9m em Juazeiro. Resultado, ent\u00e3o se focou em Alagoinhas, Feira, Jequi\u00e9 e Vit\u00f3ria da Conquista, que foram a sede das universidades estaduais ou seja, ali os centros integrados subiu at\u00e9 a faculdade e desceu at\u00e9 o pr\u00e9, ent\u00e3o era plenamente realizado o modelo desenhado em 1968, 69, desenhado nessa reuni\u00e3o do barra vento com Dilza, Rama Christie e Dorgival Oliveira<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Mas nesse per\u00edodo tinha uma influencia muito grande nos acordos com os Estados Unidos, como \u00e9 que essas quest\u00f5es ficavam? Se \u00e9 que\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Tinha, tinha. Navarro se equilibrava, ele n\u00e3o assinou o convenio. Quem veio assinar o convenio depois foi Edivaldo Machado Boaventura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: J\u00e1 no&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: J\u00e1 no \u00faltimo governo de Luiz Viana, mas no \u00faltimo ano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Luiz Navarro entra j\u00e1 no final.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Exatamente! Navarro sai do Brasil porque uma das coisas foi n\u00e3o ter aceito assinar o acordo ele foi pegar um avi\u00e3o aqui no aeroporto custodiado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: N\u00e3o entendi. Silva o presidente, n\u00e3o? Acho que sim&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o me recordo&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Era um per\u00edodo duro tamb\u00e9m, n\u00e3o?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Era um per\u00edodo duro, per\u00edodo duro, n\u00e3o me recordo quem era o presidente, ali\u00e1s eu guardo pu\u00e7\u00e1 mem\u00f3ria, guardo pouco aquelas&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Estamos falando em 196&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: E ai foi um pau enorme discurso a n\u00edvel do minist\u00e9rio do&#8230; do Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o, da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o, do Conselho de Coordena\u00e7\u00e3o da Universidade\u00a0 Federal da Bahia para aceitar e acatar aquele modelo como se fosse forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, ent\u00e3o a escola, o col\u00e9gio tinha que ter professores graduados, licenciados, como n\u00e3o podia ser do tempo longo tinha que ser\u00a0 de curta dura\u00e7\u00e3o e ai, ai foi, a batalha foi grande a n\u00edvel do Conselho Federal e atrav\u00e9s dos conselhos e da Universidade Federal da Bahia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Mas n\u00e3o entendi&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Exatamente foi uma batalha&#8230; foi uma batalha, justificativas, press\u00f5es etc, etc; Aconteceram sim, n\u00e9? Leda Jesu\u00edno foi uma grande hero\u00edna desse peda\u00e7o. Leda Jesu\u00edno como diretora da faculdade de educa\u00e7\u00e3o na \u00e9poca e como membro do conselho de coordena\u00e7\u00e3o da universidade ent\u00e3o foi uma batalhadora. Descrever um pouco essas coisas ai todas, mas quase toda minha fala foram fora da universidade embora repercutindo aqui mais foi fora da universidade eu acho que isso \u00e9 um, hum&#8230; eu poderia ter feito diferente, n\u00e9?, poderia!\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E a educa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea nessas quase duas horas e meia voc\u00ea falou muito do&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Mas tudo isso mesmo acho que a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em toda elas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: \u00c9 isso, falamos muito sobre educa\u00e7\u00e3o e o futuro da educa\u00e7\u00e3o, o que voc\u00ea est\u00e1 vendo de hoje para frente?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: O futuro da educa\u00e7\u00e3o? Rapaz\u2026 Eu tenho um modelo de escola na minha cabe\u00e7a chamada escola de produ\u00e7\u00e3o. Eu fiz duas delas, a \u00faltima foi l\u00e1 no na Costa dos Coqueiros aqui no Sau\u00edpe, a escola de produ\u00e7\u00e3o voltada para o modelo de produ\u00e7\u00e3o local, agricultura de subsist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Eu te ajudo porque eu queria voltar a esse per\u00edodo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Diga!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Teve ainda uma coisa que passou muito abatida a\u00ed, que foi um certo desentendimento com Cardeal&#8230; Na \u00e9poca da Cat\u00f3lica. Ent\u00e3o havia uma certa&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o foi com Cardeal, foi com o&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: O reitor!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: O reitor \u00e9&#8230; Eug\u00eanio Veiga! Eug\u00eanio Veiga.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E esse desentendimento seguramente tem a ver com quest\u00e3o pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Foi, foi!\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E depois vem a trabalhar no Governo do Estado em plena ditadura. N\u00e3o \u00e9 um pouco confuso n\u00e3o? Ou eu que n\u00e3o to entendendo?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Foi&#8230; Foi confuso, foi confuso. E at\u00e9 certo ponto \u00e9&#8230; eu fui visto por um lado com olho atravessado e pelo outro com o olho mais atravessado ainda, ou seja, eu tentei realmente haver uma uma esp\u00e9cie de conviv\u00eancia dessa situa\u00e7\u00e3o. Primeiro que eu chamava de autonomia o profissional, o exerc\u00edcio do trabalho, eu defendia isso, n\u00e9? \u00c9\u2026 da mesma forma que sa\u00ed da&#8230; da&#8230; da Escola Aprendiz de Marinheiro. Eu sa\u00ed pra n\u00e3o me flagrarem demais, mas um ano depois eu fui paraninfo de uma turma e n\u00e3o deixaram eu concluir meu meu discurso, \u00e9\u2026 \u00e9&#8230; a Pol\u00edcia Federal ou sei l\u00e1 quem foi, esteve l\u00e1 pra impedir essa&#8230; n\u00e9? E depois eu vi meu discurso completo na minha ficha a\u00ed da segunda se\u00e7\u00e3o, sei l\u00e1 qual&#8230; Ou seja, eu andava meio me esgueirando, n\u00e9? Muito confiante, digamos na&#8230; na&#8230; em certos apoios, particularmente em S\u00e3o Bento que era o nosso&#8230; nosso anjo da guarda e tamb\u00e9m no meu envolvimento profissional, \u00e9? Eu passei a me envolver tanto profissionalmente a defender certas causas, n\u00e3o por que fosse politicamente assumidas, mas por que eram as causas que eu entendia como sendo a verdadeira. Ent\u00e3o, quando eu defendia aquele modelo de escola, eu n\u00e3o tava defendendo porque era de Lu\u00eds Viana, nem que era de \u201ca\u201d, nem que era de \u201cb\u201d, era porque eu entendia que aquele era o modelo correto. E n\u00f3s discutimos, eu, Dilza, Rama Christie, Dorgival Oliveira, L\u00facia Hito. Eram pessoas com quem&#8230; MariaAugusta Rosa Rocha. A gente discutia como se aquilo fosse realmente aquela solu\u00e7\u00e3o pra aquele mod&#8230; pra aquele tipo de de&#8230; da educa\u00e7\u00e3o que a gente tava provocando. Ah! Os Gots por exemplo entraram nesse processo de uma forma natural, o gin\u00e1sio, chamando Gin\u00e1sio orientado para o trabalho, Fernando Ma&#8230; Fernando&#8230; [estalando os dedos] oh esqueci agora! Era o respons\u00e1vel pelo CETEBA. Desculpem! N\u00e3o&#8230; n\u00e3o me lembro. Estamos aonde?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Estamos no esquecimento do nome de Fernando do CETEBA. Mas a\u00ed na verdade a discuss\u00e3o era um pouco a&#8230;\u00a0 a\u2026 a\u2026 a&#8230; em plena ditadura militar, o Governo&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: A conviv\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: A conviv\u00eancia e o Governo, e o Governo de de Navarro termina sendo uma esp\u00e9cie de um espa\u00e7o livre.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Foi, foi a abertura pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Como \u00e9 que voc\u00ea analisa isso? Quer dizer&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Olha&#8230; \u00e9 que Navarro n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria&#8230; huuumm&#8230; depois a conversa com Navarro a gente percebe que ele ali meio a contragosto, n\u00e9? Servia aquele modelo meio a contragosto e de alguma forma o grau de confian\u00e7a que Lu\u00eds Viana tinha nele era tal que permitia. Ent\u00e3o havia um certo grau de Liberalismo (entre aspas), n\u00e9?, de Lu\u00eds Viana que permitia que uma pessoa que tenha uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica forte como Navarro, \u00e9 permitisse que um grupo, que reunisse um grupo muito mais preocupado com um grupo que poderia contribuir com a educa\u00e7\u00e3o baiana do que com algum tipo de de vis\u00e3o marcadamente, n\u00e9?, sei l\u00e1, contra, n\u00e9?! Naquela \u00e9poca ele n\u00e3o falava muito de esquerda n\u00e3o, tinha apenas&#8230; dizia que isto era um uma ocorr\u00eancia que com Navarro foi permitido. Eu acho que as conquistas que se teve no no&#8230; estatuto do magist\u00e9rio, naquela \u00e9poca que Navarro, com o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o na \u00e9poca de Navarro e com modelo de escola foram, eu diria que revolucion\u00e1rios, revolucion\u00e1rios. Compar\u00e1veis quem sabe at\u00e9 com o momento anterior com An\u00edsio Teixeira com a Escola Parque, isto \u00e9, houve em algum momento em que se comparavam essas duas grandes iniciativas: Escola Parque, o modelo concebido por An\u00edsio Teixeira e o modelo de centro integral de educa\u00e7\u00e3o com a sua concep\u00e7\u00e3o de Navarro de Brito. \u00c9, eu acho que foram as duas, \u00e9&#8230; os dois modelos que de alguma forma colocaram a Bahia numa certa vitrine, n\u00e9?, de preocupa\u00e7\u00e3o, de interesse pela educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: O que An\u00edsio tamb\u00e9m n\u00e3o era tamb\u00e9m um projeto educacional de esquerda&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o era, n\u00e3o era. Pelo contr\u00e1rio! Ele aprendeu l\u00e1 nos Estados Unidos, ele trouxe o modelo da introdu\u00e7\u00e3o do trabalho no modelo da educa\u00e7\u00e3o, que foi depois posteriormente incorporado com o GOT, Gin\u00e1sio orientado para o trabalho, e com o PREMEM atrav\u00e9s das escolas polivalentes. Isto \u00e9, o modelo de alguma forma tem algo que liga trabalho e educa\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, esse tipo de coisa me parece que \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que acabou sendo minha preocupa\u00e7\u00e3o central no pr\u00f3prio&#8230; minha tese de Doutorado \u00e9 sobre isso, n\u00e9?, de alguma forma. Sim, ent\u00e3o&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Mas volta um pouquinho a\u00ed. Mas havia muito rebuli\u00e7o na rua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Havia, havia, havia&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Quer dizer os estudantes eram&#8230; a professora Amab\u00edlia colocou aqui pra n\u00f3s&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Havia, havia e havia forte, havia forte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Como \u00e9 que voc\u00ea se relacionou&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Havia pancadaria, havia policial na rua, etc. N\u00f3s fug\u00edamos, \u00edamos ou para a sede da Associa\u00e7\u00e3o ou pra S\u00e3o Bento, ou ent\u00e3o no caso eu j\u00e1 estava com a, n\u00e9?, a faixa de&#8230; de&#8230; de Governo n\u00e3o \u00e9, na superintend\u00eancia ou em outras atividades e portanto n\u00e3o era atormentado, eu nunca fui atormentado, fui atormentado enquanto eu n\u00e3o estava no Governo. Depois que entrei pro Governo, isto \u00e9, depois que eu passei a ser assessor de Navarro e depois superintendente da Educa\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o fui mais atormentado por por nenhuma nenhuma ati&#8230; nenhuma a\u00e7\u00e3o policial, n\u00e3o. Enquanto eu estive fora sim, mas depois que eu fui pra&#8230; N\u00e3o sei se aquela hist\u00f3ria \u201cleve fulano de tal ao meu gabinete\u201d, isso deu uma certa defesa, entendeu? Eu fui ao gabinete dele com o pr\u00f3prio Navarro e depois fui de novo com Edivaldo Brito&#8230; Edivaldo Boaventura! Ou seja, \u00e9 talvez tenha me dado algum tipo de cobertura que at\u00e9 certo ponto meus colegas passaram a me olhar um pouco meio atravessado, n\u00e9? Atravessado&#8230; At\u00e9 que eu sa\u00ed da Secretaria da superintend\u00eancia, por n\u00e3o concordar com algumas posi\u00e7\u00f5es do nosso querido amigo Edivaldo Machado Boaventura! Pedi demiss\u00e3o, seis, sete meses depois de assumir a superintend\u00eancia, eu disse que n\u00e3o mais interessado em ficar ali por que ele tava com um uma atitude contr\u00e1ria ao pessoal do IAT, Centro Integrado An\u00edsio Teixeira, contra \u00e9&#8230; Maria Augusta, contra Juscelino Barreto, contra diversos outros companheiros e colegas nossos que ele espalhou pela Bahia inteira na&#8230; Tirou o n\u00facleo central do col\u00e9gio, do Centro Integrado An\u00edsio Teixeira e espalhou pessoas pra um canto, pessoas pra outro, eu digo eu nuuum&#8230; Eu acho que a gente t\u00e1 rompendo com uma constru\u00e7\u00e3o da qual eu tenho parte e a\u00ed sa\u00ed da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia. Ele me substituiu por um rapaz chamado Ign\u00e1cio Lunelli e que era um ga\u00facho, \u00e9&#8230; muito pouco afeito com as coisas da Bahia, n\u00e9? E Edivaldo&#8230; n\u00e9 piada, n\u00e3o! [risos]. Edvaldo perguntou se ele era casado, porque a fun\u00e7\u00e3o de superintendente era muito requisita, muita gente chegava perto, muitas professoras, ele tinha medo. Ent\u00e3o ele disse que se Lunelli se casasse, Lunelli poderia ser o superintendente e Lunelli se casou, tr\u00eas meses depois se separou, mas se casou! E foi superintendente pelo resto da&#8230; me substituiu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Isso foi no final do Governo de Lu\u00eds Viana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Lu\u00eds Viana [afirmando com a cabe\u00e7a]. Com Edivaldo na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, \u00e9&#8230; Nesse per\u00edodo come\u00e7a a aparecer um deputado chamado R\u00f4mulo Galv\u00e3o, que foi secret\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o. Nessa \u00e9poca havia se a implanta\u00e7\u00e3o de um programa nacional chamado PREMEM, Programa de Expans\u00e3o e Melhoria do Ensino M\u00e9dio, PREMEM com \u201cM\u201d no final, depois corrigido para o PREMEN com \u201cEN\u201d, Programa de Expans\u00e3o e Melhoria do Ensino genericamente falando, ent\u00e3o era o PREMEM com \u201cm\u201d que era ensino m\u00e9dio, depois suprimiu-se o M\u00e9dio e passou a ser Programa de Expans\u00e3o e Melhoria do Ensino. A\u00ed o R\u00f4mulo assinou o acordo para o PREMEN na Bahia e a Bahia foi ent\u00e3o \u00e9 \u00e9 contemplada com 23 col\u00e9gios, os chamados col\u00e9gios polivalentes. Ent\u00e3o a Bahia continuou com dois programas, um chamado programa do GOT, Gin\u00e1sio orientado para o trabalho e o programa PREMEN, Programa de Expans\u00e3o e Melhoria do Ensino. O GOT e polivalente no fundo era a mesma coisa, um era uma vers\u00e3o barata, o GOT era a vers\u00e3o barata, a vers\u00e3o que j\u00e1 estava em curso e o PREMEN era o modelo mais sofisticado americano, vindo, trazido praticamente \u00e9&#8230; pela USAID.\u00a0 A tal ponto que n\u00f3s tivemos que mandar um grupo de professores para os Estados Unidos, para a Universidade UCL, Universidade da Calif\u00f3rnia, <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">San Diego State College<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">. E l\u00e1 nesse, nessa Universidade da Calif\u00f3rnia um grupo de professores foi l\u00e1 se ambientar com o modelo de trabalho dos chamados col\u00e9gios polivalentes. A ideia do col\u00e9gio polivalente era bem americana no sentido, na concep\u00e7\u00e3o era trazer a sociedade pra dentro da escola, isto \u00e9, a escola tinha que reproduzir o modelo da sociedade em termos de atividades produtivas, n\u00e9?, obviamente. Ent\u00e3o era dividida em&#8230; nos seguimentos produtivos: agricultura, servi\u00e7os, e servi\u00e7o tinha toda sua cadeia, tinha banco, \u00e9\u2026 \u00e9&#8230; pedicure, manicure, etc., etc., tinha na agricultura cultivo de apicultura, suinocultura, isto \u00e9, tinha diversas, n\u00e9?, fragmentos, seguimentos da&#8230; da atividade produtiva. E tinha artes industriais tamb\u00e9m com cinco ou seis \u00e9&#8230; \u00e9 diversifica\u00e7\u00f5es, n\u00e9?, tinha trabalho com vidro, trabalho com madeira, trabalho com ferro, trabalho com cer\u00e2mica, n\u00e9?, isso tudo nas artes industriais e tinha as t\u00e9cnicas comerciais que eram voltadas para banco, pra isso, pra aquilo, pra aquilo outro. Naquela \u00e9poca era muito comum a datilografia, servi\u00e7os de banco (retificando)&#8230; servi\u00e7os de&#8230; de escrit\u00f3rio, etc.\u00a0 Ent\u00e3o, essas atividades deveriam operar na escola como operariam nas m\u00e9dias e pequenas cidades americanas, esse era o modelo e aqui no Brasil passou a ser essa tamb\u00e9m a persegui\u00e7\u00e3o, a persegui\u00e7\u00e3o. Ou seja, a escola polivalente passou a ser uma fra\u00e7\u00e3o do processo integrado de educa\u00e7\u00e3o que era o Centro Integrado de Educa\u00e7\u00e3o, ok? Ent\u00e3o, a parcela que era referente ao antigo gin\u00e1sio, passou a ser polivalente, a escola polivalente. A sua localiza\u00e7\u00e3o cumpriu o mesmo ritual que os polos de desenvolvimento. Ent\u00e3o, aonde \u00e9 que eram implantadas essas escolas? Primeira coisa: aonde estariam sendo criados os polos ou definidos os polos, ali haveria um polivalente que seria parte, a parte financiada do centro integrado. Ent\u00e3o \u00e9 aquilo que ia se expandir pra cima e pra baixo. Ent\u00e3o, o polivalente era essa, essa cela matriz, essa cela matriz do modelo centro integrado. Ent\u00e3o, o trabalho de localiza\u00e7\u00e3o foi feito atrav\u00e9s de certos estudos, feitos por Rama Chrstie, n\u00e9?, o mesmo que tava fazendo os polos, ent\u00e3o eram polos maiores e polos menores e m\u00e9dio e e e&#8230; alcance. Ent\u00e3o essas, esses polos ou essas escolas polivalentes, as 23 escolas aqui da Bahia, foram localizados em cidades de m\u00e9dio porte, vamos dizer assim. Ent\u00e3o aqui na Ba&#8230; s\u00f3 pra gente identificar. Aqui na Bahia foi feito em Cama\u00e7ari, aqui na Bahia&#8230; aqui em Salvador na RMS, foi feito em Cama\u00e7ari e em Candeias, eram as duas maiores cidades na \u00e9poca. A\u00ed foi feito em huum&#8230; \u00e9&#8230; Itapetinga, n\u00e9?, em Toror\u00f3, em Itaberaba; isto \u00e9, eram cidades que j\u00e1 n\u00e3o eram apenas n\u00facleos urbanos menores, mas eram n\u00facleos urbanos j\u00e1 com alguma, algum potencial. Serrinha, \u00e9&#8230; os lugares com mais for\u00e7a pol\u00edtica, populacional e econ\u00f4mica. E provavelmente seriam os n\u00facleos aonde haveriam as sedes dos centros integrados. Ent\u00e3o, c\u00eas est\u00e3o percebendo que haveriam dentro do, da concep\u00e7\u00e3o do plano haveria haveria a ideia do centro integrado como marco central, o modelo e havia como porta de entrada o cole&#8230; a escola polivalente, que era uma porta de entrada ou outra porta de ideia que viria a ser uma faculdade de forma\u00e7\u00e3o de professores. Ent\u00e3o havia essa porta de entrada, por exemplo, a escola de forma\u00e7\u00e3o de professores de Feira de Santana, de Jequi\u00e9 e de&#8230; e de Vit\u00f3ria da Conquista e de Alagoinhas chegaram antes do centro integrado, eles foram, digamos, o chamariz e outros lugares o polivalente foi o chamariz do centro integrado, ou seja, o modelo centro integrado tinha duas portas de entrada: ou era a escola de forma\u00e7\u00e3o de professores ou era a escola polivalente. N\u00e3o \u00e9? Este modelo foi o que ficou praticamente&#8230; \u00e9&#8230; \u00e9 digamos, n\u00e3o s\u00f3 desenhado como implantado. Na minha, no meu trabalho, no meu, no meu concurso pra Universidade Federal da Bahia, naquela \u00e9poca havia, o concurso era um concurso que tinha que se apresentar um trabalho escrito e eu fiz uma monografia, deve t\u00e1 a\u00ed em algum lugar, n\u00e3o se voc\u00eas devem\u2026 pesquisaram, n\u00e9? Que era sobre a escola polivalente, \u00e9\u2026 \u00e9 que eu fui ent\u00e3o a partir de certa \u00e9poca, eu fui o gestor da \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o de professores, eu fui o chamado gerente de recursos humanos do PREMEN, selecionado adivinha por quem? Dois coron\u00e9is! Coronel Conf\u00facio Pamplona e Coronel Ornelas. Ha!\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Essa era a chamada a \u00e9poca dos coron\u00e9is.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Coron\u00e9is. \u00c9, exatamente!\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Dizem que eram 70 coron\u00e9is.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Era uma pancada, esses dois foi o que vieram me entrevistar aqui na Bahia. N\u00e9? E por incr\u00edvel que pare\u00e7a tinha um s\u00f3cio deles, um chamado Major Brito, Osvaldo Am\u00e9rico de Brito que eles selecionaram para ser o secret\u00e1rio executivo do PREMEN na Bahia, eu era o gerente de recursos humanos. \u00c9, tinha um outro, me esque\u00e7o agora o nome dum companheiro que era gerente de obras e tinha o Conselho deliberativo, o presidente do Conselho era Roberto Santos. Ent\u00e3o, \u00f3 as coisas ficaram todas meio&#8230; n\u00e9? (gesticulando com as m\u00e3os) Roberto Santos era o presidente do Conselho deliberativo, era quem decidia quem ia pra escola, para tal munic\u00edpio e n\u00e3o pra aquele outro munic\u00edpio, etc. etc. Havia a&#8230; o Osvaldo Am\u00e9rico de Brito, que era major do Ex\u00e9rcito e a coordena\u00e7\u00e3o geral no Brasil tinha um civil chamando Peri Porto, professora daquela escola famosa l\u00e1 de, l\u00e1 no&#8230; no&#8230; da Serra do Rio de Janeiro, n\u00e3o sei como \u00e9 o&#8230; Como \u00e9 o nome daquelas escolas famosas, internatos, inclusive ele era, foi diretor de l\u00e1. Ele foi, era o presidente do PREMEN nacional. E o Conf\u00facio Pamplona e o Ornelas eram os, digamos, secret\u00e1rio executivo que era o Pamplona e o Ornelas era o equivalente ao gerente de recursos humanos a n\u00edvel nacional, eram com quem eu tinha que t\u00e1 articulado. Pronto a\u00ed a gente&#8230; n\u00f3s formamos algo pr\u00f3ximo de mil e duzentos professores, n\u00e9?, e alguns outros t\u00e9cnicos, num total de aproximadamente mil e seiscentas pessoas foram formadas n\u00e9? N\u00e3o me recordo bem, talvez at\u00e9 eu esteja reduzindo n\u00famero, mas nesse livro tem todas as tabelas e etc., etc. \u00c9\u2026 \u00e9&#8230; e tem os locais, n\u00e3o sei se tem toda a justificativa de porque, n\u00e3o me recordo se porque aqueles munic\u00edpios e n\u00e3o outros, etc., n\u00e3o me recordo bem desse&#8230; Tamb\u00e9m faz mais de 50 anos que eu escrevi aquilo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E voc\u00ea&#8230; tamo falando em 1970?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: 70&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E voc\u00ea, nesse momento fez o concurso pra c\u00e1, n\u00e9 isso?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: 70. Eu fiz&#8230; eu era professor extranumer\u00e1rio aqui na faculdade, na Universidade. Quando eu voltei de Recife 68\/69, o doutor Roberto Santos me chamou pra gente conversar porque tava come\u00e7ando a querer implantar a escola de Educa\u00e7\u00e3o, a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, desmembrar a faculdade de Filosofia na reforma universit\u00e1ria e etc.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Era l\u00e1 em Nazar\u00e9&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Era em Nazar\u00e9, a faculdade, ainda era em Nazar\u00e9 a faculdade de\u2026 Educa\u00e7\u00e3o era em Nazar\u00e9. L\u00eada Jesu\u00edno era diretora. E ele me chamou, tava implantando as primeiras turmas da faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mais do curso de Pedagogia, da antiga Filosofia e Ci\u00eancias Humanas. Me chamou e me contratou como extranumer\u00e1rio, \u00e9&#8230; era novamente, antes eu falei que eu era&#8230; fui interino no Estado at\u00e9 o concurso e fui extranumer\u00e1rio na Universidade at\u00e9 o meu concurso, eu fiz concurso em 70 ou 71, n\u00e3o me lembro bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: 70<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9 70 n\u00e9? [risos]. Pois \u00e9, ent\u00e3o a\u00ed nesse, nessa \u00e9poca&#8230; \u00e9&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Ent\u00e3o voc\u00ea vai para esse cargo no PREMEN j\u00e1 como professor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: J\u00e1 como professor da Universidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Isso foi 72.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: 72 (confirmando com a cabe\u00e7a).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: J\u00e1 t\u00ednhamos o governo de Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Foi por&#8230; foi&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Com o secret\u00e1rio&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Foi&#8230; era era R\u00f4mulo Galv\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Secret\u00e1rio era o R\u00f4mulo, Governador&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9 \u00e9. Ant\u00f4nio Carlos, exatamente!\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Por quanto tempo ent\u00e3o l\u00e1, esse o&#8230;?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Eu fiquei at\u00e9 74. Quando Roberto Santos foi Governador em 75, eu fui pro CEPED l\u00e1 em Cama\u00e7ari.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Que \u00e9 uma boa conversa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9 uma outra conversa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Vamos falar um pouco do PREMEN.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: PREMEN.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E o SEPED \u00e9 importante. E o PREMEN, assim eu\u2026 O Sargento sabe que houve muita cr\u00edtica sobre o PREMEN, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Algumas teses foram escritas sobre ele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: \u00c9&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Sobre a vis\u00e3o pol\u00edtica, a vis\u00e3o essa, a vis\u00e3o pedag\u00f3gica tamb\u00e9m. N\u00e9 essa cr\u00edtica ao modelo de escola, essa essa&#8230; essa vis\u00e3o, entre aspas, os americanos n\u00e3o se zanguem comigo, americana n\u00e9? De como a escola deveria responder ao, \u00e0 sociedade ou como a sociedade deveria estar na escola, n\u00e9? Eu acho que essa coisa foi&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E como voc\u00eas tratavam disso l\u00e1?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Olha! Na \u00e9poca, tirante [gesticula com a m\u00e3o direita]. \u00c9, algumas discuss\u00f5es internas, havia pouca diverg\u00eancia, pouca\u2026 pouca&#8230; Nas academias, nos hrr&#8230; Z\u00e9 Arapiraca. Z\u00e9 Arapiraca me entrevistou umas 200 vezes por conta da tese dele e por conta de eu estar no PREMEN e a tese dele ser exatamente em cima do <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">american<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\"> USAID, n\u00e3o \u00e9? \u00c9&#8230; \u00e9&#8230; e a gente divergia porque dependendo do ponto de vista que se tenha a gente pode caminhar para o lado ou n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9? Eu continuava ainda firmemente entendendo que [ajeitando a camisa] o PREMEN poderia ser o caminho, o PREMEN n\u00e3o, a escola polivalente n\u00e3o o PREMEN, a escola polivalente, o modelo poderia ser o caminho dos modelos de escola dos centros integrados, eu continuava acreditando nisso n\u00e3o \u00e9? Portanto, a minha, o meu ponto de vista pedag\u00f3gico. E eu acho que pedagogicamente a Bahia ganhou com o PREMEN, ganhou em termos de for\u00e7a, em termos de profissionaliza\u00e7\u00e3o n\u00e9? Foi quando come\u00e7aram a acontecer, por exemplo, a coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, a supervis\u00e3o escolar, foi introduzida na rede p\u00fablica baiana atrav\u00e9s do PREMEN, o PREMEN, o polivalente tinha entre os profissionais: o administrador, o diretor e n\u00e3o o direto qualquer, tinha o supervisor, supervisor e n\u00e3o o qualquer, orientador educacional, secret\u00e1rio escolar, ou auxiliar de secretaria, foram formados tamb\u00e9m ou se&#8230; \u00ea&#8230;\u00ea&#8230; e bibliotec\u00e1rio. Ou seja, come\u00e7ou-se a entender a unidade escolar como um centro de fato de exerc\u00edcios profissionais diversos, coisa que antes n\u00e3o havia. Ent\u00e3o o PREMEN trouxe esse modelo e eu acho que esse modelo foi uma contribui\u00e7\u00e3o que se te&#8230; que se fez n\u00e9 para&#8230; para a educa\u00e7\u00e3o baiana naquela \u00e9poca. A interioriza\u00e7\u00e3o \u00f3 huumm&#8230; naquela \u00e9poca chegar em Itaberaba era um sacrif\u00edcio, n\u00e9? E se construiu l\u00e1&#8230; Em Xique-xique, Irec\u00ea, n\u00e3o \u00e9? O estado do feij\u00e3o era uma loucura n\u00e9?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: O estado do feij\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Chegar l\u00e1 e interiorizar essa vis\u00e3o, exatamente. O modelo de&#8230; de&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Lu\u00eds Viana [risos].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Lu\u00eds Viana n\u00e9? Educa&#8230; educa\u00e7\u00e3o&#8230; \u00e9 desenvolvimento, tudo era desenvolvimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Talyssa: E esse modelo se adequou bem na sociedade?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Olha, eu acho que essa avalia\u00e7\u00e3o faltou, faltou&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Talyssa: E realidades diferentes n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9! Essa avalia\u00e7\u00e3o faltou e faltou inclusive porque a Bahia s\u00e3o v\u00e1rias Bahias n\u00e9? Eu acho que falei de Irec\u00ea e Xique-Xique, mas com certeza que Irec\u00ea e Xique-xique \u00e9 diferente de Itamb\u00e9 e Itapetinga, a realidade aqui na regi\u00e3o pecu\u00e1ria \u00e9 diferente da regi\u00e3o da seca da da, do S\u00e3o Francisco l\u00e1 Irec\u00ea e Xique-Xique s\u00e3o rea&#8230; Isto \u00e9, as avalia\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, n\u00f3s n\u00e3o pensamos na repercuss\u00e3o diversificada n\u00e9, dessa, daquele tipo de empreendimento no territ\u00f3rio baiano, era tudo tratado de uma forma igual. \u00d3 esse foi um erro, talvez devesse pensar de forma diferente. Pensar por exemplo, na escola polivalente dentro de Cama\u00e7ari e pensar numa escola polivalente&#8230; eu falei l\u00e1 em, Itamb\u00e9 ou Uru\u00e7uca, ou n\u00e9, s\u00e3o duas realidades completamente diferentes, mas a concep\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o e tudo mais foi igual, o modelo daqui foi igual ao modelo de l\u00e1, t\u00e1 entendendo? Eu acho que faltou esse tipo de apropria\u00e7\u00e3o da ideia, talvez at\u00e9 diversificando os modelos ou fazendo com que esses modelos fossem ade&#8230; se adequando a cada uma dessas realidades que s\u00e3o diferentes. N\u00e3o havia essa vis\u00e3o, essa vis\u00e3o sociol\u00f3gica da Educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aconteceu. N\u00f3s t\u00ednhamos muito mais preocupa\u00e7\u00e3o com a profiss\u00e3o interna da escola, da unidade, a escola, o diretor, o supervisor, o orientador, o secret\u00e1rio, o bibliotec\u00e1rio, todos os profissionais formados para. Mas, qual a vis\u00e3o do entorno, do contorno? N\u00e3o existia! Isto \u00e9, n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o existia isso n\u00e3o entrou na nossa gama de preocupa\u00e7\u00e3o. Erro? Erro! Falhamos? Falhamos! Talvez algumas das escolas polivalentes num&#8230; \u00e9, aqui em Salvador, optou-se por fazer escola polivalente em tr\u00eas lugares, \u00e9\u2026 hmmm&#8230; bem singulares, os Alagados no Uruguai, os Alagados; numa ilha Santa Helena, Santa Helena parece, Santa Izabel, tem at\u00e9 uma igrejinha l\u00e1, foi visitada pelo Papa quando o Papa veio aqui. \u00c9&#8230; Nordeste de Amaralina e&#8230; (pensativo) ali no&#8230; perto de 19 BC, \u00e9 no&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Cabula.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: No Cabula. Os tr\u00eas, e se constru\u00edram dentro dos centros integrados: Lu\u00eds Viana, em Brotas, An\u00edsio Teixeira em, no&#8230; na Caixa D\u2019 \u00e1gua e no l\u00e1 de&#8230; da Cidade Baixa, da&#8230; da&#8230; \u00d4 meu Deus, ali perto de Roma, ali atr\u00e1s de Roma, aquela rua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Luiz Tarqu\u00ednio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Luiz Tarqu\u00ednio, Luiz Tarqu\u00ednio tem um centro integrado Luiz Tarqu\u00ednio l\u00e1. E um col\u00e9gio especial o GEMPA, Gin\u00e1sio Estadual Ministro Pires de Albuquerque, GEMPA que foi dirigido por L\u00facia Hito e Dorgival Oliveira, que era um col\u00e9gio tratado como&#8230; era aquele modelo do col\u00e9gio GEMPA que era um col\u00e9gio, um GOT e o Centro Integrado An\u00edsio Teixeira. GEMPA com L\u00facia Hito e Dorgival Oliveira e o Centro Integrado An\u00edsio Teixeira com Maria Augusta e a equipe toda da da PLB.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: T\u00e1! Voc\u00ea tava nos tr\u00eas, polos, n\u00e9? Nas tr\u00eas grandes escolas&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Talyssa: Modelo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nelson: -\u00c9, polivalentes, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Ah! Os modelos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Os modelos e certa, discutindo um pouco a quest\u00e3o da&#8230; da contradi\u00e7\u00e3o. Uma outra cr\u00edtica que&#8230; que terminava se fazendo muito, eu acho que muito a ver com isso \u00e9 pensar nesse modelo muito centralizado que ia e sa\u00edam nos jornais havia um grande, um grande investimento de equipamentos nessa \u00e9poca n\u00e9? Enviavam fornos, torno, etc. e tal. E chegavam em lugares que n\u00e3o tinham energia pra ligar isso a\u00ed, ent\u00e3o sa\u00edam em fotografias dos jornais com com&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9! Aconteceram algum&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Como era isso?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9, tal hist\u00f3ria n\u00e9? Pensar, valorizou-se muito a dimens\u00e3o \u00e9 geopol\u00edtica e particularmente demogr\u00e1fica com a perspectiva de demanda e \u00e0s vezes essas demandas ainda n\u00e3o estavam se efetivando ao n\u00edvel dos servi\u00e7os. Ent\u00e3o a escola ia pra um lugar que tava com perspectiva de crescimento, Eun\u00e1polis. Eun\u00e1polis naquela \u00e9poca era um distrito, n\u00e3o era nem munic\u00edpio, era um povoado, mas era considerado como o maior povoado do mundo. Ou seja, era uma \u00e1rea de expans\u00e3o, mas tinha&#8230; servi\u00e7o n\u00e3o tinha quase nada. Ent\u00e3o, entrar com equipamento desse tipo num lugar como aquele, era correr o risco que aconteceu o que&#8230; o que&#8230; \u00e9 Nelson t\u00e1 falando agora, n\u00e9? Isto \u00e9, era huum\u2026 pouco prov\u00e1vel que todos os servi\u00e7os fossem garantidos naqueles lugares, embora o modelo pudesse ser. Mas como n\u00e3o houve aquela preocupa\u00e7\u00e3o que eu falei antes do ajustamento com o ambiente local, hoje em dia n\u00f3s dir\u00edamos que falar de territ\u00f3rio \u00e9 falar de gente, portanto a gente tem que estar muito mais atento ao que entorno do que antes, antes a gente tinha umas singularidades, n\u00e9? Por que o polo petroqu\u00edmico em Cama\u00e7ari? Por que o Distrito Industrial em Aratu? Porque diversas respostas n\u00e3o se poder\u00e1&#8230; essas perguntas n\u00e3o poder\u00e3o ter respostas, n\u00e9? Ou se tiverem respostas nem sempre ser\u00e3o as melhores ou as mais agrad\u00e1veis para quem idealizou, implantou. As escolas polivalentes aconteceu algo semelhante, ent\u00e3o aconteceram que foram implantados alguns, em lugares que n\u00e3o deveriam ser, n\u00e9? N\u00e3o deveriam ser. \u00c9, Concei\u00e7\u00e3o do Almeida, n\u00e3o sei por que botaram l\u00e1. Mas aonde aconteceu, aconteceram \u00e9&#8230; fa&#8230; fatos como tais, de algumas coisas n\u00e3o estarem. A carga energ\u00e9tica n\u00e3o podia rodar o forno que era, que gastava uma energia brutal, forno para cozinhar \u00e9&#8230; \u00e9&#8230; \u00e9&#8230; \u00e9&#8230; lajotas e derreter vidro e fazer trabalho, n\u00e9? Era um forno pesado. Ent\u00e3o n\u00e3o funcionava porque a carga ca\u00eda, a energia ca\u00eda. Ou seja, ficou inadequado, isto \u00e9, n\u00e3o ficou ajustado com a realidade local ou a realidade local n\u00e3o se preparou para receber o tipo de investimento que iria pra ali. Ent\u00e3o esse tipo de equ\u00edvocos ou de contratempos aconteceu sim, Nelson.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E havia um forte vi\u00e9s tecnol\u00f3gico nesse per\u00edodo do PREMEN, n\u00e3o?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: O vi\u00e9s tecnol\u00f3gico, eu diria, eu eu&#8230; prefiro chamar um vi\u00e9s profissional. Ou seja, a preocupa\u00e7\u00e3o pelos profissionais era grande, a dimens\u00e3o tecnol\u00f3gica estava em cima dos equipamentos, isto \u00e9, eram financiados de alguma forma dentro dos interesses de quem os fabricavam, n\u00e9? \u00c9, obviamente que aquele modelo de forno, aquele modelo de plaina, aquele modelo de diversos equipamentos das artes industriais, deveria ter algu\u00e9m por tr\u00e1s com interesse naquilo, aquilo n\u00e3o era uma coisa hum&#8230; indispens\u00e1vel ser aquele e aquele modelo, n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o! Como depois a gente vai comprovar, por exemplo, o modelo arquitet\u00f4nico. O modelo arquitet\u00f4nico, os planos, os projetos foram todos centralizados. Aqui n\u00f3s brigamos na Bahia com&#8230; \u00e9&#8230; hum&#8230; Magnavita. Brigamos n\u00f3s, Magnavita na&#8230; liderando para mudar algumas concep\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas, mas vinha como se fosse aquele o modelo padr\u00e3o, n\u00e9? O terreno \u00e9 que se ajustaria ao modelo, isto \u00e9, n\u00f3s ter\u00edamos que buscar terrenos que se ajustassem ao modelo, n\u00e3o \u00e9 o modelo que iria ser constru\u00eddo em cima de um determinado terreno, ou seja, \u00f3 como \u00e9 a hist\u00f3ria n\u00e9? N\u00e3o \u00e9 a escola que vai atender as demandas de uma comunidade, n\u00e3o, \u00e9 o modelo que se ajusta e a comunidade que se ad\u00e9que. Ent\u00e3o, a mesma coisa como o modelo arquitet\u00f4nico chegava e n\u00f3s t\u00ednhamos que buscar o terreno que se ajustasse o modelo arquitet\u00f4nico, era tamb\u00e9m o modelo de escola que n\u00e3o se ajustava, algu\u00e9m teria que se ajustar a ela. Da\u00ed por que essas, n\u00e9?, discrep\u00e2ncias aconteceram. Mas, com honestidade, na \u00e9poca eu pensei pouco nisso, eu pessoalmente, Silvestre. Meu texto \u00e9 pouco cr\u00edtico com refer\u00eancia a isso, n\u00e3o toca nesses assuntos, porque a gente vai se alertar pra isso em outros momentos. Naquele momento n\u00e3o, naquele momento a gente est\u00e1 muito, digamos no oba-oba do cumprir, do chegar, do alcan\u00e7ar. Ent\u00e3o, as mil e tantas forma\u00e7\u00f5es de professores, a cria\u00e7\u00e3o do&#8230; da licenciatura de curto, de&#8230; de&#8230; de&#8230; de curto&#8230; curta dura\u00e7\u00e3o. Uma inven\u00e7\u00e3o gestada por uma necessidade de formar um professor em um ano. Era meta! E a\u00ed foi um pau enorme, discuss\u00e3o a n\u00edvel do Minist\u00e9rio, do Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o, da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, do Conselho de coordena\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, para acatar e aceitar aquele modelo como se fosse forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. Ent\u00e3o a escola, o col\u00e9gio tinha que ter professores graduados, licenciados. Como n\u00e3o podia ser do tempo longo, tinha que ser de curta dura\u00e7\u00e3o, e a\u00ed foi a batalha foi grande a n\u00edvel do Conselho Federal e atrav\u00e9s dos Conselhos da Universidade Federal da Bahia, do Conselho&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Do conselho de 72.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Exatamente! Foi uma batalha, foi uma batalha! Justificativas, press\u00f5es, etc., etc., aconteceram sim! N\u00e3o \u00e9? Leda Jesu\u00edno foi a grande hero\u00edna desse peda\u00e7o, Leda Jesu\u00edno como diretora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o na \u00e9poca e como membro do Conselho de coordena\u00e7\u00e3o da Universidade, ent\u00e3o foi uma batalhadora e venceu, venceu, de alguma forma foi acatado! Como o Roberto Santos era presidente do Conselho do PREMEN, isso facilitou tamb\u00e9m, isto \u00e9\u2026 \u00e9\u2026 \u00e9&#8230; irrigou os rumores dos acad\u00eamicos na \u00e9poca.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E como era a cr\u00edtica? Porque a academia criticava muito esse tipo de forma\u00e7\u00e3o&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Afogadilho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Aligeirada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Aligeirado ou intensi&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Como \u00e9 que se dava isso no interior da faculdade com a diretora liderando essa batalha&#8230;?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Olha, aqui aqui na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o as&#8230; eu acho que as diverg\u00eancias eram relativamente pequenas, porque todas as lideran\u00e7as internas da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o estavam envolvidas com o processo: Dilza, Le, \u00e9&#8230; \u00e9&#8230; Alda Pepe, Dilza Andrade Atta, Jandira Sim\u00f5es, Maria Ana&#8230; Maria An\u00e1lia, essas lideran\u00e7as todas elas acabaram sendo diretores e vice-diretoras da faculdade, etc. etc., n\u00e3o \u00e9? Estavam envolvidos com o programa, envolvidos com o programa. Ent\u00e3o internamente na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o era pouca resist\u00eancia, al\u00e9m do mais eram grande os benef\u00edcios que a faculdade recebia, os equipamentos todos, n\u00e9? Carteiras, mesas etc. da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o aqui nesse pr\u00e9dio j\u00e1 foram doados pelo PREMEN. N\u00e3o sei se voc\u00eas&#8230; se ainda tem alguma reminisc\u00eancia por a\u00ed, mas tem alguma&#8230; \u00c9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Essa cadeira \u00e9 PROTAP.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9, PROTAP, PROTAP.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Essa cadeira&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: E tinha uns que tinha PREMEN atr\u00e1s escrito, PREMEN.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Essa tem PROTAP.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Pois \u00e9, ou seja, receberam contribui\u00e7\u00f5es que se materializavam em cadeiras, carteiras, mesas, etc., equipamentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Esse andar todo aqui onde estamos agora eram&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Eram&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: os laborat\u00f3rios que vieram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Laborat\u00f3rios, biblioteca, muita coisa veio da biblioteca, muita coisa jogou fora, tamb\u00e9m se perdeu. Eu acho que n\u00f3s devemos ter jogado fora umas duas toneladas de livro, livros&#8230; por qu\u00ea? Porque centralizaram as compras l\u00e1 no Rio de Janeiro e vinha pra c\u00e1 os monte de livros, ningu\u00e9m sabia por que vinha aqueles livros e n\u00e3o outros. Ou seja, n\u00e3o atendia a uma, a uma cor local, uma cor regional, n\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Talyssa: Singularidade, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9! Essa centraliza\u00e7\u00e3o de certas decis\u00f5es no PREMEN foram terrivelmente prejudiciais no programa como um todo. \u00c9 hum&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Mas voc\u00ea foi pro CETEBA, n\u00e3o foi isso? N\u00e3o, o ce, o ce&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Nessa \u00e9poca eu dei aula no CETEBA, eu e Dilza demos aula no CETEBA, no in\u00edcio, n\u00e9?, da antiga UNEB, da atual UNEB. Mas, em 1.975, depois que eu\u2026 o PREMEN passou, eu fui para o CEPED.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Isso!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, CEPED. Eu sempre&#8230; e continuei na Universidade, ou seja, eu sempre tive carga de 20 horas na Universidade. Por qu\u00ea? Porque eu me sentia de alguma forma provocado muito mais fora da faculdade do que aqui na faculdade. Eu entendia, por exemplo, que algumas ideias, alguns programas \u00e9 que alguns tiveram sucesso, \u00e9&#8230; foram gerados l\u00e1 e trazidos pra c\u00e1 ou algumas ideias daqui que a gente levou pra l\u00e1 pra implementar e isto me parece que foi o caminho. Ent\u00e3o, eu tinha uma carga hor\u00e1ria na faculdade de 20 horas, dava minhas aulas, assistia minhas reuni\u00f5es de Departamento, etc., etc., mas eu tinha pelo menos 6 horas por dia em em Cama\u00e7ari, em&#8230; no CEPED. Os dois primeiros anos foram terr\u00edveis, por que era estrada n\u00e9? \u00c9, duas vezes correndo doido pra poder chegar nos hor\u00e1rios etc.. Mas depois eu consegui me transferir l\u00e1 de Cama\u00e7ari pra aqui pra Salvador, criamos uma unidade de trabalho aqui em Salvador ent\u00e3o o CEPED tinha uma esp\u00e9cie de sub&#8230; escrit\u00f3rio local, aqui em Salvador, que era o CENDRO, Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos e Organizacionais, funcionava onde \u00e9 onde a Alian\u00e7a Francesa, ali na Ladeira da Barra, funcionamos ali, \u00e9 durante um bom tempo. Depois fomos para, para Pituba, Rua Piau\u00ed, \u00e9 at\u00e9 l\u00e1, ficamos at\u00e9 mil novecentos e oitenta e\u2026 (pensativo) um. Oitenta e um. Conseguimos reunir um grupo grande de pessoas a\u00ed no CEPED, nesse grupo de consultoria, de trabalhos, criamos uns modelos chamados de transfer\u00eancia de Tecnologias apropriadas. O CEPED desenvolvia algumas tecnologias na \u00e1rea de alimentos e na \u00e1rea de constru\u00e7\u00e3o civil. E n\u00f3s quer\u00edamos que essas experi\u00eancias, essas, essas, esses&#8230; essas tecnologias desenvolvidas pelo CEPED chegasse a esse&#8230; meu lado social come\u00e7ou a pintar mais forte. Chegassem aos&#8230; a sociedade de modo&#8230; a sociedade. Ent\u00e3o, por que fazer solo cimento? Solo cimento barateia a constru\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o tem que chegar em quem precisa construir. Ent\u00e3o criamos o programa chamado PROMORAR, PROMORAR. E esse PROMORAR teve algumas resultados interessant\u00edssimos. Um bairro de Ita&#8230; de Itaberaba foi ao ch\u00e3o por conta de uma enchente do rio Paragua\u00e7u. Ent\u00e3o o&#8230; tinha um secret\u00e1rio de estado chamado \u00e9 o Antonio Os\u00f3rio Batista que tinha algumas liga\u00e7\u00f5es com o IPEA etc., conseguimos um dinheiro, duzentos e trinta mil reais uma coisa tipo assim, se me recordo bem para reconstruir o bairro de Itapetinga de&#8230; de&#8230; Itaberaba. Em Itaberaba ent\u00e3o, n\u00f3s criamos um bairro com 72 casas novas, feitas em autoconstru\u00e7\u00e3o usando a tecnologia do solo-cimento do CEPED, tanto a constru\u00e7\u00e3o como os pisos das pra\u00e7as, das ruas etc., etc. Ficou uma beleza! Ou seja, uma forma de transferir, entretanto essa transfer\u00eancia que reduzia o custo da constru\u00e7\u00e3o civil em 40%, os c\u00e1lculos feitos l\u00e1 pelos t\u00e9cnicos do CEPED, n\u00e9? N\u00e3o era absorvido pelas empresas, ter\u00edamos ent\u00e3o que ter um meio de comunica\u00e7\u00e3o, criar associa\u00e7\u00f5es, unidades que pudessem capturar a, se capacitar naquilo. Porque esperar que uma empresa fosse utilizar a tecnologia de solo-cimento para baratear a constru\u00e7\u00e3o \u00e9&#8230; \u00e9&#8230; num ia, n\u00e3o foi admiss\u00edvel, n\u00e3o foi admitido pelas empresas. Ent\u00e3o, resultado, este programa PROMORAR foi vendido para a Caixa Econ\u00f4mica. A Caixa Econ\u00f4mica financiou esse PROMORAR aqui na Bahia e fizemos os projetos, alguns projetos utilizando solo-cimento, projetos de urbaniza\u00e7\u00e3o. Fizemos para Senhor do Bonfim, fizemos para Jequi\u00e9, fizemos para Eun\u00e1polis, ou seja, fizemos para alguns lugares. Projeto de urbaniza\u00e7\u00e3o para determinada \u00e1rea, \u00e1rea de demanda efetiva. A Caixa Econ\u00f4mica chegou a aprovar dois desses projetos, mas acontece que as empresas de constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o quiseram executar, houve uma esp\u00e9cie de boicote. A Caixa Econ\u00f4mica financiou esse Pr\u00f3 Morar aqui na Bahia. E fizemos os projetos. Alguns projetos. Utilizando solo e cimento, projeto de urbaniza\u00e7\u00e3o. Fizemos para Senhor do Bonfim, fizemos para Jequi\u00e9, fizemos para Eun\u00e1polis. Ou seja, fizemos para alguns lugares projetos, n\u00e9, de urbaniza\u00e7\u00e3o em determinada \u00e1rea. Que era \u00e1rea de demanda efetiva. A Caixa Econ\u00f4mica chegou a aprovar dois desses projetos, mas acontece \u00e9 que as empresas de constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o quiseram executar, houve uma esp\u00e9cie de boicote, porque era, era o modelo de transfe\u2026 o modelo que se queria, n\u00e9, se eles quisessem utilizar a for\u2026 se eles pudessem construir da forma que eles quisessem, tudo bem. Mas fazer no modelo desenhado, ah, eles n\u00e3o queriam. Esse modelos foram os arquitetos Zez\u00e9u Ribeiro que hoje, foi Secret\u00e1rio de Planejamento, era um dos arquitetos desse desse modelo. Juscelino Barreto foi trabalhar comigo nesse nesse projeto. S\u00e9rgio, S\u00e9rgio, S\u00e9rgio Hage, S\u00e9rgio o irm\u00e3o, sobrinho de Jorge Hage. O pr\u00f3prio Jorge Hage foi consultor dessa \u00e9poca, da gente, n\u00e9. Oto Jambeiro, professor da universidade. \u00c9\u2026 Rom\u00e9rio Aquino, professor dessa escola. Todos foram um grupo de\u2026 de consultores concebendo, discutindo, e a\u00ed j\u00e1 tava muito mais vinculado, vamos dizer assim, n\u00e9, eu dizia encharcado da realidade local. Isto \u00e9, se aquele modelo do SEPE, do&#8230; do&#8230; do PREMEM era centralizado e a gente tinha pouca sensibilidade, ou pouca chance de fazer um processo de revers\u00e3o, a\u00ed n\u00e3o. A\u00ed, por exemplo, os projetos eram concebidos dentro de uma concep\u00e7\u00e3o que encharcava a realidade, que a realidade encharcava o projeto. O projeto sa\u00eda, ent\u00e3o, com a cara do daquela realidade, daquele territ\u00f3rio, daquele espa\u00e7o, diferente dos outros modelos. Por conta disso, muito deles n\u00e3o foram, n\u00e3o foram implementados e a caixa Econ\u00f4mica parou de financiar. O a secretaria, antigamente havia a Urbis aqui, uma empresa era quem deveria tomar o dinheiro emprestado para construir esses modelos de escola. Mas n\u00e3o se interessaram e o projeto foi\u2026 foi&#8230; foi&#8230; foi&#8230; foi\u2026 talvez tenha um ou dois resqu\u00edcios de modelo implantado, constru\u00eddo da escola, do, da, do modelo de interven\u00e7\u00e3o urbana, do processo construtivo do solo cimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9, na educa\u00e7\u00e3o, que a gente conseguiu casar, n\u00f3s conseguimos fazer as escolas, \u00e9, rurais, com Jos\u00e9 de Oliveira Arapiraca. E depois se chamou Escola de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 um modelo que eu, ele e\u2026 e\u2026 pera\u00ed que esse nome eu n\u00e3o posso me esquecer n\u00e3o (consulta uma folha de papel of\u00edcio com anota\u00e7\u00f5es importantes). N\u00e3o posso me esquecer n\u00e3o. Samuel Ar\u00e3o. Samuel Ar\u00e3o. N\u00f3s concebemos o modelo chamado Escola de produ\u00e7\u00e3o que depois eu posso explicar pra voc\u00eas com um pouco mais de detalhe. Que eram empresa, eram escolas rurais aonde a tecnologia do CEPED vinha do solo cimento e na, na, na gera\u00e7\u00e3o de energia, do biocombust\u00edvel. N\u00e9, haviam, portanto, um\u2026 havia um modelo de trabalho em a bosta do boi, do gado, etc., eram todos fermentados e geravam energia que iluminava a escola e atendia a merenda escolar, etc. Isso tudo dentro de um conceito de escola rural. Escola de produ\u00e7\u00e3o rural. Esse modelo foi desenvolvido l\u00e1 no CEPED e adaptado, depois, por Jos\u00e9 Arapiraca num programa que o BID financiava a\u00ed na secretaria de educa\u00e7\u00e3o. Fizemos umas vinte dessas escolas pelo interior da Bahia. \u00c9\u2026 Arapiraca fala disso em um dos livros dele sobre escolas de produ\u00e7\u00e3o. A ideia n\u00e3o foi dele, foi minha e de de Samuel Ar\u00e3o, mas n\u00f3s n\u00e3o brigamos por conta disso n\u00e3o [risos]. Porque era bom divulgar o que tava, o que se pensou fazer naquela \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E havia uma produ\u00e7\u00e3o muito grande de&#8230; de material [biodigestores] nacional, n\u00e9 [havia] pra orientar a popula\u00e7\u00e3o [\u00e9], fazer uma [\u00e9] esfera p\u00fablica [\u00e9]?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Era transfe\u2026 era transfer\u00eancia de tecnologia. Esse era o princ\u00edpio b\u00e1sico na \u00e1rea tanto, do\u2026 da&#8230; do meio agr\u00edcola, como tamb\u00e9m do meio urbano. Havia um centro de pesquisa em Fortaleza, n\u00e9, muito vinculado a isso. Os pequenos neg\u00f3cios, n\u00e9? Quando o SEBRAE foi criado, foi criado com outra nomenclatura, foi criado dentro do CEPED aqui na Bahia. A\u2026 a\u2026 quando veio pra c\u00e1, a primeira, o primeiro escrit\u00f3rio do que hoje \u00e9 SEBRAE foi dentro do CEPED em Cama\u00e7ari, nessa concep\u00e7\u00e3o da pequena e micro empresa na transfer\u00eancia de tecnologia. Porque o CEPED tinha tecnologia de alimento, n\u00e9, ent\u00e3o tinham desenvolvido sucos, \u00e9\u2026 determinadas produ\u00e7\u00f5es, n\u00e9?, produtos, at\u00e9 acaraj\u00e9 em p\u00f3 tinham feito, n\u00e9? Tinha algumas\u2026 algumas\u2026 algumas\u2026 \u00e9\u2026 como \u00e9 que chama\u2026 que n\u00e3o era\u2026 Chegaram a registrar algumas\u2026 algumas cria\u00e7\u00f5es, n\u00e3o sei se inven\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo o nome, mas patentear alguma coisa, eles chegaram a fazer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O CEPED foi um centro de pesquisa ligado a isso, tanto nessa \u00e1rea, como em outras \u00e1reas, como na \u00e1rea de metalurgia, por exemplo. Na \u00e1rea de metalurgia o CEPED chegou a ter cinco ou seis, cinco ou seis patentes, n\u00e9?, de micro, de&#8230; de hidrometalurgia, a metalurgia do cobre l\u00e1 de cara\u00edba foi desenvolvido, grande parte dela, dentro do CEPED. Era um centro de respeito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Quem deu o tiro de miseric\u00f3rdia no CEPED?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Olha\u2026 se voc\u00ea for me perguntar quem foi\u2026 eu diria que foi\u2026 o governo\u2026 de\u2026 Quem foi depois de Roberto Santos? Foi o\u2026 o Ant\u00f4nio Carlos [Ant\u00f4nio Carlos]. E depois de Ant\u00f4nio Carlos? [pausa] [De Ant\u00f4nio Carlos de 72 a 7&#8230;] N\u00e3o. N\u00e3o. O Roberto Santos foi de 75 a 79. Depois dele\u2026 [foi Ant\u00f4nio Carlos de novo] Foi. E depois foi\u2026 foi Jo\u00e3o Durval [\u00e9, Jo\u00e3o Durval]. Eu acho que quem matou foi Jo\u00e3o Durval. Foi Durval. A gente tinha at\u00e9 medo quando Roberto santos, quando governador, tivesse alguma veleidade de incorporar aquilo para a Universidade Federal da Bahia. Que a ideia dele era que todo o investimento que fez em Cama\u00e7ari, no CEPED, fosse&#8230; o Estado fizesse na UFBA. Ent\u00e3o ele ficou um pouco enciumado\u2026 enciumado. E quando ele assumiu o governo em 75, eu j\u00e1 era do CEPED, \u00e9\u2026 ele foi inaugurar algumas \u00e1reas e a gente esperava que talvez no discurso dele, alguma coisa sobre incorpora\u00e7\u00e3o pela UFBA sa\u00edsse. Mas n\u00e3o acontece isso e hoje o CEPED inteiro \u00e9 extens\u00e3o da UNEB. N\u00e3o \u00e9 da UFBA. \u00c9 da UNEB. Um pouco com\u2026 um bocado de\u2026 de capim nascendo, subindo, degradando, etc., etc., etc. Mas&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Como o\u2026 no Museu de Ci\u00eancia e Tecnologia&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Como no museu de ci\u00eancia e tecnologia tamb\u00e9m \u00e9\u2026 \u00e9 do\u2026 \u00e9 tamb\u00e9m da UNEB. \u00c9 da UNEB.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Voc\u00ea j\u00e1 foi diretor do CEPED?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Eu fui diretor administrativo [administrativo]. \u00c9\u2026 mas pouco tempo. Logo em seguida em vim para Salvador para o\u00a0 CENDRO. Eu l\u00e1 no, na administra\u00e7\u00e3o eu substitu\u00ed Fernando Machado, que foi convidado por uma ordem internacional, foi pra Europa e eu fiquei no lugar dele. \u00c9\u2026 com Irundir Edelvaz, Irundir era o diretor geral, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Bom, e chega o governo de Valdir, n\u00e9?\u2026 em 87-89, n\u00e9?&#8230; Maria augusta, secret\u00e1ria de educa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o\u2026 n\u00e3o depois desse per\u00edodo, teve um per\u00edodo brabo meu que eu fui pra CPE. \u00c9 oitenta\u2026 \u00e9\u2026 80 e 81. Eu fui diretor da CPE que \u00e9 hoje a CEI, n\u00e9?\u2026 Eu fui pra CPE, dirigi a CPE durante dois anos e nesses dois anos, os candidatos foram os tr\u00eas, n\u00e9?\u2026 Valdir Pires, R\u00f4mulo Galv\u00e3o e Roberto Santos, n\u00e9?\u2026 e n\u00e3o\u2026 n\u00e3o\u2026 e perderam. Foi quando Ant\u00f4nio Carlos disse que elegeria at\u00e9 um cabo de vassoura. Ele elegeu Jo\u00e3o Durval, n\u00e9? Pronto. A\u00ed eu tava no CEPED, a\u00ed foi a minha briga com o secret\u00e1rio de planejamento da \u00e9poca: Orn\u00e9las. Valdeck Orn\u00e9las \u00e9 um cr\u00e1pula. Pode gravar isso mesmo [risos]. \u00c9 um dos poucos desafetos que eu tenho, que \u00e9 terr\u00edvel, mas\u2026 \u00c9\u2026 ele\u2026 \u00e9 fez, cometeu uma trai\u00e7\u00e3o braba, n\u00e9? E me demitiu do CEPED. Eu era funcion\u00e1rio do CEPED e ele me demitiu. Em oitenta. Eu entreguei meu cargo antes, pra poder me dedicar \u00e1 campanha pol\u00edtica de Valdir, R\u00f4mulo e Roberto, e ele n\u00e3o aceitou. Achava que isso era besteira. Ele era\u2026 antes ele era o coordenador da campanha \u00e9 do antigo ex-prefeito de Salvador, que morreu no acidente, o\u2026 o\u2026 que tem um monumento ali na\u2026 na Garibaldi [Cl\u00e9riston]. Cl\u00e9riston Andrade. Cl\u00e9riston Andrade. E depois ele passou a ser o executor da\u2026 da campanha de Jo\u00e3o Durval. Ent\u00e3o, depois desse per\u00edodo, eu fui trabalhar com SUDENE e BID, foi a re\u2026 a reformula\u00e7\u00e3o dos programas\u2026 dos programas de interven\u00e7\u00e3o urbana e rural, n\u00e9? Tinha PROCANOR, POLO NORDESTE, PRO isso\u2026 PRO \u00c1LCOOL, PRO isso\u2026 PRO aquilo\u2026 Tudo. Isso tudo foi fundido no chamado PROGRAMA DE APOIO AO PRODUTOR RURAL. Que criou aqui na Bahia a ACAR&#8230; ACAR.\u00a0 Que \u00e9 a empresa de administra\u00e7\u00e3o rural. Pronto. Dessa \u00e9poca a\u00ed, sim. Depois desse per\u00edodo, eu j\u00e1 tinha sa\u00eddo do estado. Fui demitido pelo\u2026 pelo Orn\u00e9las. Eu voltei a ser admitido pelo Constantino. E a\u00ed, com o Constantino, n\u00f3s criamos o centro que hoje \u00e9 a Funda\u00e7\u00e3o Luis Eduardo\u2026 Lu\u00eds Eduardo Magalh\u00e3es. N\u00e9? Antes era Fun\u2026 Fundesc\u2026 Fun\u2026 Alguma coisa desse tipo assim, n\u00e9? Mas antes n\u00f3s criamos o Centro. O Centro entrou como essa Funda\u00e7\u00e3o, e a Funda\u00e7\u00e3o entrou como essa atual. Ent\u00e3o essa \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e9? A\u00ed j\u00e1 est\u00e1\u2026 A\u00ed, pronto. Nessa \u00e9poca eu fui, n\u00e9?, comecei a trabalhar com\u2026 com Valdir. Eu fui pro Minist\u00e9rio, pro Minist\u00e9rio da\u2026 da Previd\u00eancia. Valdir foi ministro e eu fui assessor dele l\u00e1, no Minist\u00e9rio. Quando ele veio pra c\u00e1, veio&#8230; se elegeu governador, a\u00ed eu fui ser assessor dele na governadoria, n\u00e9? Passei l\u00e1 uns tr\u00eas anos, os tr\u00eas anos que ele passou. Depois\u2026 \u00c9 dois anos! Os dois anos que ele passou. Da\u00ed pra frente eu disse: Olha, sabe de uma coisa? Deixa eu sair daqui. Vou fazer meu doutorado. Da\u00ed (pitz) passei uma temporada fora e pronto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Vamos falar um pouquinho do Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o? Como \u00e9 que\u2026 esse per\u00edodo todo que voc\u00ea foi do conselho\u2026 Que varia\u00e7\u00f5es aconteceram no conselho&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Olha, eu acho que no Conselho, a conviv\u00eancia com algumas pessoas\u2026 Luiz Rog\u00e9rio de Souza, por exemplo, foi uma conviv\u00eancia fant\u00e1stica. A conviv\u00eancia com\u2026 \u00e9\u2026 outros colegas\u2026 at\u00e9 voltei a me encontrar com Ant\u00f4nio Veigas no Conselho de Educa\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Agora j\u00e1 em outro patamar de conversa\u2026 \u00e9\u2026 Mas o Conselho de educa\u00e7\u00e3o perdeu muita da sua capacidade de trabalho. Ela\u2026 ele passou a ser uma ag\u00eancia de regulariza\u00e7\u00e3o de certas coisas. Durante muito tempo. Hoje em dia, talvez at\u00e9\u2026 n\u00e3o sei como \u00e9 que \u00e9\u2026 talvez at\u00e9 a Iraci Pican\u00e7o, possa\u2026 j\u00e1 deve ter dito pra voc\u00eas como \u00e9 que t\u00e1 funcionando o Conselho hoje. Mas se eu vou falar muito pouco do Conselho estadual, ele n\u00e3o tem\u2026 Qual \u00e9 o papel atuante que o Conselho tem? N\u00e9?\u2026 Porque hoje a autonomia das unidades \u00e9 tal, que as coisas passam a ser geradas, concebidas, pensadas a n\u00edvel das unidades. \u00c9\u2026 eu n\u00e3o sei qual hoje\u2026 quais s\u00e3o as resolu\u00e7\u00f5es que tenha de\u2026 efetiva for\u00e7a vinculante, definidora a n\u00edvel das unidades do sistema educacional. N\u00e3o sei. Hoje. Em \u00e9poca passada, sim, tinha. Porque quase tudo passava por l\u00e1. Houve uma \u00e9poca que at\u00e9 a nomea\u00e7\u00e3o dos professores passava pelo Conselho. Eu n\u00e3o fui fazer meu\u2026 meu mestrado nos Estado Unidos, selecionado por An\u00edsio Teixeira, porque o Conselho n\u00e3o deixou. Eu era professor interino do estado e, como eu era interino, o estado precisava tanto de mim que eu n\u00e3o podia me afastar. Ent\u00e3o na minha negocia\u00e7\u00e3o com o Conselho, eu perdi meu tempo. Venceu meu prazo de\u2026 de\u2026 de me apresentar no\u2026 nos estados Unidos. A\u00ed, n\u00e3o fui. Ent\u00e3o eu perdi atrav\u00e9s de um parecer de um padre. Padre Belchior Maia da\u2026 Foi ele quem deu o parecer contr\u00e1rio \u00e0 minha ida para os Estados Unidos fazer meu mestrado. Isso\u2026 (estalando os dedos) na\u2026 antes de eu ser efetivo. Antes de eu ser efetivo\u2026 portanto era interino em 67, 68, na \u00e9poca em que \u00eda\u2026 eu fui pra SUDENE. Naquela \u00e9poca. Aquele mesmo per\u00edodo. Sim, mas\u2026 \u00e9\u2026 voc\u00eas&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: N\u00e3o. A\u00ed voc\u00ea chegou l\u00e1 na Universidade\u2026 a\u00ed na universidade teve seu envolvimento na universidade e, finalmente, acabo sendo chefe de gabinete do professor Felippe Serpa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Eu fui\u2026 eu fui\u2026 eu respondi pela dire\u00e7\u00e3o da faculdade de educa\u00e7\u00e3o em dois per\u00edodos. Eu fui\u2026 eu fui\u2026 sempre na condi\u00e7\u00e3o de professor, vice-diretor substituto. Eu nunca aceitei me candidatar a ser, at\u00e9 porque voc\u00eas, eu j\u00e1 falei antes, eu sempre tive uma dedica\u00e7\u00e3o per time aqui na\u2026 na\u2026 na faculdade. Eu nunca estive em tempo integral na universidade e, portanto, eu n\u00e3o achava justo que eu pudesse vir a ocupar uma fun\u00e7\u00e3o se eu tinha uma vincula\u00e7\u00e3o fora daqui. Acumula\u00e7\u00e3o legal, normal, tudo ok, mas\u2026 eu tinha essa vincula\u00e7\u00e3o fora. Ent\u00e3o, mas vinha alguns\u2026 oportunidades que eu fui, acabei sendo eleito professor de\u2026 professor \u00e9\u2026 professor vice-diretor substituto. E nessa condi\u00e7\u00e3o, em duas oportunidades, eu passei a ser diretor da faculdade. Uma vez por seis meses, tal era a confus\u00e3o que estava acontecendo aqui. Na \u00e9poca de greves e mais greves que sa\u00eda aqui na faculdade de educa\u00e7\u00e3o. E a\u00ed, isso\u2026 n\u00e3o me recordo a data, n\u00e3o&#8230; E a\u00ed eu fiquei. Nesse per\u00edodo eu fui do conselho de coordena\u00e7\u00e3o, fui eleito no conselho de coordena\u00e7\u00e3o, algumas vezes do Conselho universit\u00e1rio, e&#8230; [83 e 84, n\u00e9?] Deve ter sido por a\u00ed. E a\u00ed nesse\u2026 dentro desses conselhos eu acho que alguns\u2026 alguns pareceres meus criaram algumas controv\u00e9rsias, e\u2026 especialmente no tocante \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o dos professores, n\u00e9? O n\u00famero de vagas para cada unidade. Me recordo uma vez dessas que eu dei um parecer que quase algumas pessoas da Faculdade de Medicina, de Arquitetura, de Engenharia\u2026 andaram querendo me castrar porque tava todo mundo muito ouri\u00e7ado, n\u00e3o \u00e9? Mas acabamos ganhando as vagas para a faculdade de educa\u00e7\u00e3o e filosofia, por exemplo. \u00c9\u2026 portanto a minha passagem por esses \u00f3rg\u00e3os \u00e9\u2026 \u00e9\u2026 universit\u00e1rios, n\u00e3o foram muito significativas. \u00c9\u2026 \u00e9\u2026 pra mim foram rosas, mas eu acho que minhas contribui\u00e7\u00f5es foram relativamente muito poucas. Ah n\u00e3o ser, como chefe de gabinete de Felipe, porque a\u00ed eu n\u00e3o estava mais\u2026 eu estava \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Universidade e fiquei em tempo integral na Universidade sem ser dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. Perdi, inclusive, financeiramente isso durante todo o per\u00edodo porque n\u00e3o recebia mais nada, a n\u00e3o ser a fun\u00e7\u00e3o, n\u00e9?, de chefe de gabinete. Isso \u00e9 o de menos. Mas nesse per\u00edodo eu acho que tivemos algumas contribui\u00e7\u00f5es, n\u00e9?, \u00e9\u2026 cooperamos com algumas realiza\u00e7\u00f5es do Felippe Serpa e eu acho que algumas conquistas, como por exemplo a marca, que eu diria, o evento foram os cinquenta anos da Universidade Federal da Bahia. N\u00e9?\u2026 Cinquenten\u00e1rio da\u2026 da cria\u00e7\u00e3o da Universidade em mil novecentos e\u2026 \u00e9\u2026 1996. \u00c9 96. Eu acho que aquele per\u00edodo foi um per\u00edodo de ebuli\u00e7\u00e3o e que, essa ebuli\u00e7\u00e3o por conta da hist\u00f3ria, por conta da\u2026 da solenidade que se comemorava, acabou tamb\u00e9m contagiando algumas mudan\u00e7as e transforma\u00e7\u00f5es de efetivi\u2026 de efetiva\u00e7\u00e3o de certas ideias, n\u00e9? \u00c9\u2026 o Instituto de Ci\u00eancias da Sa\u00fade come\u00e7ou a ter, Ci\u00eancias da Sa\u00fade, n\u00e9?, os\u2026 \u00c9\u2026 a FACOM do\u2026 do atual\u2026 secret\u00e1rio de Cultura, o Albino Falc\u00e3o. Albino\u2026 N\u00e3o \u00e9 Falc\u00e3o, n\u00e3o. Albino\u2026 E eu acho que algumas inova\u00e7\u00f5es aconteceram na Universidade, n\u00e9?\u2026 na\u2026 a partir de Felippe. Eu acho que foi uma gest\u00e3o proveitosa. Em alguns aspectos meio dura, n\u00e9?, por conta da nossa querida pr\u00f3-reitora de planejamento, n\u00e9?\u2026 mas em outros momentos uma gest\u00e3o democr\u00e1tica, aberta, di\u00e1logo com os alunos, f\u00e1cil, foi uma coisa\u2026 eu achei um per\u00edodo muito bacana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Foi um per\u00edodo muito tenso no conselho universit\u00e1rio [foi] n\u00e3o foi? [foi] Descreve um pouco a\u00ed pra n\u00f3s quais eram as grandes tens\u00f5es que estavam presentes na Universidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Na universidade, em\u2026 nesse per\u00edodo 66 at\u00e9\u2026 66 (gesto negativo com a cabe\u00e7a)\u2026 96 at\u00e9 98, que foi o per\u00edodo que eu fiquei l\u00e1. Fiquei 66, 67, 68. Felipe saiu e eu sa\u00ed tamb\u00e9m em 68.\u00a0 68 o que\u2026 (bate na perna) 98! 96, 97 e 98. \u00c9\u2026 a pergunta tua foi sobre as&#8230;\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Tens\u00f5es<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Tens\u00f5es internas na universidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: \u00c9, na universidade, na gest\u00e3o, no conselho universit\u00e1rio [suspira]. O que aconteciamuito eram as reivindica\u00e7\u00f5es por determinadas, \u00e9\u2026 parcelas de poder. \u00c9\u2026 que estava sendo controlado internamente pelo\u2026 pela nossa pr\u00f3-reitora de planejamento, e isso dava\u2026 tinha um professor aqui da\u2026 do\u2026 do Centro de Sa\u00fade, professor, diretor daqui do (aponta com o dedo a dire\u00e7\u00e3o)\u2026 do Ci\u00eancia de Sa\u00fade, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Instituto de Ci\u00eancias da Sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o \u00e9 sa\u00fade coletiva, n\u00e3o. \u00c9 esse aqui de baixo que foi candidato a Reitor algumas vezes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Roberto Paulo&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Continua sendo candidato a Reitor? N\u00e3o\u2026 ent\u00e3o vai ser eterno&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: N\u00e3o foi na \u00faltima, mas&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Provavelmente na pr\u00f3xima ser\u00e1. Olha, c\u00ea corta isso [risos]. \u00c9\u2026 ent\u00e3o existiam tamb\u00e9m algumas rela\u00e7\u00f5es dentro da pr\u00f3pria\u2026 do gabinete do Felippe que transpareciam uma certa facilidade da rela\u00e7\u00e3o entre os pr\u00f3-reitores. E isso dificultava a in\u2026 a compreens\u00e3o de quem tava fora. Entre a pr\u00f3-reitora de planejamento e a pr\u00f3-reitora acad\u00eamica, as coisas, de alguma forma, eram\u2026 \u00e9\u2026 administradas de forma muito pr\u00f3ximas entre elas. E isso dificultava a compreens\u00e3o dos outros e levantavam-se quest\u00f5es contra. Mas, em termos administrativos das unidades, eu, pelo menos, percebi pouca coisa. \u00c9&#8230; a rea\u00e7\u00e3o a Felippe inexistia, isto \u00e9, se houvesse um terceiro mandato provavelmente Felipe seria eleito naquela \u00e9poca. Se houvesse uma re\u2026 reelei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o\u2026 n\u00e3o\u2026 n\u00e3o tenho mem\u00f3ria de quest\u00f5es mais graves, a n\u00e3o ser que voc\u00ea me lembre alguma coisa que eu possa responder. Mas n\u00e3o tenho&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: As tens\u00f5es no mais\u2026 mesmo\u2026 no\u2026 no restaurante universit\u00e1rio\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Ah&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Mudan\u00e7a da FACOM\u2026 Ou seja, as que existia\u2026 porque a elei\u00e7\u00e3o do professor Felippe se d\u00e1 num momento de uma crise na universidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Isso\u2026 Aquela, antes&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: 94, 93, na verdade&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Mas ele administrou esse neg\u00f3cio de uma forma, ao meu ver\u2026 n\u00e9?\u2026 E ficaram alguns resqu\u00edcios, cria\u00e7\u00e3o da FACOM e o Instituto de Ci\u00eancias da Sa\u00fade, por exemplo, que eram duas\u2026 alguns entendiam como duas excresc\u00eancias, duas coisas fora do lugar. E outros entendiam que eram as coisas que estavam no lugar eram essas\u2026 Como depois veio o Instituto de Ci\u00eancias da\u00a0 Informa\u00e7\u00e3o, n\u00e9?\u2026 O ICI, n\u00e9?\u2026 Que foi posterior, mas foi dentro dessa mesma, dessa mesma rede, n\u00e9?\u2026 Mas isso n\u00e3o chegou a abalar internamente a administra\u00e7\u00e3o de Felipe, n\u00e3o. Pelo menos n\u00e3o me pareceu, n\u00e3o me pareceu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E a partir da\u00ed voc\u00ea migra mais\u2026 diretamente pra essa\u2026 esse&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9\u2026 novamente eu fui convidado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Trabalho com a Hospitalidade, n\u00e3o \u00e9 isso?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Fui convidado para fazer o trabalho muito mais por causa da forma\u00e7\u00e3o de pessoas. Ent\u00e3o me disseram assim: Olha, eu vou fazer um empreendimento de grande monta e eu preciso formar tr\u00eas mil pessoas em tr\u00eas anos. Como aqui na faculdade de educa\u00e7\u00e3o n\u00f3s t\u00ednhamos formado em tr\u00eas anos mil e tantas pessoas para o PREMEM, como no PRODEBA, em Cama\u00e7ari, eu fiz alguma coisa semelhante l\u00e1 no CEPED, tamb\u00e9m a\u00ed eles acharam que\u2026 a\u00ed fomos conceber um plano de trabalho para a forma\u00e7\u00e3o de pessoas. S\u00f3 que n\u00e3o era mais nas \u00e1reas da minha tradicional vincula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era a faculdade de educa\u00e7\u00e3o nem era a \u00e1rea de qu\u00edmica, petroqu\u00edmica e de ind\u00fastria. Mas sim a \u00e1rea de servi\u00e7os, a \u00e1rea de\u2026 a \u00e1rea de turismo. Ent\u00e3o, tivemos que formar, que preparar, que vincular cerca de tr\u00eas mil pessoas em cerca de tr\u00eas anos. Foi uma atividade colossal. E a\u00ed criaram\u2026 foi criado um Instituto, chamado Instituto de Hospitalidade que passou a ser uma ONG que gerencia a\u2026 algumas atividades vinculadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de pessoas e tamb\u00e9m a um modelo de desenvolvimento calcado (bate uma palma) no turismo.\u00a0 Da\u00ed o\u2026 a coisa toda\u2026 o programa que a gente acabou criando. Foi o programa de desenvolvimento do\u2026 do\u2026 do turismo sustent\u00e1vel. Isto \u00e9 programa de desenvolvimento sustent\u00e1vel do turismo. Essa foi a ideia e em algum momento criamos um outro programa ligado a isso a\u00ed, que foi um outro programa \u00e9\u2026 Movimento Brasil de Turismo e Cultura, que foi uma forma de agregar essas coisas. Esses dois movimentos, essas duas novas atividades, foram as minhas atividades, digamos, dos \u00faltimos dez anos\u2026 dos \u00faltimos dez anos. Depois que eu sa\u00ed da reitoria, \u00e9\u2026 eu fui para o Instituto de Hospitalidade, me vinculei l\u00e1 durante dez anos, at\u00e9 2.008. N\u00e9?\u2026 Quando decidiram extinguir o instituto. E de l\u00e1 pra c\u00e1 eu comecei a trabalhar como consultor nessa \u00e1rea de trabalho. A \u00e1rea que hoje eu estou chamando de desenvolvimento local. Isto \u00e9, o modelo de trabalho \u00e9 o trabalho de desenvolvimento local. N\u00e3o \u00e9 desenvolvimento gen\u00e9rico. \u00c9 voltado para, isto \u00e9, aquela preocupa\u00e7\u00e3o que eu n\u00e3o tinha l\u00e1 no Plano estadual de educa\u00e7\u00e3o, nos polos de desenvolvimento, agora \u00e9\u2026 agora \u00e9 forte, mais\u2026 isto \u00e9, eu estou querendo dar a cor local a uma atividade que for pra l\u00e1. N\u00e3o \u00e9 a atividade que vai violentar o territ\u00f3rio, mas \u00e9 o territ\u00f3rio que dever\u00e1 buscar moldar a atividade produtiva. Ent\u00e3o essa \u00e9\u2026 essa \u00e9 a nova fei\u00e7\u00e3o. T\u00f4 fazendo isso. Fiz isso em S\u00e3o Francisco do Conde, no\u2026 na Ilha de Caja\u00edba, que agora foi comprada pela aquele bilion\u00e1rio baiano a\u00ed. Foi comprada a ilha pra fazer um investimento empresarial de vender apartamentos e casas para os\u2026 n\u00e9\u2026 hoje, est\u00e3o em crise, mas p\u00f4, esperam que realmente superem, os europeus, n\u00e9?\u2026 E\u2026 estou fazendo o mesmo trabalho agora para o\u2026 o empreendimento Enseada do Paragua\u00e7u, no\u2026 em Maragogipe. Em torno de cinco munic\u00edpios que est\u00e3o no estaleiro, em torno do estaleiro enseada do Paragua\u00e7u, que \u00e9 um\u2026 uma\u2026 um trabalho voltado para a mesma\u2026 o mesmo significado de como fazer para que esse empreendimento tenha sentido e seja valorizado pelas comunidades locais. Como nessa regi\u00e3o existem dezenove comunidades quilombolas, minha preocupa\u00e7\u00e3o se reno\u2026 se\u2026 se redobra, n\u00e9?, porque estas comunidades quilombolas, que algumas delas, doze, j\u00e1 foram reconhecidas. J\u00e1 foram, portanto, referendadas como comunidades quilombolas, com direitos, com todos os terrenos delimitados, etc. Outros est\u00e3o em processo de\u2026 Ent\u00e3o, essas comunidades precisam ter e receber aquele empreendimento, e aquele empreendimento tem que entender como \u00e9 que vai conviver com elas, com essas comunidades. Ent\u00e3o essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 o objeto das minhas preocupa\u00e7\u00f5es atuais. N\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: \u00c9 verdade que\u2026 voc\u00ea gosta de comer feij\u00e3o todo dia?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Quase todo dia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Por qu\u00ea?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Rap\u00e1\u2026 H\u00e1bito! N\u00e9\u2026 Eu acho que fui criado assim. Voltando ao\u2026 [la\u00e7os] Voltando aos Torneiro. Voltamos ao Torneiro. Voltamos ao Torneiro. E machucado. Eu machuco o meu feij\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: N\u00e3o pode outra pessoa machucar?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: N\u00e3o. N\u00e3o. Eu machuco o meu feij\u00e3o. Sei a quantidade de machucado que eu tenho que fazer, a quantidade de farinha que eu tenho que por. Ent\u00e3o \u00e9 essa dosagem. Isso \u00e9\u2026 ancestral [risos].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E o futuro?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: \u00c9\u2026 estou [comer feij\u00e3o]\u2026 Al\u00e9m de comer feij\u00e3o agora, daqui a pouco&#8230; sete horas, oito horas da noite\u2026 Mas, \u00e9\u2026 Netos nascendo, n\u00e9? Criando os filhos, trilhas, ent\u00e3o cada qual, todos com mestrado e caminhando pelas suas\u2026 pelas suas atividades. \u00c9\u2026 Eu acho que a gente plantou e agora t\u00e1 colhendo agora, esses meninos s\u00e3o \u00f3timos. E\u2026 dentro da universidade, um certo\u2026 refletindo, eu acho que eu poderia ter dado mais \u00e0 Universidade. Poderia ter ofertado mais \u00e0 Universidade. Eu poderia talvez ter\u2026 ter conseguido um alian\u00e7amento entre as minhas atividades fora e as minhas atividades aqui. Voc\u00ea v\u00ea, a gente descreveu um pouco essas coisas a\u00ed todas\u2026 mas quase toda a minha fala foram fora da Universidade. Embora repercutindo aqui, mas foram fora da Universidade. Eu acho que isso \u00e9 um\u2026 eu\u2026 poderia ter feito diferente, n\u00e9? Poderia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E a educa\u00e7\u00e3o? Nessas quase duas horas e meia voc\u00ea&#8230; falando muito do&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: Mas tudo isso\u2026 eu acho que a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em todas essas&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Isso a\u00ed, a gente falou muito sobre\u2026 sobre a educa\u00e7\u00e3o. E o futuro da educa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: O futuro da educa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ST: De hoje pra frente? Rapaz. Eu tenho um modelo de escola na minha cabe\u00e7a, chama escola de produ\u00e7\u00e3o. Eu fiz duas delas. A \u00faltima foi l\u00e1 na Costa dos Coqueiros, aqui no Sau\u00edpe. A escola de produ\u00e7\u00e3o voltada para o modelo de produ\u00e7\u00e3o local: agricultura de subsist\u00eancia, artesanato, que \u00e9 o que eles sabem fazer, e a escola como pr\u00e1tica. Como pr\u00e1tica de arte, capo, maculel\u00ea\u2026 as manifesta\u00e7\u00f5es. As express\u00f5es culturais da regi\u00e3o: bumba-meu-boi\u2026 isso tudo tendo, documentando e fazendo com que escreva, se relate, se conte a hist\u00f3ria, etc. Tem alguns lugares aqui, algumas\u2026 algumas festas populares se perdendo, tudo se perdendo. Tem dois ou tr\u00eas lugarejos aqui do\u2026 da\u2026 do\u2026 da Costa dos Coqueiros que as pessoas j\u00e1 n\u00e3o sabem mais algumas festas, alguns cantos e algumas cantigas que os pais delas sabiam. E isso \u00e9 lament\u00e1vel. Essa escola de produ\u00e7\u00e3o tem o cantinho da cultura, tem o cantinho da produ\u00e7\u00e3o e tem o cantinho da educa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 uma escola com tr\u00eas, \u00e9\u2026 \u00e9 uma esp\u00e9cie de uma cruz: um modelo central, a oficina de\u2026 de artesanato e a \u00e1rea da\u2026 da educa\u00e7\u00e3o, da escola, onde as coisas s\u00e3o transmitidas. Esse modelo de escola, escola de produ\u00e7\u00e3o, ao meu ver \u00e9 o que eu gostaria de disseminar. Disseminar\u2026 Fazer com que a escola receba e trate da realidade local. Usando as tecnologias todas, fazendo esses filminhos, etc. N\u00e3o com Silvestre, mas com Dona Maria beata que sabe fazer cesta de\u2026 de caro\u00e1. Fazer isto com dona fulana de tal que sabe fazer bolsas com\u2026 com\u2026 determinado produto, tipo de produto. Com seu fulano de tal que cria e tem dois grupos de samba de roda. Com fulano de tal que tem maculel\u00ea assim\u2026 assim\u2026 assado. Ou seja, eu acho que essa coisa dentro de cada comunidade fazem com elas valorizem os seus saberes e os seus saberes e as suas\u2026 suas coisas, o que eles sabem fazer e as suas inten\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 que \u00e9 fundamental. Eu acho que a escola deve come\u00e7ar a se olhar sobre esse \u00e2ngulo. N\u00e3o se preocupar apenas com a dimens\u00e3o tecnol\u00f3gica. Mas o que fazer com que essa tecnologia fa\u00e7a na perpetua\u00e7\u00e3o, na continuidade, na forma\u00e7\u00e3o\u2026 Se voc\u00eas est\u00e3o hoje, tendo uma oportunidade de ouvir minhas conversas de 62, 63, 64, 65\u2026 se isso interessa a voc\u00eas, imaginem para as novas\u2026 as novas gera\u00e7\u00f5es ouvir as hist\u00f3rias de dona fulana, de dona beltrana. Professor Luiz Rog\u00e9rio de Souza, no Conselho de Educa\u00e7\u00e3o, foi a maior li\u00e7\u00e3o que ele me deu na vida. Ele dizia que l\u00e1 em Barra tinha Dona Maria que sabia fazer renda de bi\u00f4s e era uma pessoa que tinha a capacidade de ensinar isso para outras pessoas. E ele queria\u00a0 que Dona Maria fosse para a escola da CENEC de Barreira, de Barra, para ensinar as novas gera\u00e7\u00f5es a fazer isso e o Conselho negou. O Conselho negou que Dona Maria pudesse dar aula no col\u00e9gio de Barra. E ele era conselheiro, se revoltou e n\u00f3s fizemos um discurso. Foi nesse dia, por exemplo, que eu acabei sendo diretor da CENEC com Luiz, com Luiz Rog\u00e9rio. Eu viajei com Luiz Rog\u00e9rio para Itiru\u00e7u, pra\u2026 pra Barra, por conta de fazer com que a educa\u00e7\u00e3o tivesse essa cor local. Eu acho que as tecnologias, Nelson, que voc\u00ea usa tem o sentido cada vez maior quando ela toma e assume\u2026 toma e assume \u00e9\u2026 a sua\u2026 configura\u00e7\u00e3o e os interesses da localidade. Isso aqui \u00e9 interesse de voc\u00eas. N\u00e3o \u00e9 interesse meu. Talvez como seu estudo, como estudo do Doutor Nelson Pretto, talvez sirva de alguma coisa. Mas eu acho que o fundamental \u00e9 as novas gera\u00e7\u00f5es precisam guardar alguma coisa de mem\u00f3ria. Pode depois dizer: esse Silvestre \u00e9 um chato de galocha. Falou quase tr\u00eas horas e n\u00e3o disse porra nenhuma. Mas\u2026 teve a oportunidade de falar. E isso pode ser bom.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Muito bem. Obrigada!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">[Palmas]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Revis\u00e3o final da transcri\u00e7\u00e3o de Gabriela Nogueira, aluna de Direito e monitora de EDC321 \u2013 Pol\u00eamicas Contempor\u00e2neas.<br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mem\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o na Bahia Gravado nos est\u00fadios do \u00c9duCANAL &#8211; Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; em 24\/04\/2012 Silvestre Ramos Teixeira Nelson Pretto (NP): Pode come\u00e7ar falando um pouquinho do seu comecinho de vida: nascimento, l\u00e1 fazenda&#8230; Silvestre Teixeira (ST): Fazenda Torneiro [risos]. Como \u00e9 que voc\u00eas descobriram isso, menino? NP: A gente futuca tudo.\u00a0\u00a0 ST: Fazenda Torneiro\u2026 Munic\u00edpio de Cora\u00e7\u00e3o de Maria. NP: \u00c9 perto de Feira, n\u00e9?\u00a0 ST: H\u00e1 oito quil\u00f4metros de Feira, por dentro. Pela estrada d\u00e1 quatorze. \u00c9 uma beleza! Lugar gostoso.\u00a0 NP: E voc\u00ea nasceu l\u00e1? ST: \u00c9. De fato eu n\u00e3o sei\u2026 Me contam que eu nasci por l\u00e1 aparado pelo minha av\u00f3 parteira Agripina, m\u00e3e\u2026 m\u00e3e do meu pai. Ali\u00e1s todos os cinco primeiros irm\u00e3os meus foram\u2026 o parto foi com a minha av\u00f3 Agripina. Todos vivos, todos bons, todos sadios, todos saud\u00e1veis. N\u00e9? Naquela \u00e9poca como era gostoso. Eu vim conhecer m\u00e9dico bem depois, quando eu quebrei meu bra\u00e7o. Eu quebrei o meu bra\u00e7o com seis anos, seis para sete anos. \u00c9\u2026 montado a cavalo, n\u00e9? Fui dar \u00e1gua ao cavalo no Rio Pojuca, sete anos. O grau de confian\u00e7a que os velhos tinham comigo, n\u00e9? A\u00ed eu desci, fui dar \u00e1gua ao cavalo. Tinha uma ladeira. Fui l\u00e1 no Rio Pojuca, ele bebeu \u00e1gua, etc. E eu na subida instiguei o cavalo, ele come\u00e7ou a querer correr, mas como era ladeira \u00edngreme, ele foi\u2026 Quando abriu a cancela, ele disparou e eu peguei uma galha de umbu, umbuzeiro, e ca\u00ed, quebrei o bra\u00e7o. Quebrei o bra\u00e7o e as coisas\u2026 n\u00e3o sei. Quando eu me vi, eu estava deitado com o bra\u00e7o em cima de uma telha. Era a \u00fanica coisa que podia ficar. E os meus pais chamando, chamando. Tinha um carro velho, Land Rover, da \u00e9poca da guerra. E foi com o Land Rover que a gente teve que sair correndo pra encanar o bra\u00e7o. Quem eu sou\u2026 rapaz, Silvestre, eu estava explicando para as meninas aqui, por que Silvestre? Meu pai, meus pais tinham o h\u00e1bito de dar o nome ao filho do santo do dia. Ent\u00e3o, dia trinta e um de dezembro \u00e9 dia de S\u00e3o Silvestre. Ent\u00e3o eu tenho irm\u00e3os que s\u00e3o Miguel, tenho irm\u00e3os que s\u00e3o Jos\u00e9, tenho irm\u00e3o que \u00e9 Eduardo, tenho irm\u00e3o que \u00e9 Ant\u00f4nio&#8230; Porque os santos dos dias eram estes. Ent\u00e3o era uma forma que os velhos l\u00e1 nas ro\u00e7as tinham para homenagear os santos e, quem sabe, buscar gra\u00e7as para os filhos. N\u00e9? Por isso a gente tinha essa nomea\u00e7\u00e3o: o santo do dia. \u00c9\u2026 a gente chama na religi\u00e3o: onom\u00e1stico, a data do onom\u00e1stico. A data do onom\u00e1stico \u00e9 a data do santo do dia. Ent\u00e3o, quando o anivers\u00e1rio \u00e9 no dia do onom\u00e1stico, h\u00e1 uma dupla festa. Isto \u00e9, \u00e9 o anivers\u00e1rio e a data do onom\u00e1stico. Isso dentro de um\u2026 Pois \u00e9, mas eu estava falando antes da queda do bra\u00e7o. E eu dizia que eu ca\u00ed e fui ter&#8230; fui levado pra encanar. Mas Feira de Santana ficava longe, embora sejam doze quil\u00f4metros, era complicado&#8230; Isso nos idos dos anos quarenta, era complicado chegar l\u00e1. O resultado \u00e9 que no meio do caminho eu tive que voltar e os meus pais, mais os compadres da vizinhan\u00e7a, tiveram que dar uma arrumada com a talisca de bambu. Arrumando por cima para que a gente ficasse o mais parado poss\u00edvel. Passei assim dois dias, at\u00e9 que uma irm\u00e3 minha, Dalva, gorduchinha, tinha&#8230; devia ter o qu\u00ea\u2026 uns quatro anos\u2026 Querendo saber como \u00e9 que eu estava e n\u00e3o sei o qu\u00ea\u2026 subiu na cama e sentou em cima do bra\u00e7o. E eu querendo tirar o bra\u00e7o, e ela era gordinha, era pesada&#8230; Resultado, saiu do lugar. A\u00ed n\u00e3o teve jeito. No dia seguinte eu estava no\u2026 em Catuissara, um lugarejo que pertencia ao munic\u00edpio de Santo Amaro e que era vizinho da Fazenda Torneiro. Era umas seis l\u00e9guas. A gente media muito mais por l\u00e9guas do que por quil\u00f4metros, naquela \u00e9poca. Ent\u00e3o fomos at\u00e9 Catuissara, que hoje se chama Teodoro Sampaio porque ali nasceu Teodoro Sampaio, no engenho chamado Bom Jardim, pegar o trem. Eu vim de trem pra Salvador, vim direto pro Hospital das Cl\u00ednicas aonde um conhecido amigo, n\u00e9?, me levou at\u00e9 Fernando Filgueiras, foi o primeiro m\u00e9dico que me cuidou. Fernando Filgueiras, ele cuidou, encanou, botou gesso, aquelas coisas todas\u2026 E eu ent\u00e3o pude\u2026 n\u00e3o voltei pra Salvador. Fiquei aqui em Salvador na casa de parentes, tios, etc. E no ano seguinte eu j\u00e1 estudei aqui. Mas antes eu quero me referir ao meu estudo l\u00e1 na Fazenda Torneiro. Eu fui aluno de uma escola multisseriada. Sabe o que \u00e9 isso? Pois \u00e9, a escola multisseriada da professora Edith. Edith era filha de um vizinho e compadre de meu pai. Da fazenda vizinha. E a professora Edith tinha essa escola multisseriada da prefeitura de Cora\u00e7\u00e3o de Maria. Ah, a escola era uma del\u00edcia, n\u00e9? N\u00f3s \u00e9ramos cinco irm\u00e3os, ali\u00e1s tr\u00eas irm\u00e3o nessa \u00e9poca. Tr\u00eas irm\u00e3os que frequent\u00e1vamos a escola e a gente tinha o banco do primeiro ano, o banco do segundo, o banco do terceiro, o banco do quarto e o banco do quinto. Naquela \u00e9poca tinha o quinto ano. E a\u00ed as aulas eram dadas pela professora Edith para cada um. E as disciplinas eram as mesmas: era matem\u00e1tica, era leitura, etc, etc. E havia uma troca, uma sinergia fant\u00e1stica dentro da sala de tal forma que, quem sabia menos, aprendia com quem sabia mais. Quando ela fazia perguntas ou ensinava a algu\u00e9m do segundo ano, n\u00f3s no primeiro j\u00e1 est\u00e1vamos captando aquela coisa. Quando ela dava aula para o segundo ano, quem estava no terceiro e quarto refor\u00e7ava aquilo que j\u00e1 tinha aprendido. Ou seja, era uma sinergia, uma for\u00e7a interessant\u00edssima. Eu n\u00e3o sei porque mataram as escolas multisseriadas&#8230; N\u00e3o que eu seja um defensor das coisas antigas, mas acho que essa, esse envolvimento, n\u00e9?, de v\u00e1rios n\u00edveis de idade em uma mesma sala trabalhando o mesmo conte\u00fado ou conte\u00fados diversos,<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":103,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"single.php","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-173","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transcricoes"],"featured_image_src":null,"featured_image_src_square":null,"author_info":{"display_name":"bsglinux2","author_link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/author\/bsglinux2\/"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":979,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173\/revisions\/979"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}