{"id":144,"date":"2020-10-06T15:19:17","date_gmt":"2020-10-06T15:19:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/memoriaeducacaobahia\/?page_id=144"},"modified":"2025-02-11T22:30:35","modified_gmt":"2025-02-12T01:30:35","slug":"leda-jesuino-transcricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/leda-jesuino-transcricao\/","title":{"rendered":"Leda Jesu\u00edno &#8211; transcri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>Mem\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o na Bahia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">Gravado nos est\u00fadios do \u00c9duCANAL \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, em 03 de Maio de 2011.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\">\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Leda Jesu\u00edno dos Santos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Leda Jesu\u00edno (LJ): Meu nome \u00e9 Leda Jesu\u00edno dos Santos, sou mais conhecida como Leda Jesu\u00edno, nasci em Salvador, aqui na Bahia, e num bairro muito interessante, um bairro muito t\u00edpico que \u00e9 o Rio Vermelho. Que at\u00e9 hoje \u00e9 um barro assim, muito badalado, n\u00e9? Um bairro muito comentado, por todo um n\u00edvel cultural muito bom, onde morou Jorge Amado e etc. E vivi um pouco l\u00e1. Vivi num morro, porque o Rio Vermelho \u00e9 cheio de morros, e eu nasci em um daqueles morros, que \u00e9 o morro de S\u00e3o Gon\u00e7alo, que n\u00e3o \u00e9 muito conhecido, mas, \u00e9 um dos belos morros de Salvador. Nasci, l\u00e1 num s\u00edtio imenso, vivi toda a minha inf\u00e2ncia com a natureza, muito com a natureza. Era filha \u00fanica, n\u00e3o tinha absolutamente vizinhos, porque no topo do morro n\u00e3o havia muitas casas ent\u00e3o eu vivi a minha primeira inf\u00e2ncia muito s\u00f3, com a natureza, com as \u00e1rvores, com a terra, com animais, n\u00e9? Porque havia animais tamb\u00e9m. E aprendi a n\u00e3o me sentir solit\u00e1ria, porque aquela vibra\u00e7\u00e3o imensa, aquela for\u00e7a da natureza, da terra, dos frutos lindos, eu tinha tudo, at\u00e9 macieira tinha, frutas raras, mas como meu pai cultivava muito, ent\u00e3o havia at\u00e9 a parreira. Muitas e muitas vezes me lembro de ter chegado \u00e0 janela e ter estendido a m\u00e3o e poder colher um cacho de uva. Isso n\u00e3o \u00e9 muito comum, n\u00e3o \u00e9? E com animais aprendi a conviv\u00eancia, de um cachorrinho, que foi meu companheiro de toda inf\u00e2ncia porque n\u00e3o tinha praticamente com quem brincar. Mas, fui educada no antigo Gin\u00e1sio Americano, que hoje \u00e9 o Col\u00e9gio Dois de Julho, que integra hoje a funda\u00e7\u00e3o Dois de Julho, que tem uma Universidade. Ent\u00e3o eu fui educada neste col\u00e9gio. E, muito espec\u00edfico dizer da minha vida\u2026 quer dizer, a t\u00f4nica, a linha, o eixo da minha vida \u00e9 o pioneirismo, interessante, n\u00e3o porque minha fam\u00edlia buscasse isso mas, porque foi um acontecimento que ocorreu e continuou ocorrendo durante minha vida toda. Voc\u00eas v\u00e3o ver. Ent\u00e3o, naquele momento as jovens, as crian\u00e7as, eram educadas nos col\u00e9gios de freiras. Sacramentina, Merc\u00eas, S\u00e3o Jos\u00e9 eram os grandes col\u00e9gios, col\u00e9gios famosos, que apresentavam\u2026 naquele tempo n\u00e3o havia projetos pedag\u00f3gicos, mas, havia uma\u2026 digamos assim, um consenso na sociedade, n\u00e9? De que seriam os melhores col\u00e9gios mas, minha m\u00e3e n\u00e3o me colocou, porque minha m\u00e3e era meio agn\u00f3stica, ent\u00e3o, ela dizia que jamais ia me colocar num col\u00e9gio de freira, porque ela foi das Merc\u00eas e n\u00e3o aprovou, ela n\u00e3o aceitou a maneira como ela foi educada e muita discrimina\u00e7\u00e3o das meninas ricas, das meninas pobres, discrimina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m naquela \u00e9poca um pouco racial, muito menos, mas havia. Ent\u00e3o l\u00e1 fui eu para o Col\u00e9gio Americano, e l\u00e1 encontrei dois maravilhosos educadores o casal Baker, Ms. Baker e Randy Baker. Eram mission\u00e1rios, moravam dentro do col\u00e9gio, na estrutura do col\u00e9gio e simplesmente num quarto amplo com uma salinha e o sanit\u00e1rio, s\u00f3. Moravam l\u00e1. Ent\u00e3o, eles viviam no col\u00e9gio e como eles viviam no col\u00e9gio eles participavam muitos da vida dos estudantes e podiam educar melhor, evidentemente que a transmiss\u00e3o dos valores era muito mais direita muito mais forte. Ent\u00e3o, eu considero isso um privil\u00e9gio que a vida me deu, n\u00e3o foi m\u00e9rito meu. Ent\u00e3o, l\u00e1 fui educada e passei nove anos l\u00e1. Naquela \u00e9poca, voc\u00eas sabem, que o sistema, voc\u00eas s\u00e3o estudantes de pedagogia, eram quatro anos chamados prim\u00e1rios, com cinco anos chamados ginasiais, que hoje seriam os nove anos da lei atual do fundamental. Passei l\u00e1 todo esse tempo, durante todo esse per\u00edodo, eu consegui, de certa maneira, aprender algo muito importante, que foi a necessidade de conviver com alunos, com outras crian\u00e7as que eram os alunos, que vinham do interior, para l\u00e1, para estudar no col\u00e9gio\u2026 no Gin\u00e1sio Americano, isso foi muito importante para mim, porque eu comecei a sentir as diferen\u00e7as e tamb\u00e9m a aceitar aquilo como natural, porque eles tinham h\u00e1bitos um pouco diferentes e l\u00e1 eu passei os 9 anos. Bem&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nelson Preto (NP): A Senhora falou das escolas particulares, como era o ensino p\u00fablico nessa \u00e9poca? Por que a op\u00e7\u00e3o pela escola particular?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: A op\u00e7\u00e3o pela escola particular, pelo menos, eu t\u00f4 falando como eu via naquela \u00e9poca, n\u00e3o como eu vejo hoje, naquela \u00e9poca eu s\u00f3 ouvia falar em escolas particulares, honestamente, n\u00e3o ouvia falar em escolas p\u00fablicas. E no bairro do Rio Vermelho por exemplo, eu n\u00e3o me lembro, e passeava muito por ali, eu n\u00e3o me lembro de ter passado por uma escola p\u00fablica ali, n\u00e3o me recordo, sinceramente n\u00e3o me recordo. Entendeu?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Onde ficava a escola Americana?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Garcia, no Garcia. Tamb\u00e9m, ainda hoje, porque ali \u00e9 solar, um solar tombado, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o era naquele solar que funcionava realmente, depois evidentemente, com o crescimento foram constru\u00eddos pavilh\u00f5es circundando o Solar Conde dos Arcos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Que \u00e9 hoje o col\u00e9gio Dois de Julho<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Que \u00e9 hoje o Col\u00e9gio Dois de Julho, exatamente. E funciona l\u00e1 a Faculdade dois de Julho e \u00e9 uma Funda\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma funda\u00e7\u00e3o e na \u00e9poca era Gin\u00e1sio Americano e outra coisa important\u00edssima, era o \u00fanico col\u00e9gio de coeduca\u00e7\u00e3o, meninos e meninas, n\u00e3o havia outro. E minha m\u00e3e, e minha fam\u00edlia foi sumamente criticada por isso, e eu sofri muitas cr\u00edticas tamb\u00e9m, porque estudava num col\u00e9gio misto, chamado. Um col\u00e9gio misto. Porque naquela \u00e9poca o Vieira, o Marista, o Salesiano, os grandes col\u00e9gios n\u00e3o havia coeduca\u00e7\u00e3o, era s\u00f3 de meninos e meninas e era assim algo muito inusitado, muito diferenciado colocar uma menina num col\u00e9gio misto, com meninos, foi muito importante para mim. Muito importante. N\u00e3o s\u00f3 essa conviv\u00eancia como eu estava falando, com alunos, crian\u00e7as, jovens do interior como tamb\u00e9m de outro sexo, isso foi fant\u00e1stico na minha vida, porque aprendi a trabalhar com o sexo masculino sem problemas, eu fui uma professora que viajei muito por causa dos projetos que a Universidade me entregou, Projeto do Col\u00e9gio Universit\u00e1rio viajei o Brasil muito, o pr\u00f3prio Premem, o PROTAP e v\u00e1rios, e viajei com grandes professores, com muitos professores: Celso Spinola, Felipe Serpa, muitos outros, Navarro de Brito\u2026 e nunca, de modo algum tive o menor constrangimento em estar com eles, viajar com eles, almo\u00e7ar com eles, discutir com eles, trabalhar com eles, na maior tranquilidade. E agora s\u00f3 para brincar, me perguntaram: \u201cVoc\u00ea nunca recebeu uma cantada de ningu\u00e9m?\u201d N\u00e3o, nunca recebi, acho que eu n\u00e3o era muito bonita. Acho. Mas \u00e9, realmente n\u00e3o. Foi maravilhoso, acho que eu aprendi a trabalhar com o sexo oposto. Entendeu? Aprendi. Isso \u00e9 um aprendizado&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E muitos namoros naquela \u00e9poca, no Col\u00e9gio Americano?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Ah sim. Namoros, mas, jamais foram punidos os namorados com castigos absurdos. Uma repreens\u00e3ozinha, n\u00e3o \u00e9 bom ficar aqui com a m\u00e3ozinha&#8230;, porque naquele tempo o namoro era outra coisa, tinha outra conota\u00e7\u00e3o, outro comportamento, n\u00e9? O namoro hoje tem um comportamento, n\u00e9? Naquele tempo era diferente. Mas, jamais puni\u00e7\u00f5es. Eles vieram com uma outra mentalidade, flexibilidade, compreens\u00e3o, capacidade de entender melhor porque eles vinham de uma sociedade americana nos Estados Unidos muito mais aberta do que a nossa, isso n\u00e3o tenha a menor d\u00favida, porque realmente os col\u00e9gios cat\u00f3licos, n\u00e3o tenho nada contra, ao contr\u00e1rio, respeito profundamente todas as religi\u00f5es embora n\u00e3o professe nenhuma. Eu n\u00e3o processo nenhuma religi\u00e3o. Eu sou espiritualista, monista, acredito nas teses espiritualistas, em algumas teses espiritualistas, mas, n\u00e3o professo nenhuma religi\u00e3o. Embora ache os rituais lindos e acho muito importante, compreendo a import\u00e2ncia das religi\u00f5es na sociedade, l\u00f3gico e evidente, mas voltando, os namoros eram compreendidos, muito compreendidos. E por falar em namoro, eu fiquei, quando terminei o curso ginasial, havia formatura como hoje h\u00e1 na gradua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9? Havia tamb\u00e9m uma formatura, e n\u00e3o era s\u00f3 o Americano, todos os col\u00e9gios, faziam festas e bailes e convidavam a fam\u00edlia, era uma solenidade bastante formal. Bastante formal. Bem, e ap\u00f3s o t\u00e9rmino do meu curso ginasial, minha fam\u00edlia precisou mudar-se para Recife. E eu, claro, passei l\u00e1 2 ou 3 anos, 2 anos e tanto, quase 3 anos l\u00e1. Isso foi em 39 eu terminei, e depois eu passei esses anos, o in\u00edcio da d\u00e9cada de 40 mais ou menos, eu passei em Recife. Isso foi outra experi\u00eancia fant\u00e1stica da minha vida, porque meu padrasto ele era uma pessoa que tinha muitos contatos, uma pessoa do mundo empresarial, do mundo comercial. E n\u00e3o quis, minha m\u00e3e n\u00e3o quis estabelecer uma resid\u00eancia fixa l\u00e1 porque sabia que era por pouco tempo, voltaria, ficamos em um hotel. E ficamos em um hotel maravilhoso, um grande hotel, muito bom. Que naquela \u00e9poca, podia se igualar ao Pestana daqui. E l\u00e1 eu conheci pessoas maravilhosas. E aprendi muito, como informalmente se aprende, muitas vezes muito mais do que na esfera formal. Eu conheci Stefan Zweig, o grande Stefan, n\u00e3o sei se voc\u00eas j\u00e1 ouviram falar. Conversei muito com Dr. Stefan, era uma garota, eu tinha 16 anos. 15 para 16 anos. Como ele me ensinou! Quando eu tive a not\u00edcia do suic\u00eddio dele, pra mim foi algo estarrecedor naquela \u00e9poca. Eu ainda tenho o autografo dele. Stefan Zweig.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Conheci homens que haviam conhecido muito o Egito, falando de todas aquelas experi\u00eancias das m\u00famias, das cavernas do Egito. Um deles participou de uma grande expedi\u00e7\u00e3o, daquelas cientificas, n\u00e9? Que iam ver as m\u00famias etc. E Pessoas interessant\u00edssimas. Conheci uma pessoa que tinha um conhecimento profundo de Dante, e recitava Dante em Italiano entre v\u00e1rias nacionalidades. Ent\u00e3o foi uma aprendizagem muito informal, mas muito positiva. Muito positiva. Mas eu l\u00e1 estudava, tomei um curso de portugu\u00eas com um grande professor. Naquela \u00e9poca taquigrafia, eu fiquei interessada em taquigrafia. Fiz cursos avulsos. Agora, por que isso? Porque eu queria fazer direito. Queria muito fazer direito. Queria ser uma advogada. Achava interessante, naquela \u00e9poca, n\u00e3o sei se voc\u00eas t\u00eam ideia disso, os j\u00faris eram filmados e depois eram apresentados pela r\u00e1dio, e eu gostava de assistir as defesas. Tinha uma grande advogada, que \u00e9 Elzira Brito, foi umas das primeiras mulheres criminalistas de direito penal. Ela fazia cada defesa&#8230; Eu achava deslumbrante aquilo. Poder defender uma pessoa, poder mostrar por que a pessoas cometeu um crime, quais foram \u00e0s raz\u00f5es psicol\u00f3gicas. sociais que a levaram \u00e0quele ato. Eu ficava deslumbrada. Queria fazer direito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas acontece que quando minha m\u00e3e se mudou, minha fam\u00edlia se mudou para Recife, eu perdi o pr\u00e9-jur\u00eddico. Voc\u00eas n\u00e3o sabem o que \u00e9 pr\u00e9-jur\u00eddico, garanto que n\u00e3o sabem. Quando o estudante terminava o curso ginasial e \u201cdefinia-se\u201d, entre aspas, n\u00e9? Porque era uma defini\u00e7\u00e3o meio instintiva, digamos assim. N\u00e3o tinha muito fundamenta\u00e7\u00e3o muitas vezes. Ele queria ser m\u00e9dico, ele tinha que fazer o pr\u00e9 m\u00e9dico, se era a \u00e1rea advocacia, por que n\u00e3o tinha ainda o curso de Ci\u00eancias Sociais. Olha, o mundo\u2026 eu t\u00f4 falando de um mundo que eu acho que voc\u00eas nem vislumbram, porque eu t\u00f4 falando, voc\u00eas acreditam em mim, mas visualizar esse mundo \u00e9 dif\u00edcil para voc\u00eas. Eu andei de bonde a vida toda. Meus filhos, meus netos n\u00e3o sabem o que \u00e9 um bonde. S\u00f3 porque eu mostrei, eu fui e mostrei aquele bonde que tem l\u00e1\u2026 que tinha l\u00e1 no Parque da Cidade. \u201cBonde? Marinete? O que \u00e9 marinete?\u201d Era o \u00f4nibus daquela \u00e9poca, uma lata velha horrorosa andando de uma maneira, mais absurda poss\u00edvel. Tava l\u00e1. Coisas assim que meus filhos&#8230; \u201cBonde?\u201d \u201c\u00c9. E o bonde era n\u00famero 2, n\u00famero 3\u201d, eu ainda sei que 2 era Barra, que 3 era Barris, n\u00e3o sei o qu\u00ea. Muito interessante. \u00c9 um mundo que voc\u00eas n\u00e3o podem visualizar muito. Mas eu falava a respeito de\u2026 do que eu tava falando? Do pr\u00e9-jur\u00eddico! E eu perdi a inscri\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-jur\u00eddico. E a\u00ed eu fiquei muito triste. Fiquei triste, eu queria&#8230;, mas, como era muito divertido viver em um hotel daqueles, com muita gente interessante ent\u00e3o aquilo n\u00e3o me traumatizou tanto. Mas eu tive oportunidade de conhecer pessoas que me ajudaram muito a me definir por filosofia. Por causas das reflex\u00f5es constantes, dos assuntos que eram acima talvez da minha&#8230; \u00e9 por que naquela \u00e9poca quando se tinha&#8230; hoje eu vejo minhas netas meus filhos com 15 \/16 anos t\u00eam certa maturidade, que antes n\u00e3o se tinha essa maturidade. Ent\u00e3o eu n\u00e3o fiz o pr\u00e9-jur\u00eddico, portanto perdi, e foi digamos assim, como eu diria? Ali era algo que me ajudou, uma massa que me ajudou a me formatar. Digamos assim, me ajudou a certas defini\u00e7\u00f5es. E uma delas foi de filosofia. Uma delas foi de filosofia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Rafaela Lima: Professora Leda, ent\u00e3o pelo que a senhora estava nos dizendo a senhora queria fazer direito, perdeu o pr\u00e9-jur\u00eddico ent\u00e3o veio filosofia. A op\u00e7\u00e3o por filosofia foi uma segunda op\u00e7\u00e3o, ou foi uma escolha de vida?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Ah minha filha, foi uma terceira op\u00e7\u00e3o, voc\u00ea vai ver. Foi uma terceira op\u00e7\u00e3o. Porque quando eu voltei de Recife eu me interessei muito pela carreira diplom\u00e1tica, muito. E com a Olivinia Machado, que era tamb\u00e9m uma aluna brilhante. Uma menina muito brilhante. N\u00f3s entabulamos um projetinho pra que n\u00f3s dever\u00edamos ir para o Itamaraty no Rio. Para poder fazer a prova pra passar para a carreira diplom\u00e1tica. E quando n\u00f3s est\u00e1vamos projetando tudo isso, e est\u00e1vamos vendo a bibliografia pra come\u00e7armos a nos preparar, a\u00ed veio um decreto de Get\u00falio Vargas. Proibindo a entrada de mulheres na diplomacia. Foi um choque brutal. Foi mesmo um grande choque<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas quando eu estava assim, ainda meio traumatizada e indecisa, a\u00ed eu recebi um comunicado de uma pessoa de uma fam\u00edlia amiga, que Dr. Isa\u00edas Alves queria falar comigo, eu n\u00e3o era uma pessoa importante de jeito nenhum. Era uma pessoa garota como outra qualquer. Por que que Dr. Isa\u00edas Alves queria falar comigo? Bom, eu acho que era porque naquela \u00e9poca eu j\u00e1 escrevia um pouco, eu n\u00e3o sou uma escritora, eu gostaria de ser, se eu pudesse optar, se fosse assim uma coisa, eu diria que queria ser uma escritora. Pra mim tava bom. Eu n\u00e3o sou, eu escrevo. Eu digo que eu escrevinho. Mas eu j\u00e1 escrevia em jornais na Bahia, j\u00e1 escrevia, cr\u00f4nicas\u2026 E acho que Dr. Isa\u00edas gostou por qualquer motivo, e mandou me chamar, ele queria fundar a Faculdade de Filosofia, era um projeto muito audacioso, mas muito, por v\u00e1rios motivos, n\u00e3o s\u00f3 por um problema econ\u00f4mico, claro, precisaria de toda uma estrutura econ\u00f4mica pra poder iniciar um trabalho dessa natureza, mas porque havia muita resist\u00eancia, sobretudo dos professores da Faculdade de Direito&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Ele estava nessa \u00e9poca na Faculdade de Direito?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Dr. Isa\u00edas, n\u00e3o. Nunca foi da Faculdade de Direito, nunca foi. Mas ele sofreu resist\u00eancias da\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Que ano?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: 40 mais ou menos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: 40, ainda n\u00e3o t\u00ednhamos a Universidade Federal da Bahia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Nem sombra, nem sombra. N\u00e3o t\u00ednhamos. E ele foi um homem que tamb\u00e9m exerceu muita influ\u00eancia sobre mim, porque era muita persist\u00eancia, muita perseveran\u00e7a, muita for\u00e7a. N\u00e3o era um grande orador, ele falava bem, escrevia bem, mas n\u00e3o era arrebatador, ele n\u00e3o tinha o dom da orat\u00f3ria, n\u00e9? A lideran\u00e7a dele vinha da for\u00e7a de argumenta\u00e7\u00e3o dele, coloquial, muito mais coloquial, entendeu? E a vontade, a firme vontade evidentemente de formar professores. Por qu\u00ea? Meus professores quem eram? M\u00e9dicos, advogados, engenheiros\u2026 eram esses os professores. E vou lhe dizer, grandes professores. Mas grandes professores. Por exemplo, um professor como Tobias Neto, que era professor de qu\u00edmica, Dr. Armando era professor de biologia, Elevaldo Chaves de Oliveira de f\u00edsica e in\u00fameros outros professores, muitos bons, excelentes professores. Matem\u00e1tica, Ten\u00f3rio de Albuquerque, Moura Bastos, era uma infinidade que poderia citar, nem \u00e9 bom citar, porque talvez v\u00e1 omitir alguns que s\u00e3o t\u00e3o importantes, professor Hil\u00e1rio de geografia, esses professores me ajudaram muito. Acontece, por\u00e9m, que Dr. Isa\u00edas estava muito imbu\u00eddo do clima de S\u00e3o Paulo no sentindo da necessidade que se estava sentindo de formar professores. E a\u00ed. o modelo de S\u00e3o Paulo influenciou muito o projeto de Dr. Isa\u00edas. E ele teve um apoio muito importante para forma\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 hist\u00f3rico, muito importante para a forma\u00e7\u00e3o da Faculdade, para institucionalizar a Faculdade de Filosofia. Apoio de intelectuais de muito bom n\u00edvel, Thales de Azevedo, Professor \u201cLotti\u201d, os Bakers os meus diretores na literatura inglesa, na l\u00edngua inglesa, de literatura Inglesa, \u201cFanderhagen\u201d na \u00e1rea da l\u00edngua francesa e muitos outros, n\u00e9? O pr\u00f3prio Carneiro Ribeiro, professores deste porte, desse teor, intelectuais. Mas acontece que esses intelectuais deram o apoio, por\u00e9m, sofriam muitas cr\u00edticas. Por que as cr\u00edticas? Porque os intelectuais da \u00e9poca achavam que disciplinas como antropologia, como estat\u00edstica aplicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, como\u2026 outra tamb\u00e9m muito criticada, n\u00e3o me lembro agora\u2026 eles n\u00e3o eram professores, eles n\u00e3o tinham forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, n\u00e3o tinham titula\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, evidentemente que os intelectuais da \u00e9poca, os acad\u00eamicos da \u00e9poca, achavam que Dr. Isa\u00edas ia entrar numa aventura intelectual, que n\u00e3o sabia se iria dar certo ou n\u00e3o e, no entanto Dr. Thales se transformou num antrop\u00f3logo, num homem com estudos, com pesquisas. E como eu cito ele, mas toda uma corte atr\u00e1s dele, professor Vanderlei de Pinho, Jorge Calmon. Jorge Calmon foi ensinar hist\u00f3ria. Mas aqueles homens tiveram uma coragem fant\u00e1stica, porque eles n\u00e3o eram professores, n\u00e3o. N\u00e3o eram professores, e se engajaram num projeto grandioso porque era mais uma unidade. N\u00e3o era uma universidade, era um complexo de unidades de ensino superior, \u00e9 diferente, n\u00e3o havia universidade. Por exemplo, Tupi, a l\u00edngua Tupi, porque era do curr\u00edculo \u2013 Consuelo foi aluna de Edelvais, que foi um grande professor, etn\u00f3logo com trabalhos publicados e reconhecidos em todo o mundo cient\u00edfico, na \u00e1rea, n\u00e9? E Consuelo foi aprender Tupi, para depois ela pr\u00f3pria ensinar, Consuelo Pond\u00e9 de Sena , diretora do Instituto Hist\u00f3rico. N\u00e3o sei se estou me alongando demais\u2026 Porque \u00e9 tanta coisa\u2026 Olha, Edvaldo me disse o seguinte &#8211; \u201c\u00c9 muita coisa, Leda\u201d Bom, eu vou falando, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: \u00c9 muita coisa porque voc\u00ea tem muita coisa pra contar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu vivi muita coisa\u2026 n\u00e3o, \u00e9 porque eu sou velha, eu tenho 86 anos, professor Nelson, \u00e9 muita vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Mas a gente quer ouvir.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: \u00c9, t\u00e1 bem. Se est\u00e1 interessando, vamos l\u00e1. Tenho toda a boa vontade. Eu estou preocupada em mostrar aos jovens aquela \u00e9poca, n\u00e9? A educa\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca, \u00e9 mais importante do que a minha vida. Mas vamos entrar pela minha vida tamb\u00e9m. Ent\u00e3o a Faculdade de Filosofia\u2026 agora come\u00e7a o pioneirismo: fui a primeira aluna da Faculdade de Filosofia, da primeira turma. Escolhi filosofia, respondendo \u00e0 sua pergunta, falhou a diplomacia, n\u00e9? Falhou o direito. Eu achei que a filosofia iria responder os meus anseios e me matriculei em filosofia. Eram oitenta estudantes para o vestibular, voc\u00ea veja que diferen\u00e7a de hoje, oitenta s\u00f3. Mas desses oitenta, a coisa foi muito s\u00e9ria, s\u00f3 passaram quarenta, metade foi cortada. Esse ano era o ano de quarenta e tr\u00eas, quarenta e quatro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Se a senhora puder depois falar um pouquinho sobre como era o vestibular&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Ah sim. Ahhh como era o vestibular\u2026 Oral, Exame Oral, banca com tr\u00eas examinadores, quem me examinou em latim foram tr\u00eas examinadores, sendo um latinista que era o professor Macedo. Latinista. Eu me preparei para este vestibular, claro que eu me preparei bastante, preparei&#8230; mas n\u00e3o fui muito esperan\u00e7osa porque eu havia sa\u00eddo do curso ginasial como eu disse a voc\u00eas, sem muita experi\u00eancia digamos assim, escolar de estar ali estudando, fazendo deveres. N\u00e3o estava. Ent\u00e3o eu me lancei. E os livros, pouqu\u00edssimos livros. Olha, pouqu\u00edssimos livros\u2026 Eu e os outros que fizeram filosofia s\u00f3 t\u00ednhamos um curso de filosofia do \u201cGuinen\u201d que desapareceu esse livro, eu n\u00e3o achei mais esse livro, tiraram da minha biblioteca, e eu n\u00e3o achei mais. E Est\u00e9van Cruz, que eram os dois livros, n\u00e3o tinha mais, professor Nelson. N\u00e3o tinha, n\u00e3o havia mais. Ent\u00e3o, evidentemente que o vestibular constava, voltando, da prova oral como eu disse para voc\u00ea, com tr\u00eas examinadores e a prova escrita com cem a cento e vinte perguntas, mas as perguntas como antigamente que voc\u00ea tinha de respond\u00ea-las n\u00e3o como agora, n\u00e3o provas objetivas, voc\u00ea tinha que responder e responder muito bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Washington: Ent\u00e3o durava bastante, n\u00e9? Se \u00e9 assim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Leda: Durava. Ah sim, mais de oito dias. Bem mais de oito dias. Cada dia voc\u00ea fazia uma prova escrita e a oral correspondente, entendeu? \u00c9&#8230; exatamente isso. Mas vinham pessoas do Rio, Afr\u00e2nio Coutinho, veio para examinar. Havia um professor, n\u00e3o sei se professor Nelson deve ter ouvido falar, o professor Pedro Tavares da Polit\u00e9cnica, que foi quem me examinou em matem\u00e1tica \u2013 o programa era o mesmo do vestibular de engenharia. Por que isso? Porque Dr. Isa\u00edas tinha uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande, mas muito grande. E isso ele me confessava, porque ele costumava chamar os alunos, naquele tempo havia essa possibilidade, no seu gabinete pra conversar e ele dizia: \u201cSe voc\u00eas fracassarem, eu estou fracassado. Se voc\u00eas da primeira turma fracassarem, eu estou fracassado!\u201d. Era uma responsabilidade muito grande. E da minha turma s\u00f3 havia eu, Maria Luiza Varginho que faleceu agora, e outra mo\u00e7a que faleceu durante o curso \u2013 Marita Ris\u00e9rio, tr\u00eas alunos s\u00f3, os alunos eram poucos. A turma maior era de Geografia e Hist\u00f3ria. Era a turma maior. Mas em geral eram poucos alunos. Porque s\u00f3 eram quarenta distribu\u00eddos\u2026 voc\u00eas sabem qual eram as \u00e1reas? Filosofia, matem\u00e1tica, f\u00edsica, qu\u00edmica, biologia, n\u00e3o era ci\u00eancias sociais, era sociologia e as l\u00ednguas&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Tudo isso formava a faculdade de filosofia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: &#8230; e pedagogia, que formavam a Faculdade de Filosofia. Pedagogia j\u00e1 tinha como curso. Pedagogia como curso. Uma grande professora que faleceu h\u00e1 pouco tempo, Alice Costa, foi dessa turma \u2013 uma grande psic\u00f3loga. E a Faculdade de Filosofia funcionava onde? Funcionava ali em Nazar\u00e9 onde hoje \u00e9 o Minist\u00e9rio P\u00fablico, num casar\u00e3o. E Dr. Isa\u00edas era irm\u00e3o do Landufo Alves que era o governador, ele era Isa\u00edas Alves, o governador era Landufo Alves, eram irm\u00e3os. E conseguiu. Isso ele conseguiu apoio, apoio pol\u00edtico. A vontade pol\u00edtica de ajud\u00e1-lo e isso foi importante por causa da estrutura f\u00edsica, ele precisava da estrutura f\u00edsica. E muitos amigos o ajudaram, ele teve uma influ\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 do irm\u00e3o, mas dele pr\u00f3prio tamb\u00e9m. Porque Dr. Isa\u00edas, ele e An\u00edsio Teixeira eram dois focos educacionais do momento, sendo que Dr. An\u00edsio tinha mais brilhantismo e tinha mais, digamos assim&#8230; o espa\u00e7o de An\u00edsio Teixeira era mais nacional, e o de Isa\u00edas era mais local. E tamb\u00e9m. Eu acho, eram muito diferentes, eram bem diferentes. Eles tiveram suas desaven\u00e7as assim. De qualquer maneira, para o mundo intelectual eram rivais. Porque Dr. Isa\u00edas, eu posso dizer, era de direita e An\u00edsio Teixeira era de esquerda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Dr. Isaias, ele era simpatizante, como Thales de Azevedo e outros, posso dizer isso porque \u00e9 uma coisa not\u00f3ria, eles eram integralistas. Agora, eu n\u00e3o notei com toda sinceridade com toda isen\u00e7\u00e3o de \u00e2nimos, nunca notei nenhuma atitude comportamental do Isa\u00edas, do Thales ou de qualquer um desses, autoritarismo. Ou um comportamento autorit\u00e1rio. Atitudes autorit\u00e1rias. Sempre n\u00f3s fomos tratados com muita democracia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">E havia no curso de ci\u00eancias sociais meus amigos pessoais, porque eu tamb\u00e9m fui de esquerda naquela \u00e9poca, todo jovem \u00e9 um pouquinho de esquerda, n\u00e9? No momento, quer mudar o mundo. \u00c9 preciso mudar o mundo\u2026 E a\u00ed eu fui muito do grupo de M\u00e1rio Alves que morreu assassinado, de Jo\u00e3o Batista Lima e Silva, de Raimundo Shaune, Levita todos estes comunistas, todos eles do Partido Comunista. E eu tamb\u00e9m fui influenciada porque era um caldeir\u00e3o de ideias, eram jovens que queriam discutir, refletir, a atitude filos\u00f3fica realmente dominava. Aquela atitude de questionar, de querer encontrar solu\u00e7\u00f5es \u2013 para o que n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o mesmo {risos}, mas procura-se, busca-se. A busca, porque eu sempre digo &#8211; \u201cA verdade \u00e9 mais a busca do que o encontro\u201d. Ali\u00e1s, estava at\u00e9 escrito at\u00e9 no meu gabinete quando eu era diretora \u201cA verdade \u00e9 mais a busca do que o encontro\u201d. E havia a busca. Isso era muito interessante, ent\u00e3o havia confer\u00eancias, muitas confer\u00eancias, Dr. Isa\u00edas trazia psic\u00f3logos, o \u201cBeravek\u201d veio e n\u00f3s discut\u00edamos, o Thales de Azevedo fazia semin\u00e1rio de antropologia e n\u00f3s discut\u00edamos, enfim, era assim, um caldeir\u00e3o bastante interessante de se estar dentro dele, de vivenci\u00e1-lo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Nesse caldeir\u00e3o, a senhora chegou a acompanhar algum confronto p\u00fablico entre Isa\u00edas e An\u00edsio Teixeira?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: N\u00e3o, eu vou lhe contar o que houve. Eu vou lhe contar o que eu presenciei. Dr Isa\u00edas j\u00e1 doente, e eu j\u00e1 formada, dr. Isa\u00edas doente, porque ele adoeceu bastante. An\u00edsio Teixeira veio aqui para participar de uma grande feira de livros no Campo Grande, antigamente havia isso, n\u00e9? Dr. Isa\u00edas me chamou. Porque a defer\u00eancia comigo, era porque eu fui \u00e0 primeira aluna, aquela pessoa que foi aos jornais e tem v\u00e1rias entrevistas minhas, eu ainda garota mostrando a Faculdade de Filosofia&#8230; e ele claro, se entusiasmou. Ent\u00e3o ele me chamou  \u201cLeda eu vou lhe pedir um favor\u201d \u201cPois n\u00e3o dr. Isa\u00edas\u201d \u201cLeve este livro, entregue a An\u00edsio Teixeira\u201d \u201cAn\u00edsio Teixeira, Dr. Isaias?\u201d \u201c\u00c9, minha filha. Entregue a An\u00edsio Teixeira. Diga que fui eu que o enviei.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Eu tremi nas bases n\u00e3o sabia como \u00e9 que Dr. An\u00edsio ia receber, mas, fui entreguei a Dr. An\u00edsio. Ele disse \u201cComo \u00e9 seu nome minha filha?\u201d Eu era muito jovem\u2026 Meu nome, \u201c\u2026 amiga do Dr. Isa\u00edas, eu sou aluna&#8230;\u201d \u201cT\u00e1 bem, diga a ele que eu agrade\u00e7o.\u201d Foi o que eu assisti.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E a senhora lembra o nome do livro?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">{Risos}<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu estava louca pra me lembrar. \u00d4, Nelson. Me perdoe, antes de vir pra aqui eu pensei e n\u00e3o me lembro. N\u00e3o me lembrei, mas do livro, h\u00e1 pouco tempo eu sabia esse livro at\u00e9 citei isso para Edvaldo, mas eu n\u00e3o me lembrei. Me perdoe. Mas foi muito bom. Naquela \u00e9poca ele estudava russo, ele j\u00e1 sabendo que a vida dele ia ser curta, mas ele queria morrer aprendendo, foi aprender russo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Rafaela: Professora, Leda. A senhora fez filosofia e fez um segundo curso que foi o curso de servi\u00e7o social. N\u00f3s gostar\u00edamos de saber qual foi essa sensa\u00e7\u00e3o; primeiro, de adentrar em um segundo curso com uma outra maturidade, numa outra \u00e9poca tamb\u00e9m. Apesar de que a senhora ainda era muito nova. E todos esses dois cursos foram feitos na UFBA. Ent\u00e3o eu queria que a senhora comentasse um pouquinho sobre o curso de Servi\u00e7o Social, sua experi\u00eancia\u2026<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Certo, querida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Rafaela: &#8230; J\u00e1 num curso mais feminino, n\u00e9? A senhora foi a primeira de Filosofia. \u00c9 diferente de estar em Servi\u00e7o Social. Mas a gente queria saber qual o seu ponto de vista naquela \u00e9poca e hoje. e o que a filosofia contribuiu, se n\u00e3o contribuiu&#8230; como era a UFBA em si naquela \u00e9poca em todos os aspectos pol\u00edticos, infraestrutura?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Tem v\u00e1rias perguntas incrustadas na sua, n\u00e9? V\u00e1rias. {risos} eu vou responder aos pouquinhos, t\u00e1 bom? Olhe, a UFBA naquela \u00e9poca n\u00e3o existia, era um complexo de unidades de ensino superior isso \u00e9 uma pergunta. Nesse complexo qual era o clima filos\u00f3fico que predominava? Bom, predominava o que sempre predominou direita e esquerda, e predominava a vontade f\u00e9rrea, do grande Edgar Santos, isso era o que predominava, isso era o que a gente sentia. Era clima de um homem liderando uma orquestra com for\u00e7a, com justi\u00e7as, e com injusti\u00e7as. Com for\u00e7a, com muita for\u00e7a. Um homem que sabia exatamente o que ele desejava, que a futura universidade fosse, esse clima que eu sentia. Agora, pouqu\u00edssimas mulheres se isso lhe interessa tamb\u00e9m, acho que interessa\u2026 pouqu\u00edssimas mulheres. Eu fui aluna com muita honra de um grande professor, Nelson Sampaio. Eu devo a Nelson Sampaio muito do que sei em ci\u00eancias sociais, sei pouco, n\u00e3o \u00e9 muita minha \u00e1rea, mas realmente aprendi muito. E Nelson Sampaio achou que a minha pesquisa\u2026 porque naquela \u00e9poca os estudantes tamb\u00e9m pesquisavam n\u00e3o tinha internet, n\u00e9? A pesquisa de campo era formula\u00e7\u00e3o de um question\u00e1rio, entregar as mulheres da universidade queria saber qual era o contingente feminino da UFBA, da UFBA n\u00e3o, que n\u00e3o tinha UFBA. Acredite de engenharia, s\u00f3 havia duas, duas mulheres, era Margarida Bernadete e Sinai Neves. De direito havia duas. Medicina, duas tamb\u00e9m. Eram assim as mulheres n\u00e3o, estavam ainda conscientes de que precisavam fazer uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, uma profiss\u00e3o, ainda pensavam muito em casar tanto que as pessoas que criticavam Dr. Isaias faziam uma cr\u00edtica muito mortais, que ele estava preparando as meninas para se casarem somente, n\u00e3o foi \u00e0 resposta que ele deu, ele deu outra resposta, ele deu uma resposta magn\u00edfica, que quase todos n\u00f3s da primeira turma tornamos bons professores, com raras exce\u00e7\u00f5es e eu me considero, que fui uma boa professora, porque tive a coragem de enfrentar por exemplo uma turma, de um col\u00e9gio particular, como col\u00e9gio Sofia Costa Pinto, Ipiranga substituindo pessoas muito importantes os professores eram pessoas que tinham uma forma\u00e7\u00e3o cultural muito boa, eu substitui Gina Maravita, substitui no Ipiranga n\u00e3o me lembro quem eu substitui agora, substitui um grande professor l\u00e1. E a resposta dada, como eu estava dizendo, de Dr. Isa\u00edas a comunidade acad\u00eamica foi positiva pela essa primeira turma e evidente que ele se entusiasmou e aconteceu um fato hist\u00f3rico, para que a Universidade se constitu\u00edsse universidade. Professor Nelson sabe disso. Era necess\u00e1rio que fosse inclu\u00eddo dentro do seu&#8230; \u00e9&#8230; do composto, uma faculdade de filosofia e Dr. Isa\u00edas estava naquele momento com o prato pronto, digamos assim. Ent\u00e3o Dr. Edgar aceitou, claro, n\u00e3o podia deixar de ser, era uma posi\u00e7\u00e3o legal. Ent\u00e3o a faculdade de filosofia se comp\u00f5es, claro as unidades, para formar uma universidade. Ent\u00e3o, a primeira turma j\u00e1 terminou, j\u00e1 se formou, j\u00e1 era UFBA, j\u00e1 era uma universidade. Bem, ent\u00e3o o que \u00e9 que aconteceu? Sim, \u00e9 preciso dizer respondendo um pouquinho porque \u00e9 muita coisa, me perdoem se eu n\u00e3o estou sendo muito did\u00e1tica, me perdoem, mas como professor Nelson disse, \u00e9 muito informal ent\u00e3o est\u00e1 saindo de dentro do cora\u00e7\u00e3o, dentro da minha mente. Ent\u00e3o lhe respondendo, \u00e9&#8230; a parte afetiva, o afetivo, como dizia meu grande professor Jo\u00e3o Mendon\u00e7a que era um psic\u00f3logo, era um psiquiatra, n\u00e3o havia psic\u00f3logo. E outra coisa quando eu digo aos meus filhos, minha m\u00e3e n\u00e3o sei quem \u00e9 psic\u00f3logo, \u201cVoc\u00ea n\u00e3o mandou algu\u00e9m no psic\u00f3logo?\u201d \u201cQue psic\u00f3logo minha filha? Minha filha, n\u00e3o havia psic\u00f3logo nesta \u00e9poca.\u201d Muitos anos depois, quem deu o parecer no conselho universit\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o do curso de psicologia fui eu, muitos anos depois, n\u00e3o havia psic\u00f3logos, de jeito nenhum. Ent\u00e3o, ele dizia \u201cO afetivo \u00e9 o efetivo da vida.\u201d Mostrando toda aquela, voc\u00ea que \u00e9 fil\u00f3sofo, a tend\u00eancia de Pascal <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">De Rezon a D\u00e9 rezon<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, n\u00e3o, <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Le Ca de Rezon de Le Rezon Le co de p\u00e1<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, \u201cO cora\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece.\u201d E eu fui por um imperativo afetivo, porque eu era noiva de um m\u00e9dico, de um cirurgi\u00e3o, mas quando eu digo um m\u00e9dico cirurgi\u00e3o, era um m\u00e9dico cirurgi\u00e3o mesmo. Era um homem dedicad\u00edssimo a cirurgia, a medicina, ao hospital e trabalhava muito no hospital Santa Isabel, e eu ia muito no hospital Santa Isabel. Claro que eu ia. Ia v\u00ea-lo operar, achava muito bonito, o ato cir\u00fargico foi uma coisa que sempre me encantou muito, aquele movimento de m\u00e3o sin\u00e9rgico, aquela postura do cirurgi\u00e3o, aquela tens\u00e3o emocional de salvar uma vida, tudo aquilo me encantou muito, n\u00e9? Eu sempre digo que me apaixonei pelo m\u00e9dico, casei com o homem, e me apaixonei pelo m\u00e9dico. E me apaixonei pelo hospital, quando eu vi muita tristeza\u2026 a\u00ed eu fui realmente conviver com a mis\u00e9ria com a pobreza, com aquele clima de tristeza, de doen\u00e7a de fal\u00eancia. Ah\u2026 eu fiquei muito tocada com aquilo, e como meu marido tamb\u00e9m n\u00e3o era um mero m\u00e9dico que passava, ele sabia a vida de cada doente da enfermaria. Ent\u00e3o quando ele chegava na enfermaria era aquela alegria, e eu ia com ele. Claro, eu ia. E quando eu via aquilo tudo pensava, \u201cMeu Deus alguma coisa tem que ser feita\u201d, e quando eu estava empolgada, mas traumatizada do qu\u00ea empolgada, Dr. Thales resolve criar o curso de Servi\u00e7o Social que nunca foi da UFBA, a UFBA nunca teve escola de Servi\u00e7o Social, foi uma escola independente, depois absorvida pela Cat\u00f3lica \u2013 UCSAL, mas nunca foi da UFBA, a UFBA nunca se interessou por essa \u00e1rea. Nunca. Ent\u00e3o o Dr. Thales, quando eu estava assim nesse empolgamento, me chama que queria uma colabora\u00e7\u00e3o minha, ele n\u00e3o era meu professor, mas eu gostava muito dele, ele disse: \u201cEu queria que voc\u00ea se escrevesse no curso de servi\u00e7o social.\u201d \u201cDr. Thales, eu estou lecionando.\u201d Sim, porque depois\u2026 \u00e9 complicada a linha, eu as vezes perco o eixo, viu? {risos} Naquela \u00e9poca Dr. Isa\u00edas sentiu uma dificuldade muito grande em substituir a professora Gina Maiavique, que era uma mulher de uma cultura filos\u00f3fica fant\u00e1stica, muito simples, mas muito&#8230; ela fez toda forma\u00e7\u00e3o na Europa, ent\u00e3o ela conhecia muito bem filosofia porque ela foi aluna de grandes professores de historia da filosofia, Guire de Sheure que tem uma hist\u00f3ria da filosofia, uma obra fant\u00e1stica, 21 volumes, foi professor dela, e outros foram professores dela, ent\u00e3o, ela precisou voltar a Europa para defender o Doutorado e por sinal defendeu a tese de um Fil\u00f3sofo Brasileiro, Farias Brito, a tese dela foi sobre Farias Brito, que eu achei muito interessante isso. A\u00ed Dr. Isa\u00edas me chama e diz \u201cVoc\u00ea vai assumir&#8230;\u201d, e eu disse \u201cEu assumir? Eu n\u00e3o posso, eu n\u00e3o me sinto capaz disso\u201d, mas ele disse \u201c\u00c9, mas vai assumir, porque eu estou em uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil e voc\u00ea foi aluna de Gina e de&#8230;\u201d O curso de filosofia era Jo\u00e3o Mendon\u00e7a em psicologia, Nelson Sampaio em sociologia, grandes professores. \u201c\u2026 E eu acho que voc\u00ea pode\u201d, eu fiquei assombrada, com muito medo, um medo interior muito grande. Como \u00e9 que eu ia assumir aquela responsabilidade, eu era muito jovem, mas assumi. Quando Dr. Thales me chama para fazer o curso de servi\u00e7o social, eu disse, \u201cEu n\u00e3o posso, estou com uma responsabilidade muito grande, estou ensinando hist\u00f3ria da filosofia no curso de pedagogia e no curso de filosofia que \u00e9 muito serio pra mim ent\u00e3o n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00e3o.\u201d Mas naquela \u00e9poca era muito diferente de hoje, a rela\u00e7\u00e3o aluno professor era muito diferente, entendeu? E Dr. Isa\u00edas praticamente direcionou a vida de todos n\u00f3s, ele dizia \u201c\u00c9 necess\u00e1rio, \u00e9 o dever!\u201d. Ent\u00e3o a gente ficava em uma situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era bem de d\u00e9bito a ele, eu n\u00e3o me sentia devedora dele, mas sentia como aquela pessoa\u2026 como o reitor Edgar Santos tamb\u00e9m influenciou grandes professores, grandes professores seguiram a linha dele porque havia um eixo realmente definido, muito diferente de hoje. Que hoje o supermercado \u00e9 variad\u00edssimo. {risos} Naquela \u00e9poca o supermercado era feij\u00e3o, arroz, batata\u2026 era s\u00f3. Ent\u00e3o eu fiquei muito preocupada com isso, a\u00ed falei com meu marido, j\u00e1 era casada, e fui fazer o curso, por\u00e9m, claro, que muitas disciplinas do curso de servi\u00e7o social eu fui dispensada, n\u00e3o ia da mais sociologia, mas muitas outras eu tive que dar. Espec\u00edficas do curso de servi\u00e7o social, eu tinha de dar. Higiene, por exemplo, direito do trabalho, eu tive que fazer, e foi um esfor\u00e7o muito grande, e a\u00ed vem outro problema, que \u00e9 o problema da mulher no mundo contempor\u00e2neo que \u00e9 uma coisa que me toca muito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Professora, voltando ent\u00e3o, estavam se formando em servi\u00e7o social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Isso, na Escola de Servi\u00e7o Social. Naquela \u00e9poca a gradua\u00e7\u00e3o era dessa maneira, foram tr\u00eas examinadores na minha tese, um grande m\u00e9dico Obstetra Dr. Odiodato, um beneditino na parte \u00e9tica, um beneditino muito importante na \u00e9poca, e Dr. Thales de Azevedo, foi a minha banca examinadora para trabalho de conclus\u00e3o de curso, e eu defendi gr\u00e1vida, eu estava quase no 5\u00b0 ou 6\u00b0 m\u00eas de gravidez do meu primeiro filho, mas fui defender a tese.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">E onde eu fiz o est\u00e1gio, a\u00ed vem meu primeiro projeto social, eu fiz o projeto de instalar o servi\u00e7o social no hospital Santa Isabel, 800 leitos, foi o primeiro projeto de servi\u00e7o social m\u00e9dico, por isso eu digo que o pioneirismo n\u00e3o foi porque eu buscasse, as coisas vieram, naturalmente aconteceram, ent\u00e3o, foi o primeiro projeto de Servi\u00e7o Social M\u00e9dico de Salvador, foi do hospital Santa Isabel, com 800 leitos, eu fiz o projeto completo e trabalhei l\u00e1, instalei e fui professora de servi\u00e7o social m\u00e9dico e como professora de Servi\u00e7o Social M\u00e9dico claro que eu influenciei muitos estudantes, muitas alunas, haviam tamb\u00e9m homens, poucos, por\u00e9m havia, homens tamb\u00e9m. Influenciei muito para que elas trabalhassem nessa \u00e1rea de Servi\u00e7o Social M\u00e9dico, que \u00e9 uma \u00e1rea carente. Nesta \u00e9poca eu conheci a mis\u00e9ria de perto, eu fui ver o Nordeste de Amaralina, n\u00e3o como \u00e9 agora, asfaltado um pouco, era aquele morro mesmo de muita pobreza, mais do que pobreza, abaixo de pobreza. V\u00ed muita pobreza, eu vi uma cena que at\u00e9 hoje eu ainda me lembro uma vez eu entrei em um casebre, isso eu quero dizer por que \u00e9 muito impressionante, eu vi uma mulher com hemoptise, era tuberculose, e vi tr\u00eas crian\u00e7as brincando com o sangue dela, ent\u00e3o foi uma cena que me marcou terrivelmente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Bem, ent\u00e3o eu ensinei durante algum tempo, minha tese est\u00e1 agora na m\u00e3o da Santa casa de miseric\u00f3rdia, porque o Hospital Santa Isabel pertence a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, e vai ser publica anos depois, acontece, n\u00e9? E a escola de servi\u00e7o social pertence a universidade Cat\u00f3lica, j\u00e1 me fez v\u00e1rias homenagens, uma vez foi muito bonita, eles fizeram uma homenagem e eu entrei com minha tese de conclus\u00e3o de curso, hoje se chama trabalho de conclus\u00e3o de curso, mas naquela \u00e9poca era um pouco mais do que isso, porque era um exame muito mais forte, n\u00e3o era s\u00f3 como \u00e9 hoje. Ent\u00e3o eu entrei com a tese e eles fizeram uma homenagem muito bonita.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Depois ensinei algum tempo, mas n\u00e3o podia mais acumular. Vieram outros filhos, minha vida ficou muito nesse particular, muito plena de compromissos, eu n\u00e3o podia. Bem, mas em servi\u00e7o social o grande projeto que eu tive foi esse, minha influ\u00eancia foi realmente muito grande, porque eu orientei muita gente para fazer as teses de conclus\u00e3o, muitos e muitos alunos eu orientei. At\u00e9 que eu tive de me definir mesmo s\u00f3 pela Faculdade de Filosofia, onde eu ensinei filosofia, hist\u00f3ria da filosofia, para o curso de pedagogia como eu falei, para o curso de filosofia e tamb\u00e9m ensinei metaf\u00edsica, num determinado momento havia disciplina chamada metaf\u00edsica, onde se trabalhava muito o problema ontol\u00f3gico, problema nosol\u00f3gico, mais fortemente, de uma maneira mais forte, eu tamb\u00e9m ensinei. Mas o importante da primeira etapa da minha vida como professora universit\u00e1ria, \u00e9 que quando eu entrei na minha sala de aula, primeiros alunos, que eu imaginava que eram alunos vindos do curso\u2026 hoje voc\u00eas chamariam de curso colegial, do curso fundamentais voc\u00eas chamariam hoje, naquela \u00e9poca j\u00e1 n\u00e3o era como no meu tempo, prim\u00e1rio ginasial, j\u00e1 era colegial; os tr\u00eas anos colegiais. Voc\u00eas sabem disso, n\u00e9? Est\u00e3o estudando e est\u00e3o vendo o sistema mudando. E eu entrei, e pensei de encontrar jovens, mas n\u00e3o, encontrei Olga Metinge, j\u00e1 professora formada bem mais velha do que eu, dez ou doze anos mais velha do que eu; encontrei o professor Sateles, que era um professor j\u00e1 com livros publicados; eu fiquei apavorada, confesso que fiquei. Padres do Ant\u00f4nio Vieira, Xavier Teles que tem livros publicados em filosofia, eu, \u201cMeu deus&#8230;\u201d Freiras do Santa Bernadete, mulheres j\u00e1 vividas, e eu ali para da minha primeira aula, voc\u00ea j\u00e1 pensou? foi uma emo\u00e7\u00e3o muito forte, e eu claro, eu comecei a da minha aula, mas confesso que temerosa, n\u00e3o tinha aquela autoconfian\u00e7a, n\u00e3o podia ter. Eu achei que aquele pessoal todo sabia mais do que eu, tinha mais viv\u00eancia do que eu, n\u00e3o s\u00f3 vivencia no sentindo de experi\u00eancias de vida, mas tamb\u00e9m de conhecimento de leituras e tudo. Padres Jesu\u00edtas, mas eu enfrentei. Agora, foi muito dif\u00edcil. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Eu preciso falar um pouco da problem\u00e1tica da mulher no mundo, eu tenho um trabalho, \u201cA problem\u00e1tica da mulher no mundo contempor\u00e2neo\u201d que eu gostaria muito que voc\u00eas lessem, porque eu tenho um conceito um pouco diferente. E a\u00ed, preciso dizer uma coisa interessante. Quando Beth Fride, que foi a grande feminista, queimou os suti\u00e3s em pra\u00e7a p\u00fablica nos Estados Unidos, e quando o feminismo exacerbou-se aqui, inclusive nessa Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, quando as professoras que eu n\u00e3o tenho nenhum arrependimento, muito ao contr\u00e1rio, tive de enviar pro exterior pra fazer mestrado, eu mandei muitos professores, professor Nelson, pra fazer mestrado l\u00e1 fora, porque n\u00e3o havia aqui e elas precisavam se titular, a\u00ed eu trabalhei muito nessa faculdade pra isso, trabalhei, trabalhei muit\u00edssimo para que fossem. Foram mais de 20 ou 25 professores fazer o mestrado fora. E a\u00ed eu comecei a analisar a minha vida em rela\u00e7\u00e3o a elas, porque mulheres casadas, professoras  \u00f3timas, meninas maravilhosas, com filhos pequenos iam sair e deixar pra fazer&#8230; Ai pensei, \u201cMeu Deus, como \u00e9 dif\u00edcil a mulher fazer essa concilia\u00e7\u00e3o entre sua vida profissional e sua vida afetiva.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Aluna: Voc\u00ea sentia dificuldade na sua vida?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Muita, muita dificuldade, pois eu ensinava, tinha as responsabilidades da minha casa, minha m\u00e3e n\u00e3o morava aqui, al\u00e9m de eu ensinar e ter responsabilidades com a minha casa, eu tinha que estudar, porque filosofia, como qualquer outra disciplina qualquer \u00e1rea do conhecimento, requer estudos e reflex\u00f5es, voc\u00ea n\u00e3o pode dar uma aula de filosofia, como eu dava uma aula de servi\u00e7o social medico, s\u00e3o coisas diferentes, ent\u00e3o voc\u00ea tem que ter reflex\u00f5es pr\u00f3prias, fazer an\u00e1lises. E no momento em que, voc\u00ea que \u00e9 estudante de filosofia, naquela \u00e9poca, volto a dizer, eu lia mais em livros em Espanhol, muito muito Espanhol e Ingl\u00eas, uma bibliografia muito pobre, ent\u00e3o voc\u00ea tinha que fazer at\u00e9 esse esfor\u00e7o de ler em uma l\u00edngua estrangeira, uma terminologia bem especifica, porque a terminologia de filosofia \u00e9 uma terminologia especifica, com muita abstra\u00e7\u00e3o, quem gosta de filosofia tem de se conscientizar que abstrair \u00e9 muito importante pra pode captar os conceitos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, nessa \u00e9poca como eu dizia, eu acho que \u00e9 muito complicado, eu nunca fui feminista, ent\u00e3o havia aqui um surto de feminismo, \u00e9 natural, claro, uma contamina\u00e7\u00e3o dessas ideias de que a mulher precisava&#8230; e \u00e9 verdade, claro, ser independente, conquistar o seu lugar, estou de pleno acordo, mas o exagero n\u00e3o, eu aprendi com meu professor de psicologia Jo\u00e3o Mendon\u00e7a, ele dizia, uma vez, eu me lembro como se fosse hoje, ele estava na faculdade e vieram rep\u00f3rteres \u201cProfessor Jo\u00e3o Mendon\u00e7a, o senhor \u00e9 integralista ou comunista?\u201d Ele \u201cMeu filho, eu sou ista a procura de um prefixo honesto\u201d.  Nunca me esqueci dessa resposta \u201cEu sou ista a procura de um prefixo honesto\u201d. Eu aprendi com ele isso, e eu dizia, \u201cMas n\u00e3o \u00e9 assim, voc\u00eas est\u00e3o exacerbando\u201d, n\u00e3o precisa chegar a esse exagero do feminismo, isso vai mudar com o tempo, \u201cN\u00e3o porqu\u00ea&#8230;\u201d eu digo \u201cTudo bem, eu compreendo&#8230;\u201d \u00e9 o inicio de uma revolu\u00e7\u00e3o, e tem que ser dessa maneira mesmo, mas n\u00e3o \u00e9 a verdade plena. E a pouco tempo, faz uns 3 ou 4 anos, eu li e tenho isso guardado, que uma das grandes feministas que acompanharam Beth Fridan, escreveu um livro que revolucionou o mundo feminino da Fran\u00e7a \u201cQuem educa as crian\u00e7as?\u201d o livro dela tem esse t\u00edtulo \u201cQuem educa as crian\u00e7as?\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Aluna: Aproveitando esse vi\u00e9s do feminismo, da \u00e9poca que a senhora acompanhou, como foi pra senhora conciliar os seus afazeres profissionais e o papel de m\u00e3e? Porque ao mesmo tempo, existia as ideias feministas que eram, dependendo da \u00e9poca, bem radicais. Ou voc\u00ea, como se fosse, abandona o seu papel de m\u00e3e, ou voc\u00ea abandona o seu papel profissional. E a senhora conseguiu conciliar isso. Como foi pra senhora lidar com esse momento, e ao mesmo tempo ser m\u00e3e, ser professora, ser uma pessoa com vida t\u00e3o conturbada e ao mesmo tempo precursora de tantas outras \u00e1reas?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu vou lhe responder com honestidade, o que as mulheres n\u00e3o gostam muitas vezes de dizer, com muita dificuldade. Eu tentei conciliar, mas eu, pessoalmente, n\u00e3o acredito numa concilia\u00e7\u00e3o perfeita. Eu n\u00e3o acredito at\u00e9 hoje, n\u00e3o acredito. Agora, tentei conciliar, e conhe\u00e7o mulheres extraordin\u00e1rias que como eu, tamb\u00e9m tentaram e tentam at\u00e9 hoje. Eu tenho duas netas m\u00e9dicas, duas netas m\u00e9dicas. Casadas com dois m\u00e9dicos. E eu vejo a vida delas como \u00e9. Eu vejo. E essa tentativa insana de conciliar isso, toda a sua vida profissional, que tem de estudar, que tem de apresentar trabalhos, que tem de evoluir, e tem filhos pra cuidar, n\u00e9? Pra educar, pra conviver, pra dar, n\u00e3o coisas, mas pra dar afeto. N\u00e3o, eu n\u00e3o vou dizer que foi\u2026 pra mim eu adoeci. E vou falar aqui uma coisa que eu n\u00e3o me importo, pode ser dito, eu tive de fazer uma consulta com um grande psic\u00f3logo do momento, que morava no Rio de Janeiro, professora Mirei Lopes, porque eu n\u00e3o aguentei, eu pessoalmente n\u00e3o resolvia, porque quando eu estava com os meninos, eu estava pensando no que eu tinha que fazer. Quando eu estava estudando, eu pensava nos meninos. E a\u00ed eu come\u00e7ava a chorar, ent\u00e3o eu precisei de apoio psicol\u00f3gico, eu precisei, num momento muito dif\u00edcil, \u00e9 verdade. Onde psicologia&#8230; e outra coisa e a discrimina\u00e7\u00e3o, de que eu estava maluca, estava louca, fui consultar psic\u00f3logo, naquela \u00e9poca havia um preconceito incr\u00edvel contra isso, as fam\u00edlias. Por exemplo, a fam\u00edlia de meu marido, ficou \u201cprecisa consultar, o que est\u00e1 havendo?\u201d N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Professora, podemos voltar um pouquinho naquele momento da cria\u00e7\u00e3o da universidade, do Professor Edgar, um reitor duro, n\u00e9? Que ficou durante tanto tempo com reitor. Como foi aquele per\u00edodo? Como a senhora viveu aquele per\u00edodo, e como viu aquele per\u00edodo?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu via aquele per\u00edodo, como a universidade caminhando muito, era do fazer, tem gestores que s\u00e3o mais do refletir do que do fazer, mas Dr. Edgar era do fazer, ent\u00e3o eu vi a universidade crescer, vi a universidade enfrentar as dificuldades e resolv\u00ea-las n\u00e3o s\u00f3 a estrutura f\u00edsica, n\u00e3o t\u00f4 falando s\u00f3 de estrutura f\u00edsica, mas a estrutura administrativa, e a pr\u00f3pria estrutura acad\u00eamica que contou com Orlando Gomes, muito da Faculdade de Direito, atuante, muito atuante, com Lafaiete, com Calmon de Passos, muita gente atuante na \u00e1rea acad\u00eamica, com m\u00e9dicos de grande porte, pensadores, n\u00e3o eram s\u00f3 m\u00e9dicos, eram indiv\u00edduos que refletiam. Ent\u00e3o eu vi um momento assim, quando eu digo duro \u00e9 porque ele realmente tinha uma linha reta e seguia aquela linha reta que ele determinava, que ele mesmo tra\u00e7ou pra construir, e sabia como contornar pra que n\u00e3o se sa\u00edsse daquela dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 como eu via. E do ponto de vista, digamos assim, dos estudantes, eu via algumas observa\u00e7\u00f5es, alguns comportamentos, que eram cr\u00edticos, claro que havia a reflex\u00e3o cr\u00edtica em torno disso, porem diante dos\u2026 digamos assim, diante dos fatos, dos atos, das coisas que aconteciam, isso de certa maneira minimizava as cr\u00edticas, era assim que eu via nesse aspecto. E tamb\u00e9m uma coisa fant\u00e1stica a \u00e1rea de arte, que minimizou qualquer outra\u2026 as cr\u00edticas feitas a ele. Voc\u00eas sabem que foi a primeira universidade no Brasil a incrementar o estudo das artes, vi grandes dan\u00e7arinos, artistas, a \u00e1rea de teatro, de dan\u00e7a, de m\u00fasica, grande musicistas aqui, consertos maravilhosos, ent\u00e3o culturalmente falando, n\u00e3o tem a menor d\u00favida, grandes conferencias, grandes conferencias aqui, culturalmente falando a Universidade realmente dava passos gigantescos, dava, dava passos gigantescos, n\u00e3o s\u00f3 na \u00e1rea de ci\u00eancias sociais, na \u00e1rea de arte, mas na \u00e1rea t\u00e9cnica tamb\u00e9m a polit\u00e9cnica sempre foi muito respeitada no brasil todo. Eu via dessa maneira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o eu lhe digo, honestamente, eu pessoalmente n\u00e3o acredito naquelas mulheres que dizem que conciliaram. Ent\u00e3o eu conciliei tamb\u00e9m, n\u00e9? Tenho cinco filhos, tenho sete netos, tenho cinco bisnetos, dou toda a assist\u00eancia a eles, meus filhos todos se formaram, eu acompanhei todos, nunca faltei a reuni\u00e3o de pais, essas coisas fundamentais, procurei fazer o m\u00e1ximo que pude. Agora, honestamente estive no hospital tr\u00eas vezes por fadiga, hoje se chama estresse, naquela \u00e9poca era fadiga, porque era muito coisa. Muita coisa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas vamos adiante, quando eu estava ensinando filosofia no Ipiranga, ensinando filosofia no Costa Pinto, ensinando filosofia no col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o, que a Faculdade de Filosofia sempre teve um col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o, sempre. E nesse em particular, professor Nelson, eu tenho algumas considera\u00e7\u00f5es a fazer muito fortes, eu acho que o seguinte, o licenciando do nosso curso, e j\u00e1 disse a professora Selly como digo a todos que me procuram a respeito, eu acho que as universidades deveriam dar mais import\u00e2ncia \u00e0s licenciaturas, porque o aluno sai, muitas e muitas vezes, sei porque muitos me procuram, sem nenhum manejo de classe, eles precisam ter um est\u00e1gio, naquela \u00e9poca tinha um convenio com a secretaria de educa\u00e7\u00e3o, e aqui dentro tinha um centro de estagio, eu n\u00e3o estou falando de pedagogia, mas estou falando mais a parte de licenciatura nesse momento, ent\u00e3o um aluno licenciado em filosofia por exemplo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Eu fui professora de Metodologia e Pr\u00e1tica e Ensino de Filosofia, eu ia assistir a aula, eu planejava com o aluno, eu ia assistir a aula do aluno, eu fazia cr\u00edtica do aluno, e ainda aconselhava a professora regente de classe. Era assim que eu trabalhava quando eu fui, e \u00e9 assim que eu acredito, porque eu acho que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que os licenciados saiam sem saber dar uma aula, sem enfrentar uma classe, sem um manejo de classe, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel isso. Eu acho que o grande fracasso da forma\u00e7\u00e3o do professor, e Dr. Roberto Santos concorda comigo, j\u00e1 discutimos muito sobre isso. Porque eu sou presidente de honra da Academia de Educa\u00e7\u00e3o, e discutimos isso, fizemos at\u00e9 semin\u00e1rios. Trouxemos professores com experi\u00eancia, isso eu j\u00e1 estou agora no presente, presidindo a academia, eu sou presidente de honra, porque eu n\u00e3o aceitei a presid\u00eancia, porque gest\u00e3o mais agora com oitenta e sete anos n\u00e3o d\u00e1. Ent\u00e3o eu aceitei ser a presidente de honra pra discutir os assuntos, e fizemos semin\u00e1rios pra atualizar os professores do estado, pra secretaria de educa\u00e7\u00e3o, tanto municipal como estadual, e trouxemos experi\u00eancias magn\u00edficas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Os alunos precisam de qu\u00ea? Precisam de um pouco de experi\u00eancia e o col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o era o ambiente ideal para isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"> Aluna: Como foi a experi\u00eancia da senhora no col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Ah, foi magn\u00edfica. A\u00ed eu fiz v\u00e1rios projetos inovadores no col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o, um dia Dr. Isa\u00edas novamente me chama e diz: \u201cEu preciso que voc\u00ea dirija o col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o\u201d, eu disse \u201cDr. Isa\u00edas, eu n\u00e3o posso dirigir o Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o, eu ensino na Faculdade de Filosofia, como \u00e9 que eu vou dirigir um col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o?\u201d Ele disse: \u201cVai, por que se n\u00e3o eu vou fechar o col\u00e9gio pelo seguinte, porque, depois que a Professora Marta Dantas saiu, eu n\u00e3o consigo ningu\u00e9m que se interesse, v\u00e1rios professores foram, n\u00e3o conseguiram dirigir, n\u00e3o quiseram&#8230;\u201d Ele j\u00e1 estava muito aborrecido com isso. Eu disse \u201cN\u00e3o, tudo bem\u201d. Ele disse \u201cVoc\u00ea vai deixar algumas classes da Faculdade vir para o col\u00e9gio.\u201d Nessa noite eu pensei, \u201cMeu Deus, nessa Universidade jogam comigo como pe\u00e7a de xadrez, no momento em que precisam de alguma coisa, n\u00e3o \u00e9 porque eu seja importante n\u00e3o, \u00e9 por causa de que a necessidade \u00e9 grande, s\u00f3 pode ser. Porque me jogam para aqui, para ali, quando querem, sempre \u00e9 assim, quando precisa&#8230; ia acabar o conv\u00eanio das classes experimentais eu fui, ia acabar n\u00e3o sei o que, l\u00e1 fui eu.\u201d Ent\u00e3o l\u00e1 fui pro col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o. Sim, eu preciso dizer antes do Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o, que aqueles alunos que eram padres, jesu\u00edtas, e freiras, e Olga Mething de educadores tal, eu me dei muito bem, fui at\u00e9 homenageada por eles, cheguei a ser paraninfa da turma. Ent\u00e3o isso me deu um \u00e2nimo imenso, \u201cbom eu n\u00e3o sou t\u00e3o ruim quanto eu penso. Consegui fazer alguma coisa.\u201d Fui pro col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o, inovei bastante, muitos projetos, muitos projetos. Eu criei o servi\u00e7o de orienta\u00e7\u00e3o educacional, fiz o projeto com Alice Costa, com a psic\u00f3loga, a chamada coordena\u00e7\u00e3o, hoje \u00e9 uma bobagem, mas naquela \u00e9poca n\u00e3o era, ent\u00e3o eu tenho que falar de acordo com o contexto, ent\u00e3o a coordena\u00e7\u00e3o chamada vertical e horizontal ao mesmo tempo, como era isso? Por exemplo, todos os professores de determinada disciplina, qual fosse ela, tinham de discutir os temas e seguir uma orienta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o absurda, n\u00e3o autorit\u00e1ria, mas consciente e reflexiva, com aquele professor de did\u00e1tica especial de filosofia, a\u00ed convoquei todos os professores de did\u00e1tica, de filosofia, geografia, hist\u00f3ria, todos, e n\u00f3s fizemos um colegiado, quer dizer, o col\u00e9gio tinha uma filosofia definida, nesse colegiado ent\u00e3o, o professor que coordenava a l\u00edngua Inglesa, todos os professores tinham a mesma orienta\u00e7\u00e3o, os professores de matem\u00e1tica tinham aquela orienta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era autoritarismo n\u00e3o, era consci\u00eancia, era discutido, reuni\u00f5es, e reuni\u00f5es era coordena\u00e7\u00e3o vertical, e coordena\u00e7\u00e3o horizontal. Me perguntaram uma vez numa dessas entrevistas de televis\u00e3o: \u201cA qu\u00ea voc\u00ea atribui, seu sucesso profissional?\u201d Eu digo, \u201c\u00e9 muito simples, trabalhar em colegiado, sempre trabalhei em equipe, sempre trabalhei em equipe.\u201d Quando eu comecei a dirigir a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, e que n\u00f3s t\u00ednhamos de redigir o estudo, discutir o estatuto para reda\u00e7\u00e3o final, foi a \u00fanica unidade da UFBA que colocou o vice-diretor dentro do conselho departamental, a \u00fanica. Eu acho que quanto mais voc\u00ea discute, e nesse ponto eu sou muito democr\u00e1tica.  Acho que \u00e9 no colegiado que se forma um consenso, ent\u00e3o foi isso que aconteceu, ent\u00e3o \u00e9 por isso que os alunos s\u00e3o doidos at\u00e9 hoje pelo Col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o e mim procuram. \u00c9 tem livros publicados sobre o Col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o, por isso, era um colegiado para a coordena\u00e7\u00e3o vertical, e para a coordena\u00e7\u00e3o horizontal, todas as grandes defini\u00e7\u00f5es eram tomadas em colegiado, havia muita harmonia, havia prazer em trabalhar, e ent\u00e3o, o servi\u00e7o de orienta\u00e7\u00e3o educacional, foi muito importante, \u00e9 fizemos um projeto, que naquela \u00e9poca era uma novidade, hoje n\u00e3o \u00e9. Estudo dirigido, naquela \u00e9poca era uma novidade plena. Estudo dirigido. Fizemos um coral, n\u00e3o esse coral que se faz assim, era um coral educativo, onde todos os alunos participavam mesmo aqueles que n\u00e3o tinham muita voz, n\u00e3o importa, eles iam para l\u00e1, para saber como era o coral, para conhecer um pouco de m\u00fasica. Ent\u00e3o, fizemos muitos projetos dentro da estrutura do col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o, muito importante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Pronto, ent\u00e3o vamos a Faculdade, agora antes. \u00c9 verdade que a senhora tomou esse pr\u00e9dio de assalto?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LD: N\u00e3o, n\u00e3o foi bem assim, eu vou lhe explicar, porque \u00e9 que dizem isso, quando a universidade estava em pleno clima de reforma, da lei 1540, evidentemente, que havia a necessidade de uma Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, como naquela outra \u00e9poca houve necessidade de Faculdade de Filosofia, agora por imposi\u00e7\u00e3o legal, tamb\u00e9m a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, era Roberto Santos, o filho de Dr. Edgar Santos, que vem aqui, fazer essa&#8230; Ele designou o Professor Ant\u00f4nio P\u00edton Pinto, que era um professor do curso de pedagogia da Faculdade de Filosofia, a disciplina dele era Administra\u00e7\u00e3o Escolar, era essa o t\u00edtulo da disciplina. Ent\u00e3o, era muito justo, que ele convidasse o Dr. P\u00edton, e Dr. P\u00edton foi convidado, mas ele n\u00e3o conseguiu deslanchar na Faculdade, ele achava muito complicado, achava muito dif\u00edcil, porque a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o precisava congregar grupos de certo modo antag\u00f4nicos. Tinha de congregar o departamento da pedagogia da pr\u00f3pria Faculdade de Filosofia, porque a faculdade de filosofia foi desmembrada nos institutos, ent\u00e3o o curso de f\u00edsica, se tornou instituto de f\u00edsica, o de qu\u00edmica no instituto de qu\u00edmica, o de biologia no instituto de biologia, estava se desmembrado, entende? E a\u00ed, o curso de pedagogia tinha de ser integrado, para se constituir uma Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Junto com&#8230; Segundo o Dr. Roberto, acreditava poder ser o CECIBA, que para mim foi uma experi\u00eancia fant\u00e1stica, o CECIBA me deu a possibilidade de fazer uma das maiores experi\u00eancias, que foi a das classes experimentais, est\u00e1 publicado. O CECIBA  justamente o que eu lhe falei, estava no auge das classes experimentais, entusiasmada, trabalhando, fazendo um trabalho que todos&#8230; o colegiado, sempre minha equipe, sempre trabalhei com equipe, e toda essa equipe que me ajudou demais, que trabalhou comigo com harmonia, com entusiasmo, com garra, eu tenho de elogiar, porque \u00e9 uma verdade plena, Edvaldo sabe disso, Edvaldo foi um colaborador, Iracy&#8230; Iracy, eu tenho uma experi\u00eancia com Iracy Pican\u00e7o interessant\u00edssima, quando o Dr. Roberto mandou buscar, para a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, uma professora da Ford <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">foundation<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, porque n\u00f3 sempre tivemos convenio com  a Ford <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">foundation<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, sempre tivemos, com aquelas  institui\u00e7\u00f5es estrangeiras. Eu e Iracy fomos conversar com essa t\u00e9cnica da <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">foundation<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, essa senhora simpatic\u00edssima, bonita, inteligente, capaz, eficiente, eficaz, nos colocou pelo avesso. E uma coisa curiosa, ela chegou a nos perguntar, quantos sapatos n\u00f3s t\u00ednhamos, e quantos vestidos n\u00f3s t\u00ednhamos. Eu disse: \u201cIracy, isso \u00e9 imperialismo demais\u201d, {risos} mas vamos l\u00e1. Sim, mais voltando, eu tinha de congregar o CECIBA, o departamento de pedagogia, e um programa excelente, chamava-se de lingu\u00edstica aplicada&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Financiado pela Ford<\/span><em><span style=\"font-weight: 400\"> foundation<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\"> que Dr. Roberto tinha o maior entusiasmo, com professores de l\u00ednguas l\u00e1 em Feira de Santana no interior, eu tamb\u00e9m sou entusiasta de trabalhar muito com interior, eu acho necess\u00e1rio, e Dr. Roberto falou, \u201cSua miss\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil, mas vamos ver.\u201d E eu tentei congregar esses tr\u00eas grupos, sendo que o departamento de pedagogia, claro \u00e9 natural, n\u00e3o via muito sentindo em agregar o pessoal do CECIBA, e ainda entrava o programa de lingu\u00edstica, que era um programa financiado por uma institui\u00e7\u00e3o estrangeira, mas se voc\u00ea me perguntar como, eu n\u00e3o sei lhe dizer como que eu fiz, mas o que fiz foi o seguinte sempre consultar todos, nunca tomei uma decis\u00e3o, sempre o que voc\u00ea pensa a respeito pra um grupo, pra outro grupo, vamos fazer uma reuni\u00e3o, e um dia eu fui punida, porque ouve uma reuni\u00e3o que era duas horas da tarde e ningu\u00e9m tinha almo\u00e7ado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o, vamos mandar buscar uma merenda pro pessoal aqui, um almo\u00e7ozinho, j\u00e1 eram 2 horas da tarde e todos come\u00e7aram a discutir 9h da manh\u00e3, isso \u00e9 interessante, era Dr. Lafaiete, o reitor, fez uma observa\u00e7\u00e3o, que eu mandei buscar fora, evidentemente voc\u00ea sabe  que toda faculdade tem toda uma estrutura, que mandei buscar merenda, mas tudo bem achei interessante. E fomos ent\u00e3o formando os departamentos da faculdade, com muita capacidade de entender o que cada grupo desejava, n\u00e3o adiantava exacerbar \u00e2nimos, nem discutir quem tinha ou quem n\u00e3o tinha raz\u00e3o, n\u00e3o era o caso, o caso era congregar, e foi muito interessante porque n\u00f3s conseguimos s\u00f3 que as classes experimentais que eu dirigia o CECIBA, foi extintas as classes experimentais e o CECIBA e toda sua estrutura cientifica funcionava na escola polit\u00e9cnica, ent\u00e3o n\u00e3o tinha estrutura f\u00edsica, a estrutura cientifica foi toda incorporada a um dos departamentos da faculdade, e como era um convenio tr\u00edplice, Minist\u00e9rio, Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e UFBA, claro e evidente que o Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o continuou a financiar muitas das necessidades do antigo CECIBA que agora era PROTAP que era um programa j\u00e1 da faculdade, com muita liga\u00e7\u00e3o ainda com o MEC viajei muit\u00edssimo, com Alda Peppi, que foi uma pessoa, uma professora muito eficiente, muito dedicada. O trabalho do PROTAP \u00e9 um trabalho muito bonito e o de lingu\u00edstica aplicada tamb\u00e9m porque a professora Joselita Marcedo, que faleceu a pouco tempo, tamb\u00e9m se integrou a faculdade de educa\u00e7\u00e3o, ela trabalhou aqui por muito tempo. Agora, quanto ao assalto, \u00e9 o seguinte, Dr. Roberto tomou uma defini\u00e7\u00e3o de construir o pr\u00e9dio da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, e aconteceu que, dentro da estrutura da universidade eu sempre tive tr\u00e2nsito muito livre, interagi muito com os \u00f3rg\u00e3os da Universidade, com os campus, com todos os \u00f3rg\u00e3os, nunca tive problema, nunca. E a\u00ed o Fernando Fonseca, o pessoal que estava no campus, disse \u201cVamos, Leda. Vamos estruturar a parte f\u00edsica da universidade\u201d, e novamente com a equipe toda, com o colegiado, todos deram suas opini\u00f5es, ent\u00e3o o pr\u00e9dio da faculdade foi feito de acordo, com as necessidades da estrutura acad\u00eamica da faculdade de educa\u00e7\u00e3o e com todos os professores contentes, felizes e satisfeitos, ent\u00e3o a estrutura f\u00edsica da faculdade de educa\u00e7\u00e3o ela foi resultado de in\u00fameros, in\u00fameros acertos com a prefeitura do campus, e ela correspondeu naquela momento ao anseio dos professores, n\u00e3o ouve queixas, muito ao contr\u00e1rio, havia muito entusiasmos. Agora o que falam de assalto \u00e9 o seguinte, \u00e9 porque na hora de mobiliar a faculdade e na hora de fazer a mudan\u00e7a, Dr. Lafaiete resistiu, porque isso era curto, custo alto, ent\u00e3o resistiu muito, eu um dia me cansei e liguei pra Age, ele trabalhava no MEC, eu disse \u201cAge t\u00e1 acontecendo isso, e eu t\u00f4 achando que isso est\u00e1 desgastando a mim e ao professores, n\u00f3s precisamos nos mudar, n\u00e3o podemos ficar na faculdade de filosofia porque o teto, tem aulas em que os alunos est\u00e3o sofrendo muito porque o teto do \u00faltimo andar da faculdade de filosofia est\u00e1 correndo perigo\u201d, mostrei a ele, Age: \u201cLeda, mude-se\u201d, eu disse \u201cComo \u00e9?\u201d Eu disse, \u201cEnt\u00e3o t\u00e1 bom, vamos mudar\u201d, a\u00ed n\u00e3o teve d\u00favida, chamei os professores e mudei, muitos os professores trouxeram muitas coisas nos carros. No meu carro ent\u00e3o, veio muita coisa, a\u00ed vim pra c\u00e1. E o Dr. Lafaiete mandou me chamar, e disse foi Dr. Lafaiete eu me mudei. Ele disse, \u201cMas voc\u00ea n\u00e3o me falou\u201d, eu disse \u201cEu falei demais com o Senhor n\u00e3o podia mas, n\u00e3o foi prefer\u00edvel isso, do que uma hora dessa cair um peda\u00e7o do teto na cabe\u00e7a de um aluno l\u00e1 na faculdade, ent\u00e3o o Senhor vai l\u00e1 e vai ver que est\u00e1 tudo bem\u201d, foi de assalto nesse sentido, o pr\u00e9dio foi constru\u00eddo para faculdade de educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Teve um folclore a\u00ed que o pr\u00e9dio foi constru\u00eddo para a faculdade de Economia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LD: N\u00e3o. Nunca foi. O pr\u00e9dio foi constru\u00eddo para a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Economia nunca quis sair de l\u00e1 da Piedade. At\u00e9 hoje. Outro dia eu perguntei a Dr. Roberto \u201cRoberto, por qu\u00ea?\u201d Ele disse \u201cN\u00e3o, eles nunca tiveram um \u00e9lan para entrar no campus da Universidade. Eu fui deixando e ficou l\u00e1 at\u00e9 hoje.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Professora, a senhora falou no come\u00e7o, e acho que tem a ver um pouco com isso, nessa parte sobre a faculdade que havia uma certa crise pra poder constituir faculdade por conta de grupos divergentes. Isso foi intensificado por conta do per\u00edodo a partir do Golpe militar de 64&#8230; como a senhora viu esse momento, e como isso refletiu na faculdade?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Na faculdade&#8230; essa pergunta, prof. Nelson, j\u00e1 me fizeram certa vez. Eu n\u00e3o sei, pode ser que a minha vis\u00e3o naquele momento estivesse muito focada, entendeu, pode ser isso, porque eu fa\u00e7o um pouco de autocr\u00edtica tamb\u00e9m, naquele momento o que eu via da parte dos grandes professores e dos professores que tamb\u00e9m estavam come\u00e7ando, eu via era um entusiasmo muito grande, sobre uma faculdade nova que surgia, talvez isso amortecesse um pouco todo esse bul\u00edcio, todas essas crises, eu vejo dessa maneira. Nilton Sucupira naquele momento era o grande filosofo da educa\u00e7\u00e3o, eu era muito amiga dele, eu conversava muito com ele, e dele nunca vi assim uma cr\u00edtica dentro desse contexto, nunca vi, entendeu? Porque na realidade s\u00f3 uma faculdade no Brasil estava imbu\u00edda de criar uma faculdade de educa\u00e7\u00e3o, naquele per\u00edodo de tempo que essa nossa foi institu\u00edda, que foi o Rio Grande do Sul, ent\u00e3o Dr. Roberto disse \u201c\u00d4 Leda, eu vou mandar buscar Farqui, no Rio Grande do Sul para conversar com voc\u00ea sobre a faculdade de educa\u00e7\u00e3o\u201d, ent\u00e3o \u00f3timo, e a\u00ed foi o Rio Grande do Sul e a universidade Federal da Bahia que implantaram a primeira faculdade de educa\u00e7\u00e3o, mas a faculdade de Olga n\u00e3o foi antes? Foi, mas a faculdade de Olga s\u00f3 tinha o curso de pedagogia, n\u00e3o tinha as licenciaturas, porque eu acho o seguinte, que a faculdade de educa\u00e7\u00e3o, sempre foi minha posi\u00e7\u00e3o, sempre deve dar muita \u00eanfase ao curso de pedagogia, claro, mas tamb\u00e9m muita \u00eanfase \u00e0s licenciaturas, porque esses professores v\u00e3o realmente formar, a forma\u00e7\u00e3o de jovens de todas as \u00e1reas, voc\u00eas v\u00e3o ser, al\u00e9m do ensino que voc\u00ea v\u00e3o desenvolver, voc\u00eas v\u00e3o ser muito t\u00e9cnicos, coordenadores, orientadores, mais t\u00e9cnicos&#8230; eles s\u00e3o professores, eles tem que deslanchar um processo que n\u00e3o est\u00e1 sendo deslanchado, mas n\u00e3o est\u00e1 mesmo, e isso me preocupa. Um m\u00e9dico quando ele sai da faculdade, antes ele frequenta hospital, mas quando ele sai da faculdade, ele vai fazer resid\u00eancia, prof. Nelson. O estudante sai licenciado e ele vai fazer o qu\u00ea? Se ele como estudante, ele n\u00e3o teve&#8230; e a\u00ed a import\u00e2ncia dos col\u00e9gios de aplica\u00e7\u00e3o, que nenhuma outra universidade cancelou. Que tamb\u00e9m isso \u00e9 importante. Eu n\u00e3o concordei em legalmente extinguir o Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o est\u00e1 extinto legalmente, pode ressurgir a qualquer momento, e j\u00e1 fui convidada por Naomar. Voc\u00ea estava, professor Nelson? Um grupo, n\u00e9? Para ver se havia de&#8230; e Felipe nesse ponto foi muito enf\u00e1tico, eu concordo. Mas que seja para os licenciados, ele foi muito enf\u00e1tico. Ele n\u00e3o queria um Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o por uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ele queria realmente por uma posi\u00e7\u00e3o educacional, era a minha posi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Ent\u00e3o n\u00e3o foi adiante, mas, foi a \u00fanica Universidade, que n\u00e3o extinguiu porque para extinguir legalmente precisava ir ao Conselho universit\u00e1rio e Doutor Lafaiete sabia que eu ia fazer um movimento contra, ele sabia disso. Ent\u00e3o n\u00e3o foi ao Conselho Universit\u00e1rio para uma extin\u00e7\u00e3o legal, mas foi uma extin\u00e7\u00e3o administrativa. Fechou o col\u00e9gio, qu\u00ea que eu posso fazer, o reitor tem todo direito, o Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o sendo uma Unidade da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, porque era, estava sob a nossa responsabilidade. Mas n\u00e3o podia fazer nada. Uma decis\u00e3o administrativa, n\u00e3o foi nem ao colegiado, nem ao Conselho universit\u00e1rio e foi a \u00fanica. E aos cem anos dele, eu fui ao Doutor Lafaiete eu fui a ele e ele se arrependeu de ter tomado aquela posi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E a senhora sabe as raz\u00f5es, por que o Reitor Lafaiete tomou esta posi\u00e7\u00e3o?  <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Olha, professor Nelson. Quando n\u00f3s respondemos a uma pergunta e dizemos que sabemos, eu acho que n\u00f3s sempre temos que ter uma fundamenta\u00e7\u00e3o, eu sei por percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por fundamenta\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o posso lhe dizer fundamentalmente, mas, eu, penso e como eu, v\u00e1rios professores, n\u00e3o todos, mais v\u00e1rios professores, foi uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No sentido daquele argumento de que \u00e9 o elitismo pronto, isso lhe diz tudo. Para mim foi uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Agora, eu n\u00e3o posso lhe dizer isso porque eu n\u00e3o tenho fundamenta\u00e7\u00e3o para lhe afirmar isso, mas, eu acredito que sim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: A senhora acredita que pode ter tido press\u00e3o externa? Por exemplo, dos militares? Porque o col\u00e9gio de aplica\u00e7\u00e3o era tido como um n\u00facleo de boa forma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: N\u00e3o. Sabe por qu\u00ea? Porque nenhum Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o sofreu press\u00e3o, eu tinha contato com o Col\u00e9gio do Rio, sobretudo com o de Belo Horizonte, com o do Rio Grande do Sul e nenhum sofreu nenhuma press\u00e3o nenhuma, nenhum. Tenho certeza, que Dr. Lafaiete n\u00e3o sofreu press\u00e3o sobre isso, muito pelo contr\u00e1rio, sofreu press\u00e3o da esquerda como sendo elitista, foi ao contr\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Ent\u00e3o a senhora acredita que a faculdade n\u00e3o defendia o Col\u00e9gio na \u00e9poca? A faculdade enquanto coletivo, n\u00e3o a diretora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu sentia algumas revoltas, mas eu n\u00e3o senti assim&#8230; um movimento que me impulsionasse como diretora, ou n\u00f3s todos, a tomar uma posi\u00e7\u00e3o mais corajosa de enfrentar. Isso \u00e9 verdade, e \u00e9 prov\u00e1vel que dentro do n\u00facleo da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o alguns professores pensassem que era um elitismo o Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o que representasse uma posi\u00e7\u00e3o elitista \u00e9 prov\u00e1vel sim, \u00e9 prov\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Era dif\u00edcil ser diretor nessa \u00e9poca se relacionar com o Conselho?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: N\u00e3o eu n\u00e3o tive nenhuma dificuldade, eu n\u00e3o tive nenhuma dificuldade, e acho que os outros Diretores tamb\u00e9m n\u00e3o. Porque eu trabalhei com Miguel Calmon inicialmente, porque eu fui para o departamento cultural da Universidade para o projeto do Col\u00e9gio Universit\u00e1rio, que foi um grande projeto eu tenho todo ele escrito. Trabalhou comigo Pierre Filrter que veio da UNESCO para trabalhar comigo durante um per\u00edodo e foi um grande projeto o col\u00e9gio universit\u00e1rio. Mas, tamb\u00e9m Doutor Miguel tomou uma decis\u00e3o diferente. Mas, depois de Miguel Calmon eu trabalhei com Alb\u00e9rico Fraga que era o reitor e eu n\u00e3o tinha menor dificuldade muito ao contr\u00e1rio naquela \u00e9poca os fil\u00f3sofos da educa\u00e7\u00e3o sobretudo eu falo mais em Nilson Sucupira tinha outros tamb\u00e9m importantes dentro at\u00e9 do minist\u00e9rio, mas Nilson Sucupira era realmente quem mais definia as posi\u00e7\u00f5es e Doutor Roberto era muito amigo do Nilson Sucupira. Sim, mas eu estava falando a respeito da Faculdade em rela\u00e7\u00e3o aos Col\u00e9gios de Aplica\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Naquela \u00e9poca se falava muito em articula\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis, voc\u00eas que s\u00e3o de pedagogia devem ter lido qualquer coisa. O importante era que o terceiro n\u00edvel estivesse muito entrosado com o segundo n\u00edvel era o ideal naquela \u00e9poca eu at\u00e9 escrevi um artigo sobre isso&#8230; E o Col\u00e9gio Universit\u00e1rio era um projeto que realmente tomou muita for\u00e7a em Belo Horizonte na Universidade de Minas Gerais, e eles fundaram mesmo o Col\u00e9gio Universit\u00e1rio, eu estive l\u00e1 v\u00e1rias vezes e estudei todo o Projeto fiz todo o Projeto aqui e o Pierre Filrter da UNESCO veio para discutir porque o interesse era que a Universidade, naquele tempo era bem distante do n\u00edvel secund\u00e1rio, ela se colocava numa posi\u00e7\u00e3o, a\u00ed sim&#8230; muito elitista realmente, tudo que era do curso secund\u00e1rio, era do curso secund\u00e1rio, N\u00e3o se tomava conhecimento da problem\u00e1tica e, justamente o Nilson Sucupira come\u00e7ou a chamar aten\u00e7\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis e a\u00ed os Col\u00e9gios Universit\u00e1rios, houve tr\u00eas ou quatro no Brasil, inclusive t\u00e9cnico agr\u00edcola era para articular os n\u00edveis, mostrar que a Universidade al\u00e9m de um Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o que era um laborat\u00f3rio espec\u00edfico para o treinamento dos licenciandos era uma coisa, o Col\u00e9gio Universit\u00e1rio, era para mostrar o interesse da universidade no ensino secund\u00e1rio e no aperfei\u00e7oamento e na melhor qualifica\u00e7\u00e3o do ensino secund\u00e1rio. Vejam que s\u00e3o duas coisas bem diferentes. E foi por isso que realmente a UNESCO veio e se interessou, por\u00e9m, a\u00ed interessante que houve no Brasil posi\u00e7\u00f5es muito contr\u00e1rias ao Col\u00e9gio Universit\u00e1rio, houve&#8230; E posi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis houve realmente um embate e na UFBA o Lafaiete optou, pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Universit\u00e1rio. Mas, foi um grande projeto&#8230; Um grande projeto. Ent\u00e3o, o que \u00e9 que eu fiz, quando o CECIBA estava para denunciar o conv\u00eanio MEC, UFBA e SEC, Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, porque o CECIBA&#8230; t\u00e1 a\u00ed, o CECIBA, veja bem como tem l\u00f3gica tudo o que eu t\u00f4 dizendo. O CECIBA, que era um centro de Ci\u00eancias da Bahia, excelente, com t\u00e9cnicas inovadoras de ensino de F\u00edsica, de qu\u00edmica e matem\u00e1tica, sentiu a necessidade de um local espec\u00edfico para experimentar, \u00e9 verdade que eles tinham todos os col\u00e9gios p\u00fablicos, mas acontece que infelizmente naquela \u00e9poca eu acho que tamb\u00e9m agora, a estrutura\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico, ela&#8230; como eu diria, ela n\u00e3o \u00e9 forte, \u00e9 uma estrutura fr\u00e1gil. Ent\u00e3o o que sentiu o CECIBA, ele come\u00e7ava a experi\u00eancia, daqui a pouco o professor era mudado, os alunos eram transferidos&#8230; aquela mobilidade muito forte que n\u00e3o permitia que aquela experi\u00eancia tivesse uma estrutura cient\u00edfica, acad\u00eamica, avaliada. Entendeu?  Eu, por exemplo tentei fazer quando eu fiz as classes experimentais, eu tentei fazer a classe, claro, sabe que toda a experi\u00eancia tem aquela classe&#8230; eu n\u00e3o consegui, professor Nelson. Era professor que n\u00e3o ia passava um m\u00eas sem dar aula. Eu n\u00e3o consegui professor, era aluno que n\u00e3o ia eu n\u00e3o consegui avaliar, eu disse como eu vou avaliar uma coisa dessas? \u00c9 covardia. eu vou avaliar uma classe experimental com toda estrutura, com uma classe sem estrutura? Eu n\u00e3o fa\u00e7o uma coisa dessas e n\u00e3o fiz. N\u00e3o fizemos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Washington: Professora Leda, a senhora falou sobre a quest\u00e3o da \u00eanfase que se deve dar tamb\u00e9m a licenciatura, n\u00e3o s\u00f3 a pedagogia e falou de um processo que as licenciaturas deveriam desencadear mais a senhora n\u00e3o falou que processo era esse. Que processo \u00e9 esse?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu queria dizer o seguinte&#8230; era um processo de valoriza\u00e7\u00e3o no est\u00e1gio. Entendeu? Porque, veja bem, o aluno vem do instituto b\u00e1sico, pelo menos no meu tempo ainda era tr\u00eas mais um, agora n\u00e3o sei mais como \u00e9. Os anos iniciais no instituto b\u00e1sico, depois ele faz as mat\u00e9rias pedag\u00f3gicas na faculdade de educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isso? Ent\u00e3o, eu acho que quando ele vai estagiar, porque \u00e9 obrigat\u00f3rio o est\u00e1gio, quando ele fosse estagiar ele deveria ir protegido por um instrumento legal que lhe facilitasse a tramita\u00e7\u00e3o e o desempenho do est\u00e1gio porque eu n\u00e3o sei se ainda \u00e9 assim eu posso estar desatualizada, o aluno fica procurando um col\u00e9gio p\u00fablico ou particular para estagiar ainda \u00e9 assim?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Os professores t\u00eam um trabalho, um programa para esse fim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Porque havia um trabalho, porque havia um conv\u00eanio, onde o estado e o munic\u00edpio tinham obriga\u00e7\u00e3o legal de colocar o sistema a disposi\u00e7\u00e3o do licenciado, claro que com as devidas normas, evidente e l\u00f3gico, porque o licenciado precisa desse campo. Para ele compreender&#8230; saber dar uma aula e deve ser bem acompanhado nessa aula. \u00c9 isso que eu falo o processo \u00e9 esse no sentido desse acompanhamento, desse <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">following<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\"> como dizem os americanos. Precisa desse acompanhamento. N\u00e3o pode&#8230; Porque eu n\u00e3o sei licenciados tem me dito que tem entrado para dar aula e n\u00e3o tem o professor de did\u00e1tica, nem o professor de metodologia e pr\u00e1tica de ensino e muito menos o regente, no meu tempo n\u00e3o, o regente ficava porque ele tem que saber e perceber qual foi o conte\u00fado program\u00e1tico, como foi desenvolvido naquele per\u00edodo para fazer a avalia\u00e7\u00e3o, nem sempre \u00e9 o estagi\u00e1rio que faz a avalia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Estudante pergunta: Professora Leda, a Senhora pode nos falar como foi a sua experi\u00eancia como coordenadora no MOBRAL?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Ah posso&#8230; {risos} uma grande experi\u00eancia. O MOBRAL foi um projeto muito interessante. Eu fui solicitada pelo AGE, naquele momento foi feito pela professora C\u00e9lia, que eu considero uma grande professora aposentada da UFBA. E fui coordenar o MOBRAL. Eu vou lhe dizer uma coisa que poucas pessoas acreditam, mas eu lhe afian\u00e7o que \u00e9 verdade, eu pegava meu carro \u00e0 noite, e ia em todos esses lugares que funcionavam o MOBRAL e muitas vezes tive de entrar com pol\u00edcia, porque eram lugares, Nordeste Amaralina&#8230; aquele outro, Vale das Pedrinhas n\u00e3o eram brincadeira, agora n\u00e3o, eu passo por l\u00e1 as vezes, mas era  duro. Eu ia pra assistir, pra acompanhar, acompanhei de perto. Mas o grande projeto inovador no MOBRAL foi que eu consegui incluir estudantes da Universidade, eu achei \u201cse as professoras ensinam porque n\u00e3o incluir o estudante\u201d, fiz o projeto mandei pra o \u00e2mbito federal, e veio o apoio que eu poderia fazer, veio todo o recurso, eu reuni aqui nessa faculdade v\u00e1rios estudantes, de v\u00e1rias \u00e1reas que quiseram alfabetizar, voluntariado e os estudantes foram. E eles se submeteram porque o MOBRAL funciona em Salinhas de Par\u00f3quias, em salinhas estreitas de&#8230; as vezes em garagem de casas particulares, era uma loucura, n\u00e9? Mas quando eu estava no auge do meu entusiasmo, como sempre. A\u00ed Dr. Mascarenhas era o reitor, \u201cN\u00e3o. Voc\u00ea t\u00e1 cedida l\u00e1, mas venha pr\u00e1 c\u00e1, seu lugar \u00e9 aqui e nos precisamos de voc\u00ea aqui na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o\u201d eu tive de vir. Quer dizer, eu nunca tive assim dentro da UFBA, isso que \u00e9 interessante dizer, objetivos definidos, eu vou fazer isso, eu vou fazer aquilo, eu estava francamente a servi\u00e7o da Universidade, onde a universidade achava que eu podia dar a minha contribui\u00e7\u00e3o, eu ia e dava. E n\u00e3o me aborrecia com isso n\u00e3o, \u00c9 verdade que traumatizava um pouco, porque no momento em que voc\u00ea est\u00e1 no auge do MOBRAL, os estudantes adorando, eu tenho v\u00e1rios depoimentos de estudantes, tenho as cartas do MOBRAL, elogiando e tudo, porque o MOBRAL, tem v\u00e1rias cr\u00edticas ao MOBRAL, mas eu quero dizer que o material did\u00e1tico, de natureza excelente, excelente mesmo, porque eu vi, eu assistia aulas, n\u00e3o fui coordenadora de ficar l\u00e1 sentada n\u00e3o, eu ia de noite com meu carro particular, porque de dia eu tinha o carro, mas a noite n\u00e3o tinha ent\u00e3o eu ia com o meu carro particular.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP \u2013 E a Senhora tem cr\u00edticas do MOBRAL?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Tenho algumas cr\u00edticas, eu acho que&#8230; quer dizer, t\u00eam muitas cr\u00edticas de natureza mais pol\u00edtica, mas t\u00e9cnica, por exemplo, eu acho que deveria haver, mas flexibilidade, eu achei uma estrutura muito pesada, uma estrutura muito&#8230; como eu diria, muito \u2018pressionante\u2019 deveria haver mais flexibilidade, eu acho, Entendeu? Agora, a grande cr\u00edtica era que n\u00e3o alfabetizava, eu n\u00e3o acompanhei porque eu tive que sair, no momento eu n\u00e3o tive condi\u00e7\u00f5es de observar muito de perto se essa cr\u00edtica tem raz\u00e3o de ser, mas deve ter, porque An\u00edsio Teixeira mesmo faz cr\u00edtica ao MOBRAL.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E ele tamb\u00e9m vinha em substitui\u00e7\u00e3o de um importante projeto l\u00e1 do MEC, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: \u00c9, do MEC, exatamente. Tem isso tamb\u00e9m. Agora o Rondon foi outro projeto que eu participei. Participei do projeto. A\u00ed eu j\u00e1 estava trabalhando dentro da pr\u00f3 reitoria de extens\u00e3o da UFBA, eu fui pr\u00f3 reitora de gradua\u00e7\u00e3o, mas esse projeto do Rondon foi da pr\u00f3 reitoria de extens\u00e3o, mas esse projeto foi assim, uma coisa admir\u00e1vel, ai eu n\u00e3o tenho cr\u00edticas, o professor Reni de Souza. O projeto chamou-se projeto zero, foi um projeto a Barreiras, eu preparei alunos&#8230; eu n\u00e3o, a equipe toda, quando eu digo \u2018eu\u2019 atr\u00e1s de mim tem muita gente, n\u00e3o sou s\u00f3 eu. Pois eu sempre trabalhei em equipe e isso eu quero dizer, sempre sou muit\u00edssimo agradecida a todos que trabalharam comigo, eu n\u00e3o fiz nada, nada, nada sozinha. Nem as decis\u00f5es que eu poderia tomar legalmente e administrativamente eu n\u00e3o tomava, porque eu acho que trabalhar em colegiado \u00e9 a maneira melhor de se trabalhar alguma coisa, mas ai foram alunos de medicina, enfermagem, direito, servi\u00e7o social da Cat\u00f3lica, inclu\u00eda a Cat\u00f3lica e fomos fazer educa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, que \u00e9 uma coisa tamb\u00e9m fascinante, educa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9 fascinante, e agora se faz demais, educa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9 uma coisa muito valorizada, n\u00f3s fomos a Barreiras 980km de Salvador, n\u00f3s fomos com os alunos, mas levar estudantes de todos os n\u00edveis e de todos os cursos, v\u00e1rios cursos, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Fomos l\u00e1. Mas l\u00e1 o Rondon construiu o alojamento e eles fizeram um trabalho muito bonito, o pessoal de enfermagem com o SESP, o pessoal licenciando nas escolas, ajudaram muito, o pessoal de direito legalizando a vida daquele pessoal todo, muita gente sem registro, sem identidade, foi muito bonito aquele projeto, projeto zero. H\u00e1 pouco tempo recebi do Rondon uma solicita\u00e7\u00e3o para falar um pouco sobre&#8230; eles publicaram uma avalia\u00e7\u00e3o posterior do trabalho, muito bonito o Rondon, eu n\u00e3o tenho cr\u00edticas nenhuma ao Rondon e outra coisa que eu fa\u00e7o quest\u00e3o de dizer por que \u00e9 justi\u00e7a trabalhei com Militares, muita ordem, muita compreens\u00e3o, muita liberdade, n\u00f3s t\u00ednhamos&#8230; eu coordenei o projeto com uma absoluta liberdade, esse projeto mesmo de Barreiras inovamos em muitas coisas e eles liberavam, como acha que deve ser, ser\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Aluna: Professora Leda, a senhora acabou de dizer que trabalhou com Militares, e voltando s\u00f3 um pouquinho ainda tamb\u00e9m ao MOBRAL, na dec. de 70, A senhora acabou de dizer aqui pra todos n\u00f3s uma cr\u00edtica sua, se eu tiver errada me corrija por favor, seria uma estrutura r\u00edgida, e a senhora atribu\u00eda essa estrutura r\u00edgida a qu\u00ea? No MOBRAL, se \u00e9 poss\u00edvel apontar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Olha, \u00e9 prov\u00e1vel, \u00e9 prov\u00e1vel, n\u00e3o posso dizer com muita seguran\u00e7a, j\u00e1 passou muito tempo tamb\u00e9m, e eu n\u00e3o me lembro das pessoas que chefiavam, dos nomes na esfera Federal, eu n\u00e3o me lembro mais, n\u00e3o estou lembrada, mas \u00e9 prov\u00e1vel que isso tenha algum fundamento, \u00e9 prov\u00e1vel, agora, acontece que aqui diretamente, porque n\u00f3s trabalh\u00e1vamos na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio, diretamente era Roberto Santos o governador, Hage era o secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o me perdoe, a secretaria de educa\u00e7\u00e3o era uma ex professora da faculdade, era C\u00e9lia Nogueira, secret\u00e1ria de educa\u00e7\u00e3o. Me perdoe. Hage era o prefeito, t\u00f4 enganada, naquele momento, aqui, n\u00e3o falo na esfera federal, aqui eu tinha bastante liberdade pra atuar, tinha&#8230; agora o que eu achava r\u00edgido era a pr\u00f3pria metodologia um pouco r\u00edgida. Eu achava isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Aluna: Mas ainda assim, como a senhora acabou de dizer que tinha liberdade para coordenar n\u00e3o teria como burlar um pouco&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LD: Ah, teria. Eu acho que durante a continuidade, eu estava em per\u00edodo ainda para verificar, eu n\u00e3o cheguei&#8230; n\u00e3o houve tempo para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o. Eu acho que eu teria avaliado, e teria interferido. Tanto que eu acho&#8230; Eu acredito que quando eu convidei os estudantes, eu acho que j\u00e1 foi para isso, porque eu precisava flexibilizar aquela conduta t\u00e9cnica profissional que o MOBRAL tinha, eu acho que colocando os estudantes l\u00e1 eu acreditei e aconteceu. Porque foi uma nova onda, uma onda de for\u00e7a, uma onda de inova\u00e7\u00e3o, isso foi uma grande inova\u00e7\u00e3o, repercutiu no Brasil todo essa inova\u00e7\u00e3o. Repercutiu no Brasil todo. Outra inova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dentro da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, dentro da sala de aula que eu gostaria de ter continuado, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel, porque simplesmente quando eu estou no auge das coisas me tiram para outra, {risos} ent\u00e3o \u00e9 horr\u00edvel, parece que eu n\u00e3o termino as coisas, mas n\u00e3o sou eu, eu poderia dizer &#8220;n\u00e3o eu fico&#8221;, mas n\u00e3o sei talvez fosse um defeito da minha personalidade, eu sempre amei a UFBA, a UFBA sempre pra mim foi um \u00edcone, engra\u00e7ado, n\u00e3o sei, eu sempre aprendi a amar a Institui\u00e7\u00e3o no ponto de vista n\u00e3o s\u00f3 de uma liga\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \/profissional, mas uma liga\u00e7\u00e3o, al\u00e9m disso. N\u00e3o sei se voc\u00eas entendem isso, ou acham isso uma bobagem, pode ser. Mas \u00e9 verdade, existe isso, essa liga\u00e7\u00e3o com as Institui\u00e7\u00f5es. Quando eu estava ensinando Metodologia, porque eu ensinei na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, eu sempre dirigi, quando eu vim ensinar, eu vim ensinar Metodologia e Pr\u00e1tica de Ensino, voc\u00ea veja dentro das licenciaturas, e a\u00ed eu tinha muito entusiasmo de preparar o aluno para dar aquela aula, para ele sair um professor, pelo menos para saber dar uma aula, isso eu tinha muito entusiasmo! Ia para a escola p\u00fablica, sentadinha l\u00e1 naquelas cadeiras, que naquela \u00e9poca eram bem piores do que hoje, hoje a estrutura f\u00edsica das escolas p\u00fablicas, prof. Nelson, \u00e9 dez vezes melhor, dez vezes, as escolas do PREMEN tiveram como arquiteto o Pasqualino Mea Vita, escolas lindas, constru\u00eddas pelo PREMEN, trabalhei muito no PREMEN, tive uma coragem imensa, mas, eu estava falando que a inova\u00e7\u00e3o dentro da sala de aula&#8230; Naquela \u00e9poca eu fiz um curso muito interessante que era de analise transacional, \u00e9 uma t\u00e9cnica psicol\u00f3gica, muito interessante, mas \u00e9 uma t\u00e9cnica, n\u00e3o chega a ser uma escola psicol\u00f3gica, mais \u00e9 uma t\u00e9cnica, \u00e9 mais at\u00e9 uma t\u00e9cnica do que um m\u00e9todo, eu chamei um psic\u00f3logo, meu amigo M\u00e1rio Nascimento, do Departamento de Psicologia, e disse &#8220;M\u00e1rio voc\u00ea topa fazer comigo analise transacional para treinar esses meninos?\u201d ele disse \u201ctopo!\u201d \u201cEnt\u00e3o vamos&#8221;, ai foi uma experi\u00eancia t\u00e3o boa, que eu fui eleita paraninfa da turma e eu n\u00e3o deveria ser, porque eles deveriam escolher um professor do curso de Filosofia, mas como Rui Sim\u00f5es era muito meu amigo, disse &#8220;N\u00e3o, Leda n\u00e3o tem problema n\u00e3o, t\u00e1 certo!&#8221; n\u00e3o ficou zangado por isso n\u00e3o, mas foi uma experi\u00eancia&#8230; fizemos um projeto lindo e os alunos adoraram e aprenderam muito a compreender psicologicamente o papel do professor, o papel do aluno, foi muito bom, excelente!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: A senhora j\u00e1 por umas duas vezes relembra o PREMEN, fala um pouquinho dele, ele teve uma import\u00e2ncia&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: O PREMEN foi algo muito desafiador, n\u00e3o tenho outra palavra, porque o PREMEN, ele foi apresentado \u00e0s Universidades e aqui era Dr. Roberto Santos, &#8220;Dr. Roberto Santos vai formar tantos professores. Como \u00e9 que a Universidade vai resolver este problema?&#8221; Mas acontece que a parte econ\u00f4mica\/financeira era toda Federal, a Universidade n\u00e3o iria se preocupar com isso, n\u00e3o deveria se preocupar com isso, n\u00e3o deveria, o que se queria era formar mais professores, em licenciatura de curta dura\u00e7\u00e3o e licenciatura plena, e formar coordenadores, pedagogos, e estrutura f\u00edsica das escolas boas. Enfim, era um projeto, do ponto de vista t\u00e9cnico, completo. Era isso que o PREMEN queria. Foi a comunidades tamb\u00e9m. Quando o Instituto de F\u00edsica disse &#8220;n\u00f3s n\u00e3o podemos&#8221;, Qu\u00edmica &#8221; n\u00f3s n\u00e3o podemos&#8221;, Biologia &#8220;n\u00f3s n\u00e3o podemos&#8221;, L\u00ednguas&#8230; Dr. Roberto me chamou disse &#8220;- Leda esses Institutos n\u00e3o querem, de modo nenhum, dar a parte te\u00f3rica de forma\u00e7\u00e3o de professor&#8221;, &#8220;- Dr. Roberto a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 com muitos programas, naquela \u00e9poca tinham muitos programas, n\u00f3s vamos enfrentar mais um?&#8221;, ent\u00e3o eu fui conversei com meus professores, com o Conselho Departamental, sempre conversei com o pessoal do Departamento e todos resolveram que sim! Queriam. Por isso que eu digo, foi uma equipe maravilhosa! Professores, chefes de departamento, l\u00edderes. Que ao contr\u00e1rio, eles ficaram entusiasmados, sabiam que eram muito trabalho, sabiam que iam ganhar dinheiro tamb\u00e9m, mas sabiam tamb\u00e9m que era muito trabalho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: A senhora lembra nomes?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Lembro sim&#8230; Do PREMEN? Lembro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Da sua equipe, foi muita gente para a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Como trabalhar na Secretaria? <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: \u00c9, ter cargo, e trabalhar na Secretaria, n\u00e3o foi neste per\u00edodo?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Foi. Por exemplo, Silvestre foi uma pessoa do PREMEN que trabalhou muito l\u00e1, mas eles tinham&#8230; De certo modo, ligado \u00e0 Secretaria, mas eles tinham o seu setor bastante diferenciado, sabe prof. Nelson. Alda Pepe me ajudou muito, n\u00e3o foi para a Secretaria, ela ficou comigo, Maria An\u00e1lia Costa Moura, Edvaldo, Judith Endraus, s\u00e3o tantos professores. O pessoal de orienta\u00e7\u00e3o educacional: Maria Augusta Cruz Abdom, Dilza Atta, de supervis\u00e3o. Todos colaboraram. Muito complementaram. Foi muito complicado, porque t\u00ednhamos de formar professores, a parte te\u00f3rica do conte\u00fado, chamada de conte\u00fado, com a parte pedag\u00f3gica. J\u00e1 pensou?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E como a senhora avalia?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu avalio muito bom, s\u00f3 n\u00e3o avalio os resultados, n\u00e3o do PREMEN, mas avalio com muita pena o que aconteceu, porque os professores que foram designados e aceitaram ir para o interior para trabalhar nos Col\u00e9gios Polivalentes, chamados col\u00e9gios polivalentes, o que \u00e9 que aconteceu? Politicamente n\u00e3o quiseram ficar no interior, embora nenhum deles tivesse vindo a mim, pelo menos os que chegaram at\u00e9 mim, para se queixar do ensino, mas n\u00e3o queriam viver no interior. Mas porque aceitou? Por que aceitou um contrato? Por que fechou um contrato? N\u00e9? A\u00ed come\u00e7aram a vir, ent\u00e3o a filosofia do PREMEN foi completamente desvirtuada. Ent\u00e3o eu acho assim, que faltou&#8230; n\u00e3o sei, talvez Silvestre lhe d\u00ea uma resposta, porque ele era mais dessa parte do PREMEN que lidava com todas estrutura governamental no momento, \u00e9 prov\u00e1vel que ele d\u00ea uma resposta melhor, mas o que eu acho \u00e9 que foi dada uma oportunidade muito boa e que essa oportunidade n\u00e3o foi devidamente desenvolvida, aproveitada. Isso \u00e9 o que eu acho. Por exemplo, eu acompanhei o Col\u00e9gio Polivalente de Amaralina, que \u00e9 perto da minha casa, que eu morava l\u00e1, e cheguei mesmo&#8230; a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o chegou a entrar no Col\u00e9gio Polivalente de Amaralina, j\u00e1 depois do Premem ter terminado, para, talvez, substituir um pouco o Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o, ser um pouco um est\u00e1gio, n\u00e3o foi professor. Faltava \u00e1gua, faltava tudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Em que ano foi isso?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Deixe-me dizer&#8230; 60&#8230; D\u00e9cada de 60 para 70. Mais ou menos isso. N\u00e3o foi poss\u00edvel, e o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o era meu amigo, ainda tem mais essa, era prof. R\u00f4mulo Galv\u00e3o. \u201cProf. R\u00f4mulo&#8230;\u201d \u201cAh Leda, mas&#8230;\u201d, \u201cmas n\u00e3o pode prof. R\u00f4mulo\u201d \u201cComo \u00e9 que podemos trabalhar?\u201d. A profa. Olga sabe bem disso, que ela estava nessa parte do PROTAP naquela \u00e9poca, n\u00e3o pode ser feito. Ent\u00e3o que o Premem, at\u00e9 hoje ainda se tem not\u00edcia dele atrav\u00e9s da estrutura f\u00edsica dos col\u00e9gios, que foram muito bem estruturados, muito bem constru\u00eddos, \u00e9 verdade que PREMEN fez muito bem. Outra coisa eu acho que se eu pudesse definir o sucesso da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o eu atribuo a v\u00e1rios projetos que foram desenvolvidos todos ao mesmo tempo, embora criasse muito trabalho para os professores, foi problem\u00e1tico para muitos, mas eu acho que deu vida, foi muito vitalizador. Muito vitalizador. Mas eu soube que agora a Faculdade tamb\u00e9m tem muitos projetos, isso \u00e9 muito bom. Eu acho que \u00e9 muito bom&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">ALUNA LILI SILVA: Perguntando s\u00f3 um pouquinho do Projeto Rondom, voc\u00ea disse que foi um projeto bel\u00edssimo. Porque Barreiras, a 980 km, como a senhora afirmou, foi escolhida para esse projeto e em que ano isso aconteceu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Olha, meu amor&#8230; Foi escolhido pelo seguinte, porque o Rondom inicialmente houve um estudo geopol\u00edtico, geogr\u00e1fico mesmo para saber quais eram os munic\u00edpios mais carentes, e Barreiras, no estado da Bahia, foi escolhido, n\u00e3o por n\u00f3s, nem pela Faculdade, nem pela Bahia, foi em \u00e2mbito Federal, foi escolhido realmente. Porque Barreiras realmente&#8230; Olhe. quando eu vejo hoje o progresso de Barreiras, eu n\u00e3o acredito! Porque o que eu vi em Barreiras de pobreza, de falta de desenvolvimento cultural, \u00e9 incr\u00edvel. E ent\u00e3o eles constru\u00edram l\u00e1 o alojamento e quando eu fui coordenar o projeto era para l\u00e1 que n\u00f3s t\u00ednhamos de ir. Entendeu? N\u00e3o foi uma escolha nossa, j\u00e1 era algo determinado. Eu lidei com a educa\u00e7\u00e3o infantil tamb\u00e9m um pouco com Angelina Assis. \u00c9 bom eu falar isso. Era assim, a Faculdade era solicitada, muito solicitada, ela foi o centro&#8230; verdade isso&#8230; ela foi o centro de orienta\u00e7\u00e3o. Os col\u00e9gios p\u00fablicos nos procuravam, os col\u00e9gios particulares nos procuravam, n\u00e9? E Angelina Assis foi uma mulher extraordin\u00e1ria em educa\u00e7\u00e3o infantil, mas quando ela precisou de ajuda e a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de seus professores, ajudou muito, orientou muito essa \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o infantil depois veio a 5692, a lei, voc\u00eas sabem, conhecem pedagogia, que revolucionou. Nossa&#8230; os col\u00e9gios nos procuravam o Estado tamb\u00e9m, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio, do Estado, nos procurando para que n\u00f3s&#8230; chegamos a designar professores para dar orienta\u00e7\u00e3o direta a escola pra poder explicar a 5692 e discutir solu\u00e7\u00f5es internas com a estrutura do col\u00e9gio pra isso, ent\u00e3o, exame de efici\u00eancia, mas voc\u00eas tem um volume com tudo explicado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Pergunta: O que representa para a senhora ter o seu nome em uma escola?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Olha, minha querida, esse nome foi dado pela secretaria de educa\u00e7\u00e3o, eu nem esperava, eu acho assim, as pessoas que trabalham, que desenvolvem todo um trabalho dentro de uma institui\u00e7\u00e3o como a universidade ou em outra institui\u00e7\u00f5es, eu fico muito triste quando n\u00e3o h\u00e1 um sentimento que est\u00e1 muito afastado hoje que \u00e9 gratid\u00e3o, eu fico muito triste. Eu vi pessoas que desenvolveram todo uma&#8230; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um trabalho n\u00e3o, toda uma vida, desenvolveram sua vida em torno daquelas causas maravilhosas de determinadas institui\u00e7\u00f5es, ou de um grupo de institui\u00e7\u00f5es e n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas, eu n\u00e3o sei, eu acho a gratid\u00e3o muito importante, eu lhe digo com toda sinceridade, eu me sinto sumamente gratificada, \u00e9 at\u00e9 mais do que eu mere\u00e7o, tenho recebido homenagens at\u00e9 muito mais do que eu mere\u00e7o. Agora, do ponto de vista de ficar ressentida porque, isso n\u00e3o, porque eu aprendi desde muito jovem, eu aprendi que n\u00e3o adianta esperar recompensa, eu fa\u00e7o porque tenho que fazer, nesse ponto eu sou espiritualista, monista, eu acredito no processo de evolu\u00e7\u00e3o \u00e9tica do indiv\u00edduo, acredito que o indiv\u00edduo pode se tornar cada vez mais desapegado a muitas coisas que n\u00e3o leva a nada, ent\u00e3o eu recebo as homenagens que eu tenho v\u00e1rias, as medalhas, com muita alegria mas lhe digo com toda sinceridade, toda a sinceridade n\u00e3o \u00e9 aquilo que mais me gratifica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: A senhora teve muitos advers\u00e1rios nessa sua trajet\u00f3ria?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: \u00c9 uma boa pergunta&#8230; Olha, professor Nelson, eu acredito que se eu tive advers\u00e1rios, eles nunca&#8230; como eu diria? Nunca foram atuantes definidos contra mim, nunca. Por exemplo, na faculdade de educa\u00e7\u00e3o eu s\u00f3 tive uma professora que eu sei que ela tem magoa de mim, eu tenho certeza que ela tem magoa de mim, eu fico muito triste, porque ela n\u00e3o acredita no que ocorreu, mas eu vou contar aqui, eu n\u00e3o me importo de dizer a verdade, porque a verdade ela \u00e9 t\u00e3o forte que n\u00e3o se deve oculta-la, por exemplo, essa professora que eu me permito n\u00e3o dizer o nome, essa professora fez um concurso aqui, e nesse concurso ela passou, e esses concursos n\u00e3o sei como \u00e9 no momento agora na estrutura da UFBA e s\u00e3o homologado fora da faculdade, eles s\u00e3o homologados pelo conselho de coordena\u00e7\u00e3o, e na hora que eu fui comunicar ao reitor, era Dr. Lafaiete Ponder os que passaram, a\u00ed Dr. Lafaiete virou-se pra mim e disse \u201cEu acho que vamos ter problemas\u201d e eu disse \u201cPorque problemas? Os concursos?\u201d Eu fiz 82 concursos no meu per\u00edodo, e \u00e9 uma trabalheira pra uma faculdade dessa, n\u00e3o sei se ainda \u00e9 agora, eu n\u00e3o sei a sistem\u00e1tica, mas era. Agora, eu sempre fui na faculdade uma pedinte uma esmole, eu vivia pedindo dinheiro, pedindo professor, quando eu chegava, j\u00e1 falavam \u201cAi&#8230; Dona Leda o que \u00e9 hoje?\u201d Eu digo hoje \u201c\u00e9 isso que eu quero\u201d, eu sempre fui assim, eu era nesse particular eu vivia nos lugares da universidade pedindo e fazendo oficio, fazendo demonstra\u00e7\u00f5es em cidades, e assim n\u00f3s conseguimos construir esse pr\u00e9dio aqui, a\u00ed \u201cAcho que n\u00f3s n\u00e3o podemos homologar\u201d, eu disse pro Dr. Lafaiete que n\u00e3o vejo nada demais, ele disse \u201cn\u00e3o fa\u00e7a isso, n\u00e3o mande pra c\u00e1. Porque aqui n\u00e3o vai ser homologado e vai ser muito pior para professora, \u00e9 melhor que essa n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o fique interna dentro da sua faculdade do que aqui exposta\u201d, eu disse \u201cProfessor Lafaiete isso \u00e9 muito s\u00e9rio\u201d, ent\u00e3o eu consultei um conselho universit\u00e1rio dessa faculdade e disse que estou numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, nunca estive numa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil, consultei o conselho, discutimos uma hora e meia sobre isso se dever\u00edamos ou n\u00e3o, a princ\u00edpio n\u00f3s ach\u00e1vamos que dever\u00edamos que acontecesse o que acontecesse l\u00e1, mas depois ouve uma posi\u00e7\u00e3o human\u00edstica, \u201cN\u00e3o vamos expor uma professora, porque expor uma professora a isso? Se o problema era apenas pol\u00edtico\u201d, a\u00ed o conselho decidiu comigo, daqui departamental, eu n\u00e3o tomei essa decis\u00e3o, eu n\u00e3o tomaria&#8230; eu nunca tomei uma decis\u00e3o dessa, o conselho departamental, ent\u00e3o eu fui ao Dr. Lafaiete e disse \u201c\u00d3, Dr. Lafaiete, eu consultei o conselho&#8230;\u201d e ele disse \u201cFez muito bem, voc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9 que aconteceria era muito desagrad\u00e1vel pra faculdade, pra professora, para a Universidade\u201d, mas como \u00e9 que a professora vai acreditar nisso, n\u00e3o acredita&#8230; at\u00e9 hoje, o quer que eu posso fazer, eu estou respondendo de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, foi isso que aconteceu, eu nem sei o que houve depois, porque eu n\u00e3o poso saber, n\u00e9? N\u00e3o sei o que o reitor falou, n\u00e3o sei, isso foi o que aconteceu comigo, pena que eu n\u00e3o tenha gravado, n\u00e9? Mas foi exatamente o que aconteceu e n\u00e3o foi uma decis\u00e3o minha, eu n\u00e3o iria jamais&#8230; agora, eu sei que essa professora deve ter m\u00e1goa de mim. Claro, eu at\u00e9 entendo e respeito. Agora, advers\u00e1rio assim, pessoas contra a faculdade de educa\u00e7\u00e3o ou contra nossa administra\u00e7\u00e3o que tivesse identificados e com cr\u00edticas que eu pudesse trabalhar essas cr\u00edticas e discuti-las n\u00e3o, n\u00e3o tive.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Nem na pr\u00f3 reitoria de gradua\u00e7\u00e3o? No per\u00edodo da pr\u00f3 reitoria de gradua\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Ah&#8230; No per\u00edodo da pr\u00f3 reitoria de gradua\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 outra&#8230; {risos} \u00c9, a\u00ed Macedo Costa me convidou pra ser pr\u00f3 reitora de gradua\u00e7\u00e3o, a\u00ed na pr\u00f3 reitoria evidentemente que alguns grupos acharam&#8230; n\u00e3o, o problema \u00e9 o seguinte, o poder de um reitor, o poder, eu t\u00f4 falando do poder, n\u00e3o \u00e9 o que se pensa, n\u00e3o \u00e9 o que se pensa. Ent\u00e3o estamos ai na d\u00e9cada de 80, fim de 70 pra 80 com um reitor ainda de uma linha conservadora. Havia naquele momento uma ala da universidade, um grupo da Universidade, uma onda como \u00e9 natural&#8230; Universidade \u00e9 isso mesmo, n\u00e3o d\u00e1 pra todo mundo concordar, assim muito m\u00e9dico na reitoria&#8230; faculdade de medicina sempre dentro do poder, isso a\u00ed n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, ent\u00e3o \u00e9 claro que a equipe que trabalha sofre as rebarbas disso, n\u00e9? Ent\u00e3o veja bem, o curso de medicina vinha e solicitava&#8230; explanavam suas necessidades de contrata\u00e7\u00e3o de pessoal de v\u00e1rias ordens, ent\u00e3o \u00e9 claro, \u00e9 obvio, devido a n\u00e3o s\u00f3 a import\u00e2ncia da faculdade de medicina, porque realmente formar m\u00e9dicos \u00e9 muito s\u00e9rio muito forte, como tamb\u00e9m haviam la\u00e7os muito fortes dos reitores m\u00e9dicos com a faculdade de medicina, a\u00ed sim, alguns grupos se queixavam um pouco disso mas n\u00e3o diretamente a p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o como p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o, sabe? Mas isso \u00e9 poss\u00edvel, a\u00ed eu fui a faculdade de medicina v\u00e1rias vezes&#8230; Outra coisa importante era \u00e9poca da reforma e a 5540 foi uma modifica\u00e7\u00e3o na estrutura da universidade fant\u00e1stica, ningu\u00e9m sabia o que era credito, a lei, ela de certa maneira, ela estrutura a universidade de uma maneira completamente diferente do que era ent\u00e3o a\u00ed&#8230; estamos trabalhando demais, professores que n\u00e3o podiam nem ter f\u00e9rias porque tinha os prazos, os prazo para Roberto Santos era de ontem, aqueles prazos de ontem. O conselho universit\u00e1rio come\u00e7ava 10h e 2h da tarde ainda estava discutindo regimento, isso, evidentemente que n\u00e3o agradava, n\u00e3o era alguma coisa para agradar, n\u00e9? Foi muito duro a reforma, agora quando eu j\u00e1 fui pr\u00f3 reitora as coisas estavam bem amenizadas, por exemplo a polit\u00e9cnica com 6 cursos naquela \u00e9poca, hoje deve ter muito mais, pra estruturar dentro da reforma, das leis da reforma, eu tive que mandar um professor pra l\u00e1, ent\u00e3o tudo isso incomodou, essa que \u00e9 a verdade, incomodou, e a pro reitoria \u00e9 claro, que recebia, porque a p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 outra coisa&#8230; Falar em p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o, eu quero dizer que trabalhei muito e devo muito a professores como Edvaldo Boaventura e muitos outros professores ao mestrado e ao doutorado, muitos, mas tamb\u00e9m lutei muito, lutei muito tamb\u00e9m e tive a prud\u00eancia de como gestora da faculdade deixar a p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o mais liberada, entendeu? \u00c9 outra coisa que \u00e9 muito importante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Aluna: Professora, a senhora se aposentou como pr\u00f3-reitora da gradua\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Sim como pr\u00f3-reitora, e depois ainda trabalhei no Rondon, trabalhei&#8230; a extens\u00e3o me chamou e eu fui ao Rondon trabalhar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Professora, e o lado poeta? N\u00f3s estamos tendo que come\u00e7ar a encerrar. Acho que \u00e9 melhor falar um pouquinho do futuro, e da poesia, n\u00e3o? {risos}<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Olha, eu gosto de escrever. Eu n\u00e3o me considero escritora, porque eu acho que o escritor \u00e9 aquele que al\u00e9m da inspira\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria tem que trabalhar o texto, o escritor \u00e9 aquele que trabalha o texto e eu n\u00e3o trabalho texto coisa nenhuma, eu gosto de escrever, n\u00e3o gosto do computador para escrever, mas escrevo com a caneta e o papel e vou escrevendo. A\u00ed as pessoas amigas acham que deve publicar, mas tudo bem minha vaidade n\u00e3o chega a ponto de dizer, podem criticar a vontade, eu n\u00e3o me considero poetisa, t\u00e1 certo vamos publicar. Tem um poeta que diz \u201cFa\u00e7o versos como quem chora\u201d, eu tamb\u00e9m fa\u00e7o versos como quem chora quem t\u00e1 em um momento emocional adequado, a\u00ed fa\u00e7o versos. Agora, gosto de fazer cr\u00f4nicas, gosto mais de fazer as cr\u00f4nicas, e minhas cr\u00f4nicas foram publicadas durante muito tempo numa coluna do jornal a tarde chamada \u201cUltraleve\u201d e elas est\u00e3o todas em um livro \u201cCaminhando em sol de outono\u201d que eu j\u00e1 lancei e outras cr\u00f4nicas v\u00e3o ser lan\u00e7adas ainda pela UFBA \u201dNuvem do entardecer\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E os planos para o futuro?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Olha, no \u00e2mbito pessoal, eu fui uma mulher que tive que me dividir muito. Como voc\u00ea j\u00e1 percebeu, n\u00e3o \u00e9? Agora eu dedico muito minha vida em ajudar a educar meus bisnetos, porque meus netos eu n\u00e3o pude participar tanto, mas meus bisnetos estou podendo participar um pouco mais, e ent\u00e3o, o estar com eles \u00e9 muito gratificante para mim. E de certa maneira, psicologicamente, compreens\u00edvel, porque como eu n\u00e3o pude dar aos filhos tudo que eu queria dar, meu marido at\u00e9 diz \u201cN\u00e3o, voc\u00ea deu o que deveria dar.\u201d mas eu acho que n\u00e3o eu n\u00e3o dei o que eu queria dar, ent\u00e3o eu procuro dar \u00e0 minha fam\u00edlia, porque eu tive que subtrair muito tempo da minha fam\u00edlia, eu chegava na faculdade sete horas sete e meia, e saia muitas vezes por causa do premem \u00e0s dez horas da noite, Silvestre mesmo sabe disso, dez horas da noite. Era assim. Ent\u00e3o eu tinha muito trabalho. E o futuro, professor Nelson quando a gente tem uma d\u00e9cada de 80, j\u00e1 no fim da d\u00e9cada de 80, o futuro pode ser amanh\u00e3, eu n\u00e3o fa\u00e7o muitos planos para o futuro, n\u00e3o nesse particular. Eu vou, ali\u00e1s como foi na UFBA, voc\u00eas viram que eu n\u00e3o fiz planos, a UFBA me chamou quando ela quis e eu fui, n\u00e3o sei, muitas amigas dizem que isso \u00e9 ingenuidade eu sou criticada por isso, que n\u00e3o, n\u00e3o deveria ser assim, \u201cvoc\u00ea deveria ficar no departamento de filosofia\u201d, onde eu realmente ia fazer um concurso pra ser assistente da cadeira de filosofia me criticam muito, que \u201cisso \u00e9 subserviente\u201d, at\u00e9 subserviente eu j\u00e1 fui chamada, mas n\u00e3o fazia por isso n\u00e3o, acredite era vontade de fazer, n\u00e3o era para me sentir uma pessoa boa, ou melhor do que os outros, era porque eu achava que a institui\u00e7\u00e3o precisava, eu ficava convencida que precisava disso, e na realidade precisava. Quando eu fui para classes experimentais precisava, o conv\u00eanio ia ser denunciado, uma coisa muito desagrad\u00e1vel para universidade, denunciar um convenio. Ent\u00e3o Batista Vidal, Felipe, Ant\u00f4nio Celso Esp\u00ednola, todos eles me chamaram aten\u00e7\u00e3o, Leda voc\u00ea vai, e eu disse \u201cN\u00e3o, tudo bem. Vamos para as classes experimentais, vamos l\u00e1\u201d, entrei no gin\u00e1sio da Bahia, entrei com o Ramacrisne que era do departamento de ensino fundamental da secretaria porque o diretor n\u00e3o tava muito de acordo n\u00e3o, a equipe n\u00e3o estava de acordo, depois ficaram t\u00e3o meus amigos, ajudei tantos eles. Criei l\u00e1 o servi\u00e7o social, ajudei muito depois, mas no in\u00edcio tudo que \u00e9 novo, tudo que come\u00e7a, voc\u00eas sabem disso melhor do que eu, cria um impacto, do desconhecido \u00e9 o medo que n\u00f3s temos ancestralmente dentro de n\u00f3s. Ent\u00e3o o futuro, eu dedico isso e tamb\u00e9m escrevo, e fa\u00e7o uma coisa, todas as vezes que me solicitam uma ajuda para facilitar qualquer tramita\u00e7\u00e3o na universidade ou na secretaria, nos \u00f3rg\u00e3os de educa\u00e7\u00e3o t\u00f4 pronta para ajudar n\u00e3o tenha a menor d\u00favida, porque tenho algum conhecimento o que me custa ajudar, uma coisa legal, \u00e9tica que n\u00e3o vai prejudica, ent\u00e3o isso eu fa\u00e7o, isso eu fa\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Aluna: Professora, depois que eu tive o prazer de passar essa tarde nessa conversa, de ter ouvido a senhora falar do trabalho maravilhoso que a senhora desenvolveu em educa\u00e7\u00e3o aqui na Bahia, e no Brasil, se a senhora n\u00e3o fosse educadora, a senhora diria pra gente que a senhora gostaria de ser o qu\u00ea?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu gostaria de ser uma escritora, simplesmente. Simplesmente uma escritora. Eu gostaria de desenvolver temas que pudessem ajudar as pessoas, porque eu acho que o livro, e agora toda inform\u00e1tica, toda essa parte tecnol\u00f3gica eu acho que ajuda muito a forma\u00e7\u00e3o de uma personalidade, n\u00e9? Ent\u00e3o eu gostaria de ser uma escritora, gostaria. Mas n\u00e3o sou, n\u00e3o sou, e nem tenho a pretens\u00e3o de ser, vou deixar bem claro isso, mas se eu come\u00e7asse, eu gostaria de ser uma escritora, ou na \u00e1rea da diplomacia, das rela\u00e7\u00f5es internacionais, a minha amiga que fez comigo e que foi tolhida hoje ela casou foi para os estados unidos e fez diplomacia e se tornou diplomata do Brasil em Portugal. Conseguiu {risos}<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Ent\u00e3o para encerrar, al\u00e9m de agradecer, s\u00f3 registrar que a senhora est\u00e1 sentada numa cadeira hist\u00f3rica que estava na sala do PROTAP.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: \u00d3timo! O PROTAP era um programa muito interessante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E esses banquinhos dos laborat\u00f3rios que eram aqui desse terceiro andar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Foi constru\u00eddo pra isso esse andar, foi constru\u00eddo pra&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: E \u00e9 s\u00f3 por conta disso, que hoje n\u00f3s podemos ligar essas luzes a\u00ed porque a subesta\u00e7\u00e3o tinha preparo para receber os forros e coisas desse tipo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Foi uma coisa que n\u00f3s insistimos, insistimos, viu? Para poder formar os professores, as experi\u00eancias de qu\u00edmica, f\u00edsica, biologia, ci\u00eancias, n\u00e9? A licenciatura curta de ci\u00eancias, n\u00e9? H\u00e1 muita coisa mais a dizer, mas n\u00e3o sei se eu disse as mais interessantes para voc\u00eas ouvirem, n\u00e3o sei, mas me esforcei para ser o mais \u00fatil poss\u00edvel.  <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">{Palmas}<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">B\u00e1rbara: Eu sou B\u00e1rbara, tamb\u00e9m sou do curso de pedagogia, e estou encantada com essa tarde maravilhosa que eu tive hoje com a professora Leda, e quero agradecer por ter tido o prazer de t\u00ea-la tido aqui conosco essa tarde.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Liuriena: Ol\u00e1, meu nome \u00e9 Liuriena, fa\u00e7o parte do curso de pedagogia. Amei a tarde hoje com a presen\u00e7a da nossa querida Leda, e t\u00f4 maravilhada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Rafaela: Ol\u00e1, meu nome \u00e9 Rafaela, dou do quinto semestre do curso de pedagogia. Me senti muito lisonjeada de participar dessa tarde porque foi uma experiencia nova, e de toda forma, cria possibilidades para um futuro como pedagoga tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">L\u00eddio: Meu nome \u00e9 L\u00eddio, e eu tamb\u00e9m gostei muito da experi\u00eancia, e assim&#8230; apesar de estar um pouco cansado por ter ficado a tarde toda em p\u00e9, {risos} mas eu acho que foi uma experi\u00eancia muito v\u00e1lida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Porque foi o respons\u00e1vel pelo <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">Making Of <\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">{risos}<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Jamile: Ol\u00e1, meu nome \u00e9 Jamile, sou estudante de pedagogia. Me sinto muito feliz tamb\u00e9m com a presen\u00e7a da professora Leda Jesu\u00edno, acredito que os seus ensinamentos, a sua determina\u00e7\u00e3o, vai contribuir muito para a nossa aprendizagem no futuro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Cinara: Ol\u00e1, meu nome \u00e9 Cinara Hora, sou aluna do quinto semestre em pedagogia, e quero dizer que a entrevista foi infinitamente melhor do que eu imaginei que poderia ser.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Caroline: Ol\u00e1, meu nome \u00e9 Caroline, sou de comunica\u00e7\u00e3o, e t\u00e1 sendo uma experi\u00eancia, \u00f3tima assim, t\u00f4 vendo coisas que eu n\u00e3o vivi na Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o, aqui. E foi muito legal, foi \u00f3tima a entrevista achei muito bacana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Daniel: Eu sou Daniel Pinheiro, tamb\u00e9m foi uma experi\u00eancia bacana ficar atr\u00e1s das c\u00e2meras, mas tamb\u00e9m participando, ouvindo e vivenciando todo esse momento de hoje a tarde. Foi maravilhoso. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Eu n\u00e3o falei da academia de educa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Eita, falou tanta coisa&#8230; {risos}<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">LJ: Sempre \u00e0s ordens de voc\u00eas. Viu, Professor Nelson? Sempre t\u00f4 \u00e0s ordens. Pro que quiser. Fazer uma demonstra\u00e7\u00e3o, trabalhar&#8230; pros estudantes tamb\u00e9m. N\u00f3s estamos muito abertos, viu?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">NP: Muito obrigada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Revis\u00e3o final da transcri\u00e7\u00e3o por Isamara Ellen, aluna de pedagogia e monitora de EDC61 \u2013 Mem\u00f3ria em V\u00eddeo da Educa\u00e7\u00e3o na Bahia<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mem\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o na Bahia Gravado nos est\u00fadios do \u00c9duCANAL \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, em 03 de Maio de 2011. Leda Jesu\u00edno dos Santos Leda Jesu\u00edno (LJ): Meu nome \u00e9 Leda Jesu\u00edno dos Santos, sou mais conhecida como Leda Jesu\u00edno, nasci em Salvador, aqui na Bahia, e num bairro muito interessante, um bairro muito t\u00edpico que \u00e9 o Rio Vermelho. Que at\u00e9 hoje \u00e9 um barro assim, muito badalado, n\u00e9? Um bairro muito comentado, por todo um n\u00edvel cultural muito bom, onde morou Jorge Amado e etc. E vivi um pouco l\u00e1. Vivi num morro, porque o Rio Vermelho \u00e9 cheio de morros, e eu nasci em um daqueles morros, que \u00e9 o morro de S\u00e3o Gon\u00e7alo, que n\u00e3o \u00e9 muito conhecido, mas, \u00e9 um dos belos morros de Salvador. Nasci, l\u00e1 num s\u00edtio imenso, vivi toda a minha inf\u00e2ncia com a natureza, muito com a natureza. Era filha \u00fanica, n\u00e3o tinha absolutamente vizinhos, porque no topo do morro n\u00e3o havia muitas casas ent\u00e3o eu vivi a minha primeira inf\u00e2ncia muito s\u00f3, com a natureza, com as \u00e1rvores, com a terra, com animais, n\u00e9? Porque havia animais tamb\u00e9m. E aprendi a n\u00e3o me sentir solit\u00e1ria, porque aquela vibra\u00e7\u00e3o imensa, aquela for\u00e7a da natureza, da terra, dos frutos lindos, eu tinha tudo, at\u00e9 macieira tinha, frutas raras, mas como meu pai cultivava muito, ent\u00e3o havia at\u00e9 a parreira. Muitas e muitas vezes me lembro de ter chegado \u00e0 janela e ter estendido a m\u00e3o e poder colher um cacho de uva. Isso n\u00e3o \u00e9 muito comum, n\u00e3o \u00e9? E com animais aprendi a conviv\u00eancia, de um cachorrinho, que foi meu companheiro de toda inf\u00e2ncia porque n\u00e3o tinha praticamente com quem brincar. Mas, fui educada no antigo Gin\u00e1sio Americano, que hoje \u00e9 o Col\u00e9gio Dois de Julho, que integra hoje a funda\u00e7\u00e3o Dois de Julho, que tem uma Universidade. Ent\u00e3o eu fui educada neste col\u00e9gio. E, muito espec\u00edfico dizer da minha vida\u2026 quer dizer, a t\u00f4nica, a linha, o eixo da minha vida \u00e9 o pioneirismo, interessante, n\u00e3o porque minha fam\u00edlia buscasse isso mas, porque foi um acontecimento que ocorreu e continuou ocorrendo durante minha vida toda. Voc\u00eas v\u00e3o ver. Ent\u00e3o, naquele momento as jovens, as crian\u00e7as, eram educadas nos col\u00e9gios de freiras. Sacramentina, Merc\u00eas, S\u00e3o Jos\u00e9 eram os grandes col\u00e9gios, col\u00e9gios famosos, que apresentavam\u2026 naquele tempo n\u00e3o havia projetos pedag\u00f3gicos, mas, havia uma\u2026 digamos assim, um consenso na sociedade, n\u00e9? De que seriam os melhores col\u00e9gios mas, minha m\u00e3e n\u00e3o me colocou, porque minha m\u00e3e era meio agn\u00f3stica, ent\u00e3o, ela dizia que jamais ia me colocar num col\u00e9gio de freira, porque ela foi das Merc\u00eas e n\u00e3o aprovou, ela n\u00e3o aceitou a maneira como ela foi educada e muita discrimina\u00e7\u00e3o das meninas ricas, das meninas pobres, discrimina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m naquela \u00e9poca um pouco racial, muito menos, mas havia. Ent\u00e3o l\u00e1 fui eu para o Col\u00e9gio Americano, e l\u00e1 encontrei dois maravilhosos educadores o casal Baker, Ms. Baker e Randy Baker. Eram mission\u00e1rios, moravam dentro do col\u00e9gio, na estrutura do col\u00e9gio e simplesmente num quarto amplo com uma salinha e o sanit\u00e1rio, s\u00f3. Moravam l\u00e1. Ent\u00e3o, eles viviam no col\u00e9gio e como eles viviam no col\u00e9gio eles participavam muitos da vida dos estudantes e podiam educar melhor, evidentemente que a transmiss\u00e3o dos valores era muito mais direita muito mais forte. Ent\u00e3o, eu considero isso um privil\u00e9gio que a vida me deu, n\u00e3o foi m\u00e9rito meu. Ent\u00e3o, l\u00e1 fui educada e passei nove anos l\u00e1. Naquela \u00e9poca, voc\u00eas sabem, que o sistema, voc\u00eas s\u00e3o estudantes de pedagogia, eram quatro anos chamados prim\u00e1rios, com cinco anos chamados ginasiais, que hoje seriam os nove anos da lei atual do fundamental. Passei l\u00e1 todo esse tempo, durante todo esse per\u00edodo, eu consegui, de certa maneira, aprender algo muito importante, que foi a necessidade de conviver com alunos, com outras crian\u00e7as que eram os alunos, que vinham do interior, para l\u00e1, para estudar no col\u00e9gio\u2026 no Gin\u00e1sio Americano, isso foi muito importante para mim, porque eu comecei a sentir as diferen\u00e7as e tamb\u00e9m a aceitar aquilo como natural, porque eles tinham h\u00e1bitos um pouco diferentes e l\u00e1 eu passei os 9 anos. Bem&#8230; Nelson Preto (NP): A Senhora falou das escolas particulares, como era o ensino p\u00fablico nessa \u00e9poca? Por que a op\u00e7\u00e3o pela escola particular? LJ: A op\u00e7\u00e3o pela escola particular, pelo menos, eu t\u00f4 falando como eu via naquela \u00e9poca, n\u00e3o como eu vejo hoje, naquela \u00e9poca eu s\u00f3 ouvia falar em escolas particulares, honestamente, n\u00e3o ouvia falar em escolas p\u00fablicas. E no bairro do Rio Vermelho por exemplo, eu n\u00e3o me lembro, e passeava muito por ali, eu n\u00e3o me lembro de ter passado por uma escola p\u00fablica ali, n\u00e3o me recordo, sinceramente n\u00e3o me recordo. Entendeu? NP: Onde ficava a escola Americana? LJ: Garcia, no Garcia. Tamb\u00e9m, ainda hoje, porque ali \u00e9 solar, um solar tombado, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o era naquele solar que funcionava realmente, depois evidentemente, com o crescimento foram constru\u00eddos pavilh\u00f5es circundando o Solar Conde dos Arcos. NP: Que \u00e9 hoje o col\u00e9gio Dois de Julho LJ: Que \u00e9 hoje o Col\u00e9gio Dois de Julho, exatamente. E funciona l\u00e1 a Faculdade dois de Julho e \u00e9 uma Funda\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma funda\u00e7\u00e3o e na \u00e9poca era Gin\u00e1sio Americano e outra coisa important\u00edssima, era o \u00fanico col\u00e9gio de coeduca\u00e7\u00e3o, meninos e meninas, n\u00e3o havia outro. E minha m\u00e3e, e minha fam\u00edlia foi sumamente criticada por isso, e eu sofri muitas cr\u00edticas tamb\u00e9m, porque estudava num col\u00e9gio misto, chamado. Um col\u00e9gio misto. Porque naquela \u00e9poca o Vieira, o Marista, o Salesiano, os grandes col\u00e9gios n\u00e3o havia coeduca\u00e7\u00e3o, era s\u00f3 de meninos e meninas e era assim algo muito inusitado, muito diferenciado colocar uma menina num col\u00e9gio misto, com meninos, foi muito importante para mim. Muito importante. N\u00e3o s\u00f3 essa conviv\u00eancia como eu estava falando, com alunos, crian\u00e7as, jovens do interior como tamb\u00e9m de outro sexo, isso foi fant\u00e1stico na minha vida, porque aprendi a trabalhar com o sexo masculino sem problemas, eu fui uma professora que viajei muito por causa dos projetos<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":111,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"single.php","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-144","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transcricoes"],"featured_image_src":null,"featured_image_src_square":null,"author_info":{"display_name":"bsglinux2","author_link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/author\/bsglinux2\/"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":969,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144\/revisions\/969"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webmemoriaeducacaobahia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}