{"id":4558,"date":"2020-04-18T12:46:00","date_gmt":"2020-04-18T15:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/?p=4558"},"modified":"2024-05-06T21:25:38","modified_gmt":"2024-05-07T00:25:38","slug":"educacao-em-tempos-de-pandemia-reflexoes-sobre-as-implicacoes-do-isolamento-fisico-imposto-pela-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/2020\/04\/18\/educacao-em-tempos-de-pandemia-reflexoes-sobre-as-implicacoes-do-isolamento-fisico-imposto-pela-covid-19\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o em tempos de pandemia: reflex\u00f5es sobre as implica\u00e7\u00f5es do isolamento f\u00edsico imposto pela COVID-19"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"855\" height=\"677\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2023\/08\/capaLivroPandemia.png\" alt=\"capa\" class=\"wp-image-3924\" style=\"width:252px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2023\/08\/capaLivroPandemia.png 855w, https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2023\/08\/capaLivroPandemia-300x238.png 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2023\/08\/capaLivroPandemia-768x608.png 768w\" sizes=\"(max-width: 855px) 100vw, 855px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">\u00a0Baixe o pdf livro <a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2023\/08\/GEC_livro_final_imprensa.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui.<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p>O Grupo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Tecnologias (GEC), da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, h\u00e1 25 anos desenvolve pesquisas e a\u00e7\u00f5es de ensino e extens\u00e3o. Ao longo desse tempo, tem buscado qualificar a discuss\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a Educa\u00e7\u00e3o, a Comunica\u00e7\u00e3o e as Tecnologias; formar professoras\/es e alunas\/os para uma atua\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 propositiva, colaborativa, autoral, cr\u00edtica e criativa, pautada em valores democr\u00e1ticos e no fortalecimento dos direitos humanos; desenvolver propostas educativas que possibilitem a incorpora\u00e7\u00e3o das tecnologias nas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em todos os n\u00edveis educacionais, numa perspectiva n\u00e3o instrumental, primando pela liberdade e abertura do conhecimento, questionando ideias estabelecidas e largamente disseminadas, quer pela m\u00eddia corporativa, quer pelo mercado, quer pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, quer ainda pelos pr\u00f3prios sujeitos sociais, ideias que relegam esses sujeitos a meros consumidores de produtos, ideais e conhecimentos produzidos fora de seu contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento em que, globalmente, enfrentamos uma crise sem precedentes, porque combina fatores sanit\u00e1rios globais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, educacionais, entre outros, n\u00e3o podemos perder de vista que estamos em meio a uma amea\u00e7a \u00e0 vida (em diferentes dimens\u00f5es e propor\u00e7\u00f5es). Para a sociedade brasileira, em particular, realizar o enfrentamento desta situa\u00e7\u00e3o desde suas peculiares e, por vezes, fragilizadas estruturas, j\u00e1 \u00e9 um grande desafio, todavia, esse enfrentamento se torna ainda maior devido ao conflito pol\u00edtico, em exposi\u00e7\u00e3o diariamente pelas m\u00eddias, que impede a efetividade do Estado na garantia de pol\u00edticas de assist\u00eancia aos mais vulner\u00e1veis e amplia a inseguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o sabe, ao certo, como proceder para se manter em seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, explicitamos aqui nosso posicionamento sobre diversos aspectos que est\u00e3o postos no contexto social e educacional brasileiro, buscando contribuir com as reflex\u00f5es e an\u00e1lises que est\u00e3o sendo produzidas por outros grupos de pesquisadores e educadores, bem como pela sociedade em geral, que necessita que n\u00f3s, acad\u00eamicos, estejamos articulados em rede, solid\u00e1rios e engajados no enfrentamento dos problemas, que s\u00e3o coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa reflex\u00e3o\/contribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 expressa, preliminarmente, no conjunto de pontos que seguem, os quais servem de balizadores para que possamos desencadear e aprofundar a reflex\u00e3o sobre os temas que est\u00e3o atualmente em evid\u00eancia e ao mesmo tempo fomentar o debate p\u00fablico, aberto e colaborativo, a fim de contribuirmos com a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento que possa circular por diferentes m\u00eddias e grupos, de forma a chegar a um p\u00fablico cada vez mais vasto.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Reflex\u00f5es para o debate<\/h1>\n\n\n\n<p>1. O fato que nos mobiliza, mundialmente, neste in\u00edcio de 2020, \u00e9 que o planeta foi atacado por um v\u00edrus invis\u00edvel. <strong>Vivemos um contexto de pandemia!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>2. O assunto em todas as rodas (em rede) do momento \u00e9 a avassaladora propaga\u00e7\u00e3o da COVID-19, doen\u00e7a ocasionada pelo coronav\u00edrus SARS-CoV-2, que surgiu em 2019, e que se espalha de forma invis\u00edvel, obrigando uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o mundial a manter-se sob o regime de confinamento em casa. Esta medida tem nos parecido, em fun\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o adotada pela maioria dos pa\u00edses, como sendo uma forma minimamente aceit\u00e1vel de enfrentar o problema. E uma estrat\u00e9gia para que o confinamento seja bem sucedido est\u00e1 sendo, em todo o mundo, a suspens\u00e3o das atividades educacionais, em todos os n\u00edveis &#8211; da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>3. No momento em que acontece a suspens\u00e3o das atividades presenciais nas escolas e universidades, afetando mais de 90% dos estudantes do mundo<sup><a href=\"#t424da50e-5220-51a2-c6c8-c1a18c007b06\">1<\/a><\/sup>, necess\u00e1rio se faz pensar em alternativas para que o universo de mais de 13 milh\u00f5es de estudantes no ensino superior e quase 48 milh\u00f5es de estudantes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica<a href=\"#tf18ff0c7-ffaa-2ba0-bcc0-a3e1b3642878\"><sup>2<\/sup><\/a> brasileira possa continuar com atividades formativas, sejam elas as formais, do curr\u00edculo escolar, ou as informais, aquelas notadamente associadas ao uso da internet para filmes, v\u00eddeos e as j\u00e1 conhecidas e famosas lives, sejam ainda por meio de leitura ou de outros tipos de jogos ou brincadeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>4. Sem escolas, alunos de todas as idades e de todas as camadas sociais permanecem, teoricamente, em casa. Dizemos teoricamente porque n\u00e3o podemos minimizar o debate a respeito das condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o e de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Em um pa\u00eds com uma enorme desigualdade social, como o Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio especificar que essa casa, para as classes m\u00e9dia e alta, se constitui numa edifica\u00e7\u00e3o com diversos c\u00f4modos, que permite arranjos para o desenvolvimento de atividades individuais e coletivas; j\u00e1 para as classes populares, a casa \u00e9, muitas vezes, um \u00fanico c\u00f4modo, onde convivem muitas pessoas, de pequenos a idosos, o que torna praticamente imposs\u00edvel permanecer nesse espa\u00e7o o dia todo, ou desenvolver qualquer tipo de atividade que exija o m\u00ednimo de concentra\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o, como s\u00e3o geralmente aquelas ligadas \u00e0 experi\u00eancia educacional. No entanto, com esse enorme contingente juvenil sem aula nas escolas, come\u00e7am a surgir, aqui e em diversos pa\u00edses, solu\u00e7\u00f5es para que a educa\u00e7\u00e3o continue, em casa, sob a responsabilidade dos grupos familiares. Portanto, as hashtags #fiqueemcasa e #aescolacontinua t\u00eam significados absolutamente diferentes para uma ou outra realidade, uma ou outra classe social.<\/p>\n\n\n\n<p>5. Do ponto de vista das fam\u00edlias de baixa renda, s\u00e3o muitas as quest\u00f5es postas, destacando-se, para come\u00e7ar, a inexist\u00eancia de infraestrutura f\u00edsica e de conectividade domiciliar<a href=\"#t0d272a27-2ab6-33f9-10ff-54f18c7a1333\"><sup>3<\/sup><\/a> para que qualquer atividade de ensino formal possa acontecer. No entanto, os principais desafios para essas fam\u00edlias, hoje, s\u00e3o de outra natureza; obviamente passam tamb\u00e9m pela educa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se encerram nela. Na pauta e na preocupa\u00e7\u00e3o delas est\u00e1 a garantia das condi\u00e7\u00f5es materiais de exist\u00eancia, a come\u00e7ar pelo alimento. Os dados dispon\u00edveis s\u00e3o absolutamente desconcertantes e preocupantes, pois h\u00e1 muita fome espalhada pelo pa\u00eds, que s\u00f3 pode ser combatida pela manuten\u00e7\u00e3o das fontes de renda, uma vez que o aux\u00edlio emergencial do governo federal, aprovado pelo Congresso Nacional, al\u00e9m de insuficiente, para dar conta da prec\u00e1ria e desigual realidade da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 chegando para todos que a ele t\u00eam direito. Uma boa parte das fam\u00edlias com alunos nas escolas p\u00fablicas vive do trabalho informal ou \u00e9 empregada, com contratos que est\u00e3o suspensos ou sob amea\u00e7as, o que coloca em tens\u00e3o o cotidiano dessas fam\u00edlias. Cotidiano que, em muitos locais, se v\u00ea ainda mais afetado pelo fato de, sem escola, n\u00e3o haver merenda escolar<a href=\"#t6d7cabd6-a244-c0db-c1da-ea8c914f7b9f\"><sup>4<\/sup><\/a>, o que onera ainda mais os custos de subsist\u00eancia das fam\u00edlias. Isso, somado ao medo da doen\u00e7a, ao risco de ainda sofrer com o atendimento de sa\u00fade p\u00fablica, j\u00e1 pr\u00f3ximo de um colapso, e outras formas de sofrimentos e adoecimentos mentais decorrentes do isolamento prolongado, passando pelos conflitos familiares, tudo se interp\u00f5e ao processo. Portanto, a preocupa\u00e7\u00e3o com a suspens\u00e3o das aulas e, mais do que tudo, com a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, se mescla \u00e0s demais dificuldades enfrentadas pelas fam\u00edlias, sobretudo, quando os modelos e rotinas das aulas remotas n\u00e3o s\u00e3o capazes de dialogar e contribuir com a organiza\u00e7\u00e3o do cotidiano familiar, tornando-se, na verdade, mais um dos problemas a serem enfrentados.<\/p>\n\n\n\n<p>6. Para as fam\u00edlias de classes mais abastadas, a novidade \u00e9 a conviv\u00eancia cotidiana entre todos os seus membros, algo que h\u00e1 muito j\u00e1 havia sido relegado a um segundo plano. A pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o de filhos foi terceirizada, de uma maneira geral, assumindo a escola, inclusive, o papel da educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, emocional e mesmo da vida cotidiana das crian\u00e7as e jovens. E agora, o que fazer com essa turma cheia de energia, ou com a \u00e2nsia dos adolescentes que est\u00e3o em casa dia e noite? Como mant\u00ea-los ativos ao mesmo tempo que pais e m\u00e3es possam assegurar um espa\u00e7o para o trabalho a dist\u00e2ncia, sem perder de vista as dificuldades com o trabalho dom\u00e9stico?<\/p>\n\n\n\n<p>7. O debate sobre a educa\u00e7\u00e3o domiciliar (homeschooling) vem ganhando espa\u00e7o no Brasil ao longo dos \u00faltimos anos e foi intensificado no governo Bolsonaro, que tem conduzido propostas de enfraquecimento da escola p\u00fablica, atrav\u00e9s de medidas como o corte de recursos, o esvaziamento da perspectiva cr\u00edtica da forma\u00e7\u00e3o escolar, da conviv\u00eancia com o diferente, em termos de conhecimentos, culturas e valores, e da desvaloriza\u00e7\u00e3o do docente e do conhecimento hist\u00f3rico-cient\u00edfico, numa perspectiva formativa que esteja al\u00e9m da aplicabilidade imediata. O fortalecimento de uma concep\u00e7\u00e3o pautada na desescolariza\u00e7\u00e3o ganha for\u00e7a no pa\u00eds pari passu ao desmantelamento das universidades p\u00fablicas, sobretudo, dos cursos de licenciaturas, por meio da redu\u00e7\u00e3o de investimentos em pesquisas, aumento dos instrumentos de controle (como as avalia\u00e7\u00f5es) e as imposi\u00e7\u00f5es da Base Nacional Comum para Forma\u00e7\u00e3o (BNC-Forma\u00e7\u00e3o), que validam o discurso da aprendizagem pela observa\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia, minimizando a relev\u00e2ncia de bases te\u00f3rico-cient\u00edficas s\u00f3lidas, como elemento fundante da forma\u00e7\u00e3o profissional docente.<br>Com a pandemia, esse processo de precariza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica ganha for\u00e7a, ao ser incorporado pelo governo, como solu\u00e7\u00e3o para a dificuldade de oferta presencial, ao promover a substitui\u00e7\u00e3o das atividades presenciais por atividades a dist\u00e2ncia, utilizando recursos e metodologias da Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (EAD). Tal substitui\u00e7\u00e3o foi regulamentada pelo Parecer 05\/2020, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), o qual prev\u00ea a reorganiza\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio escolar e a possibilidade de c\u00f4mputo de atividades n\u00e3o presenciais para fins de cumprimento da carga hor\u00e1ria m\u00ednima anual em raz\u00e3o da pandemia da COVID-19. O objetivo \u00e9 que, ao final da situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, haja uma redu\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria presencial a ser reposta e, ao mesmo tempo, que os estudantes mantenham uma rotina b\u00e1sica de atividades escolares, mesmo afastados do ambiente f\u00edsico da escola. O que vemos \u00e9 uma mescla de homeschooling com EAD, ou seja, a escola envia atividades para os alunos realizarem em casa, cabendo aos pais ou respons\u00e1veis o acompanhamento e responsabilidade pelo desenvolvimento das mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>8. A Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia est\u00e1 presente na sociedade desde muito tempo, por iniciativa do estado ou de organiza\u00e7\u00f5es privadas, como uma alternativa para aqueles\/as que est\u00e3o fora dos grandes centros ou querem otimizar o tempo evitando deslocamentos, e que precisam de forma\u00e7\u00e3o (complementar ou b\u00e1sica). Desde o seu hist\u00f3rico in\u00edcio, a EAD era oferecida via solu\u00e7\u00f5es ass\u00edncronas, com utiliza\u00e7\u00e3o de material impresso enviado pelo servi\u00e7o de correio postal ou pela utiliza\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio e da TV como ve\u00edculos para transmiss\u00e3o de conte\u00fados educativos. Com a internet, passou a ser designada com outras nomenclaturas, tais como educa\u00e7\u00e3o online, e-learning, m-learning, ao mesmo tempo que outros debates foram surgindo sobre os novos pap\u00e9is e novas possibilidades dessa modalidade de educa\u00e7\u00e3o. Desde meados do s\u00e9culo XX j\u00e1 se discute, em \u00e2mbito nacional e internacional, sobre a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia como sendo uma significativa modalidade de educa\u00e7\u00e3o capaz de contribuir com a forma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o. Esse debate tem gerado, inclusive entre os nossos pares mais pr\u00f3ximos no campo da pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o, muitas indaga\u00e7\u00f5es. Discute-se desde a concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 subjacente aos cursos e programas oferecidos, principalmente pelas institui\u00e7\u00f5es privadas, mas n\u00e3o s\u00f3 nelas, at\u00e9 a qualidade dos cursos oferecidos. Isso tem levado a uma compara\u00e7\u00e3o da qualidade dos cursos EAD com a dos cursos presenciais, gerando, assim, uma cr\u00edtica aos dois modelos, uma vez que nessa discuss\u00e3o est\u00e1 posta a cr\u00edtica \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o como um todo: os curr\u00edculos, o sistema de avalia\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o de professores, a infraestrutura das institui\u00e7\u00f5es de ensino, dentre outros elementos que comp\u00f5em a organiza\u00e7\u00e3o educacional; o modelo comunicacional adotado numa e noutra modalidade educacional; e o mercado educacional, que ganha for\u00e7a com a oferta da EAD.<\/p>\n\n\n\n<p>9. Com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9.394), de 1996, a EAD ganha for\u00e7a, especialmente nas universidades. Primeiro com uma tentativa de articular as universidades p\u00fablicas com o Cons\u00f3rcio Universidade Virtual P\u00fablica do Brasil (Unirede), em 1999, hoje a Associa\u00e7\u00e3o Unirede<a href=\"#t82b13ab6-99d6-b943-7e55-041934e69a1c\"><sup>5<\/sup><\/a>. Depois, com a implanta\u00e7\u00e3o da Universidade Aberta do Brasil (UAB), que tinha como interessante princ\u00edpio n\u00e3o criar algo novo, mas sim aproveitar a capacidade instalada das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior P\u00fablicas (IFES), apesar de que, em algum momento, circulou um croqui de uma poss\u00edvel sede para a UAB. A grande quest\u00e3o desse, como tantos outros projetos, \u00e9 que os mesmos chegam \u00e0s universidades por suas reitorias e, na maioria dos casos, por l\u00e1 mesmo se instalam, estimulados pelo pr\u00f3prio desenho do programa ou projeto. Ou seja, n\u00e3o se institucionaliza a educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia no interior das universidades, fazendo com que alguns professores passem a ser envolvidos nos projetos enquanto indiv\u00edduos, recebendo bolsas especiais, uma vez que nos projetos EAD trabalham para al\u00e9m de suas cargas hor\u00e1rias did\u00e1ticas nos departamentos. Na pr\u00e1tica, mais uma vez, toda essa expertise, que poderia ser aproveitada e disseminada pela Institui\u00e7\u00e3o, fica concentrada em um setor da administra\u00e7\u00e3o central, com professores aprendendo de forma volunt\u00e1ria a fazer educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia e, muitas vezes, sob olhar de estranhamento do seu pr\u00f3prio departamento. Fora isso, o sistema est\u00e1 fortemente baseado na contrata\u00e7\u00e3o (prec\u00e1ria!) de tutores (em \u00faltima inst\u00e2ncia, professores n\u00e3o nominados como tais), para acompanhar os alunos, o que fragiliza e desvaloriza ainda mais os pr\u00f3prios professores e o sistema. Muitos cursos foram e ainda s\u00e3o ofertados pelas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, mas \u00e9 pequena a avalia\u00e7\u00e3o desses mais de dez anos de exist\u00eancia da UAB. Al\u00e9m disso, as mudan\u00e7as dos \u00faltimos governos fizeram com que os recursos para a UAB e para as Universidades integrantes do sistema fossem reduzidos ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>10. Mudan\u00e7as na estrutura do MEC fizeram com que a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (SEED) fosse extinta e alguns projetos foram deslocados para a Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES), cuja expertise sempre foi a avalia\u00e7\u00e3o e acompanhando da Educa\u00e7\u00e3o Superior, mais particularmente dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o. Nessa reestrutura\u00e7\u00e3o, a CAPES foi dividida, tendo a chamada \u201cCapes do B\u201d a responsabilidade de cuidar da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Ali foi alocada a UAB e toda uma linha de forma\u00e7\u00e3o de professores. Outros projetos, ligados \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o das tecnologias nas escolas, foram alocados em outras Secretarias, ficando os mesmos sem o apoio necess\u00e1rio, como constatamos na pesquisa que realizamos sobre o projeto Um Computador por Aluno<a href=\"#td1eb71de-1bdd-f326-5fae-0bba2791ea29\"><sup>6<\/sup><\/a>, que foi interrompido, como tantos outros projetos, programas e pol\u00edticas educacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>11. Nossa a\u00e7\u00e3o, enquanto grupo de pesquisa, desde sua origem, esteve ligada a um processo ativista pela constru\u00e7\u00e3o de melhores condi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, metodol\u00f3gicas e pr\u00e1ticas para o processo educacional e por uma postura cr\u00edtica frente \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas implementadas. Uma cr\u00edtica realizada a partir de dentro, pois sempre as acompanhamos de perto, seja realizando pesquisas, seja participando dos processos formativos demandados \u00e0s universidades. No \u00e2mbito da Universidade Federal da Bahia, iniciamos quando a internet chegava \u00e0s universidades, na d\u00e9cada de 1990, tendo o professor Nelson Pretto vivido intensamente esse processo, como assessor do reitor Felippe Serpa. O professor coordenou, articulado com outros colegas, e com o, \u00e0 \u00e9poca, Centro de Processamento de Dados, o desenvolvimento de propostas para serem apresentadas a um coletivo de reitores das universidades baianas<a href=\"#t87e872b2-5f7e-2f7e-f7e1-a1e7fba77448\"><sup>7<\/sup><\/a>, que inclu\u00edsse a implanta\u00e7\u00e3o de uma grande rede estadual (denominada Rede Bahia), parte do projeto de implanta\u00e7\u00e3o da internet no Brasil, para conectar universidades, centros de pesquisa e escolas p\u00fablicas do Estado da Bahia, criando uma grande espinha dorsal (backbone) que poderia favorecer a pesquisa, a educa\u00e7\u00e3o e a cultura. Hoje, mais de duas d\u00e9cadas depois, essa rede n\u00e3o foi efetivamente implantada, ou seja, nossas escolas e universidades ainda carecem de infraestrutura e de servi\u00e7os de banda larga de qualidade. A velocidade da banda disponibilizada est\u00e1 muito abaixo da necess\u00e1ria para fazermos uma educa\u00e7\u00e3o conectada de qualidade, com os sujeitos da educa\u00e7\u00e3o estando distantes ou n\u00e3o. Importante aqui lembrar que o conceito de banda larga de qualidade que estamos hoje a utilizar n\u00e3o est\u00e1 associado a gigabytes, mas sim \u00e0 velocidade oferecida para que o cidad\u00e3o possa fazer uso da rede com o que lhe interessar, com tr\u00e1fego de informa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuo, ininterrupto e com capacidade suficiente para as aplica\u00e7\u00f5es de dados, voz e v\u00eddeo mais comuns ou socialmente relevantes. E isso j\u00e1 estava expresso no documento base do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL)<a href=\"#t20104dca-f896-6baf-bccf-18f0e49a0cd0\"><sup>8<\/sup><\/a>, institu\u00eddo em 2010, e que tamb\u00e9m foi descontinuado nos governos seguintes. A n\u00e3o implanta\u00e7\u00e3o do PNBL, em sua plenitude, resultou que continuemos dependentes dos servi\u00e7os de internet oferecidos pelo mercado de telecomunica\u00e7\u00f5es, que concentra sua oferta nos grandes centros com densidade populacional e que podem gerar lucro para as empresas. Como resultado, hoje, em tempos de confinamento e com o aumento da oferta de produtos multim\u00eddia, temos muitas dificuldades de acesso aos materiais j\u00e1 dispon\u00edveis, em grande parte do territ\u00f3rio nacional, especialmente nas regi\u00f5es mais afastadas dos grandes centros populacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>12. Durante a gest\u00e3o do professor Felippe Serpa na reitoria da UFBA, foi viabilizado a implanta\u00e7\u00e3o de um servidor (denominado Zumbi) para conectar as ONG da Bahia e, em parceria com a Prefeitura Municipal de Salvador, conectou-se a primeira escola p\u00fablica \u00e0 internet, a Escola Municipal Novo Marotinho. Alguns orientandos do nosso grupo de pesquisa<a href=\"#t95242831-ebed-d3e0-618d-78f71070fabf\"><sup>9<\/sup><\/a> atuaram diretamente na tentativa de construir pol\u00edticas p\u00fablicas municipais que considerassem a internet e todos os recursos tecnol\u00f3gicos digitais dispon\u00edveis \u00e0 \u00e9poca como estruturantes de uma educa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Nessa \u00e9poca nasceu um verdadeiro mantra do nosso grupo: \u201cn\u00e3o queremos a internet nas escolas e, sim, as escolas na internet\u201d. Mais uma vez e sempre, o nosso foco \u00e9 a autonomia de professores e alunos como produtores e n\u00e3o como consumidores, seja de tecnologias ou de informa\u00e7\u00f5es. Quer\u00edamos \u2013 e cada vez mais queremos \u2013 esses sujeitos como fazedores do seu pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>13. Ainda importante destacar que, na gest\u00e3o do reitor Serpa na UFBA, havia uma intensa articula\u00e7\u00e3o entre as universidades p\u00fablicas da Bahia, \u00e0 \u00e9poca apenas a UFBA e as quatro estaduais: Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade de Santa Cruz (UESC), Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB) e Universidade do Estado da Bahia (Uneb), mais a Universidade Cat\u00f3lica de Salvador (UCSAL), em um programa denominado de Protocolo de Integra\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior do Nordeste (PINE), em sua dimens\u00e3o regional, o PINE-Bahia. Nesse per\u00edodo, participamos do esfor\u00e7o coletivo de buscar, j\u00e1 nos idos dos anos 1990, organizar um Cons\u00f3rcio Regional para avan\u00e7ar na tem\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia e, para tal, realizamos um Mini F\u00f3rum de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia. \u00c9 desse per\u00edodo a elabora\u00e7\u00e3o da proposta de um \u201cPrograma Interuniversit\u00e1rio de Forma\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia de Professores de Primeiro e Segundo Graus, no estado da Bahia.\u201d Sua elabora\u00e7\u00e3o envolveu um grupo de professores das universidades integrantes do PINE-Bahia e tinha como principal objetivo cooperar para a melhoria do ensino de primeiro e segundo graus<a href=\"#tead30917-0f37-ea5f-5064-4d20403a2b06\"><sup>10<\/sup><\/a> e se propunha, atrav\u00e9s das universidades sediadas no estado da Bahia, que j\u00e1 ofereciam cursos de licenciatura destinados ao magist\u00e9rio de primeiro e segundo graus, institucionalizar um programa de forma\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o de professores em servi\u00e7o. Diz\u00edamos, no documento original do Programa: \u201cprojeto est\u00e1 sendo viabilizado a partir da cria\u00e7\u00e3o de um cons\u00f3rcio entre as universidades envolvidas, coordenado por um grupo interuniversit\u00e1rio constitu\u00eddo por um professor representante de cada uma destas Institui\u00e7\u00f5es, visando uma a\u00e7\u00e3o mais integrada das Universidades baianas. O objetivo maior deste programa \u00e9 o de graduar professores portadores de diploma procedentes das Escolas Normais e professores leigos, bem como atualizar os docentes portadores de diploma de n\u00edvel superior, atrav\u00e9s da instala\u00e7\u00e3o de um programa espec\u00edfico de Educa\u00e7\u00e3o Aberta, Continuada e a Dist\u00e2ncia, cabendo ao Cons\u00f3rcio das Universidades, inclusive, a emiss\u00e3o de diploma para fins do exerc\u00edcio profissional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>14. As quest\u00f5es referentes \u00e0 conectividade desencadearam um outro debate, amplamente difundido e denominado de \u201cinclus\u00e3o digital\u201d, e que vem nos mobilizando desde o in\u00edcio dos anos 2000. Nesse debate, uma pergunta sempre esteve posta: inclus\u00e3o em qu\u00ea?<a href=\"#t173e85a9-3dce-5152-0046-7db49cd23541\"><sup>11<\/sup><\/a> Isso porque, desde os primeiros momentos, no final da d\u00e9cada de 1990, quando muitos pa\u00edses debatiam os seus Programas Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o (SocInfo), sempre pontuamos que a conex\u00e3o das pessoas \u00e0 internet era fundamental, mas ela deveria seguir alguns princ\u00edpios que consider\u00e1vamos \u2013 e ainda consideramos \u2013 fundamentais para dar sustenta\u00e7\u00e3o a essas pol\u00edticas. N\u00e3o pod\u00edamos aceitar que essa \u201cinclus\u00e3o\u201d estivesse associada \u00e0 usurpa\u00e7\u00e3o dos dados pessoais dos cidad\u00e3os; n\u00e3o poder\u00edamos pensar que essa \u201cinclus\u00e3o\u201d se desse a partir de solu\u00e7\u00f5es propriet\u00e1rias (ainda n\u00e3o fal\u00e1vamos nas plataformas como hoje<a href=\"#te2b9b46c-6ec0-eaf0-ac74-1abceb5e9db7\"><sup>12<\/sup><\/a>); defend\u00edamos desde cedo que cada escola e professor precisariam ser autores e n\u00e3o apenas atores desses processos formativos, de tal forma que se propiciasse a implanta\u00e7\u00e3o de um \u201cc\u00edrculo virtuoso de produ\u00e7\u00e3o de culturas e conhecimentos\u201d<a href=\"#t6edfc6c6-21bb-d423-078d-b228ba4dd319\"><sup>13<\/sup><\/a>; defend\u00edamos a necessidade de pensar a produ\u00e7\u00e3o dos materiais para a educa\u00e7\u00e3o com licenciamento aberto e criativo, com muita aten\u00e7\u00e3o para que os formatos, tamb\u00e9m eles, fossem abertos e livres; preconiz\u00e1vamos um\/uma professor\/a formado plenamente para o uso intensivo e criativo das tecnologias digitais, de forma que o mesmo compreendesse e vivesse plenamente a cultura digital, seja em cursos, aulas, atividades presenciais ou a dist\u00e2ncia, performando aquilo que denominamos de \u201cum professor com um jeito hacker de ser\u201d<sup><a href=\"#t7f1b6bb0-097c-bd8f-1bb6-bde92e069b59\">14<\/a><\/sup>, tudo isso, entre tantas outras quest\u00f5es que foram se configurando como nossas agendas de pesquisas (e ativismo) na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA.<\/p>\n\n\n\n<p>15. Todos esses princ\u00edpios e diretrizes estavam e est\u00e3o fortemente articulados com um outro movimento ativista que desencadeamos na d\u00e9cada de 1990: a busca pela liberdade de acesso a todos os recursos produzidos pela humanidade, materializado, inicialmente, pela defesa e implanta\u00e7\u00e3o do software livre, que se constituiu um tema estruturante em nossas a\u00e7\u00f5es. A partir de nossa a\u00e7\u00e3o (pesquisa, ensino e extens\u00e3o), na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, nos integramos aos desenvolvedores, ativistas e movimentos em torno do software livre do Brasil e tamb\u00e9m de outros pa\u00edses, em defesa da liberdade do conhecimento<a href=\"#t79ecfe1f-aa4a-bd64-77fe-90ae6a75e6bc\"><sup>15<\/sup><\/a>. Buscando inserir a FACED\/UFBA nesse movimento, temos desenvolvido desde ent\u00e3o projetos para uso, estudo, pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, a partir de sistemas livres, a exemplo dos projetos Tabuleiro Digital, R\u00e1dio Faced Web, Ponto de Cultura (Ciberparque An\u00edsio Teixeira, em Irec\u00ea\/Bahia), WebTV, webconfer\u00eancia, plataforma para produ\u00e7\u00e3o e compartilhamento de v\u00eddeos, entre tantos outros. Tamb\u00e9m inserimos o debate sobre seus fundamentos pol\u00edticos, filos\u00f3ficos e culturais, bem como a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados abertos, em nossas a\u00e7\u00f5es de ensino e extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>16. A internet se popularizou em todo o mundo. Os governos come\u00e7aram a perceber a sua import\u00e2ncia para a educa\u00e7\u00e3o; verdade que, muitos deles, com objetivos distintos daqueles que aqui estamos defendendo. A partir da d\u00e9cada de 1980, inicia o movimento pela inser\u00e7\u00e3o dos computadores nos processos pedag\u00f3gicos, a partir de grupos articulados em torno do campo denominado Inform\u00e1tica Educativa, e que se baseavam nas proposi\u00e7\u00f5es de Seymor Papert, do MIT, com a linguagem de programa\u00e7\u00e3o Logo. Esse movimento chega \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, com o projeto Educom. Na sequ\u00eancia, surgiram diversos outros programas, incluindo a cria\u00e7\u00e3o de um canal nacional de televis\u00e3o ligado ao MEC (TV Escola), mesmo desarticulado com a j\u00e1 existente rede de televis\u00f5es educativas \u2013 na \u00e9poca denominada de Sistema Nacional de Radiodifus\u00e3o Educativa (SINRED) \u2013, a implanta\u00e7\u00e3o de Programas e Projetos para levar computadores para as escolas (Proinfo), e para fornecer um computador por aluno (UCA), estimulado pela a\u00e7\u00e3o de Nicolas Negroponte, tamb\u00e9m do MIT, quando prop\u00f4s um computador port\u00e1til de US$100. Temos muitos escritos sobre o assunto<a href=\"#t6de88ef1-c0c0-6d69-dc0b-b20c532554ed\"><sup>16<\/sup><\/a>. Fomos vendo nascer e, o mais grave, morrer, pol\u00edticas p\u00fablicas que denominamos, desde sempre, \u201cesquizofr\u00eanicas\u201d, por entender que cada Minist\u00e9rio ou Secretaria, nos \u00e2mbitos estaduais e municipais, elaboravam, com seus expertes, pol\u00edticas que sequer conseguiam dialogar entre si. Um di\u00e1logo necess\u00e1rio entre campos, como educa\u00e7\u00e3o com cultura, ou com comunica\u00e7\u00f5es, e outros que demandavam uma articula\u00e7\u00e3o mais intensa, por exemplo, com o da seguran\u00e7a e da sa\u00fade, uma vez que sem o enfrentamento desses desafios (seguran\u00e7a e sa\u00fade), dificilmente planos para a educa\u00e7\u00e3o, mesmo que simples, passariam do papel \u00e0 pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>17. Ao longo de diversos governos de bases pol\u00edticas distintas, se aprofundam os processos de reformas educacionais que v\u00e3o dando fisionomia \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o no Brasil. A d\u00e9cada de 1990 \u00e9 marco das grandes reformas que se seguiram, todas ancoradas na matriz deixada pelos organismos internacionais \u2013 Banco Mundial, BIRD, OCDE, OMC, UNESCO \u2013, por meio dos v\u00e1rios documentos derivados da Confer\u00eancia Mundial de Educa\u00e7\u00e3o para Todos, realizada pelo UNICEF, UNESCO, PNUD e Banco Mundial, em 1990, a exemplo da Declara\u00e7\u00e3o Mundial de Educa\u00e7\u00e3o para Todos (1990) e Prioridades y estrat\u00e9gias para la educaci\u00f3n \u2013 exame del Banco Mundial (1996). Decorrente destas orienta\u00e7\u00f5es, atendendo \u00e0s necessidades da crise estrutural do capitalismo desencadeada desde a d\u00e9cada de 1970, implantam-se os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais (PCN), que passaram a influenciar o curr\u00edculo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e da Forma\u00e7\u00e3o de Professores, no mesmo vi\u00e9s dessa investida dos grandes \u00f3rg\u00e3os econ\u00f4micos no curr\u00edculo da educa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses da periferia do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>18. Seguiram-se reformas tamb\u00e9m nas \u00e1reas de financiamento, gest\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, as quais se constitu\u00edram centrais para dar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica um car\u00e1ter cada vez mais pr\u00f3ximo da l\u00f3gica da gest\u00e3o empresarial que os PCN refor\u00e7aram, a partir da introdu\u00e7\u00e3o de conceitos como, por exemplo, compet\u00eancias e habilidades. A partir da d\u00e9cada de 1990, a Educa\u00e7\u00e3o passou a ser medida e avaliada (de forma estrita) por indicadores internacionais e nacionais que se deslocariam, gradativamente, do conjunto de outros insumos fundantes para a melhoria efetiva da qualidade da educa\u00e7\u00e3o, como prop\u00f4s a Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio dos anos 2000, ao apresentar o Custo Aluno Qualidade Inicial para Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (CAQi). Seguindo as orienta\u00e7\u00f5es do Banco Mundial, de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o\u201d (tal qual se propunha para setores base da economia, como o da agricultura), ampliam-se as rela\u00e7\u00f5es entre a educa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento econ\u00f4mico, exigindo da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas novos conte\u00fados para a forma\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, mas todo um ajuste na dire\u00e7\u00e3o e na forma das pol\u00edticas p\u00fablicas (da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior), que passariam a se pautar em mecanismos de controle que assegurassem os objetivos destes organismos. Metas e indicadores institucionais refor\u00e7ariam a premissa da gest\u00e3o com base na produtividade (produzir mais com menos) como sendo sin\u00f4nimo de efici\u00eancia e qualidade. A assun\u00e7\u00e3o dos resultados da aprendizagem e n\u00e3o mais da educa\u00e7\u00e3o (no seu conjunto de fatores), invadiram o mundo das escolas e institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, passando a direcionar o debate nacional. Deste modo, os insumos apontados no CAQi, por exemplo, foram perdendo relev\u00e2ncia e os objetivos da educa\u00e7\u00e3o, gradativamente, afastados dos princ\u00edpios constitucionais e deslocados dos sistemas de ensino, das institui\u00e7\u00f5es (escolas e universidades), dos professores, passando a seguir determina\u00e7\u00f5es externas que impunham como fim exclusivo da educa\u00e7\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o para o trabalho (mercado). Ou seja, a partir do final da d\u00e9cada de 1990, o discurso de &#8220;moderniza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o&#8221; (que, em s\u00edntese, defende adequar a escola \u00e0s regras e necessidades do mercado) ganhou espa\u00e7o no cen\u00e1rio brasileiro, e se intensificou, nos \u00faltimos anos, pela forte influ\u00eancia de funda\u00e7\u00f5es e empresas privadas que passaram a pautar pol\u00edticas p\u00fablicas para a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior. Este processo vem sendo estudado por diversos pesquisadores no Brasil, com destaque para os trabalhos do professor Luiz Carlos de Freitas<a href=\"#t8172c922-4254-73b2-63c2-0ea1ba4dee14\"><sup>17<\/sup><\/a>, que trouxe \u00e0 tona a crescente presen\u00e7a do que chamou de \u201creformadores empresariais da Educa\u00e7\u00e3o\u201d. Destacam-se nesse grupo, Funda\u00e7\u00e3o Lemann, Instituto Ayrton Senna, Instituto Inspirare, dentre outros que comp\u00f5em os movimentos Todos pela Educa\u00e7\u00e3o e Todos pela Base, al\u00e9m das grandes empresas das plataformas web, como Google, Facebook, Microsoft, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>19. Foi sob a influ\u00eancia desses \u201creformadores empresariais da Educa\u00e7\u00e3o\u201d que andaram as recentes reformas curriculares, a exemplo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Reforma do Ensino M\u00e9dio e Base Nacional de Forma\u00e7\u00e3o de Professores (BNC-Forma\u00e7\u00e3o), definidas com crescente autonomia pelos grandes grupos empresariais, a exemplo dos que integram o Movimento Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, que, no atual contexto, vem definindo a dire\u00e7\u00e3o, a forma e o conte\u00fado da Educa\u00e7\u00e3o no Brasil, sobretudo, para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, contando com o aval do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), Uni\u00e3o Nacional dos Dirigentes Municipais de Educa\u00e7\u00e3o (UNDIME), Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o (CONSED). Importante destacar ainda que a ascens\u00e3o dos empres\u00e1rios no cen\u00e1rio das pol\u00edticas educacionais ocorre na mesma medida que h\u00e1 um afastamento\/enfraquecimento das IES p\u00fablicas, tanto do debate, como do processo de condu\u00e7\u00e3o destas pol\u00edticas. Esses grupos e, em especial, as empresas associadas a eles, t\u00eam exercido forte press\u00e3o desde o governo Fernando Henrique Cardoso, no sentido de que os sistemas p\u00fablicos adotem sistemas de livros, apostilas, sequ\u00eancias, websites, equipamentos para a forma\u00e7\u00e3o de professores e de materiais did\u00e1ticos para os alunos. Tal press\u00e3o ocorre, especialmente, via formato e objetivos das avalia\u00e7\u00f5es em larga escala, que contam com um potente trabalho midi\u00e1tico de convencimento de toda a sociedade de que o bom desempenho em testes e provas \u00e9 a finalidade m\u00e1xima da educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 sob este argumento que estas empresas, que se autodefinem como detentoras de expertise em propor elevar indicadores educacionais, se imp\u00f5em aos sistemas de ensino, sendo o discurso da efici\u00eancia, qualidade e competitividade cada dia mais definidor dos rumos da gest\u00e3o educacional e suas pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>20. Temos claro que a Base Nacional Comum Curricular, aprovada para a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e Superior (licenciaturas), est\u00e1 fortemente associada a um processo de avalia\u00e7\u00e3o em grande escala, evidente nos seus documentos, onde encontramos os tais c\u00f3digos (ex: EM13CHS302) que antecedem cada um dos objetivos (comportamentais?!), c\u00f3digos esses que viabilizam a sua leitura por m\u00e1quinas (computadores) que v\u00e3o possibilitar a sistemas inform\u00e1ticos analisar as performances de escolas, professores e alunos, no sentido de cumprirem o que ali est\u00e1 preconizado. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, instala-se um mecanismo de controle permanente das atividades de professores e escolas, mecanismos esses j\u00e1 denunciados exaustivamente por acad\u00eamicos e sindicatos de professores e que refor\u00e7am a concep\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o como reprodutora dos interesses do grande capital, muito bem representado no conte\u00fado das reformas educacionais em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>21. Ap\u00f3s 25 anos atuando, produzindo conhecimentos, implicando-nos nas quest\u00f5es educacionais de nosso tempo, nos deparamos agora com in\u00fameros desafios (novos e antigos) potencializados por uma crise global, ocasionada pela pandemia da COVID-19. Para enfrentar tal crise, necessitamos, amparados nos conhecimentos acumulados, nos mobilizar, refor\u00e7ando posicionamentos que j\u00e1 v\u00ednhamos defendendo, mas, ao mesmo tempo, buscando novos aprendizados que nos ajudem a compreender o novo contexto e atuar sobre ele. Necess\u00e1rio e urgente compreender que a pandemia provocou e provocar\u00e1 ainda mais mudan\u00e7as em todas as \u00e1reas e que a educa\u00e7\u00e3o precisa tamb\u00e9m se reestruturar para os novos e dif\u00edceis tempos que vir\u00e3o. Os modelos de ontem j\u00e1 n\u00e3o servem. Necessitamos e queremos novas educa\u00e7\u00f5es!<a href=\"#t3ef29711-c9c4-4e4e-4283-4e7f1be30b13\"><sup>18<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>22. Como vimos discutindo at\u00e9 aqui, temos agora a obriga\u00e7\u00e3o de estarmos todos em casa, alunos e professores, vivendo sob um governo equivocado e controverso, que de maneira irrespons\u00e1vel tem promulgado uma s\u00e9rie de portarias para que as aulas presenciais possam ser realizadas a dist\u00e2ncia em toda a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e universidades. Muitas universidades federais, no af\u00e3 de resolver seus problemas de calend\u00e1rio, anunciam que seus professores passariam a dar as aulas online, as denominadas aulas remotas, usando os recursos tecnol\u00f3gicos dispon\u00edveis na institui\u00e7\u00e3o ou fora dela. As universidades e faculdades privadas passaram, imediatamente, a transferir seus cursos para as redes, cobrando de seus profissionais um intenso trabalho, induzindo a ado\u00e7\u00e3o de pacotes prontos fornecidos, como j\u00e1 referido, por grandes grupos empresariais.<\/p>\n\n\n\n<p>23. Aos professores est\u00e1 sendo atribu\u00edda a responsabilidade de assumirem os custos da infraestrutura f\u00edsica e tecnol\u00f3gica, n\u00e3o planejada para o uso intensivo dos dias atuais. Parte-se do pressuposto de que os professores tenham (ou lhes obrigam a ter!) dispon\u00edvel em suas casas condi\u00e7\u00f5es adequadas, como: espa\u00e7o isolado, mobili\u00e1rio ergonomicamente desenhado e equipamentos para que seja poss\u00edvel realizar, com comodidade e tranquilidade, as atividades a dist\u00e2ncia. No tocante \u00e0s conex\u00f5es, \u00e9 importante considerar que a sua qualidade, j\u00e1 h\u00e1 muito vem sendo denunciada pelo coletivo Coaliz\u00e3o Direitos na Rede<sup><a href=\"#tddd72923-9c36-efb1-8deb-1dc668a68156\">19<\/a><\/sup>, uma vez que, mesmo com contratos privados de servi\u00e7o de internet, s\u00e3o oferecidos pacotes com velocidades muito aqu\u00e9m daquelas contratadas. Destaque-se que a pr\u00f3pria rede sempre esteve entregue aos operadores privados que, com a coniv\u00eancia da Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel) e dos governos, ficam livres para venderem um servi\u00e7o sem maiores obriga\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 qualidade de sua entrega. Se a realidade de grande parte dos professores aponta para a falta de estrutura e mesmo do conhecimento b\u00e1sico necess\u00e1rio para lidar com a produ\u00e7\u00e3o de materiais online, abre-se ent\u00e3o a possibilidade das secretarias buscarem as sa\u00eddas para a continuidade do calend\u00e1rio escolar e do curr\u00edculo nos pacotes empresariais, em sua maioria, de oferta dita \u201cgratuita\u201d (ver item seguinte e nota 18). Essa medida, n\u00e3o apenas estreita a rela\u00e7\u00e3o dos gestores com as empresas que vendem educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m contribui para se afastar o curr\u00edculo do projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico da escola e o professor do curr\u00edculo e das demandas concretas e espec\u00edficas dos estudantes. Materializa-se, assim, mais um passo para a legitima\u00e7\u00e3o das possibilidades de uma redu\u00e7\u00e3o, ainda maior, da educa\u00e7\u00e3o ao ensino, do ensino \u00e0 mera realiza\u00e7\u00e3o de atividades que dispensam o professor, e da rela\u00e7\u00e3o da escola com demais media\u00e7\u00f5es sociais que ela proporciona. Ou seja, esvazia-se significativamente a escola como espa\u00e7o de conviv\u00eancia e de debate pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>24. Nesse \u00ednterim, rapidamente, as grandes empresas e plataformas digitais (Microsoft, Google, Facebook, entre outras), que ao longo dos tempos recentes v\u00eam buscando, de forma insistente, estarem presentes nos sistemas de educa\u00e7\u00e3o, tanto privado como p\u00fablico (tendo uma pequena e her\u00f3ica resist\u00eancia nesse \u00faltimo caso), anunciam planos mirabolantes, colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, \u201cgratuitamente\u201d<a href=\"#t1077533c-59ef-6def-7710-b239e13d9a9c\"><sup>20<\/sup><\/a>, todos os seus recursos para que a educa\u00e7\u00e3o continue, apesar da pandemia. Para isso, contam com o apoio do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) que est\u00e1 propondo um conjunto de \u201corienta\u00e7\u00f5es\u201d a partir do uso de atividades remotas para a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior, chegando, inclusive, a indicar nominalmente tais plataformas (Parecer CNE\/CP n\u00ba 5\/2020, p\u00e1ginas 12, 14 e 19<a href=\"#t667ac93c-357d-5c56-3628-1bf9efed11b3\"><sup>21<\/sup><\/a>). Essa corrida desenfreada para dar uma resposta social diante da pandemia tem se desdobrado em parcerias que evidenciam o projeto de desvaloriza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o dos sujeitos, de privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e do fortalecimento dos valores do capital na educa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m evidencia os riscos da entrega dos dados escolares (da escola, dos alunos, dos professores, dos pais) a essas empresas, o que implica controle e vigil\u00e2ncia sobre uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o. As reformas e o percurso do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o\/MEC, desde o golpe de 2016, que afastou do governo a presidenta Dilma Rousseff, sinalizam o avan\u00e7o de um projeto de educa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 nos rondando desde a d\u00e9cada de 1990 e que ganha for\u00e7a com a assun\u00e7\u00e3o dos governos Michel Temer e, agora, Jair Bolsonaro. Compromete-se, dessa forma, a educa\u00e7\u00e3o como direito de todos, uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade que fortale\u00e7a os princ\u00edpios da democracia e da cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>25. As tentativas de escolas e universidades de fazerem o que est\u00e3o chamando eufemisticamente de \u201censino remoto\u201d j\u00e1 est\u00e3o revelando depoimentos alarmantes. Para as fam\u00edlias mais pobres, a dificuldade \u00e9 acompanhar as atividades propostas, principalmente em raz\u00e3o das desigualdades sociais j\u00e1 mencionadas. Para as fam\u00edlias cujos pais est\u00e3o no \u201ctrabalho remoto\u201d em casa (= home-office) \u2013 e que os desabafos convertidos em memes evidenciam que nada t\u00eam de home, s\u00e3o somente office \u2013, a responsabilidade pelo acompanhamento dos filhos n\u00e3o tem funcionado muito bem. Replicar a rotina escolar presencial para o ambiente de casa, inclusive com o intervalo para o recreio no meio da manh\u00e3 ou da tarde, tem deixado pais, m\u00e3es e respons\u00e1veis em estado de grande estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>26. N\u00e3o s\u00e3o poucas, portanto, as dificuldades que se fazem presentes. E, mesmo assim, precisamos pensar sobre \u201co que fazer\u201d, pois n\u00e3o acreditamos no imobilismo frente aos desafios postos pelo contempor\u00e2neo, agravado pela pandemia da COVID-19, o que certamente nos levar\u00e1 a pensar, para um futuro bem pr\u00f3ximo, sobre modifica\u00e7\u00f5es significativas nas formas como nos relacionamos e como as atividades p\u00fablicas ir\u00e3o ocorrer. A quest\u00e3o central \u00e9 pensarmos sobre a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e de curr\u00edculo. O professor, de maneira geral, usa com certa tranquilidade as redes digitais em sua vida cotidiana, mas encontra dificuldade de articul\u00e1-las com o cotidiano dos processos formativos, pois o que lhe \u00e9 cobrado est\u00e1 engessado pelo curr\u00edculo fechado, a grade curricular, agora intensificado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Assim, o que ele sabe fazer, em rede, est\u00e1 integrado em outra l\u00f3gica, mais libert\u00e1ria, sem controle, mais ca\u00f3tica, ou seja, s\u00e3o duas l\u00f3gicas que ainda n\u00e3o se articulam nos espa\u00e7os educacionais. O resultado disso \u00e9 a culpabiliza\u00e7\u00e3o do professor pelo fracasso do uso das tecnologias digitais na educa\u00e7\u00e3o. O que j\u00e1 ocorria em tempos de relativa \u201cnormalidade\u201d<a href=\"#t6be6582a-f64d-fa2a-81d8-8b8173daea0f\"><sup>22<\/sup><\/a>, intensifica-se agora com o contexto de isolamento. Estamos vivendo uma crise, crise esta que possibilitaria uma revolu\u00e7\u00e3o radical (de raiz!) em todos os processos educativos. N\u00e3o podemos pensar em trazer a sala de aula tradicional, com seus tempos e espa\u00e7os, para as redes online. Precisamos, no m\u00ednimo, implantar outros processos formativos que estejam centrados numa perspectiva de fortalecimento da autoria, da forma\u00e7\u00e3o para a cidadania, com sistemas descentralizados que fortale\u00e7am a escola enquanto um \u201cecossistema pedag\u00f3gico de aprendizagem, comunica\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de culturas e conhecimentos\u201d<a href=\"#t1a228c21-7a79-bbe0-faf0-7ec472160d0f\"><sup>23<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>27. O que entendemos, a partir de nossas pesquisas na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, \u00e9 que existem in\u00fameras possibilidades para que se estabele\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o interativa entre professores e alunos, de tal forma a que se possa, com uso intensivo das tecnologias digitais em rede, promover uma educa\u00e7\u00e3o que efetivamente forme cidad\u00e3os, n\u00e3o s\u00f3 nos conte\u00fados espec\u00edficos de um ou outro campo de conhecimento, mas uma forma\u00e7\u00e3o que lhe permita ser o que denominamos de um \u201cleitor desconfiado do mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>28. O contexto de pandemia n\u00e3o pode ser argumento, nem tampouco um motivador para que fa\u00e7amos agora, de forma desorganizada e imediatista, como se tem feito at\u00e9 aqui, conforme j\u00e1 indicamos<a href=\"#tecf9cc02-060f-f717-3403-8140291b1db6\"><sup>24<\/sup><\/a>, arranjos para que gestores, professores e alunos possam, neste momento, atuar com as tecnologias digitais, como se fossem a\u00e7\u00f5es absolutamente normais no cotidiano de todos. N\u00e3o podemos compactuar com a ideia de usar esses recursos para simplesmente seguir os conte\u00fados que estavam sendo ofertados em sala de aula presencial de maneira remota. Para al\u00e9m da dificuldade de um atendimento universal de todos os alunos, temos que considerar tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es concretas dos professores, seja do ponto de vista material seja do emocional. Nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio pensar sobre a assist\u00eancia psicol\u00f3gica para alunos, fam\u00edlias e professores, como elemento fundamental neste processo de mudan\u00e7as profundas em nossas rotinas de aprendizagem. Diante de uma situa\u00e7\u00e3o at\u00edpica, como a da pandemia e tudo o que ela acarreta, torna-se mais evidente o cuidado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga emocional que atravessa esses processos. Suprir as necessidades desses alunos em isolamento, no que concerne \u00e0s suas demandas afetivas e emocionais, onde o professor, agora distante, \u00e9 a refer\u00eancia desse aluno no contexto presencial, tamb\u00e9m passa a ser uma preocupa\u00e7\u00e3o que precisa estar presente na intera\u00e7\u00e3o online. Sabemos que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, para muitas fam\u00edlias, acompanhar e organizar a rotina escolar em casa, uma vez que, em muitos casos, t\u00eam dificuldades relacionadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de forma\u00e7\u00e3o de seus membros, dificuldades estas que podem se intensificar com rela\u00e7\u00e3o ao acompanhamento dos\/as filhos\/as menores, que muitas vezes precisam de uma aten\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima, como tamb\u00e9m \u00e9 o caso das crian\u00e7as em fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o ou com defici\u00eancia. Assim, o fornecimento de aten\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica a professores, alunos e suas fam\u00edlias tamb\u00e9m \u00e9 uma responsabilidade do Estado, atrav\u00e9s de suas redes de ensino, j\u00e1 que essas pessoas tamb\u00e9m necessitam de aten\u00e7\u00e3o e cuidados, para muito al\u00e9m daquilo que envolve uma educa\u00e7\u00e3o no formato instrumental. Como a educa\u00e7\u00e3o online poder\u00e1 trazer esse amparo para alunos\/as, professores\/as e fam\u00edlias? Como o atendimento psicol\u00f3gico est\u00e1 sendo pensado para atender a essas crian\u00e7as e jovens que agora est\u00e3o em um contexto at\u00edpico, do qual sequer podemos mensurar suas consequ\u00eancias? Como a educa\u00e7\u00e3o online vai chegar para as crian\u00e7as cujas fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 internet banda larga ou aos dispositivos tecnol\u00f3gicos?<\/p>\n\n\n\n<p>29. \u00c9 importante destacar que o foco do nosso debate n\u00e3o \u00e9 se os modelos que buscaremos construir atender\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, educa\u00e7\u00e3o online ou ensino remoto. Isso n\u00e3o significa que estamos propondo que somente com todas as condi\u00e7\u00f5es concretas satisfeitas teremos possibilidade de usar as tecnologias digitais nos processos formativos, seja agora, durante o isolamento, ou num futuro pr\u00f3ximo, com as condi\u00e7\u00f5es adversas que certamente teremos. N\u00e3o, n\u00e3o propomos isso, como, ali\u00e1s, nunca propusemos. Desde muito tempo trouxemos para nossas agendas de pesquisa e atua\u00e7\u00e3o uma c\u00e9lebre frase do grupo Tit\u00e3s, que diz: \u201ctudo ao mesmo tempo, aqui e agora\u201d. Sem d\u00favida, h\u00e1 muito a ser feito neste momento, e muito do que h\u00e1 de ser feito n\u00f3s j\u00e1 estamos apontando h\u00e1 algum tempo, atrav\u00e9s de nossas pesquisas e nossas atua\u00e7\u00f5es como intelectuais p\u00fablicos, em artigos acad\u00eamicos, artigos na m\u00eddia, programas de r\u00e1dio e televis\u00e3o e com a plena ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os na web, inclusive com \u201cinterven\u00e7\u00f5es\u201d de nossas pesquisas nas redes de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica<a href=\"#t432b2c7b-1d15-f2a7-c4a5-ac5e93abfbda\"><sup>25<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>30. Fazer algo neste momento n\u00e3o est\u00e1 necessariamente ligado \u00e0 tarefa de cumprir a carga hor\u00e1ria prevista no artigo 24 da LDB de 1996, sobre as 800 horas para os ensinos fundamental e m\u00e9dio e tamb\u00e9m para a educa\u00e7\u00e3o infantil, distribu\u00eddas em, no m\u00ednimo, 200 dias letivos. A situa\u00e7\u00e3o emergencial permite outras possibilidades, do ponto de vista legal, para que, com tranquilidade, possamos enfrentar os desafios sem ficar \u00e0 margem da lei, como por exemplo, no caso da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica ofertada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o rural, para a qual o artigo 28 da LDB prev\u00ea adapta\u00e7\u00f5es do calend\u00e1rio e do curr\u00edculo escolar, de acordo com as necessidades e peculiaridades da vida rural e de cada regi\u00e3o. Assim, pensar a educa\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds envolve diversas vari\u00e1veis, o que torna o assunto complexo. A escola p\u00fablica \u00e9 um espa\u00e7o n\u00e3o apenas para a busca do conhecimento sistematizado, mas \u00e9 tamb\u00e9m um lugar de conviv\u00eancia, de diversidade, de forma\u00e7\u00e3o e de aprendizagens sobre democracia, cidadania, solidariedade, entre tantas outras viv\u00eancias poss\u00edveis no espa\u00e7o da escola. Diante de tal crise, como criar dispositivos de aprendizagem que garantam qualidade pedag\u00f3gica e que possam chegar a todos? A educa\u00e7\u00e3o necessita primar pela democratiza\u00e7\u00e3o do seu acesso, e como fazer isso, sobretudo neste contexto de pandemia, quando se revela de forma mais acentuada o fosso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de internet banda larga, o que afeta, sobretudo, as popula\u00e7\u00f5es que frequentam a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, os professores e as escolas?<\/p>\n\n\n\n<p>31. Estamos em um contexto prof\u00edcuo de um amplo debate sobre o que estamos experienciando e sobre o futuro da humanidade e do planeta, feito por diversos intelectuais em todo o mundo. A enorme profus\u00e3o de textos, com as mais distintas tend\u00eancias e abordagens, nos coloca, portanto, numa condi\u00e7\u00e3o especial para olhar o passado, pensar o presente e, principalmente, construir possibilidades futuras para a educa\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o desafio de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>32. Assim, muito pode ser feito tomando como princ\u00edpio a valoriza\u00e7\u00e3o da professora e do professor. Valorizar significa, neste momento de emerg\u00eancia, dar-lhes suporte emocional e concreto para que possam, confinados onde estiverem, com suas condi\u00e7\u00f5es reais, poderem participar, juntos, da constru\u00e7\u00e3o desse presente at\u00edpico e do futuro que almejamos. Isso pode ser realizado com um programa emergencial de atendimento psicol\u00f3gico para que tenham melhores condi\u00e7\u00f5es de compreender sua situa\u00e7\u00e3o nesse momento dram\u00e1tico. Queremos dizer, com isso, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel simplesmente cobrar desses profissionais que continuem a fazer o que j\u00e1 vinham fazendo, como se nada estivesse acontecendo. Do ponto de vista material, precisamos, emergencialmente, garantir, ao maior n\u00famero poss\u00edvel de professores, condi\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 internet com qualidade atrav\u00e9s de seus equipamentos pessoais. Essa \u00e9 uma pol\u00edtica que precisa ser desenhada para que, em um futuro que n\u00e3o pode estar muito distante, seja garantido o acesso dos professores e dos alunos \u00e0 rede com qualidade, seja pela disponibiliza\u00e7\u00e3o dos materiais ou dos suportes, como parte fundamental das pol\u00edticas p\u00fablicas de acesso e democratiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e das tecnologias.<\/p>\n\n\n\n<p>33. Forma\u00e7\u00e3o. Tema sempre presente em nossas pesquisas e debates, precisa agora ser encarado emergencialmente como importante a\u00e7\u00e3o no sentido de garantir que as escolas, universidades e profissionais da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sejam conduzidos, ou empurrados, para as solu\u00e7\u00f5es privadas ofertadas pelas grandes empresas, plataformas e funda\u00e7\u00f5es dos reformadores empresariais da educa\u00e7\u00e3o, que querem, em \u00faltima inst\u00e2ncia, fidelizar esse conjunto de profissionais (e alunos) em suas solu\u00e7\u00f5es. Segundo dados do Censo Escolar 2019, existem, no Brasil, 2,2 milh\u00f5es de docentes na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, dos quais 599 mil trabalham na educa\u00e7\u00e3o infantil, 1,4 milh\u00e3o atuam no ensino fundamental, estando 752 mil nos anos iniciais e 756 mil nos anos finais, e um total de 507,9 mil professores que atuam no ensino m\u00e9dio<a href=\"#teb36b491-15c2-9e6a-2166-6dd67e91f102\"><sup>26<\/sup><\/a>. Diante dessa configura\u00e7\u00e3o, que propostas seriam vi\u00e1veis para a forma\u00e7\u00e3o desse contingente de professores, dos diferentes segmentos? Necess\u00e1rio pensar em uma forma\u00e7\u00e3o voltada para a atua\u00e7\u00e3o em rede, em intera\u00e7\u00f5es s\u00edncronas e ass\u00edncronas, em produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, interagindo e comunicando em plataformas digitais n\u00e3o propriet\u00e1rias, as quais muitos desses professores nunca acessaram. Tamb\u00e9m faz-se urgente refletir sobre avalia\u00e7\u00f5es diferenciadas e em uma did\u00e1tica que n\u00e3o seja a mera transposi\u00e7\u00e3o das aulas presenciais para um espa\u00e7o ou plataforma digital. \u00c9 hora de, coletivamente, construirmos uma pol\u00edtica em torno do aberto, livre e criativo, que pouco foi valorizado ao longo dos anos, e que est\u00e1 a nos levar a essa situa\u00e7\u00e3o de quase depend\u00eancia das solu\u00e7\u00f5es propriet\u00e1rias. S\u00e3o muitas as propostas de forma\u00e7\u00e3o que existem e n\u00e3o pensamos que seja o caso de se adotar modelo \u00fanico<a href=\"#tfbf9f361-3907-1a75-a572-d77fcd426a41\"><sup>27<\/sup><\/a>. As possibilidades de experimenta\u00e7\u00e3o \u2013 que deveria ser a t\u00f4nica de qualquer processo formativo, em todos os n\u00edveis \u2013 precisam ser estimuladas. Mais do que tudo, trabalharmos na perspectiva do comum (commons) \u00e9 fundamental. Esse tem sido um importante ensinamento desse tempo de pandemia e, como diz Raul Oliv\u00e1n, do Governo Aberto de Aragon\/Espanha, \u201cesse sentimento de euforia, entre o orgulho de pertencer e a \u00eaxtase de uma comunh\u00e3o massiva, ainda que ef\u00eamera, tornou-se um breve ref\u00fagio da felicidade coletiva, uma conquista tempor\u00e1ria que tem ainda mais significado no meio de uns dias que, por outro lado, est\u00e3o sendo ingratos para a maioria das pessoas e, em muitas ocasi\u00f5es, completamente dram\u00e1ticos.\u201d<a href=\"#t652aca15-fb0e-1815-a8e1-c4d65b5e6a61\"><sup>28<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>34. \u201cProfessores em rede fazedores do seu pr\u00f3prio tempo\u201d. Esse \u00e9 mais um dos nossos mantras, presente em todas as reflex\u00f5es sobre as possibilidades e oportunidades para uma forma\u00e7\u00e3o de professores que contemple, de forma efetiva, as tecnologias digitais. Agora, se garantidas as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas, pode ser que essa forma\u00e7\u00e3o se torne realidade, mas, para tal, essa rede precisa, como sempre dizemos, ser qualificada, permanente, centrada na horizontalidade e nas trocas constantes, e n\u00e3o numa rede de distribui\u00e7\u00e3o, como um meio de comunica\u00e7\u00e3o de massa que se estabelece sem a intera\u00e7\u00e3o entre os professores. Nesta rede colaborativa entraremos todos e, desse modo, a mesma se fortalecer\u00e1, pois teremos redes e sub-redes que, organizadas de maneira rizom\u00e1tica, dar\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o a um movimento de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o e da sociedade como um todo, envolvendo tamb\u00e9m as universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>35. Esse processo formativo e de pesquisa deve estar centrado numa pol\u00edtica de produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de consumo de informa\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, estar\u00e3o se consolidando de maneira permanente a produ\u00e7\u00e3o de diversos materiais em distintos suportes, tais como textos, \u00e1udios, v\u00eddeos, anima\u00e7\u00f5es, programas computacionais, jogos educativos, entre outros, articulando de forma intensa educa\u00e7\u00e3o, cultura, ci\u00eancia e tecnologia. Instala-se, na escola, o tal c\u00edrculo virtuoso de produ\u00e7\u00e3o de culturas e conhecimentos, que tanto nos referimos ao longo de todos esses anos, desde os primeiros estudos sobre as pol\u00edticas dos livros did\u00e1ticos<a href=\"#t58334a76-0d29-ab56-9055-18e377791091\"><sup>29<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>36. Nesse contexto, em especial, os conte\u00fados espec\u00edficos de cada componente curricular seriam adaptados para dialogar com temas associados aos campos da sa\u00fade, meio ambiente, pol\u00edtica, hist\u00f3ria, a fim de possibilitar uma forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 ampla para o conhecimento e, consequentemente, o enfrentamento das quest\u00f5es que configuram e t\u00eam sido expostas pela pandemia. Essas discuss\u00f5es poderiam perpassar tanto a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica quanto superior, pois ampliam o universo formativo dos estudantes e suas fam\u00edlias. Seria, assim, mais uma possibilidade a se considerar, sobretudo na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, para al\u00e9m do \u00e2mbito das atividades e conte\u00fados extracurriculares, estimulando uma intera\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com o curr\u00edculo. \u00c9 nesse sentido que a escola amplia sua dimens\u00e3o formativa-educativa, ultrapassando o ensino na sua tradicional forma, para garantir apoio aos estudantes e suas fam\u00edlias, levando informa\u00e7\u00f5es e provocando pr\u00e1ticas cotidianas voltadas para o autocuidado, para a sa\u00fade e a seguran\u00e7a coletiva, a solidariedade, os direitos humanos, a empatia, a\u00e7\u00f5es criativas para lidar com as tens\u00f5es psicol\u00f3gicas (agravadas pelo longo per\u00edodo de isolamento), estimulando a arte, ampliando o acesso \u00e0 cultura, aos temas vitais da ecologia e tantas outras pautas importantes que se voltam aos objetivos educacionais mais amplos: a forma\u00e7\u00e3o humana e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e igual. Essa seria, sem d\u00favida, uma proposta que qualificaria ainda mais a escola, ampliaria as dimens\u00f5es do curr\u00edculo e daria efetiva contribui\u00e7\u00e3o aos nossos milhares de estudantes e suas fam\u00edlias. Ter\u00edamos escolas devidamente articuladas com a vida, com a sua ess\u00eancia mais fundamental que \u00e9 a humanidade, a preocupa\u00e7\u00e3o com a coletividade e com o destino do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>37. Escolas e Universidades t\u00eam papel importante nesse contexto e um desafio sobressalente: chegar at\u00e9 os estudantes, a fim de disponibilizar o apoio necess\u00e1rio para atravessar essa crise que afeta, mais drasticamente, as popula\u00e7\u00f5es socioeconomicamente mais vulner\u00e1veis. Quanto \u00e0s Universidades, somam-se ainda esfor\u00e7os no sentido de contribuir com pesquisas que fortale\u00e7am a busca por solu\u00e7\u00f5es para os impactos da doen\u00e7a sobre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>38. Apontaremos alguns poss\u00edveis caminhos, dialogando com o que j\u00e1 vem sendo proposto por v\u00e1rios manifestos de coletivos docentes e de Associa\u00e7\u00f5es e Sociedades Cient\u00edficas como: a Associa\u00e7\u00e3o Nacional pela forma\u00e7\u00e3o dos Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o (ANFOPE), Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o (ANPEd), F\u00f3rum Nacional de Educa\u00e7\u00e3o do Campo (FONEC), Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, Centro Acad\u00eamico de Educa\u00e7\u00e3o do Campo e Desenvolvimento Territorial (CAECDT) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>39. A escola deve voltar-se para outros conte\u00fados formativos, isso implica a constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos que se contraponham \u00e0 l\u00f3gica atual de desumaniza\u00e7\u00e3o, que conduziu a humanidade ao grande caos social, pol\u00edtico, econ\u00f4mico, ecol\u00f3gico, psicol\u00f3gico, que vivemos. A educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior precisam extrapolar seus curr\u00edculos b\u00e1sicos, \u00e0 luz da realidade concreta que a todos desafia, sobretudo, quando \u00e9 preciso compreender a l\u00f3gica dessa realidade para se criar formas de super\u00e1-la. O momento requer solidariedade, capacidade de pensar no coletivo, fraternidade, consci\u00eancia ecol\u00f3gica, planet\u00e1ria, comunit\u00e1ria, criatividade para lidar com a ansiedade, com o medo; requer criar la\u00e7os de afetividade, empatia e esperan\u00e7a. S\u00e3o conte\u00fados que se op\u00f5em \u00e0 indiferen\u00e7a, que tiram de foco a competitividade e o individualismo t\u00e3o comuns no cotidiano. A educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e a superior precisam oferecer conhecimentos mais profundos, numa perspectiva comprometida com o desvelamento das quest\u00f5es que fundam a sociedade, para que se amplie a consci\u00eancia hist\u00f3rico-cr\u00edtica dos estudantes, dando-lhes condi\u00e7\u00f5es de compreender o complexo social da vida pautada pelo lucro, a explora\u00e7\u00e3o e as desigualdades. \u00c9 fundamental que, no cen\u00e1rio em curso, os estudantes tenham acesso aos conte\u00fados que os permitam ler e compreender a realidade social, sobretudo, nos aspectos econ\u00f4micos, ambientais e pol\u00edticos que determinam as a\u00e7\u00f5es do Estado, em diversas na\u00e7\u00f5es do mundo, e que, no contexto brasileiro, s\u00e3o marcadas por contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>40. Esse \u00e9, pois, um especial momento para repensarmos tudo, no coletivo. O que buscamos nesse texto foi justamente trazer para o foco do debate algumas das quest\u00f5es que para n\u00f3s s\u00e3o centrais. Dessa forma e de maneira sint\u00e9tica, destacamos:<\/p>\n\n\n\n<p>i. As potencialidades das tecnologias digitais de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, com destaque para internet, r\u00e1dio e televis\u00e3o, devem estar voltadas para o fim m\u00e1ximo da Educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante que se assegure \u00e0s fam\u00edlias informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, em uma linguagem capaz de orientar, principalmente, sobre as a\u00e7\u00f5es seguras para preven\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio e manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Assim, \u00e9 imperioso avan\u00e7ar com um pensar coletivo sobre como as tecnologias digitais podem ser integradas \u00e0s escolas, numa perspectiva que n\u00e3o enfraque\u00e7a a escola como ambiente formativo; que n\u00e3o enfraque\u00e7a os professores como o elemento diferenciado no processo de ensino-aprendizagem; que n\u00e3o enfraque\u00e7a a rela\u00e7\u00e3o dos sujeitos com as comunidades, com as lutas sociais; que n\u00e3o enfraque\u00e7a a autonomia dos sistemas de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>ii S\u00e3o in\u00fameras as possibilidades da educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, da presen\u00e7a das tecnologias no cotidiano das escolas, nas necess\u00e1rias buscas por mais autonomia, valoriza\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de trabalho de professoras e professores, de integra\u00e7\u00e3o do sistema p\u00fablico de educa\u00e7\u00e3o, com uma maior aproxima\u00e7\u00e3o do ensino superior com a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>iii. Necess\u00e1rio que avancemos, de novo, no coletivo, na busca e desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es livres que possam ser utilizadas na Educa\u00e7\u00e3o, em todos os n\u00edveis, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0s plataformas privadas que cada dia mais ocupam espa\u00e7os na sociedade e nos sistemas educativos.<\/p>\n\n\n\n<p>iv. \u00c9 urgente que avancemos na implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que fortale\u00e7am a produ\u00e7\u00e3o de materiais cient\u00edficos, culturais e educativos livres e abertos, numa perspectiva de produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos, com a cria\u00e7\u00e3o e fortalecimento dos j\u00e1 existentes reposit\u00f3rios ou bancos de materiais educacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>41. \u00c9 preciso repensar o futuro da vida em sociedade em todos os seus aspectos, e isso inclui o pr\u00f3prio futuro da educa\u00e7\u00e3o e da escola, sobretudo, diante da possibilidade iminente de amplia\u00e7\u00e3o prolongada ou indeterminada de isolamento social. Necess\u00e1rio que resgatemos cada vez mais o nosso papel de intelectuais p\u00fablicos \u2013 e como gostamos de dizer, ativista \u2013 para que possamos ampliar o debate para al\u00e9m do estabelecido. Convidamos, pois, para leitura e contamos com o seu envolvimento no aprofundamento dessas reflex\u00f5es a partir de um amplo debate sobre as provoca\u00e7\u00f5es que ele convoca.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Notas:<\/h2>\n\n\n\n<p><em>1) Segundo o monitoramento da UNESCO, at\u00e9 8 de abril de 2020, mais de 150 pa\u00edses implementaram fechamentos em todo o pa\u00eds. V\u00e1rios outros pa\u00edses implementaram o fechamento de escolas de forma localizada e, se esses fechamentos se tornarem em \u00e2mbito nacional, milh\u00f5es de estudantes a mais sofrer\u00e3o interrup\u00e7\u00f5es na educa\u00e7\u00e3o. Mais informa\u00e7\u00f5es em: https:\/\/pt.unesco.org\/news\/atualizacoes-da-unesco-resposta-do-setor-educacao-covid-19-na-america-latina-e-no-caribe, https:\/\/pt.unesco.org\/covid19\/educationresponse e https:\/\/pt.unesco.org\/news\/comissao-futuros-da-educacao-da-unesco-apela-ao-planejamento-antecipado-o-aumento-das. Acesso em: 12 maio 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>2)&nbsp;No ano de 2019, foram registradas 47,9 milh\u00f5es de matr\u00edculas nas 180,6 mil escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no Brasil, incluindo particulares e p\u00fablicas. No setor p\u00fablico s\u00e3o 38.739.461 matr\u00edculas. Dados: BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep). Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2019: Resumo T\u00e9cnico. Bras\u00edlia, 2020. E: BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep). Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2019: notas estat\u00edsticas. Bras\u00edlia, 2020. No que se refere ao monitoramento do fechamento das escolas, temos dados dispon\u00edveis no site da Consed: https:\/\/consed.info\/about\/. Acesso em: 12 maio 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>3) A pesquisa TIC Domic\u00edlios 2018 indica que, no Nordeste, apenas 27% dos lares possuem internet e computador. Observando, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s classes C, o acesso \u00e9 de 43%, e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s classes D e E, cai para 7%. A conex\u00e3o em escolas p\u00fablicas urbanas se d\u00e3o da seguinte forma: via cabo (33%), fibra \u00f3tica (26%), linha telef\u00f4nica DSL (21%), via r\u00e1dio (6%) e discada (1%). Fonte: CGI.br\/NIC.br, Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o (Cetic.br), Pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o nas Escolas Brasileiras &#8211; TIC Educa\u00e7\u00e3o 2018. Dispon\u00edvel em: http:\/\/data.cetic.br\/cetic\/explore?idPesquisa=TIC_EDU. Acesso em: 29 abr. 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>4)&nbsp;Apesar do Congresso Nacional ter aprovado a Lei 13.987, para autorizar, em car\u00e1ter excepcional, durante o per\u00edodo de suspens\u00e3o das aulas, em raz\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, a distribui\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros aliment\u00edcios adquiridos com recursos do Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (Pnae) aos pais ou respons\u00e1veis dos estudantes das escolas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a mesma n\u00e3o foi regulamentada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. A m\u00eddia tem divulgado a suspens\u00e3o do Pnae e as iniciativas isoladas de estados e munic\u00edpios para a distribui\u00e7\u00e3o da merenda escolar \u00e0s fam\u00edlias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>5)&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.aunirede.org.br\/portal\/quem-somos\/historico. Acesso em: 11 maio 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>6)&nbsp;QUARTIERO, Elisa Maria; BONILLA, Maria Helena S; FANTIN, Monica (org.). Projeto UCA: entusiasmos e desencantos de uma pol\u00edtica p\u00fablica. Salvador: Edufba, 2015.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>7)&nbsp;No \u00e2mbito do Protocolo de Integra\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior do Nordeste (PINE), no caso o PINE-Bahia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>8)&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/pt.slideshare.net\/Culturadigital\/documento-base-do-programa-nacional-de-banda-larga. Acesso em: 11 maio 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>9)&nbsp;Especialmente, os professores Lynn Alves e Arnaud Soares, depois p\u00f3s-graduandos no nosso grupo de pesquisa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>10)&nbsp;Denomina\u00e7\u00e3o dada, \u00e0 \u00e9poca, aos atuais Ensino Fundamental e Ensino M\u00e9dio, respectivamente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>11)&nbsp;BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclus\u00e3o digital: pol\u00eamicas contempor\u00e2neas. Salvador: Edufba, 2011.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>12)&nbsp;Srnicek, N. Capitalismo de Plataformas. Caja Negra Editora, 2018.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>13)&nbsp;Pretto, Nelson De Luca. (2017). Educa\u00e7\u00f5es, culturas e hackers: Escritos e reflex\u00f5es. Salvador: Edufba, 2017.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>14)&nbsp;Idem 13<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>15)&nbsp;Destacamos aqui que a reuni\u00e3o de funda\u00e7\u00e3o do Projeto Software Livre Bahia (PSL-Ba) aconteceu no audit\u00f3rio I da Faced\/UFBA, em outubro de 2003, com a presen\u00e7a de Cl\u00e1udio Prado, na \u00e9poca assessor para cultura digital do Minist\u00e9rio da Cultura.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>16)&nbsp;BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson de Luca. Pol\u00edticas brasileiras de educa\u00e7\u00e3o e inform\u00e1tica. 2000. Dispon\u00edvel em: https:\/\/blog.ufba.br\/gec\/files\/2013\/07\/texto-politicas-Bonilla-Pretto.pdf. Acesso em: 15 maio 2020; BONILLA, Maria Helena Silveira. Pol\u00edticas p\u00fablicas para inclus\u00e3o digital nas escolas. Motriviv\u00eancia, Ano XXII, n. 34, p. 40-60, jun. 2010; QUARTIERO, Elisa Maria; BONILLA, Maria Helena S; FANTIN, Monica (org.). Projeto UCA: entusiasmos e desencantos de uma pol\u00edtica p\u00fablica. Salvador: Edufba, 2015.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>17)&nbsp;Blog do Professor Luiz Carlos de Freitas. Dispon\u00edvel em: https:\/\/avaliacaoeducacional.com\/ Acesso em: 12 maio 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>18)&nbsp;PRETTO, Nelson De Luca. Tecnologia e Novas Educa\u00e7\u00f5es. Salvador: Edufba, 2005; PRETTO, Nelson De Luca. Educa\u00e7\u00e3o, Culturas e Hackers: escritos e reflex\u00f5es, Salvador: Edufba, 2017.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>19)&nbsp;Dispon\u00edvel em: direitosnarede.org.br. Acesso em: 11 maio 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>20)&nbsp;Usamos as aspas justamente porque esse gratuito n\u00e3o tem nada de gratuito, pois o pagamento \u00e9 feito com os dados dos usu\u00e1rios.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>21)&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.semesp.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Parecer-CNE-CP_5_2020.pdf. Acesso em: 13 maio 2020<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>22)&nbsp;Insistimos que essa normalidade desde muito n\u00e3o existe, pois a correta universaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e a amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s universidades p\u00fablicas n\u00e3o foram acompanhadas de condi\u00e7\u00f5es concretas de forma\u00e7\u00e3o e de infraestrutura para que os professores pudessem atuar. Paralelo a isso, as quest\u00f5es mais amplas do pr\u00f3prio sistema, com o pa\u00eds (e o mundo) vivendo profundas desigualdades sociais e econ\u00f4micas, n\u00e3o nos possibilita, em hip\u00f3tese alguma, dizer que viv\u00edamos uma \u201cnormalidade\u201d (Ver: SANTOS, Boaventura de Sousa. A cruel pedagogia do v\u00edrus. Coimbra: Edi\u00e7\u00f5es Almedina, 2020).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>23)&nbsp;PRETTO, Nelson De Luca. Educa\u00e7\u00f5es, culturas e hackers: Escritos e reflex\u00f5es. Edufba, 2017.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>24)&nbsp;QUARTIERO, Elisa Maria; BONILLA, Maria Helena S; FANTIN, Monica (org.). Projeto UCA: entusiasmos e desencantos de uma pol\u00edtica p\u00fablica. Salvador: Edufba, 2015.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>25)&nbsp;A mais recente pesquisa, intitulada Conex\u00e3o escola-mundo: espa\u00e7os inovadores para forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, tem apoio do CNPq e est\u00e1 em fase de finaliza\u00e7\u00e3o. Todas as pesquisas e projetos do GEC est\u00e3o dispon\u00edveis em nosso site: https:\/\/blog.ufba.br\/gec\/<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>26)&nbsp;Dispon\u00edvel em: http:\/\/portal.inep.gov.br\/censo-escolar. Acesso em: 11 maio 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>27)&nbsp;As propostas desenvolvidas pelo GEC para forma\u00e7\u00e3o de professores podem ser acessadas em: BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson de Luca. Forma\u00e7\u00e3o de professores: as TIC estruturando din\u00e2micas curriculares horizontais. In: ARA\u00daJO, Bohumila; FREITAS, Katia Siqueira de. (org). Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia no contexto brasileiro: experi\u00eancias em forma\u00e7\u00e3o inicial e forma\u00e7\u00e3o continuada. Salvador: ISP\/UFBA, 2007. p.73-92. BONILLA, Maria Helena Silveira; HALMANN, Adriane Lizbehd. Forma\u00e7\u00e3o de professores do campo e tecnologias digitais: articula\u00e7\u00f5es que apontam para outras din\u00e2micas pedag\u00f3gicas e potencializam transforma\u00e7\u00f5es da realidade. Inter-A\u00e7\u00e3o, Goi\u00e2nia, v.36, n.1, p. 285-308, jan\/jun. 2011. SILVA, Maria L\u00e9a Guimar\u00e3es. A inclus\u00e3o digital nas pol\u00edticas p\u00fablicas de inser\u00e7\u00e3o das Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o na Educa\u00e7\u00e3o: o discurso e a pr\u00e1tica dos cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores. 2014. 186 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o) \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2014. VELOSO, Maristela Midlej Silva de Ara\u00fajo. O professor e a autoria no contexto da cibercultura: redes da cria\u00e7\u00e3o no cotidiano da escola. 2014. 278 f. Tese (Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o) \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade Federal da Bahia., Salvador, 2014.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>28)&nbsp;No original: \u201cesa sensaci\u00f3n de euforia, entre el orgullo de pertenencia y el \u00e9xtasis de una comuni\u00f3n multitudinaria, por ef\u00edmera que sea, se ha convertido en un breve refugio de felicidad colectiva, una conquista temporal que tiene a\u00fan m\u00e1s significado en medio de unos d\u00edas que, por lo dem\u00e1s, est\u00e1n siendo ingratos para la mayor\u00eda o, en demasiadas ocasiones, completamente dram\u00e1ticos\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/raulolivan.com\/2020\/04\/06\/mapa-de-los-sentidos-comunes. Acesso em: 06 mar. 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>29)&nbsp;Pretto, Nelson De Luca. A ci\u00eancia nos livros did\u00e1ticos. Editora da Universidade Federal da Bahia\/Editora da Unicamp, 2\u00aa ed., 1995.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Baixe o pdf livro aqui. Introdu\u00e7\u00e3o O Grupo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Tecnologias (GEC), da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, h\u00e1 25 anos desenvolve pesquisas e a\u00e7\u00f5es de ensino e extens\u00e3o. Ao longo desse tempo, tem buscado qualificar a discuss\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a Educa\u00e7\u00e3o, a Comunica\u00e7\u00e3o e as Tecnologias; formar professoras\/es e alunas\/os para uma atua\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 propositiva, colaborativa, autoral, cr\u00edtica e criativa, pautada em valores democr\u00e1ticos e no fortalecimento dos direitos humanos; desenvolver propostas educativas que possibilitem a incorpora\u00e7\u00e3o das tecnologias nas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em todos os n\u00edveis educacionais, numa perspectiva n\u00e3o instrumental, primando pela liberdade e abertura do conhecimento, questionando ideias estabelecidas e largamente disseminadas, quer pela m\u00eddia corporativa, quer pelo mercado, quer pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, quer ainda pelos pr\u00f3prios sujeitos sociais, ideias que relegam esses sujeitos a meros consumidores de produtos, ideais e conhecimentos produzidos fora de seu contexto. Neste momento em que, globalmente, enfrentamos uma crise sem precedentes, porque combina fatores sanit\u00e1rios globais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, educacionais, entre outros, n\u00e3o podemos perder de vista que estamos em meio a uma amea\u00e7a \u00e0 vida (em diferentes dimens\u00f5es e propor\u00e7\u00f5es). Para a sociedade brasileira, em particular, realizar o enfrentamento desta situa\u00e7\u00e3o desde suas peculiares e, por vezes, fragilizadas estruturas, j\u00e1 \u00e9 um grande desafio, todavia, esse enfrentamento se torna ainda maior devido ao conflito pol\u00edtico, em exposi\u00e7\u00e3o diariamente pelas m\u00eddias, que impede a efetividade do Estado na garantia de pol\u00edticas de assist\u00eancia aos mais vulner\u00e1veis e amplia a inseguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o sabe, ao certo, como proceder para se manter em seguran\u00e7a. Nesse cen\u00e1rio, explicitamos aqui nosso posicionamento sobre diversos aspectos que est\u00e3o postos no contexto social e educacional brasileiro, buscando contribuir com as reflex\u00f5es e an\u00e1lises que est\u00e3o sendo produzidas por outros grupos de pesquisadores e educadores, bem como pela sociedade em geral, que necessita que n\u00f3s, acad\u00eamicos, estejamos articulados em rede, solid\u00e1rios e engajados no enfrentamento dos problemas, que s\u00e3o coletivos. Nossa reflex\u00e3o\/contribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 expressa, preliminarmente, no conjunto de pontos que seguem, os quais servem de balizadores para que possamos desencadear e aprofundar a reflex\u00e3o sobre os temas que est\u00e3o atualmente em evid\u00eancia e ao mesmo tempo fomentar o debate p\u00fablico, aberto e colaborativo, a fim de contribuirmos com a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento que possa circular por diferentes m\u00eddias e grupos, de forma a chegar a um p\u00fablico cada vez mais vasto. Reflex\u00f5es para o debate 1. O fato que nos mobiliza, mundialmente, neste in\u00edcio de 2020, \u00e9 que o planeta foi atacado por um v\u00edrus invis\u00edvel. Vivemos um contexto de pandemia! 2. O assunto em todas as rodas (em rede) do momento \u00e9 a avassaladora propaga\u00e7\u00e3o da COVID-19, doen\u00e7a ocasionada pelo coronav\u00edrus SARS-CoV-2, que surgiu em 2019, e que se espalha de forma invis\u00edvel, obrigando uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o mundial a manter-se sob o regime de confinamento em casa. Esta medida tem nos parecido, em fun\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o adotada pela maioria dos pa\u00edses, como sendo uma forma minimamente aceit\u00e1vel de enfrentar o problema. E uma estrat\u00e9gia para que o confinamento seja bem sucedido est\u00e1 sendo, em todo o mundo, a suspens\u00e3o das atividades educacionais, em todos os n\u00edveis &#8211; da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. 3. No momento em que acontece a suspens\u00e3o das atividades presenciais nas escolas e universidades, afetando mais de 90% dos estudantes do mundo1, necess\u00e1rio se faz pensar em alternativas para que o universo de mais de 13 milh\u00f5es de estudantes no ensino superior e quase 48 milh\u00f5es de estudantes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica2 brasileira possa continuar com atividades formativas, sejam elas as formais, do curr\u00edculo escolar, ou as informais, aquelas notadamente associadas ao uso da internet para filmes, v\u00eddeos e as j\u00e1 conhecidas e famosas lives, sejam ainda por meio de leitura ou de outros tipos de jogos ou brincadeiras. 4. Sem escolas, alunos de todas as idades e de todas as camadas sociais permanecem, teoricamente, em casa. Dizemos teoricamente porque n\u00e3o podemos minimizar o debate a respeito das condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o e de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Em um pa\u00eds com uma enorme desigualdade social, como o Brasil, \u00e9 necess\u00e1rio especificar que essa casa, para as classes m\u00e9dia e alta, se constitui numa edifica\u00e7\u00e3o com diversos c\u00f4modos, que permite arranjos para o desenvolvimento de atividades individuais e coletivas; j\u00e1 para as classes populares, a casa \u00e9, muitas vezes, um \u00fanico c\u00f4modo, onde convivem muitas pessoas, de pequenos a idosos, o que torna praticamente imposs\u00edvel permanecer nesse espa\u00e7o o dia todo, ou desenvolver qualquer tipo de atividade que exija o m\u00ednimo de concentra\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o, como s\u00e3o geralmente aquelas ligadas \u00e0 experi\u00eancia educacional. No entanto, com esse enorme contingente juvenil sem aula nas escolas, come\u00e7am a surgir, aqui e em diversos pa\u00edses, solu\u00e7\u00f5es para que a educa\u00e7\u00e3o continue, em casa, sob a responsabilidade dos grupos familiares. Portanto, as hashtags #fiqueemcasa e #aescolacontinua t\u00eam significados absolutamente diferentes para uma ou outra realidade, uma ou outra classe social. 5. Do ponto de vista das fam\u00edlias de baixa renda, s\u00e3o muitas as quest\u00f5es postas, destacando-se, para come\u00e7ar, a inexist\u00eancia de infraestrutura f\u00edsica e de conectividade domiciliar3 para que qualquer atividade de ensino formal possa acontecer. No entanto, os principais desafios para essas fam\u00edlias, hoje, s\u00e3o de outra natureza; obviamente passam tamb\u00e9m pela educa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se encerram nela. Na pauta e na preocupa\u00e7\u00e3o delas est\u00e1 a garantia das condi\u00e7\u00f5es materiais de exist\u00eancia, a come\u00e7ar pelo alimento. Os dados dispon\u00edveis s\u00e3o absolutamente desconcertantes e preocupantes, pois h\u00e1 muita fome espalhada pelo pa\u00eds, que s\u00f3 pode ser combatida pela manuten\u00e7\u00e3o das fontes de renda, uma vez que o aux\u00edlio emergencial do governo federal, aprovado pelo Congresso Nacional, al\u00e9m de insuficiente, para dar conta da prec\u00e1ria e desigual realidade da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 chegando para todos que a ele t\u00eam direito. Uma boa parte das fam\u00edlias com alunos nas escolas p\u00fablicas vive do trabalho informal ou \u00e9 empregada, com contratos que est\u00e3o suspensos ou sob amea\u00e7as, o que coloca em tens\u00e3o o cotidiano dessas fam\u00edlias. Cotidiano que, em muitos locais, se v\u00ea ainda mais afetado pelo fato de, sem escola,<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":4560,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[388,407],"tags":[],"class_list":["post-4558","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-livros-do-gec","category-livros-do-gec-2020","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4558"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4558"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5006,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4558\/revisions\/5006"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}