{"id":3329,"date":"2020-05-26T23:02:43","date_gmt":"2020-05-26T23:02:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/gec\/?p=3329"},"modified":"2020-05-26T23:02:43","modified_gmt":"2020-05-26T23:02:43","slug":"educacao-e-isolamento-transformar-a-educacao-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/webgec\/2020\/05\/26\/educacao-e-isolamento-transformar-a-educacao-publica\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o e isolamento: transformar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0cm;line-height: 100%\"><span style=\"font-family: Liberation Sans, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\"><b>Salete Cordeiro<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;line-height: 100%\"><span style=\"font-family: Liberation Sans, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\"><b><em>P<\/em><em>rofessora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. Pesquisadora do GEC\/FACED\/UFBA. <\/em><em>E-mail salete.noro@ufba.br<\/em><\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p>Pensar em oferecer condi\u00e7\u00f5es educativas a milhares de estudantes das escolas p\u00fablicas, que nesse momento permanecem em casa, \u00e9 um grande desafio. Uma das principais solu\u00e7\u00f5es elencadas para enfrentar a crise seria a utiliza\u00e7\u00e3o das tecnologias digitais, atrav\u00e9s do uso de diversas plataformas comerciais, criando condi\u00e7\u00f5es para que os alunos recebessem forma\u00e7\u00e3o instrumental e conteudista via web.<br \/>\nUm leque de questionamentos pode ser aberto a partir dessa alternativa, mas \u00e9 importante, antes disso, saber quantos dos alunos da rede p\u00fablica t\u00eam acesso \u00e0 internet e dispositivos em suas casas? Segundo dados da pesquisa TIC domic\u00edlios 2018, no Brasil, apenas 39% dos lares possuem simultaneamente internet e computador. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe C, dentro desse percentual, o acesso \u00e9 de 43% e desce para 7% quando referido \u00e0s classes D e E, o que indica que essa alternativa n\u00e3o atende a todos. A\u00ed est\u00e1 o fosso digital que aumenta as desigualdades, pois aqueles que n\u00e3o tiverem acesso aos bens culturais ser\u00e3o, certamente, os mais prejudicados.<br \/>\nAlguns ainda sugerem que as escolas sejam pontos de acesso, por\u00e9m essa n\u00e3o \u00e9 a melhor alternativa em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, al\u00e9m de ser de conhecimento de todos que agrande maioria delas n\u00e3o possui suficiente infraestrutura f\u00edsica e de rede. Dados TIC Educa\u00e7\u00e3o 2018 indicam que apenas 25% possuem laborat\u00f3rios de inform\u00e1tica com a quantidade m\u00e9dia de 6 a 15 computadores funcionando e conectados \u00e0 internet simultaneamente. Esse panorama evidencia n\u00e3o somente a falta de infraestrutura, mas a aus\u00eancia de incentivos para o desenvolvimento da cultura digital, o que retraiu a cria\u00e7\u00e3o de propostas pedag\u00f3gicas e did\u00e1ticas que partissem dos cotidianos escolares, que por sua vez seriam de grande import\u00e2ncia.<br \/>\nEntretanto essas aus\u00eancias induzem a um repensar tanto as pol\u00edticas p\u00fablicas de consolida\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 banda larga para toda a popula\u00e7\u00e3o, como do fortalecimento da escola p\u00fablica, com uma a\u00e7\u00e3o contundente no sentido de superar uma educa\u00e7\u00e3o centrada no repasse de conte\u00fados. Os professores(as), alunos(as) e suas comunidades poderiam estar envolvidos na constru\u00e7\u00e3o de conte\u00fados diversos, contando suas experi\u00eancias vivenciais, cotidianas, analisando a realidade a partir das not\u00edcias que lhes chegam entre tantas outras possibilidades. Tudo isso, visando a constru\u00e7\u00e3o de conte\u00fados em m\u00faltiplos formatos que poderiam ajudar suas comunidades no enfrentamento da calamidade, como por exemplo, produ\u00e7\u00e3o de podcasts, v\u00eddeos, fotografias para serem compartilhados nas redes, blogs ou nas r\u00e1dios web das escolas e das comunidades, tudo isso funcionando nesse momento de maneira remota.<br \/>\nN\u00e3o temos respostas prontas, o que sabemos \u00e9 que precisamos respeitar e fortalecer a autonomia da escola p\u00fablica e da sua comunidade como espa\u00e7o de partilha de saberes e constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salete Cordeiro Professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. Pesquisadora do GEC\/FACED\/UFBA. E-mail salete.noro@ufba.br Pensar em oferecer condi\u00e7\u00f5es educativas a milhares de estudantes das escolas p\u00fablicas, que nesse momento permanecem em casa, \u00e9 um grande desafio. 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A\u00ed est\u00e1 o fosso digital que aumenta as desigualdades, pois aqueles que n\u00e3o tiverem acesso aos bens culturais ser\u00e3o, certamente, os mais prejudicados. Alguns ainda sugerem que as escolas sejam pontos de acesso, por\u00e9m essa n\u00e3o \u00e9 a melhor alternativa em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, al\u00e9m de ser de conhecimento de todos que agrande maioria delas n\u00e3o possui suficiente infraestrutura f\u00edsica e de rede. Dados TIC Educa\u00e7\u00e3o 2018 indicam que apenas 25% possuem laborat\u00f3rios de inform\u00e1tica com a quantidade m\u00e9dia de 6 a 15 computadores funcionando e conectados \u00e0 internet simultaneamente. Esse panorama evidencia n\u00e3o somente a falta de infraestrutura, mas a aus\u00eancia de incentivos para o desenvolvimento da cultura digital, o que retraiu a cria\u00e7\u00e3o de propostas pedag\u00f3gicas e did\u00e1ticas que partissem dos cotidianos escolares, que por sua vez seriam de grande import\u00e2ncia. 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