História

Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora

Nair PRATA

Introdução

O Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) está completando 20 anos e, ao longo de sua história, tornou-se reconhecido como um GP produtivo, com grande número de publicações coletivas, ações inovadoras e perfil colaborativo. Como balanço desses 20 anos, este trabalho pretende recuperar a trajetória do grupo e, com base nela, fazer proposições que norteiem o seu futuro.


1. Breve histórico da pesquisa em rádio no Brasil

A pesquisa em rádio no Brasil teve seu início efetivo nos anos 1980. Até então, as produções eram isoladas, capitaneadas principalmente por profissionais da comunicação. Em 1991, a criação de um grupo, pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), com o objetivo de pesquisar exclusivamente o rádio, catapultou a área como lócus privilegiado de investigação.

Moreira (2005) lembra que, até a década de 1970, “a maioria dos livros, ensaios e artigos publicados sobre a radiodifusão nacional tinha como autores profissionais atuantes, pioneiros do meio ou interessados na técnica da transmissão eletrônica de áudio” (p. 124). Segundo ainda a autora, “dos relatos baseados na memória particular o campo evoluiu para pesquisas de base histórica e alguma análise sociológica. Os estudos radiofônicos se ampliaram – incluindo temas como análise de conteúdo, de gêneros, avaliação de personagens, recursos de tecnologia – a partir da década de 1990” (p. 125).

Del Bianco e Zuculoto (1997) destacam que, além da criação do grupo, o aumento da pesquisa em rádio, no Brasil, se deu também a uma espécie de redescoberta dos recursos radiofônicos, com a proliferação de novos gêneros e à popularização das rádios livres, colocadas no ar sem permissão oficial. Moreira (2005) divide os trabalhos sobre o rádio, no Brasil, em três fases: na primeira etapa estão as pesquisas relacionadas às décadas de 40 e 50, quando predominaram os manuais de redação como registros impressos sobre o rádio; a segunda fase remete às décadas de 60, 70 e 80, com os livros-depoimento e, por fim, a terceira etapa, com os trabalhos de produção acadêmica, característicos da década de 90 do século passado, para cá, que nada mais seriam do que o reflexo da percepção social sobre o meio rádio.

Neste início do século XXI, as pesquisas brasileiras sobre o rádio estão concentradas, principalmente: 1) Nas investigações e publicações do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom e do Grupo de Trabalho História do Rádio da Associação Brasileira de História da Mídia; 2) No trabalho desenvolvido pelos grupos de pesquisa alocados em universidades. No Diretório dos Grupos registrados no CNPq, há pelo menos 40 grupos que têm a mídia rádio como palavra-chave ; 3) E, em menor número, pela ação de pesquisadores que atuam de forma isolada, geralmente profissionais do rádio.

2. Os 20 anos do GP Rádio e Mídia Sonora

A Intercom foi fundada em 1977 e, até 2010, já realizou 33 congressos anuais, de âmbito nacional. Os grupos de pesquisa com foco em áreas específicas passaram a funcionar a partir de 1991, os chamados Grupos de Trabalho (GTs). Em 2000, foi feita uma reestruturação dos GTs, com a criação dos Núcleos de Pesquisa. Em 2008, foram criadas as divisões temáticas, “com a finalidade de reunir pesquisadores interessados em temáticas dotadas de legitimação acadêmico-profissional ou que representam objetos demandando elucidação teórico-metodológica” .

Ao longo dos seus 20 anos, o grupo de rádio da Intercom teve denominações diferentes, de acordo com as diretrizes da entidade:

Ano

Denominação do grupo

1991

Grupo de Trabalho Pesquisa em Rádio

1992

Grupo de Trabalho Rádio: História, Gêneros e Linguagem

1993
1994

Grupo de Trabalho Rádio

1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001

Núcleo de Pesquisa Mídia Sonora

2002
2003
2004

Núcleo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora

2005
2006
2007
2008
2009

Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora

2010

O grupo tem a sua atuação definida pela seguinte ementa: “Abrange estudos, dentro de diferentes perspectivas teóricas e metodológicas, a respeito do rádio – em suas manifestações comercial, estatal e pública, incluindo abordagens educativas e comunitárias – e de outras mídias sonoras, preocupando-se com aspectos como a teoria, a linguagem, as técnicas, o mercado, a história, a ética, a arte, a programação, a produção, a recepção, a experimentação e os conteúdos de jornalismo, publicitários e de entretenimento. Compreende, ainda, pesquisas a respeito da música como manifestação comunicativa, da f

 Coordenadora do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom. Jornalista, doutora em Linguística Aplicada (UFMG) e professora adjunta da niversidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

 http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/. Data de acesso: 01/07/2011.

 Fonte: Normas Regimentais dos Grupos de Pesquisa da Intercom: http://intercom2.tecnologia.ws/images/stories/Normas_Regimentais_dos_Grupos_de_Pesquisas.pdf. Data de acesso: 30/06/2011.

fonografia e das diversas formas de utilização do áudio em ambientes multimídia ou não, trabalhando as questões da sonoridade em sua ampla gama de manifestações como fenômeno comunicacional”.

Antes de completar dez anos, em 2000, o grupo já se destacava por sua atuação. Naquele ano, na gestão da professora Nélia Del Bianco, recebeu o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, na categoria Grupo Inovador. É o único grupo da Intercom agraciado com tal distinção e reconhecimento: “Foi escolhido por seu protagonismo no período 1991-1999, reunindo cerca de 50 pesquisadores em todo o país. Com uma produção de 116 trabalhos apresentados durante a década de 90 nos congressos anuais da Intercom (…)” .

A partir de 2003, na gestão do professor Eduardo Meditsch, foi criada uma lista do grupo na internet, uma forma de interação rápida, eficiente e que trouxe grandes benefícios para a comunicação entre os participantes. Hoje, o e-mail da lista é intercomradio@yahoogrupos.com.br e a troca de mensagens é quase sempre diária, às vezes com debates acalorados, mas respeitosos, sobre os variados temas que envolvem a radiofonia. O grupo está presente também nas redes sociais, com um blog ativo (http://blogintercomradio.wordpress.com/), perfil no Facebook (Grupo Rádio da Intercom), no YouTube (http://www.youtube.com/user/Blogintercomradio) e no Twitter (@GPRadioesom).

Em 2007, durante a reunião anual do GP, no congresso de Santos, na gestão do professor Luiz Artur Ferraretto, nasceu um dos mais audaciosos e inéditos projetos de um grupo de pesquisa da Intercom: a Carta dos Pesquisadores de Rádio e Mídia Sonora do Brasil. A partir de uma ideia do professor Ricardo Medeiros, o grupo decidiu questionar o Ministério das Comunicações acerca da tecnologia e dos métodos que seriam utilizados na implantação do rádio digital no Brasil. A Carta dos Pesquisadores foi assinada por 72 pesquisadores de 14 Estados brasileiros e amplamente divulgada em todo o país.

O movimento culminou com um encontro, em Brasília, em 13 de dezembro de 2007, entre o então ministro das Comunicações Hélio Costa e uma comissão formada por três professores escolhidos pelo grupo (Luiz Artur Ferraretto, Nair Prata e Nélia Del Bianco). Na reunião, o ministro, cercado de assessores, deu várias explicações de ordem técnica sobre o rádio digital e ouviu da comissão a preocupação acerca da tecnologia e dos métodos que poderiam ser utilizados no processo.

Um ano depois, no dia 21 de dezembro de 2008, depois de ser cobrado sobre a lentidão do processo de implantação do rádio digital, o ministro Hélio Costa publicou um artigo no jornal Estado de Minas, intitulado E o rádio digital? Uma análise responsável reconhecendo as dificuldades para colocar em funcionamento no Brasil a nova tecnologia e citando nominalmente o GP: “… Assim, ao contrário do que diz um e-mail divulgado pelo Núcleo de Pesquisa de Rádio e Mídia, e citado pela articulista Nair Prata no Estado de Minas, o Minicom não propôs qualquer parceria com a empresa americana IBiquity…”.  Provavelmente, é o único grupo de pesquisa da Intercom que fez uma cobrança – e obteve uma resposta – de um ministro.

De acordo com as Normas Regimentais dos Grupos de Pesquisa da Intercom , “os grupos são constituídos por, no mínimo, 20 pesquisadores atuantes em, pelo menos, três regiões do país”. A lista dos participantes do grupo contabiliza 186 membros , com titulação variada, sendo:

Titulação

Nº de participantes do GP

Doutor

64

Doutorando

21

Especialista

10

Mestrando

13

Mestre

54

Outro

24

Total: 186

Os participantes da lista são originários, principalmente, da Região Sudeste do país (45%) e do Sul (37%). Em menor número, também participam pesquisadores do Nordeste (10%), do Centro-Oeste (5%), do Norte (2%) e até de outros países (1%).

Desde a realização do primeiro encontro do grupo, em 1991, em Porto Alegre, até o encontro de Caxias do Sul, em 2010, foram apresentados 471 trabalhos no GP . O primeiro encontro contou com sete trabalhos e, a partir daí, o número foi crescendo até chegar aos 50 papers no congresso de Caxias do Sul, conforme demonstra o quadro a seguir:

Ano

Nº de trabalhos apresentados

1991

7

1992

5

1993

6

1994

10

1995

9

1996

13

1997

13

1998

20

1999

24

2000

13

2001

20

2002

24

2003

38

2004

41

2005

41

2006

29

2007

30

2008

34

2009

44

2010

50

Total de trabalhos: 471

Nestes 20 anos do grupo, 245 pesquisadores diferentes apresentaram trabalhos em equipe ou individualmente. Alguns pesquisadores se destacam pela grande produção, e a principal delas é a fundadora do grupo, a professora Dóris Fagundes Haussen, com 17 papers no total, sendo seis coletivos e 11 individuais. A seguir, um quadro com os 33 pesquisadores mais profícuos do grupo, elencados aqui por ordem do número de trabalhos apresentados:

Pesquisador(a)

Trabalhos coletivos

Trabalhos individuais

Total de trabalhos

Dóris Fagundes Haussen

6

11

17

Mágda Cunha

2

13

15

Nélia Del Bianco

3

11

14

Valci Zuculoto

1

12

13

Nair Prata

3

9

12

Antonio Adami

3

8

11

Luciano Klöckner

4

7

11

Sônia Virgínia Moreira

11

11

Luiz Artur Ferraretto

1

9

10

Álvaro Bufarah Junior

3

6

9

Ana Baumworcel

9

9

Marcos Júlio Sergl

4

5

9

Andréa Pinheiro Paiva Cavalcante

6

2

8

Eduardo Meditsch

2

6

8

Mauro José Sá Rego Costa

8

8

Júlia Lúcia de Oliveira A. da Silva

3

4

7

Sônia Caldas Pessoa

3

4

7

Adriana Ruschel Duval

3

3

6

João Baptista de Abreu

6

6

Luiz Maranhão Filho

1

5

6

Moacir Barbosa de Souza

1

5

6

Wanir Campelo

3

3

6

André Barbosa Filho

3

2

5

Antônio Francisco Magnoni

2

3

5

Carmen Lúcia José

1

4

5

Cida Golin

1

4

5

Delma Perdomo Deniz

1

4

5

Gisele Sayeg Nunes Ferreira

2

3

5

Irineu Guerrini Junior

5

5

Lia Calabre

5

5

Marta Regina Maia

1

4

5

Sandra Sueli Garcia de Sousa

5

5

Sergio Francisco Endler

5

5

Do total de 245 pesquisadores presentes nestes 20 anos do GP, é importante destacar que apenas 61 deles, ou seja, 25%, participaram com três textos ou mais, número que pode ser considerado pequeno. Em contrapartida, mais da metade, 142 pesquisadores, ou seja, 58% do total, compareceram com um único texto. Esses dados demonstram que ainda é pequena a fidelidade e a frequência dos pesquisadores ao grupo. Do total, 42 pesquisadores, que representam 17% do conjunto, apresentaram dois textos.

Algumas instituições têm participação ativa no grupo, por meio dos seus pesquisadores. Nestes 20 anos do GP, 124 instituições diferentes estiveram presentes, mas o grande destaque fica por conta da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com um total de 53 trabalhos apresentados por seus pesquisadores, mais do que o dobro da segunda colocada. A seguir, um quadro com as 25 instituições mais profícuas do grupo, elencadas aqui por ordem do número de trabalhos apresentados:

Instituições

Nº de trabalhos apresentados

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

53

Universidade Federal de Santa Catarina

26

Centro Universitário de Belo Horizonte

23

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

22

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

20

Universidade Federal Fluminense

19

Universidade de São Paulo

18

Faculdade Cásper Líbero

17

Universidade de Brasília

17

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

15

Universidade Federal do Ceará

14

Universidade Estadual Paulista

13

Universidade de Caxias do Sul

12

Universidade de São Judas Tadeu

11

Universidade Paulista

11

Universidade Federal de Santa Maria

10

Universidade Luterana do Brasil

10

Universidade Tuiuti do Paraná

10

Centro Universitário Newton Paiva

9

Fundação Armando Álvares Penteado

9

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

9

Universidade de Santo Amaro

9

Universidade Metodista de São Paulo

9

Universidade Estadual de Campinas

8

Universidade Metodista de Piracicaba

8

É importante destacar, dentre as 124 instituições presentes nestes 20 anos do GP, a participação maciça das instituições do Sudeste do país nos trabalhos do grupo, 52% do total. A seguir, vem a Região Sul, com 20%; Nordeste, com 11%; Centro-Oeste e Norte, cada uma com 6% e outros países, com 5%. Isso significa que o Sudeste, sozinho, responde por mais da metade das instituições presentes no grupo.

 Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, vol. XXIII nº 2 jul-dez/2000, p. 217.

 Planilha dos membros do GP, em 30 de junho de 2011.

 Levantamento realizado nos anais dos congressos da Intercom de 1991 a 2010, com a colaboração da aluna do curso de Administração da PUC-Minas Yasmim Moreira Martins.

Se forem reunidos os números das regiões Sudeste e Sul – que somam 72% do total – conclui-se como é fraca a presença das instituições do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país nas sessões do GP. Também é muita pequena – 5% do total – a participação de instituições de outros países.

Com relação aos temas dos artigos, um levantamento feito em todos os 471 trabalhos apresentados no grupo nestes 20 anos apontou a existência de mais de 400 palavras-chave diferentes. Um agrupamento desses termos permitiu a elaboração de uma lista com os dez temas mais recorrentes: tecnologia, história, radiojornalismo, programação, música, pessoas e teóricos diversos, comunicação em geral, política, localidades diversas e indústria fonográfica. Como cada texto possui pelo menos três palavras-chave, não é foi apurado, com exatidão, como esses termos se entrecruzam e os desdobramentos disso.

O Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora é, provavelmente, o GP mais produtivo da Intercom no tocante às pesquisas coletivas, isto é, abertas à participação de todos os interessados e com investigações relevantes efetivamente publicadas. Nestes 20 anos do GP, podemos elencar 13 grandes produções coletivas do grupo, apresentadas aqui pela ordem cronológica de edição:

1) MEDITSCH, Eduardo (Org.).  Rádio e pânico: a Guerra dos mundos, 60 anos depois. Florianópolis: Insular, 1998. 240p: Eduardo Meditsch liderou a primeira publicação do grupo, com o objetivo de analisar o fenômeno da radiofonização de Guerra dos Mundos, de George Wells, na versão para a CBS produzida por Orson Welles. O livro inclui o roteiro do programa, além de ser acompanhado por um CD com a gravação da versão brasileira, produzido pela Associação dos Artistas da Era de Ouro do Rádio de Pernambuco. Os 16 textos do livro foram produzidos por 17 pesquisadores: Adriana Ruschel, Ana Baumworcel, Carlos Eduardo Esch, Dóris Haussen, Eduardo Meditsch, Gisela Swetlana Ortriwano, Hugo Vela, João Batista de Abreu, Luiz Carlos Saroldi, Luiz Maranhão Filho, Mágda Cunha, Nélia Del Bianco, Romário Schettino, Sérgio Endler, Sônia Virgínia Moreira, Valci Zuculoto e Valério Brittos.

2) DEL BIANCO, Nélia R e MOREIRA, Sonia Virgínia (Org.). Rádio no Brasil; tendências e perspectivas. Rio de Janeiro: EdUERJ; Brasília, DF: UnB, 1999, 232p. (GTs Intercom, 8): Na apresentação do livro, as organizadoras explicam que o objetivo da coletânea foi “preencher as inúmeras lacunas de conhecimento em relação a fatos e fases do rádio brasileiro” (p. 13). Os 12 textos foram produzidos por 16 pesquisadores: Ana Rosa Gomes Cabello, Ana Sílvia Davi Médola, Antônio Francisco Magnoni, Carlos Eduardo de Morais Dias, Carlos Eduardo Esch, Deise Josiane Martins, Dulce Maria Cruz, Eduardo Meditsch, Geraldo José Santiago, Luiz Maranhão Filho, Mágda Cunha, Maria Luiza Cardinale Baptista, Nélia Del Bianco, Sônia Virgínia Moreira, Valci Zuculoto e Willians Cerozzi Balan.

3) MOREIRA, Sonia Virgínia e DEL BIANCO, Nélia R. (Org.). Desafios do rádio no século XXI. São Paulo/ Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação/ Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2001. 258p. (GTs Intercom, 12): Com a chegada do novo milênio, o grupo se articulou para uma publicação que apontasse os novos caminhos ou, como informa o texto de apresentação, “para a renovação do rádio tanto nos processos de produção de conteúdo, quanto nos sistemas de transmissão e recepção” (p. 9). Os 16 textos do livro foram produzidos por 18 pesquisadores: Adriana Ruschel Duval, Alda de Almeida, Ana Baumworcel, Carlos Eduardo Esch, Dóris Fagundes Haussen, Eduardo Meditsch, João Batista de Abreu, Luciana Miranda Costa, Luciano Klöckner, Luiz Artur Ferraretto, Mágda Cunha, Márcia Vidal Nunes, Maria Alice Bragança, Maurício Nogueira Tavares, Nélia Del Bianco, Nicolau Maranini, Sônia Virgínia Moreira e Venerando Ribeiro de Campos.

4) HAUSSEN, Dóris Fagundes e CUNHA, Mágda (Org.). Rádio brasileiro: episódios e personagens. Porto Alegre: Editora da PUCRS, 2003. 294p. (Comunicação, 29): A coletânea foi produzida como uma iniciativa do grupo para as comemorações dos 80 anos do rádio no Brasil, com nove artigos enfocando os episódios e dez em torno dos personagens da radiofonia do país. Os 19 textos foram produzidos por 20 pesquisadores: Adriana Ruschel Duval, Álvaro Bufarah, André Barbosa Filho, Antônio Adami, Antunes Severo, César Augusto Azevedo dos Santos, Cida Golin, José Jorge Tannus Júnior, Lia Calabre, Lílian Zaremba, Mariângela Sólla López, Marlene Blois, Moacir Barbosa, Nair Prata, Néli Alves Pereira, Paulo Sérgio Tomaziello, Ricardo Medeiros, Rodrigo Manzano, Valci Zuculoto e Vera Lúcia Leite Lopes.

5) BAUM, Ana (Org.).  Vargas, agosto de 54: a história contada pelas ondas do rádio. Rio de Janeiro: Garamond, 2004. 242p.: O quinto livro coletivo do grupo foi produzido à época dos 50 anos do suicídio de Getúlio Vargas e nasceu no seio do Grupo de Trabalho História do Rádio da Rede Alcar. A organizadora da coletânea lembra, no texto de abertura, que a população soube da morte do presidente pelo rádio, o objetivo do livro foi “fazer com que a lembrança do episódio histórico, cinquenta anos depois, seja um momento de reflexão sobre a importância cultural e política do rádio na vida do país” (p.15). Dois CDs com áudios históricos acompanham o livro. Os 13 textos foram produzidos por 16 pesquisadores: Ana Baumworcel, Ângela Zamin, Antônio Tota. Ayêska Paulafreitas, Chico Alencar, Jorge Ferreira, Léo Lince, Lia Calabre, Luciano Klöckner, Luiz Artur Ferraretto, Luiz Carlos Saroldi, Mariângela Sólla López, Nair Prata, Sônia Virgínia Moreira, Vera Lúcia Leite Lopes e Vera Raddatz.

6) MEDITSCH, Eduardo (Org.). Teorias do rádio: textos e contextos. Florianópolis: Insular, 2005, v. 1, 370p. (Coleção NPs Intercom 5): A ideia do livro foi trazer à tona textos inéditos – ou raros – sobre o rádio, em língua portuguesa, acompanhados de uma reflexão. Os pesquisadores do grupo buscaram os textos clássicos originais, providenciaram a tradução e produziram uma obra que reuniu uma densa e farta fundamentação teórica sobre a radiofonia. Os 15 textos originais foram acompanhados pelas reflexões de 15 pesquisadores do grupo: Ana Baumworcel, Cida Golin, Dóris Haussen, Eduardo Meditsch, Graziela Bianchi, João Batista de Abreu, Júlia Lúcia Albano, Mágda Cunha, Mozahir Salomão, Nair Prata, Néli Alves Pereira, Nélia Del Bianco, Sérgio Endler, Sônia Virgínia Moreira e Valci Zuculoto.

7) GOLIN, Cida e ABREU, João Batista de.  Batalha sonora: o rádio e a Segunda Guerra Mundial. Porto Alegre: Editora da PUCRS, 2006. 194p. O objetivo de mais esta publicação do grupo foi, no aniversário dos 60 anos do encerramento da Segunda Guerra Mundial, resgatar a importância e as táticas de uso do rádio durante o conflito armado. Os dez textos foram produzidos por dez autores: Cida Golin, Dóris Haussen, Irineu Guerrini Jr., João Batista de Abreu, Lia Calabre, Luciano Klöckner, Luiz Artur FerrarettoLuiz Maranhão, Sandra de Deus e Sônia Virgínia Moreira.

8) MEDITSCH, Eduardo e ZUCULOTO, Valci (Org.).  Teorias do rádio: textos e contextos. Florianópolis: Insular, 2008. v. 2, 386p. (Coleção NPs Intercom, 8): Três anos depois do primeiro volume, o grupo se reuniu em torno do projeto de produzir uma nova coletânea, com a recuperação de textos clássicos sobre rádio pouco acessíveis em língua portuguesa. Os 16 textos originais foram acompanhados pelas reflexões de 20 pesquisadores do grupo: Carmen Lucia José, Cláudia Irene de Quadros, Clóvis Reis, Eduardo Meditsch, Graziela Mello Vianna, Juliana Gobbi, Lia Calabre, Lígia Maria Trigo-de-Souza, Lílian Zaremba, Luciane do Valle, Luciano Klöckner, Luiz Artur Ferraretto, Mágda Cunha, Marcos Julio Sergl, Maria Isabel Orofino, Mozahir Salomão, Ricardo Peruchi, Sérgio Endler, Sônia Caldas Pessoa e Valci Zuculoto.

9) KLÖCKNER, Luciano e PRATA, Nair (Org.). História da mídia sonora: experiências, memórias e afetos de Norte a Sul do Brasil. Porto Alegre: Editora da PUCRS, 2009. 558p. Disponível em http://www.pucrs.br/edipucrs/midiasonora.pdf. O primeiro e-book do grupo nasceu a partir dos trabalhos apresentados no VII Encontro Nacional de História da Mídia, realizado em Fortaleza, em 2009. Os 34 textos, divididos em cinco sessões temáticas, foram produzidos por 40 pesquisadores: Adriana Gomes Ribeiro, Adriano Charles Cruz, Aidil Brites Guimarães Fonseca, Álvaro Bufarah, Ana Paula Rabelo e Silva, Anderson dos Santos, Bruno Araújo Torres, Claudia Quadros, Debora Cristina Lopez, Eduardo Vicente, Ermina Moura Teixeira, Erotilde Honório Silva, Flávia Bespalhok, Francisca Rodrigues, Francisco de Moura Pinheiro, Hélcio Pacheco de Medeiros, Graziela Mello Vianna, Ibrantina Lopes, Izani Mustafá, Jackson Oliveira, João Batista de Abreu, Júlia Bertolini, Juliana Oliveira Andrade, Lígia Zuculoto, Luana Amorim Gomes, Luciana Miranda Costa, Luciano Klöckner, Luiz Artur Ferraretto, Marcelo Kischinhevsky, Maria Cláudia Santos, Naara Normande, Nair Prata, Paula Costa, Rakelly Calliari Schacht, Tarciana Campos, Ticiana Martins, Valci Zuculoto, Vera Raddatz, Waldiane Fialho e Wanir Campelo.

10) FERRARETTO, Luiz Artur e KLÖCKNER, Luciano (Org.). E o rádio? Novos horizontes midiáticos. Porto Alegre: Editora da PUCRS, 2010.  646p.  Disponível em: http://www.pucrs.br/edipucrs/eoradio.pdf.:  O segundo e-book do grupo nasceu a partir das pesquisas apresentadas no GP, no congresso da Intercom, realizado em Curitiba, em 2009. Os 40 textos foram produzidos por 44 pesquisadores: Adriana Gomes Ribeiro, Alvaro Bufarah, Ana Carolina Almeida, Andrea Cavalcante, Antonio Adami, Antônio Magnoni, Bruno Araújo Torres, Carina Martini, Carla Rodrigues, Creso Soares Jr, Daniela Tincani, Debora Lopez, Dóris Haussen, Eduardo Vicente, Fernanda Pedrazzi, Gisele Sayeg, Graziela Bianchi, Izani Mustafá, José Eugenio Menezes, Lígia Zuculoto, Lilian Zaremba, Luciano Klöckner, Luiz Artur Ferraretto, Mágda Cunha, Maicon Kroth, Marcelo Freire, Marcelo Kischinhevsky, Marcos Júlio Sergl, Marta Maia, Mauro Sá Rego, Mirna Tônus, Moacir Barbosa, Nair Prata, Nelia Del Bianco, Nonato Lima, Ricardo Pavan, Rodrigo Carreiro, Rodrigo Fernandes, Roseli Campos, Sandra Garcia de Sousa, Sônia Caldas Pessoa, Thays Poletto, Valci Zuculoto e Wanir Campelo.

11) VICENTE, Eduardo e GUERRINI JÚNIOR, Irineu (Org.).  Na trilha do disco: relatos sobre a indústria fonográfica no Brasil. Rio de Janeiro: E-Papers, 2010. A primeira publicação do grupo com foco exclusivamente na indústria fonográfica produziu dez textos de 16 autores: Andréa Pinheiro, Ângela de Moura, Ayêska Paulafreitas, Eduardo Vicente, Flávio Paiva, Heloisa Maria dos Santos Toledo, Irineu Guerrini Jr, José Eduardo Ribeiro de Paiva, Marcos Julio Sergl, Marta Regina Maia, Micael Herschmann, Nair Prata, Sérgio Endler, Sônia Caldas Pessoa, Waldiane Fialho e Wanir Campelo.

12) KLÖCKNER, Luciano e PRATA, Nair (Org.). Mídia sonora em 4 dimensões. Porto Alegre: Editora da PUCRS, 2011. 340p. Disponível em http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/midiasonoraII.pdf. O e-book nasceu a partir dos trabalhos apresentados no VIII Encontro Nacional de História da Mídia, realizado em Guarapuava, em 2011. Os 22 textos, divididos em quatro sessões temáticas, foram produzidos por 33 pesquisadores: Adrian Delponte dos Santos, Alda Maria de Almeida, Carlos Guilherme. C. Lima, Celeste Marinho M. Ribeiro, Clóvis Reis, Daniel Augusto Marcílio, Debora Cristina Lopez, Diandra Daniela Nunes da Silva, Douglas Gonçalves, Eduardo Vicente, Elenise de Oliveira Carneiro, Emerson S. Dias, Erika Vieira, Everton Darolt, Hamilton Almeida, Izani Mustafá, João Batista de Abreu, Júlia Loureiro Bertolini, Luciano Klöckner, Luiz Artur Ferraretto, Marcelo Freire, Maria Cláudia Santos, Mariane Nava

Martin Stabel Garrote, Nair Prata, Pablo Laiginier, Roscéli Kochhann, Sônia Caldas Pessoa, Valci Regina Mousquer Zuculoto, Vânia Braz Oliveira, Vera Lucia Spacil Raddatz, Wanir Campelo e Zeneida Alves Assumpção.

13) PRATA, Nair. Panorama do rádio no Brasil. Florianópolis: Editora Insular, 2011: Na caçula das publicações do grupo, 53 pesquisadores traçaram, de forma inédita, o panorama do rádio das 27 Regiões Metropolitanas brasileiras. Também, pela primeira vez, o grupo recorreu ao apoio financeiro externo para publicação de um livro. Nessa obra, a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) patrocinou a publicação, em troca da colocação da logomarca na última capa do livro. Os textos foram produzidos por: Adriana Gomes Ribeiro, Adriana Souza Campos, Alvaro Bufarah, Andréa Pinheiro, Andréia Rego, Carolina Figueiredo, Claudia Quadros, Cristóvão Domingos de Almeida, Debora Lopez, Éden Pereira, Edgard Rebouças, Fábia Gomes, Flávia Bespalhok, Gilson Monteiro, Gisele Sayeg Nunes Ferreira, Gustavo Fortes Said, Hênua Patrícia Lima Andrade, Idglan de Souza Maia, João Batista Abreu, Jonicael Cedraz de Oliveira, Júlia Lúcia de Oliveira Albano da Silva, Lenize Villaça, Lídia Ramires, Luciana Amaral Praxedes, Luciana Miranda Costa, Luciano Andrade Ribeiro, Lucio Haeser, Magaly Prado, Marcelo Kischinhevsky, Márcia Mariano Raduam Caetano, Marcos Júlio Sergl, Maria Cláudia Santos, Maria de Fátima de Albuquerque Caracristi, Mário Luiz Fernandes, Marluce Zacariotti, Moacir Barbosa de Sousa, Nair Prata, Nina Nunes Rodrigues Cunha, Nonato Lima, Patrícia Rangel, Paula Catarina de Almeida Costa, Paula Marques, Raquel Holanda, Ricardo José Oliveira FerroRicardo Medeiros, Rodrigo Cunha, Sandra Sueli Garcia de Sousa, Sheila Borges Oliveira, Sílvia Marques Calicchio, Sônia Caldas Pessoa, Tabata Michelle Santos Magalhães, Vera Lúcia Spacil Raddatz e Wanir Campelo.

Para 2012, o grupo está produzindo mais três livros: O Rádio e as Copas (organizado por Patrícia Rangel e Márcio de Oliveira Guerra), Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro (organizado por Nair Prata e Maria Cláudia Santos) e O Rádio Brasileiro na Era da Convergência – relatório de 2012 (organizado por Nélia Del Bianco).

2.1 O grupo de rádio, na opinião dos ex-coordenadores

Nestes 20 anos, o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora teve seis coordenadores, com mandatos de duração variada, conforme quadro a seguir:

Coordenadores

Mandatos

1991-1993

1994

1995-1999

2000-2002

2003-2004

2005-2006

2007-2010

Dóris Haussen
Sônia V. Moreira
Nélia Del Bianco
Eduardo Meditsch
Mágda Cunha
Luiz Artur Ferraretto

Os coordenadores desempenham papel fundamental no processo histórico de constituição do grupo, pois é pelas mãos deles que se realiza e se efetiva toda a condução da complexidade da pesquisa em rádio. Os seis coordenadores que passaram pela gestão do grupo falaram sobre o papel do GP no cenário da pesquisa radiofônica, a importância do grupo e os desafios para o futuro .

2.1.1 Dóris Fagundes Haussen

Coordenou a implantação do grupo, em 1991, no congresso da Intercom realizado na PUC-RS. Na época, convidou colegas do Sul do país, entre outros, para participarem da seleção de textos e envio de trabalhos, como Carlos Eduardo Esch, Eduardo Meditsch, Nélia Del Bianco, Sérgio Carvalho, Sérgio Endler e Sônia Virgínia Moreira. A professora explica que, inicialmente, os grupos não foram grandes, “mas de grande importância para começar a reunir os pesquisadores e debater o papel fundamental do rádio na sociedade brasileira. Tanto que os trabalhos preocuparam-se em registrar a história do veículo, que estava se perdendo”. Na opinião da primeira coordenadora, o GP de Rádio e Mídia Sonora pode ser definido como “um grupo inovador, sério, valente e leve (sem ser leviano) ao mesmo tempo, o que considero uma grande qualidade no meio acadêmico”.  Dóris Haussen completa: “Penso que o GP tem uma grande relevância no país, no que se refere à pesquisa sobre a mídia sonora, e que o seu futuro será de aprimoramento e consolidação do que tem feito até aqui com tanta competência”.

2.1.2 Sônia Virgínia Moreira

Propôs à Intercom a criação do grupo de pesquisa em rádio, em 1990, no congresso realizado no Rio de Janeiro, mas não foi a primeira coordenadora. Sobre o seu trabalho à frente do grupo, a professora destaca que foi um primeiro momento de reunião, de descoberta de interesses, da apresentação regular de estudos sobre o rádio, que constituiu assim a base para outros estudos. A professora destaca: “Mas, principalmente, foi a descoberta gradual de um ambiente propício para projetos colaborativos. Isso fez do grupo, depois núcleo, agora grupo de novo, o mais produtivo entre aqueles constituídos sob o guarda chuva institucional da Intercom”.

A professora explica que, no contexto da importância do grupo para a pesquisa em rádio e mídia sonora do país, os pesquisadores do GP devem pensar sempre no macro, que é o status do meio no contexto maior do setor das comunicações. “Ainda que muitas vezes precisemos conhecer mais a fundo aspectos e segmentos do rádio, não há como dissociar o que fazemos desse contexto mais amplo. Só isso nos dá a dimensão real do significado, pertinência e usabilidade do nosso trabalho como pesquisadores desse campo”. Sobre os caminhos do GP nos próximos anos, Sônia Virgínia Moreira destaca: “Creio que é enfrentar esse desafio de fazer conexões muito claras e precisas sobre a especificidade do objeto de estudo inserido no campo maior das comunicações. Convergência, marco legal e indústria de radiodifusão são três setores que merecem observação e investigação”.

2.1.3 Nélia Del Bianco

“Talvez tenha sido o primeiro grupo de pesquisa de verdade da Intercom”. Com esta afirmação, a professora Nélia destaca o papel do GP Rádio e Mídia Sonora, lembrando que a proposta do grupo de desenvolver trabalhos coletivos, a partir de uma temática acordada coletivamente, não acontecia e ainda não acontece nos núcleos da Intercom. A professora detalha a contribuição do grupo para a pesquisa em rádio e mídia sonora no país: visibilidade para um conjunto de pesquisadores; aumento da circulação de textos sobre rádio; melhoria da bibliografia na área na década de 90, especialmente, período em que havia carência de publicações e estudos; estímulo à realização de estudos e incentivo à capacitação dos

 As entrevistas com os ex-coordenadores foram feitas por e-mail, em fevereiro/2011. Somente com o prof. Luiz Artur Ferraretto a entrevista foi feita por telefone, em 16/02/2011.

integrantes. Na opinião da professora Nélia, nos próximos anos, o grupo deve “superar a fase de estudos históricos de caráter descritivo linear limitado, para discutir abordagens teóricas e metodológicas consistentes adequadas ao entendimento da linguagem, impacto do meio, interação com a sociedade e recepção, entre outros aspectos. Para isso precisa se apoiar mais fortemente nas teorias da comunicação e nas abordagens interdisciplinares.

A professora dá pistas sobre as temáticas que estão sendo discutidas internacionalmente e que podem ser objeto de pesquisa do GP: o lugar do rádio como um meio não-visual no contexto de uma cultura de imagens; o papel do rádio na construção do imaginário e da identidade; a complementaridade entre as rádios hertzianas de rádio e web; os imperativos do mercado e da política econômica no setor da rádio; a fragmentação das audiências e as transformações no consumo de rádio; audio-on-demand; gêneros do rádio e o poder criativo do som (por exemplo, em informação, entretenimento, publicidade); rádio e os estímulos para a cidadania; o papel da interatividade na manutenção da relevância do rádio; o papel do rádio na prestação de serviço em momentos de catástrofes; quem é o ouvinte de rádio hoje, características, modo de vida e vínculos emocionais com o rádio.

2.1.4 Eduardo Meditsch

O professor faz questão de afirmar que não conhece nenhum ambiente melhor no meio acadêmico que o GP Rádio e Mídia Sonora: “é um lugar de colaboração, amizade, compreensão e apoio mútuo. O coletivo é muito forte, tem sabido valorizar as individualidades e podar as arrogâncias com muita sabedoria, até delicadeza, e tem escolhido coordenadores que mantêm sempre este espírito”. Segundo Eduardo Meditsch, talvez o rádio tenha a grande vantagem de ser considerado menos importante, “por isso só atrai pesquisadores que amam o objeto, se identificam com ele e com os pares que têm a mesma paixão (ao contrário do que ocorre, por exemplo, no jornalismo, que atrai tanta gente que o odeia e odeia quem gosta dele)”. O professor destaca: “o certo é que em nenhum outro setor da comunicação (que eu saiba, pelo menos), a teoria e a prática se respeitaram tanto, trocaram tanto, tiveram um casamento tão feliz”.

O professor explica que o grupo desempenhou um papel central para esse ‘casamento’ no Brasil: “foi sempre uma grande fonte de ajuda, de conhecimento e de inspiração para todos os que pensam em estudar rádio e mídia sonora”. Meditsch lembra que o grupo foi o único GT da Intercom a receber o Prêmio Luiz Beltrão. “É o único grupo da Intercom que não se fez em torno de a ou de b, ou de ab, é um grupo aberto que se refaz em torno de um ideal. A sua contribuição para a ciência da comunicação é enorme, para a compreensão do rádio e da mídia sonora no Brasil, nos últimos anos, quase absoluta”. Para o professor, o grupo tem um grande desafio: “acompanhar, entender e ajudar a transição do rádio para o áudio digital, da mídia sonora no contexto da emergência da web como nova tecnologia intelectual que transforma não apenas a comunicação humana, mas a própria condição humana”. Segundo ele, trata-se de “um desafio fascinante e um grande privilégio nosso ter um ambiente científico e social tão favorável para embarcar nessa nova fase”.

2.1.5 Mágda Rodrigues Cunha

Antes de assumir a coordenação do grupo, em 2005, a professora Mágda Cunha atuou como coordenadora adjunta na gestão do professor Eduardo Meditsch. Ela avalia que seus dois períodos de gestão – tanto como adjunta, quanto como coordenadora – o grupo viveu uma transição para uma forma de organização ou auto-organização. “Organizamos a lista na internet; lançamos em 2003, na coordenação do Eduardo, o livro Rádio no Brasil: episódios e personagens, organizado pela Dóris Haussen e por mim. Depois, em 2005, quando eu estava na coordenação, foi lançado o primeiro Teorias do Rádio: textos e contextos, organizado pelo Eduardo”.

A professora explica que, por ela, novos dirigentes tiveram caminho aberto para assumir o comando do grupo: “O fato de eu ter ajudado o Eduardo na coordenação antes, preparou o ingresso de um novo grupo na gestão. Imagina que um grupo que vinha sendo liderado pela Dóris, Sônia, Nélia e Eduardo precisava de uma transição para que nós, os novos, digamos assim, pudéssemos assumir. É assim que considero o período, uma travessia para uma nova fase que acabou sendo diferente, com o suporte dos colegas fundadores, experientes, com uma pesquisa mais do significativa sobre o rádio”. Mágda Cunha lembra que o grupo seguinte já chegou “com a ideia de observar o rádio no contexto das tecnologias, por exemplo. E isso ficou muito marcado, inevitavelmente, nos últimos quatro ou cinco anos”. A professora avalia também que “a iniciativa do Eduardo de organizar o Teorias I e o Teorias II também consolidou essa transição. Conseguimos enxergar, por intermédio do rádio, as suas teorias. Foi fundamental. Por intermédio de todas as obras olhamos para a história, para o impacto, com o Guerra dos Mundos, para as personagens do rádio, para as teorias”.

Para a professora, “o grupo é muito importante, o alicerce das investigações sobre rádio no Brasil. Tudo o que se fala sobre rádio deve passar por ali, o grupo tem história, tem tradição, discutiu os principais temas”. Ela destaca, no entanto, que o principal desafio agora é a manutenção de tudo isso: “o grupo precisa firmar sua posição como o principal ambiente, digamos assim, onde estão sediados os debates sobre o rádio. O rádio da história, os gêneros, o radiojornalismo e, especialmente, o futuro. O atual cenário é muito complexo, movediço até. Qualquer deslize compromete o trabalho”. Segundo a professora, ao completar 20 anos, “o grupo precisa decidir para onde quer ir. Como em qualquer processo de gestão, precisa planejar, para não correr o risco de perder o bonde. É deste grupo que devem sair as coordenadas sobre o futuro do rádio. Mesmo as empresas deveriam chamar este grupo quando quisessem saber, afinal, e o rádio? Marcar espaço em um outro cenário, diferente de outros tempos”.

2.1.6 Luiz Artur Ferraretto

Coordenador do grupo por dois mandatos (quatro anos), o professor Ferraretto faz um balanço das principais atividades desenvolvidas durante a sua gestão: reestruturação da lista em continuação ao trabalho iniciado pelo professor Eduardo Meditsch e continuado pela professora Mágda Cunha; intensificação do processo de seleção dos textos com a utilização crescente de pareceristas; elaboração, a partir de sugestão do professor Ricardo Medeiros e com base no trabalho coordenado pela professora Nélia Del Bianco, da Carta dos Pesquisadores de Rádio; continuidade das produções e publicações conjuntas; início de funcionamento do Conselho Consultivo (ex-coordenadores) e do Comitê Científico; início do processo de reuniões conjuntas com outros grupos de pesquisa e incentivo à abertura para outros campos da mídia sonora.

Segundo o professor Ferraretto, o grupo é marcado “pela interdisciplinaridade, variedade de pontos de vista e respeito a essa variedade. Isso faz com que o GP ganhe em produção, não só na quantidade, mas também na qualidade”. Sobre a importância do grupo no cenário da pesquisa no país, o professor afirma: “Enquanto nós vemos uma série de universidades não respeitando a área de rádio, proporcionalmente nós temos mais quantidade de pesquisa em conjunto, mais pesquisa em grupo. O nosso grupo tem diversidade e se caracteriza por preservar o que foi conquistado, permitindo que novas pessoas se agreguem e sejam respeitadas”. Para o professor, o desafio dos próximos anos é manter o que foi conquistado e ainda: “1) Maior rigor científico nas publicações e nas pesquisas, com a consolidação do campo de comunicação como um todo: “devemos nos cobrar sobre qual é a nossa base teórica dentro da comunicação, qual é a nossa corrente teórica, qual é a nossa metodologia como pesquisador. Fazer isso sem nariz empinado, sem inibir os novatos e 2) Depois de consolidar as interfaces dentro do país, buscar interfaces com outros países”.

3. Qual o futuro do grupo?

A pesquisa realizada por este trabalho permite a proposição de algumas diretrizes para o GP Rádio e Mídia Sonora. Reunindo as falas dos ex-coordenadores e os dados coletados, podemos afirmar que, nos próximos anos, “o grupo precisa decidir para onde quer ir”, isto é, “como em qualquer processo de gestão, precisa planejar, para não correr o risco de perder o bonde”, afinal “é deste grupo que devem sair as coordenadas sobre o futuro do rádio”. Assim, podemos propor dez diretrizes, aqui elencadas por ordem alfabética:

1) Aumentar a fidelização ao grupo: nesses 20 anos, apenas 25% dos pesquisadores participaram, nos congressos, com três textos ou mais, e mais da metade, 58% do total, compareceram com um único texto. Isso demonstra que ainda há uma baixa fidelidade ao grupo. É importante descobrir as razões da pouca fidelização e promover ações para que o pesquisador retorne a cada congresso.

2) Aumentar a participação de pesquisadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste: 82% dos participantes da lista do GP estão concentrados nas regiões Sudeste e Sul do país, o que compromete a atuação de um grupo que pretende ser de abrangência nacional.

3) Aumentar a visibilidade: um grupo formado por comunicadores deveria trabalhar de forma mais eficiente a sua própria divulgação, por meio não apenas das redes sociais, mas também através da visibilidade de suas ações, pesquisas e publicações.

4) Avançar nas pesquisas: superar a fase de estudos históricos de caráter descritivo linear limitado e discutir abordagens teóricas e metodológicas consistentes, apoiando os trabalhos mais fortemente nas teorias da comunicação e nas abordagens interdisciplinares.

5) Buscar aproximação com a comunidade científica internacional: apenas um por cento dos participantes da lista do grupo vem de outros países. O GP, depois de solidificada sua atuação no Brasil, poderia buscar ligações com pesquisadores, publicações, universidades e grupos de investigação de outros países, de modo a também fazer parte do cenário internacional da pesquisa em rádio.

6) Buscar novos temas para investigação com relação ao rádio: audio-on-demand; características, modo de vida e vínculos emocionais; complementaridade entre as rádios hertzianas de rádio e web; convergência; fragmentação das audiências; imperativos do mercado e da política econômica; indústria de radiodifusão; interatividade na manutenção da relevância do rádio; lugar do rádio como um meio não-visual no contexto de uma cultura de imagens; marco legal; ouvinte de rádio hoje; papel do rádio na construção do imaginário e da identidade; poder criativo do som; prestação de serviço; rádio e os estímulos para a cidadania; transformações no consumo de rádio e transição do rádio para o áudio digital.

7) Dar continuidade – aprimorando e consolidando – as pesquisas e publicações coletivas: buscar maior rigor científico nas pesquisas e nas publicações, sempre com abertura para os recém-chegados.

8) Manter o cadastro atualizado: estão cadastrados na lista do grupo 64 doutores e 75 mestres, todos com interesse e pesquisa em rádio. É importante que esse cadastro esteja sempre atualizado, pois se trata de banco de dados qualificado sobre o quem-é-quem da pesquisa em rádio no Brasil.

9) Promover ações incisivas: a Carta dos Pesquisadores de Rádio e Mídia Sonora do Brasil - e seus desdobramentos – é um exemplo de como um grupo de pesquisa pode influir, de forma concreta, nos rumos de uma sociedade. Assim, o GP deve olhar para fora e ficar atento aos acontecimentos com relação ao rádio, de forma a intervir quando for necessário.

10) Resgatar o passado e planejar os próximos 20 anos: um planejamento consistente e maduro, com base na experiência e com os olhos no futuro, será determinante para a definição dos rumos da pesquisa em rádio no Brasil.

Referências

DEL BIANCO, Nélia e ZUCULOTO, Valci R. Memória do GT Rádio: seis anos de pesquisa em defesa do rádio. Anais do XX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Santos, SP, 1997.

MOREIRA, S. V. Da memória particular aos estudos acadêmicos: a pesquisa sobre rádio no BrasilIn: Anibal Bragança; Sonia Virgínia Moreira. (Org.). Comunicação, acontecimento e memória. 1 ed. São Paulo: Intercom, 2005, v. 1.

Normas Regimentais dos Grupos de Pesquisa da Intercom: http://intercom2.tecnologia.ws/images/stories/Normas_Regimentais_dos_Grupos_de_Pesquisas.pdf. Data de acesso: 30/06/2011.

Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, vol. XXIII nº 2 jul-dez/2000, p. 217.