Por uma política de divulgação científica

Artigo sobre uma Por uma política de divulgação científica. Uma versão levemente reduzida publicada em A Tarde de 09/03/2015, pag. 2.

“A pobreza da Bahia não é só econômica, mas de empreendedores de talento”, afirmou Paulo Ormindo em artigo aqui em A Tarde (01.03.15). Perfeito diagnóstico e quase prognóstico feito por ele, descrevendo a tristeza de nossa elite empresarial (e política) que nem mesmo se utiliza das tais responsabilidades sociais para investir na transformação da Bahia num rico espaço para se viver. Parece que a Bahia não interessa, o que interessa é possuir “uma Mercedes e uma lancha seminova” (Paulo Ormindo) e pensar no lá fora; melhor ainda se esse lá fora for do outro lado do Atlântico, como, aliás, era assim o pensamento das oligarquias no nosso passado colonial. Pouco se investe na conservação dos patrimônios baiano e nacional, fundamentais para o conhecimento do nosso passado, para a construção da memória e do futuro. Paulo Ormindo mencionou a situação de alguns engenhos que poderiam, restaurados, se consolidar como uma Envolvente dos Engenhos, Capoeira e Samba de Roda do Recôncavo. Esse patrimônio está sendo consumido, como aliás pudemos constatar com igual tristeza e indignação, na mesma edição de A Tarde, em matéria sobre o fechamento do Museu do Vaqueiro em Santa Rosa de Lima, muniicpio de Jaguarari, museu esse que, a bem da verdade, só foi criado e se mantinha por uma verdadeira obstinação do jovem Danilo Rodrigues da Silva, que saiu coletando materiais e assim pode constituir o museu.

Exemplos não nos faltariam, mas quero voltar aqui ao meu mantra, que é o Museu de Ciência e Tecnologia de Pituaçu, sofredor da mesma e irresponsável destruição. A SBPC tem insistido por todos os meios na necessária intervenção do governador Rui Costa para uma breve solução para tamanho descaso. Tivemos audiência com o novo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação para apresentar-lhe a nossa indignação, cobrando uma posição de governo sobre a questão. A UNEB, uma instituição de ensino e pesquisa, que dele cuidava, simplesmente ocupa o seu espaço – o primeiro prédio na América Latina construído exclusivamente para ser um museu de C&T – com instâncias administravas. Recentemente estivemos reunidos, SBPC e Acadêmia de Ciências da Bahia, presidida por Roberto Santos, governador à época da criação do Museu, para darmos andamento a nossa peregrinação em defesa do Museu de Pituaçu e na luta pela construção de mais museus na Bahia. Essa ação teria que integrar uma política de divulgação científica, incluindo uma forte atuação midiática visando dar visibilidade, local e nacional, para o que se produz no estado. Temos carência de uma clara política de C&T para a Bahia. Precisamos recuperar esse tempo, pois um Estado e uma nação que pensa em ser educadora, precisa investir forte na formação científica da sua juventude. Essa formação se faz com escolas, obviamente, mas tem que ir muito além. Um museu contemporâneo é o espaço da memória e também espaço da cultura e da criação. Ali na Boca do Rio, bairro adensado de Salvador, no rico Parque de Pituaçu, podemos pensar em ocupar o prédio com equipamentos e projetos que recuperariam a memória do desenvolvimento científico e tecnológico do Estado e, também, num espaço de cultura, com cinema, teatro, laboratórios de criação (laboratórios hacker e fablabs), para que a juventude possa, pondo a mão na massa, inventar e criar e, com isso, contribuir com a construção do nosso presente e futuro.

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Replicado no Jornal da Ciência, da SBPC em 10/03/2015. Veja aqui.

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