Meteoros, meteoritos e o nosso Bedengó

Essa semana passou pela beirada da Terra o asteroide 2012 DA14, somente a 27 mil quilômetros. Em termos astronômicos, isso não é nada.

No mesmo dia, e numa coincidência absolutamente impactante (perdoe-me o trocadilho!), um meteoro de cerca de 7 mil toneladas e 45 metros de largura entrou na atmosfera em grande velocidade, desintegrou-se na atmosfera e espatifou-se no solo da região dos Montes Urrais, na Rússia. O estrago foi grande e o mais curioso é que a sua chegada foi amplamente registrada por câmeras instaladas nos carros que circulavam pelas estradas e ruas da região. As imagens estão aqui no Terra TV e no no youtube e são impressionantes. No Terra TV pode ser vista a cena de diferentes angulos. Tem mais aqui e aqui.

A pergunta que imediatamente tomou conta de rede foi o porque de tantos carros terem câmeras filmando tudo que vinha pela frente – e pelos ares! – e, com isso, registrarem o fenômeno astronômico.

Foi assim que ficamos sabendo que na Rússia, em função da corrupção (ahhhh!), muita gente se joga em frente de carros para, após o “acidente”, abrir processo contra motoristas e, com isso, receber indenizações milionárias. Se isso é verdade ou não, pouco importa. O curioso é que, assim, pudemos acompanhar o fenômeno de forma nunca antes registrada na história da astronomia.

O fato é que o intruso meteoro literalmente ofuscou a passagem do 2012 DA14 que seria a grande estrela (oopps!) do dia já que, como não tinha tamanho suficiente para ser visto a olho nu, teria a sua passagem registrada e transmitida ao vido pela Nasa. De fato, isso aconteceu e pode ser visto aqui.

São muitos os interessados em observação astronômica, sejam profissionais e amadores. Uma importante iniciativa levada a cabo pela Universidade de Bekerley, na Califórnia, é o o projeto Seti@home que busca por inteligência extraterrestre (SETI:  Search for Extraterrestrial Intelligence), congregando voluntários no mundo inteiro que colocam à disposição do projeto seus computadores enquanto os mesmos estão em modo descanso, construindo, pela rede e em processo de colaboração, um supercomputador para analisar os dados coletados por radiotelescópios. O projeto foi lançado originalmente em 1999, conta hoje com a participação de mais de 666 mil usuários e, com isso, tem contribuído muito para o desenvolvimento da área. (na Wikipedia).

Voltando ao meteoro que caiu na Rússia, por conta dele, ao longo desse final de semana, foram publicadas inúmeras matérias sobre outros corpos celestes que caíram na Terra.

Um dos relembrado aterrizou aqui na Bahia na época do Império, caiu perto de um riacho chamado Bendengó, em Monte Santo. Virou o nome do dito e trouxe misticismo para a região. Houve grande polêmica sobre o destino da pedra, que ficou por lá durante um bom tempo, até que foi considerada importante achado astronômico e, com isso, levada para a Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

Lá em Monte Santo foi construído um monumento ao tal pedregulho, monumento esse depois destruído pela população. Achei na Wikipedia um cordel que conta um pouco desta polêmica:

A pedra constituída

De Ferro, Níquel e encanto.

Até o dia de hoje

Provoca tristeza e encanto

Queremos nossa pedra de volta

De volta pro nosso canto.

Cordel Bendengó

Cordel Bendengó

(veja o Cordel completo aqui.)

Além do cordel, muita música foi criada a partir do meteorito. Relembro, com muito carinho, do grupo baiano de mesmo nome liderado por Gereba que era composto por, entre outros, o mago do marketing político petista, João Santana Filho, que na época era somente Patinhas, meu contemporâneo do Colégio Antônio Vieira, em Salvador.

Capa Bendengó 1988

Capa Bendengó 1988

Tenho um dos belos discos (LP) desse grupo, criado na década de 70 do século passado. Procurei um pouco sobre eles na internet e, por conta disso, encontrei o projeto do Dicionário Cravo Alvin da Música Popular Brasileira  que tem apoio da FINEP e Faperj. Nele, um pouco da história do grupo.

As composições do Bendengó eram de Gereba e Patinhas, mas também estavam presentes grandes nomes da música baiana como Zeca, Kapenga, Carlos Eládio, Tuzé de Abreu, Carlos Pita, Capinan e muitos outros.

Bela é “As muié santa de Canudos”, composição de Gereba e Patinhas, mas no youtube só achei Além de Arembepe, com uma divertida imagem da turma.

Ouça a música, assista aos vídeos e prepare-se: outros meteoros e meteoritos virão e o mundo, por certo, não vai acabar por conta deles. Mas muita arte e ciência poderá ser produzida.

Publicado no meu blog no Terra Magazine de 17.02.2013.

Publicado em Artigos no Terra Magazine, Cultura, Ensino de Ciências

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