Avaliação científica: a conversa continua

Pois então, se dentro da Faculdade de Educação pouco repercurtiu minha indignação sobre os nossos processos de avaliação dos projetos PIBIC (bolsas de iniciação científica) – e, insisto, isso não é só na UFBA e na FAPESB! – no Blog do Laboratório de Imuno-regulação, da Fiocruz, sob a liderança do colega Barral, a conversa continuou.
Lá, recuperando o meu texto daqui do blog, Barral repetiu o seu argumento apresentado na
Faculdade de Medicina da UFBA com o mesmo enfoque.

Claro que o assunto deu pano prá manga, quer dizer, pano para cerveja. Sim, porque de acordo com a análise quantitativa feita por uma pesquisa que relacionava consumo de cerveja e produção científica (gráfico no blog deles!), a coisa ficou muito mal para a cerveja… Mas eu acho que aí tem um fator complicador sério: não foi incluíida a Guinness na amostra da pesquisa e, com isso, comprometeu o resultado. Seguramente ele seria outro…
vá ver o texto do blog e o gráfico. Interessante e divertido.

Deixemos essas brincadeira a parte, porque essa conversa não para por aqui.

Ela é longa e está presente em todos os lugares do mundo onde exista um universidade, pouco dinheiro para financiar a educação, e pesquisadores com seus egos, digamos assim, um tanto quanto inflados. Instala-se a lógica da meritocracia de forma automática.

A titulo de exemplo, veja o mesmo sistema de avaliação do nosso PIBIC na UFBA (não sei se é assim nas demais IES). Ao analisar um projeto, depois de sair contanto  os pontinhos do curriculo do colega, eis a surpresa: se o pesquisador é produtivo (arghhhh!) ou seja, se ele foi bem na fita, com muitos pontos, o seu projeto é automaticamente aprovado! Pelo sistema!

Quando isso aconteceu comigo enquanto analisava um projeto, quase tive um treco!

Mais, os professores que são pesquisadores do CNPq – e que portanto tem possibilidade de pedir mais bolsas diretamente no próprio CNPq ou em outros lugares já que são ‘os bons!" – recebem três bolsas enquanto que os demais ficam com duas ou uma!

Claro, compreendo o argumento da capacidade desses pesquisadores (ooppsss!  também sou pesquisador 1 do CNPq e recebi três bolsistas esse ano!), na capacidade de mais rapidamente – em teoria – formarem mais jovens pesquisadores e tudo mais. Compreendo a necessidadde de fortalecer o sistema e dar mais rapidez no processo de formação de pesquisadores. Compreendo que esses pesquisadores precisam de apoio para continuarem a serem 1 ou A ou Senior ou. .. ou… Tudo isso é compreensível e justificável mas…
Se pensarmos que o sistema só avança se o coletivo avançar, se os que estão começando possam crescer para serem seniors o mais rápido possível, se os que estão começando, ou estão no meio, ou estão no fim mas não couberam no tamanho do orçamento, (não esqueçam que sse é o ponto cricial!), precisam de apoio, temos que avaliar de forma diferenciada. Seguramente se esses, em tendo um bom projeto, merecem ser apoiados com mais bolsa do que um bam bam bam que, por ser bam bam bam fez um projeto assim assim, pois sabe que, pela sua produtividade (argh!) ninguém nem vai nem ler o dito cujo. Penso que, se um pesquisador de alta produtividade (argh!) não fizer de novo e sempre um bom projeto, ele pode não ser contemplado com bolsas.

Associado a isso temos que trazer para nossa pauta a questão do publicar ou perecer – melhor, publish well or perish bad – que tem tomado conta das nossas atividades acadêmicas e científicas.  Já existem até ferramentas para a medição dos impactos das citações, como pode ser visto nas referências de um bom artigo sbre Acesso Aberto (Open Access), outra conversa que vou postar em breve mas que já estou comentando no editorial do próximo número da Revista da FACED, que sai agora em junho..

Enfim, essa é uma longa discussão.

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