Professor ativista e a greve de Goiania

Situação difícil a minha nesta semana, dia 9 de junho, durante a conferência no Congresso Pensar 2010, realizado pelas organizações Jaime Câmara em Goiânia.

Estava me preparando para dar início à minha conferência quando ouvi gritos de pessoas do lado de fora do auditório “queremos entrar”. Não entendi nada e achei que era eu o culpado por estar ainda ajeitando o computador no palco e com isso estava atrasando o início do evento.

Qual não foi a minha surpresa ao chegar fora e encontrar uma multidão de professores da rede municipal de Goiânia e Aparecida, que estão em greve, pressionando a organização do evento para assistirem a palestra. Na verdade o que queriam era protestar na expectativa de que a Secretária de Educação estivesse na abertura, como de fato estava programado. Ela foi e .. se mandou!

Bom, para não ir longe demais, a coisa foi ficando complicado. Os organizadores estavam assustados e intransigentes – a ponto de hoje (10/06/2010) ter um editoral no jornal caindo de pau no ato! – e até a polícia foi chamada. Aí eu não gostei. Polícia para professores, nem pensar!

Comecei a ficar preocupado e, não resisti. Me ofereci como negociador no sentido de viabilizar que pudéssemos fazer a discussão coma presença de todos.

Afinal, queríamos discutir educação.

Propus a entrada dos professores e lá fui com a presidente do Sindicato avisar da decisão negociada, já que a organização cedeu e permitiu a entrada de todos.

Bom, estávamos eu e o colega Rivoltella (@Piercesare) a postos e partí para ser o mestre de cerimônias junto com a apresentadora Lilian Lynch para ver se conseguíamos fazer a discussão proposta.

Tudo correu bem como tinha certeza que aconteceria e… bom. Veja a minha apresentação aqui, em pdf.

E abaixo, a matéria da jornalista Marília Assunção no outro dia.

O Popular, 10.06.2010, pag. 05.

Currículo da escola deve ser horizontal, afirma pesquisador

Professor italiano diz, na abertura do pensar, que escola não deve impôr currículos fechados aos seus aluno

Marília Assunção

A escola precisa se reorganizar e o ideal é que ela faça isto sem impor ao aluno os atuais currículos, “fechados”, “mas sim currículos horizontais, com temas tratados de modo transversal”. O ponto de vista é do professor da Universidade Católica de Milão, Pier Cesare Rivoltella, presidente da Sociedade Italiana de Pesquisa sobre Educação e Comunicação (Sirem), convidado especial que participou ontem da abertura do Pensar 2010 – 11º Congresso e Exposição, no Centro de Cultura e Convenções de Goiânia.

Antes, o auditório acompanhou atento a palestra do professor Nelson Pretto, focada no “professor ativista”. Ele adaptou a palestra à circunstância inesperada da abertura, que teve a participação de um grupo de professores da rede pública municipal de Goiânia. O grupo participou de uma manifestação por melhoria salarial na entrada do evento, mas a secretária de Educação de Goiânia, Márcia Carvalho, não estava presente.

A proposta de Nelson Pretto é a mesma de outros pensadores arrojados da atualidade que sustentam a tese – e a prática -, da internet como “espaço social”. Nesse contexto, a escolha do tema: Professor ativista: construindo conexões em rede.

O professor criticou duramente a aplicação de tecnologias como o computador e a internet no ensino como “ferramentas de apoio a outras tecnologias, coisa que não são”. Ou seja, para ele, a questão é fazer o uso dessas tecnologias como “práticas colaborativas” para compartilhar, dar acesso e descentralizar conhecimento, “elaborando novos conhecimentos, sendo um professor autor e não ator”. Nesse ponto, defendeu a aplicação de softwares livres na linha do “copie tudo” para construir educação, para “o conhecimento em rede”.

As tarefas do professor nesse sentido, completou o palestrante seguinte, Pier Cesare, são árduas. “O professor no Brasil não se difere muito do professor da Itália: recebe uma carga cada dia maior, sem o reconhecimento equivalente”, afirmou. A palestra, com o tema Educação: culturas digitais, mídias sociais e cidadania, buscou despertar no público a importância de acreditar no fenômeno da mediação direta dos alunos e outros cidadãos, com os conteúdos.

“Agora a questão é construir responsabilidade ética, consciência crítica e, para isso, temos que mudar a escola, optar por currículos organizados anualmente, e de modo transversal. Dá trabalho, mas é a tendência”, defendeu.

—-

Para finalizar, segue o link do blog da greve dos professores de lá de Goiânia está em http://educacaogoiania.blogspot.com/

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