{"id":90,"date":"2007-05-05T12:56:00","date_gmt":"2007-05-05T12:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2007\/05\/05\/90\/"},"modified":"2007-05-05T12:56:00","modified_gmt":"2007-05-05T12:56:00","slug":"90","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2007\/05\/05\/90\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:left\">   Alarde na Educa\u00e7\u00e3o <\/div>\n<div style=\"text-align:left\">\n<p>Nelson Pretto &#8211; Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; www.pretto.info <\/div>\n<div style=\"text-align:left\">   Quanto alarde! A partir do an\u00fancio do Governo Federal de um plano nacional para a educa\u00e7\u00e3o no Brasil, a imprensa voltou a discutir exaustivamente a qualidade do ensino brasileiro, principalmente por conta da cria\u00e7\u00e3o do novo \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb). A introdu\u00e7\u00e3o desse novo \u00edndice, que articula diversos outros j\u00e1 existentes, possibilitar\u00e1, \u00e9 verdade, identificar as situa\u00e7\u00f5es extremas de pouca qualidade da educa\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios, sendo um importante passo, mas, convenhamos, n\u00e3o o fundamental. Afinal de contas, qual a novidade que esse \u00edndice nos apresenta? Nenhuma! N\u00e3o \u00e9 de hoje que conhecemos a triste realidade educacional do pa\u00eds e da nossa Bahia, que aparece com um dos piores resultados, possuindo sete entre os 20 munic\u00edpios com pior ensino p\u00fablico de 1\u00aa a 4\u00aa s\u00e9rie. Recentemente foram divulgados os resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Montenegro e a ONG A\u00e7\u00e3o Educativa, repercutidos aqui em A Tarde, sobre o n\u00edvel de alfabetiza\u00e7\u00e3o dos brasileiros, e estes j\u00e1 apontavam que a alfabetiza\u00e7\u00e3o integral s\u00f3 acontece no ensino m\u00e9dio, e assim mesmo apenas 56% dos que concluiram o ensino m\u00e9dio podem ser considerados como conhecedores plenos das letras e menos de 50% possuem habilidade plena com os n\u00fameros. Contudo, nem mesmo desses dados precisar\u00edamos. Converse com os que est\u00e3o ao seu redor, alunos do ensino m\u00e9dio da maioria das escolas, tanto p\u00fablicas como privadas, e voc\u00ea mesmo ver\u00e1 <span style=\"font-style:italic\"><\/span>o tal Ideb baix\u00edssimo, mesmo n\u00e3o sendo um especialista em estat\u00edstica. Nossa juventude n\u00e3o sabe ler e contar, mas n\u00e3o sabe tamb\u00e9m pensar sobre ci\u00eancia, cultura, est\u00e9tica, pol\u00edtica, \u00e9tica (ah! isso nem se fala, mas convenhamos que este n\u00e3o \u00e9 problema particular da  juventude!). Outra pesquisa, desta vez com dados do IBGE e do INEP divulgadas no in\u00edcio desse ano aponta que dos  1,7 milh\u00f5es de jovens entre 15 e 17 anos que deveriam estar na escola, 40% n\u00e3o estavam porque acham &#8220;a escola chata&#8221;.  Faz-se muito alarde quando se constata uma realidade bem conhecida de todos n\u00f3s, e bem pouco para a apresenta\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es e projetos. O lan\u00e7amento do Plano de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o tem o m\u00e9rito de tratar o conjunto do sistema educacional, da creche \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, como um todo. Mas, mesmo assim, precisamos olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para essa problem\u00e1tica. N\u00f3s, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, n\u00e3o temos d\u00favida: s\u00f3 se encaminha a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas estruturais da educa\u00e7\u00e3o se tivermos coragem de afastar definitivamente a perspectiva mercadol\u00f3gica, onde tudo \u00e9 comprado e vendido, com  \u00eanfase no sucesso e no consumo, em detrimento de valores \u00e9ticos, e a partir da qual a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzida a um processo fabril de transmiss\u00e3o de conhecimento, afastada das ci\u00eancias e das culturas. Tamb\u00e9m n\u00e3o temos d\u00favida de que \u00e9 fundamental o fortalecimento do professor, n\u00e3o s\u00f3 com a garantia de um significativo piso salarial. Concomitantemente, faz-se imperioso resgatar a dignidade e autonomia dos professores, para que voltem eles a ser, efetivamente, produtores e estimuladores de culturas e de conhecimentos, e n\u00e3o meros repassadores de informa\u00e7\u00f5es. As escolas, por sua vez, precisam ser fortalecidas como espa\u00e7os de cria\u00e7\u00e3o, com forte envolvimento da comunidade, com fortalecimento do papel protagonista de crian\u00e7as, jovens e adolescentes. Os curr\u00edculos precisam ser repensados, a forma\u00e7\u00e3o dos professores, desde a inicial at\u00e9 a continuada, necessita do intenso envolvimento das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior, que precisam, de igual forma, ser fortalecidas. E tudo isso n\u00e3o \u00e9 novidade. De h\u00e1 muito, n\u00f3s educadores insistimos nisso. A Bahia possui uma rede de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas espalhada pelo Estado que, se fortalecida, com recursos e infra-estrutura, pode estar articulada com os munic\u00edpios na montagem e execu\u00e7\u00e3o de um projeto revolucion\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o de cidadania. Esse n\u00e3o \u00e9 apenas um papel do MEC ou da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, deveria, sim, ser uma a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do governo como um todo e em conjunto com a sociedade que, com independ\u00eancia e autonomia, exerceria permanente o seu papel de fiscalizadora das a\u00e7\u00f5es dos governantes. <\/div>\n<p>Publicado em A Tarde de 08\/05\/2007, p\u00e1gina 03<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alarde na Educa\u00e7\u00e3o Nelson Pretto &#8211; Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; www.pretto.info Quanto alarde! A partir do an\u00fancio do Governo Federal de um plano nacional para a educa\u00e7\u00e3o no Brasil, a imprensa voltou a discutir exaustivamente a qualidade do ensino brasileiro, principalmente por conta da cria\u00e7\u00e3o do novo \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb). A introdu\u00e7\u00e3o desse novo \u00edndice, que articula diversos outros j\u00e1 existentes, possibilitar\u00e1, \u00e9 verdade, identificar as situa\u00e7\u00f5es extremas de pouca qualidade da educa\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios, sendo um importante passo, mas, convenhamos, n\u00e3o o fundamental. Afinal de contas, qual a novidade que esse \u00edndice nos apresenta? Nenhuma! N\u00e3o \u00e9 de hoje que conhecemos a triste realidade educacional do pa\u00eds e da nossa Bahia, que aparece com um dos piores resultados, possuindo sete entre os 20 munic\u00edpios com pior ensino p\u00fablico de 1\u00aa a 4\u00aa s\u00e9rie. Recentemente foram divulgados os resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Montenegro e a ONG A\u00e7\u00e3o Educativa, repercutidos aqui em A Tarde, sobre o n\u00edvel de alfabetiza\u00e7\u00e3o dos brasileiros, e estes j\u00e1 apontavam que a alfabetiza\u00e7\u00e3o integral s\u00f3 acontece no ensino m\u00e9dio, e assim mesmo apenas 56% dos que concluiram o ensino m\u00e9dio podem ser considerados como conhecedores plenos das letras e menos de 50% possuem habilidade plena com os n\u00fameros. Contudo, nem mesmo desses dados precisar\u00edamos. Converse com os que est\u00e3o ao seu redor, alunos do ensino m\u00e9dio da maioria das escolas, tanto p\u00fablicas como privadas, e voc\u00ea mesmo ver\u00e1 o tal Ideb baix\u00edssimo, mesmo n\u00e3o sendo um especialista em estat\u00edstica. Nossa juventude n\u00e3o sabe ler e contar, mas n\u00e3o sabe tamb\u00e9m pensar sobre ci\u00eancia, cultura, est\u00e9tica, pol\u00edtica, \u00e9tica (ah! isso nem se fala, mas convenhamos que este n\u00e3o \u00e9 problema particular da juventude!). Outra pesquisa, desta vez com dados do IBGE e do INEP divulgadas no in\u00edcio desse ano aponta que dos 1,7 milh\u00f5es de jovens entre 15 e 17 anos que deveriam estar na escola, 40% n\u00e3o estavam porque acham &#8220;a escola chata&#8221;. Faz-se muito alarde quando se constata uma realidade bem conhecida de todos n\u00f3s, e bem pouco para a apresenta\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es e projetos. O lan\u00e7amento do Plano de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o tem o m\u00e9rito de tratar o conjunto do sistema educacional, da creche \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, como um todo. Mas, mesmo assim, precisamos olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para essa problem\u00e1tica. N\u00f3s, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, n\u00e3o temos d\u00favida: s\u00f3 se encaminha a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas estruturais da educa\u00e7\u00e3o se tivermos coragem de afastar definitivamente a perspectiva mercadol\u00f3gica, onde tudo \u00e9 comprado e vendido, com \u00eanfase no sucesso e no consumo, em detrimento de valores \u00e9ticos, e a partir da qual a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzida a um processo fabril de transmiss\u00e3o de conhecimento, afastada das ci\u00eancias e das culturas. Tamb\u00e9m n\u00e3o temos d\u00favida de que \u00e9 fundamental o fortalecimento do professor, n\u00e3o s\u00f3 com a garantia de um significativo piso salarial. Concomitantemente, faz-se imperioso resgatar a dignidade e autonomia dos professores, para que voltem eles a ser, efetivamente, produtores e estimuladores de culturas e de conhecimentos, e n\u00e3o meros repassadores de informa\u00e7\u00f5es. As escolas, por sua vez, precisam ser fortalecidas como espa\u00e7os de cria\u00e7\u00e3o, com forte envolvimento da comunidade, com fortalecimento do papel protagonista de crian\u00e7as, jovens e adolescentes. Os curr\u00edculos precisam ser repensados, a forma\u00e7\u00e3o dos professores, desde a inicial at\u00e9 a continuada, necessita do intenso envolvimento das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior, que precisam, de igual forma, ser fortalecidas. E tudo isso n\u00e3o \u00e9 novidade. De h\u00e1 muito, n\u00f3s educadores insistimos nisso. A Bahia possui uma rede de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas espalhada pelo Estado que, se fortalecida, com recursos e infra-estrutura, pode estar articulada com os munic\u00edpios na montagem e execu\u00e7\u00e3o de um projeto revolucion\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o de cidadania. 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Publicado em A Tarde de 08\/05\/2007, p\u00e1gina 03<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-90","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}