{"id":6364,"date":"2023-06-27T09:02:04","date_gmt":"2023-06-27T12:02:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/?p=6364"},"modified":"2023-07-03T08:14:52","modified_gmt":"2023-07-03T11:14:52","slug":"ufba-77-e-agora-artigo-de-nelson-pretto-em-a-tarde-27-06-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2023\/06\/27\/ufba-77-e-agora-artigo-de-nelson-pretto-em-a-tarde-27-06-2023\/","title":{"rendered":"&#8220;UFBA, 77: e agora?&#8221; &#8211; artigo de Nelson Pretto em A Tarde 27\/06\/2023."},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2023\/06\/2023_06_17ATardeNelsonPrettoUFBA77.pdf\">A Tarde: pdf do artigo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2 de julho de 1946 foi criada a Universidade Federal da Bahia (UFBA) sob o mando de Edgard Santos, um m\u00e9dico aristocrata baiano que entendia o papel da cultura na forma\u00e7\u00e3o da sociedade. No pr\u00f3ximo domingo celebramos, junto com as festas da independ\u00eancia do Brasil na Bahia, seus 77 anos. Com Edgard e seu longo reitorado de 16 anos, a UFBA vibrava e vivia em simbiose com a sociedade baiana. Os anos foram passando, enfrentamos um golpe civil-militar em 64 e, com muito sofrimento e perdas, chegamos \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 88, com forte participa\u00e7\u00e3o da comunidade da UFBA na sua elabora\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds vem se democratizando e o ensino superior p\u00fablico foi ampliado de forma significativa nos governos Lula e Dilma. S\u00f3 na Bahia passamos de sete institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior para 12 (UFBA, UNEB, UEFS, UESC, UESB, UFRB, UFSB, UFOB, UNIVASF, UNILAB, IFBA e IF baiano).<\/p>\n\n\n\n<p>Passada a pandemia da Covid19, estamos agora impactados por esse futuro presente no qual seguimos em marcha cont\u00ednua como se fosse poss\u00edvel voltarmos ao que alguns insistem em chamar de normalidade. Que normalidade? A universidade, em todo o mundo, est\u00e1 esvaziada. De alunos, de professores e, o pior, de ideias. A universidade n\u00e3o encanta mais as juventudes. Eles(as) j\u00e1 n\u00e3o se interessam tanto pelo ensino superior, exceto pelo diploma, isso para aqueles que conseguem chegar ao fim: a evas\u00e3o nas universidades privadas \u00e9 de 59% e nas p\u00fablicas 40,9%. E mesmo com diploma, ele nem mesmo ser\u00e1 garantia de um futuro promissor: mais de 5,4 milh\u00f5es de brasileiros com ensino superior n\u00e3o conseguem emprego.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema do esvaziamento dos nossos <em>campi<\/em> virou rotina na UFBA ap\u00f3s o retorno das atividades presenciais. Vejo o mesmo aqui pela Espanha e tamb\u00e9m em outras universidades brasileiras, conforme recente artigo dos colegas Pierre Lucena e Silvio Meira (UFPE).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse dram\u00e1tico momento da universidade \u00e9 tamb\u00e9m uma grande oportunidade para repensarmos como estamos produzindo ci\u00eancia, cada vez mais centrada numa l\u00f3gica produtivista que nos afasta do pr\u00f3prio pensar e de outros saberes da humanidade. \u00c9 o que vem sendo conhecido como \u201cci\u00eancia r\u00e1pida\u201d em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta de uma ci\u00eancia lenta (<em>slow science<\/em>). Ou, nas palavras de Antonio Lafuente (CSIC\/Espanha), de uma <em>SlowU<\/em> (Universidade Lenta), mais centrada no fazer, no prototipar e na produ\u00e7\u00e3o em comum para o bem comum. Hoje, pode parecer estranho conectar o tema da <em>slow science<\/em> com a quest\u00e3o da universidade, mas, quem sabe, essa possa ser a oportunidade, como afirma Isabelle Stengers, \u201cde cultivar outras formas de valoriza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos, que a conectem com o que ela soube evitar: a diversifica\u00e7\u00e3o do mundo e a prova do que seria uma rela\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica com o conhecimento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 mais do que na hora de pensarmos coletivamente o que queremos para a nossa UFBA de hoje e de um amanh\u00e3 promissor. Assim, sem saudosismo ou apesar dele, celebrar o seu rico passado de 77 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Replicado no Jornal da SBPC, <a href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/edicoes\/?url=http:\/\/jcnoticias.jornaldaciencia.org.br\/30-ufba-77-e-agora\/&amp;utm_smid=10655399-1-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Tarde: pdf do artigo Em 2 de julho de 1946 foi criada a Universidade Federal da Bahia (UFBA) sob o mando de Edgard Santos, um m\u00e9dico aristocrata baiano que entendia o papel da cultura na forma\u00e7\u00e3o da sociedade. No pr\u00f3ximo domingo celebramos, junto com as festas da independ\u00eancia do Brasil na Bahia, seus 77 anos. Com Edgard e seu longo reitorado de 16 anos, a UFBA vibrava e vivia em simbiose com a sociedade baiana. Os anos foram passando, enfrentamos um golpe civil-militar em 64 e, com muito sofrimento e perdas, chegamos \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 88, com forte participa\u00e7\u00e3o da comunidade da UFBA na sua elabora\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds vem se democratizando e o ensino superior p\u00fablico foi ampliado de forma significativa nos governos Lula e Dilma. S\u00f3 na Bahia passamos de sete institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior para 12 (UFBA, UNEB, UEFS, UESC, UESB, UFRB, UFSB, UFOB, UNIVASF, UNILAB, IFBA e IF baiano). Passada a pandemia da Covid19, estamos agora impactados por esse futuro presente no qual seguimos em marcha cont\u00ednua como se fosse poss\u00edvel voltarmos ao que alguns insistem em chamar de normalidade. Que normalidade? A universidade, em todo o mundo, est\u00e1 esvaziada. De alunos, de professores e, o pior, de ideias. A universidade n\u00e3o encanta mais as juventudes. Eles(as) j\u00e1 n\u00e3o se interessam tanto pelo ensino superior, exceto pelo diploma, isso para aqueles que conseguem chegar ao fim: a evas\u00e3o nas universidades privadas \u00e9 de 59% e nas p\u00fablicas 40,9%. E mesmo com diploma, ele nem mesmo ser\u00e1 garantia de um futuro promissor: mais de 5,4 milh\u00f5es de brasileiros com ensino superior n\u00e3o conseguem emprego. O tema do esvaziamento dos nossos campi virou rotina na UFBA ap\u00f3s o retorno das atividades presenciais. Vejo o mesmo aqui pela Espanha e tamb\u00e9m em outras universidades brasileiras, conforme recente artigo dos colegas Pierre Lucena e Silvio Meira (UFPE). Esse dram\u00e1tico momento da universidade \u00e9 tamb\u00e9m uma grande oportunidade para repensarmos como estamos produzindo ci\u00eancia, cada vez mais centrada numa l\u00f3gica produtivista que nos afasta do pr\u00f3prio pensar e de outros saberes da humanidade. \u00c9 o que vem sendo conhecido como \u201cci\u00eancia r\u00e1pida\u201d em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta de uma ci\u00eancia lenta (slow science). Ou, nas palavras de Antonio Lafuente (CSIC\/Espanha), de uma SlowU (Universidade Lenta), mais centrada no fazer, no prototipar e na produ\u00e7\u00e3o em comum para o bem comum. 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