{"id":5369,"date":"2022-01-02T16:44:13","date_gmt":"2022-01-02T19:44:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=5369"},"modified":"2022-01-02T16:44:13","modified_gmt":"2022-01-02T19:44:13","slug":"artigo-em-a-tarde-de-18122021-janio-soares-saudades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2022\/01\/02\/artigo-em-a-tarde-de-18122021-janio-soares-saudades\/","title":{"rendered":"Artigo em A Tarde de 18\/12\/2021: J\u00e2nio Soares, saudades."},"content":{"rendered":"<p>Estou hoje aqui s\u00f3 de passagem. A inesperada partida de J\u00e2nio Soares, o \u201cdono\u201d desse lugar em A Tarde, muito me emociona. Confesso que, como muitos dos seus leitores, ainda estou sem acreditar que aquele cara bem humorado e lindamente ligado \u00e0 sua fam\u00edlia tenha deixado esse buraco nessa p\u00e1gina e em nossas vidas. Oh! Janinho, por que essa sa\u00edda assim t\u00e3o brusca? Conhecia o seu texto desde um bom tempo e ficava encantado com sua leveza. Certo dia pensei que uma boa ideia seria arrumar uma viagem de f\u00e9rias para visitar Paulo Afonso, a Chesf, os cannions do S\u00e3o Francisco e, claro, conhec\u00ea-lo. Um \u00fanico encontro presencial no hotel no qual est\u00e1vamos hospedados foi o suficiente para nos unir em quinzenais trocas de cartas, opa, n\u00e3o eram cartas, mas quase isso, pois ele s\u00f3 usava SMS e e-mail. A cronica quinzenal, que j\u00e1 lia regulamente como assinante do jornal, eu tamb\u00e9m a recebia atrav\u00e9s do meu amigo Cac\u00e1, outro seu apaixonado leitor, que fazia quest\u00e3o de envi\u00e1-la com uma foto do jornal impresso, seguido apenas de um \u201c\u00f3i ele!\u201d. Era uma forma de, entre n\u00f3s, eu e Cac\u00e1, falarmos daquele seu \u00faltimo escrito. Ele, sempre doce e carinhoso, fazia suas cr\u00f4nicas plantadas no S\u00e3o Francisco, na natureza, na sua morada no s\u00edtio em sua Gl\u00f3ria querida e, mais do que tudo, na cultura brasileira com pitadas internacionais, de um cotidiano que ia desde os tempos de sua juventude at\u00e9 os dias de hoje. J\u00e2nio Soares era \u2013 era nada, \u00e9! \u2013 um g\u00eanio da escrita, da cultura, da amizade, da ra\u00e7a humana. Um doce de pessoa. Que sensibilidade! Vejo no portal Folha Sertaneja que ele, quando se apresentou para ocupar a cadeira 20 da Academia de Letras de Paulo Afonso, assim iniciou sua biografia: \u201cFilho de Cec\u00edlia e do Tenente Z\u00e9 da Silva, sobrinho de D. Alda do Cart\u00f3rio, cresci numa casa sombreada por umbuzeiros e tamarineiros na cidade de Gl\u00f3ria, hoje submersa pelas \u00e1guas do mesmo rio que lambia as minhas costas.\u201d Esse era J\u00e2nio Soares. Lembro-me de uma sua recente cr\u00f4nica que me tocou diretamente, pois ele reclamava que os artigos de opini\u00e3o dos jornais, eram s\u00f3 de opini\u00e3o mesmo, n\u00e3o tinham mais a sensibilidade da cr\u00f4nica. E de fato, tudo ficou muito \u00e1rido, os velhos e novos cronistas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam muito espa\u00e7o, pois eles passaram a ser ocupados por n\u00f3s, uma turma meio cabe\u00e7\u00e3o mesmo, que s\u00f3 pensa em analisar racionalmente as coisas em vez de usar mais o sentimento, poetar mais, escrever de maneira mais solta, navegando pelos assuntos ou pelos cannions do S\u00e3o Francisco e da antiga e nova Gl\u00f3ria, o que ele fazia com maestria. A cada 15 dias, o nosso s\u00e1bado era iluminado pelas suas cr\u00f4nicas e isso, hoje, certamente far\u00e1 muita falta nesse t\u00e3o \u00e1rido mundo de conex\u00f5es velozes e intoler\u00e2ncia crescente. V\u00e1, J\u00e2nio, navegue por outras \u00e1guas, mas mande sempre lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>Publicado em A Tarde em 18\/12\/2021. Veja o pdf da p\u00e1gina no jornal <a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2022\/01\/2021_12_18ATardeJaneioSoaresPp03.pdf\">clicando aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou hoje aqui s\u00f3 de passagem. A inesperada partida de J\u00e2nio Soares, o \u201cdono\u201d desse lugar em A Tarde, muito me emociona. Confesso que, como muitos dos seus leitores, ainda estou sem acreditar que aquele cara bem humorado e lindamente ligado \u00e0 sua fam\u00edlia tenha deixado esse buraco nessa p\u00e1gina e em nossas vidas. Oh! Janinho, por que essa sa\u00edda assim t\u00e3o brusca? Conhecia o seu texto desde um bom tempo e ficava encantado com sua leveza. Certo dia pensei que uma boa ideia seria arrumar uma viagem de f\u00e9rias para visitar Paulo Afonso, a Chesf, os cannions do S\u00e3o Francisco e, claro, conhec\u00ea-lo. Um \u00fanico encontro presencial no hotel no qual est\u00e1vamos hospedados foi o suficiente para nos unir em quinzenais trocas de cartas, opa, n\u00e3o eram cartas, mas quase isso, pois ele s\u00f3 usava SMS e e-mail. A cronica quinzenal, que j\u00e1 lia regulamente como assinante do jornal, eu tamb\u00e9m a recebia atrav\u00e9s do meu amigo Cac\u00e1, outro seu apaixonado leitor, que fazia quest\u00e3o de envi\u00e1-la com uma foto do jornal impresso, seguido apenas de um \u201c\u00f3i ele!\u201d. Era uma forma de, entre n\u00f3s, eu e Cac\u00e1, falarmos daquele seu \u00faltimo escrito. Ele, sempre doce e carinhoso, fazia suas cr\u00f4nicas plantadas no S\u00e3o Francisco, na natureza, na sua morada no s\u00edtio em sua Gl\u00f3ria querida e, mais do que tudo, na cultura brasileira com pitadas internacionais, de um cotidiano que ia desde os tempos de sua juventude at\u00e9 os dias de hoje. 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