{"id":5355,"date":"2021-07-06T10:25:31","date_gmt":"2021-07-06T13:25:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=5355"},"modified":"2021-07-06T10:25:31","modified_gmt":"2021-07-06T13:25:31","slug":"uma-singela-homenagem-ao-querido-jaime-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2021\/07\/06\/uma-singela-homenagem-ao-querido-jaime-barros\/","title":{"rendered":"Uma singela homenagem ao querido Jaime Barros"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"color: #000000\">Oh gente, oh \u201cra\u00e7a\u201d [toc toc toc]\u2026<\/h2>\n<p style=\"color: #000000\">artigo que escrevi e foi publicado, com pequena redu\u00e7\u00e3o, na edi\u00e7\u00e3o de hoje do jornal A Tarde, em Salvador.\u00a0<a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2021\/07\/2021_07_06ATardeNelsonPrettoJaimeBarrosPag03.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui para o pdf<\/a> da p\u00e1gina original.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Chegava ele, o mestre Jaime Barros, com seu indefect\u00edvel isqueiro Zippo sempre \u00e0 m\u00e3o e tr\u00eas batidinhas na mesa localizada no tablado \u00e0 frente da sala de aula do col\u00e9gio AntonioVieira. Sua voz rouca, grave e ao mesmo tempo delicada, nos tirava das leves badernas que faz\u00edamos entre as aulas, para iniciarmos um delicioso tempo de profunda concentra\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Sua entrada calma na sala e em nossas vidas foi (e segue!) marcante.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">E ele nos deixou dia 28\/6, depois de lutar para vencer algumas doen\u00e7as, mas at\u00e9 o final animado com a vida e as leituras. Me conta sua filha Suely que ao visit\u00e1-lo no hospital um pouco antes do seu falecimento, o encontrou feliz, se preparando para participar, mesmo dali, do Clube de Leitores que mantinha. Esse era o querido Jaime Barros, que fora seminarista e come\u00e7ou sua vida de professor ensinando latim.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Com um grande dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa e do universo da literatura, nos fez mergulhar nos cl\u00e1ssicos e nos autores contempor\u00e2neos, fomentando em n\u00f3s, seus alunos, uma crescente sede de leitura. Longe da chatice do que imagin\u00e1vamos ser uma \u201caula de portugu\u00eas\u201d (como era chamada a sua mat\u00e9ria naquela \u00e9poca), experiment\u00e1vamos a sensa\u00e7\u00e3o de embarcar num aventura, como num tapete m\u00e1gico que nos transportava, no tempo e no espa\u00e7o, por diferentes \u00e9pocas e autores. Assim foi a presen\u00e7a de Jaime Barros em minha vida, no ginasial e colegial.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Anos depois, eu j\u00e1 professor, fui seu colega em um projeto experimental na Escola Nobre da Bahia e, mais uma vez, o isqueiro Zippo e sua convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura se faziam presente de forma firme e carinhosa. Ele coordenava, com do\u00e7ura e rigor, um projeto genial que constru\u00edmos coletivamente e que, penso, foi revolucion\u00e1rio \u00e0 \u00e9poca e ainda o seria hoje. Nos encontr\u00e1vamos semanalmente e esses encontros eram mais do que tudo de forma\u00e7\u00e3o e amizade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Um dos seus ex-alunos, Carl\u00f4 Borges, o homenageou nas redes com uma linda mensagem: \u201cInesquec\u00edvel o professor da interpreta\u00e7\u00e3o da palavra escrita, o professor da \u2018ra\u00e7a\u2019 que ele tanto colaborou para virar gente grande, gente culta. O registro da voz grave do mestre nos instigando a ver mais fundo e por dentro dos significados estar\u00e1 sempre por aqui comigo!\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">E comigo tamb\u00e9m, Carl\u00f4, e tenho certeza de que tamb\u00e9m com os professores Z\u00e9 Carlos, Madalena, Brun\u00e3o, Emerson, Ricardo, Emanuel e tantos outros colegas e ex-alunos que n\u00e3o se cansam de mandar mensagens consternados com sua passagem, mas gratos, muit\u00edssimo gratos, pelo quanto esse homem das letras ajudou a nossa forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Tive o privil\u00e9gio de entrevist\u00e1-lo para nosso projeto\u00a0<a style=\"color: #000080\" href=\"http:\/\/memoriaeducacaobahia.ufba.br\/\">M<span style=\"color: #000000\">em\u00f3ria em V\u00eddeo da Educa\u00e7\u00e3o na Bahia [link]<\/span><\/a>, e o seu depoimento \u00e9 marcante, pois ali o vemos falando sobre a import\u00e2ncia do trabalho coletivo, do professor enquanto uma lideran\u00e7a intelectual e afetiva.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Quando me recordo de Jaime Barros, de seu legado como educador e me dou conta da minha labuta na educa\u00e7\u00e3o ao longo de tantos anos, constato, mais uma vez, o quanto a valoriza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos professores deveria ser um dos pilares centrais das pol\u00edticas educacionais, e o quanto estamos, infelizmente, longe disso, sobretudo nestes funestos tempos atuais.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA \u2013 nelson@pretto.pro.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oh gente, oh \u201cra\u00e7a\u201d [toc toc toc]\u2026 artigo que escrevi e foi publicado, com pequena redu\u00e7\u00e3o, na edi\u00e7\u00e3o de hoje do jornal A Tarde, em Salvador.\u00a0Clique aqui para o pdf da p\u00e1gina original. Chegava ele, o mestre Jaime Barros, com seu indefect\u00edvel isqueiro Zippo sempre \u00e0 m\u00e3o e tr\u00eas batidinhas na mesa localizada no tablado \u00e0 frente da sala de aula do col\u00e9gio AntonioVieira. Sua voz rouca, grave e ao mesmo tempo delicada, nos tirava das leves badernas que faz\u00edamos entre as aulas, para iniciarmos um delicioso tempo de profunda concentra\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Sua entrada calma na sala e em nossas vidas foi (e segue!) marcante. E ele nos deixou dia 28\/6, depois de lutar para vencer algumas doen\u00e7as, mas at\u00e9 o final animado com a vida e as leituras. Me conta sua filha Suely que ao visit\u00e1-lo no hospital um pouco antes do seu falecimento, o encontrou feliz, se preparando para participar, mesmo dali, do Clube de Leitores que mantinha. Esse era o querido Jaime Barros, que fora seminarista e come\u00e7ou sua vida de professor ensinando latim. Com um grande dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa e do universo da literatura, nos fez mergulhar nos cl\u00e1ssicos e nos autores contempor\u00e2neos, fomentando em n\u00f3s, seus alunos, uma crescente sede de leitura. Longe da chatice do que imagin\u00e1vamos ser uma \u201caula de portugu\u00eas\u201d (como era chamada a sua mat\u00e9ria naquela \u00e9poca), experiment\u00e1vamos a sensa\u00e7\u00e3o de embarcar num aventura, como num tapete m\u00e1gico que nos transportava, no tempo e no espa\u00e7o, por diferentes \u00e9pocas e autores. Assim foi a presen\u00e7a de Jaime Barros em minha vida, no ginasial e colegial. Anos depois, eu j\u00e1 professor, fui seu colega em um projeto experimental na Escola Nobre da Bahia e, mais uma vez, o isqueiro Zippo e sua convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura se faziam presente de forma firme e carinhosa. Ele coordenava, com do\u00e7ura e rigor, um projeto genial que constru\u00edmos coletivamente e que, penso, foi revolucion\u00e1rio \u00e0 \u00e9poca e ainda o seria hoje. Nos encontr\u00e1vamos semanalmente e esses encontros eram mais do que tudo de forma\u00e7\u00e3o e amizade. Um dos seus ex-alunos, Carl\u00f4 Borges, o homenageou nas redes com uma linda mensagem: \u201cInesquec\u00edvel o professor da interpreta\u00e7\u00e3o da palavra escrita, o professor da \u2018ra\u00e7a\u2019 que ele tanto colaborou para virar gente grande, gente culta. 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