{"id":5264,"date":"2020-10-03T11:58:41","date_gmt":"2020-10-03T14:58:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=5264"},"modified":"2023-04-11T00:21:48","modified_gmt":"2023-04-11T03:21:48","slug":"o-movimento-da-fabrica-vive-materia-no-correio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2020\/10\/03\/o-movimento-da-fabrica-vive-materia-no-correio\/","title":{"rendered":"O Movimento da F\u00e1brica Vive &#8211; Mat\u00e9ria no Correio*"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"western\" style=\"font-weight: bold\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5279\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/0110_fabrica_gale-300x290.jpeg\" alt=\"0110_fabrica_gale\" width=\"300\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale-300x290.jpeg 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale-768x743.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale.jpeg 792w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/h1>\n<h1 class=\"western\" style=\"font-weight: bold\"><\/h1>\n<h1 class=\"western\" style=\"font-weight: bold\">Movimento da F\u00e1brica: em busca de um Rio Vermelho pulsante.<\/h1>\n<p style=\"color: #000000\">Nelson Pretto (professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA) com a ajuda de muita gente, referida no texto.<\/p>\n<p>Leio regularmente as mat\u00e9rias de Clarisse Pacheco aos s\u00e1bados aqui no <b>Correio<\/b>. Passeio visualmente pela nossa cidade, por seus espa\u00e7os, suas mem\u00f3rias e gentes.<\/p>\n<p>O gosto pela mem\u00f3ria me faz guardar muitas tralhas, \u00e9 bem verdade. Vira e mexe, deparo-me com coisas que interrompem, momentaneamente, o que estou fazendo e, nesse momento, volto meu olhar para admirar algum antigo escrito, meu ou de algu\u00e9m outro\/a, um rabisco , uma antiga foto e, assim, deixo a imagina\u00e7\u00e3o passear por um tempo que j\u00e1 se foi.<\/p>\n<p>Numa dessas leituras do <b>Correio<\/b>, havia foto do largo de Santana, conhecido como largo de Dinha, em homenagem \u00e0 nossa famosa baiana de acaraj\u00e9 que l\u00e1 baixou seu tabuleiro e de l\u00e1 n\u00e3o sai, (o tabuleiro, claro!), agora, tocado agora por filhas e netas.<\/p>\n<p>Na foto daquela mat\u00e9ria, ainda havia um largo sem largura, com a igreja tendo \u201csobrado\u201d espremida entre a pista e um casar\u00e3o, de um lado, e, do outro, algumas casas e um edif\u00edcio, onde, no t\u00e9rreo, havia o nosso querido 68, bar que, pela obviedade do nome, abrigava nossas noites et\u00edlicas de debates pol\u00edticos, culturais e <i>otras cositas mas<\/i>.<\/p>\n<p>Aquele largo sofreu uma grande modifica\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, fruto de uma luta pol\u00edtica dos moradores do Rio Vermelho que impediram a constru\u00e7\u00e3o de um centro comercial que deixaria a igreja e o largo, menos largos ainda. Essa luta vitoriosa havia sido fortalecida, no meu modesto olhar, por uma outra, muito barulhenta, mas com retumbante derrota. Refiro-me ao <i>Movimento da F\u00e1brica<\/i>, ocorrido um pouco antes, nos anos 1984\/1985.<\/p>\n<p>Ah! Como \u00e9 bom relembrar esse tempo e essas hist\u00f3rias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5265\" aria-describedby=\"caption-attachment-5265\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/movFabricaIcone2.png\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5265\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/movFabricaIcone2-300x201.png\" alt=\"Movimento Fabrica\" width=\"300\" height=\"201\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5265\" class=\"wp-caption-text\">Movimento Fabrica<\/figcaption><\/figure>\n<p>Comecemos com Pierre Verger:<\/p>\n<blockquote class=\"western\" style=\"color: #000000\"><p>\u201cO passeio mais bonito que se podia fazer consistia em tomar, na Pra\u00e7a da S\u00e9 ou no abrigo da pra\u00e7a Castro Alves, o bonde de n\u00famero 14 do Rio Vermelho de Cima, que descia pela Avenida Sete, passava pelo Campo Grande, no Garcia no Primeiro Arco, seguia depois pela rua Garibaldi passando pelo Segundo Arco. A partir da\u00ed o caminho se tornava t\u00e3o estreito e arborizado que os dois lados do ve\u00edculo eram fustigados na passagem pelos galhos das \u00e1rvores. Uma vez ultrapassado o Jardim Bot\u00e2nico, n\u00e3o demorava chegar \u00e0 igreja de Santana, no Rio Vermelho, e na praia da Mariquita.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"western\" style=\"color: #000000\"><p>Alguns vag\u00f5es continuavam at\u00e9 Amaralina, contornando a F\u00e1brica de Papel\u00e3o e o Quartel de Amaralina. Da\u00ed em diante n\u00e3o havia mais estradas na dire\u00e7\u00e3o de Itapu\u00e3, mas somente a praia de areia branca, coberta em algumas partes de um tapete de salsa de praia, planta rasteira de uso corrente na medicina popular e na liturgia do Candombl\u00e9.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Nesse texto, encontramos pela primeira vez, para n\u00f3s pelo menos, uma refer\u00eancia escrita sobre a exist\u00eancia dessa F\u00e1brica de Papel\u00e3o, localizada no bairro do Rio Vermelho. Ele integra as belas p\u00e1ginas de \u201cRetratos da Bahia\u201d, escrito por Verger, que descreve e mostra-nos um peda\u00e7o dessa nossa terra nas d\u00e9cadas de 1940\/1950, numa preciosa publica\u00e7\u00e3o de 2002 da editora baiana Corrupio.<\/p>\n<p>Essa edifica\u00e7\u00e3o, incrustada no bairro mais bo\u00eamio da cidade, tem uma pequena hist\u00f3ria e quero, portanto, fazer um breve retorno \u00e0queles tempos do <i>Movimento da F\u00e1brica<\/i>. Mas antes, permita-me adiantar-lhes o final. N\u00e3o \u00e9 um mero <i>spoiller<\/i>, \u00e9 apenas para que, sabendo do final, o leitor possa (re)viver esse recente passado com uma certa dose de inspira\u00e7\u00e3o para redobrar as lutas nesse dif\u00edcil presente.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos, l\u00e1 pelos anos 1980, que aquela velha f\u00e1brica fosse transformada em um centro cultural. Nascia assim o <i>Movimento da <\/i><i>F<\/i><i>\u00e1<\/i><i>brica<\/i>, nome carinhoso que nos foi dado pela cidade para o que denominamos de \u201cUma proposta de interven\u00e7\u00e3o no Rio Vermelho: assuma a f\u00e1brica\u201d.<\/p>\n<p>O fim da hist\u00f3ria? Ap\u00f3s quase dois anos de luta, a velha f\u00e1brica foi derrubada. Em seu lugar, vimos nascer um posto de gasolina e uma lanchonete americana (gostaram do <i>lanchonete <\/i><i>americana<\/i>?!).<\/p>\n<p>Mas vamos \u00e0 hist\u00f3ria desde o come\u00e7o. Antes, preciso dizer que esse texto dialoga com o manifesto que elaboramos em 1984. Todas as aspas, portanto, s\u00e3o daquele nosso documento escrito a muitas m\u00e3os e amizades fraternas.<\/p>\n<h2 class=\"western\" style=\"font-weight: bold\">O in\u00edcio<\/h2>\n<p>Tudo come\u00e7a ali pelos anos 1983\/1984, quando moradores e admiradores do bairro do Rio Vermelho, preocupados com o destinado dessa f\u00e1brica abandonada, deram in\u00edcio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do que ficou conhecido como <i>Movimento da <\/i><i>F<\/i><i>\u00e1<\/i><i>brica<\/i>.<\/p>\n<p>O que quer\u00edamos \u2013 e ainda queremos \u2013 \u00e9 mais um espa\u00e7o cultural para a cidade. \u00c9 verdade que estamos ganhando, pelo menos virtualmente, a Casa Rosa, rec\u00e9m-inaugurada com atividades online, mas j\u00e1 perdemos o teatro Maria Beth\u00e2nia, o Cine Rio Vermelho, a Literarte, entre tantos outros espa\u00e7os para o lazer e cultura.<\/p>\n<p>O Movimento da F\u00e1brica foi uma mobiliza\u00e7\u00e3o que mexeu com a cidade. Uma a\u00e7\u00e3o ativista \u2013 nem us\u00e1vamos essa palavra \u00e0 \u00e9poca &#8211; de moradores em defesa de um centro cultural no bairro, uma a\u00e7\u00e3o na qual estive envolvido de corpo, alma e tes\u00e3o, junto com os queridos\/as Nild\u00e3o, Renatinho da Silveira, Carlinha, Get\u00falio, Eunice, Carla Leite, Nanna, Noca, Itamar Kalil, Carlos Sarno, Roland Paiva, Fritz, Juca Ferreira, e muito, muito mais gente.<\/p>\n<p>Foram quase dois anos de muita mobiliza\u00e7\u00e3o, e, mais do que tudo, muita festa e alegria.<\/p>\n<p>Produzimos, ent\u00e3o, \u201cUma proposta de interven\u00e7\u00e3o no Rio Vermelho: assuma a f\u00e1brica\u201d, um verdadeiro manifesto po\u00e9tico-pol\u00edtico:<\/p>\n<blockquote class=\"western\" style=\"color: #000000\"><p>\u201cO momento atual \u00e9 de reflex\u00e3o para todos os cidad\u00e3os que tenham o m\u00ednimo de consci\u00eancia e de compromisso com a nossa cultura. A F\u00e1brica de Papel do Rio Vermelho \u00e9 mais um monumento hist\u00f3rico na al\u00e7a de mira do desenvolvimento inexor\u00e1vel. Propomos uma a\u00e7\u00e3o que contagie, que some todos os segmentos sociais &#8211; da sociedade civil ao Estado &#8211; para que juntos encontremos solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis para preserva\u00e7\u00e3o da F\u00e1brica de Papel e sua transforma\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o cultural \u00e0 servi\u00e7o da comunidade.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m de textos, abaixo-assinados e manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, quer\u00edamos que algo maior estivesse presente naquela articula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia internet, nem celular. Mas a ideia presente no esp\u00edrito dos que ali j\u00e1 estavam e dos demais que iam chegando \u2013 e chegou muita gente! \u2013 era de que a luta por um centro cultural no bairro teria que, ela mesma, se constituir numa a\u00e7\u00e3o cultural. Uma rede. Quer\u00edamos mostrar o Centro Cultural j\u00e1 em a\u00e7\u00e3o. E assim fizemos.<\/p>\n<p>Foi uma luta pol\u00edtica e cultural, na veia.<\/p>\n<p>Faz\u00edamos <i>danceata<\/i> em vez de passeata.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/DSC_0223.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5266\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/DSC_0223-199x300.jpg\" alt=\"DSC_0223\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/DSC_0223-199x300.jpg 199w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/DSC_0223-680x1024.jpg 680w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/DSC_0223-768x1156.jpg 768w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/DSC_0223-1020x1536.jpg 1020w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/DSC_0223-1360x2048.jpg 1360w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/DSC_0223-1568x2361.jpg 1568w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/DSC_0223-scaled.jpg 1700w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Animados, como n\u00e3o poder\u00edamos deixar de ser, escrev\u00edamos no documento base:<\/p>\n<blockquote class=\"western\" style=\"color: #000000\"><p>\u201cEstamos resolvidos a sair desta pasmaceira, desta indesculp\u00e1vel indiferen\u00e7a com o que se passa em Salvador, e acreditamos que este \u00e9 um sentimento comum e que tende a se manifestar cada dia com mais for\u00e7a e amplitude.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa for\u00e7a e amplitude, no entanto, exigiam que conhec\u00eassemos um pouco mais de tudo o que se passava por aquele peda\u00e7o de terra, cercado de um muro escuro, encravado no Rio Vermelho.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5268 size-medium\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/0110_fabrica_gale1-300x225.jpeg\" alt=\"0110_fabrica_gale1\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/0110_fabrica_gale1.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5269 size-medium\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/csm_0210chamine_03d29b98e5-300x199.jpg\" alt=\"csm_0210chamine_03d29b98e5\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0210chamine_03d29b98e5-300x199.jpg 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0210chamine_03d29b98e5-768x511.jpg 768w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0210chamine_03d29b98e5.jpg 940w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sim, conhecer, pois o Rio Vermelho tem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ele<\/p>\n<blockquote class=\"western\"><p>\u201cantecede \u00e0 cidade do Salvador. Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, h\u00e1 ind\u00edcios de exist\u00eancia de aldeamentos ind\u00edgenas e da presen\u00e7a de franceses traficantes de pau-brasil no local onde, em 1509 ou 1510, naufragou Diogo \u00c1lvares, o Caramuru.<br \/>\nDurante o s\u00e9culo XVI, o Rio Vermelho teve um desenvolvimento muito lento com seus currais e arma\u00e7\u00f5es de pesca, e a miss\u00e3o dos jesu\u00edtas. No s\u00e9culo XVII, o povoamento da \u00e1rea cresceu quando a hist\u00f3ria da Bahia teve um cap\u00edtulo flamengo: em 1624, os holandeses invadiram a cidade do Salvador, afugentando seus moradores que buscaram abrigo no distante arrabalde do Rio Vermelho. Foi a\u00ed, no Morro do Conselho, que D. Marcos Teixeira investido no cargo de capit\u00e3o-mor organizou a resist\u00eancia aos invasores.<br \/>\nCom o passar dos anos e uma popula\u00e7\u00e3o mais fixa, definiu-se a \u00e1rea com os n\u00facleos da Paci\u00eancia e da Mariquita. Mais tarde, surge entre os dois, um terceiro, hoje conhecido como largo de Santana onde se encontra a igrejinha da velha matriz.<br \/>\nO Rio Vermelho tomou impulso no ano de 1870, quando come\u00e7aram a funcionar duas linhas de bonde ligando-o ao centro da cidade. Seu clima e suas \u00e1guas atra\u00edam pessoas de diversos locais para tomar &#8220;banho de sal&#8221; em suas \u00e1guas medicinais, que curavam at\u00e9 beri-b\u00e9ri. Muitos vieram veranear e fixaram resid\u00eancia. O \u2018Jornal de Not\u00edcias\u2019 no final do s\u00e9culo passado informava que \u2018fam\u00edlias se despedem dos seus amigos para veranear no Rio Vermelho\u2019.<br \/>\nRefletia-se no Avenida Saud\u00e1vel, nome do teatrinho local, a principal caracter\u00edstica de um bairro \u00e0 beira-mar, rodeado de fazendas, hortas e currais.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"western\"><p>Depois da abertura da Avenida Oce\u00e2nica, no governo de J. J. Seabra, e do cal\u00e7amento de muitas de suas ruas e largos, em 1923, o Rio Vermelho, segundo um antigo morador, &#8220;dormiu por muitos anos&#8221;. O loteamento do parque Cruz Aguiar, em 1942, pode ser tomado como marco das grandes e novas mudan\u00e7as urban\u00edsticas do bairro. Com as transforma\u00e7\u00f5es que se seguiram perdeu-se muito do seu esp\u00edrito provinciano e comunit\u00e1rio. Os edif\u00edcios de apartamento isolaram verticalmente os moradores. Apesar de mutilado em sua hist\u00f3ria, \u00e9 exatamente por este passado rico de viv\u00eancias que o Rio Vermelho continua sendo um dos bairros mais agrad\u00e1veis de Salvador.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Esse era o Rio Vermelho, que a bem da verdade ainda hoje \u00e9 muito mais que um bairro, \u00e9 um estado de esp\u00edrito. Sua demarca\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica nem era \u2013 e nem \u00e9 \u2013 muito definida. Algumas \u00e1reas de conflu\u00eancias de outros bairros, como dissemos no documento, terminam sendo consideradas como parte do bairro. Alto da Sereia, Vila Matos, t\u00e9rmino da Avenida Oce\u00e2nica, parte da avenida Vasco da Gama (antigo caminho da linha de Bonde chamada de Rio Vermelho de baixo), Lucaia, in\u00edcio da Waldemar Falc\u00e3o, Chapada do Rio Vermelho, Fonte do Boi e at\u00e9 mesmo o in\u00edcio das instala\u00e7\u00f5es do Quartel de Amaralina s\u00e3o todas regi\u00f5es que bem podem ser chamadas de integrantes do Rio Vermelho.<\/p>\n<p>Escrevemos mais sobre a sua hist\u00f3ria, a partir de algumas descobertas:<\/p>\n<blockquote class=\"western\" style=\"color: #000000\"><p>\u201cA primeira e obrigat\u00f3ria descoberta sobre o bairro do Rio Vermelho \u00e9 simplesmente desconcertante. \u00c9 que s\u00e3o v\u00e1rios bairros acoplados, unidos e humanizados pelo mar. Mariquita, Santana e Paci\u00eancia s\u00e3o escandalosamente independentes e furiosamente apaixonadas. Uma terra como essa n\u00e3o poderia parir filhos comuns. Essa \u00e9 a segunda descoberta. \u00cdndios, pescadores, artistas, pol\u00edticos, oper\u00e1rios, toda a composi\u00e7\u00e3o social de uma cidade aqui se estabeleceu. Filhos paridos, filhos adotivos e at\u00e9 mesmo afilhados. Mais que uma m\u00e3e, uma saud\u00e1vel e afetuosa senhora. O Rio Vermelho n\u00e3o tem fronteiras reconhecidas por seus filhos. Esta \u00e9 a terceira descoberta. Adolescente e fogoso foi crescendo sem peias, rompendo barreiras, terra e mar unidos, corpo e alma tomados pelo \u00edmpeto de procriar. Amaralina era arrebalde, mas era filha. Areia Preta (Ondina), parente pr\u00f3xima que acabou adotada. Uma grande curiosa fam\u00edlia. Filhos apaixonados e marcadamente bairristas.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Pois foi com essas \u2018descobertas\u2019 e hist\u00f3ria desse encantador lugar, entre pescadores, praias, casas, edif\u00edcios que, eis que surgiu, l\u00e1 no long\u00ednquo passado, \u201cuma velha e renitente f\u00e1brica, que silenciada no seu apito diuturno, persiste envelhecida e cercada, a compor a paisagem desse singular peda\u00e7o de Salvador, que mesmo sendo um bairro no papel, na vida e no conceber de seus moradores ousou ser tr\u00eas. Constru\u00edda na d\u00e9cada de vinte para produzir cerveja, a f\u00e1brica situava-se na antiga rua do bonde e hoje situa-se na mesma rua, agora chamada Marques de Monte Santo.\u201d<\/p>\n<p>Continuamos a futucar documentos e pessoas, pois precis\u00e1vamos, como j\u00e1 disse, fazer do movimento uma a\u00e7\u00e3o cultural, de luta ativista, de festa e de resgate hist\u00f3rico. Para isso, nada melhor do que conversar, prosear com quem entende do riscado, os seus velhos moradores. E a\u00ed me permitam, mais uma vez, deixar o texto do nosso documento correr mais solto:<\/p>\n<blockquote class=\"western\"><p>\u201cUm velho oper\u00e1rio, que aos 79 anos de idade ainda caminha diariamente para a velha f\u00e1brica, \u00e9 que nos conta: &#8220;de in\u00edcio era apenas um pequeno barrac\u00e3o, funcionando com um motor a explos\u00e3o, sendo aproveitada a \u00e1gua do rio das Pedrinhas, para fabricar a cerveja&#8221;. Assim foi crescendo a fabriqueta, ocupando espa\u00e7o, adentrando entranhas do Rio Vermelho, formando h\u00e1bito e atraindo interesses. Cresceu. Seu antigo propriet\u00e1rio, Trajano dos Santos Correa, que at\u00e9 t\u00e9cnicos ingleses foi buscar em Manchester, acabou por vend\u00ea-la \u00e0 Cia Ant\u00e1rctica Paulista. Era fim da d\u00e9cada de 1920.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"western\"><p>O bonde continuava a passar, Amaralina continuava arrabalde, o morro do Conselho recebia todas as manh\u00e3s o sol e o mar. Pescadores oper\u00e1rios e veranistas acordavam cedo obedecendo \u00e0 vontade da f\u00e1brica que, apitando para chamar para o trabalho seus funcion\u00e1rios, interrompia o descanso de alguns.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"western\"><p>Voltam os moradores a nos contar: &#8220;houve ent\u00e3o uma explos\u00e3o nos tanques reservat\u00f3rios que danificou instala\u00e7\u00f5es, assustou moradores e incriminou os t\u00e9cnicos ingleses, acusados de participa\u00e7\u00e3o criminosa no epis\u00f3dio. A explos\u00e3o nos tanques acabou por determinar o fechamento da cervejaria&#8221;. Passou ent\u00e3o a f\u00e1brica a produzir sab\u00e3o, estopa e gelo. J\u00e1 no final da d\u00e9cada de 30 passaria a fabricar papel, o que fez at\u00e9 recentemente.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote class=\"western\"><p>Sa\u00edam assim da paisagem do Rio Vermelho os caminh\u00f5es e carro\u00e7as, que carregados de cerveja e gelo, obedecendo o apito mercador da cervejaria, distribu\u00edam para os moradores a Polar Pilsen. (Ou ser\u00e1 a Pol\u00e1rtica? pouco importa). Como diz um antigo morador: &#8220;testemunhas da \u00e9poca confessariam-lhe um \u00f3timo sabor\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas a cerveja parou de ser produzida na velha F\u00e1brica e eis que, mais uma descoberta nos surge:<\/p>\n<blockquote class=\"western\" style=\"color: #000000\"><p>\u201cAo longo dessa hist\u00f3ria, a pequena f\u00e1brica foi assumindo real import\u00e2ncia na vida do bairro. Fonte de emprego, ponto de refer\u00eancia, face antiga de uma \u00e9poca progressivamente desfigurada, elemento poluidor. Desativada recentemente, a velha f\u00e1brica ainda respira cercada de um supermercado, altos edif\u00edcios e cada vez mais envelhecida. A Marqu\u00eas de Monte Santo \u00e9 a outrora rua do Bonde. Amaralina n\u00e3o \u00e9 mais arrabalde &#8211; filha rebelde com caminhos pr\u00f3prios &#8211; e o morro do Conselho, ponto de encontro entre o sol e mar, vai sendo rapidamente ocupado. Desabam casar\u00f5es, o povo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o festeiro, e as festas ou desapareceram ou perderam seu brilho. Mas, o Rio Vermelho, seus filhos paridos e\/ou adotados, n\u00e3o passaram uma borracha nesta demorada e persistente hist\u00f3ria de amor. Esta \u00e9 quarta descoberta.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<h2 class=\"western\" style=\"font-weight: bold\">O Movimento<\/h2>\n<p style=\"color: #000000\">Conversa vai, conversa vem, as ideias come\u00e7am a surgir para algo fazer. Lina Bo Bardi j\u00e1 havia aportado pelas terras da Bahia deixando marcas indel\u00e9veis, sendo o Unh\u00e3o e sua linda escada interma, talvez, o sinal mais marcante. N\u00e3o estando mais por aqui, de volta \u00e0 S\u00e3o Paulo, ela projeta o Centro Cultural SESC Pomp\u00e9ia, que tamb\u00e9m ocupava uma antiga f\u00e1brica. Inaugurado em 1982, o projeto de Lina foi todo centrado no resgate da antiga f\u00e1brica que l\u00e1 funcionava, mantendo os antigos galp\u00f5es, incluindo um c\u00f3rrego que por l\u00e1 passava. Aquilo nos fascinava e, evidente, aquela f\u00e1brica abandonada no Rio Vermelho era um prato cheio para come\u00e7armos a agitar a cidade com algo na mesma linha. Come\u00e7amos a nos encontrar e dois lugares nos abrigavam com mais frequ\u00eancia: o bar 68, claro, e a livraria Literarte que, naquela \u00e9poca j\u00e1 havia deixado a galeria que liga a avenida Sete com a Carlos Gomes e se instalado na parte de tr\u00e1s da Biblioteca Juracy Magalh\u00e3es. Era um espa\u00e7o pequeno, mas a rua era grande e l\u00e1 nos reun\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Entre idas e vindas \u00e0 velha F\u00e1brica, \u00edamos imaginando o que fazer. Vira e mexe tom\u00e1vamos corrid\u00e3o de dois ou tr\u00eas funcion\u00e1rios que cuidavam dos escombros, pois nos pendur\u00e1vamos no muro para olhar a parte interna da \u00e1rea e, com o olho comprido, imaginar a sala de cinema, a de teatro, a livraria, a \u00e1rea de conviv\u00eancia para as crian\u00e7as, a sala de exibi\u00e7\u00f5es. Desenh\u00e1vamos na cabe\u00e7a o Centro Cultural F\u00e1brica do Rio Vermelho, e volt\u00e1vamos para as nossas reuni\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Come\u00e7amos ent\u00e3o a buscar as hist\u00f3rias do bairro e da f\u00e1brica, e a fazer contato com autoridades. Nada de descobrirmos o nome dos propriet\u00e1rios. At\u00e9 que, em dado momento, chegou-nos as informa\u00e7\u00f5es de que a f\u00e1brica estava funcionando em Feira de Santana e que queriam vender a \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Mobilizamos a imprensa. Recep\u00e7\u00e3o calorosa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/colagem-jornais.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-5270\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/colagem-jornais-300x172.png\" alt=\"colagem jornais\" width=\"494\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/colagem-jornais-300x172.png 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/colagem-jornais-768x441.png 768w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/colagem-jornais.png 976w\" sizes=\"(max-width: 494px) 100vw, 494px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Come\u00e7amos a dar entrevistas, agendar reuni\u00f5es, qualquer um representava o Movimento da F\u00e1brica, n\u00e3o havia hierarquias nem regimentos. Percebemos que a pr\u00f3pria imprensa representava o Movimento, pois quando fic\u00e1vamos meio cansados, surgia uma notinha: \u201cF\u00e1brica parada: como vai o Movimento da F\u00e1brica?\u201d (Jornal da Bahia, 6\/11\/1984).<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Entre idas e vindas, fomos a Bras\u00edlia visitar, pelo fundo do gabinete, o Ministro da Cultura e entregar-lhe o nosso Manifesto, falar com o IPHAN, visitar e expor o projeto ao Conselho de Cultura do Estado da Bahia, que ainda se reunia na sala de jantar do comendador Bernardo Martins Catharino, onde hoje funciona o Palacete das Artes, na Gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Mas o agito era permanente.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Percorr\u00edamos as praias do bairro e nos reun\u00edamos nnuma pequena rua que alinhava-se com o muro lateral da F\u00e1brica para criar fatos pol\u00edticos. Numa quinta feira (22\/11\/1985), promovemos na rua em frente \u00e0 F\u00e1brica o lan\u00e7amento do livro <i>Di\u00e1rio da Crise<\/i>, com a presen\u00e7a, \u201cin carne ed ossa, p\u00f4!\u201d, de Fernando Gabeira, que estava no auge por ter voltado do ex\u00edlio e frequentar as praias do Rio de Janeiro, de tanguinha de croch\u00ea, para del\u00edrio da m\u00eddia e da mo\u00e7ada. Juca Ferreira, que j\u00e1 estava na Bahia com a gente, tamb\u00e9m estava retornando do ex\u00edlio e era importante refor\u00e7o ao Movimento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Faz\u00edamos, no mesmo local, picha\u00e7\u00f5es do muro e, com isso, pretend\u00edamos marcar para a cidade a atua\u00e7\u00e3o do movimento e ainda promover um \u201cpintar ao entardecer\u201d [\u201cpinte l\u00e1\u2026 e pinte!\u201d]<\/p>\n<p style=\"color: #000000\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_ruina_48447e7ceb.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5271\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_ruina_48447e7ceb-300x199.jpg\" alt=\"csm_0110_fabrica_ruina_48447e7ceb\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_ruina_48447e7ceb-300x199.jpg 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_ruina_48447e7ceb-768x510.jpg 768w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_ruina_48447e7ceb.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Fizemos muito. Foram dois anos intensos de agito, sempre com slogans que marcaram o movimento e, claro, coerente com a \u00e9poca. A cria\u00e7\u00e3o das artes, sempre de Nild\u00e3o e Renatinho da Silveira, refletia o momento e o nosso esp\u00edrito. Nossa marca ficou sendo \u201cTransar a F\u00e1brica \u2013 vamos preservar um peda\u00e7o de nossa mem\u00f3ria\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_camisa_994660f19c.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5272\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_camisa_994660f19c-300x252.jpeg\" alt=\"csm_0110_fabrica_camisa_994660f19c\" width=\"300\" height=\"252\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_camisa_994660f19c-300x252.jpeg 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_camisa_994660f19c-768x645.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_camisa_994660f19c.jpeg 1000w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Mas o movimento, apesar de animado e relativamente forte, n\u00e3o era suficientemente forte para enfrentar o poder do capital.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Pression\u00e1vamos a prefeitura. Os vereadores se mobilizavam, alguns at\u00e9 iam \u00e0s nossas reuni\u00f5es. Em 26 de mar\u00e7o de 1985, a C\u00e2mara dos Vereadores de Salvador fez indica\u00e7\u00e3o ao governo do Estado e \u00e0 Prefeitura de Salvador sobre a \u201cnecessidade de promover a imediata desapropria\u00e7\u00e3o para fins de utilidade p\u00fablica da F\u00e1brica de Papel da Bahia S\/A (\u2026) visando a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de cultura e lazer para a cidade\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">O prefeito Manoel Castro n\u00e3o nos respondia, mas terminou por montar um grupo de trabalho para tratar do tema. Em novembro de 1984, aconteceu finalmente uma reuni\u00e3o com a prefeitura, o Movimento e os representantes do grupo empresarial Vinnewisk, donos do im\u00f3vel, ocasi\u00e3o que nos foi apresentada a proposta de cess\u00e3o de 1\/3 da \u00e1rea para a Prefeitura, que destinaria para o tal uso cultural, e, em troca, a autoriza\u00e7\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o de um posto de gasolina no local, incluindo a derrubada da chamin\u00e9.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Em nota oficial (muito chique o nosso movimento!), repudiamos imediatamente a proposta e continuamos a mobiliza\u00e7\u00e3o. Reconhec\u00edamos a dificuldade financeira da Prefeitura, mas deix\u00e1vamos claro nossa inten\u00e7\u00e3o maior: \u201cn\u00e3o exigimos que a Prefeitura compra a F\u00e1brica, reivindicamos que ela compre a ideia.\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Entre tantas outras mat\u00e9rias na imprensa baiana, em 10\/11\/1984, esse <b>Correio<\/b> publicou mat\u00e9ria com o resultado da coletiva que o Movimento convocou para a rua em frente \u00e0 F\u00e1brica, como sempre faz\u00edamos, para anunciar que n\u00e3o aceitaria a referida proposta. Na mat\u00e9ria em quest\u00e3o, \u00e9 reproduzida a fala de apoio de Caetano Veloso ao saber da proposta: \u201cQueremos a f\u00e1brica, n\u00e3o um pedacinho de quintal dela. A f\u00e1brica \u00e9 a f\u00e1brica, \u00e9 a f\u00e1brica\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">N\u00e3o havia jeito de sensibilizarmos o prefeito Manoel Castro.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Como j\u00e1 disse, tivemos manifesta\u00e7\u00f5es do Conselho de Cultura do Estado da Bahia, do IPHAN, de artistas de todos os segmentos, e, depois da proposta do posto, provocamos e conseguimos que Jorge Amado chamasse a imprensa para, de sua casa na rua Alagoinhas, manifestar um apoio direto ao Movimento. Jornal do Brasil (24\/04\/85, p. 6): \u201cJorge Amado quer espa\u00e7o para a cultura: \u2018Como morador do Rio Vermelho, como escritor, como baiano, quero dar o meu total apoio a esse movimento, que \u00e9 apoiado tamb\u00e9m por figuras da import\u00e2ncia de Carib\u00e9, Caetano Veloso e Gilberto Gil. (\u2026) Fa\u00e7o um apelo ao amigo Manoel Castro \u2013 um excelente Prefeito, a meu ver \u2013 para que n\u00e3o permita que ali se instale um posto de gasolina.\u2019\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Eu, de gravadorzinho em punho, l\u00e1 estava acompanhando tudo e gravando a fala do grande escritor baiano.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Ou\u00e7a aqui o depoimento de Jorge Amado na \u00edntegra:<\/p>\n<p style=\"color: #000000\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/Movimento-da-Fabrica_audio-jorge-amado.mp3\">Movimento da Fabrica_audio jorge amado<\/a><\/p>\n<p style=\"color: #000000\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/249039_396660163781176_2133472847_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5273\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/249039_396660163781176_2133472847_n-218x300.jpg\" alt=\"249039_396660163781176_2133472847_n\" width=\"218\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/249039_396660163781176_2133472847_n-218x300.jpg 218w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/249039_396660163781176_2133472847_n.jpg 698w\" sizes=\"(max-width: 218px) 100vw, 218px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Os apoios n\u00e3o paravam. A vereadora Eliana Kert\u00e9sz responsabilizou-se para levar um dos nossos abaixo-assinado \u00e0 primeira dama do estado, Ieda Barradas, como mais uma tentativa de n\u00e3o permitir um posto de gasolina em vez de um centro cultural na velha F\u00e1brica de Papel e Papel\u00e3o do Rio Vermelho.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">A luta e as atividades n\u00e3o paravam.Mas a for\u00e7a do capital e a in\u00e9rcia pol\u00edtica dos poderes p\u00fablicos n\u00e3o permitiram que esse sonho fosse concretizado.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">No in\u00edcio de setembro de 1985, come\u00e7amos a perceber que, na surdina, por dentro dos muros, os propriet\u00e1rios come\u00e7aram a derrubar partes da edifica\u00e7\u00e3o. Mais coletiva \u00e0 imprensa e muito mais repercuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Nada disso foi suficiente.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">T\u00ednhamos sempre em mente, no desejo e no tes\u00e3o, a nossa convoca\u00e7\u00e3o para a cidade, frase que conclu\u00eda aquele documento inicial e bastante reproduzido: \u201cParticipe dessa campanha. Ajude a dar este peda\u00e7o do passado de presente para cidade.\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">A luta n\u00e3o foi perdida. Perdemos a possibilidade da transforma\u00e7\u00e3o da velha f\u00e1brica em um centro cultural.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Em seu lugar, em janeiro de 1986, entrou em funcionamento um posto de gasolina. E, para nossa irrita\u00e7\u00e3o, mantiveram ali a chamin\u00e9, permanente at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">A irrita\u00e7\u00e3o inicial com a manuten\u00e7\u00e3o da chamin\u00e9, vista \u00e0 \u00e9poca como uma provoca\u00e7\u00e3o, hoje, para mim, \u00e9 um marco importante.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Manter a imponente chamin\u00e9 naquele espa\u00e7o \u00e9 legar \u00e0 hist\u00f3ria do bairro do Rio Vermelho, uma marca importante da exist\u00eancia de uma f\u00e1brica que foi tamb\u00e9m s\u00edmbolo de um movimento pol\u00edtico e cultural relevante para Salvador na d\u00e9cada de 80. Um movimento de moradores que, sabedores da exist\u00eancia daquela generosa \u00e1rea da cidade que abrigou uma f\u00e1brica de cerveja, depois de papel e papel\u00e3o e, por fim, abandonada, poderia ter sido transformada num revolucion\u00e1rio espa\u00e7o para a cidade, um espa\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o, cultura e lazer.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Mais ainda, aquela chamin\u00e9, poder ser um apito significativo para os dif\u00edceis tempos atuais, pois relembra que, l\u00e1 atr\u00e1s, um grupo de moradores ousou transformar aquele lugar em um espa\u00e7o da e para a comunidade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Quem sabe n\u00e3o fa\u00e7amos ali, num futuro n\u00e3o t\u00e3o distante, um pequeno (ou grande) <i>M<\/i><i>emorial do Movimento da F\u00e1brica? <\/i><i>E que seja ele, mais uma vez, marco de uma retomada da luta pelo direito \u00e0 cidade, pelo retorno \u00e0 pulsa\u00e7\u00e3o cultural do Rio Vermelho e de toda a cidade de Salvador.<\/i><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5267\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_zine_353395dfe7-199x300.jpeg\" alt=\"csm_0110_fabrica_zine_353395dfe7\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_zine_353395dfe7-199x300.jpeg 199w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/csm_0110_fabrica_zine_353395dfe7.jpeg 664w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Link para a mat\u00e9ria no site do correio, <a title=\"Movimento da Fabrica Correio\" href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/no-meio-do-caminho-a-chamine-conheca-a-historia-por-tras-do-simbolo-no-rio-vermelho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Para baixar o pdf da mat\u00e9ria, <a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2020\/10\/2020_10_03CorreioMovimentoFabricaIntegral.pdf\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Terminei fazendo um um audiovisual com slides e trilha sonora e depois digitalizei para um v\u00eddeo que pode <a title=\"Movimento da Fabrica\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rtkRzLt4iZ0&amp;t=458s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ser visto aqui<\/a>:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Movimento da F\u00e1brica: em busca de um Rio Vermelho pulsante. Nelson Pretto (professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA) com a ajuda de muita gente, referida no texto. Leio regularmente as mat\u00e9rias de Clarisse Pacheco aos s\u00e1bados aqui no Correio. Passeio visualmente pela nossa cidade, por seus espa\u00e7os, suas mem\u00f3rias e gentes. O gosto pela mem\u00f3ria me faz guardar muitas tralhas, \u00e9 bem verdade. Vira e mexe, deparo-me com coisas que interrompem, momentaneamente, o que estou fazendo e, nesse momento, volto meu olhar para admirar algum antigo escrito, meu ou de algu\u00e9m outro\/a, um rabisco , uma antiga foto e, assim, deixo a imagina\u00e7\u00e3o passear por um tempo que j\u00e1 se foi. Numa dessas leituras do Correio, havia foto do largo de Santana, conhecido como largo de Dinha, em homenagem \u00e0 nossa famosa baiana de acaraj\u00e9 que l\u00e1 baixou seu tabuleiro e de l\u00e1 n\u00e3o sai, (o tabuleiro, claro!), agora, tocado agora por filhas e netas. Na foto daquela mat\u00e9ria, ainda havia um largo sem largura, com a igreja tendo \u201csobrado\u201d espremida entre a pista e um casar\u00e3o, de um lado, e, do outro, algumas casas e um edif\u00edcio, onde, no t\u00e9rreo, havia o nosso querido 68, bar que, pela obviedade do nome, abrigava nossas noites et\u00edlicas de debates pol\u00edticos, culturais e otras cositas mas. Aquele largo sofreu uma grande modifica\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, fruto de uma luta pol\u00edtica dos moradores do Rio Vermelho que impediram a constru\u00e7\u00e3o de um centro comercial que deixaria a igreja e o largo, menos largos ainda. Essa luta vitoriosa havia sido fortalecida, no meu modesto olhar, por uma outra, muito barulhenta, mas com retumbante derrota. Refiro-me ao Movimento da F\u00e1brica, ocorrido um pouco antes, nos anos 1984\/1985. Ah! Como \u00e9 bom relembrar esse tempo e essas hist\u00f3rias. Comecemos com Pierre Verger: \u201cO passeio mais bonito que se podia fazer consistia em tomar, na Pra\u00e7a da S\u00e9 ou no abrigo da pra\u00e7a Castro Alves, o bonde de n\u00famero 14 do Rio Vermelho de Cima, que descia pela Avenida Sete, passava pelo Campo Grande, no Garcia no Primeiro Arco, seguia depois pela rua Garibaldi passando pelo Segundo Arco. A partir da\u00ed o caminho se tornava t\u00e3o estreito e arborizado que os dois lados do ve\u00edculo eram fustigados na passagem pelos galhos das \u00e1rvores. Uma vez ultrapassado o Jardim Bot\u00e2nico, n\u00e3o demorava chegar \u00e0 igreja de Santana, no Rio Vermelho, e na praia da Mariquita. Alguns vag\u00f5es continuavam at\u00e9 Amaralina, contornando a F\u00e1brica de Papel\u00e3o e o Quartel de Amaralina. Da\u00ed em diante n\u00e3o havia mais estradas na dire\u00e7\u00e3o de Itapu\u00e3, mas somente a praia de areia branca, coberta em algumas partes de um tapete de salsa de praia, planta rasteira de uso corrente na medicina popular e na liturgia do Candombl\u00e9.\u201d Nesse texto, encontramos pela primeira vez, para n\u00f3s pelo menos, uma refer\u00eancia escrita sobre a exist\u00eancia dessa F\u00e1brica de Papel\u00e3o, localizada no bairro do Rio Vermelho. Ele integra as belas p\u00e1ginas de \u201cRetratos da Bahia\u201d, escrito por Verger, que descreve e mostra-nos um peda\u00e7o dessa nossa terra nas d\u00e9cadas de 1940\/1950, numa preciosa publica\u00e7\u00e3o de 2002 da editora baiana Corrupio. Essa edifica\u00e7\u00e3o, incrustada no bairro mais bo\u00eamio da cidade, tem uma pequena hist\u00f3ria e quero, portanto, fazer um breve retorno \u00e0queles tempos do Movimento da F\u00e1brica. Mas antes, permita-me adiantar-lhes o final. N\u00e3o \u00e9 um mero spoiller, \u00e9 apenas para que, sabendo do final, o leitor possa (re)viver esse recente passado com uma certa dose de inspira\u00e7\u00e3o para redobrar as lutas nesse dif\u00edcil presente. Quer\u00edamos, l\u00e1 pelos anos 1980, que aquela velha f\u00e1brica fosse transformada em um centro cultural. Nascia assim o Movimento da F\u00e1brica, nome carinhoso que nos foi dado pela cidade para o que denominamos de \u201cUma proposta de interven\u00e7\u00e3o no Rio Vermelho: assuma a f\u00e1brica\u201d. O fim da hist\u00f3ria? Ap\u00f3s quase dois anos de luta, a velha f\u00e1brica foi derrubada. Em seu lugar, vimos nascer um posto de gasolina e uma lanchonete americana (gostaram do lanchonete americana?!). Mas vamos \u00e0 hist\u00f3ria desde o come\u00e7o. Antes, preciso dizer que esse texto dialoga com o manifesto que elaboramos em 1984. Todas as aspas, portanto, s\u00e3o daquele nosso documento escrito a muitas m\u00e3os e amizades fraternas. O in\u00edcio Tudo come\u00e7a ali pelos anos 1983\/1984, quando moradores e admiradores do bairro do Rio Vermelho, preocupados com o destinado dessa f\u00e1brica abandonada, deram in\u00edcio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do que ficou conhecido como Movimento da F\u00e1brica. O que quer\u00edamos \u2013 e ainda queremos \u2013 \u00e9 mais um espa\u00e7o cultural para a cidade. \u00c9 verdade que estamos ganhando, pelo menos virtualmente, a Casa Rosa, rec\u00e9m-inaugurada com atividades online, mas j\u00e1 perdemos o teatro Maria Beth\u00e2nia, o Cine Rio Vermelho, a Literarte, entre tantos outros espa\u00e7os para o lazer e cultura. O Movimento da F\u00e1brica foi uma mobiliza\u00e7\u00e3o que mexeu com a cidade. Uma a\u00e7\u00e3o ativista \u2013 nem us\u00e1vamos essa palavra \u00e0 \u00e9poca &#8211; de moradores em defesa de um centro cultural no bairro, uma a\u00e7\u00e3o na qual estive envolvido de corpo, alma e tes\u00e3o, junto com os queridos\/as Nild\u00e3o, Renatinho da Silveira, Carlinha, Get\u00falio, Eunice, Carla Leite, Nanna, Noca, Itamar Kalil, Carlos Sarno, Roland Paiva, Fritz, Juca Ferreira, e muito, muito mais gente. Foram quase dois anos de muita mobiliza\u00e7\u00e3o, e, mais do que tudo, muita festa e alegria. Produzimos, ent\u00e3o, \u201cUma proposta de interven\u00e7\u00e3o no Rio Vermelho: assuma a f\u00e1brica\u201d, um verdadeiro manifesto po\u00e9tico-pol\u00edtico: \u201cO momento atual \u00e9 de reflex\u00e3o para todos os cidad\u00e3os que tenham o m\u00ednimo de consci\u00eancia e de compromisso com a nossa cultura. A F\u00e1brica de Papel do Rio Vermelho \u00e9 mais um monumento hist\u00f3rico na al\u00e7a de mira do desenvolvimento inexor\u00e1vel. Propomos uma a\u00e7\u00e3o que contagie, que some todos os segmentos sociais &#8211; da sociedade civil ao Estado &#8211; para que juntos encontremos solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis para preserva\u00e7\u00e3o da F\u00e1brica de Papel e sua transforma\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o cultural \u00e0 servi\u00e7o da comunidade.\u201d Al\u00e9m de textos, abaixo-assinados e manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, quer\u00edamos que algo maior estivesse presente naquela articula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia internet, nem celular. Mas a ideia presente no esp\u00edrito dos que ali j\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5264","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5264"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5264"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5432,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5264\/revisions\/5432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}