{"id":5212,"date":"2020-05-23T09:12:17","date_gmt":"2020-05-23T12:12:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=5212"},"modified":"2020-05-23T09:12:17","modified_gmt":"2020-05-23T12:12:17","slug":"liberem-seus-wifi-artigo-no-correio-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2020\/05\/23\/liberem-seus-wifi-artigo-no-correio-de-hoje\/","title":{"rendered":"Liberem seus wifi! artigo no Correio de hoje"},"content":{"rendered":"<p style=\"color: #000000\"><b>Educa\u00e7\u00e3o e solidariedade (tecnol\u00f3gica): liberem seu wifi.<\/b><\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Nelson Pretto \u2013 professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. <a href=\"mailto:nelson@pretto.pro.br\">nelson@pretto.pro.br<\/a> \u2013 www.pretto.info.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Correio, 23\/05\/2020<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Ao longo dos \u00faltimos 25 anos, nosso grupo de pesquisa Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Tecnologias (GEC) da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA vem estudando as rela\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o com as culturas, a comunica\u00e7\u00e3o e as tecnologias, especialmente as digitais. Assumimos um olhar ampliado para outras \u00e1reas do conhecimento que, para muitos, nada teriam a ver com a educa\u00e7\u00e3o, mas que, para n\u00f3s, \u00e9 fundamental. Estamos a nos referir \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas articuladas e articuladoras de \u00e1reas como telecomunica\u00e7\u00f5es, ci\u00eancia e tecnologia, ind\u00fastria e com\u00e9rcio, sa\u00fade, ambiente, entre outras. De forma insistente, desde muito temos denominado as atuais pol\u00edticas p\u00fablicas de esquizofr\u00eanicas, pois n\u00e3o h\u00e1 dialogo entre elas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Nossas pesquisas e debates t\u00eam nos mostrado, muito antes da pandemia, que \u00e9 poss\u00edvel construirmos outras educa\u00e7\u00f5es, sempre nessa perspectiva plural. Agora, somos chamados, n\u00f3s os educadores e educadoras, a dar conta do desafio de promover a educa\u00e7\u00e3o no confinamento. Referem-se a uma nova normalidade, nova educa\u00e7\u00e3o, nova-quase-tudo, na expectativa de que tudo ser\u00e1 diferente. No entanto, n\u00e3o compartilhamos dessa abordagem, pois, efetivamente, n\u00e3o havia nada de normalidade em nosso passado. O pa\u00eds vive profunda desigualdade, com enorme viol\u00eancia social, econ\u00f4mica, racial e institucional que n\u00e3o nos possibilita falar em normalidade. Nossos desafios j\u00e1 eram enormes, agora est\u00e3o amplificados.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Precisamos, portanto, do esfor\u00e7o de todos para o enfrentamento desse dif\u00edcil momento e, mais do que tudo, essa precisa ser a grande oportunidade para que a sociedade brasileira se repense.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">O fato concreto \u00e9 que o pa\u00eds n\u00e3o fez o que deveria ter sido feito ao longo do tempo e agora \u00e9 a hora de avaliarmos o que n\u00e3o fizemos e aproveitarmos esse presente desafiador para pensar o futuro.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Nas \u00faltimas semanas, de forma coletiva, produzimos o documento \u201cEduca\u00e7\u00e3o em tempos de pandemia &#8211; reflex\u00f5es sobre as implica\u00e7\u00f5es do isolamento f\u00edsico imposto pela COVID-19\u201d (dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.gec.faced.ufba.br\/\">www.gec.faced.ufba.br<\/a>), no qual refletimos sobre essas lacunas e apontamos elementos para poss\u00edveis pol\u00edticas p\u00fablicas que contribuiriam para a supera\u00e7\u00e3o dessas aus\u00eancias que, agora, agravam a possibilidade de supera\u00e7\u00e3o dos desafios educacionais de hoje e de amanh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Um dos principais obst\u00e1culos est\u00e1 relacionado \u00e0 chamada inclus\u00e3o digital dos cidad\u00e3os. N\u00e3o temos acesso m\u00ednimo \u00e0 internet para boa parte da popula\u00e7\u00e3o. Podemos pensar em educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia\/remota com essa realidade? \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o. Como tamb\u00e9m n\u00e3o dever\u00edamos, sequer, anunciar abertura de inscri\u00e7\u00e3o para o ENEM que, por si s\u00f3, j\u00e1 desestabiliza aqueles que est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">As exig\u00eancias agora devem ser: buscar formas para um maior acolhimento de alunos, fam\u00edlias e professores, n\u00e3o contabilizar os dias letivos nesse per\u00edodo e, principalmente, montar uma rede de solidariedade para enfrentarmos juntos esse momento. Em paralelo, com o envolvimento de todos, desenhar elementos para a educa\u00e7\u00e3o no p\u00f3s pandemia. Esse \u00e9 um debate que n\u00e3o pode ficar restrito \u00e0s autoridades educacionais, precisa ocupar todos os espa\u00e7os da sociedade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer a cidadania e reorganizar os movimentos sociais para que possamos ter acesso a todos os recursos desenvolvidos historicamente pela humanidade e, ao mesmo tempo, ampliar as redes de solidariedade que podem\/devem se dar de diversas maneiras, como j\u00e1 temos verificado nos movimentos de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, produ\u00e7\u00e3o coletiva de EPIs, entre tantos outros.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Al\u00e9m disso, por que n\u00e3o pensar em uma solidariedade tecnol\u00f3gica? Poder\u00edamos contribuir com os mais vulner\u00e1veis que n\u00e3o t\u00eam acesso pleno \u00e0 internet com um gesto simples: liberando o acesso de nossas redes sem fio domiciliares e empresarias. Quantas empresas est\u00e3o com suas redes sem uso por conta do trabalho remoto e que poderiam abri-las para a popula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">Simples gesto que possibilitaria aumentar ainda mais as redes de solidariedade e acolhimento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000\">\n<p style=\"color: #000000\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2020\/05\/2020_05_23CorreioArtigoLiberemsuasWifi.pdf\">link para o pdf da p\u00e1gina, aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o e solidariedade (tecnol\u00f3gica): liberem seu wifi. Nelson Pretto \u2013 professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. nelson@pretto.pro.br \u2013 www.pretto.info. 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Nossas pesquisas e debates t\u00eam nos mostrado, muito antes da pandemia, que \u00e9 poss\u00edvel construirmos outras educa\u00e7\u00f5es, sempre nessa perspectiva plural. Agora, somos chamados, n\u00f3s os educadores e educadoras, a dar conta do desafio de promover a educa\u00e7\u00e3o no confinamento. Referem-se a uma nova normalidade, nova educa\u00e7\u00e3o, nova-quase-tudo, na expectativa de que tudo ser\u00e1 diferente. No entanto, n\u00e3o compartilhamos dessa abordagem, pois, efetivamente, n\u00e3o havia nada de normalidade em nosso passado. O pa\u00eds vive profunda desigualdade, com enorme viol\u00eancia social, econ\u00f4mica, racial e institucional que n\u00e3o nos possibilita falar em normalidade. Nossos desafios j\u00e1 eram enormes, agora est\u00e3o amplificados. Precisamos, portanto, do esfor\u00e7o de todos para o enfrentamento desse dif\u00edcil momento e, mais do que tudo, essa precisa ser a grande oportunidade para que a sociedade brasileira se repense. O fato concreto \u00e9 que o pa\u00eds n\u00e3o fez o que deveria ter sido feito ao longo do tempo e agora \u00e9 a hora de avaliarmos o que n\u00e3o fizemos e aproveitarmos esse presente desafiador para pensar o futuro. Nas \u00faltimas semanas, de forma coletiva, produzimos o documento \u201cEduca\u00e7\u00e3o em tempos de pandemia &#8211; reflex\u00f5es sobre as implica\u00e7\u00f5es do isolamento f\u00edsico imposto pela COVID-19\u201d (dispon\u00edvel em www.gec.faced.ufba.br), no qual refletimos sobre essas lacunas e apontamos elementos para poss\u00edveis pol\u00edticas p\u00fablicas que contribuiriam para a supera\u00e7\u00e3o dessas aus\u00eancias que, agora, agravam a possibilidade de supera\u00e7\u00e3o dos desafios educacionais de hoje e de amanh\u00e3. Um dos principais obst\u00e1culos est\u00e1 relacionado \u00e0 chamada inclus\u00e3o digital dos cidad\u00e3os. N\u00e3o temos acesso m\u00ednimo \u00e0 internet para boa parte da popula\u00e7\u00e3o. Podemos pensar em educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia\/remota com essa realidade? \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o. Como tamb\u00e9m n\u00e3o dever\u00edamos, sequer, anunciar abertura de inscri\u00e7\u00e3o para o ENEM que, por si s\u00f3, j\u00e1 desestabiliza aqueles que est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. As exig\u00eancias agora devem ser: buscar formas para um maior acolhimento de alunos, fam\u00edlias e professores, n\u00e3o contabilizar os dias letivos nesse per\u00edodo e, principalmente, montar uma rede de solidariedade para enfrentarmos juntos esse momento. Em paralelo, com o envolvimento de todos, desenhar elementos para a educa\u00e7\u00e3o no p\u00f3s pandemia. Esse \u00e9 um debate que n\u00e3o pode ficar restrito \u00e0s autoridades educacionais, precisa ocupar todos os espa\u00e7os da sociedade. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer a cidadania e reorganizar os movimentos sociais para que possamos ter acesso a todos os recursos desenvolvidos historicamente pela humanidade e, ao mesmo tempo, ampliar as redes de solidariedade que podem\/devem se dar de diversas maneiras, como j\u00e1 temos verificado nos movimentos de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, produ\u00e7\u00e3o coletiva de EPIs, entre tantos outros. Al\u00e9m disso, por que n\u00e3o pensar em uma solidariedade tecnol\u00f3gica? Poder\u00edamos contribuir com os mais vulner\u00e1veis que n\u00e3o t\u00eam acesso pleno \u00e0 internet com um gesto simples: liberando o acesso de nossas redes sem fio domiciliares e empresarias. Quantas empresas est\u00e3o com suas redes sem uso por conta do trabalho remoto e que poderiam abri-las para a popula\u00e7\u00e3o? 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