{"id":5205,"date":"2020-02-04T11:12:11","date_gmt":"2020-02-04T14:12:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=5205"},"modified":"2020-02-04T11:12:11","modified_gmt":"2020-02-04T14:12:11","slug":"artigo-na-forum-avanca-universidade-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2020\/02\/04\/artigo-na-forum-avanca-universidade-publica\/","title":{"rendered":"Artigo na F\u00f3rum: Avan\u00e7a universidade p\u00fablica!"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"color: #4d4d4d\">Avan\u00e7a universidade p\u00fablica!<\/h1>\n<p>Nelson Pretto, professor titular da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia. Membro titular da Academia de Ci\u00eancias da Bahia. Doutor em Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ano de 2019 foi marcado por virulentos e desqualificados ataques ao sistema p\u00fablico de ensino superior brasileiro. Isso entre tantas outras atrocidades cometidas pelo governo federal contra a \u00e9tica, a democracia, a ci\u00eancia, os povos ind\u00edgenas e a l\u00edngua <i>mater<\/i>, s\u00f3 para citar algumas. Universidades e Institutos Federais foram desacreditados, amea\u00e7ados de bloqueios e cortes, acusados sem provas em in\u00fameros epis\u00f3dios por um recalcado ministro, med\u00edocre professor universit\u00e1rio e absolutamente despreparado para o cargo. Tudo prontamente recha\u00e7ado e respondido \u00e0 altura por sociedades cient\u00edficas, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es, reitores e muitos pesquisadores(as).<\/p>\n<p>No entanto, creio ser necess\u00e1rio avan\u00e7ar mais, para al\u00e9m dos rebates realizados. Fomos apenas reativos e, de certa forma, ca\u00edmos em armadilhas. Evidente que em um primeiro momento ter\u00edamos que reagir, mas isso n\u00e3o \u00e9 e nem foi suficiente. A sociedade precisa compreender o nosso papel, e a universidade \u00e9, por sua pr\u00f3pria natureza, uma institui\u00e7\u00e3o que tem como uma das suas principais tarefas a de incomodar. Provocar o estabelecido, desconfiar de tudo e de todos os conceitos, discursos e vis\u00f5es de mundo. Por isso, muitos dos nossos artigos, meus e de muitos colegas, no Brasil e fora dele, tiveram como t\u00edtulo: Universidade acomodada, morre!<br \/>\nVejamos alguns poucos exemplos das nossas rea\u00e7\u00f5es quase t\u00edmidas.<br \/>\nAo sermos acusados de sermos pouco produtivos, sa\u00edmos imediatamente em defesa da nossa performance nesse campo, e assim mordemos a isca. Entramos no jogo do produtivismo como se a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e cient\u00edfica pudesse ser medida prioritariamente por m\u00e9tricas quantitativas. E passamos a dizer em alto e bom som: \u201csomos os melhores da Am\u00e9rica Latina\u201d, \u201csomos a melhor do Norte e Nordeste\u201d, \u201cestamos em tal posi\u00e7\u00e3o no ranking de publica\u00e7\u00f5es internacionais\u201d, e, assim, fomos apresentando n\u00fameros de avan\u00e7os e descobertas na \u00e1rea da sa\u00fade ou de alguns n\u00fameros de patentes nas chamadas \u00e1reas duras (engenharias, computa\u00e7\u00e3o, entre outras), e assim respondemos a cada acusa\u00e7\u00e3o dentro da mesma l\u00f3gica: a universidade tem que ser produtiva e o que importa s\u00e3o \u00e1reas que apresentem resultados imediatos. Ledo engano. Essa ci\u00eancia \u00e9 aquela feita naquilo que Tomas Khun denomina de &#8220;per\u00edodo da normalidade&#8221;. Os conhecimentos s\u00e3o apenas incrementais, o novo surgir\u00e1 mais adiante, quando ent\u00e3o, segundo Khun, teremos a quebra de paradigmas. Mas isso s\u00f3 acontecer\u00e1 se tivermos, durante a tal normalidade, a coragem de desafiar, de sermos disruptivos.<br \/>\nE aqui podemos trazer um outro exemplo, relativo ao epis\u00f3dio da irrespons\u00e1vel acusa\u00e7\u00e3o do Ministro da Educa\u00e7\u00e3o acerca da exist\u00eancia de planta\u00e7\u00f5es de maconha nas Universidades. Nossa resposta inicial, capitaneada pela ANDIFES, foi interpel\u00e1-lo para que apontasse onde est\u00e3o as tais planta\u00e7\u00f5es. Correto, mas s\u00f3 parcialmente. Isso porque mais do que interpelar e investigar a exist\u00eancia da suposta planta\u00e7\u00e3o extensiva de maconha, precisamos defender que a universidade possa, sim, ter planta\u00e7\u00f5es para suas pesquisas sobre o uso medicinal da Cannabis. E, mais ainda, por que n\u00e3o adentrar tamb\u00e9m no importante debate em defesa da sua n\u00e3o criminaliza\u00e7\u00e3o, incluindo o tema do seu uso recreativo? Temos, entre tantas outras pesquisas aquelas lideradas pela equipe do professor Sidarta Ribeiro, no Instituto do C\u00e9rebro na UFRN, refer\u00eancia internacional sobre o tema.<br \/>\nDestaquei apenas dois exemplos de nossas rea\u00e7\u00f5es aos ataques, mas um sem n\u00famero de outros poderiam ser trazidos para o debate.<\/p>\n<p>Ci\u00eancia se faz sem preconceitos e com a coragem de tocar em temas absolutamente espinhosos para a sociedade. \u00c9 para isso que existimos e somos pagos por todos os cidad\u00e3os. Portanto, defender a ci\u00eancia \u00e9 defender verbas, autonomia, inclusive para que temas dif\u00edceis para a sociedade possam ser tratados profundamente, enquanto pesquisa cient\u00edfica, forma\u00e7\u00e3o de profissionais cidad\u00e3os e forte atua\u00e7\u00e3o na sociedade por meio da extens\u00e3o universit\u00e1ria .<br \/>\nEssa \u00e9 a universidade p\u00fablica que defendemos e defenderemos em 2020 e para muito mais al\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Link direto para a revista:\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/debates\/avanca-universidade-publica-por-nelson-pretto\/\">https:\/\/revistaforum.com.br\/debates\/avanca-universidade-publica-por-nelson-pretto\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avan\u00e7a universidade p\u00fablica! Nelson Pretto, professor titular da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia. Membro titular da Academia de Ci\u00eancias da Bahia. Doutor em Comunica\u00e7\u00e3o. O ano de 2019 foi marcado por virulentos e desqualificados ataques ao sistema p\u00fablico de ensino superior brasileiro. Isso entre tantas outras atrocidades cometidas pelo governo federal contra a \u00e9tica, a democracia, a ci\u00eancia, os povos ind\u00edgenas e a l\u00edngua mater, s\u00f3 para citar algumas. Universidades e Institutos Federais foram desacreditados, amea\u00e7ados de bloqueios e cortes, acusados sem provas em in\u00fameros epis\u00f3dios por um recalcado ministro, med\u00edocre professor universit\u00e1rio e absolutamente despreparado para o cargo. Tudo prontamente recha\u00e7ado e respondido \u00e0 altura por sociedades cient\u00edficas, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es, reitores e muitos pesquisadores(as). No entanto, creio ser necess\u00e1rio avan\u00e7ar mais, para al\u00e9m dos rebates realizados. Fomos apenas reativos e, de certa forma, ca\u00edmos em armadilhas. Evidente que em um primeiro momento ter\u00edamos que reagir, mas isso n\u00e3o \u00e9 e nem foi suficiente. A sociedade precisa compreender o nosso papel, e a universidade \u00e9, por sua pr\u00f3pria natureza, uma institui\u00e7\u00e3o que tem como uma das suas principais tarefas a de incomodar. Provocar o estabelecido, desconfiar de tudo e de todos os conceitos, discursos e vis\u00f5es de mundo. Por isso, muitos dos nossos artigos, meus e de muitos colegas, no Brasil e fora dele, tiveram como t\u00edtulo: Universidade acomodada, morre! Vejamos alguns poucos exemplos das nossas rea\u00e7\u00f5es quase t\u00edmidas. Ao sermos acusados de sermos pouco produtivos, sa\u00edmos imediatamente em defesa da nossa performance nesse campo, e assim mordemos a isca. Entramos no jogo do produtivismo como se a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e cient\u00edfica pudesse ser medida prioritariamente por m\u00e9tricas quantitativas. E passamos a dizer em alto e bom som: \u201csomos os melhores da Am\u00e9rica Latina\u201d, \u201csomos a melhor do Norte e Nordeste\u201d, \u201cestamos em tal posi\u00e7\u00e3o no ranking de publica\u00e7\u00f5es internacionais\u201d, e, assim, fomos apresentando n\u00fameros de avan\u00e7os e descobertas na \u00e1rea da sa\u00fade ou de alguns n\u00fameros de patentes nas chamadas \u00e1reas duras (engenharias, computa\u00e7\u00e3o, entre outras), e assim respondemos a cada acusa\u00e7\u00e3o dentro da mesma l\u00f3gica: a universidade tem que ser produtiva e o que importa s\u00e3o \u00e1reas que apresentem resultados imediatos. Ledo engano. Essa ci\u00eancia \u00e9 aquela feita naquilo que Tomas Khun denomina de &#8220;per\u00edodo da normalidade&#8221;. Os conhecimentos s\u00e3o apenas incrementais, o novo surgir\u00e1 mais adiante, quando ent\u00e3o, segundo Khun, teremos a quebra de paradigmas. Mas isso s\u00f3 acontecer\u00e1 se tivermos, durante a tal normalidade, a coragem de desafiar, de sermos disruptivos. E aqui podemos trazer um outro exemplo, relativo ao epis\u00f3dio da irrespons\u00e1vel acusa\u00e7\u00e3o do Ministro da Educa\u00e7\u00e3o acerca da exist\u00eancia de planta\u00e7\u00f5es de maconha nas Universidades. Nossa resposta inicial, capitaneada pela ANDIFES, foi interpel\u00e1-lo para que apontasse onde est\u00e3o as tais planta\u00e7\u00f5es. Correto, mas s\u00f3 parcialmente. Isso porque mais do que interpelar e investigar a exist\u00eancia da suposta planta\u00e7\u00e3o extensiva de maconha, precisamos defender que a universidade possa, sim, ter planta\u00e7\u00f5es para suas pesquisas sobre o uso medicinal da Cannabis. E, mais ainda, por que n\u00e3o adentrar tamb\u00e9m no importante debate em defesa da sua n\u00e3o criminaliza\u00e7\u00e3o, incluindo o tema do seu uso recreativo? Temos, entre tantas outras pesquisas aquelas lideradas pela equipe do professor Sidarta Ribeiro, no Instituto do C\u00e9rebro na UFRN, refer\u00eancia internacional sobre o tema. Destaquei apenas dois exemplos de nossas rea\u00e7\u00f5es aos ataques, mas um sem n\u00famero de outros poderiam ser trazidos para o debate. Ci\u00eancia se faz sem preconceitos e com a coragem de tocar em temas absolutamente espinhosos para a sociedade. \u00c9 para isso que existimos e somos pagos por todos os cidad\u00e3os. Portanto, defender a ci\u00eancia \u00e9 defender verbas, autonomia, inclusive para que temas dif\u00edceis para a sociedade possam ser tratados profundamente, enquanto pesquisa cient\u00edfica, forma\u00e7\u00e3o de profissionais cidad\u00e3os e forte atua\u00e7\u00e3o na sociedade por meio da extens\u00e3o universit\u00e1ria . Essa \u00e9 a universidade p\u00fablica que defendemos e defenderemos em 2020 e para muito mais al\u00e9m. &nbsp; &nbsp; &nbsp; Link direto para a revista:\u00a0https:\/\/revistaforum.com.br\/debates\/avanca-universidade-publica-por-nelson-pretto\/<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[19,1],"tags":[],"class_list":["post-5205","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-divulgacao","category-sem-categoria","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5205"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5205\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}