{"id":5001,"date":"2018-09-09T23:07:26","date_gmt":"2018-09-10T02:07:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=5001"},"modified":"2018-09-09T23:07:26","modified_gmt":"2018-09-10T02:07:26","slug":"artigo-em-a-tarde-em-cinzas-mais-um-pouco-da-nossa-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2018\/09\/09\/artigo-em-a-tarde-em-cinzas-mais-um-pouco-da-nossa-historia\/","title":{"rendered":"Artigo em A Tarde: Em cinzas mais um pouco da nossa hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><b>Em cinzas mais um pouco da nossa hist\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p>Nelson Pretto. Professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. Conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancias (SBPC). <a href=\"mailto:nelson@pretto.pro.br\">nelson@pretto.pro.br<\/a><\/p>\n<p>Acabamos de perder 200 anos de hist\u00f3ria, abrigada em mais de 20 milh\u00f5es de itens do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, que ardeu em chamas na noite \u00faltimo domingo. Mais uma trag\u00e9dia, como sempre anunciada.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, pelo menos oito grande cat\u00e1strofes destru\u00edram nossos significativos patrim\u00f4nios culturais, alimentados pela inefici\u00eancia e irresponsabilidade do poder p\u00fablico. S\u00e3o de recente mem\u00f3ria as labaredas que consumiram o Memorial da Am\u00e9rica Latina, a Cinemateca Brasileira e o Museu da L\u00edngua Portuguesa, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O Museu Nacional foi fundado em 6 de junho de 1818 por D Jo\u00e3o VI, no mesmo ano que, aqui em Salvador, instalava a Escola de Cirurgia da Bahia, no antigo Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas, de 1553.<\/p>\n<p>Arde no peito ver aquele fogar\u00e9u se alastrar pelo Museu Nacional, queimando totalmente o magn\u00edfico pr\u00e9dio principal, transformando preciosidades hist\u00f3ricas em cinzas. Assistimos, perplexos, a manifesta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel do descaso de nossas pol\u00edticas p\u00fablicas que insistem em considerar que os recursos destinados \u00e0 cultura, educa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia s\u00e3o gastos e, n\u00e3o, investimentos.<\/p>\n<p>A SBPC est\u00e1, desde os primeiros momentos da trag\u00e9dia, acompanhando os colegas pesquisadores do Museu Nacional e, por eles, sabemos das perdas, que foram de grande monta, principalmente nas cole\u00e7\u00f5es situadas no pr\u00e9dio principal.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o temos noticia precisa sobre o estado do cr\u00e2nio de Luzia, o mais antigo registro de um ser humano nas Am\u00e9ricas, encontrado em Lagoa Santa (MG). Estima-se que essa pe\u00e7a tenha mais de 11 mil anos. Resistiu ao tempo mas, ter\u00e1 resistido \u00e0 tanta irresponsabilidade?<\/p>\n<p>Sabemos que ainda est\u00e1 por l\u00e1, no meio dos escombros, a enorme pedra de 5 toneladas, o Bendeng\u00f3, meteorito que caiu no sert\u00e3o da Bahia, perto de Monte Santo. Ele foi achado em 1784, sendo transferido por ordem de D. Pedro II para o Museu Nacional em 1888.<\/p>\n<p>A sociedade brasileira est\u00e1 perplexa e, em tempos de campanhas eleitorais, certamente vamos ouvir muitos falarem sobre a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o de nossa mem\u00f3ria, que perdeu um significativo peda\u00e7o com este inc\u00eandio. O futuro pode ser muito pior se n\u00e3o for revogada a EC95, que congelou os gastos p\u00fablicos por 20 anos. Por isso cobramos dos(as) candidatos(as) manifesta\u00e7\u00f5es explicitas sobre a sua revoga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, no plano local, precisamos olhar para o nosso patrim\u00f4nio. Preocupa-me, sempre, a Faculdade de Medicina no Terreiro de Jesus, magn\u00edfico patrim\u00f4nio cultural com mais de cinco milh\u00f5es p\u00e1ginas de documentos na sua biblioteca, pinacoteca com mais de 200 retratos e um excepcional mobili\u00e1rio de \u00e9poca. Temos o tamb\u00e9m o Museu de Arte Sacra, com um significativo acervo e, tudo isso, requer muito cuidado e investimentos.<\/p>\n<p>Precisamos, em todos os tempos, preservar para conhecer o nosso passado, para que possamos viver o presente e construir o futuro.<\/p>\n<p>em A tarde de 04\/09\/2018, pag. A3. Clique\u00a0<a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2018\/09\/2018_09_04ATardeMuseuNacional.pdf\">aqui para o pdf<\/a> da p\u00e1gina do jornal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cinzas mais um pouco da nossa hist\u00f3ria Nelson Pretto. Professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. Conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancias (SBPC). nelson@pretto.pro.br Acabamos de perder 200 anos de hist\u00f3ria, abrigada em mais de 20 milh\u00f5es de itens do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, que ardeu em chamas na noite \u00faltimo domingo. Mais uma trag\u00e9dia, como sempre anunciada. Nos \u00faltimos dez anos, pelo menos oito grande cat\u00e1strofes destru\u00edram nossos significativos patrim\u00f4nios culturais, alimentados pela inefici\u00eancia e irresponsabilidade do poder p\u00fablico. S\u00e3o de recente mem\u00f3ria as labaredas que consumiram o Memorial da Am\u00e9rica Latina, a Cinemateca Brasileira e o Museu da L\u00edngua Portuguesa, em S\u00e3o Paulo. O Museu Nacional foi fundado em 6 de junho de 1818 por D Jo\u00e3o VI, no mesmo ano que, aqui em Salvador, instalava a Escola de Cirurgia da Bahia, no antigo Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas, de 1553. Arde no peito ver aquele fogar\u00e9u se alastrar pelo Museu Nacional, queimando totalmente o magn\u00edfico pr\u00e9dio principal, transformando preciosidades hist\u00f3ricas em cinzas. Assistimos, perplexos, a manifesta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel do descaso de nossas pol\u00edticas p\u00fablicas que insistem em considerar que os recursos destinados \u00e0 cultura, educa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia s\u00e3o gastos e, n\u00e3o, investimentos. A SBPC est\u00e1, desde os primeiros momentos da trag\u00e9dia, acompanhando os colegas pesquisadores do Museu Nacional e, por eles, sabemos das perdas, que foram de grande monta, principalmente nas cole\u00e7\u00f5es situadas no pr\u00e9dio principal. Ainda n\u00e3o temos noticia precisa sobre o estado do cr\u00e2nio de Luzia, o mais antigo registro de um ser humano nas Am\u00e9ricas, encontrado em Lagoa Santa (MG). Estima-se que essa pe\u00e7a tenha mais de 11 mil anos. Resistiu ao tempo mas, ter\u00e1 resistido \u00e0 tanta irresponsabilidade? Sabemos que ainda est\u00e1 por l\u00e1, no meio dos escombros, a enorme pedra de 5 toneladas, o Bendeng\u00f3, meteorito que caiu no sert\u00e3o da Bahia, perto de Monte Santo. Ele foi achado em 1784, sendo transferido por ordem de D. Pedro II para o Museu Nacional em 1888. A sociedade brasileira est\u00e1 perplexa e, em tempos de campanhas eleitorais, certamente vamos ouvir muitos falarem sobre a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o de nossa mem\u00f3ria, que perdeu um significativo peda\u00e7o com este inc\u00eandio. O futuro pode ser muito pior se n\u00e3o for revogada a EC95, que congelou os gastos p\u00fablicos por 20 anos. Por isso cobramos dos(as) candidatos(as) manifesta\u00e7\u00f5es explicitas sobre a sua revoga\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, no plano local, precisamos olhar para o nosso patrim\u00f4nio. 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