{"id":3485,"date":"2013-05-03T21:56:01","date_gmt":"2013-05-04T00:56:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=3485"},"modified":"2013-05-03T21:56:01","modified_gmt":"2013-05-04T00:56:01","slug":"vida-dura-de-professor-artigo-em-a-tarde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2013\/05\/03\/vida-dura-de-professor-artigo-em-a-tarde\/","title":{"rendered":"Vida (dura!) de professor, artigo em A Tarde"},"content":{"rendered":"<p>Artigo meu em A Tarde de hoje, dia 03.05.2013, pagina 02. Clique aqui para <a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2013\/05\/artigoNPretto_atarde_vidaduraprof.pdf\">para o pdf da p\u00e1gina do jornal<\/a>.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o de Cau Gomez, genial!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2013\/05\/ilustra_artigo_atarde03052013.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3486\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2013\/05\/ilustra_artigo_atarde03052013.png\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2013\/05\/ilustra_artigo_atarde03052013.png 401w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2013\/05\/ilustra_artigo_atarde03052013-300x284.png 300w\" sizes=\"(max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A labuta di\u00e1ria do professor foi sendo dificultada pelo excesso de demandas e cobran\u00e7as, intensificadas pelo modelo neoliberal que trouxe para a educa\u00e7\u00e3o palavras antes distantes do nosso campo como produtividade, produtivismo, <em>performace<\/em>, <em>ranking<\/em>, qualidade total, entre tantas outras. Mas n\u00f3s, professores, somos uns otimistas por natureza! Vivemos e trabalhamos com uma dedica\u00e7\u00e3o que nos faz confundir os momentos de lazer com os momentos de trabalho.<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">Com estas palavras iniciei a apresenta\u00e7\u00e3o do livro \u201cTrabalho docente e sa\u00fade: efeitos do modelo neoliberal\u201d, de Carlos Freitas (Editora da UEFS). A educa\u00e7\u00e3o ocupa cada vez mais as p\u00e1ginas dos jornais e a agenda dos pol\u00edticos, no entanto, parece-me importante explicitar que o trabalho do professor tem que ser compreendido para al\u00e9m da ideia de <em>miss\u00e3o<\/em>. Essa tem sido ideia constante no discurso de colegas que, compreendendo (ou apenas sentindo!) a dureza da profiss\u00e3o e, ao mesmo tempo, a sua import\u00e2ncia, a associam a uma dimens\u00e3o quase que espiritual, externa \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es profissionais, algo que n\u00e3o teria rela\u00e7\u00e3o com a necess\u00e1ria profissionaliza\u00e7\u00e3o do seu trabalho. Por isso, com muita frequ\u00eancia, surge a ideia de <em>miss\u00e3o<\/em> ou, muito pior e tamb\u00e9m bastante comum, a ideia do magist\u00e9rio como um <em>sacerd\u00f3cio<\/em>. Penso, ser necess\u00e1rio superar essa perspectiva do trabalho docente e compreender que nossas condi\u00e7\u00f5es trabalho pioram dia a dia, em todos o n\u00edveis e esferas.<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">O trabalho docente na rede particular foi precarizado, com rotinas intensificadas pelo formato de remunera\u00e7\u00e3o centrada na hora-aula e, obviamente, com a inseguran\u00e7a no emprego ao final de cada ano. Dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o a dos mestres, que precisam resgatar sua dimens\u00e3o intelectual enquanto lideran\u00e7as acad\u00eamicas e pol\u00edticas junto aos jovens, estes tamb\u00e9m fragilizados pela fragilidade dos la\u00e7os familiares, como bem afirmou Freitas. Mestres que, agora mais do que nunca, precisam estar antenados \u00e0s velozes transforma\u00e7\u00f5es do mundo contempor\u00e2neo, principalmente as tecnol\u00f3gicas, que trazem mais e novas demandas para o pr\u00f3prio trabalho docente. Mestres que, como n\u00f3s das universidades p\u00fablicas, vivemos um \u201ctrabalho intensificado\u201d, como muito bem apontaram Waldemar Sguissardi e Jo\u00e3o dos Reis Silva Junior (Editora Xam\u00e3).<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">Portanto, estamos todos nos mesmo barco. O barco neoliberal que transforma radicalmente o trabalho dos professores, j\u00e1 n\u00e3o fazendo mais tanta diferen\u00e7a se do setor privado ou p\u00fablico.<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">No caso das universidades p\u00fablicas, estamos assolados por editais, projetos, relat\u00f3rios e presta\u00e7\u00f5es de contas que nos afastam daquilo que \u00e9 o fundamental do <em>ser universidade<\/em>: pensar e estabelecer a cr\u00edtica. Passamos a atuar num correia de transmiss\u00e3o de pol\u00edticas gestadas externamente e que, literalmente, nos empurram para um fazer, fazer, fazer, sem o devido tempo para o pensar. Acrescente-se a isso as dificuldades burocr\u00e1ticas da legisla\u00e7\u00e3o que trata a pesquisa cient\u00edfica da mesma maneira que a constru\u00e7\u00e3o de pontes ou est\u00e1dios, estes, ali\u00e1s, j\u00e1 tratados de forma diferenciada!<\/p>\n<p lang=\"pt-PT\">No caso da rede privada, Freitas identifica na sua pesquisa a exist\u00eancia de um \u201cmal-estar docente\u201d a partir da constata\u00e7\u00e3o de que o pr\u00f3prio tema da sa\u00fade passou a fazer parte da agenda sindical dos professores. O que constatamos \u00e9 que, literalmente, os professores \u2013 em sua maioria comprometidos e lutadores &#8211; efetivamente \u201cd\u00e3o sangue\u201d no seu cotidiano e este \u201cdar sangue\u201d tamb\u00e9m pode ser entendido como uma met\u00e1fora para as condi\u00e7\u00f5es laborais com consequ\u00eancia para a sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 tema atual que demanda uma leitura atenta do momento hist\u00f3rico, exigindo de todos, especialmente dos mestres, um comprometimento acad\u00eamico, pol\u00edtico e sindical que lhes possibilitem engrossar o caldo ativista daqueles que, como eu, considera a educa\u00e7\u00e3o um importante espa\u00e7o para a forma\u00e7\u00e3o da cidadania e n\u00e3o apenas um local para consumo de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>S\u00e3o enormes os desafios, mas enorme \u00e9 tamb\u00e9m o potencial de mudan\u00e7a, desde que compreendamos a educa\u00e7\u00e3o como um direito e n\u00e3o apenas mais um servi\u00e7o a ser ofertado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nelson Pretto \u2013 professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia \u2013 nelson@pretto.info<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo meu em A Tarde de hoje, dia 03.05.2013, pagina 02. 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O barco neoliberal que transforma radicalmente o trabalho dos professores, j\u00e1 n\u00e3o fazendo mais tanta diferen\u00e7a se do setor privado ou p\u00fablico. No caso das universidades p\u00fablicas, estamos assolados por editais, projetos, relat\u00f3rios e presta\u00e7\u00f5es de contas que nos afastam daquilo que \u00e9 o fundamental do ser universidade: pensar e estabelecer a cr\u00edtica. Passamos a atuar num correia de transmiss\u00e3o de pol\u00edticas gestadas externamente e que, literalmente, nos empurram para um fazer, fazer, fazer, sem o devido tempo para o pensar. Acrescente-se a isso as dificuldades burocr\u00e1ticas da legisla\u00e7\u00e3o que trata a pesquisa cient\u00edfica da mesma maneira que a constru\u00e7\u00e3o de pontes ou est\u00e1dios, estes, ali\u00e1s, j\u00e1 tratados de forma diferenciada! No caso da rede privada, Freitas identifica na sua pesquisa a exist\u00eancia de um \u201cmal-estar docente\u201d a partir da constata\u00e7\u00e3o de que o pr\u00f3prio tema da sa\u00fade passou a fazer parte da agenda sindical dos professores. O que constatamos \u00e9 que, literalmente, os professores \u2013 em sua maioria comprometidos e lutadores &#8211; efetivamente \u201cd\u00e3o sangue\u201d no seu cotidiano e este \u201cdar sangue\u201d tamb\u00e9m pode ser entendido como uma met\u00e1fora para as condi\u00e7\u00f5es laborais com consequ\u00eancia para a sua sa\u00fade. Educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 tema atual que demanda uma leitura atenta do momento hist\u00f3rico, exigindo de todos, especialmente dos mestres, um comprometimento acad\u00eamico, pol\u00edtico e sindical que lhes possibilitem engrossar o caldo ativista daqueles que, como eu, considera a educa\u00e7\u00e3o um importante espa\u00e7o para a forma\u00e7\u00e3o da cidadania e n\u00e3o apenas um local para consumo de informa\u00e7\u00f5es. 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