{"id":3282,"date":"2013-01-28T17:28:13","date_gmt":"2013-01-28T20:28:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=3282"},"modified":"2013-01-28T17:28:13","modified_gmt":"2013-01-28T20:28:13","slug":"liberdade-na-web-junte-se-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2013\/01\/28\/liberdade-na-web-junte-se-nos\/","title":{"rendered":"Liberdade na web: junte-se n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>Inevit\u00e1vel retomar o tema do suic\u00eddio do jovem Aaron Swartz, de 26 anos. Nasceu escorpi\u00e3o em Chicago (Estados Unidos) em 1986 e, com 14 anos, falava de igual para igual com cientistas, acad\u00eamicos e hackers da computa\u00e7\u00e3o e da pol\u00edtica, de todos os cantos do planeta.<\/p>\n<p>Aaron desenvolveu um \u00fatil sistema para o mundo da informa\u00e7\u00e3o online que \u00e9 o RSS, uma esp\u00e9cie de dialeto que lhe permite juntar em uma \u00fanica p\u00e1gina web todas as not\u00edcias do seu interesse, sem demandar a procura nos seus locais originais.<br \/>\nCriou tamb\u00e9m o Reddit, outra ideia genial: um site para se postar noticias onde os usu\u00e1rios \u2013 n\u00f3s, os leitores &#8211; votamos naquelas que achamos mais importantes, montando, com isso o que seria a primeira p\u00e1gina de um jornal.<\/p>\n<p>Ele criou muitas outras coisas, mas, antes de tudo, era um ativista em defesa da livre circula\u00e7\u00e3o do conhecimento. Certo dia estava no pr\u00e9dio do MIT em Massachusstts (EUA) e, com seu notebook, baixou 4,8 milh\u00f5es de artigos acad\u00eamicos do site JSTOR (um agregador de editoras que vende revistas acad\u00eamicas; uma esp\u00e9cie de intermedi\u00e1rio dos intermedi\u00e1rios da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, as editoras. \u00c9 com essas empresas que a CAPES\/MEC negocia para manter o importante Portal de Peri\u00f3dicos, mas que custa aos cofres p\u00fablicos brasileiros cerca de 65 milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais).<\/p>\n<p>Pois Aaron, dizem, nem distribuiu os textos. Mesmo assim, foi processado e, se condenado, teria que pagar multa de um milh\u00e3o de d\u00f3lares e 35 anos de pris\u00e3o.<br \/>\nDepressivo que era, n\u00e3o aguentou a barra! Deu fim \u00e0 pr\u00f3pria vida para que n\u00f3s continu\u00e1ssemos ativos na luta pela liberdade de circula\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n<p>Desde a sua morte em 11 de janeiro passado, foram muitos os escritos sobre sua curta vida e sua radical atitude. Mais do que isso, tem sido oportunidade para se refletir sobre a necess\u00e1ria defesa das liberdades na web.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, representa mais uma chance para intensificarmos a press\u00e3o sobre os nossos Deputados Federais para que n\u00e3o continuem, no afogadilho, aprovando leis isoladas que tipificam crimes na internet, sem antes aprovar o seu Marco Civil, garantia dos direitos do cidad\u00e3o na web. Quando pautada, a vota\u00e7\u00e3o tem sido sistemicamente adiada em fun\u00e7\u00e3o de um poderoso lobby contr\u00e1rio a internet livre e em defesa dos interesses das grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2008, Arron Swartz lan\u00e7ou o Manifesto Guerrilha, um testamento em defesa da livre circula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o cientifica, exaustivamente citado nos \u00faltimos dias. Para ele, \u201cse somarmos muitos de n\u00f3s, n\u00e3o vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o do conhecimento \u2013 vamos transformar essa privatiza\u00e7\u00e3o em algo do passado.\u201d<\/p>\n<p>O Manifesto termina com a conclama\u00e7\u00e3o: \u201cvoc\u00ea vai se juntar a n\u00f3s?\u201d. Vamos, diremos em alto e bom som!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Publicado no Correio, de 28\/01\/2013. link para o jornal, <a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticias\/detalhes\/detalhes-1\/artigo\/nelson-pretto-liberdade-na-web-junte-se-nos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inevit\u00e1vel retomar o tema do suic\u00eddio do jovem Aaron Swartz, de 26 anos. Nasceu escorpi\u00e3o em Chicago (Estados Unidos) em 1986 e, com 14 anos, falava de igual para igual com cientistas, acad\u00eamicos e hackers da computa\u00e7\u00e3o e da pol\u00edtica, de todos os cantos do planeta. Aaron desenvolveu um \u00fatil sistema para o mundo da informa\u00e7\u00e3o online que \u00e9 o RSS, uma esp\u00e9cie de dialeto que lhe permite juntar em uma \u00fanica p\u00e1gina web todas as not\u00edcias do seu interesse, sem demandar a procura nos seus locais originais. Criou tamb\u00e9m o Reddit, outra ideia genial: um site para se postar noticias onde os usu\u00e1rios \u2013 n\u00f3s, os leitores &#8211; votamos naquelas que achamos mais importantes, montando, com isso o que seria a primeira p\u00e1gina de um jornal. Ele criou muitas outras coisas, mas, antes de tudo, era um ativista em defesa da livre circula\u00e7\u00e3o do conhecimento. Certo dia estava no pr\u00e9dio do MIT em Massachusstts (EUA) e, com seu notebook, baixou 4,8 milh\u00f5es de artigos acad\u00eamicos do site JSTOR (um agregador de editoras que vende revistas acad\u00eamicas; uma esp\u00e9cie de intermedi\u00e1rio dos intermedi\u00e1rios da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, as editoras. \u00c9 com essas empresas que a CAPES\/MEC negocia para manter o importante Portal de Peri\u00f3dicos, mas que custa aos cofres p\u00fablicos brasileiros cerca de 65 milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais). Pois Aaron, dizem, nem distribuiu os textos. Mesmo assim, foi processado e, se condenado, teria que pagar multa de um milh\u00e3o de d\u00f3lares e 35 anos de pris\u00e3o. Depressivo que era, n\u00e3o aguentou a barra! Deu fim \u00e0 pr\u00f3pria vida para que n\u00f3s continu\u00e1ssemos ativos na luta pela liberdade de circula\u00e7\u00e3o do conhecimento. Desde a sua morte em 11 de janeiro passado, foram muitos os escritos sobre sua curta vida e sua radical atitude. Mais do que isso, tem sido oportunidade para se refletir sobre a necess\u00e1ria defesa das liberdades na web. No caso brasileiro, representa mais uma chance para intensificarmos a press\u00e3o sobre os nossos Deputados Federais para que n\u00e3o continuem, no afogadilho, aprovando leis isoladas que tipificam crimes na internet, sem antes aprovar o seu Marco Civil, garantia dos direitos do cidad\u00e3o na web. Quando pautada, a vota\u00e7\u00e3o tem sido sistemicamente adiada em fun\u00e7\u00e3o de um poderoso lobby contr\u00e1rio a internet livre e em defesa dos interesses das grandes corpora\u00e7\u00f5es. Em 2008, Arron Swartz lan\u00e7ou o Manifesto Guerrilha, um testamento em defesa da livre circula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o cientifica, exaustivamente citado nos \u00faltimos dias. Para ele, \u201cse somarmos muitos de n\u00f3s, n\u00e3o vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o do conhecimento \u2013 vamos transformar essa privatiza\u00e7\u00e3o em algo do passado.\u201d O Manifesto termina com a conclama\u00e7\u00e3o: \u201cvoc\u00ea vai se juntar a n\u00f3s?\u201d. 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