{"id":3235,"date":"2012-11-18T23:20:52","date_gmt":"2012-11-19T02:20:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=3235"},"modified":"2012-11-18T23:20:52","modified_gmt":"2012-11-19T02:20:52","slug":"bogota-nao-e-aqui-pecado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2012\/11\/18\/bogota-nao-e-aqui-pecado\/","title":{"rendered":"Bogot\u00e1 n\u00e3o \u00e9 aqui! pecado!"},"content":{"rendered":"<p>Talvez voc\u00ea tenha visto a bela entrevista de Enrique Pe\u00f1alosa, ex prefeito de Bogot\u00e1, na Colombia.<\/p>\n<p>Achei maravilhosa e tudo a ver com o que venho discutindo em v\u00e1rios dos meus posts e artigos.<\/p>\n<p>Por coincid\u00eancia, acabo de passar pela avenida Vasco da Gama aqui em Salvador, numa obra intermin\u00e1vel, e o que vejo s\u00e3o as pistas do meio das atuais, que j\u00e1 est\u00e3o prontas, mas n\u00e3o entregues ao tr\u00e1fego de carros, lotadas de jovens em animados <em>b\u00e1bas<\/em>, que \u00e9 como chamamos aqui na <em>Bahia<\/em> uma pelada. (N\u00e3o resisto ao infame trocadilho, mas, quando as pistas forem entregues ao tr\u00e1fego, certamente muitos desses jovens cair\u00e3o no tr\u00e1fico, por absoluta falta de alternativa! Tr\u00e1gico!!!)<\/p>\n<p>De fato, como faltam espa\u00e7os para nosso jovens nessa pobre Bahia, a vida deles fica cada vez menor. O oposto do que se fez e faz em Bogota, e, me diz meu caro Paulo Ormindo, tamb\u00e9m em M\u00e9delin.<\/p>\n<p>Vamos \u00e0 entrevista que diz muito mais&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estad\u00e3o, Domingo, 18 de Novembro de 2012, 01h18<\/p>\n<div>\n<div>\n<h1>O urbanismo contra-ataca<\/h1>\n<h2>&#8216;Uma cidade se expressa, vibra, vive. E s\u00f3 \u00e9 feita com gente na rua&#8217;, diz ex-prefeito de Bogot\u00e1<\/h2>\n<div>\n<div>Felipe Caicedo\/Reuters<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/m.estadao.com.br\/imagens\/240\/fotos\/enrique_288_x_212_editado_3.jpg\" alt=\"O urbanismo contra-ataca\" width=\"240\" height=\"189\" \/><\/p>\n<div>Enrique Pe\u00f1alosa, ex-prefeito de Bogot\u00e1<\/div>\n<\/div>\n<p>Juliana SayuriNot\u00edcias de uma guerra &#8220;n\u00e3o declarada&#8221;: mais de 200 mortos, entre civis (com ou sem ficha criminal) e policiais militares desde o in\u00edcio de outubro. Mas nem adianta passar a r\u00e9gua, pois a conta n\u00e3o fecha a\u00ed. Na madrugada seguinte, mais um punhado de gente cai na vala comum das p\u00e1ginas da metr\u00f3pole e vira estat\u00edstica. De um lado, o &#8220;salve geral&#8221; disparado pelo Primeiro Comando da Capital em agosto. De outro, a tropa do governo. No fogo cruzado, a cidade.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil dizer que se trata de um confronto &#8220;velado&#8221; entre PM e PCC. Nessa semana, observadores da imprensa internacional miraram S\u00e3o Paulo como uma &#8220;cidade sangrenta&#8221;. Foram reportagens no Clar\u00edn, El Pa\u00eds, Le Monde, The Economist, The Guardian, The Wall Street Journal. At\u00e9 a Al Jazeera reportou a onda de viol\u00eancia paulistana, ao passo que The New York Times questionou a garantia de seguran\u00e7a no Brasil durante o mundial de 2014, um provocativo &#8220;imagine na Copa&#8230;&#8221; para gringo ler.<\/p>\n<p>&#8220;Mas seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 assunto de pol\u00edcia. Tem a ver com urbanismo, mobilidade e cultura&#8221;, critica Enrique Pe\u00f1alosa, economista e historiador colombiano formado pela Universidade Duke, na Carolina do Norte, e P.h.D. pela Universidade de Paris. Para Pe\u00f1alosa, para conter a viol\u00eancia urbana \u00e9 preciso articular intelig\u00eancia policial e interven\u00e7\u00f5es nos campos do planejamento urbano e projetos socioculturais.<\/p>\n<p>Prefeito de Bogot\u00e1 entre 1998 e 2011, o urbanista transformou a capital colombiana com a\u00e7\u00f5es focadas em mobilidade e sustentabilidade, reduzindo drasticamente o \u00edndice de homic\u00eddios na cidade, antes considerada uma das mais violentas da Am\u00e9rica Latina. J\u00e1 fez confer\u00eancias em universidades como USP, PUC-RJ, Princeton, London School of Economics, Harvard, Chicago e Col\u00fambia, e assessorou governos na \u00c1sia, \u00c1frica, Am\u00e9ricas e Europa com estrat\u00e9gias e pol\u00edticas urbanas. Neste ano, visitou S\u00e3o Paulo e Porto Alegre, onde participou do Fronteiras do Pensamento, em junho.<\/p>\n<p>&#8220;Uma cidade se expressa, vibra, vive. \u00c9 feita de gente na rua&#8221;, diz ao Ali\u00e1s. &#8220;O papel do Estado \u00e9 estar presente, em todos os cantos da cidade. Que n\u00e3o haja rinc\u00f5es que fiquem \u00e0 margem. Se o Estado n\u00e3o respeita a vida humana, por que os bandidos o fariam?&#8221;, questiona. &#8220;Devemos mostrar s\u00edmbolos de igualdade e de democracia. S\u00e3o bibliotecas, ciclovias, col\u00e9gios, parques, ruas iluminadas. E, principalmente, gente ocupando esses espa\u00e7os p\u00fablicos&#8221;, destaca. Seguindo as ideias de Enrique Pe\u00f1alosa, talvez falte mostrar, sem pieguice, que ainda existe amor em SP.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Paulo est\u00e1 vivendo uma onda de viol\u00eancia que obteve repercuss\u00e3o internacional. Que paralelo podemos tra\u00e7ar com Bogot\u00e1, que j\u00e1 foi considerada uma das cidades mais violentas da Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/p>\n<p>Posso comentar a experi\u00eancia de Bogot\u00e1, onde a seguran\u00e7a melhorou desde o fim da d\u00e9cada de 1990. Essa melhoria ocorreu na capital, antes de ocorrer no pa\u00eds como um todo. N\u00e3o foi consequ\u00eancia de uma mudan\u00e7a diretamente relacionada \u00e0s pol\u00edticas do presidente \u00c1lvaro Uribe, mas de uma s\u00e9rie de medidas do poder municipal. N\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmulas fechadas, mas posso propor teorias: \u00e9 a cidade. A chave \u00e9 a pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n<p><strong>Como assim?<\/strong><\/p>\n<p>A cidade se expressa, vibra, vive. E uma cidade s\u00f3 se faz com gente na rua. Mas, para isso, as pessoas precisam se sentir seguras nas ruas. Os cidad\u00e3os precisam sentir que h\u00e1 legitimidade &#8211; o que \u00e9 muito importante, mas altamente subjetivo. Explico: o Estado precisa ser considerado leg\u00edtimo pelos cidad\u00e3os. \u00c9 corrupto? \u00c9 \u00edntegro? Est\u00e1 dedicado a atender \u00e0s necessidades dos mais vulner\u00e1veis para construir, de alguma maneira, uma sociedade mais igualit\u00e1ria? Se h\u00e1 legitimidade, os cidad\u00e3os tendem a compreender e cumprir determinadas normas, reportar e pedir puni\u00e7\u00e3o aos que violam essas normas. Prefiro ilustrar essa hist\u00f3ria assim: h\u00e1 15 anos, dizia-se muito a express\u00e3o &#8220;c\u00f3jalo, c\u00f3jalo, su\u00e9ltelo, su\u00e9ltelo&#8221; em Bogot\u00e1. Exemplo: um ladr\u00e3o roubou a carteira de uma senhora. A\u00ed toda a gente gritava: c\u00f3jalo, c\u00f3jalo! Uma vez preso, por\u00e9m, muita gente come\u00e7ava a dizer: no, su\u00e9ltelo, su\u00e9ltelo! Deixe-o ir. Isto \u00e9, de alguma maneira, a sociedade sentia que a situa\u00e7\u00e3o era t\u00e3o injusta que a pol\u00edcia n\u00e3o tinha nem autoridade moral nem legitimidade para poder prender e castigar esses delinquentes. Mas a atitude mudou nestes \u00faltimos tempos. As pessoas precisam respeitar um governo, e n\u00e3o tem\u00ea-lo. Nesse sentido, o papel do Estado \u00e9 estar presente, em todos os cantos da cidade. Que n\u00e3o haja rinc\u00f5es que fiquem \u00e0 margem. Essa presen\u00e7a n\u00e3o se refere s\u00f3 \u00e0 pol\u00edcia, mas a projetos de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e demais servi\u00e7os sociais, atendendo a todas as tarefas que deve atender. Afinal, seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 assunto de pol\u00edcia.<\/p>\n<p><strong>Que outros campos est\u00e3o envolvidos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito mais. Tem a ver com urbanismo, mobilidade urbana e cultura. Ao construir uma biblioteca imensa e maravilhosa, queremos dizendo: o conhecimento \u00e9 mais importante que o dinheiro. \u00c9 complicado, por\u00e9m, ver um jovem numa moto, com joias, roupas e t\u00eanis caros, talvez vindos do tr\u00e1fico, entrando com uma gangue em um bairro. Que s\u00edmbolos s\u00e3o esses? Expressam valores dos narcotraficantes: voc\u00ea pode ostentar riqueza, independentemente da origem do dinheiro. Devemos mostrar outros valores. \u00c9 preciso ter conhecimento e cultura, como a arte e a m\u00fasica. Ent\u00e3o devemos ter bibliotecas lindas e col\u00e9gios espetaculares nos bairros mais pobres, para que aquelas crian\u00e7as saibam que elas importam &#8211; nas periferias, muitas crian\u00e7as nem sabem a identidade do pai, ent\u00e3o \u00e9 essencial que saibam que elas importam. Outro exemplo s\u00e3o os gin\u00e1sios esportivos. Em Bogot\u00e1, assim como em S\u00e3o Paulo, imagino, as crian\u00e7as gostam de futebol. Bogot\u00e1 e Londres t\u00eam 8 milh\u00f5es de habitantes. Mas os londrinos t\u00eam mais de 1.500 campos de futebol p\u00fablicos. N\u00f3s s\u00f3 temos 20. Vi que uma das a\u00e7\u00f5es mais eficazes para melhorar a seguran\u00e7a num bairro perif\u00e9rico \u00e9 um campo de futebol, comunit\u00e1rio e iluminado. Que pode fazer um jovem de 16 anos \u00e0s 8 horas da noite na periferia? \u00c9 preciso ter op\u00e7\u00f5es de lazer. \u00c9 preciso ter mais e melhores centros culturais e esportivos comunit\u00e1rios, ciclovias, parques arborizados, ruas iluminadas. Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso ter a pol\u00edcia. Sociedades ricas e avan\u00e7adas socialmente, como Fran\u00e7a e Su\u00ed\u00e7a, t\u00eam mais policiais por milh\u00e3o de habitantes que Bogot\u00e1 e S\u00e3o Paulo. Mas eles s\u00e3o bem treinados e bem pagos. Na Col\u00f4mbia e no Brasil tamb\u00e9m h\u00e1 muita impunidade para os delitos considerados &#8220;menores&#8221;. Isso porque n\u00e3o investimos em policiais, ju\u00edzes, pres\u00eddios e leis que se voltem para esses delitos &#8220;menores&#8221;. Essa sensa\u00e7\u00e3o de impunidade \u00e9 terreno f\u00e9rtil para o crime organizado.<\/p>\n<p><strong>Nessa linha, que medidas foram adotadas em Bogot\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Nas zonas mais marginais da cidade, constru\u00edmos bibliotecas, col\u00e9gios de luxo, jardins sociais, programas de nutri\u00e7\u00e3o, projetos de infraestrutura. Uma das principais ideias era levar escolas, t\u00e3o boas quanto os melhores col\u00e9gios particulares, para os cantos mais pobres da cidade. Quer\u00edamos mostrar respeito pela dignidade humana. Se o Estado n\u00e3o respeita a vida humana, por que os bandidos o fariam? \u00c9 uma quest\u00e3o de igualdade, o que \u00e9 muito diferente de simplesmente dar esmola aos mais pobres. Uma cidade precisa de s\u00edmbolos de igualdade e de democracia. Numa sociedade como a nossa, muitos cidad\u00e3os n\u00e3o t\u00eam carro, mas precisam se deslocar diariamente para trabalhar, por exemplo. Ent\u00e3o adotamos o TransMilenio, um sistema de \u00f4nibus inspirado no modelo de Curitiba, e constru\u00edmos centenas de quil\u00f4metros de ciclovias.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea? <\/strong><\/p>\n<p>Para dizer que um cidad\u00e3o numa bicicleta de US$ 30 \u00e9 t\u00e3o importante quanto um cidad\u00e3o num carro de US$ 30 mil. Outro exemplo: a duas quadras do pal\u00e1cio presidencial, t\u00ednhamos 23 hectares da pior degrada\u00e7\u00e3o humana poss\u00edvel e imagin\u00e1vel, um inferno de casas abandonadas por d\u00e9cadas e dominado pelo tr\u00e1fico de drogas, com os mais altos \u00edndices de homic\u00eddio do mundo. A cracol\u00e2ndia de S\u00e3o Paulo? \u00c9 um para\u00edso comparado ao que existia ali. N\u00e3o \u00e9 nem remotamente parecido. Desapropriamos essa \u00e1rea, demolimos mais de 600 constru\u00e7\u00f5es, iniciamos um megaprojeto de reabilita\u00e7\u00e3o. O inferno virou um imenso parque.<\/p>\n<p><strong>Mas Bogot\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma cidade ideal&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Fizemos muito, mas ainda falta muito, muito, muito. Ainda sobre seguran\u00e7a, o \u00edndice de homic\u00eddios \u00e9 de 17 para 100 mil habitantes. (Segundo o relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 2011, S\u00e3o Paulo tem 10 homic\u00eddios por 100 mil habitantes). Mas em capitais europeias, s\u00e3o 3 ou 4. Em cidades japonesas, talvez 1 ou 2. Em Bogot\u00e1, ainda h\u00e1 muitos delitos, como os assaltos, muitos \u00e0 m\u00e3o armada, que continuam com \u00edndices altos e se agravaram nos \u00faltimos tempos. Segundo as estat\u00edsticas, uma em quatro pessoas j\u00e1 foi v\u00edtima de um delito no \u00faltimo ano. H\u00e1 muitas gangues e muita viol\u00eancia entre os jovens. Mas a cidade est\u00e1 a\u00ed para ser ocupada. N\u00e3o d\u00e1 para viver com medo, sem sair de casa, dentro dos carros e dos shoppings. Infelizmente, os shoppings nas grandes cidades do mundo em desenvolvimento, inclusive Bogot\u00e1 e S\u00e3o Paulo, foram substituindo o espa\u00e7o p\u00fablico como lugar de encontro. Isso \u00e9 grav\u00edssimo, pois os espa\u00e7os p\u00fablicos acabam abandonados. Seguran\u00e7a tem a ver com o desenho urbano, com uma melhor integra\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico e o particular. O interesse p\u00fablico deve prevalecer sobre o particular, para mostrar que h\u00e1 democracia. Uma cidade deve se destinar especialmente aos mais vulner\u00e1veis &#8211; as crian\u00e7as, os velhos, os pobres &#8211; e n\u00e3o aos carros, aos privilegiados, aos ricos.<\/p>\n<p><strong>No Brasil, cidades de S\u00e3o Paulo e Santa Catarina est\u00e3o assistindo a a\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas ao PCC. Que espa\u00e7o tem o crime organizado nas cidades colombianas hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Vivemos uma guerra de muitos anos contra megaorganiza\u00e7\u00f5es criminosas. Mas a guerrilha n\u00e3o conseguiu penetrar nas cidades &#8211; exceto nos tempos de Pablo Escobar com os grandes cart\u00e9is de Medell\u00edn e Cali. A guerrilha e o crime organizado, apesar de muito poderosos, ficaram na zona rural e na selva. Para estar alerta contra o terrorismo do narcotr\u00e1fico, os servi\u00e7os de intelig\u00eancia do Ex\u00e9rcito e da pol\u00edcia colombiana devem ser extremamente sofisticados. Al\u00e9m disso, os cidad\u00e3os colaboram com a pol\u00edcia nos bairros. H\u00e1 muitos informantes, o que \u00e9 essencial para os servi\u00e7os de intelig\u00eancia: ter olhos em cada bairro, em cada rua. As comunidades dos bairros populares s\u00e3o organizadas, com l\u00edderes importantes, que impedem a entrada f\u00e1cil de l\u00edderes delinquentes.<\/p>\n<p><strong>No Brasil, muitos assaltos e crimes s\u00e3o cometidos em motos, tanto que h\u00e1 quem defenda o fim das garupas, como em Bogot\u00e1&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o gosto dessas medidas, pois me parecem preconceituosas. Sim, as motos devem cumprir as normas de tr\u00e2nsito, com san\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas se n\u00e3o o fizerem. Em Bogot\u00e1 tivemos essa restri\u00e7\u00e3o de passageiros nas garupas por um tempo, mas n\u00e3o mais.<\/p>\n<p><strong>Por que a viol\u00eancia urbana \u00e9 t\u00e3o forte nas cidades latino-americanas?<\/strong><\/p>\n<p>A criminalidade e a viol\u00eancia urbana s\u00e3o fen\u00f4menos principalmente latino-americanos. N\u00e3o de toda a Am\u00e9rica Latina &#8211; no Chile, n\u00e3o \u00e9 assim. Tamb\u00e9m h\u00e1 cidades africanas muito violentas. Mas na Europa, no Canad\u00e1 e na \u00c1sia, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1. \u00c9 \u00f3bvio que h\u00e1 crimes, mas jamais na mesma escala. A viol\u00eancia urbana \u00e9 um reflexo da falta de legitimidade do Estado e da aus\u00eancia de uma sociedade forte. Em muitos pa\u00edses latino-americanos, a sociedade se resignou a tolerar a criminalidade. Ent\u00e3o, a lei praticamente a tolera. Mas h\u00e1 muitas metr\u00f3poles mundiais muito seguras: Copenhague, T\u00f3quio, Toronto, Zurique.<\/p>\n<p><strong>Que sugest\u00f5es o sr. teria para S\u00e3o Paulo?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 preciso olhar para a cidade. Como disse, a cidade precisa priorizar o humano, em todos os sentidos. Parece muito \u00f3bvio, eu sei. Mas, infelizmente, isso n\u00e3o \u00e9 feito. J\u00e1 visitei S\u00e3o Paulo muitas vezes. \u00c9 uma cidade com uma energia maravilhosa, mas h\u00e1 muito a melhorar. Ali\u00e1s, com todo o respeito, n\u00e3o me parece que tantos helic\u00f3pteros particulares sobrevoando S\u00e3o Paulo sejam \u00fateis para construir legitimidade e coes\u00e3o social. Em cidades como Londres e Nova York, os ricos usam transporte p\u00fablico e v\u00e3o aos parques. S\u00e3o Paulo precisa de bibliotecas, ciclovias, parques. Conheci uma iniciativa \u00f3tima de voc\u00eas: o Sesc, um exemplo de integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. O Sesc Pompeia \u00e9 \u00f3timo. Mas um certamente n\u00e3o basta. Em uma cidade do tamanho de S\u00e3o Paulo, \u00e9 preciso ter mais de 300 Sescs.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><\/strong> <strong>* ENRIQUE PE\u00d1ALOSA<\/strong>: ECONOMISTA E HISTORIADOR COLOMBIANO, PH.D. PELA UNIVERSIDADE DE PARIS. FOI PREFEITO DE BOGOT\u00c1 (1998-2001)<a href=\"http:\/\/rm.estadao.com.br\/RealMedia\/ads\/click_nx.ads\/estadao_mobile\/arteelazer@Position1,Position2%21Position2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/rm.estadao.com.br\/RealMedia\/ads\/adstream_nx.ads\/estadao_mobile\/arteelazer@Position1,Position2%21Position2\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"40\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/m.estadao.com.br\/noticias\/arteelazer,o-urbanismo-contra-ataca,961583.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/m.estadao.com.br\/noticias\/arteelazer,o-urbanismo-contra-ataca,961583.htm<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez voc\u00ea tenha visto a bela entrevista de Enrique Pe\u00f1alosa, ex prefeito de Bogot\u00e1, na Colombia. Achei maravilhosa e tudo a ver com o que venho discutindo em v\u00e1rios dos meus posts e artigos. Por coincid\u00eancia, acabo de passar pela avenida Vasco da Gama aqui em Salvador, numa obra intermin\u00e1vel, e o que vejo s\u00e3o as pistas do meio das atuais, que j\u00e1 est\u00e3o prontas, mas n\u00e3o entregues ao tr\u00e1fego de carros, lotadas de jovens em animados b\u00e1bas, que \u00e9 como chamamos aqui na Bahia uma pelada. (N\u00e3o resisto ao infame trocadilho, mas, quando as pistas forem entregues ao tr\u00e1fego, certamente muitos desses jovens cair\u00e3o no tr\u00e1fico, por absoluta falta de alternativa! Tr\u00e1gico!!!) De fato, como faltam espa\u00e7os para nosso jovens nessa pobre Bahia, a vida deles fica cada vez menor. O oposto do que se fez e faz em Bogota, e, me diz meu caro Paulo Ormindo, tamb\u00e9m em M\u00e9delin. Vamos \u00e0 entrevista que diz muito mais&#8230;. &nbsp; Estad\u00e3o, Domingo, 18 de Novembro de 2012, 01h18 O urbanismo contra-ataca &#8216;Uma cidade se expressa, vibra, vive. E s\u00f3 \u00e9 feita com gente na rua&#8217;, diz ex-prefeito de Bogot\u00e1 Felipe Caicedo\/Reuters Enrique Pe\u00f1alosa, ex-prefeito de Bogot\u00e1 Juliana SayuriNot\u00edcias de uma guerra &#8220;n\u00e3o declarada&#8221;: mais de 200 mortos, entre civis (com ou sem ficha criminal) e policiais militares desde o in\u00edcio de outubro. Mas nem adianta passar a r\u00e9gua, pois a conta n\u00e3o fecha a\u00ed. Na madrugada seguinte, mais um punhado de gente cai na vala comum das p\u00e1ginas da metr\u00f3pole e vira estat\u00edstica. De um lado, o &#8220;salve geral&#8221; disparado pelo Primeiro Comando da Capital em agosto. De outro, a tropa do governo. No fogo cruzado, a cidade. Dif\u00edcil dizer que se trata de um confronto &#8220;velado&#8221; entre PM e PCC. Nessa semana, observadores da imprensa internacional miraram S\u00e3o Paulo como uma &#8220;cidade sangrenta&#8221;. Foram reportagens no Clar\u00edn, El Pa\u00eds, Le Monde, The Economist, The Guardian, The Wall Street Journal. At\u00e9 a Al Jazeera reportou a onda de viol\u00eancia paulistana, ao passo que The New York Times questionou a garantia de seguran\u00e7a no Brasil durante o mundial de 2014, um provocativo &#8220;imagine na Copa&#8230;&#8221; para gringo ler. &#8220;Mas seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 assunto de pol\u00edcia. Tem a ver com urbanismo, mobilidade e cultura&#8221;, critica Enrique Pe\u00f1alosa, economista e historiador colombiano formado pela Universidade Duke, na Carolina do Norte, e P.h.D. pela Universidade de Paris. Para Pe\u00f1alosa, para conter a viol\u00eancia urbana \u00e9 preciso articular intelig\u00eancia policial e interven\u00e7\u00f5es nos campos do planejamento urbano e projetos socioculturais. Prefeito de Bogot\u00e1 entre 1998 e 2011, o urbanista transformou a capital colombiana com a\u00e7\u00f5es focadas em mobilidade e sustentabilidade, reduzindo drasticamente o \u00edndice de homic\u00eddios na cidade, antes considerada uma das mais violentas da Am\u00e9rica Latina. J\u00e1 fez confer\u00eancias em universidades como USP, PUC-RJ, Princeton, London School of Economics, Harvard, Chicago e Col\u00fambia, e assessorou governos na \u00c1sia, \u00c1frica, Am\u00e9ricas e Europa com estrat\u00e9gias e pol\u00edticas urbanas. Neste ano, visitou S\u00e3o Paulo e Porto Alegre, onde participou do Fronteiras do Pensamento, em junho. &#8220;Uma cidade se expressa, vibra, vive. \u00c9 feita de gente na rua&#8221;, diz ao Ali\u00e1s. &#8220;O papel do Estado \u00e9 estar presente, em todos os cantos da cidade. Que n\u00e3o haja rinc\u00f5es que fiquem \u00e0 margem. Se o Estado n\u00e3o respeita a vida humana, por que os bandidos o fariam?&#8221;, questiona. &#8220;Devemos mostrar s\u00edmbolos de igualdade e de democracia. S\u00e3o bibliotecas, ciclovias, col\u00e9gios, parques, ruas iluminadas. E, principalmente, gente ocupando esses espa\u00e7os p\u00fablicos&#8221;, destaca. Seguindo as ideias de Enrique Pe\u00f1alosa, talvez falte mostrar, sem pieguice, que ainda existe amor em SP. S\u00e3o Paulo est\u00e1 vivendo uma onda de viol\u00eancia que obteve repercuss\u00e3o internacional. Que paralelo podemos tra\u00e7ar com Bogot\u00e1, que j\u00e1 foi considerada uma das cidades mais violentas da Am\u00e9rica Latina? Posso comentar a experi\u00eancia de Bogot\u00e1, onde a seguran\u00e7a melhorou desde o fim da d\u00e9cada de 1990. Essa melhoria ocorreu na capital, antes de ocorrer no pa\u00eds como um todo. N\u00e3o foi consequ\u00eancia de uma mudan\u00e7a diretamente relacionada \u00e0s pol\u00edticas do presidente \u00c1lvaro Uribe, mas de uma s\u00e9rie de medidas do poder municipal. N\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmulas fechadas, mas posso propor teorias: \u00e9 a cidade. A chave \u00e9 a pr\u00f3pria cidade. Como assim? A cidade se expressa, vibra, vive. E uma cidade s\u00f3 se faz com gente na rua. Mas, para isso, as pessoas precisam se sentir seguras nas ruas. Os cidad\u00e3os precisam sentir que h\u00e1 legitimidade &#8211; o que \u00e9 muito importante, mas altamente subjetivo. Explico: o Estado precisa ser considerado leg\u00edtimo pelos cidad\u00e3os. \u00c9 corrupto? \u00c9 \u00edntegro? Est\u00e1 dedicado a atender \u00e0s necessidades dos mais vulner\u00e1veis para construir, de alguma maneira, uma sociedade mais igualit\u00e1ria? Se h\u00e1 legitimidade, os cidad\u00e3os tendem a compreender e cumprir determinadas normas, reportar e pedir puni\u00e7\u00e3o aos que violam essas normas. Prefiro ilustrar essa hist\u00f3ria assim: h\u00e1 15 anos, dizia-se muito a express\u00e3o &#8220;c\u00f3jalo, c\u00f3jalo, su\u00e9ltelo, su\u00e9ltelo&#8221; em Bogot\u00e1. Exemplo: um ladr\u00e3o roubou a carteira de uma senhora. A\u00ed toda a gente gritava: c\u00f3jalo, c\u00f3jalo! Uma vez preso, por\u00e9m, muita gente come\u00e7ava a dizer: no, su\u00e9ltelo, su\u00e9ltelo! Deixe-o ir. Isto \u00e9, de alguma maneira, a sociedade sentia que a situa\u00e7\u00e3o era t\u00e3o injusta que a pol\u00edcia n\u00e3o tinha nem autoridade moral nem legitimidade para poder prender e castigar esses delinquentes. Mas a atitude mudou nestes \u00faltimos tempos. As pessoas precisam respeitar um governo, e n\u00e3o tem\u00ea-lo. Nesse sentido, o papel do Estado \u00e9 estar presente, em todos os cantos da cidade. Que n\u00e3o haja rinc\u00f5es que fiquem \u00e0 margem. Essa presen\u00e7a n\u00e3o se refere s\u00f3 \u00e0 pol\u00edcia, mas a projetos de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e demais servi\u00e7os sociais, atendendo a todas as tarefas que deve atender. Afinal, seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 assunto de pol\u00edcia. Que outros campos est\u00e3o envolvidos? \u00c9 muito mais. Tem a ver com urbanismo, mobilidade urbana e cultura. Ao construir uma biblioteca imensa e maravilhosa, queremos dizendo: o conhecimento \u00e9 mais importante que o dinheiro. \u00c9 complicado, por\u00e9m, ver um jovem numa moto, com joias, roupas e t\u00eanis caros, talvez vindos do tr\u00e1fico, entrando com uma gangue em um bairro. 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