{"id":2416,"date":"2011-11-11T19:34:04","date_gmt":"2011-11-11T22:34:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=2416"},"modified":"2011-11-11T19:34:04","modified_gmt":"2011-11-11T22:34:04","slug":"do-uca-as-tabuletas-onde-esta-a-banda-larga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2011\/11\/11\/do-uca-as-tabuletas-onde-esta-a-banda-larga\/","title":{"rendered":"Do UCA \u00e0s tabuletas: onde est\u00e1 a banda larga?"},"content":{"rendered":"<h1>Do UCA \u00e0s tabuletas: onde est\u00e1 a banda larga?<\/h1>\n<p>Nelson Pretto De Salvador. Publicado na minha coluna mensal no <a title=\"Pretto Novembro de 2011\" href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terra Magazine<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na semana passada aconteceu aqui em Salvador um encontro com os professores das dez escolas que est\u00e3o trabalhando conosco, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, na forma\u00e7\u00e3o dos professores do programa Um Computador por Aluno (PROUCA), projeto que o governo federal tenta (ou tentava?) implantar desde 2006, ainda sob a batuta do presidente Lula.  O enorme esfor\u00e7o dos professores envolvidos no projeto \u00e9 evidente. As condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mais prec\u00e1rias poss\u00edveis e, mesmo assim, o que vemos s\u00e3o colegas animados, enfrentando todas as dificuldades e buscando um caminho para a utiliza\u00e7\u00e3o dos computadores port\u00e1teis nas escolas, no cotidiano das suas aulas.  A dist\u00e2ncia entre a forma\u00e7\u00e3o inicial destes professores e os computadores na m\u00e3o dos meninos \u00e9 de, no m\u00ednimo, um s\u00e9culo. Os professores foram preparados para transmitir conhecimentos e para ensinar conte\u00fados. Agora, convivem com a possibilidade de cada um dos alunos ter na m\u00e3o um aparelhinho que, potencialmente, lhe conecta com um mundo de informa\u00e7\u00f5es, num \u00fanico clique. Isso se a internet funcionar!  Justo aqui temos os dois maiores problemas em termos de tecnologia: a infraestrutura das escolas e a conex\u00e3o \u00e0 internet. Faltam as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas nas escolas p\u00fablicas envolvidas no projeto aqui na Bahia: n\u00e3o existem tomadas para carregar os uquinhas, como carinhosamente os chamamos aqui; n\u00e3o h\u00e1 mobili\u00e1rio para os meninos e professores trabalharem; a rede internet, prometida pelas operadoras, levou meses para ser implantada e, mesmo assim, com p\u00e9ssima qualidade. Em uma das nossas escolas, os professores tentaram carregar muitos computadores ao mesmo tempo e o resultado foi simplesmente a derrubada da energia de toda a escola, que ficou sem luz durante mais de dois dias.  Esta realidade n\u00e3o difere muito de outros estados, conforme constatamos pelos depoimentos de outros colegas convidados ao nosso encontro, principalmente se falamos do Norte e Nordeste do pa\u00eds.  A conex\u00e3o \u00e0 internet em banda larga \u00e9 fundamental para que possamos ter projetos desta natureza com resultados significativos. Imagine uma escola como as nossas, com uns 300 a 400 laptops e uma banda larga que est\u00e1 longe dos j\u00e1 pouco 1 Mbps?  Na implanta\u00e7\u00e3o do atual Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), centrado em um acordo entre governo e as operadoras, estas deveriam oferecer conex\u00e3o com velocidade de 1Mbps. Para a educa\u00e7\u00e3o, o que j\u00e1 estava previsto \u00e9 que, desde 28 de fevereiro passado, a velocidade ofertada em cada escola deveria estar sendo &#8220;revista semestralmente, de forma a assegurar a oferta de velocidade equivalente a melhor oferta comercialmente disseminada ao p\u00fablico em geral, na \u00e1rea de atendimento na qual se inclui a Escola&#8221;.  O atual acordo prev\u00ea que a partir de 1\u00ba de novembro de 2012 deva ser garantido percentuais m\u00ednimos de qualidade. Para essa etapa fala-se em oferecer, em m\u00e9dia, 60% da velocidade contratada, ou seja, n\u00e3o menos que 600 kbps. No entanto, pelo que temos vistos em nossa mostra de escolas, a velocidade hoje deve estar em torno dos 10% do ofertado comercialmente aqui em Salvador e nas cidades que acompanhamos.  Se n\u00e3o bastasse o fato do acordo estar sendo, o tempo todo, questionado com as operadoras resistindo em aceitar o controle da qualidade da banda, o que podemos fazer nas escolas com velocidades como estas? Nada, praticamente nada.  Pois nem bem chegamos a uma solu\u00e7\u00e3o para a implanta\u00e7\u00e3o do modelo 1-a-1 e o MEC j\u00e1 anuncia, sem nenhuma discuss\u00e3o p\u00fablica maior, a ideia de fornecer tabuletas (tablets), que agora come\u00e7am a ser produzidos no Brasil com isen\u00e7\u00e3o de impostos. A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 que, tamb\u00e9m elas, se n\u00e3o tivermos boa conex\u00e3o, de nada servir\u00e3o. A mobilidade que defendemos \u00e9 com todos conectados!  Queremos a meninada e os professores conectados, com condi\u00e7\u00f5es de produzirem culturas, n\u00e3o sendo transformados em meros consumidores de informa\u00e7\u00f5es distribu\u00eddas por portais ou apps instaladas de forma fechada nos equipamentos fornecidos \u00e0s escolas.  A escola p\u00fablica precisa de tudo: computadores potentes, uquinhas, tabuletas, televis\u00f5es, c\u00e2meras de v\u00eddeo, gravadores, r\u00e1dios web, bibliotecas com livros (e uma pol\u00edtica para a produ\u00e7\u00e3o de e-books, claro!) e muito, muito mais&#8230; Mas, essencialmente, \u00e9 necess\u00e1rio um professor fortalecido.  Professor fortalecido e banda larga de qualidade s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para que a escola de hoje prepare a juventude para esse mundo em reviravolta. Sem isso, teremos muitas bravatas e poucos resultados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lin no Terra Magazine, <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI5465701-EI17985,00-Do%20UCA%20a%20tabuletas%20onde%20esta%20a%20banda%20larga.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do UCA \u00e0s tabuletas: onde est\u00e1 a banda larga? Nelson Pretto De Salvador. Publicado na minha coluna mensal no Terra Magazine. &nbsp; Na semana passada aconteceu aqui em Salvador um encontro com os professores das dez escolas que est\u00e3o trabalhando conosco, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, na forma\u00e7\u00e3o dos professores do programa Um Computador por Aluno (PROUCA), projeto que o governo federal tenta (ou tentava?) implantar desde 2006, ainda sob a batuta do presidente Lula. O enorme esfor\u00e7o dos professores envolvidos no projeto \u00e9 evidente. As condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mais prec\u00e1rias poss\u00edveis e, mesmo assim, o que vemos s\u00e3o colegas animados, enfrentando todas as dificuldades e buscando um caminho para a utiliza\u00e7\u00e3o dos computadores port\u00e1teis nas escolas, no cotidiano das suas aulas. A dist\u00e2ncia entre a forma\u00e7\u00e3o inicial destes professores e os computadores na m\u00e3o dos meninos \u00e9 de, no m\u00ednimo, um s\u00e9culo. Os professores foram preparados para transmitir conhecimentos e para ensinar conte\u00fados. Agora, convivem com a possibilidade de cada um dos alunos ter na m\u00e3o um aparelhinho que, potencialmente, lhe conecta com um mundo de informa\u00e7\u00f5es, num \u00fanico clique. Isso se a internet funcionar! Justo aqui temos os dois maiores problemas em termos de tecnologia: a infraestrutura das escolas e a conex\u00e3o \u00e0 internet. Faltam as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas nas escolas p\u00fablicas envolvidas no projeto aqui na Bahia: n\u00e3o existem tomadas para carregar os uquinhas, como carinhosamente os chamamos aqui; n\u00e3o h\u00e1 mobili\u00e1rio para os meninos e professores trabalharem; a rede internet, prometida pelas operadoras, levou meses para ser implantada e, mesmo assim, com p\u00e9ssima qualidade. Em uma das nossas escolas, os professores tentaram carregar muitos computadores ao mesmo tempo e o resultado foi simplesmente a derrubada da energia de toda a escola, que ficou sem luz durante mais de dois dias. Esta realidade n\u00e3o difere muito de outros estados, conforme constatamos pelos depoimentos de outros colegas convidados ao nosso encontro, principalmente se falamos do Norte e Nordeste do pa\u00eds. A conex\u00e3o \u00e0 internet em banda larga \u00e9 fundamental para que possamos ter projetos desta natureza com resultados significativos. Imagine uma escola como as nossas, com uns 300 a 400 laptops e uma banda larga que est\u00e1 longe dos j\u00e1 pouco 1 Mbps? Na implanta\u00e7\u00e3o do atual Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), centrado em um acordo entre governo e as operadoras, estas deveriam oferecer conex\u00e3o com velocidade de 1Mbps. Para a educa\u00e7\u00e3o, o que j\u00e1 estava previsto \u00e9 que, desde 28 de fevereiro passado, a velocidade ofertada em cada escola deveria estar sendo &#8220;revista semestralmente, de forma a assegurar a oferta de velocidade equivalente a melhor oferta comercialmente disseminada ao p\u00fablico em geral, na \u00e1rea de atendimento na qual se inclui a Escola&#8221;. O atual acordo prev\u00ea que a partir de 1\u00ba de novembro de 2012 deva ser garantido percentuais m\u00ednimos de qualidade. Para essa etapa fala-se em oferecer, em m\u00e9dia, 60% da velocidade contratada, ou seja, n\u00e3o menos que 600 kbps. No entanto, pelo que temos vistos em nossa mostra de escolas, a velocidade hoje deve estar em torno dos 10% do ofertado comercialmente aqui em Salvador e nas cidades que acompanhamos. Se n\u00e3o bastasse o fato do acordo estar sendo, o tempo todo, questionado com as operadoras resistindo em aceitar o controle da qualidade da banda, o que podemos fazer nas escolas com velocidades como estas? Nada, praticamente nada. Pois nem bem chegamos a uma solu\u00e7\u00e3o para a implanta\u00e7\u00e3o do modelo 1-a-1 e o MEC j\u00e1 anuncia, sem nenhuma discuss\u00e3o p\u00fablica maior, a ideia de fornecer tabuletas (tablets), que agora come\u00e7am a ser produzidos no Brasil com isen\u00e7\u00e3o de impostos. A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 que, tamb\u00e9m elas, se n\u00e3o tivermos boa conex\u00e3o, de nada servir\u00e3o. A mobilidade que defendemos \u00e9 com todos conectados! Queremos a meninada e os professores conectados, com condi\u00e7\u00f5es de produzirem culturas, n\u00e3o sendo transformados em meros consumidores de informa\u00e7\u00f5es distribu\u00eddas por portais ou apps instaladas de forma fechada nos equipamentos fornecidos \u00e0s escolas. A escola p\u00fablica precisa de tudo: computadores potentes, uquinhas, tabuletas, televis\u00f5es, c\u00e2meras de v\u00eddeo, gravadores, r\u00e1dios web, bibliotecas com livros (e uma pol\u00edtica para a produ\u00e7\u00e3o de e-books, claro!) e muito, muito mais&#8230; Mas, essencialmente, \u00e9 necess\u00e1rio um professor fortalecido. Professor fortalecido e banda larga de qualidade s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para que a escola de hoje prepare a juventude para esse mundo em reviravolta. 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