{"id":2314,"date":"2011-08-22T18:46:17","date_gmt":"2011-08-22T21:46:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=2314"},"modified":"2011-08-22T18:46:17","modified_gmt":"2011-08-22T21:46:17","slug":"abrigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2011\/08\/22\/abrigo\/","title":{"rendered":"Abrigo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: x-small\">Paulo Ormindo escreveu aqui belo artigo resgatando a triste situa\u00e7\u00e3o do sistema de transporte p\u00fablico de Salvador, expondo a pobre atitude da elite empresarial e pol\u00edtica baiana.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: x-small\">Viajar pela Bahia da d\u00e9cada de 20 atrav\u00e9s do artigo, relembrar os trilhos e bondes que cortavam a cidade, a constru\u00e7\u00e3o do elevador Lacerda, tudo isso mexe com a mem\u00f3ria. Nos faz reviver momentos de um passado que fica na cabe\u00e7a e no cora\u00e7\u00e3o e que, com licen\u00e7a dos arquitetos, nos faz lembrar solu\u00e7\u00f5es que, se n\u00e3o eram as melhores do ponto de vista te\u00f3rico, tinham um importante papel na cidade e na vida dos citadinos.<\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: x-small\">Os abrigos de \u00f4nibus do passado aqui de Salvador n\u00e3o me saem da mem\u00f3ria. Tive a sorte de relembr\u00e1-los numa foto de Pierre Verger em exposi\u00e7\u00e3o ano passado. Dois deles fizeram parte da minha inf\u00e2ncia: o do Campo Santo e o da Castro Alves. Com sua forma ovalada, postado no meio da avenida, com uma lanchonete implantada num dos seus cantos e que lhe dava sustenta\u00e7\u00e3o, arquitet\u00f4nica e existencial, impunha-se como monumento e marco. A lanchonete, al\u00e9m de vender uma das iguarias mais fabulosas da Bahia de rua, a banana real &#8211; que o colesterol n\u00e3o me permite mais deliciar -, tinha em sua propriet\u00e1ria o papel de sistema de informa\u00e7\u00e3o mais perfeito do mundo: sabia ela que \u00f4nibus j\u00e1 havia passado, quanto tempo faltava para o pr\u00f3ximo e quem j\u00e1 por ali havia estado e ido.<\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: x-small\">Seu perfil era singular. Com seu teto \u00fanico, de forma arredondada, abrigava-nos, de fato, em todos os sentidos, diferente dos modernos de hoje. Eles desenhavam os contornos de nossa cidade daquela \u00e9poca e possibilitavam aos que iam e vinham estar no mesmo lugar, sabendo as noticias de l\u00e1 e de c\u00e1.<\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: x-small\">Os tempos atuais, de BRTs e VLTs, n\u00e3o mais nos permitem comer banana real e sequer ver na cidade equipamentos urbanos que tenham aquela beleza arquitet\u00f4nica e funcionalidades de um tempo de menor velocidade.<\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: x-small\">Triste Bahia, que n\u00e3o usa suas pr\u00f3prias experi\u00eancias, sem saudosismo ou apesar dele (como diz Carlos Sarno, desde os tempos do nosso Movimento da F\u00e1brica!), para pensar o seu futuro olhando um pouquinho para o seu passado.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Artigo de Nelson Pretto, enviado para A Tarde em 22\/08\/2011.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: x-small\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Ormindo escreveu aqui belo artigo resgatando a triste situa\u00e7\u00e3o do sistema de transporte p\u00fablico de Salvador, expondo a pobre atitude da elite empresarial e pol\u00edtica baiana. Viajar pela Bahia da d\u00e9cada de 20 atrav\u00e9s do artigo, relembrar os trilhos e bondes que cortavam a cidade, a constru\u00e7\u00e3o do elevador Lacerda, tudo isso mexe com a mem\u00f3ria. Nos faz reviver momentos de um passado que fica na cabe\u00e7a e no cora\u00e7\u00e3o e que, com licen\u00e7a dos arquitetos, nos faz lembrar solu\u00e7\u00f5es que, se n\u00e3o eram as melhores do ponto de vista te\u00f3rico, tinham um importante papel na cidade e na vida dos citadinos. Os abrigos de \u00f4nibus do passado aqui de Salvador n\u00e3o me saem da mem\u00f3ria. Tive a sorte de relembr\u00e1-los numa foto de Pierre Verger em exposi\u00e7\u00e3o ano passado. Dois deles fizeram parte da minha inf\u00e2ncia: o do Campo Santo e o da Castro Alves. Com sua forma ovalada, postado no meio da avenida, com uma lanchonete implantada num dos seus cantos e que lhe dava sustenta\u00e7\u00e3o, arquitet\u00f4nica e existencial, impunha-se como monumento e marco. A lanchonete, al\u00e9m de vender uma das iguarias mais fabulosas da Bahia de rua, a banana real &#8211; que o colesterol n\u00e3o me permite mais deliciar -, tinha em sua propriet\u00e1ria o papel de sistema de informa\u00e7\u00e3o mais perfeito do mundo: sabia ela que \u00f4nibus j\u00e1 havia passado, quanto tempo faltava para o pr\u00f3ximo e quem j\u00e1 por ali havia estado e ido. Seu perfil era singular. Com seu teto \u00fanico, de forma arredondada, abrigava-nos, de fato, em todos os sentidos, diferente dos modernos de hoje. Eles desenhavam os contornos de nossa cidade daquela \u00e9poca e possibilitavam aos que iam e vinham estar no mesmo lugar, sabendo as noticias de l\u00e1 e de c\u00e1. Os tempos atuais, de BRTs e VLTs, n\u00e3o mais nos permitem comer banana real e sequer ver na cidade equipamentos urbanos que tenham aquela beleza arquitet\u00f4nica e funcionalidades de um tempo de menor velocidade. Triste Bahia, que n\u00e3o usa suas pr\u00f3prias experi\u00eancias, sem saudosismo ou apesar dele (como diz Carlos Sarno, desde os tempos do nosso Movimento da F\u00e1brica!), para pensar o seu futuro olhando um pouquinho para o seu passado. &nbsp; Artigo de Nelson Pretto, enviado para A Tarde em 22\/08\/2011.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[121,393],"class_list":["post-2314","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-em-a-tarde","tag-cidade","tag-salvador","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2314"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2314"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2314\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}