{"id":2302,"date":"2011-08-11T09:47:43","date_gmt":"2011-08-11T12:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=2302"},"modified":"2011-08-11T09:47:43","modified_gmt":"2011-08-11T12:47:43","slug":"a-moca-do-computador-terra-magazine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2011\/08\/11\/a-moca-do-computador-terra-magazine\/","title":{"rendered":"A mo\u00e7a do computador, Terra Magazine"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t\tH1 { margin-bottom: 0.21cm } \t\tH1.western { font-family: \"Times New Roman\", serif } \t\tH1.cjk { font-family: \"WenQuanYi Micro Hei\" } \t\tH1.ctl { font-family: \"Lohit Hindi\" } -->Sa\u00edmos em caravana a la <em>bye bye Brasil<\/em>, pelo interior da Bahia, para visitar as 10 escolas com as quais estamos trabalhando na forma\u00e7\u00e3o dos professores que v\u00e3o usar os pequenos computadores do projeto <em>Um Computador por Aluno<\/em> (UCA).<\/p>\n<p>Esse projeto, implantando pelo governo Federal em 2007, anda mal das pernas no governo Dilma, depois que a equipe que o administrava diretamente do Pal\u00e1cio do Planalto, na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, foi para o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es. O projeto ficou, assim, sob a responsabilidade quase que exclusiva do MEC e n\u00e3o anda muito bem.<\/p>\n<p>Necess\u00e1rio se faz relembrar um pouco desta hist\u00f3ria. Alguns anos atr\u00e1s, Nicolas Negroponte saiu por ai dizendo que era poss\u00edvel produzir um computador port\u00e1til pelo pre\u00e7o de U$100 (cem d\u00f3lares). Claro que, como bom especialista em marketing que \u00e9, Negroponte &#8211; criador do genial MediaLab, no MIT, em Boston\/EUA, e autor do famoso <em>Vida Digital<\/em> nos idos dos anos 90, quando ainda escrev\u00edamos internet com I mai\u00fasculo! &#8211; n\u00e3o dizia um monte de coisas que, de fato, faziam diferen\u00e7a para que o computador custasse somente 100 d\u00f3lares: aquele valor era pre\u00e7o na f\u00e1brica, sem o transporte at\u00e9 o usu\u00e1rio final, sem impostos, sem empacotamento, sem manual nem nada mais, e o mais importante, teria que ser produzido em larga escala. Ele saiu peregrinando pelo mundo &#8211; veio ao Brasil \u2013 vendendo a ideia e tentando convencer os governos a fazerem compras em massa desses bichinhos. Podemos dizer que ele n\u00e3o fui muito bem sucedido na sua empreitada como um todo, mas o maior m\u00e9rito deste p\u00e9riplo foi que, de fato, a ind\u00fastria correu atr\u00e1s e o pre\u00e7o dos computadores port\u00e1teis despencaram.<\/p>\n<p>Da\u00ed em diante, o Brasil, que j\u00e1 tinha um enorme tradi\u00e7\u00e3o no estudo sobre o uso de computadores na educa\u00e7\u00e3o, passou a pensar mais concretamente na possibilidade de comprar computadores a partir do conceito um-para-um, ou seja, um computador para cada estudante. Nos Estados Unidos, a ideia era um computador por crian\u00e7a, com o projeto OLPC (<em>One Laptop per Children<\/em>).<\/p>\n<p>Como disse, no governo Lula, um grupo foi montado e diretamente do Pal\u00e1cio do Planalto tocou o tal projeto UCA. Cabia  a esse grupo articular todos os demais Minist\u00e9rios e fazer uma <em>press\u00e3ozinha<\/em> para o envolvimento de todos, observadas as suas especificidades. Apesar dos in\u00fameros problemas de gest\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o, o que se viu \u00e9 que o projeto se efetivou e, hoje, est\u00e1 em todos os estados somado aos esfor\u00e7os que v\u00eam sendo feito por v\u00e1rias prefeituras para adquirem com seus recursos os <em>uquinhas<\/em> e os inserirem em suas redes de escolas. Em paralelo, est\u00e1 parado no CNPq a divulga\u00e7\u00e3o do resultado de um edital para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas sobre o projeto e o conceito o conceito um-pra-um presente no mesmo, que poder\u00e1 significar um grande avan\u00e7o te\u00f3rico para a \u00e1rea. Portanto, trata-se de um projeto que, apesar de ainda pequeno, andava e representou muito esfor\u00e7o e investimento p\u00fablico ao longo dos \u00faltimos anos. Com sua sa\u00edda das m\u00e3os da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica no atual do governo, o UCA ficou sendo tocado pelo MEC. Al\u00e9m disso, na reforma administrativa promovida este ano, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (SEED) foi extinta e o UCA passou a ser vinculado \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (SEB) e l\u00e1 est\u00e1 meio ac\u00e9falo. Na pr\u00e1tica, estamos com oito meses de governo Dilma e n\u00e3o se tem uma posi\u00e7\u00e3o mais concreta sobre o futuro do Programa. Uma lament\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o, pois a presen\u00e7a dessas tecnologias na educa\u00e7\u00e3o pode representar um importante papel para as necess\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es que precisamos ver neste campo, com grandes consequ\u00eancias para a forma\u00e7\u00e3o da juventude brasileira. Transforma\u00e7\u00f5es essas que demandam um projeto bem consolidado do ponto de vista operacional e, muito mais do que isso, com um olhar mais direto e mais pr\u00f3ximo para a realidade do sistema educacional brasileiro.<\/p>\n<p>Ao visitarmos as escolas na Bahia, o que percebemos \u00e9 que, em muitas delas, o trabalho que vem sendo feito \u00e9 bastante significativo e revestido de uma for\u00e7a simb\u00f3lica muito grande. A nossa chegada nos munic\u00edpios \u00e9 sempre recebida com certa euforia, particularmente naqueles munic\u00edpios menores, onde as condi\u00e7\u00f5es, muitas vezes, s\u00e3o prec\u00e1rias. Quando as nossas colegas professoras que acompanham mais de perto esse processo formativo retornam aos munic\u00edpios e \u00e0s escolas para outras visitas de forma\u00e7\u00e3o, s\u00e3o recebidas pela meninada que as encontram na rua com um carinhoso \u201celas, chegaram, \u00e9 a mo\u00e7a do computador! Olha, \u00e9 a mo\u00e7a do computador!\u201d.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima dessa turma pequena, que v\u00ea na internet e no computador uma possibilidade de cria\u00e7\u00e3o maior do que aquela que encontram nas salas de aula. E a expectativa e manifesta\u00e7\u00e3o clara dos meninos de que \u201ca mo\u00e7a do computador\u201d possa ser portadora de mudan\u00e7as no sistema escolar, de inser\u00e7\u00e3o da escola num contexto mais contempor\u00e2neo, de liberdade, e complemento, sem significar uma simples ades\u00e3o \u00e0s novidades. Num primeiro momento, seguramente ainda presos \u00e0 ideia de que ali encontrar\u00e3o apenas espa\u00e7os para os videogames e <em>orkuts<\/em>, a euforia se resume a este uso. Depois, aparecem outras possibilidades, como as pesquisas em sites de buscas. Depois, na maioria das vezes muitos antes, pois essa ordem n\u00e3o \u00e9 direta nem deve ser imposta, come\u00e7am a criar mais intensamente. E quando criam, fazem v\u00eddeos, \u00e1udios, textos, remixam coisas, misturam as diversas linguagens. Aqui est\u00e1 o foco do que acreditamos ser o centro do processo formativo de professores e alunos: a melhor forma de fazer com que essa turma passe a viver plenamente o universo da cultura digital e lhes proporcionar uma imers\u00e3o intensa no universo de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o propiciado pelas tecnologias digitais. No caso dos professores, pensamos que isso lhes possibilitar\u00e1, t\u00e3o logo estiverem mais relaxados e confort\u00e1veis com a presen\u00e7a dos <em>uquinhas<\/em> nas suas vidas e nas escolas, incorporarem tudo isso como elementos estruturantes da forma\u00e7\u00e3o da juventude enquanto produtora de conhecimentos e de culturas e n\u00e3o como mera consumidora de informa\u00e7\u00f5es (e de produtos!). Informa\u00e7\u00f5es essas que abundam na internet e que, se n\u00e3o trabalhadas, constituem-se numa mera reprodu\u00e7\u00e3o dos tradicionais (e velhos) meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n<p>Mas para que tudo isso aconte\u00e7a, necess\u00e1rio se faz que as escolas estejam conectadas e isso n\u00e3o pode se dar, em hip\u00f3tese alguma, com as lament\u00e1veis velocidades oferecidas hoje \u00e0s escolas. Imagine uma escola com 200, 300 ou at\u00e9 400 m\u00e1quinas ligadas em rede com uma conex\u00e3o de (at\u00e9) 1 Mbps. Simplesmente impens\u00e1vel! Mas \u00e9 justo isso que temos visto nas nossas visitas \u00e0s escolas. Assim, a luta pelo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) n\u00e3o \u00e9 uma luta pequena. O ex-Ministro Gil (que falta faz!!!) dizia \u201cvamos bandalargar o Brasil\u201d. Dizemos no Manifesto Banda Larga que \u201cos rumos recentes tomados pelo governo refor\u00e7am o abandono da ideia de servi\u00e7o p\u00fablico como concretizador de direitos e privilegia solu\u00e7\u00f5es sob uma l\u00f3gica de mercado\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, todo cuidado \u00e9 pouco. A luta n\u00e3o \u00e9 pequena. Mas temos que avan\u00e7ar fortalecendo a forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 da juventude. E isso n\u00e3o pode esperar o amanh\u00e3, pois \u201ca mo\u00e7a do computador\u201d j\u00e1 chegou, e ela n\u00e3o est\u00e1 mais s\u00f3!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(colaborou Maria Helena Bonilla, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA).<\/p>\n<p>Ser\u00e1 Publicado no Terra Magazine, 12.08.2011. Link direto: <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI5293149-EI17985,00-A+moca+do+computador.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/a> e replicado no <a href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/Detalhe.jsp?id=78840\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jornal da Ci\u00eancia Hoje<\/a> (SBPC)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2303\" aria-describedby=\"caption-attachment-2303\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2011\/08\/Imagem-125.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2303 \" src=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2011\/08\/Imagem-125-300x225.jpg\" alt=\"foto: Giz\u00e9lia e Saionara (NTE Itabuna, BA)\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2011\/08\/Imagem-125-300x225.jpg 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2011\/08\/Imagem-125.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2303\" class=\"wp-caption-text\">Escola Carlos Sal\u00e9rio, Itabuna\/Bahia<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_2304\" aria-describedby=\"caption-attachment-2304\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2011\/08\/Imagem-145.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2304  \" src=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2011\/08\/Imagem-145-300x225.jpg\" alt=\"foto: Giz\u00e9lia e Saionara (NTE Itabuna, BA)\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2011\/08\/Imagem-145-300x225.jpg 300w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2011\/08\/Imagem-145.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2304\" class=\"wp-caption-text\">Alunos na rua ao lado da escola, Itabuna\/Bahia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\">\n<figure id=\"attachment_2308\" aria-describedby=\"caption-attachment-2308\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2011\/08\/DSC01348benvindo.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2308 \" src=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2011\/08\/DSC01348benvindo-300x225.jpg\" alt=\"Alunos em Barro Preto, Bahia\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2308\" class=\"wp-caption-text\">Alunos em Barro Preto, Bahia<\/figcaption><\/figure>\n<dl>\n<dt><a href=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2011\/08\/DSC01423sala.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2309\" src=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2011\/08\/DSC01423sala-300x225.jpg\" alt=\"Escola Carlos Sal\u00e9rio, Itabuna\/BA\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/dt>\n<dd>Escola Carlos Sal\u00e9rio, Itabuna\/BA<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sa\u00edmos em caravana a la bye bye Brasil, pelo interior da Bahia, para visitar as 10 escolas com as quais estamos trabalhando na forma\u00e7\u00e3o dos professores que v\u00e3o usar os pequenos computadores do projeto Um Computador por Aluno (UCA). Esse projeto, implantando pelo governo Federal em 2007, anda mal das pernas no governo Dilma, depois que a equipe que o administrava diretamente do Pal\u00e1cio do Planalto, na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, foi para o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es. O projeto ficou, assim, sob a responsabilidade quase que exclusiva do MEC e n\u00e3o anda muito bem. Necess\u00e1rio se faz relembrar um pouco desta hist\u00f3ria. Alguns anos atr\u00e1s, Nicolas Negroponte saiu por ai dizendo que era poss\u00edvel produzir um computador port\u00e1til pelo pre\u00e7o de U$100 (cem d\u00f3lares). Claro que, como bom especialista em marketing que \u00e9, Negroponte &#8211; criador do genial MediaLab, no MIT, em Boston\/EUA, e autor do famoso Vida Digital nos idos dos anos 90, quando ainda escrev\u00edamos internet com I mai\u00fasculo! &#8211; n\u00e3o dizia um monte de coisas que, de fato, faziam diferen\u00e7a para que o computador custasse somente 100 d\u00f3lares: aquele valor era pre\u00e7o na f\u00e1brica, sem o transporte at\u00e9 o usu\u00e1rio final, sem impostos, sem empacotamento, sem manual nem nada mais, e o mais importante, teria que ser produzido em larga escala. Ele saiu peregrinando pelo mundo &#8211; veio ao Brasil \u2013 vendendo a ideia e tentando convencer os governos a fazerem compras em massa desses bichinhos. Podemos dizer que ele n\u00e3o fui muito bem sucedido na sua empreitada como um todo, mas o maior m\u00e9rito deste p\u00e9riplo foi que, de fato, a ind\u00fastria correu atr\u00e1s e o pre\u00e7o dos computadores port\u00e1teis despencaram. Da\u00ed em diante, o Brasil, que j\u00e1 tinha um enorme tradi\u00e7\u00e3o no estudo sobre o uso de computadores na educa\u00e7\u00e3o, passou a pensar mais concretamente na possibilidade de comprar computadores a partir do conceito um-para-um, ou seja, um computador para cada estudante. Nos Estados Unidos, a ideia era um computador por crian\u00e7a, com o projeto OLPC (One Laptop per Children). Como disse, no governo Lula, um grupo foi montado e diretamente do Pal\u00e1cio do Planalto tocou o tal projeto UCA. Cabia a esse grupo articular todos os demais Minist\u00e9rios e fazer uma press\u00e3ozinha para o envolvimento de todos, observadas as suas especificidades. Apesar dos in\u00fameros problemas de gest\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o, o que se viu \u00e9 que o projeto se efetivou e, hoje, est\u00e1 em todos os estados somado aos esfor\u00e7os que v\u00eam sendo feito por v\u00e1rias prefeituras para adquirem com seus recursos os uquinhas e os inserirem em suas redes de escolas. Em paralelo, est\u00e1 parado no CNPq a divulga\u00e7\u00e3o do resultado de um edital para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas sobre o projeto e o conceito o conceito um-pra-um presente no mesmo, que poder\u00e1 significar um grande avan\u00e7o te\u00f3rico para a \u00e1rea. Portanto, trata-se de um projeto que, apesar de ainda pequeno, andava e representou muito esfor\u00e7o e investimento p\u00fablico ao longo dos \u00faltimos anos. Com sua sa\u00edda das m\u00e3os da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica no atual do governo, o UCA ficou sendo tocado pelo MEC. Al\u00e9m disso, na reforma administrativa promovida este ano, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (SEED) foi extinta e o UCA passou a ser vinculado \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (SEB) e l\u00e1 est\u00e1 meio ac\u00e9falo. Na pr\u00e1tica, estamos com oito meses de governo Dilma e n\u00e3o se tem uma posi\u00e7\u00e3o mais concreta sobre o futuro do Programa. Uma lament\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o, pois a presen\u00e7a dessas tecnologias na educa\u00e7\u00e3o pode representar um importante papel para as necess\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es que precisamos ver neste campo, com grandes consequ\u00eancias para a forma\u00e7\u00e3o da juventude brasileira. Transforma\u00e7\u00f5es essas que demandam um projeto bem consolidado do ponto de vista operacional e, muito mais do que isso, com um olhar mais direto e mais pr\u00f3ximo para a realidade do sistema educacional brasileiro. Ao visitarmos as escolas na Bahia, o que percebemos \u00e9 que, em muitas delas, o trabalho que vem sendo feito \u00e9 bastante significativo e revestido de uma for\u00e7a simb\u00f3lica muito grande. A nossa chegada nos munic\u00edpios \u00e9 sempre recebida com certa euforia, particularmente naqueles munic\u00edpios menores, onde as condi\u00e7\u00f5es, muitas vezes, s\u00e3o prec\u00e1rias. Quando as nossas colegas professoras que acompanham mais de perto esse processo formativo retornam aos munic\u00edpios e \u00e0s escolas para outras visitas de forma\u00e7\u00e3o, s\u00e3o recebidas pela meninada que as encontram na rua com um carinhoso \u201celas, chegaram, \u00e9 a mo\u00e7a do computador! Olha, \u00e9 a mo\u00e7a do computador!\u201d. Esta \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima dessa turma pequena, que v\u00ea na internet e no computador uma possibilidade de cria\u00e7\u00e3o maior do que aquela que encontram nas salas de aula. E a expectativa e manifesta\u00e7\u00e3o clara dos meninos de que \u201ca mo\u00e7a do computador\u201d possa ser portadora de mudan\u00e7as no sistema escolar, de inser\u00e7\u00e3o da escola num contexto mais contempor\u00e2neo, de liberdade, e complemento, sem significar uma simples ades\u00e3o \u00e0s novidades. Num primeiro momento, seguramente ainda presos \u00e0 ideia de que ali encontrar\u00e3o apenas espa\u00e7os para os videogames e orkuts, a euforia se resume a este uso. Depois, aparecem outras possibilidades, como as pesquisas em sites de buscas. Depois, na maioria das vezes muitos antes, pois essa ordem n\u00e3o \u00e9 direta nem deve ser imposta, come\u00e7am a criar mais intensamente. E quando criam, fazem v\u00eddeos, \u00e1udios, textos, remixam coisas, misturam as diversas linguagens. Aqui est\u00e1 o foco do que acreditamos ser o centro do processo formativo de professores e alunos: a melhor forma de fazer com que essa turma passe a viver plenamente o universo da cultura digital e lhes proporcionar uma imers\u00e3o intensa no universo de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o propiciado pelas tecnologias digitais. No caso dos professores, pensamos que isso lhes possibilitar\u00e1, t\u00e3o logo estiverem mais relaxados e confort\u00e1veis com a presen\u00e7a dos uquinhas nas suas vidas e nas escolas, incorporarem tudo isso como elementos estruturantes da forma\u00e7\u00e3o da juventude enquanto produtora de conhecimentos e de culturas e n\u00e3o como mera consumidora de informa\u00e7\u00f5es (e de produtos!). Informa\u00e7\u00f5es essas que abundam na internet e que, se n\u00e3o trabalhadas, constituem-se numa mera reprodu\u00e7\u00e3o dos tradicionais<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[8,52],"tags":[],"class_list":["post-2302","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-no-terra-magazine","category-uca","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2302"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2302"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2302\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}