{"id":2260,"date":"2011-07-13T11:20:57","date_gmt":"2011-07-13T14:20:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=2260"},"modified":"2011-07-13T11:20:57","modified_gmt":"2011-07-13T14:20:57","slug":"hackers-e-desenvolvimento-cientifico-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2011\/07\/13\/hackers-e-desenvolvimento-cientifico-brasileiro\/","title":{"rendered":"Hackers e desenvolvimento cient\u00edfico brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>Cerca  de cinco mil jovens de todas as idades estiveram reunidos em Porto  Alegre, no final do m\u00eas passado, durante o 12\u00ba F\u00f3rum Internacional do  Software Livre (FISL), tradicional evento da comunidade hacker  organizado pela Associa\u00e7\u00e3o do Software Livre (ASL) e pelo Projeto  Software Livre Brasil, com apoio de um monte de gente e institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEvento  sempre muito badalado, que j\u00e1 teve a ilustre presen\u00e7a do ex-Presidente  Lula bradando em alto e bom som contra a proposta de Lei do senador  Eduardo Azeredo (PSDB), que ficou conhecida entre n\u00f3s como AI-5 Digital  pela sua tentativa de fazer calar a voz dos internautas que vivem  plenamente a rede, criminalizando tudo que circula pela internet. O FISL  j\u00e1 recebeu tamb\u00e9m o hacker ministro Gilberto Gil, que participou de um  hist\u00f3rico encontro com Lawrence Lessig, do Creative Commons, e Richard Stalman, da Free Software Foudantion, a funda\u00e7\u00e3o que \u201csegura\u201d institucionalmente as licen\u00e7as que garantem o sistema livre GNU\/Linux.<br \/>\nEste  ano, a maior autoridade governamental presente no F\u00f3rum foi o ministro  da Ci\u00eancia e Tecnologia, Alo\u00edsio Mercadante. Al\u00e9m de uma confer\u00eancia  p\u00fablica, Mercadante, articulado pelo ativista e professor da Federal do  ABC S\u00e9rgio Amadeu, teve um encontro com os hackers presentes no evento.  Do encontro saiu a proposta de que o MCT passasse a assumir posi\u00e7\u00e3o de  vanguarda no apoio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e \u00e0s liberdades no ciberespa\u00e7o,  fortalecendo a cria\u00e7\u00e3o de tecnologias de ponta desenvolvidas na  periferia do sistema.<br \/>\nPor  outro lado, o governo brasileiro tem sido refer\u00eancia no mundo, em raz\u00e3o  da sua postura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 governan\u00e7a da internet, com especial  destaque para a quest\u00e3o da neutralidade da rede e da cultura digital,  especialmente no que diz respeito \u00e0s mudan\u00e7as propostas para a  legisla\u00e7\u00e3o sobre direito autoral e da cultura (livre) digital, pol\u00edtica  essa que tinha enorme repercuss\u00e3o nacional e internacional quando no  comando do MinC estavam Gilberto Gil e Juca Ferreira. O triste  retrocesso do atual MinC &#8211; e que tem gerado muito protesto, os quais,  lamentavelmente, a Presidenta Dilma parecer n\u00e3o querer ouvir! &#8211; quem  sabe possa ser compensado por uma a\u00e7\u00e3o mais contundente do Minist\u00e9rio da  C&amp;T.<br \/>\nO  MCT pode exercer importante papel na implanta\u00e7\u00e3o de uma consistente  pol\u00edtica de apoio ao desenvolvimento cientifico e tecnol\u00f3gico, atrav\u00e9s  do incentivo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o livre realizada nos coletivos de desenvolvimento  aberto e colaborativo de tecnologias livres, bem como a partir da  implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que incentivem as pr\u00e1ticas recombinantes, a  remixagem de conte\u00fados e cria\u00e7\u00f5es, e a livre e solta produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia  e tecnologias. Isso porque n\u00e3o basta pensar em grandes grupos de  pesquisas, nas universidades, nos institutos de pesquisas e continuar  com a cabe\u00e7a arrumadinha da ci\u00eancia produtivista contempor\u00e2nea, s\u00f3  cogitando solu\u00e7\u00f5es mirabolantes a partir de grandes projetos. Esses s\u00e3o  importantes, evidentemente, mas muito mais precisa ser feito.<br \/>\nDa  reuni\u00e3o com Mercadante, uma importante proposta foi lan\u00e7ada e precisa  ser implantada: a forma\u00e7\u00e3o de um sistema de fomento e incentivo ao  desenvolvimento de tecnologias colaborativas, com \u00eanfase nos pequenos  grupos e at\u00e9 mesmo inventores e desenvolvedores isolados. O grupo  presente na reuni\u00e3o, cerca de umas 40 pessoas, est\u00e1 produzindo um  pequeno documento refer\u00eancia que ser\u00e1 objeto de encontro ainda este m\u00eas  (esperamos!) com uma equipe especialmente designada pelo Ministro para  desenvolver a proposta. O que se quer \u00e9 fortalecer e incentivar o saber  coletivo que \u00e9 produzido e que circula fora das Universidades,  Institutos de Pesquisa ou do mundo empresarial. N\u00e3o se trata de uma  oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 esses espa\u00e7os institu\u00eddos de cria\u00e7\u00e3o e pesquisa, mas de  compreender que eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos. Mais do que isso, compreender  que, para que eles pr\u00f3prios sejam fortalecidos, necess\u00e1rio se faz que os  outros espa\u00e7os sejam reconhecidos e o di\u00e1logo estabelecido. Isso tudo,  da mesma forma como se deu com o MinC do governo Lula, que atuou de  forma propositiva, estimulando a cria\u00e7\u00e3o dos Pontos de Cultura, que,  articulados, s\u00e3o hoje uma rica manifesta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de cultura em  nosso pa\u00eds. Nessa mesma linha, ocupando esse nicho, o MCT poderia criar  um novo e ousado sistema de inova\u00e7\u00e3o, pautado no fomento de uma cultura  de computa\u00e7\u00e3o mais confi\u00e1vel para a sociedade civil e tamb\u00e9m livre das  amarras burocr\u00e1ticas dos pseudos controles que infernizam a vida de quem  busca apoio financeiro para criar, seja ci\u00eancia ou cultura.<br \/>\nAo  longo dos \u00faltimos anos, pelo menos quatro propostas de fortalecimento  desta perspectiva inovadora e fortalecedora da forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da  juventude j\u00e1 foram postas na mesa e divulgadas em diferentes espa\u00e7os.  Ennio Candotti, quando na Presid\u00eancia da SBPC, falava nas OCA (Oficina  de Ci\u00eancias e Artes); eu tenho me referido \u00e0 ideia de cria\u00e7\u00e3o dos Pontos  de Ci\u00eancia e Tecnologia, na linha (e quem sabe articulado!) dos Pontos  de Cultura do MinC; S\u00e9rgio Amadeu prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de garagens de  cria\u00e7\u00e3o cient\u00edfica; e o badalado neurocientista Miguel Nicolelis,  figurinha f\u00e1cil hoje em dia em todos os eventos aqui e acol\u00e1, escreveu  um Manifesto da Ci\u00eancia Tropical, todos mais ou menos na mesma linha. Em  \u00faltima inst\u00e2ncia, todos prop\u00f5em a implanta\u00e7\u00e3o de um jeito hacker do  Estado ao se relacionar com os criadores e inventores e, ao mesmo,  tempo, uma forma de futucar mais diretamente as pol\u00edticas p\u00fablicas muito  certinhas emanadas do campo educacional. Pol\u00edticas que, no fundo,  buscam apenas por o sistema em funcionamento de forma correta,  sem nenhuma a\u00e7\u00e3o mais contundente numa perspectiva de revolucionar a  forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens. Estas pol\u00edticas publicas educacionais  est\u00e3o apenas tentando arrumar a educa\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX para ser  transmudada ao s\u00e9culo XXI. Seria esse o caminho? Penso que n\u00e3o.<br \/>\nCrian\u00e7as  e jovens que j\u00e1 nascem hacker e come\u00e7am desde cedo a se relacionar com a  ci\u00eancia, a tecnologia, a cultura e todos os processos criativos de  forma animada e intensa, num rico processo de cria\u00e7\u00e3o permanente,  lamentavelmente, ao longo de sua forma\u00e7\u00e3o, com o tempo e a escola, v\u00e3o  perdendo esse jeito hacker de ser. Passam a se relacionar com esses  processos de maneira absolutamente burocr\u00e1ticas e desvitalizada, como,  ali\u00e1s, vem sendo feito com quase tudo na sociedade contempor\u00e2nea. Aqui e  no mundo&#8230;<br \/>\nA  partir do encontro com o ministro Mercadante, no FISL 12, ficou a  expectativa de que ele, mesmo sem ter ainda a \u201ccabe\u00e7a feita\u201d do Ministro  Gil, possa ser a nossa esperan\u00e7a de que o governo Dilma considere os  hackers e a juventude fortes aliados para o desenvolvimento de um pa\u00eds  aut\u00f4nomo, independente e criativo.<br \/>\nNelson Pretto &#8211; professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia &#8211; www.pretto.info<\/p>\n<p>Ser\u00e1 Publicado no Terra Magazine de 15.07.2011. <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI5242540-EI17985,00-Hackers+e+desenvolvimento+cientifico+brasileiro.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de cinco mil jovens de todas as idades estiveram reunidos em Porto Alegre, no final do m\u00eas passado, durante o 12\u00ba F\u00f3rum Internacional do Software Livre (FISL), tradicional evento da comunidade hacker organizado pela Associa\u00e7\u00e3o do Software Livre (ASL) e pelo Projeto Software Livre Brasil, com apoio de um monte de gente e institui\u00e7\u00f5es. Evento sempre muito badalado, que j\u00e1 teve a ilustre presen\u00e7a do ex-Presidente Lula bradando em alto e bom som contra a proposta de Lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB), que ficou conhecida entre n\u00f3s como AI-5 Digital pela sua tentativa de fazer calar a voz dos internautas que vivem plenamente a rede, criminalizando tudo que circula pela internet. O FISL j\u00e1 recebeu tamb\u00e9m o hacker ministro Gilberto Gil, que participou de um hist\u00f3rico encontro com Lawrence Lessig, do Creative Commons, e Richard Stalman, da Free Software Foudantion, a funda\u00e7\u00e3o que \u201csegura\u201d institucionalmente as licen\u00e7as que garantem o sistema livre GNU\/Linux. Este ano, a maior autoridade governamental presente no F\u00f3rum foi o ministro da Ci\u00eancia e Tecnologia, Alo\u00edsio Mercadante. Al\u00e9m de uma confer\u00eancia p\u00fablica, Mercadante, articulado pelo ativista e professor da Federal do ABC S\u00e9rgio Amadeu, teve um encontro com os hackers presentes no evento. Do encontro saiu a proposta de que o MCT passasse a assumir posi\u00e7\u00e3o de vanguarda no apoio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e \u00e0s liberdades no ciberespa\u00e7o, fortalecendo a cria\u00e7\u00e3o de tecnologias de ponta desenvolvidas na periferia do sistema. Por outro lado, o governo brasileiro tem sido refer\u00eancia no mundo, em raz\u00e3o da sua postura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 governan\u00e7a da internet, com especial destaque para a quest\u00e3o da neutralidade da rede e da cultura digital, especialmente no que diz respeito \u00e0s mudan\u00e7as propostas para a legisla\u00e7\u00e3o sobre direito autoral e da cultura (livre) digital, pol\u00edtica essa que tinha enorme repercuss\u00e3o nacional e internacional quando no comando do MinC estavam Gilberto Gil e Juca Ferreira. O triste retrocesso do atual MinC &#8211; e que tem gerado muito protesto, os quais, lamentavelmente, a Presidenta Dilma parecer n\u00e3o querer ouvir! &#8211; quem sabe possa ser compensado por uma a\u00e7\u00e3o mais contundente do Minist\u00e9rio da C&amp;T. O MCT pode exercer importante papel na implanta\u00e7\u00e3o de uma consistente pol\u00edtica de apoio ao desenvolvimento cientifico e tecnol\u00f3gico, atrav\u00e9s do incentivo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o livre realizada nos coletivos de desenvolvimento aberto e colaborativo de tecnologias livres, bem como a partir da implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que incentivem as pr\u00e1ticas recombinantes, a remixagem de conte\u00fados e cria\u00e7\u00f5es, e a livre e solta produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologias. Isso porque n\u00e3o basta pensar em grandes grupos de pesquisas, nas universidades, nos institutos de pesquisas e continuar com a cabe\u00e7a arrumadinha da ci\u00eancia produtivista contempor\u00e2nea, s\u00f3 cogitando solu\u00e7\u00f5es mirabolantes a partir de grandes projetos. Esses s\u00e3o importantes, evidentemente, mas muito mais precisa ser feito. Da reuni\u00e3o com Mercadante, uma importante proposta foi lan\u00e7ada e precisa ser implantada: a forma\u00e7\u00e3o de um sistema de fomento e incentivo ao desenvolvimento de tecnologias colaborativas, com \u00eanfase nos pequenos grupos e at\u00e9 mesmo inventores e desenvolvedores isolados. O grupo presente na reuni\u00e3o, cerca de umas 40 pessoas, est\u00e1 produzindo um pequeno documento refer\u00eancia que ser\u00e1 objeto de encontro ainda este m\u00eas (esperamos!) com uma equipe especialmente designada pelo Ministro para desenvolver a proposta. O que se quer \u00e9 fortalecer e incentivar o saber coletivo que \u00e9 produzido e que circula fora das Universidades, Institutos de Pesquisa ou do mundo empresarial. N\u00e3o se trata de uma oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 esses espa\u00e7os institu\u00eddos de cria\u00e7\u00e3o e pesquisa, mas de compreender que eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos. Mais do que isso, compreender que, para que eles pr\u00f3prios sejam fortalecidos, necess\u00e1rio se faz que os outros espa\u00e7os sejam reconhecidos e o di\u00e1logo estabelecido. Isso tudo, da mesma forma como se deu com o MinC do governo Lula, que atuou de forma propositiva, estimulando a cria\u00e7\u00e3o dos Pontos de Cultura, que, articulados, s\u00e3o hoje uma rica manifesta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de cultura em nosso pa\u00eds. Nessa mesma linha, ocupando esse nicho, o MCT poderia criar um novo e ousado sistema de inova\u00e7\u00e3o, pautado no fomento de uma cultura de computa\u00e7\u00e3o mais confi\u00e1vel para a sociedade civil e tamb\u00e9m livre das amarras burocr\u00e1ticas dos pseudos controles que infernizam a vida de quem busca apoio financeiro para criar, seja ci\u00eancia ou cultura. Ao longo dos \u00faltimos anos, pelo menos quatro propostas de fortalecimento desta perspectiva inovadora e fortalecedora da forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da juventude j\u00e1 foram postas na mesa e divulgadas em diferentes espa\u00e7os. Ennio Candotti, quando na Presid\u00eancia da SBPC, falava nas OCA (Oficina de Ci\u00eancias e Artes); eu tenho me referido \u00e0 ideia de cria\u00e7\u00e3o dos Pontos de Ci\u00eancia e Tecnologia, na linha (e quem sabe articulado!) dos Pontos de Cultura do MinC; S\u00e9rgio Amadeu prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de garagens de cria\u00e7\u00e3o cient\u00edfica; e o badalado neurocientista Miguel Nicolelis, figurinha f\u00e1cil hoje em dia em todos os eventos aqui e acol\u00e1, escreveu um Manifesto da Ci\u00eancia Tropical, todos mais ou menos na mesma linha. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, todos prop\u00f5em a implanta\u00e7\u00e3o de um jeito hacker do Estado ao se relacionar com os criadores e inventores e, ao mesmo, tempo, uma forma de futucar mais diretamente as pol\u00edticas p\u00fablicas muito certinhas emanadas do campo educacional. Pol\u00edticas que, no fundo, buscam apenas por o sistema em funcionamento de forma correta, sem nenhuma a\u00e7\u00e3o mais contundente numa perspectiva de revolucionar a forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens. Estas pol\u00edticas publicas educacionais est\u00e3o apenas tentando arrumar a educa\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX para ser transmudada ao s\u00e9culo XXI. Seria esse o caminho? Penso que n\u00e3o. Crian\u00e7as e jovens que j\u00e1 nascem hacker e come\u00e7am desde cedo a se relacionar com a ci\u00eancia, a tecnologia, a cultura e todos os processos criativos de forma animada e intensa, num rico processo de cria\u00e7\u00e3o permanente, lamentavelmente, ao longo de sua forma\u00e7\u00e3o, com o tempo e a escola, v\u00e3o perdendo esse jeito hacker de ser. Passam a se relacionar com esses processos de maneira absolutamente burocr\u00e1ticas e desvitalizada, como, ali\u00e1s, vem sendo feito com quase tudo na sociedade contempor\u00e2nea. 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