{"id":2234,"date":"2009-10-10T12:34:00","date_gmt":"2009-10-10T12:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2009\/10\/10\/taximetro-academico\/"},"modified":"2009-10-10T12:34:00","modified_gmt":"2009-10-10T12:34:00","slug":"taximetro-academico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2009\/10\/10\/taximetro-academico\/","title":{"rendered":"Taximetro acad\u00eamico"},"content":{"rendered":"<p>Durante a &uacute;ltima 32&ordf; ANPEd (out.2009), e ao longo dos &uacute;ltimos anos, discute-se muito no interior das Univerdades os sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o, centrados, de uma maneira geral, em l&oacute;gicas produtivistas baseadas na efic&aacute;cia e efici&ecirc;ncia do trabalho acad&ecirc;mico.<br \/>Dura discuss&atilde;o que acontece em todo o mundo e, no caso brasileiro, ganha novos contronos com a defini&ccedil;&atilde;o de um novo Qualis &#8211; sistema de avalia&ccedil;&atilde;o e rankeamento das revistas cad&ecirc;micas &#8211; em implanta&ccedil;&atilde;o pelo governo, mais especificamente pela CAPES.<br \/>Destaco aqui o maravilhoso texto do professor Muricio Rocha-e-Silva, editor da revista Clinics, e que gerou uma dura e bem humorada carta ao Presidente da Caes.<br \/>Pela qualidade do texto e dos argumento, reproduzo um tico aqui em baixo&#8230;<\/p>\n<p>&quot;Professor Doutor Jorge Guimar&atilde;es<br \/>DD Presidente, CAPES<br \/>S&atilde;o Paulo, 2 de agosto de 2009.<\/p>\n<p>Meu caro Jorge<\/p>\n<p> Voc&ecirc; j&aacute; viu, n&atilde;o &eacute;, o Novo Qualis est&aacute; dando pano pra mangas! At&eacute;<br \/>rendeu excelente mat&eacute;ria em &quot;O Estado de S&atilde;o Paulo&quot; sob o sugestivo<br \/>t&iacute;tulo Ranking coloca revistas cient&iacute;ficas brasileiras em &#8216;risco de<br \/> extin&ccedil;&atilde;o&#8217;.1 Entrevistado, voc&ecirc; disse &quot;n&atilde;o concordar com algumas<br \/>mudan&ccedil;as como a limita&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de revistas que podem ser<br \/>classificadas num determinado estrato.&quot; Viva! O Senhor Presidente<br \/>come&ccedil;ou a ver o problema! Infelizmente voc&ecirc; adotou um tom de cr&iacute;tica<br \/> ultraleve, para minimizar, como mero detalhe, esta que &eacute; a mais<br \/>perversa das inven&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; dos Numer&oacute;logos Alienados (CNA).<br \/>Desculpe-me, mas inventei esta sigla porque siglas est&atilde;o na moda e<br \/>porque me recuso a lembrar o nome oficial do Comit&ecirc;. Ao decidir que<br \/> apenas 25% dos peri&oacute;dicos do mundo s&atilde;o dignos de figurar no Qualis A,<br \/>os Alienados estabeleceram, talvez sem notar, curiosa e inevit&aacute;vel<br \/>conseq&uuml;&ecirc;ncia matem&aacute;tica: o valor limite para cada &aacute;rea foi fixado por<br \/>numerologia, sem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com a realidade da respectiva<br \/> produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica&quot; &#8230;<\/p>\n<p>e por ai Rocha-e-Silva vai, desenrolando seus argumentos, para, finalmente, terminar com o que ele chama de, &quot;uma norta leve&quot;.<\/p>\n<p>Rocha-e-Silva:<\/p>\n<p>&quot;quem sabe, meu caro Jorge, voc&ecirc; podia imitar o<br \/>que aconteceu no domingo, 26 de julho, em Belgrado, durante a final da<br \/> Liga Mundial de V&ocirc;lei. Quando o juiz de cadeira, um holand&ecirc;s<br \/>simp&aacute;tico, cometeu erro grotesco de arbitragem, a mesa de anotadores,<br \/>exorbitando de suas atribui&ccedil;&otilde;es, fez algo que eu, velho f&atilde; do v&ocirc;lei,<br \/>nunca tinha visto. Chamou o holand&ecirc;s e mui simplesmente deu-lhe a<br \/> ordem pol&iacute;tica: mude sua decis&atilde;o, porque n&atilde;o d&aacute; para viver com esse<br \/>erro! Pois n&atilde;o &eacute; que funcionou: o homem voltou para a cadeira e mudou<br \/>a decis&atilde;o! Por incr&iacute;vel, que pare&ccedil;a, meu companheiro Jorge, o mundo<br \/>n&atilde;o acabou! Zeus que mora logo ao lado, no Monte Olimpo, n&atilde;o lhe<br \/> atirou um de seus raios fatais; Ares n&atilde;o declarou guerra; talvez at&eacute;<br \/>mais realisticamente, os vinte mil s&eacute;rvios &quot;prejudicados&quot; n&atilde;o saltaram<br \/>da arquibancada por sobre a cerca baixa para trucidar o holand&ecirc;s. O<br \/> jogo acabou em paz, limpo e transparente! Agora cabe a voc&ecirc;, meu caro,<br \/>chamar os numer&oacute;logos e ordenar-lhes que rediscutam amplamente,<br \/>conosco! E que depois consertem, porque n&atilde;o d&aacute; para viver com erro t&atilde;o<br \/>grotesco. Fa&ccedil;a o que &eacute; preciso, Jorge: mande o novo Qualis para Netuno<br \/> (ou para Poseidon se estiver numa veia mais hel&ecirc;nica)! Mexer nos<br \/>crit&eacute;rios, Jorge, &eacute; preciso, porque mexer, assim como navegar, &eacute;<br \/>preciso! <\/p>\n<p>Com toda minha admira&ccedil;&atilde;o, amizade e cordialidade<\/p>\n<p>Um grande abra&ccedil;o<\/p>\n<p>Mauricio Rocha e Silva<\/p>\n<p>Editor, Clinics&quot;<\/p>\n<p>O texto acad&ecirc;mico integral est&aacute; dispon&iacute;vel no Scielo, com a seguinte refer&ecirc;ncia<\/p>\n<h3><span style=\"background:transparent none repeat scroll 0 0;font-weight:100;font-size:70%\">ROCHA-E-SILVA,  Mauricio. O novo Qualis, ou a trag&eacute;dia anunciada.<i> Clinics<\/i> [online]. \t\t \t\t 2009, \t\t\t\t vol.64, n.1, pp. 1-4. \t\t\t\t ISSN .&nbsp; \t\t \tdoi: 10.1590\/S1807-59322009000100001. <!--transformed by JAVA 12:10:59 10-10-2009--><!-- fez corretamente --> <\/span>[<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1807-59322009000100001\">link direto<\/a>]<\/h3>\n<p>A carta que circulou na internet est&aacute; abaixo, na integra. Grato Cesar Leiro pelo envio da carta.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\"><span style=\"font-size:large\">O Novo Qualis, que n&atilde;o tem nada a ver com a ci&ecirc;ncia do Brasil. Carta aberta ao presidente da CAPES<\/span><\/p>\n<p class=\"western\">Mauricio Rocha-e-Silva &#8211; Hospital das Cl&iacute;nicas, Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;o<br \/>Paulo &ndash; S&atilde;o Paulo\/SP, Brazil. <a target=\"_blank\" href=\"mailto:mrsilva36@hcnet.usp.br\" rel=\"noopener\">mrsilva36@hcnet.usp.br<\/a><\/p>\n<p class=\"western\">Professor Doutor Jorge Guimar&atilde;es<br \/>DD Presidente, CAPES<br \/>S&atilde;o Paulo, 2 de agosto de 2009.<\/p>\n<p class=\"western\">Meu caro Jorge<\/p>\n<p class=\"western\">Voc&ecirc; j&aacute; viu, n&atilde;o &eacute;, o Novo Qualis est&aacute; dando pano pra mangas! At&eacute;<br \/>rendeu excelente mat&eacute;ria em &quot;O Estado de S&atilde;o Paulo&quot; sob o sugestivo<br \/>t&iacute;tulo Ranking coloca revistas cient&iacute;ficas brasileiras em &#8216;risco de<br \/>extin&ccedil;&atilde;o&#8217;.1 Entrevistado, voc&ecirc; disse &quot;n&atilde;o concordar com algumas<br \/>mudan&ccedil;as como a limita&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de revistas que podem ser<br \/>classificadas num determinado estrato.&quot; Viva! O Senhor Presidente<br \/>come&ccedil;ou a ver o problema! Infelizmente voc&ecirc; adotou um tom de cr&iacute;tica<br \/>ultraleve, para minimizar, como mero detalhe, esta que &eacute; a mais<br \/>perversa das inven&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; dos Numer&oacute;logos Alienados (CNA).<br \/>Desculpe-me, mas inventei esta sigla porque siglas est&atilde;o na moda e<br \/>porque me recuso a lembrar o nome oficial do Comit&ecirc;. Ao decidir que<br \/>apenas 25% dos peri&oacute;dicos do mundo s&atilde;o dignos de figurar no Qualis A,<br \/>os Alienados estabeleceram, talvez sem notar, curiosa e inevit&aacute;vel<br \/>conseq&uuml;&ecirc;ncia matem&aacute;tica: o valor limite para cada &aacute;rea foi fixado por<br \/>numerologia, sem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com a realidade da respectiva<br \/>produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Apenas um exemplo: na Medicina I, o fator de<br \/>impacto limite &eacute; 3.7, porque 25% das revistas mundiais nas categorias<br \/>(&quot;subject categories&quot; do JCR) inclu&iacute;das em Medicina 1 t&ecirc;m fator de<br \/>impacto &gt; 3.7. Rela&ccedil;&atilde;o com a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira em<br \/>Medicina 1? Nenhuma! Alias, quem se der ao trabalho de ler o documento<br \/>b&aacute;sico do CNA vai constatar a completa falta de preocupa&ccedil;&atilde;o com essa<br \/>&quot;insignific&acirc;ncia&quot;. Este fato &eacute; t&atilde;o importante que &eacute; preciso enfatizar.<br \/>Atrav&eacute;s dessa numerologia arbitr&aacute;ria os Senhores Alienados criaram uma<br \/>tabela que vale para o Afeganist&atilde;o, Haiti, Estados Unidos, Su&iacute;&ccedil;a e<br \/>Ruanda. Tamb&eacute;m para Marte, J&uacute;piter ou Netuno. Ou se quisermos ter um<br \/>ataque de Helenismo erudito, para Ares, Zeus e Poseidon! Em outras<br \/>palavras n&atilde;o vale para ningu&eacute;m! &Eacute; apenas um fetiche! &quot;To the best of<br \/>my knowledge&quot;, como se diz por a&iacute;, ningu&eacute;m havia divulgado esse<br \/>aspecto do Novo Qualis. Se voc&ecirc; preferir uma posi&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, a&iacute; vai:<br \/>a base de constru&ccedil;&atilde;o do Qualis A est&aacute; metodologicamente viciada: &eacute; uma<br \/>quase impossibilidade estat&iacute;stica (p &lt; 10-50, algo como a<br \/>probabilidade de dar zebra no hipot&eacute;tico basquete ilustrado mais<br \/>adiante) que o primeiro quartil dos peri&oacute;dicos de CADA uma das SUBJECT<br \/>CATEGORIES do ISI seja o limite adequado para CADA UMA das &aacute;reas da<br \/>Ci&ecirc;ncia Brasileira. Mas nem tudo est&aacute; perdido, pois ganhamos um aliado<br \/>importante: estamos te recebendo de bra&ccedil;os abertos, ilustre Presidente<br \/>para jogar no nosso time. Quem sabe at&eacute; ser nosso capit&atilde;o: Como nos<br \/>nossos bons e velhos tempos de estudantes, vamos sair pra rua, atr&aacute;s<br \/>de uma faixa com um bom slogan: Abaixo o Novo Qualis! Restaure-se o<br \/>realismo!<\/p>\n<p class=\"western\">Mas o problema n&atilde;o se esgota nessa numerologia alienada! Ningu&eacute;m<br \/>discute que o velho Qualis est&aacute; superado e h&aacute; que criar nova forma de<br \/>classifica&ccedil;&atilde;o para as publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas brasileiras. Desculpe-me<br \/>o repetir aquilo que voc&ecirc; mesmo orgulhosamente tem dito, nossa ci&ecirc;ncia<br \/>cresceu consideravelmente em qualidade e geometricamente em<br \/>quantidade. Acrescento que em qualidade, somos o N&uacute;mero Um do BRIC<br \/>(Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China). Em quantidade, o N&uacute;mero Quatro. Mas<br \/>quando comparamos nossa qualidade com a do primeiro mundo ainda h&aacute; um<br \/>longo caminho a percorrer. Publicamos mais que a Su&iacute;&ccedil;a, mas a<br \/>qualidade fica muito atr&aacute;s. Como se medem essas coisas? O Qualis velho<br \/>j&aacute; usava o Fator de Impacto como medida de qualidade, porque n&atilde;o havia<br \/>escolha: naquele tempo era a &uacute;nica r&eacute;gua dispon&iacute;vel. E se aos nossos<br \/>olhos de 2009, o velho Qualis parece baixo h&aacute; que lembrar que era<br \/>realista quando criado. E por ser realista, era ating&iacute;vel. E por isso<br \/>n&atilde;o distorceu a avalia&ccedil;&atilde;o. Muito pelo contr&aacute;rio: contribuiu para<br \/>&quot;puxar&quot; para cima a qualidade da ci&ecirc;ncia brasileira, e isso devemos &agrave;<br \/>CAPES! Obrigado a voc&ecirc; e aos seus antecessores! Mas neste novo<br \/>mil&ecirc;nio, existem r&eacute;guas novas. E a tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o est&aacute; anos<br \/>luz adiante dos tempos do velho Qualis. E aqui est&aacute; justamente o<br \/>segundo grande problema do novo Qualis: enclausuraram a avalia&ccedil;&atilde;o da<br \/>produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira na camisa de for&ccedil;a de um &uacute;nico e<br \/>discut&iacute;vel crit&eacute;rio, o Fator de Impacto do JCR. Por falar em r&eacute;guas<br \/>novas, o que dizer do &quot;metro&quot; do Scopus, que abrange quase o dobro dos<br \/>peri&oacute;dicos cobertos pelo ISI? E o Fator H, que tem limita&ccedil;&otilde;es mas pode<br \/>ser corrigido? Mas n&atilde;o! Os Alienados delegaram a um computador situado<br \/>em Philadelphia a avalia&ccedil;&atilde;o da nossa ci&ecirc;ncia. Como gesto de<br \/>subservi&ecirc;ncia intelectual j&aacute; seria p&eacute;ssimo! Pior &eacute; que o dono do<br \/>computador, o Institute for Scientific Information (ISI), j&aacute; cansou de<br \/>alertar: o computador do JCR jamais foi programado para avaliar<br \/>trabalhos cient&iacute;ficos individuais, mas sim peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos.<br \/>Fator de Impacto n&atilde;o oferece qualquer garantia de que o artigo &quot;A&quot;,<br \/>publicado no peri&oacute;dico &quot;X&quot;, com Fator de Impacto &quot;N&quot; tem a qualidade<br \/>prometida pelo Fator de Impacto &quot;N&quot;. Muit&iacute;ssimo pior: aquele gesto de<br \/>subservi&ecirc;ncia ao bom e velho imperialismo ideol&oacute;gico ianque excluiu<br \/>totalmente a intelig&ecirc;ncia humana de qualquer participa&ccedil;&atilde;o no processo<br \/>de avalia&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia brasileira! Cabe a pergunta: foi comodismo (o<br \/>computador faz tudo, a gente descansa) ou foi burrice (nem pensamos<br \/>nisso)?<\/p>\n<p class=\"western\">O terceiro problema deriva da composi&ccedil;&atilde;o de &aacute;rea Qualis de<br \/>p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. J&aacute; o analisei minuciosamente antes,2 mas n&atilde;o custa<br \/>resumir aqui. Cada &aacute;rea de conhecimento CAPES engloba uma pluralidade<br \/>de categorias (&quot;subject categories&quot;) do JCR. Sempre usando Medicina I<br \/>como exemplo, incluem-se ali cerca de 15 &quot;subject categories&quot;<br \/>(allergy, cardiology, clinical neurology, critical care medicine,<br \/>endocrinology, gastroenterology, hematology, immunology, infectious<br \/>diseases, nephrology, oncology, ophthalmology, respiratory system,<br \/>rheumatology, possivelmente mais uma ou outra que me escapou). Estas<br \/>categorias t&ecirc;m enorm<br \/>\nes diferen&ccedil;as de Impacto entre elas. O pr&oacute;prio ISI<br \/>j&aacute; disse um zilh&atilde;o de vezes: &eacute; terminantemente proibido comparar<br \/>Fatores de Impacto entre diferentes &quot;subject categories&quot;, porque cada<br \/>uma tem capacidade intr&iacute;nseca pr&oacute;pria de gerar cita&ccedil;&otilde;es. Mas nossos<br \/>numer&oacute;logos lixam-se! A consequ&ecirc;ncia &eacute; t&atilde;o previs&iacute;vel quanto resultado<br \/>de jogo de basquete Dream Team vs. Caixa Prego FC! As &aacute;reas com alta<br \/>capacidade inerente de receber cita&ccedil;&otilde;es, tipo Oncologia e Imunologia,<br \/>v&atilde;o lotar os n&iacute;veis mais altos da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o brasileira. No outro<br \/>extremo, &aacute;reas com capacidade inerente baixa, tipo Nefrologia e<br \/>Oftalmologia ser&atilde;o relegados aos n&iacute;veis mais baixos. Mas ser&aacute; que a<br \/>Imunologia e Oncologia s&atilde;o mesmo ci&ecirc;ncias de elite, enquanto<br \/>Nefrologia e Oftalmologia s&atilde;o a ral&eacute;? Quando puder, companheiro,<br \/>pergunte aos numer&oacute;logos: a pergunta &eacute; v&aacute;lida porque estou convencido<br \/>de que, alienadamente, nem perceberam o tamanho do erro e de fato<br \/>acreditam nisso: l&aacute; na rodinha deles, desconfio que suas sinceras<br \/>cabecinhas balan&ccedil;am afirmativamente; j&aacute; em p&uacute;blico suas falsas l&iacute;nguas<br \/>gritam &quot;n&atilde;o&quot;! Mas assim como &eacute; certo que o Dream Team ganharia de<br \/>lavada, tamb&eacute;m &eacute; certo que o novo Qualis far&aacute; com que cada &aacute;rea<br \/>discrimine programas tipo elite e programas tipo ral&eacute;. Tamb&eacute;m &eacute;<br \/>garantido que essa segrega&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ter&aacute; rela&ccedil;&atilde;o com qualidades ou<br \/>defeitos, apenas com as respectivas capacidades inerentes de gerar<br \/>cita&ccedil;&otilde;es. Voltando ao argumento t&eacute;cnico, a Tabela 1<br \/>&lt;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1807-59322009000800002&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#tab01\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1807-59322009000800002&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#tab01<\/a>&gt;<br \/>prova o que estou dizendo:<\/p>\n<p class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\">Portanto, pela pr&oacute;pria e furad&iacute;ssima metodologia numerol&oacute;gica dos<br \/>Alienados, o Qualis A (Impact Factor &gt; 3.7) &eacute; altamente permissivo<br \/>para Oncologia (deveria ser 4.5), altamente restritivo para<br \/>Oftalmologia (deveria ser 2.5), como quer&iacute;amos demonstrar! Quem quiser<br \/>se dar ao trabalho, pode repetir essa opera&ccedil;&atilde;o para qualquer &aacute;rea e<br \/>vai provar a mesma coisa, mutatis mutandi. Mas deixemos de lado essa<br \/>erudi&ccedil;&atilde;o besta e voltemos &agrave; met&aacute;fora esportiva. Afirmo e assino<br \/>embaixo: o novo Qualis &quot;rouba&quot; a favor de Oncologia e &quot;bate a<br \/>carteira&quot; da Oftalmologia (como sabe, Jorge, n&atilde;o sou oncologista ou<br \/>oftalmologista). Simplesmente peguei o &quot;l&iacute;der&quot; e o &quot;lanterna&quot; do<br \/>ranking Medicina I. N&atilde;o estou acusando ningu&eacute;m, fora, &eacute; claro, os<br \/>Alienados; e apenas para tentar impedir que esse jogo absurdo seja<br \/>jogado. Esta &eacute; apenas a pequena acusa&ccedil;&atilde;o. A grande vem depois. N&atilde;o<br \/>podemos nos dispersar: vamos &agrave; luta! Seja nosso capit&atilde;o, Jorge!<\/p>\n<p class=\"western\">O quarto problema diz respeito aos peri&oacute;dicos brasileiros. Aqui, o<br \/>esnobismo dos numer&oacute;logos se junta a certo saudosismo brega pela moda<br \/>chique do s&eacute;culo passado. Os ilustres Senhores aprenderam etiqueta de<br \/>publica&ccedil;&atilde;o nos anos 60-80 com seus maiores (como eu aprendi com o<br \/>velho Mauricio!): publicar em peri&oacute;dico brasileiro era burrice e<br \/>vergonha! Ningu&eacute;m lia, ningu&eacute;m tinha acesso, etc, etc. Mas parece que<br \/>os tipos nem perceberam que j&aacute; estamos no S&eacute;culo XXI. E aqui tamb&eacute;m,<br \/>Jorge, aqui na ci&ecirc;ncia, a moda chique come&ccedil;a a mudar: nestes primeiros<br \/>nove anos, os downloads de artigos da cole&ccedil;&atilde;o SciELO saltaram de menos<br \/>de meio milh&atilde;o para quase 100 milh&otilde;es\/ano. &Eacute; isso mesmo: somos hoje<br \/>duzentas vezes (vinte mil por cento!) mais lidos que em 2000! N&atilde;o me<br \/>entenda mal, meu amigo! N&atilde;o estou querendo dizer que ao sul do Tr&oacute;pico<br \/>de C&acirc;ncer se publica ci&ecirc;ncia t&atilde;o boa quanto ao norte. Mas essa<br \/>diferen&ccedil;a, que &eacute; real, n&atilde;o exclui a exist&ecirc;ncia de viez<br \/>anti-peri&oacute;dicos-terceiromundistas. Este viez define-se em poucas<br \/>palavras: a diferen&ccedil;a de impacto &eacute; muito maior que a diferen&ccedil;a de<br \/>qualidade. Traduzindo para o &oacute;bvio ululante: se um autor puder<br \/>escolher entre citar artigos de qualidade semelhante, um o New England<br \/>Journal, outro do Brazilian Journal, geralmente vai preferir o<br \/>primeiro. Vale para autores do mundo inteiro, inclusive para<br \/>brasileiros. Vale at&eacute; naqueles casos em que o artigo do Brazilian &eacute;<br \/>melhor que o do New England. Lembre-se, meu amigo: como diz o pr&oacute;prio<br \/>ISI, o alto Fator de impacto da revista &quot;X&quot; n&atilde;o garante que o artigo<br \/>&quot;A&quot; seja bom! S&oacute; que &eacute; mais chique citar New England que Brazillan!<br \/>Depois que virei editor ando req&uuml;entando outras rodas, Jorge. Vou<br \/>sempre &agrave;s reuni&otilde;es do Council for Science Editors dos Estados Unidos.<br \/>At&eacute; mesmo eles reconhecem este fato: revistas dos &quot;developing<br \/>countries&quot; t&ecirc;m menor impacto intr&iacute;nseco que as do primeiro mundo<br \/>(assim como oftalmologia vs. oncologia, mutatis mutandi). E aqui<br \/>chegamos ao grande paradoxo, que periga descambar para a esquizofrenia<br \/>oficial: de um lado, na m&atilde;o da hist&oacute;ria, como diria o velho L&ecirc;nin,<br \/>Governo Federal, CNPq, CAPES ap&oacute;iam (e muito!) os peri&oacute;dicos<br \/>brasileiros. Neste ano, CNPq e CAPES nos repassaram R$ 6.000.000,00<br \/>com excelentes crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s s&oacute; temos &eacute; que agradecer!<br \/>Tudo beleza, as revistas brasileiras progredindo a olhos vistos, o<br \/>casamento CNPq-CAPES-SciELO a uni&atilde;o perfeita. Mas agora os numer&oacute;logos<br \/>alienados escaparam pela contra m&atilde;o da hist&oacute;ria e decretaram: fica<br \/>terminantemente proibido publicar em peri&oacute;dicos brasileiros! Quem<br \/>cometer a infra&ccedil;&atilde;o ser&aacute; impiedosamente punido com o rebaixamento de<br \/>sua &aacute;rea de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. &Eacute; isso que cria o risco de extin&ccedil;&atilde;o de que<br \/>fala &quot;O Estado de S&atilde;o Paulo&quot;. Tamb&eacute;m torpedeia brutalmente o trabalho<br \/>do SciELO. Logo o SciELO, que serve de modelo para o mundo! &Eacute; isso que<br \/>queremos, Jorge?<\/p>\n<p class=\"western\">Correndo riscos por defender a preserva&ccedil;&atilde;o dos promissores peri&oacute;dicos<br \/>brasileiros, vou repetir o que tenho escrito e dito (inclusive diante<br \/>do Council for Science Editors): uma boa cole&ccedil;&atilde;o de revistas<br \/>aut&oacute;ctones &eacute;, cada vez mais, imperativo de soberania cient&iacute;fica<br \/>nacional. Na&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o as t&ecirc;m v&atilde;o depender da boa vontade do<br \/>primeiro mundo para publicar. Ou seja, vai continuar dif&iacute;cil publicar<br \/>o que n&atilde;o interessa aos l&aacute; de cima; mais dif&iacute;cil ainda publicar o que<br \/>interessa tanto aos l&aacute; de cima que &eacute; melhor engavetar e deixar os old<br \/>friends &quot;ganhar&quot; a corrida. Todos sabemos que isso ocorre! Guglielmo<br \/>Marconi criou uma Revista Italiana de F&iacute;sica quando percebeu que os do<br \/>norte da Europa iam &quot;sugar&quot; suas descobertas. Pois &eacute;, Jorge: se os<br \/>Alienados n&atilde;o entr<br \/>\nassem em cena, dentro de pouco tempo ter&iacute;amos<br \/>revistas aceit&aacute;veis at&eacute; para os nossos maiores &quot;cobras&quot;! Estou<br \/>portanto acusando formalmente os numer&oacute;logos de ato de lesa-p&aacute;tria.<br \/>Sei que &eacute; brega, mas estou ficando cada dia mais brega!<\/p>\n<p class=\"western\">O que mais pode\/deve ser feito, al&eacute;m de tirar o Qualis do surrealismo<br \/>em que o colocaram: surrealismo, no caso &eacute; (palavras suas, Jorge)<br \/>limitar &quot;o n&uacute;mero de revistas que podem ser classificadas num<br \/>determinado estrato&quot;?1 Al&eacute;m de tirar o Qualis dali, o que fazer para<br \/>proteger as revistas brasileiras? A resposta &eacute; &oacute;bvia, at&eacute; porque j&aacute;<br \/>foi usada pela CAPES no passado: precisamos de um &quot;subs&iacute;dio&quot; para os<br \/>peri&oacute;dicos nacionais, um &quot;desconto&quot; no Fator de Impacto Cr&iacute;tico. Algo<br \/>como 40% em rela&ccedil;&atilde;o aos atuais valores do Qualis em Medicina. Porque<br \/>40%? &Eacute; um valor emp&iacute;rico e operacional, ao qual cheguei por<br \/>aproxima&ccedil;&otilde;es seriadas, sem pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es. Consequentemente, estou<br \/>convencido que &eacute; bem melhor que o fetiche do CNA. Com 40% de desconto,<br \/>o &quot;Qualis A2&quot; para as Medicinas 1, 2, e 3 se altera como mostra a<br \/>Tabela 2 &lt;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1807-59322009000800002&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#tab02\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1807-59322009000800002&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#tab02<\/a>&gt;<br \/>. Para compara&ccedil;&atilde;o, a Tabela 3<br \/>&lt;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1807-59322009000800002&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#tab03\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1807-59322009000800002&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#tab03<\/a>&gt;<br \/>mostra os Fatores de Impacto JCR das cinco maiores revistas<br \/>brasileiras no ano de 2008:3<\/p>\n<p class=\"western\">Repetido para outras &aacute;reas do conhecimento esse exerc&iacute;cio dar&aacute;<br \/>resultados semelhantes. Mesmo com esse &quot;desconto&quot;, apenas 4 peri&oacute;dicos<br \/>brasileiros atingiriam hoje Qualis A2 e apenas para as Medicinas 2 e<br \/>3. Como voc&ecirc; pode ver, n&atilde;o proponho que se escancare a porteira. Mas<br \/>essa &quot;pequena&quot; abertura traria vantagem enorme: quando o velho Qualis<br \/>foi estabelecido nenhuma revista brasileira tinha impacto suficiente<br \/>para ser Qualis Internacional A. Mas os valores daquele tempo criaram<br \/>um horizonte vi&aacute;vel. Em m&eacute;dio prazo, muitas revistas chegaram l&aacute;, com<br \/>grande proveito para a ci&ecirc;ncia brasileira e para os peri&oacute;dicos. Tal<br \/>como est&aacute;, a nova tabela n&atilde;o oferece horizonte vi&aacute;vel! Com 40% de<br \/>desconto algumas j&aacute; chegam ao A2 e muitas outras podem chegar!<\/p>\n<p class=\"western\">Para quase terminar, meu amigo, permito-me a ousadia de botar defeito<br \/>numa das suas afirma&ccedil;&otilde;es ao Estad&atilde;o: Ao comentar as cr&iacute;ticas da<br \/>comunidade, voc&ecirc; disse que &quot;est&atilde;o reclamando deles mesmos&quot;.1 O novo<br \/>Qualis &quot;foi decis&atilde;o dos pares, n&atilde;o da Diretoria (da Capes)&quot;.1 Mas, por<br \/>favor, companheiro Jorge, voc&ecirc; sabe muito bem: decis&atilde;o por pares &eacute;<br \/>decis&atilde;o de m&eacute;rito. O novo Qualis n&atilde;o &eacute; uma decis&atilde;o de m&eacute;rito! &Eacute; uma<br \/>decis&atilde;o pol&iacute;tica! Antes de ser promulgado, teria que ser discutido<br \/>pela comunidade. Tolerar o debate agora, mas afirmar (palavras suas,<br \/>Jorge) que &quot;n&atilde;o vamos mexer nos crit&eacute;rios, porque n&atilde;o precisa&quot;1 &eacute; uma<br \/>forma perversa de centralismo democr&aacute;tico. Se ficarmos assim, s&oacute; nos<br \/>resta esperar pelo impacto do meteoro &quot;Novo Qualis&quot; sobre a ci&ecirc;ncia<br \/>brasileira! Sobre os peri&oacute;dicos brasileiros! E, depois do impacto,<br \/>pensar sobre o que fazer com os restos! Mas felizmente ainda h&aacute; tempo:<br \/>&eacute; imperioso come&ccedil;ar a discutir para valer, na comunidade, n&atilde;o apenas<br \/>entre o p&uacute;blico interno, como desviar a rota do meteoro.<\/p>\n<p class=\"western\">Desculpe-me porque esta carta ficou meio longa, mas n&atilde;o consegui<br \/>desenvolver racionalmente meu argumento completo em poucas palavras.<br \/>Termino numa nota leve: quem sabe, meu caro Jorge, voc&ecirc; podia imitar o<br \/>que aconteceu no domingo, 26 de julho, em Belgrado, durante a final da<br \/>Liga Mundial de V&ocirc;lei. Quando o juiz de cadeira, um holand&ecirc;s<br \/>simp&aacute;tico, cometeu erro grotesco de arbitragem, a mesa de anotadores,<br \/>exorbitando de suas atribui&ccedil;&otilde;es, fez algo que eu, velho f&atilde; do v&ocirc;lei,<br \/>nunca tinha visto. Chamou o holand&ecirc;s e mui simplesmente deu-lhe a<br \/>ordem pol&iacute;tica: mude sua decis&atilde;o, porque n&atilde;o d&aacute; para viver com esse<br \/>erro! Pois n&atilde;o &eacute; que funcionou: o homem voltou para a cadeira e mudou<br \/>a decis&atilde;o! Por incr&iacute;vel, que pare&ccedil;a, meu companheiro Jorge, o mundo<br \/>n&atilde;o acabou! Zeus que mora logo ao lado, no Monte Olimpo, n&atilde;o lhe<br \/>atirou um de seus raios fatais; Ares n&atilde;o declarou guerra; talvez at&eacute;<br \/>mais realisticamente, os vinte mil s&eacute;rvios &quot;prejudicados&quot; n&atilde;o saltaram<br \/>da arquibancada por sobre a cerca baixa para trucidar o holand&ecirc;s. O<br \/>jogo acabou em paz, limpo e transparente! Agora cabe a voc&ecirc;, meu caro,<br \/>chamar os numer&oacute;logos e ordenar-lhes que rediscutam amplamente,<br \/>conosco! E que depois consertem, porque n&atilde;o d&aacute; para viver com erro t&atilde;o<br \/>grotesco. Fa&ccedil;a o que &eacute; preciso, Jorge: mande o novo Qualis para Netuno<br \/>(ou para Poseidon se estiver numa veia mais hel&ecirc;nica)! Mexer nos<br \/>crit&eacute;rios, Jorge, &eacute; preciso, porque mexer, assim como navegar, &eacute;<br \/>preciso!<\/p>\n<p class=\"western\">Com toda minha admira&ccedil;&atilde;o, amizade e cordialidade<\/p>\n<p class=\"western\">Um grande abra&ccedil;o<\/p>\n<p class=\"western\">Mauricio Rocha e Silva<\/p>\n<p class=\"western\">Editor, Clinics<\/p>\n<p class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\">REFER&Ecirc;NCIAS<\/p>\n<p class=\"western\">1. Escobar E. Ranking coloca revistas cient&iacute;ficas brasileiras em<br \/>&#8216;risco de extin&ccedil;&atilde;o&#8217;. O Estado de S&atilde;o Paulo, 6 de julho de 2009, p&aacute;gina<br \/>A13. [ Links ]<\/p>\n<p class=\"western\">2. Rocha-e-Silva M. O Novo Qualis ou a trag&eacute;dia anunciada. Clinics.<br \/>2009;64:1-4. [ Links ]<\/p>\n<p class=\"western\">3. Journal of Citation Reports. ISI Web of Knowledge.<br \/><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/apps.isiknowledge.com\/\" rel=\"noopener\">http:\/\/apps.isiknowledge.com<\/a> &lt;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/apps.isiknowledge.com\/\" rel=\"noopener\">http:\/\/apps.isiknowledge.com\/<\/a>&gt; .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a &uacute;ltima 32&ordf; ANPEd (out.2009), e ao longo dos &uacute;ltimos anos, discute-se muito no interior das Univerdades os sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o, centrados, de uma maneira geral, em l&oacute;gicas produtivistas baseadas na efic&aacute;cia e efici&ecirc;ncia do trabalho acad&ecirc;mico.Dura discuss&atilde;o que acontece em todo o mundo e, no caso brasileiro, ganha novos contronos com a defini&ccedil;&atilde;o de um novo Qualis &#8211; sistema de avalia&ccedil;&atilde;o e rankeamento das revistas cad&ecirc;micas &#8211; em implanta&ccedil;&atilde;o pelo governo, mais especificamente pela CAPES.Destaco aqui o maravilhoso texto do professor Muricio Rocha-e-Silva, editor da revista Clinics, e que gerou uma dura e bem humorada carta ao Presidente da Caes.Pela qualidade do texto e dos argumento, reproduzo um tico aqui em baixo&#8230; &quot;Professor Doutor Jorge Guimar&atilde;esDD Presidente, CAPESS&atilde;o Paulo, 2 de agosto de 2009. Meu caro Jorge Voc&ecirc; j&aacute; viu, n&atilde;o &eacute;, o Novo Qualis est&aacute; dando pano pra mangas! At&eacute;rendeu excelente mat&eacute;ria em &quot;O Estado de S&atilde;o Paulo&quot; sob o sugestivot&iacute;tulo Ranking coloca revistas cient&iacute;ficas brasileiras em &#8216;risco de extin&ccedil;&atilde;o&#8217;.1 Entrevistado, voc&ecirc; disse &quot;n&atilde;o concordar com algumasmudan&ccedil;as como a limita&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de revistas que podem serclassificadas num determinado estrato.&quot; Viva! O Senhor Presidentecome&ccedil;ou a ver o problema! Infelizmente voc&ecirc; adotou um tom de cr&iacute;tica ultraleve, para minimizar, como mero detalhe, esta que &eacute; a maisperversa das inven&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; dos Numer&oacute;logos Alienados (CNA).Desculpe-me, mas inventei esta sigla porque siglas est&atilde;o na moda eporque me recuso a lembrar o nome oficial do Comit&ecirc;. Ao decidir que apenas 25% dos peri&oacute;dicos do mundo s&atilde;o dignos de figurar no Qualis A,os Alienados estabeleceram, talvez sem notar, curiosa e inevit&aacute;velconseq&uuml;&ecirc;ncia matem&aacute;tica: o valor limite para cada &aacute;rea foi fixado pornumerologia, sem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com a realidade da respectiva produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica&quot; &#8230; e por ai Rocha-e-Silva vai, desenrolando seus argumentos, para, finalmente, terminar com o que ele chama de, &quot;uma norta leve&quot;. Rocha-e-Silva: &quot;quem sabe, meu caro Jorge, voc&ecirc; podia imitar oque aconteceu no domingo, 26 de julho, em Belgrado, durante a final da Liga Mundial de V&ocirc;lei. Quando o juiz de cadeira, um holand&ecirc;ssimp&aacute;tico, cometeu erro grotesco de arbitragem, a mesa de anotadores,exorbitando de suas atribui&ccedil;&otilde;es, fez algo que eu, velho f&atilde; do v&ocirc;lei,nunca tinha visto. Chamou o holand&ecirc;s e mui simplesmente deu-lhe a ordem pol&iacute;tica: mude sua decis&atilde;o, porque n&atilde;o d&aacute; para viver com esseerro! Pois n&atilde;o &eacute; que funcionou: o homem voltou para a cadeira e mudoua decis&atilde;o! Por incr&iacute;vel, que pare&ccedil;a, meu companheiro Jorge, o mundon&atilde;o acabou! Zeus que mora logo ao lado, no Monte Olimpo, n&atilde;o lhe atirou um de seus raios fatais; Ares n&atilde;o declarou guerra; talvez at&eacute;mais realisticamente, os vinte mil s&eacute;rvios &quot;prejudicados&quot; n&atilde;o saltaramda arquibancada por sobre a cerca baixa para trucidar o holand&ecirc;s. O jogo acabou em paz, limpo e transparente! Agora cabe a voc&ecirc;, meu caro,chamar os numer&oacute;logos e ordenar-lhes que rediscutam amplamente,conosco! E que depois consertem, porque n&atilde;o d&aacute; para viver com erro t&atilde;ogrotesco. Fa&ccedil;a o que &eacute; preciso, Jorge: mande o novo Qualis para Netuno (ou para Poseidon se estiver numa veia mais hel&ecirc;nica)! Mexer noscrit&eacute;rios, Jorge, &eacute; preciso, porque mexer, assim como navegar, &eacute;preciso! Com toda minha admira&ccedil;&atilde;o, amizade e cordialidade Um grande abra&ccedil;o Mauricio Rocha e Silva Editor, Clinics&quot; O texto acad&ecirc;mico integral est&aacute; dispon&iacute;vel no Scielo, com a seguinte refer&ecirc;ncia ROCHA-E-SILVA, Mauricio. O novo Qualis, ou a trag&eacute;dia anunciada. Clinics [online]. 2009, vol.64, n.1, pp. 1-4. ISSN .&nbsp; doi: 10.1590\/S1807-59322009000100001. [link direto] A carta que circulou na internet est&aacute; abaixo, na integra. Grato Cesar Leiro pelo envio da carta.&nbsp;&nbsp; O Novo Qualis, que n&atilde;o tem nada a ver com a ci&ecirc;ncia do Brasil. Carta aberta ao presidente da CAPES Mauricio Rocha-e-Silva &#8211; Hospital das Cl&iacute;nicas, Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;oPaulo &ndash; S&atilde;o Paulo\/SP, Brazil. mrsilva36@hcnet.usp.br Professor Doutor Jorge Guimar&atilde;esDD Presidente, CAPESS&atilde;o Paulo, 2 de agosto de 2009. Meu caro Jorge Voc&ecirc; j&aacute; viu, n&atilde;o &eacute;, o Novo Qualis est&aacute; dando pano pra mangas! At&eacute;rendeu excelente mat&eacute;ria em &quot;O Estado de S&atilde;o Paulo&quot; sob o sugestivot&iacute;tulo Ranking coloca revistas cient&iacute;ficas brasileiras em &#8216;risco deextin&ccedil;&atilde;o&#8217;.1 Entrevistado, voc&ecirc; disse &quot;n&atilde;o concordar com algumasmudan&ccedil;as como a limita&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de revistas que podem serclassificadas num determinado estrato.&quot; Viva! O Senhor Presidentecome&ccedil;ou a ver o problema! Infelizmente voc&ecirc; adotou um tom de cr&iacute;ticaultraleve, para minimizar, como mero detalhe, esta que &eacute; a maisperversa das inven&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; dos Numer&oacute;logos Alienados (CNA).Desculpe-me, mas inventei esta sigla porque siglas est&atilde;o na moda eporque me recuso a lembrar o nome oficial do Comit&ecirc;. Ao decidir queapenas 25% dos peri&oacute;dicos do mundo s&atilde;o dignos de figurar no Qualis A,os Alienados estabeleceram, talvez sem notar, curiosa e inevit&aacute;velconseq&uuml;&ecirc;ncia matem&aacute;tica: o valor limite para cada &aacute;rea foi fixado pornumerologia, sem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com a realidade da respectivaprodu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Apenas um exemplo: na Medicina I, o fator deimpacto limite &eacute; 3.7, porque 25% das revistas mundiais nas categorias(&quot;subject categories&quot; do JCR) inclu&iacute;das em Medicina 1 t&ecirc;m fator deimpacto &gt; 3.7. Rela&ccedil;&atilde;o com a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira emMedicina 1? Nenhuma! Alias, quem se der ao trabalho de ler o documentob&aacute;sico do CNA vai constatar a completa falta de preocupa&ccedil;&atilde;o com essa&quot;insignific&acirc;ncia&quot;. Este fato &eacute; t&atilde;o importante que &eacute; preciso enfatizar.Atrav&eacute;s dessa numerologia arbitr&aacute;ria os Senhores Alienados criaram umatabela que vale para o Afeganist&atilde;o, Haiti, Estados Unidos, Su&iacute;&ccedil;a eRuanda. Tamb&eacute;m para Marte, J&uacute;piter ou Netuno. Ou se quisermos ter umataque de Helenismo erudito, para Ares, Zeus e Poseidon! Em outraspalavras n&atilde;o vale para ningu&eacute;m! &Eacute; apenas um fetiche! &quot;To the best ofmy knowledge&quot;, como se diz por a&iacute;, ningu&eacute;m havia divulgado esseaspecto do Novo Qualis. Se voc&ecirc; preferir uma posi&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, a&iacute; vai:a base de constru&ccedil;&atilde;o do Qualis A est&aacute; metodologicamente viciada: &eacute; umaquase impossibilidade estat&iacute;stica (p &lt; 10-50, algo como aprobabilidade de dar zebra no hipot&eacute;tico basquete ilustrado maisadiante) que o primeiro quartil dos peri&oacute;dicos de CADA uma das SUBJECTCATEGORIES do ISI seja o limite adequado para CADA UMA das &aacute;reas daCi&ecirc;ncia Brasileira. Mas nem tudo est&aacute; perdido, pois ganhamos um aliadoimportante: estamos te recebendo de bra&ccedil;os abertos, ilustre Presidentepara jogar no nosso time. Quem sabe at&eacute; ser nosso capit&atilde;o: Como nosnossos bons e velhos tempos<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[113,122,344,370,385],"class_list":["post-2234","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-capes","tag-ciencia","tag-politica-publica","tag-qualis","tag-revistas_academicas","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2234"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2234"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2234\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}