{"id":2186,"date":"2007-09-30T16:53:00","date_gmt":"2007-09-30T16:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2007\/09\/30\/108\/"},"modified":"2007-09-30T16:53:00","modified_gmt":"2007-09-30T16:53:00","slug":"108","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2007\/09\/30\/108\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<h1 class=\"western\">Mudan\u00e7as na Educa\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom:0\">Nelson Pretto &#8211; Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; <a href=\"http:\/\/www.pretto.info\/\">www.pretto.info<\/a><\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom:0\"> <\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom:0\">Ao longo dos \u00faltimos oito anos, por dois mandatos, estivemos, eu e Mary Arapiraca, \u00e0 frente da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. Nesse momento, a comunidade da FACED j\u00e1 escolheu as professoras Celi Taffarel e Iracy Pican\u00e7o para assumir, a partir de janeiro pr\u00f3ximo, a Dire\u00e7\u00e3o dessa unidade da UFBA, que tem atuado de forma intransigente na defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"western\">Nesses per\u00edodo, entre todas as a\u00e7\u00f5es que empreendemos no sentido de administrar tal unidade, que, al\u00e9m dos seus cursos de Pedagogia, aqui e em Irec\u00ea, Ci\u00eancias Naturais e Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, atende \u00e0s demais licenciaturas da UFBA , tamb\u00e9m atuamos intensamente na luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade solid\u00e1ria e justa. Somos, essencialmente, uma Faculdade cuja miss\u00e3o maior, em termos de gradua\u00e7\u00e3o, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de professores. Na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, o nosso Mestrado e Doutorado t\u00eam formado profissionais que atuam, especialmente na Bahia e no Nordeste, na busca de fazer, cotidianamente, uma forte articula\u00e7\u00e3o entre o ensino, a pesquisa e a extens\u00e3o universit\u00e1ria. Essas a\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e cient\u00edficas foram desenvolvidas, ao longo desses anos, por professores, estudantes e servidores que compreenderam o que quer\u00edamos quando, em 2000, diz\u00edamos que nos prop\u00fanhamos a construir &#8220;uma escola sem rumo&#8221;. Quer\u00edamos &#8220;um projeto coletivo com ritmos pr\u00f3prios&#8221; e n\u00e3o pr\u00e9-estabelecidos, pensado em conjunto com a comunidade da FACED, da UFBA e de toda a sociedade baiana, para que a atua\u00e7\u00e3o de uma universidade p\u00fablica n\u00e3o se desse de forma monol\u00edtica, impondo pr\u00e1ticas e ritmos iguais para todos. Sabemos que, com isso, andamos na contra-m\u00e3o do famigerado mercado, e isso nunca foi problema para n\u00f3s. Diz\u00edamos que precis\u00e1vamos respeitar e, mais do que isso, valorizar as diferen\u00e7as, porque urgia a constru\u00e7\u00e3o de um outro espa\u00e7o educacional e comunicacional, que tivesse como base as redes de rela\u00e7\u00f5es. Quer\u00edamos a constru\u00e7\u00e3o de uma faculdade de <i>e<\/i>-duca\u00e7\u00e3o, pegando emprestado essa express\u00e3o j\u00e1 usada em outras \u00e1reas, onde o &#8220;e&#8221; est\u00e1 associado ao eletr\u00f4nico do mundo digital, mas que para n\u00f3s tem uma  dimens\u00e3o muito maior, onde \u00e9 tamb\u00e9m rede e comunica\u00e7\u00e3o, bem como o estabelecimento de intensas conex\u00f5es que respeitem os n\u00f3s interconectados, todos com alto valor, e, assim, considerando a diferen\u00e7a como algo a ser enaltecido.<br \/>No particular da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, lutamos ao longo de todo esse tempo, para que fosse cada vez mais integrada ao conjunto da Faculdade, o que exigiu uma mudan\u00e7a de cultura, uma vez que, como dissemos em nosso plano, desde a sua origem, experimentamos a separa\u00e7\u00e3o e isolamento da p\u00f3s com a gradua\u00e7\u00e3o e a extens\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\">Nesses quase oito anos de luta em defesa da universidade p\u00fablica &#8211; luta insana, \u00e9 bem verdade &#8211; enfrentamos, junto com significativa parte da UFBA, o governo FHC e o quase-desmonte do sistema p\u00fablico como um todo e a explos\u00e3o das faculdades privadas no Brasil. Hoje, por conta daquela leviana pol\u00edtica expansionista, muitas delas est\u00e3o quase que totalmente &#8220;quebradas&#8221;. Agora, no governo Lula, para nosso espanto, fomos surpreendido, logo no seu in\u00edcio, com propostas de desvincula\u00e7\u00e3o das Universidades p\u00fablicas do sistema b\u00e1sico de educa\u00e7\u00e3o e, depois, com a implementa\u00e7\u00e3o de uma politica de salva\u00e7\u00e3o do fr\u00e1gil sistema privado, mediante a cria\u00e7\u00e3o do PROUNI. Agora, os projetos de reestrutura\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas aparecem atrav\u00e9s do an\u00fancio de aporte de verbas, o que, diga-se de passagem, \u00e9 louv\u00e1vel, j\u00e1 que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o cont\u00e1vamos com recursos para o sistema p\u00fablico. Por\u00e9m, esses projetos v\u00eam acompanhados de um l\u00f3gica de metas e produtividade que \u00e9 incompat\u00edvel com o que entendemos ser educa\u00e7\u00e3o. Isso porque, de um lado, precariza o trabalho dos professores e a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o dos estudantes e, de outro, porque pode comprometer a necess\u00e1ria integra\u00e7\u00e3o do ensino, da pesquisa e da extens\u00e3o universit\u00e1ria. Essa \u00e9 uma luta sem fim. Em breve, outros colegas assumir\u00e3o a dire\u00e7\u00e3o da FACED e, esperamos, possam dar continuidade \u00e0 luta em defesa desse patrim\u00f4nio p\u00fablico que \u00e9 a nossa UFBA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mudan\u00e7as na Educa\u00e7\u00e3o Nelson Pretto &#8211; Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; www.pretto.info Ao longo dos \u00faltimos oito anos, por dois mandatos, estivemos, eu e Mary Arapiraca, \u00e0 frente da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. 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Na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, o nosso Mestrado e Doutorado t\u00eam formado profissionais que atuam, especialmente na Bahia e no Nordeste, na busca de fazer, cotidianamente, uma forte articula\u00e7\u00e3o entre o ensino, a pesquisa e a extens\u00e3o universit\u00e1ria. Essas a\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e cient\u00edficas foram desenvolvidas, ao longo desses anos, por professores, estudantes e servidores que compreenderam o que quer\u00edamos quando, em 2000, diz\u00edamos que nos prop\u00fanhamos a construir &#8220;uma escola sem rumo&#8221;. Quer\u00edamos &#8220;um projeto coletivo com ritmos pr\u00f3prios&#8221; e n\u00e3o pr\u00e9-estabelecidos, pensado em conjunto com a comunidade da FACED, da UFBA e de toda a sociedade baiana, para que a atua\u00e7\u00e3o de uma universidade p\u00fablica n\u00e3o se desse de forma monol\u00edtica, impondo pr\u00e1ticas e ritmos iguais para todos. Sabemos que, com isso, andamos na contra-m\u00e3o do famigerado mercado, e isso nunca foi problema para n\u00f3s. Diz\u00edamos que precis\u00e1vamos respeitar e, mais do que isso, valorizar as diferen\u00e7as, porque urgia a constru\u00e7\u00e3o de um outro espa\u00e7o educacional e comunicacional, que tivesse como base as redes de rela\u00e7\u00f5es. Quer\u00edamos a constru\u00e7\u00e3o de uma faculdade de e-duca\u00e7\u00e3o, pegando emprestado essa express\u00e3o j\u00e1 usada em outras \u00e1reas, onde o &#8220;e&#8221; est\u00e1 associado ao eletr\u00f4nico do mundo digital, mas que para n\u00f3s tem uma dimens\u00e3o muito maior, onde \u00e9 tamb\u00e9m rede e comunica\u00e7\u00e3o, bem como o estabelecimento de intensas conex\u00f5es que respeitem os n\u00f3s interconectados, todos com alto valor, e, assim, considerando a diferen\u00e7a como algo a ser enaltecido.No particular da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, lutamos ao longo de todo esse tempo, para que fosse cada vez mais integrada ao conjunto da Faculdade, o que exigiu uma mudan\u00e7a de cultura, uma vez que, como dissemos em nosso plano, desde a sua origem, experimentamos a separa\u00e7\u00e3o e isolamento da p\u00f3s com a gradua\u00e7\u00e3o e a extens\u00e3o. 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