{"id":2171,"date":"2006-12-17T11:52:00","date_gmt":"2006-12-17T11:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2006\/12\/17\/cultura-tambem-digital\/"},"modified":"2006-12-17T11:52:00","modified_gmt":"2006-12-17T11:52:00","slug":"cultura-tambem-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2006\/12\/17\/cultura-tambem-digital\/","title":{"rendered":"Cultura, tamb\u00e9m digital!"},"content":{"rendered":"<p>Cultura, tamb\u00e9m digital!<\/p>\n<p>Nelson Pretto \u2013 Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; www.pretto.info<\/p>\n<p>artigo enviado ao jornal A Tarde em 18.12.2006.<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos, o Brasil vive uma explos\u00e3o de tecnologias e culturas. O desenvolvimento tecnol\u00f3gico no campo do audiovisual barateou os equipamentos e tem possibilitado que experi\u00eancias de garagens e fundos de quintal apare\u00e7am por todos os cantos. Aqui na Bahia, alguns movimentos vinculados \u00e0s ONG e Universidades tamb\u00e9m buscam articular algo que at\u00e9 bem pouco tempo era considerado verdadeira blasf\u00eamia: produzir culturas de forma descentralizada. O que a meninada est\u00e1 fazendo, na maioria das vezes sem apoio e at\u00e9 com cr\u00edticas, \u00e9 inacredit\u00e1vel. Essa turma, que se aglutina em torno de grupos de m\u00fasica, capoeira, artes pl\u00e1sticas, cinema, carnaval, entre tantos outros, atua, lamentavelmente, longe da escola, porque essa n\u00e3o vem dando conta de tratar da tem\u00e1tica, tendo que, muitas vezes, dar as costas para t\u00e3o importantes movimentos.<br \/>\nEssa turma est\u00e1 produzindo cultura. Falo isso, acentuando que \u00e9 um diferencial deste momento: produzir em lugar de simplesmente consumir o que \u00e9 produzido nos grandes centros e pelos grupos j\u00e1 institu\u00eddos. Al\u00e9m disso, marcante dos \u00faltimos anos foi a possibilidade de mais financiamento p\u00fablico para a\u00e7\u00f5es implicadas com a produ\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s, por exemplo, do Minist\u00e9rio da Cultura, que implantou os Pontos de Cultura, muitos deles espalhados por essa nossa Bahia. O destaque dessa pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 o de ter estabelecido uma rede de di\u00e1logo com diversos movimentos coletivos e grupos da sociedade civil que atuam no campo da M\u00eddia T\u00e1tica, do Software Livre, das  R\u00e1dios Livres, da Metareciclagem, entre outros. A pol\u00edtica de apoio incluiu, inclusive, o financiamento para produ\u00e7\u00e3o de videogames nacionais, desta feita atrav\u00e9s da FINEP e do MEC, o que, n\u00e3o resta a menor d\u00favida, era algo impens\u00e1vel at\u00e9 bem pouco tempo nas \u201ccaretas\u201d pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras. Temos, agora, grande expectativa de que o mesmo possa ser feito aqui na Bahia, a partir de uma necess\u00e1ria articula\u00e7\u00e3o entre as Secretarias de Cultura, Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de uma contundente atua\u00e7\u00e3o articulada nesse campo, merecendo destaque a possibilidade de um novo IRDEB (TVE e R\u00e1dio Educadora) catalizador e veiculador dessa efervesc\u00eancia cultural, de modo a retomar o di\u00e1logo mais intenso da cultura com a educa\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em nosso Estado e no Nordeste.<br \/>\nPor toda a Bahia grupos se movimentam, se articulam e fazem muito mais do que consumir tv com cara de v\u00eddeo clip e m\u00fasica comercial. Em Salvador, entre tantos exemplos, a Eletrocoperativa, no Pelourinho, produz e remixa com a meninada m\u00fasica da mais alta qualidade. Em Irec\u00ea, a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, articulando jovens e professores em torno do Ponto de Cultura Ciberparque An\u00edsio Teixeira, mantido em parceria com a Prefeitura local e com apoio do MinC, coloca \u201cno ar\u201d uma r\u00e1dio Web, um conjunto de Tabuleiros Digitais com acesso \u00e0 internet a todos e, aglutinando tudo isso, desenvolve um programa de forma\u00e7\u00e3o de professores, verdadeiros produtores de culturas e conhecimentos. Tudo, com software livre e com licen\u00e7as criativas (creative commons) da produ\u00e7\u00e3o, o que resulta na circula\u00e7\u00e3o livre de tudo que \u00e9 produzido, que exatamente por isso pode ser mexido e remexido, recriado em cima do criado. Enfim, fazem culturas, sempre no plural, um plural pleno. Sociedade civil organizada e governo est\u00e3o aprendendo a trabalhar juntos, intensificando novas formas de articula\u00e7\u00e3o. Nas palavras de Cl\u00e1udio Prado, \u201caprender a trabalhar com a sociedade civil \u00e9 uma das conquistas deste projeto governamental.  Aprender a trabalhar com o governo \u00e9 uma conquista dos movimentos da sociedade civil.\u201d Para o Assessor de Cultura Digital do MinC, \u201ca import\u00e2ncia desta conquista n\u00e3o pode ser minimizada\u201d. Digo mais, \u00e9 grande a oportunidade que temos de aproximar, educa\u00e7\u00e3o, cultura, turismo, ci\u00eancia e tecnologia na busca de mudan\u00e7as radiciais na situa\u00e7\u00e3o de pobreza que vivemos \u2013 sendo a pobreza de esp\u00edrito a mais grave no meu entender! Um oportunidade para mudar a Bahia, uma Bahia que, paradoxalmente, teve seu esplendor exatamente quando mais valorizou a cultura, algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<br \/>\nFinal de ano, tempos de esperan\u00e7as e de novas promessas. Quem sabe n\u00e3o seremos surpreendidos com o an\u00fancio de que, em toda a Bahia, v\u00e3o pipocar apoios e incentivos \u00e0 nossa juventude, produtora de muitos saberes e culturas, resgatando-se, assim, a dimens\u00e3o protagonista dessa jovem e animada turma, chamada de futuro da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura, tamb\u00e9m digital! Nelson Pretto \u2013 Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; www.pretto.info artigo enviado ao jornal A Tarde em 18.12.2006. Ao longo dos \u00faltimos anos, o Brasil vive uma explos\u00e3o de tecnologias e culturas. O desenvolvimento tecnol\u00f3gico no campo do audiovisual barateou os equipamentos e tem possibilitado que experi\u00eancias de garagens e fundos de quintal apare\u00e7am por todos os cantos. Aqui na Bahia, alguns movimentos vinculados \u00e0s ONG e Universidades tamb\u00e9m buscam articular algo que at\u00e9 bem pouco tempo era considerado verdadeira blasf\u00eamia: produzir culturas de forma descentralizada. O que a meninada est\u00e1 fazendo, na maioria das vezes sem apoio e at\u00e9 com cr\u00edticas, \u00e9 inacredit\u00e1vel. Essa turma, que se aglutina em torno de grupos de m\u00fasica, capoeira, artes pl\u00e1sticas, cinema, carnaval, entre tantos outros, atua, lamentavelmente, longe da escola, porque essa n\u00e3o vem dando conta de tratar da tem\u00e1tica, tendo que, muitas vezes, dar as costas para t\u00e3o importantes movimentos. Essa turma est\u00e1 produzindo cultura. Falo isso, acentuando que \u00e9 um diferencial deste momento: produzir em lugar de simplesmente consumir o que \u00e9 produzido nos grandes centros e pelos grupos j\u00e1 institu\u00eddos. Al\u00e9m disso, marcante dos \u00faltimos anos foi a possibilidade de mais financiamento p\u00fablico para a\u00e7\u00f5es implicadas com a produ\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s, por exemplo, do Minist\u00e9rio da Cultura, que implantou os Pontos de Cultura, muitos deles espalhados por essa nossa Bahia. O destaque dessa pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 o de ter estabelecido uma rede de di\u00e1logo com diversos movimentos coletivos e grupos da sociedade civil que atuam no campo da M\u00eddia T\u00e1tica, do Software Livre, das R\u00e1dios Livres, da Metareciclagem, entre outros. A pol\u00edtica de apoio incluiu, inclusive, o financiamento para produ\u00e7\u00e3o de videogames nacionais, desta feita atrav\u00e9s da FINEP e do MEC, o que, n\u00e3o resta a menor d\u00favida, era algo impens\u00e1vel at\u00e9 bem pouco tempo nas \u201ccaretas\u201d pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras. Temos, agora, grande expectativa de que o mesmo possa ser feito aqui na Bahia, a partir de uma necess\u00e1ria articula\u00e7\u00e3o entre as Secretarias de Cultura, Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de uma contundente atua\u00e7\u00e3o articulada nesse campo, merecendo destaque a possibilidade de um novo IRDEB (TVE e R\u00e1dio Educadora) catalizador e veiculador dessa efervesc\u00eancia cultural, de modo a retomar o di\u00e1logo mais intenso da cultura com a educa\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em nosso Estado e no Nordeste. Por toda a Bahia grupos se movimentam, se articulam e fazem muito mais do que consumir tv com cara de v\u00eddeo clip e m\u00fasica comercial. Em Salvador, entre tantos exemplos, a Eletrocoperativa, no Pelourinho, produz e remixa com a meninada m\u00fasica da mais alta qualidade. Em Irec\u00ea, a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, articulando jovens e professores em torno do Ponto de Cultura Ciberparque An\u00edsio Teixeira, mantido em parceria com a Prefeitura local e com apoio do MinC, coloca \u201cno ar\u201d uma r\u00e1dio Web, um conjunto de Tabuleiros Digitais com acesso \u00e0 internet a todos e, aglutinando tudo isso, desenvolve um programa de forma\u00e7\u00e3o de professores, verdadeiros produtores de culturas e conhecimentos. Tudo, com software livre e com licen\u00e7as criativas (creative commons) da produ\u00e7\u00e3o, o que resulta na circula\u00e7\u00e3o livre de tudo que \u00e9 produzido, que exatamente por isso pode ser mexido e remexido, recriado em cima do criado. Enfim, fazem culturas, sempre no plural, um plural pleno. Sociedade civil organizada e governo est\u00e3o aprendendo a trabalhar juntos, intensificando novas formas de articula\u00e7\u00e3o. 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