{"id":2169,"date":"2006-12-05T08:16:00","date_gmt":"2006-12-05T08:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2006\/12\/05\/ainda-as-transfromacoes-para-a-universidade\/"},"modified":"2006-12-05T08:16:00","modified_gmt":"2006-12-05T08:16:00","slug":"ainda-as-transfromacoes-para-a-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2006\/12\/05\/ainda-as-transfromacoes-para-a-universidade\/","title":{"rendered":"ainda as transfroma\u00e7\u00f5es para a universidade"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista ao Jornal da FACOM<br \/>\nhttp:\/\/www.jornaldafacom.ufba.br<br \/>\nPOR<br \/>\nNelson Pretto \u2013 Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o &#8211; www.pretto.info<\/p>\n<p>Respondida por email em 19.11.2006 parece que ainda n\u00e3o foi publicada. Quando for coloco o link aqui. Porenquanto para voc\u00ea poder acompanhar um pouco da discuss\u00e3o.<br \/>\nTem tamb\u00e9m um interessante artigo de Jo\u00e3o Sales, publicado na <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI1269493-EI7485,00.html\" target=\"_blanl\" rel=\"noopener\">Revista Terra Magazine<\/a>.<\/p>\n<p>P &#8211; Por qual motivo se op\u00f5e ao projeto Universidade Nova?<\/p>\n<p>NP &#8211; N\u00e3o se trata de oposi\u00e7\u00e3o ao projeto. O ambiente universit\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 formado de situa\u00e7\u00e3o versus oposi\u00e7\u00e3o, a favor ou contra e coisas do tipo. O que est\u00e1 em jogo s\u00e3o concep\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, conceituais, pol\u00edticas e pedag\u00f3gicas, que est\u00e3o em debate e precisam ser clara e abertamente discutidas e aprofundadas \u00e0 luz de teorias e concep\u00e7\u00f5es de mundo. Portanto, de minha parte, creio que represento a diversidade de opini\u00f5es e concep\u00e7\u00f5es abrigadas na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, que dirijo junto com a professora Mary Arapiraca. O que queremos \u00e9 debater de forma adequada esse e tantos outros projetos e propostas que discutam a UFBA e a sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade, porque a universidade n\u00e3o \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o isolada do mundo. Nesse aspecto, tenho profunda discord\u00e2ncia sobre a forma e os m\u00e9todos com que esse tema vem sendo posto pela Reitoria.  Neste momento, a UFBA, atrav\u00e9s dos seus Conselhos Superiores, est\u00e1 se debru\u00e7ando sobre o nosso Plano de Desenvolvimento Institutional, o PDI, documento que define as estrat\u00e9gias e propostas para os pr\u00f3ximos anos da Universidade. A comiss\u00e3o que est\u00e1 organizando esse debate estabeleceu a necessidade inadi\u00e1vel da revis\u00e3o do nosso estatuto e dos regimentos da Universidade, que est\u00e3o completamente defasados, e em rela\u00e7\u00e3o aos quais ningu\u00e9m fez nada h\u00e1 mais de 6 ou 7 anos! Isso \u00e9 urgente, est\u00e1 agora na pauta e de forma correta. Tamb\u00e9m estavam previstas, desde o in\u00edcio, discuss\u00f5es  sobre a estrutura acad\u00eamica da UFBA. O que quero dizer, portanto, \u00e9 que estamos em plena discuss\u00e3o da UFBA como um todo. De repente, o Reitor apresenta, atrav\u00e9s da m\u00eddia, uma proposta que modifica tudo na Universidade. Isso nos obriga a buscar compreender a quest\u00e3o a partir de dois enfoques simult\u00e2neos. Primeiro, sobre a legitimidade do Reitor fazer isso&#8230; Ele foi eleito, representa a UFBA como um todo, \u00e9 o nosso Reitor e, como tal, tem obriga\u00e7\u00e3o de provocar a sociedade  e a pr\u00f3pria UFBA. Portanto, \u00e9 correta a sua provoca\u00e7\u00e3o e a exposi\u00e7\u00e3o de suas reflex\u00f5es. No entanto, e a\u00ed chegamos ao segundo ponto: ele faz isso de forma equivocada, porque lan\u00e7a para a sociedade,  a partir do seu desejo de transforma\u00e7\u00e3o, quest\u00f5es que sequer foram tratadas na pr\u00f3pria UFBA e, claro, a m\u00eddia e a sociedade as compreendem como definitivas, o que gera um mal entendido total que pouco contribui com a democracia e com a pr\u00f3pria discuss\u00e3o de algumas boas ideias que est\u00e3o postas na mesa. Assim sendo, penso que o correto \u00e9 dizer, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o ao fim do vestibular, que se trata de um desejo do Reitor&#8230; e no campo do desejo n\u00e3o posso me manifestar. Do ponto de vista pr\u00e1tico, anunciar o fim do vestibular como uma a\u00e7\u00e3o de marketing mais prejudica do que contribui com a discuss\u00e3o. Claro que contra o vestibular sempre fomos. Fui professor do ensino m\u00e9dio e de cursinho, no in\u00edcio de minha carreira e, desde l\u00e1, combat\u00edamos o perverso mecanismo de sele\u00e7\u00e3o para entrada na universidade. O vestibular j\u00e1 melhorou e muito, mas temos ainda muito a fazer, muito mesmo, para transformar esses mecanismos de sele\u00e7\u00e3o, enquanto n\u00e3o chegamos ao nosso objetivo maior que \u00e9 o da universaliza\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior.<br \/>\nVoltando \u00e0 sua quest\u00e3o, temos que ter claro que \u00e9 importante acelerar as discuss\u00f5es, pois h\u00e1 um consenso de que a educa\u00e7\u00e3o brasileira (e n\u00e3o s\u00f3 aqui no Brasil!) passa por momentos de muitas dificuldades, em especial a nossa universidade que, no meu entender, perdeu a capacidade de pensar revolucionaria e criticamente, como propositora de conceitos, tendo se reduzido, no mais das vezes por essas pr\u00f3prias propostas de alinhamentos neoliberais, a uma mera reprodutora e consumidora de informa\u00e7\u00f5es. E isso \u00e9, de fato, p\u00e9ssimo e precisa ser mudado. Basta vermos o que foi feito, equivocadamente, nas \u00faltimas reestrutura\u00e7\u00f5es curriculares que realizamos em diversos cursos. N\u00f3s, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, pesquisamos e fazemos isso cotidianamente e estamos sempre dispon\u00edveis e desejosos de contribuir com essas reflex\u00f5es. No particular, os nossos projetos de forma\u00e7\u00e3o de professores para os munic\u00edpios de Irec\u00ea e Salvador, por exemplo, j\u00e1 caminham na dire\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o mais ampla, n\u00e3o dirigida e dependente das demandas imediatas do mercado, com uma concep\u00e7\u00e3o de curr\u00edculo n\u00e3o reduzido \u00e0 id&#8217;;eia de grade e ou de matriz, mas de movimento, de fluxo cont\u00ednuo, com forte presen\u00e7a das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o e, no entanto, essas propostas  n\u00e3o contaram com o apoio da atual administra\u00e7\u00e3o que, curiosamente, agora prop\u00f5e algo em bases at\u00e9 certo ponto similares.<br \/>\nVoltemos ao tema espec\u00edfico. Os documentos que a comiss\u00e3o designada pelos Conselhos Superiores para discutir o PDI j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis na internet [http:\/\/www.fis.ufba.br\/dfes\/PDI\/], incluindo o documento inicial da Universidade Nova e devemos l\u00ea-los para discuti-los de forma mais aprofundada e sem a pressa ou agonia de quem quer resolver todos os problemas numa tacada s\u00f3, de hoje para amanh\u00e3. Tenho insistido nesse ponto: n\u00f3s temos que pensar no futuro, vivendo o presente e com olhos muito atentos ao passado&#8230; Portanto, sair correndo para estar \u00e0 frente n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de vanguarda, em minha opini\u00e3o. E as id\u00e9ias, na verdade, s\u00e3o antigas, se n\u00e3o em todos, em pelo menos alguns aspectos, e precisamos compreender porque sempre foram sistematicamente n\u00e3o implantadas. Por exemplo, algumas dessas id\u00e9ias est\u00e3o fortemente associadas ao que acontece no sistema universit\u00e1rio americano, lembrando sempre que \u00e9 um sistema implantando em uma sociedade com caracter\u00edsticas socio-econ\u00f4micas e culturais diversas das nossas. \u00c9 tamb\u00e9m pr\u00f3xima do que est\u00e1 sendo proposto na Europa atrav\u00e9s do denominado Processo de Bolonha, diga-se de passagem, j\u00e1 discutido h\u00e1 pelo menos uns 10 anos, sem deixar de ser uma grande pol\u00eamica. Tamb\u00e9m aqui, An\u00edsio Teixeira prop\u00f4s e implantou coisas similares \u2013 observem que falo similar! &#8211; quando da cria\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia. Mais ainda, este foi em parte o projeto da Academia de Ci\u00eancias do Brasil para ser incorporado ao projeto de Reforma Universit\u00e1ria do MEC que est\u00e1 no Congresso e que todos demandam que seja imediatamente retirado para que possa ser re-discutido em outras bases. Ele n\u00e3o era bom e conseguiu ficar pior!<\/p>\n<p>P &#8211; Quais os pontos positivos  que a Universidade Nova oferecer\u00e1 para os estudantes?<\/p>\n<p>NP &#8211; Complicado esse tipo de pergunta. A id\u00e9ia de um Bacharelado Interdisciplinar (BI) tem pontos interessantes e outros muito negativos. O ruim da proposta \u00e9 a possibilidade de se constituir, de um lado, numa oferta de forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, generalista, para muitos, coisa que j\u00e1 deveria ter acontecido no ensino m\u00e9dio, da\u00ed estarmos sendo for\u00e7ados a &#8220;rebaixar&#8221; o ensino superior, numa esp\u00e9cie de a\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria de nosso fracasso na forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel m\u00e9dio. De outro lado, a oferta de uma forma\u00e7\u00e3o mais profissional para os poucos que a ela conseguirem chegar &#8211; e depois sair -, poucos esses que n\u00f3s j\u00e1 sabemos quem s\u00e3o, os mesmos do topo superior da invertida e injusta pir\u00e2mide social brasileira. Ao oferecermos ap\u00f3s tr\u00eas anos o diploma de &#8220;bacharel em generalidade&#8221;, perdoe-me a ironia!, o que teremos \u00e9 um um ex\u00e9rcito de bachar\u00e9is desempregados, lutando para passar pelo novo &#8220;vestibular&#8221; para a etapa profissionalizante, mesmo que ele seja processual ao longo dos tr\u00eas anos! A id\u00e9ia de \u201cpescar os talentos\u201d \u00e9 dram\u00e1tica, pois vai trazer para dentro da universidade um mecanismo de competi\u00e7\u00e3o que \u00e9 incompat\u00edvel com o espirito universit\u00e1rio que deveria ser o da colabora\u00e7\u00e3o. Claro que sabemos que longe estamos disso, mas n\u00e3o podemos favorecer esses comportamentos deplor\u00e1veis com uma estrutura curricular.<br \/>\nA proposta, no entanto, tem pontos positivos, por exemplo, o de adiar um pouco a decis\u00e3o profissional dos jovens, que cada vez mais jovens chegam ao ensino superior. E, mais do que isso, ter a possibilidade de, ao oferecer uma forma\u00e7\u00e3o mais generalista, centr\u00e1-la em quest\u00f5es b\u00e1sicas da forma\u00e7\u00e3o intelectual e de quest\u00f5es \u00e9ticas, coisa t\u00e3o necess\u00e1ria nessa nossa cruel sociedade do lema &#8220;farinha pouca meu pir\u00e3o primeiro&#8221;!!!<br \/>\nPortanto, boas id\u00e9ias n\u00e3o devem e n\u00e3o podem ser perdidas pela precipita\u00e7\u00e3o das discuss\u00f5es pirot\u00e9cnicas. A Universidade tem um ritmo e procedimentos que s\u00e3o pr\u00f3prios. Apesar de antigas, essas id\u00e9ias n\u00e3o entraram na pauta recente de discuss\u00e3o nem da universidade nem da sociedade&#8230; Tenho insistido que o projeto de reforma universit\u00e1ria tangenciou as quest\u00f5es acad\u00eamicas e a\u00ed estou plenamente de acordo com o Reitor.<br \/>\nPensar nessas id\u00e9ias do ponto de vista de \u201carquitetura curricular\u201d, como afirma o Reitor, demanda pensarmos ao mesmo tempo em um monte de outras coisas. Lembra daquela m\u00fasica dos Tit\u00e3s, \u201ctudo ao mesmo tempo aqui e agora\u201d? N\u00e3o pode ser diferente. N\u00e3o d\u00e1 para pensar somente em termos te\u00f3ricos para depois ver como funcionar\u00e1. S\u00e3o in\u00fameras as quest\u00f5es que precisam ser postas na mesa: existir\u00e3o laborat\u00f3rios para o ensino de f\u00edsica, qu\u00edmica, biologia que d\u00eaem conta dessa massa de alunos que v\u00e3o ingressar na &#8220;UFBA Nova&#8221;?! Teremos servidores e recursos para, no m\u00ednimo, triplicar o n\u00famero de livros e computadores dispon\u00edveis para os alunos, computadores esses, ali\u00e1s, n\u00e3o dispon\u00edveis em praticamente nenhuma das unidades no momento atual?! Teremos vagas de professores e servidores para tantas aulas e para o aumento do tempo de atendimento de secretarias, bibliotecas, restaurante universit\u00e1rio, que ali\u00e1s ainda n\u00e3o existe? Elas ser\u00e3o aulas para 40 alunos, como hoje, ou para 100, 150 alunos? Isso funciona do ponto de vista pedag\u00f3gico? Exite espa\u00e7o f\u00edsico para tal? Enfim, s\u00e3o id\u00e9ias e problemas que precisam ser pensados globalmente como, ali\u00e1s, deve ser a fun\u00e7\u00e3o e obriga\u00e7\u00e3o dos administradores de uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<br \/>\nPor outro lado, o fato de estarmos olhando para Bolonha \u2013 fa\u00e7o aqui refer\u00eancia ao que est\u00e1 acontecendo na Europa -, sem um m\u00ednimo de refer\u00eancia \u00e0 nossa Am\u00e9rica Latina \u00e9 algo lament\u00e1vel. Ali\u00e1s, a Argentina vive o drama dessa entrada em massa para depois profissionalizar e a crise l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pequena. Claro que aqui tamb\u00e9m n\u00e3o podemos deixar de considerar as peculiaridades daquele pa\u00eds e do sistema educacional argentino. Fazendo um paralelo, estamos aqui repetindo o que lamentavelmente o governo brasileiro est\u00e1 fazendo com o sistema de televis\u00e3o digital. Toma as decis\u00f5es sozinho, ficamos de costas para nossos hermanos e, depois, esperamos que o resto (uso de prop\u00f3sito a palavra resto!) siga correndo atr\u00e1s. \u00c9 um pecado termos esse tipo de pensamento.<\/p>\n<p>P &#8211; Quais os pontos negativos que a Universidade Nova oferecer\u00e1 para os estudantes?<\/p>\n<p>NP &#8211; Acho que j\u00e1 respondi na anterior&#8230;<\/p>\n<p>P &#8211; O projeto cabe dentro do perfil dos estudantes brasileiros,e principalmente,baianos?<\/p>\n<p>NP &#8211; Acho que n\u00e3o \u00e9 bem assim a quest\u00e3o. Temos que pensar nas condi\u00e7\u00f5es atuais mas tamb\u00e9m na transforma\u00e7\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 claro que uma mudan\u00e7a dessa natureza daria uma forma\u00e7\u00e3o mais ampla aos futuros profissionais (lembrem que falo com cr\u00edtica disso, pois ser\u00e3o os tais privilegiados que conseguirem chegar \u00e0 etapa profissional!!!) mas, por outro lado, n\u00e3o podemos desconsiderar a fala dos jovens: \u201cEu n\u00e3o quero passar tr\u00eas anos estudando ci\u00eancias humanas em geral, para s\u00f3 depois fazer o que eu quero\u201d, \u00e9 o que se ouve nas ruas na fala dessa meninada. Temos que simplesmente consider\u00e1-la? Claro que n\u00e3o! Mas n\u00e3o ouv\u00ed-la tamb\u00e9m \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o equivocada. Como vamos modificar essa id\u00e9ia espalhada pelo pr\u00f3prio sistema de velozmente p\u00f4r todo mundo num mercado de trabalho, que nem sabemos se existe? S\u00e3o quest\u00f5es, mais quest\u00f5es que precisam ser calmamente pensadas e discutidas para que possamos transformar, de fato, a nossa UFBA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao Jornal da FACOM http:\/\/www.jornaldafacom.ufba.br POR Nelson Pretto \u2013 Diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o &#8211; www.pretto.info Respondida por email em 19.11.2006 parece que ainda n\u00e3o foi publicada. Quando for coloco o link aqui. Porenquanto para voc\u00ea poder acompanhar um pouco da discuss\u00e3o. Tem tamb\u00e9m um interessante artigo de Jo\u00e3o Sales, publicado na Revista Terra Magazine. P &#8211; Por qual motivo se op\u00f5e ao projeto Universidade Nova? NP &#8211; N\u00e3o se trata de oposi\u00e7\u00e3o ao projeto. O ambiente universit\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 formado de situa\u00e7\u00e3o versus oposi\u00e7\u00e3o, a favor ou contra e coisas do tipo. O que est\u00e1 em jogo s\u00e3o concep\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, conceituais, pol\u00edticas e pedag\u00f3gicas, que est\u00e3o em debate e precisam ser clara e abertamente discutidas e aprofundadas \u00e0 luz de teorias e concep\u00e7\u00f5es de mundo. Portanto, de minha parte, creio que represento a diversidade de opini\u00f5es e concep\u00e7\u00f5es abrigadas na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, que dirijo junto com a professora Mary Arapiraca. O que queremos \u00e9 debater de forma adequada esse e tantos outros projetos e propostas que discutam a UFBA e a sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade, porque a universidade n\u00e3o \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o isolada do mundo. Nesse aspecto, tenho profunda discord\u00e2ncia sobre a forma e os m\u00e9todos com que esse tema vem sendo posto pela Reitoria. Neste momento, a UFBA, atrav\u00e9s dos seus Conselhos Superiores, est\u00e1 se debru\u00e7ando sobre o nosso Plano de Desenvolvimento Institutional, o PDI, documento que define as estrat\u00e9gias e propostas para os pr\u00f3ximos anos da Universidade. A comiss\u00e3o que est\u00e1 organizando esse debate estabeleceu a necessidade inadi\u00e1vel da revis\u00e3o do nosso estatuto e dos regimentos da Universidade, que est\u00e3o completamente defasados, e em rela\u00e7\u00e3o aos quais ningu\u00e9m fez nada h\u00e1 mais de 6 ou 7 anos! Isso \u00e9 urgente, est\u00e1 agora na pauta e de forma correta. Tamb\u00e9m estavam previstas, desde o in\u00edcio, discuss\u00f5es sobre a estrutura acad\u00eamica da UFBA. O que quero dizer, portanto, \u00e9 que estamos em plena discuss\u00e3o da UFBA como um todo. De repente, o Reitor apresenta, atrav\u00e9s da m\u00eddia, uma proposta que modifica tudo na Universidade. Isso nos obriga a buscar compreender a quest\u00e3o a partir de dois enfoques simult\u00e2neos. Primeiro, sobre a legitimidade do Reitor fazer isso&#8230; Ele foi eleito, representa a UFBA como um todo, \u00e9 o nosso Reitor e, como tal, tem obriga\u00e7\u00e3o de provocar a sociedade e a pr\u00f3pria UFBA. Portanto, \u00e9 correta a sua provoca\u00e7\u00e3o e a exposi\u00e7\u00e3o de suas reflex\u00f5es. No entanto, e a\u00ed chegamos ao segundo ponto: ele faz isso de forma equivocada, porque lan\u00e7a para a sociedade, a partir do seu desejo de transforma\u00e7\u00e3o, quest\u00f5es que sequer foram tratadas na pr\u00f3pria UFBA e, claro, a m\u00eddia e a sociedade as compreendem como definitivas, o que gera um mal entendido total que pouco contribui com a democracia e com a pr\u00f3pria discuss\u00e3o de algumas boas ideias que est\u00e3o postas na mesa. Assim sendo, penso que o correto \u00e9 dizer, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o ao fim do vestibular, que se trata de um desejo do Reitor&#8230; e no campo do desejo n\u00e3o posso me manifestar. Do ponto de vista pr\u00e1tico, anunciar o fim do vestibular como uma a\u00e7\u00e3o de marketing mais prejudica do que contribui com a discuss\u00e3o. Claro que contra o vestibular sempre fomos. Fui professor do ensino m\u00e9dio e de cursinho, no in\u00edcio de minha carreira e, desde l\u00e1, combat\u00edamos o perverso mecanismo de sele\u00e7\u00e3o para entrada na universidade. O vestibular j\u00e1 melhorou e muito, mas temos ainda muito a fazer, muito mesmo, para transformar esses mecanismos de sele\u00e7\u00e3o, enquanto n\u00e3o chegamos ao nosso objetivo maior que \u00e9 o da universaliza\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior. Voltando \u00e0 sua quest\u00e3o, temos que ter claro que \u00e9 importante acelerar as discuss\u00f5es, pois h\u00e1 um consenso de que a educa\u00e7\u00e3o brasileira (e n\u00e3o s\u00f3 aqui no Brasil!) passa por momentos de muitas dificuldades, em especial a nossa universidade que, no meu entender, perdeu a capacidade de pensar revolucionaria e criticamente, como propositora de conceitos, tendo se reduzido, no mais das vezes por essas pr\u00f3prias propostas de alinhamentos neoliberais, a uma mera reprodutora e consumidora de informa\u00e7\u00f5es. E isso \u00e9, de fato, p\u00e9ssimo e precisa ser mudado. Basta vermos o que foi feito, equivocadamente, nas \u00faltimas reestrutura\u00e7\u00f5es curriculares que realizamos em diversos cursos. N\u00f3s, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, pesquisamos e fazemos isso cotidianamente e estamos sempre dispon\u00edveis e desejosos de contribuir com essas reflex\u00f5es. No particular, os nossos projetos de forma\u00e7\u00e3o de professores para os munic\u00edpios de Irec\u00ea e Salvador, por exemplo, j\u00e1 caminham na dire\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o mais ampla, n\u00e3o dirigida e dependente das demandas imediatas do mercado, com uma concep\u00e7\u00e3o de curr\u00edculo n\u00e3o reduzido \u00e0 id&#8217;;eia de grade e ou de matriz, mas de movimento, de fluxo cont\u00ednuo, com forte presen\u00e7a das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o e, no entanto, essas propostas n\u00e3o contaram com o apoio da atual administra\u00e7\u00e3o que, curiosamente, agora prop\u00f5e algo em bases at\u00e9 certo ponto similares. Voltemos ao tema espec\u00edfico. Os documentos que a comiss\u00e3o designada pelos Conselhos Superiores para discutir o PDI j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis na internet [http:\/\/www.fis.ufba.br\/dfes\/PDI\/], incluindo o documento inicial da Universidade Nova e devemos l\u00ea-los para discuti-los de forma mais aprofundada e sem a pressa ou agonia de quem quer resolver todos os problemas numa tacada s\u00f3, de hoje para amanh\u00e3. Tenho insistido nesse ponto: n\u00f3s temos que pensar no futuro, vivendo o presente e com olhos muito atentos ao passado&#8230; Portanto, sair correndo para estar \u00e0 frente n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de vanguarda, em minha opini\u00e3o. E as id\u00e9ias, na verdade, s\u00e3o antigas, se n\u00e3o em todos, em pelo menos alguns aspectos, e precisamos compreender porque sempre foram sistematicamente n\u00e3o implantadas. Por exemplo, algumas dessas id\u00e9ias est\u00e3o fortemente associadas ao que acontece no sistema universit\u00e1rio americano, lembrando sempre que \u00e9 um sistema implantando em uma sociedade com caracter\u00edsticas socio-econ\u00f4micas e culturais diversas das nossas. \u00c9 tamb\u00e9m pr\u00f3xima do que est\u00e1 sendo proposto na Europa atrav\u00e9s do denominado Processo de Bolonha, diga-se de passagem, j\u00e1 discutido h\u00e1 pelo menos uns 10 anos, sem deixar de ser uma grande pol\u00eamica. Tamb\u00e9m aqui,<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}