{"id":2117,"date":"2011-06-14T08:25:33","date_gmt":"2011-06-14T11:25:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=2117"},"modified":"2011-06-14T08:25:33","modified_gmt":"2011-06-14T11:25:33","slug":"autoridade-do-professor-terra-magazine-junho-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2011\/06\/14\/autoridade-do-professor-terra-magazine-junho-2011\/","title":{"rendered":"Autoridade do professor &#8211; Terra Magazine, junho 2011"},"content":{"rendered":"<h2 id=\"internal-source-marker_0.49510520264023816\">O que fizeram com a autoridade do professor?<\/h2>\n<p>Nelson Pretto &#8211; professor da faculdade de educa\u00e7\u00e3o da ufba &#8211; www.pretto.info<\/p>\n<p>Conversava  recentemente com uma amiga, colega professora do ensino m\u00e9dio, sobre a  situa\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas no Estado da Bahia e sobre o trabalho do  professor. Constatamos, ali\u00e1s sem nenhuma novidade, que est\u00e1 muito  dif\u00edcil ser professor com as atuais condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Estouram  greves em v\u00e1rios Estados, em todos os n\u00edveis. Um v\u00eddeo circulou na  internet, de forma viral, com o discurso a professora potiguara Amanda  Gurgel em uma audi\u00eancia p\u00fablica na Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio Grande  do Norte, onde se discutia a greve dos docentes naquele estado. A  professora usou seus cinco minutos de fala para, com uma precis\u00e3o  cir\u00fargica, expor a dura vida do professor.<\/p>\n<p>Esses  s\u00e3o problemas concretos que muito dificultam o trabalho dos mestres.  Mas existem outros importantes aspectos que merecem ser discutidos.<\/p>\n<p>Est\u00e1  dif\u00edcil a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com os estudantes, que n\u00e3o conseguem ver na  escola e no professor algo de significativo para as suas vidas. Observo  isso tamb\u00e9m na universidade. Apesar de uma parcela da juventude estar  animada, com disposi\u00e7\u00e3o para o aprendizado e a intera\u00e7\u00e3o com colegas e  professores, percebo um certo des\u00e2nimo em boa parte dos meus atuais  alunos. Minha colega professora constata que nas aulas no col\u00e9gio onde  trabalha, o n\u00edvel de desrespeito em rela\u00e7\u00e3o ao professor \u00e9 enorme, com  alunos saindo e entrando da sala sem a menor cerim\u00f4nia, agredindo os  mestres verbalmente (nem me refiro \u00e0s agress\u00f5es f\u00edsicas, que tamb\u00e9m  sabemos existir) e pouco ligam para os colegas e os professores.<\/p>\n<p>Para  n\u00f3s, pesquisadores da educa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 evidente que os curr\u00edculos, a  estrutura das escolas, \u00a0a forma\u00e7\u00e3o dos professores, entre outros  aspectos, est\u00e3o muito aqu\u00e9m do que necessitamos para que a escola possa  enfrentar os desafios contempor\u00e2neos. Mas algo nos chama a aten\u00e7\u00e3o e,  por conta disso, resgato aqui um belo artigo escrito por M\u00e3e Stella de  Ox\u00f3ssi, Iyalorix\u00e1 do Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1, na Bahia, publicado no jornal A  Tarde de 13 de abril passado. \u201cNo outono da vida\u201d \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre o  papel dos velhos na sociedade e discorre sobre a esta\u00e7\u00e3o do ano em que  as folhas secas se desprendem das \u00e1rvores e caem por terra. As folhas  caem da mesma forma que os mais velhos curvam o seu corpo, compara M\u00e3e  Stella. Mas aqui ela traz uma sabedoria yourub\u00e1 que n\u00f3s \u00e9 muito cara:  \u201cmesmo quando o velho curva o corpo, ainda continua de p\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>No  Candombl\u00e9, como em outras religi\u00f5es de proced\u00eancia oriental e nas  tribos ind\u00edgenas, \u201co velho \u00e9 muito valorizado, ele \u00e9 considerado um  s\u00e1bio, tendo uma condi\u00e7\u00e3o de destaque e respeito\u201d, sentencia M\u00e3e Stella  no seu artigo.<\/p>\n<p>Trago  essa bela refer\u00eancia para retomar a quest\u00e3o do professor e de sua  autoridade. O que temos visto ao longo dos \u00faltimos anos \u00e9 que a correta  pol\u00edtica de universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o foi  acompanhada de um necess\u00e1rio e urgente resgate do papel do professor.  Resgate este que tem que se dar em pelo menos tr\u00eas dimens\u00f5es: salarial,  condi\u00e7\u00f5es de trabalho e forma\u00e7\u00e3o (inicial e, principalmente,  continuada). Nesse \u00faltimo aspecto, as redes tecnol\u00f3gicas possuem um  papel fundamental, uma vez que possibilitam articula\u00e7\u00e3o entre todos os  entes do sistema, de forma a ter o professor, na escola, no seu ambiente  de trabalho, apoio e suporte acad\u00eamico para o desempenho das suas  atividades.<\/p>\n<p>A  escola precisa resgatar para si a beleza e a genorosidade dos seus  espa\u00e7os e arquiteturas, como j\u00e1 tivemos o Pedro II no Rio e a Escola  Parque na Bahia, para citar apenas dois antigos exemplares casos. Nestes  ricos espa\u00e7os, todos conectados e com boa infra-estrutura, os  professores viveriam o dia a dia das escolas, a rela\u00e7\u00e3o com os alunos,  funcion\u00e1rios e colegas, numa ambi\u00eancia de respeito, colabora\u00e7\u00e3o e  cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A  necessidade de resgate da autoridade do professor est\u00e1 associado tamb\u00e9m  \u00e0 de fortalecimento das figuras de autoridade dos pais &#8211; hoje t\u00e3o  fragilizadas -, n\u00e3o significa, em \u00a0absoluto, qualquer nostalgia de  tempos autorit\u00e1rios. O fortalecimento dessas figuras de autoridade n\u00e3o  pode perder de vista a import\u00e2ncia do protagonismo de alunos e filhos  nas rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem na escola e na fam\u00edlia. Muito pelo  contr\u00e1rio. Passariam todos, jovens e velhos &#8211; estes com a sabedoria que  lhe foi outorgada pelas experi\u00eancias de vida e aqueles com a  irrever\u00eancia fundamental de quem quer tudo questionar, mudar e  reconstruir &#8211; a trabalhar para o \u00a0estabelecimento de um rico di\u00e1logo,  com trocas, permutas, respeito m\u00fatuo e crescimento coletivo e  individual.<\/p>\n<p>M\u00e3e  Stella foi direto ao ponto: \u201cos mais novos, que vivem em uma sociedade  imediatista, n\u00e3o querem ou n\u00e3o conseguem encontrar tempo para ouvir  experi\u00eancias que um dia ter\u00e3o que enfrentar. (&#8230;) Na cultura yorubana, o  velho \u00e9 um her\u00f3i, pois conseguiu vencer a morte, que nos procura e  ronda todos os dias.\u201d<\/p>\n<p>Nem  todos os professores tem a sabedoria dos velhos, temos clareza disso.  Mas resgatar essa dimens\u00e3o intelectual do professor, acrescida de uma  outra dimens\u00e3o caracter\u00edstica de nosso tempo, a do sujeito  verdadeiramente ativista, pode vir a constituir um dos mais  significativos passos para retomarmos a perspectiva cidad\u00e3 que estamos  vendo se perder em nossa sociedade.<\/p>\n<p>Publicado no Terra Magazine de 10.06.2011. <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI5179531-EI17985,00-O+que+fizeram+com+a+autoridade+do+professor.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clique para a coluna<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que fizeram com a autoridade do 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