{"id":201,"date":"2010-04-12T21:29:00","date_gmt":"2010-04-12T21:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2010\/04\/12\/as-necessarias-reformas-no-direito-autoral\/"},"modified":"2010-04-12T21:29:00","modified_gmt":"2010-04-12T21:29:00","slug":"as-necessarias-reformas-no-direito-autoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2010\/04\/12\/as-necessarias-reformas-no-direito-autoral\/","title":{"rendered":"As necess\u00e1rias reformas no direito autoral"},"content":{"rendered":"<p>Em fun&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia do tema, reproduzo aqui a nota do MInC sobre como ele est&aacute; pensando e propondo a quest&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;o arrecadadores.<br \/>S&atilde;o muitos os pontos e esse &eacute; um deles e bastante importante. Ao final a mat&eacute;ria de hoje do Jornal Nacional da Rede Globo de Televis&atilde;o, apresentando a rea&ccedil;&atilde;o contra essa posi&ccedil;&atilde;o do MinC.<br \/>O debate &eacute; longo e duro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><b><span>OS DIREITOS AUTORAIS EM DEBATE &ndash; A  posi&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Cultura<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">O tema Direito  Autoral est&aacute; na pauta das discuss&otilde;es por todo o pa&iacute;s. E muito disso se deve ao  esfor&ccedil;o do governo federal de torn&aacute;-lo central na formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas  p&uacute;blicas e colocar a regula&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais como instrumento  imprescind&iacute;vel para o desenvolvimento da economia da cultura no  pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">As ind&uacute;strias direta  ou indiretamente relacionadas ao direito autoral s&atilde;o respons&aacute;veis por mais de 7%  das riquezas produzidas nos pa&iacute;ses desenvolvidos, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial  de Propriedade Intelectual (OMPI). A tend&ecirc;ncia &eacute; de aumento da riqueza gerada  nesse setor, devido &agrave; acelera&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as trazidas pela tecnologia e cultura  digital, que produzem uma nova rede de rela&ccedil;&otilde;es sociais com novos modelos de  trocas simb&oacute;licas e econ&ocirc;micas. Ser&iacute;amos irrealistas se n&atilde;o reconhec&ecirc;ssemos que  essa nova realidade imp&otilde;e-se a todos n&oacute;s, indiscriminadamente: autores,  investidores, usu&aacute;rios, consumidores das obras intelectuais e Estado. Portanto,  e dado o peso da responsabilidade p&uacute;blica com tema t&atilde;o caro e sens&iacute;vel a todo o  setor cultural, o Minist&eacute;rio da Cultura (MinC) lan&ccedil;ou em 2007 o F&oacute;rum Nacional  de Direito Autoral, para levantar essa discuss&atilde;o com a sociedade. Foram  promovidos 8 semin&aacute;rios e mais de 80 reuni&otilde;es com diversos setores da sociedade  envolvidos com o tema, objetivando discutir a Lei 9.610\/98 (Lei de Direitos  Autorais) e o papel do Estado neste campo. A maioria dos semin&aacute;rios foi  transmitida em tempo real pela internet, atrav&eacute;s do portal do Minist&eacute;rio da  Cultura, o que permitiu envolver de forma direta mais de 10.000 pessoas no  debate, entre participantes presenciais e a dist&acirc;ncia. O endere&ccedil;o <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cultura.gov.br\/direito_autoral\" rel=\"noopener\">www.cultura.gov.br\/direito_autoral<\/a>  mant&eacute;m registros em texto e audiovisual das discuss&otilde;es  realizadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-size:11pt\">Durante todo o  processo, o MinC apresentou propostas que foram aperfei&ccedil;oadas pelos  interlocutores. Neste momento, de posse das diversas sugest&otilde;es e cr&iacute;ticas  surgidas dos debates e das consultas setoriais, o governo federal est&aacute;  elaborando uma proposta de revis&atilde;o da lei que em breve ser&aacute; objeto de uma  consulta p&uacute;blica, onde a sociedade poder&aacute; manifestar-se sobre o seu teor.  <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-size:11pt\">Entre os principais  objetivos da proposta est&atilde;o ampliar e assegurar efetivo est&iacute;mulo e prote&ccedil;&atilde;o aos  autores e &agrave;s suas cria&ccedil;&otilde;es; promover o equil&iacute;brio de direitos entre todos  envolvidos; ampliar e democratizar o acesso da popula&ccedil;&atilde;o aos bens e servi&ccedil;os  culturais; sintonizar a legisla&ccedil;&atilde;o com os novos paradigmas estabelecidos pelo  ambiente digital; e viabilizar a atua&ccedil;&atilde;o do Estado na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas  p&uacute;blicas de promo&ccedil;&atilde;o, supervis&atilde;o, regula&ccedil;&atilde;o e defesa dos interesses da sociedade  e do Pa&iacute;s no &acirc;mbito interno e nos f&oacute;runs internacionais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-size:11pt\">No entanto, antes  mesmo de conhecer a proposta final, alguns setores tem manifestado suas  discord&acirc;ncias, especialmente no que tange uma poss&iacute;vel supervis&atilde;o estatal nas  sociedades de gest&atilde;o coletiva. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt;margin-left:0;margin-right:0\"><span style=\"font-size:11pt\">Nossa proposta &eacute;  que<b> <\/b>o Estado retome seu papel no campo autoral, corrigindo distor&ccedil;&atilde;o que  a lei vigente criou ao destituir o poder p&uacute;blico de <span style=\"color:black\">meios adequados para atuar na regula&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria de  tamanha import&acirc;ncia. Atualmente o Brasil &eacute; um dos raros pa&iacute;ses democr&aacute;ticos do  mundo que n&atilde;o tem poder de regula&ccedil;&atilde;o nessa seara. Nesse sentido, lan&ccedil;aremos &agrave;  consulta da sociedade a id&eacute;ia de ser estabelecida<\/span> supervis&atilde;o sobre as  entidades de gest&atilde;o coletiva arrecadadoras de direitos, que ocorrer&aacute; baseada na  verifica&ccedil;&atilde;o do cumprimento, por parte destas sociedades, de uma s&eacute;rie de  obriga&ccedil;&otilde;es que envolvem transpar&ecirc;ncia, publicidade e fiscaliza&ccedil;&atilde;o de seus atos  pelos seus associados e representados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt;margin-left:0;margin-right:0\"><span style=\"font-size:11pt\">Al&eacute;m disso, prop&otilde;e-se  a implanta&ccedil;&atilde;o de uma inst&acirc;ncia administrativa para poupar os autores de longas e  custosas disputas jur&iacute;dicas &ndash; sem qualquer preju&iacute;zo do direito deles de recorrer  ao Judici&aacute;rio. A proposta tamb&eacute;m prev&ecirc; que o Estado seja dotado de maior  capacidade para atuar na defesa dos interesses do pa&iacute;s na &aacute;rea internacional;  organizar os servi&ccedil;os de registro; e estimular a difus&atilde;o do direito autoral. De  fato, parte-se da premissa de que toda e qualquer atividade econ&ocirc;mica relevante  que lida com os chamados bens p&uacute;blicos demanda a presen&ccedil;a do Estado como  regulador e normatizador: telefonia, luz, &aacute;gua, meio ambiente, transportes etc.  O bem cultural, no seu sentido econ&ocirc;mico, &eacute; um bem p&uacute;blico. Tamb&eacute;m nesse campo o  Estado n&atilde;o entra como agente voluntarista, mas como regulador e conciliador em  um mercado cujas rela&ccedil;&otilde;es, interesses e efeitos se estendem transversalmente por  toda a sociedade. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">O papel de regula&ccedil;&atilde;o  e supervis&atilde;o, no entanto, n&atilde;o pode ser confundido com uma pretensa &ldquo;estatiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;  dos direitos autorais, que assumiria, para alguns que buscam deturpar essa  proposta, a face da &ldquo;estatiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da arrecada&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais. N&atilde;o h&aacute;  qualquer fundamenta&ccedil;&atilde;o nessa assertiva. Como estabelece a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o,  em seu artigo V inciso XXVIII, cabe aos autores fiscalizar o aproveitamento  econ&ocirc;mico de suas obras. A arrecada&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de direitos autorais,  nesse sentido, permanecer&atilde;o por conta das entidades de gest&atilde;o coletiva de  direitos autorais. Caber&aacute; ao Estado apenas recuperar seu papel de &oacute;rg&atilde;o  supervisor e regulador dessas entidades (e n&atilde;o do servi&ccedil;o em si), inclusive  assegurando aos autores que suas entidades est&atilde;o de fato lhes representando, e  dissuadindo a realiza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas abusivas. N&atilde;o ser&aacute;, assim<br \/>\n, criado nenhum  &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico de arrecada&ccedil;&atilde;o de direitos autorais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-size:11pt\">A nova proposta nada  tem de intervencionista, at&eacute; porque n&atilde;o cabe ao Estado gerir direitos privados,  como &eacute; o caso do direito de autor. O que pretende &eacute; colocar o Brasil ao lado de  todos os pa&iacute;ses democr&aacute;ticos do mundo, que atuam na supervis&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o dessa  &aacute;rea, de import&acirc;ncia cada vez maior para a Economia da Cultura. O que o governo  brasileiro necessita &eacute; fazer a supervis&atilde;o e a regula&ccedil;&atilde;o das entidades de gest&atilde;o  coletiva que atuam nessa &aacute;rea, com a finalidade aperfei&ccedil;o&aacute;-las, de torn&aacute;-las  mais transparentes em sua atua&ccedil;&atilde;o e com maior legitimidade diante dos autores,  conciliando os conflitos entre usu&aacute;rios e titulares e buscando reduzir a  inadimpl&ecirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-size:11pt\">A proposta de revis&atilde;o  da lei ambiciona se constituir em um instrumento para desenvolver e consolidar a  economia da cultura no Pa&iacute;s, ao mesmo tempo em que garanta os direitos  constitucionais dos autores e da sociedade de ter acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, &agrave;  informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura. Ela busca valorizar os criadores e artistas nacionais,  que passar&atilde;o a ter maior poder de arb&iacute;trio sobre a gest&atilde;o de suas obras e, ao  mesmo tempo, promover o desenvolvimento nacional ao garantir o acesso justo da  sociedade aos bens e servi&ccedil;os culturais, sem preju&iacute;zo dos titulares.  <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-size:11pt\">Para obter &ecirc;xito, a  proposta atualizar&aacute; diversos dispositivos. Para diminuir o desequil&iacute;brio na  rela&ccedil;&atilde;o entre criadores e investidores, aprimorar&aacute; os instrumentos de rela&ccedil;&atilde;o  contratual, que passam a refletir expressamente a influ&ecirc;ncia do C&oacute;digo Civil em  vigor. Busca-se aprimor&aacute;-los, adaptando a lei autoral &agrave; nova teoria contratual,  e com isso dando maior seguran&ccedil;a jur&iacute;dica para o autor defender seus direitos  quando do estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es contratuais. Para garantir um maior acesso  ao conhecimento e &agrave; cultura para fins de pesquisa, educa&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o cultural,  entre outros, busca a amplia&ccedil;&atilde;o das formas de uso de obras protegidas sem que  seja necess&aacute;ria a autoriza&ccedil;&atilde;o do autor, nem cause a ele um preju&iacute;zo  injustificado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"font-size:11pt\">Pelo seu car&aacute;ter  abrangente, a revis&atilde;o proposta passa muito al&eacute;m de uma mera disputa com o  <i>staff <\/i>que dirige h&aacute; mais de vinte anos as sociedades de gest&atilde;o coletiva.  Seu objetivo &eacute; fortalecer o criador, permitir-lhe usufruir de maneira mais plena  os frutos de sua cria&ccedil;&atilde;o frente aos intermedi&aacute;rios, seja os que arrecadam e  distribuem seus direitos, seja os editores de suas obras. Seu objetivo tamb&eacute;m &eacute;  permitir que a sociedade possa ter acesso &agrave; cultura, sem causar preju&iacute;zo ao  autor. E promover um ambiente de crescente estabilidade jur&iacute;dica, facilitando o  acesso a mecanismos de solu&ccedil;&atilde;o de disputas sobre Direito Autoral e promovendo o  conhecimento sobre o tema. Enfim, a proposta busca que o direito de autor  privilegie realmente o autor, e que este seja capaz de usufruir da utiliza&ccedil;&atilde;o de  sua cria&ccedil;&atilde;o seja no ambiente anal&oacute;gico tradicional seja no cada vez mais  inovador ambiente digital. <\/span><span><br \/><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b><span>Semin&aacute;rios realizados no &acirc;mbito do  F&oacute;rum Nacional de Direito Autoral<\/span><span style=\"font-size:14pt\"> <br \/><\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">Os Direitos Autorais  no S&eacute;culo XXI &ndash; Rio de Janeiro &ndash; 05\/12\/2007 &ndash; MinC e  Funarte<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">II Congresso de  Direito de Autor e Interesse P&uacute;blico &#8211; Florian&oacute;polis, 16 e 17\/06\/2008 &ndash; UFSC,  FGV\/SP e MinC<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">A Defesa do Direito  Autoral: Gest&atilde;o Coletiva e Papel do Estado &ndash; Rio de Janeiro, 30 e 31\/07\/2008 &ndash;  MinC e Funarte<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">Direitos Autorais e  Acesso &agrave; Cultura &ndash; S&atilde;o Paulo, 27 e 28\/08\/2008 &ndash; MinC, USP e  Funarte<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">Autores, Artistas e  Seus Direitos &ndash; Rio de Janeiro, 27 e 28\/10\/2008 &ndash; MinC e  Funarte<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">Semin&aacute;rio  Internacional Sobre Direito Autoral &ndash; Fortaleza, 26, 27 e 28\/11\/2008 &ndash; OMPI,  PNUD, MinC e MRE<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">F&oacute;rum Livre do  Direito Autoral &ndash; Rio de Janeiro, 15, 16 e 17\/12\/2008 &ndash; UFRJ e  MinC<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;margin-bottom:6pt\"><span style=\"font-size:11pt\">III Congresso de  Direito de Autor e Interesse P&uacute;blico &ndash; S&atilde;o Paulo, 09 e 10\/11\/2009&nbsp; &#8211; UFSC,  FGV\/SP e MinC<\/span><\/p>\n<p>A mat&eacute;ria no Jornal Nacional est&aacute; <a href=\"http:\/\/bit.ly\/cwieSf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em fun&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia do tema, reproduzo aqui a nota do MInC sobre como ele est&aacute; pensando e propondo a quest&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;o arrecadadores.S&atilde;o muitos os pontos e esse &eacute; um deles e bastante importante. Ao final a mat&eacute;ria de hoje do Jornal Nacional da Rede Globo de Televis&atilde;o, apresentando a rea&ccedil;&atilde;o contra essa posi&ccedil;&atilde;o do MinC.O debate &eacute; longo e duro&#8230; OS DIREITOS AUTORAIS EM DEBATE &ndash; A posi&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Cultura O tema Direito Autoral est&aacute; na pauta das discuss&otilde;es por todo o pa&iacute;s. E muito disso se deve ao esfor&ccedil;o do governo federal de torn&aacute;-lo central na formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e colocar a regula&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais como instrumento imprescind&iacute;vel para o desenvolvimento da economia da cultura no pa&iacute;s. As ind&uacute;strias direta ou indiretamente relacionadas ao direito autoral s&atilde;o respons&aacute;veis por mais de 7% das riquezas produzidas nos pa&iacute;ses desenvolvidos, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). A tend&ecirc;ncia &eacute; de aumento da riqueza gerada nesse setor, devido &agrave; acelera&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as trazidas pela tecnologia e cultura digital, que produzem uma nova rede de rela&ccedil;&otilde;es sociais com novos modelos de trocas simb&oacute;licas e econ&ocirc;micas. Ser&iacute;amos irrealistas se n&atilde;o reconhec&ecirc;ssemos que essa nova realidade imp&otilde;e-se a todos n&oacute;s, indiscriminadamente: autores, investidores, usu&aacute;rios, consumidores das obras intelectuais e Estado. Portanto, e dado o peso da responsabilidade p&uacute;blica com tema t&atilde;o caro e sens&iacute;vel a todo o setor cultural, o Minist&eacute;rio da Cultura (MinC) lan&ccedil;ou em 2007 o F&oacute;rum Nacional de Direito Autoral, para levantar essa discuss&atilde;o com a sociedade. Foram promovidos 8 semin&aacute;rios e mais de 80 reuni&otilde;es com diversos setores da sociedade envolvidos com o tema, objetivando discutir a Lei 9.610\/98 (Lei de Direitos Autorais) e o papel do Estado neste campo. A maioria dos semin&aacute;rios foi transmitida em tempo real pela internet, atrav&eacute;s do portal do Minist&eacute;rio da Cultura, o que permitiu envolver de forma direta mais de 10.000 pessoas no debate, entre participantes presenciais e a dist&acirc;ncia. O endere&ccedil;o www.cultura.gov.br\/direito_autoral mant&eacute;m registros em texto e audiovisual das discuss&otilde;es realizadas. Durante todo o processo, o MinC apresentou propostas que foram aperfei&ccedil;oadas pelos interlocutores. Neste momento, de posse das diversas sugest&otilde;es e cr&iacute;ticas surgidas dos debates e das consultas setoriais, o governo federal est&aacute; elaborando uma proposta de revis&atilde;o da lei que em breve ser&aacute; objeto de uma consulta p&uacute;blica, onde a sociedade poder&aacute; manifestar-se sobre o seu teor. Entre os principais objetivos da proposta est&atilde;o ampliar e assegurar efetivo est&iacute;mulo e prote&ccedil;&atilde;o aos autores e &agrave;s suas cria&ccedil;&otilde;es; promover o equil&iacute;brio de direitos entre todos envolvidos; ampliar e democratizar o acesso da popula&ccedil;&atilde;o aos bens e servi&ccedil;os culturais; sintonizar a legisla&ccedil;&atilde;o com os novos paradigmas estabelecidos pelo ambiente digital; e viabilizar a atua&ccedil;&atilde;o do Estado na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de promo&ccedil;&atilde;o, supervis&atilde;o, regula&ccedil;&atilde;o e defesa dos interesses da sociedade e do Pa&iacute;s no &acirc;mbito interno e nos f&oacute;runs internacionais. No entanto, antes mesmo de conhecer a proposta final, alguns setores tem manifestado suas discord&acirc;ncias, especialmente no que tange uma poss&iacute;vel supervis&atilde;o estatal nas sociedades de gest&atilde;o coletiva. Nossa proposta &eacute; que o Estado retome seu papel no campo autoral, corrigindo distor&ccedil;&atilde;o que a lei vigente criou ao destituir o poder p&uacute;blico de meios adequados para atuar na regula&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria de tamanha import&acirc;ncia. Atualmente o Brasil &eacute; um dos raros pa&iacute;ses democr&aacute;ticos do mundo que n&atilde;o tem poder de regula&ccedil;&atilde;o nessa seara. Nesse sentido, lan&ccedil;aremos &agrave; consulta da sociedade a id&eacute;ia de ser estabelecida supervis&atilde;o sobre as entidades de gest&atilde;o coletiva arrecadadoras de direitos, que ocorrer&aacute; baseada na verifica&ccedil;&atilde;o do cumprimento, por parte destas sociedades, de uma s&eacute;rie de obriga&ccedil;&otilde;es que envolvem transpar&ecirc;ncia, publicidade e fiscaliza&ccedil;&atilde;o de seus atos pelos seus associados e representados. Al&eacute;m disso, prop&otilde;e-se a implanta&ccedil;&atilde;o de uma inst&acirc;ncia administrativa para poupar os autores de longas e custosas disputas jur&iacute;dicas &ndash; sem qualquer preju&iacute;zo do direito deles de recorrer ao Judici&aacute;rio. A proposta tamb&eacute;m prev&ecirc; que o Estado seja dotado de maior capacidade para atuar na defesa dos interesses do pa&iacute;s na &aacute;rea internacional; organizar os servi&ccedil;os de registro; e estimular a difus&atilde;o do direito autoral. De fato, parte-se da premissa de que toda e qualquer atividade econ&ocirc;mica relevante que lida com os chamados bens p&uacute;blicos demanda a presen&ccedil;a do Estado como regulador e normatizador: telefonia, luz, &aacute;gua, meio ambiente, transportes etc. O bem cultural, no seu sentido econ&ocirc;mico, &eacute; um bem p&uacute;blico. Tamb&eacute;m nesse campo o Estado n&atilde;o entra como agente voluntarista, mas como regulador e conciliador em um mercado cujas rela&ccedil;&otilde;es, interesses e efeitos se estendem transversalmente por toda a sociedade. O papel de regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o, no entanto, n&atilde;o pode ser confundido com uma pretensa &ldquo;estatiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos direitos autorais, que assumiria, para alguns que buscam deturpar essa proposta, a face da &ldquo;estatiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da arrecada&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais. N&atilde;o h&aacute; qualquer fundamenta&ccedil;&atilde;o nessa assertiva. Como estabelece a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o, em seu artigo V inciso XXVIII, cabe aos autores fiscalizar o aproveitamento econ&ocirc;mico de suas obras. A arrecada&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de direitos autorais, nesse sentido, permanecer&atilde;o por conta das entidades de gest&atilde;o coletiva de direitos autorais. Caber&aacute; ao Estado apenas recuperar seu papel de &oacute;rg&atilde;o supervisor e regulador dessas entidades (e n&atilde;o do servi&ccedil;o em si), inclusive assegurando aos autores que suas entidades est&atilde;o de fato lhes representando, e dissuadindo a realiza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas abusivas. N&atilde;o ser&aacute;, assim , criado nenhum &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico de arrecada&ccedil;&atilde;o de direitos autorais. A nova proposta nada tem de intervencionista, at&eacute; porque n&atilde;o cabe ao Estado gerir direitos privados, como &eacute; o caso do direito de autor. O que pretende &eacute; colocar o Brasil ao lado de todos os pa&iacute;ses democr&aacute;ticos do mundo, que atuam na supervis&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o dessa &aacute;rea, de import&acirc;ncia cada vez maior para a Economia da Cultura. O que o governo brasileiro necessita &eacute; fazer a supervis&atilde;o e a regula&ccedil;&atilde;o das entidades de gest&atilde;o coletiva que atuam nessa &aacute;rea, com a finalidade aperfei&ccedil;o&aacute;-las, de torn&aacute;-las mais transparentes em sua atua&ccedil;&atilde;o e com maior legitimidade diante dos autores, conciliando os conflitos entre usu&aacute;rios e titulares e buscando reduzir a inadimpl&ecirc;ncia.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[164,296,344],"class_list":["post-201","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-direito-autoral","tag-minc","tag-politica-publica","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}