{"id":200,"date":"2010-03-25T17:21:00","date_gmt":"2010-03-25T17:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2010\/03\/25\/a-teia-da-cultura-e-a-educacao\/"},"modified":"2010-03-25T17:21:00","modified_gmt":"2010-03-25T17:21:00","slug":"a-teia-da-cultura-e-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2010\/03\/25\/a-teia-da-cultura-e-a-educacao\/","title":{"rendered":"A teia da cultura e a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A cultura est&aacute; em debate. E em festa, na Teia 2010 em Fortaleza. A educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; em debate. Ap&oacute;s as confer&ecirc;ncias estaduais, chegou o momento da Confer&ecirc;ncia Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (CONAE) que acontece em Bras&iacute;lia, de hoje at&eacute; 1&ordm; de abril. S&atilde;o in&uacute;meros aspectos a serem considerados, inclusive porque necess&aacute;rio se faz avaliar o que foi o Plano Nacional da Educa&ccedil;&atilde;o (2000\/2010) que previa, por exemplo, estarem hoje no ensino superior 30% da popula&ccedil;&atilde;o jovem de 18 a 24 anos. Longe ficamos desta meta, com menos de 14%, apesar de todo o investimento realizado nas universidades p&uacute;blicas nos &uacute;ltimos anos.<br \/>Mas esse &eacute; apenas um &#8211; importante, claro &#8211; dos aspectos de tantos outros que necessitam ser tratados.<br \/>Tenho dito, at&eacute; com insist&ecirc;ncia, que o maior problema das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas federais (e vale <i>ipsis litteris<\/i> para as estaduais) &eacute; que se continuarmos a fazer composi&ccedil;&atilde;o dos governos atendendo aos partidos pol&iacute;ticos que loteiam os cargos, cada minist&eacute;rio (e secretaria) continuar&aacute; fazendo a sua pol&iacute;tica espec&iacute;fica, querendo aparecer mais do que os outros. Na educa&ccedil;&atilde;o, um grande problema para a efetiva&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas &eacute; a dificuldade que o MEC tem em &quot;falar&quot; com os demais Minist&eacute;rios e, consequentemente, com as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de Cultura, de Comunica&ccedil;&otilde;es e de C&amp;T, para citar apenas alguns. S&atilde;o diversos os aspectos a considerar, mas quero aqui aproveitar o per&iacute;odo da realiza&ccedil;&atilde;o da Teia 2010, evento que re&uacute;ne integrantes dos quase 2.500 Pontos de Cultura do Brasil e exterior, para enfatizar a necess&aacute;ria e fundamental rela&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o com a cultura. Uma correta e importante pol&iacute;tica p&uacute;blica capitaneada pelo MinC &#8211; o Cultura Viva\/Pontos de Cultura &#8211; est&aacute; efetivamente mexendo com o pa&iacute;s, promovendo o fortalecimento da cultura &quot;vinda de baixo&quot;, com especial destaque para a cultura digital. Essa turma envolvida com os Pontos est&aacute; produzindo como nunca. V&iacute;deos, filmes, fotografia, r&aacute;dio, artes pl&aacute;sticas, artesanato, enfim, produzindo culturas, num plural pleno, com um enorme potencial de efetivamente transformar a nossa triste e injusta realidade. Esse conjunto, que &eacute; muito, muito maior que a soma das partes, est&aacute; agigantando cada grupo, trazendo para os processos de produ&ccedil;&atilde;o cultural algo que est&aacute;, cada dia mais, sendo esquecido nesta nossa sociedade consumista e individualista: os ideais de colabora&ccedil;&atilde;o, compartilhamento e generosidade. A rede est&aacute; montada. A <i>Teia<\/i> cobre o pa&iacute;s de ponta a ponta. A TV Brasil, s&oacute; para se ter um exemplo, mostra uma pequena parte disso no programa Cultura Ponto a Ponto, expondo e enaltecendo essa maravilhosa diversidade. Um programa, tamb&eacute;m ele, produzido de forma coletiva e colaborativa. Cerca de 400 pessoas, de mais de 100 Pontos, trabalharam durante 18 semanas de grava&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o de mais de 130. Um jeito coletivo de produzir para superar o jeito individual de consumir, produtos e informa&ccedil;&otilde;es.<br \/>Mas a educa&ccedil;&atilde;o escapa! Foge da teia!<br \/>Lamentavelmente n&atilde;o consegue ver tudo isso. As Escolas n&atilde;o falam com os Pontos de Cultura e, tamb&eacute;m estes, n&atilde;o falam com as Escolas. Verdade que tentam, como no projeto Escola Viva. No entanto, na educa&ccedil;&atilde;o, tudo fica muito preso &agrave; uma l&oacute;gica de gest&atilde;o e padroniza&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o possibilita que se trabalhe com o inesperado, com o vivo, com&#8230; a cultura. Nos Pontos, as experi&ecirc;ncias de uso de softwares livres e dos licenciamentos livres e abertos contribuem para um enorme avan&ccedil;o na busca da autonomia do pa&iacute;s. Se as escolas aproveitassem essa expertise, poderiam trazer para o seu interior esses ricos processos criativos de produ&ccedil;&atilde;o. Com isso, estariam formando outras teias, trabalhando de forma intensa na busca da produ&ccedil;&atilde;o coletiva de recursos educacionais abertos, com professores, alunos e comunidade envolvidos no processo, favorecendo o acesso de toda a popula&ccedil;&atilde;o aos bens cient&iacute;ficos e culturais produzidos em nosso pa&iacute;s e no mundo.<br \/>A leitura dos documentos b&aacute;sicos do CONAE evidencia que pouca refer&ecirc;ncia se faz ao uso de software livre e nenhuma aos recursos educacionais abertos. Isso, seguramente, pode ser um indicativo do tamanho do desafio que ainda teremos pela frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura est&aacute; em debate. E em festa, na Teia 2010 em Fortaleza. A educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; em debate. 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Longe ficamos desta meta, com menos de 14%, apesar de todo o investimento realizado nas universidades p&uacute;blicas nos &uacute;ltimos anos.Mas esse &eacute; apenas um &#8211; importante, claro &#8211; dos aspectos de tantos outros que necessitam ser tratados.Tenho dito, at&eacute; com insist&ecirc;ncia, que o maior problema das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas federais (e vale ipsis litteris para as estaduais) &eacute; que se continuarmos a fazer composi&ccedil;&atilde;o dos governos atendendo aos partidos pol&iacute;ticos que loteiam os cargos, cada minist&eacute;rio (e secretaria) continuar&aacute; fazendo a sua pol&iacute;tica espec&iacute;fica, querendo aparecer mais do que os outros. Na educa&ccedil;&atilde;o, um grande problema para a efetiva&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas &eacute; a dificuldade que o MEC tem em &quot;falar&quot; com os demais Minist&eacute;rios e, consequentemente, com as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de Cultura, de Comunica&ccedil;&otilde;es e de C&amp;T, para citar apenas alguns. S&atilde;o diversos os aspectos a considerar, mas quero aqui aproveitar o per&iacute;odo da realiza&ccedil;&atilde;o da Teia 2010, evento que re&uacute;ne integrantes dos quase 2.500 Pontos de Cultura do Brasil e exterior, para enfatizar a necess&aacute;ria e fundamental rela&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o com a cultura. Uma correta e importante pol&iacute;tica p&uacute;blica capitaneada pelo MinC &#8211; o Cultura Viva\/Pontos de Cultura &#8211; est&aacute; efetivamente mexendo com o pa&iacute;s, promovendo o fortalecimento da cultura &quot;vinda de baixo&quot;, com especial destaque para a cultura digital. Essa turma envolvida com os Pontos est&aacute; produzindo como nunca. V&iacute;deos, filmes, fotografia, r&aacute;dio, artes pl&aacute;sticas, artesanato, enfim, produzindo culturas, num plural pleno, com um enorme potencial de efetivamente transformar a nossa triste e injusta realidade. Esse conjunto, que &eacute; muito, muito maior que a soma das partes, est&aacute; agigantando cada grupo, trazendo para os processos de produ&ccedil;&atilde;o cultural algo que est&aacute;, cada dia mais, sendo esquecido nesta nossa sociedade consumista e individualista: os ideais de colabora&ccedil;&atilde;o, compartilhamento e generosidade. A rede est&aacute; montada. A Teia cobre o pa&iacute;s de ponta a ponta. A TV Brasil, s&oacute; para se ter um exemplo, mostra uma pequena parte disso no programa Cultura Ponto a Ponto, expondo e enaltecendo essa maravilhosa diversidade. Um programa, tamb&eacute;m ele, produzido de forma coletiva e colaborativa. Cerca de 400 pessoas, de mais de 100 Pontos, trabalharam durante 18 semanas de grava&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o de mais de 130. Um jeito coletivo de produzir para superar o jeito individual de consumir, produtos e informa&ccedil;&otilde;es.Mas a educa&ccedil;&atilde;o escapa! Foge da teia!Lamentavelmente n&atilde;o consegue ver tudo isso. As Escolas n&atilde;o falam com os Pontos de Cultura e, tamb&eacute;m estes, n&atilde;o falam com as Escolas. Verdade que tentam, como no projeto Escola Viva. No entanto, na educa&ccedil;&atilde;o, tudo fica muito preso &agrave; uma l&oacute;gica de gest&atilde;o e padroniza&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o possibilita que se trabalhe com o inesperado, com o vivo, com&#8230; a cultura. Nos Pontos, as experi&ecirc;ncias de uso de softwares livres e dos licenciamentos livres e abertos contribuem para um enorme avan&ccedil;o na busca da autonomia do pa&iacute;s. 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