{"id":193,"date":"2010-02-05T10:28:00","date_gmt":"2010-02-05T10:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2010\/02\/05\/a-elegancia-do-ourico-e-a-academia\/"},"modified":"2010-02-05T10:28:00","modified_gmt":"2010-02-05T10:28:00","slug":"a-elegancia-do-ourico-e-a-academia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2010\/02\/05\/a-elegancia-do-ourico-e-a-academia\/","title":{"rendered":"A eleg\u00e2ncia do ouri\u00e7o e a academia"},"content":{"rendered":"<p>Deliciei-me esses dias ao ler o absolutamente delicioso <em>A Eleg&acirc;ncia do Ouri&ccedil;o<\/em> de Muriel Barbery.<br \/> Um livro muito bom que conta o relacionamento de uma zeladora (<em>concierge<\/em>) de um pr&eacute;dio chique de Paris, Michel Rene&eacute;, com a jovem Paloma, de quase 12 anos, filha de uma fam&iacute;lia rica&ccedil;a.<br \/> O livro &eacute; encantador e merece ser lido mas, aqui nessa pequena nota para reavivar esse meu blog (que ficou meio de escanteio em tempos de twitter &#8211; em breve volta a falar sobre o tema),&nbsp; eu transcrevo uma pequena reflex&atilde;o onde a astuta, sens&iacute;vel e simp&aacute;tica &#8211; para mim, n&atilde;o para os moradores do n&uacute;mero<a href=\"http:\/\/maps.google.com\/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=Rue+Grenelle,+Paris,+Fran%C3%A7a&amp;sll=42.330883,-96.81506&amp;sspn=43.695984,113.027344&amp;ie=UTF8&amp;hq=&amp;hnear=Rue+de+Grenelle,+Paris,+Ile-de-France,+Fran%C3%A7a&amp;ll=48.865505,2.317514&amp;spn=0.019084,0.055189&amp;t=h&amp;z=14\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> 7 da Rue de Grenelle<\/a> &#8211; recebe atrav&eacute;s de um boy o manuscrito de uma tese da fraquinha irm&atilde; de Paloma. Renee&eacute;, morrendo de curiosidade, vai lendo a tal tese, analisa o trabalho da mo&ccedil;oila e, claro, da universidade.<br \/>Michel Rene&eacute;:<\/p>\n<p>&quot;(o trabalho) [&eacute;] sideral, inebriante como o mau vinho e sobretudo muito revelador do funcionamento da Universidade: se voc&ecirc; quer fazer carreira, pegue um texto marginal e ex&oacute;tico (a suma l&oacute;gica de Guillaume d&#8217;Ockham [no caso do trabalho dela]), ainda pouco explorado, insulte seu sentido literal procurando nele uma inten&ccedil;&atilde;o que o pr&oacute;prio autor n&atilde;o tinha percebido (pois todos sabem que, em mat&eacute;ria de conceito, o n&atilde;o-sabido &eacute; bem mais poderoso do que todos os des&iacute;gnios conscientes), desforme-o at&eacute; o ponto de ele apresentar semelhan&ccedil;a com uma tese original (&eacute; a for&ccedil;a absoluta de Deus que fundamenta uma an&aacute;lise l&oacute;gica cujas implica&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas s&atilde;o ignoradas), queime, enquanto isso, todos os &iacute;cones (o ate&iacute;smo, a f&eacute; na Raz&atilde;o contra a raz&atilde;o da f&eacute;, o amor pela sabedoria e outras baboseiras caras aos socialistas), dedique um ano de sua vida a esse joguinho indigno, &agrave;s custas de uma coletividade que voc&ecirc; acorda as sete da manh&atilde;, e mande um boy &agrave; casa do seu orientador de tese.&quot;<\/p>\n<p>Bom, v&aacute; ler o livro. Enquanto isso, pense um pouco sobre as nossas universidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deliciei-me esses dias ao ler o absolutamente delicioso A Eleg&acirc;ncia do Ouri&ccedil;o de Muriel Barbery. Um livro muito bom que conta o relacionamento de uma zeladora (concierge) de um pr&eacute;dio chique de Paris, Michel Rene&eacute;, com a jovem Paloma, de quase 12 anos, filha de uma fam&iacute;lia rica&ccedil;a. O livro &eacute; encantador e merece ser lido mas, aqui nessa pequena nota para reavivar esse meu blog (que ficou meio de escanteio em tempos de twitter &#8211; em breve volta a falar sobre o tema),&nbsp; eu transcrevo uma pequena reflex&atilde;o onde a astuta, sens&iacute;vel e simp&aacute;tica &#8211; para mim, n&atilde;o para os moradores do n&uacute;mero 7 da Rue de Grenelle &#8211; recebe atrav&eacute;s de um boy o manuscrito de uma tese da fraquinha irm&atilde; de Paloma. 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