{"id":1863,"date":"2010-12-16T00:18:08","date_gmt":"2010-12-16T03:18:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=1863"},"modified":"2010-12-16T00:18:08","modified_gmt":"2010-12-16T03:18:08","slug":"o-sonho-nao-acabou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2010\/12\/16\/o-sonho-nao-acabou\/","title":{"rendered":"O sonho n\u00e3o acabou"},"content":{"rendered":"<p>Desde  o ultimo dia 4, Salvador vive o seu per\u00edodo de festas populares.  Come\u00e7amos de vermelho com Ians\u00e3 e S. B\u00e1rbara e chegaremos \u00e0 todas as  cores e folias no Carnaval.<br \/>\nAs  festas, todas elas, mudaram muito. A cidade mudou. Penso que n\u00e3o cabe  relembrar o passado como se ele pudesse voltar. Ele passou, o presente  est\u00e1 em curso e ser\u00e1 passado amanh\u00e3. Lembrar das festas de outrora \u00e9  muito bom porque possibilita pensar o que elas s\u00e3o hoje e, quem sabe, o  que ser\u00e3o amanh\u00e3.<br \/>\nEncontrei  recentemente Isabel Gouveia, fotografa, ativista e coordenadora da  Oi-Kabum que reinaugurou a exposi\u00e7\u00e3o Festas Populares, agora no Pal\u00e1cio  Rio Branco. Bel me conta que quando a exposi\u00e7\u00e3o estava no Pelourinho, um  morador chegou ao seu lado e, de mansinho, disse: \u201cesta exposi\u00e7\u00e3o corre  nas minhas veias!\u201d. Perfeito. \u00c9 a sensa\u00e7\u00e3o que temos quando vemos os  v\u00eddeos, fotos e textos e sabemos que tudo aquilo foi realizado pelos  jovens do projeto, que percorreram os locais das festas, conversaram com  as pessoas que fazem e vivem essas manifesta\u00e7\u00f5es e, com uma  sensibilidade \u00e0 flor da pele, montaram a exposi\u00e7\u00e3o e os Almanaques que  nos levam pela riqueza cultural dessa Bahia de tantas festas e  festan\u00e7as.<br \/>\nFico  emocionado, logo me vem \u00e0 mente o papel da educa\u00e7\u00e3o e o quanto ainda  longe estamos de pensar a escola com essa grandeza. Lembro de Rino  Marconi l\u00e1 pelos anos 80, ali mesmo no Pelourinho que ainda tinha o  Maciel, com suas latas fotogr\u00e1ficas tamb\u00e9m colocando a meninada para  registrar tudo. Na lata e na mem\u00f3ria!<br \/>\nProjetos  como esses contribuem para formar a meninada e destaco, entre outros, a  Cip\u00f3, o Cria, Yl\u00ea, Olodum e o Ax\u00e9, que fez 20 anos, penando com a falta  de apoio e recursos.<br \/>\nEsses  projetos articulam a sociedade civil organizada em busca do resgate dos  valores e saberes de uma juventude privada de tudo. Me parece  fundamental articular a escola com a\u00e7\u00f5es desta natureza. Tamb\u00e9m afirma  isso Cesare \u201cAx\u00e9\u201d de la Roca em recente entrevista \u00e0 Muito. Entrevista  emocionante e, ao mesmo tempo, triste. Mas, assim como ele, eu tamb\u00e9m  \u201cn\u00e3o perdi a capacidade de sonhar\u201d. Ax\u00e9.<\/p>\n<p>Publicado em A Tarde, 14.12.2010, p. A3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o ultimo dia 4, Salvador vive o seu per\u00edodo de festas populares. Come\u00e7amos de vermelho com Ians\u00e3 e S. B\u00e1rbara e chegaremos \u00e0 todas as cores e folias no Carnaval. As festas, todas elas, mudaram muito. A cidade mudou. Penso que n\u00e3o cabe relembrar o passado como se ele pudesse voltar. Ele passou, o presente est\u00e1 em curso e ser\u00e1 passado amanh\u00e3. Lembrar das festas de outrora \u00e9 muito bom porque possibilita pensar o que elas s\u00e3o hoje e, quem sabe, o que ser\u00e3o amanh\u00e3. Encontrei recentemente Isabel Gouveia, fotografa, ativista e coordenadora da Oi-Kabum que reinaugurou a exposi\u00e7\u00e3o Festas Populares, agora no Pal\u00e1cio Rio Branco. Bel me conta que quando a exposi\u00e7\u00e3o estava no Pelourinho, um morador chegou ao seu lado e, de mansinho, disse: \u201cesta exposi\u00e7\u00e3o corre nas minhas veias!\u201d. Perfeito. \u00c9 a sensa\u00e7\u00e3o que temos quando vemos os v\u00eddeos, fotos e textos e sabemos que tudo aquilo foi realizado pelos jovens do projeto, que percorreram os locais das festas, conversaram com as pessoas que fazem e vivem essas manifesta\u00e7\u00f5es e, com uma sensibilidade \u00e0 flor da pele, montaram a exposi\u00e7\u00e3o e os Almanaques que nos levam pela riqueza cultural dessa Bahia de tantas festas e festan\u00e7as. Fico emocionado, logo me vem \u00e0 mente o papel da educa\u00e7\u00e3o e o quanto ainda longe estamos de pensar a escola com essa grandeza. Lembro de Rino Marconi l\u00e1 pelos anos 80, ali mesmo no Pelourinho que ainda tinha o Maciel, com suas latas fotogr\u00e1ficas tamb\u00e9m colocando a meninada para registrar tudo. Na lata e na mem\u00f3ria! Projetos como esses contribuem para formar a meninada e destaco, entre outros, a Cip\u00f3, o Cria, Yl\u00ea, Olodum e o Ax\u00e9, que fez 20 anos, penando com a falta de apoio e recursos. Esses projetos articulam a sociedade civil organizada em busca do resgate dos valores e saberes de uma juventude privada de tudo. Me parece fundamental articular a escola com a\u00e7\u00f5es desta natureza. Tamb\u00e9m afirma isso Cesare \u201cAx\u00e9\u201d de la Roca em recente entrevista \u00e0 Muito. Entrevista emocionante e, ao mesmo tempo, triste. Mas, assim como ele, eu tamb\u00e9m \u201cn\u00e3o perdi a capacidade de sonhar\u201d. Ax\u00e9. Publicado em A Tarde, 14.12.2010, p. 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