{"id":1677,"date":"2010-06-13T11:08:28","date_gmt":"2010-06-13T14:08:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?p=1677"},"modified":"2010-06-13T11:08:28","modified_gmt":"2010-06-13T14:08:28","slug":"educacao-nao-e-uma-coisa-fechada-a-tarde-13-06-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2010\/06\/13\/educacao-nao-e-uma-coisa-fechada-a-tarde-13-06-2010\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa fechada. A Tarde, 13.06.2010"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><em>Entre Aspas<\/em>, da revista Muito de hoje, 13.06.2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">[ <a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/06\/Nelson-Pretto.pdf\">pdf da revista<\/a> ] [ <a href=\"http:\/\/educacao.atarde.com.br\/?p=3127\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">link para entrevista no blog de A Tarde<\/a> ]<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/06\/muito115.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1683   aligncenter\" title=\"muito115\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/06\/muito115.jpg\" alt=\"\" width=\"134\" height=\"175\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Texto TATIANA MENDON\u00c7A <\/strong><a href=\"http:\/\/atarde.ideavalley.com.br\/flip\/%5C%22mailto:tmendonca@grupoatarde.com.br%5C%22\"><strong>tmendonca@grupoatarde.com.br<\/strong><\/a><strong><br \/>\nFotos\u00a0  MARCO AUR\u00c9LIO MARTINS <\/strong><a href=\"http:\/\/atarde.ideavalley.com.br\/flip\/%5C%22mailto:mamartins@grupoatarde.com.br%5C%22\"><strong>mamartins@grupoatarde.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/06\/linha_red.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1687\" title=\"linha_red\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/06\/linha_red.jpg\" alt=\"\" width=\"435\" height=\"33\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2010\/06\/linha_red.jpg 435w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2010\/06\/linha_red-300x23.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_1680\" aria-describedby=\"caption-attachment-1680\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/06\/nelson-pretto_marco_martins.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1680\" title=\"Nelson Pretto\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/06\/nelson-pretto_marco_martins-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2010\/06\/nelson-pretto_marco_martins-200x300.jpg 200w, https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-content\/uploads\/sites\/106\/2010\/06\/nelson-pretto_marco_martins.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1680\" class=\"wp-caption-text\">foto: Marco Aur\u00e9lio Martins, A Tarde<\/figcaption><\/figure>\n<p>Olhando assim, \u00e9 como se Nelson De Luca Pretto, 55, j\u00e1 tivesse  chegado ao horizonte que criou, em que educa\u00e7\u00e3o, cultura, ci\u00eancia e  tecnologia viram uma coisa s\u00f3. Como a engenhosidade de um dado redondo,  que encontrou na Inglaterra enquanto fazia o mais recente dos seus  p\u00f3s-doutorados. Ainda falta muito, mas isso n\u00e3o o desestimula. Seu lema \u00e9  pensar grande e depois fazer o que der. Professor h\u00e1 36 anos, come\u00e7ou  ensinando geografia e f\u00edsica,em que se graduou.\u201cQuando comecei a dar aula,  era muito menos preparado, mais r\u00edgido, porque tinha uma ideia de que a  educa\u00e7\u00e3o era salvacionista, tinha que consertar. E a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o  tem que consertar nada, tem \u00e9 que atrapalhar\u201c.Tornou-semestre  em educa\u00e7\u00e3o pela Ufba e doutor em ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o pela USP. No dia 1\u00ba,  Pretto lan\u00e7ou o livro <em>Do MEB \u00e0 Web: A R\u00e1dio na Educa\u00e7\u00e3o<\/em>, organizado em  parceria com a professora Sandra Pereira Tosta, da PUC de Minas. Ele  tamb\u00e9m est\u00e1 envolvido com a Ripe\u2013Rede de Interc\u00e2mbio de Produ\u00e7\u00e3o  Educativa,que incentiva professores e alunos de cinco escolas baianas a  produzirem conte\u00fados \u201cculturais e cient\u00edficos\u201c. O professor, por duas  vezes diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Ufba, onde hoje ensina,espera agora  seu \u201caux\u00edlio p\u00e9 na cova\u201d. \u201cEu j\u00e1 estou com tempo de aposentadoria, mas  n\u00e3o vou deixar de ser um ativista\u201c.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca de m\u00faltiplos recursos, por que se voltar para o r\u00e1dio? A  gente anda para frente sempre olhando para tr\u00e1s. Esse \u00e9 o ponto  fundamental. O r\u00e1dio vem resistindo e ganhando um espa\u00e7o enorme a partir da  presen\u00e7a das chamadas tecnologias digitais, de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o,  porque trabalha com aquilo que o ser humano sempre teve uma grande  intimidade, que \u00e9 a oralidade. O paralelo que eu fa\u00e7o \u00e9 muito esse: voc\u00ea  alfabetiza pela oralidade, como hoje voc\u00ea pode alfabetizar pela inser\u00e7\u00e3o  do jovem e do idoso na internet, compreendida como um processo de  comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando se fala em r\u00e1dio na web, a gente tamb\u00e9m est\u00e1  falando de imagem, blog, chat, twitter, \u00e9 tudo isso, mas sem perder a  caracter\u00edstica de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Em que p\u00e9 est\u00e1 a Rede de Interc\u00e2mbio de  Produ\u00e7\u00e3o Educativa (Ripe), cuja miss\u00e3o \u00e9  transformar professores e alunos em produtores de conhecimento? A Ripe \u00e9 um  projeto de pesquisa em parceria com a Universidade Federal da Para\u00edba. A  ideia \u00e9 trazer todas essas concep\u00e7\u00f5es mais contempor\u00e2neas de produ\u00e7\u00e3o de  documentos culturais e cient\u00edficos. A gente criou  uma plataforma, <em>a la<\/em> YouTube, para colocar v\u00eddeos produzidos pela pr\u00f3pria  escola,em que haja um di\u00e1logo entre os saberes da comunidade, professores e  alunos, e o saber estabelecido.<\/p>\n<p>Um aluno pode gravar um v\u00eddeo de  cinco minutos com um pescador, e a\u00ed no Rio Grande do Norte uma outra  escola grava uma entrevista com outro pescador e isso vai sendo  misturado, a la tecnobrega, de forma a criar um c\u00edrculo virtuoso de  produ\u00e7\u00e3o de cultura e conhecimento.<\/p>\n<p>O projeto funciona h\u00e1 dois  anos e foi encerrado agora, no final de maio. T\u00f4 numa peregrina\u00e7\u00e3o,  conversando com o Minist\u00e9rio e a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, para a gente ver  como incorporar isso.<\/p>\n<p>O projeto funciona em quais cidades?  Salvador, S\u00e3o F\u00e9lix e Irec\u00ea. A plataforma que desenvolvemos, em software  livre, est\u00e1 agora indo para a Plataforma de Cultura Digital, do MinC, e  para o Portal do Software Livre, de forma a  criar uma comunidade em torno disso.<\/p>\n<p>O trabalho nas escolas \u00e9 financiado  pela Fapesb. N\u00f3s colocamos uma esp\u00e9cie de kit multim\u00eddia para estimular  professores e estudantes a produzirem. E a\u00ed, claro, a dificuldade \u00e9  fenomenal. \u00c9 professor brigando com diretor, diretor brigando com professor,  aluno querendo entrar&#8230; Quando a gente estava em Irec\u00ea, o coordenador da  escola disse que estavam chegando computadores, e a excita\u00e7\u00e3o desses  professores era uma coisa fascinante. E a\u00ed os meninos dizendo: \u2018Pr\u00f3, que  dia a gente vai come\u00e7ar a bulir?\u2018. E morrendo de medo de n\u00e3o poder  bulir.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 nosso esfor\u00e7o, mostrar que a r\u00e1dio, os v\u00eddeos, a  inform\u00e1tica t\u00eam que ser disponibilizados para os meninos se inserirem na  cibercultura, como os filhos dos ricos fazem em casa.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para ir  ao infocentro para aprender planilha. A\u00ed n\u00e3o adianta, porque \u00e9 proibido  Orkut, a Fazendinha, Skype, tudo&#8230;<\/p>\n<p>As lan houses acabaram com  isso, n\u00e3o? Um pouco, mas o nosso medo \u00e9 que, na tentativa de regulamentar as  lan houses, o Congresso venha com propostas caretas.<\/p>\n<p>O grande problema \u00e9  que as pol\u00edticas n\u00e3o se falam. Ent\u00e3o cada minist\u00e9rio faz uma coisa, um  concorre com o outro.Vale o mesmo para as secretarias. Muito por conta das  articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, dos apoios, da governabilidade. Isso \u00e9  um problema para n\u00f3s da educa\u00e7\u00e3o, porque educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa fechada.  Essa foi a minha luta a vida inteira. \u00c9 importante o universo da  educa\u00e7\u00e3o conversar com o universo da cultura, trabalhar de forma  colaborativa.<\/p>\n<p>Dou uma disciplina na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o chamada \u201c\u00c9tica  hacker e educa\u00e7\u00e3o\u201c. O hacker n\u00e3o espera a ideia ficar pronta  para submeter \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>Quando ele se exp\u00f5e, todo mundo  contribui, n\u00e3o h\u00e1 uma l\u00f3gica de julgamento. E isso, para n\u00f3s, da  educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 super importante.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea for pensar, a escola  funciona numa l\u00f3gica oposta \u00e0 \u00e9tica hacker, que \u00e9 a l\u00f3gica mercadol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A  educa\u00e7\u00e3o virou mercadoria.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o grande problema. A gente tem  exemplos t\u00edpicos disso. Os meninos n\u00e3o chegam \u00e0 escola com os deveres  errados. Isso \u00e9 um absurdo.<\/p>\n<p>O dever errado \u00e9 a melhor forma de  aprender. Nem entrando no m\u00e9rito se deve ou n\u00e3o ter dever. Mas voc\u00ea  desenvolver uma coisa e errar, n\u00e3o tem nada mais lindo e rico que isso.<\/p>\n<p>Essa  escola fake, artificial, nem os alunos nem os professores aguentam.<\/p>\n<p>Vira  um cabo-de-guerra.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o do Enem em substitui\u00e7\u00e3o ao  vestibular n\u00e3o tende a tornar o ensino menos rob\u00f3tico?  Pode, mas o Enem tamb\u00e9m pode ser apropriado por essa l\u00f3gica de mercado.<\/p>\n<p>Ela  \u00e9 poderosa. Repare, eu n\u00e3o sou t\u00e3o velho assim, mas na minha escola  nunca ouvi falar em produtividade, ranking,desempenho. E  hoje converse com um educador.Em cinco minutos sou capaz de apostar que ele  vai falar nisso. \u00c9 uma loucura, porque voc\u00ea traz para dentro da escola  uma l\u00f3gica de competi\u00e7\u00e3o que destr\u00f3i tudo. \u00c9 aquilo que o fil\u00f3sofo  espanhol Jos\u00e9 Antonio Marina fala, da necessidade de resgatar a \u00e9tica dos  n\u00e1ufragos. Ele diz: \u201cA atual \u00e9tica \u00e9 m\u00edope porque pensa como \u00fanico valor  a vida, e n\u00e3o o direito \u00e0 vida\u201c. A met\u00e1fora do n\u00e1ufrago \u00e9 \u00f3tima, porque  na hora que o bicho t\u00e1 pegando \u00e9 que voc\u00ea v\u00ea quem tem \u00e9tica. Se for a  \u00e9tica a vida, vou salvar a minha. Se for a \u00e9tica do direito \u00e0 vida,  todos t\u00eam. Lembro o professor Felipe Serpa dizendo que a gente tem que  se inspirar na l\u00f3gica ind\u00edgena de que, quando um tem fome, isso \u00e9 um  problema de todos. Na sociedade capitalista atual, a l\u00f3gica \u00e9 \u201cfarinha  pouca, meu pir\u00e3o primeiro\u201c. Acho que a gente tem que substituir por  \u201cfarinha pouca, um pouco para cada um\u201c.<\/p>\n<p>O senhor falava em  rankings. Acha importante a cria\u00e7\u00e3o do Ideb pelo MEC para medir a  qualidade do ensino p\u00fablico? O governo precisa ter indicadores, \u00e9  fundamental ter dados.Masa gente tem que cuidar muito para saber como  eles s\u00e3o coletados e analisados.<\/p>\n<p>Muitas vezes esses dados  escondem realidades particulares que precisam ser consideradas. N\u00f3s  estamos trabalhando com a ideia de falarem educa\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando  a gente fala da Ripe, da r\u00e1dioweb, a ideia \u00e9 fortalecer as comunidades.<\/p>\n<p>As  redes digitais possibilitam que esse di\u00e1logo entre a cultura local e o  conhecimento estabelecido se d\u00ea de forma intensa. Com isso a  escola muda de papel, porque deixa de ser uma distribuidora de informa\u00e7\u00f5es e  passa a ser um espa\u00e7o da conviv\u00eancia e de enaltecimento das diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Hoje  ningu\u00e9m diz que n\u00e3o respeita as diferen\u00e7as. Mas respeita como? Como o  pitoresco, o folcl\u00f3rico.<\/p>\n<p>E o que \u00e9 pior, respeita na entrada&#8230;<\/p>\n<p>No  fundo, a escola \u00e9 uma m\u00e1quina que vai afunilando para, na sa\u00edda, sa\u00edrem  todos iguais. E os \u00edndices t\u00eam esse poder, ajudam na formata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembro  de uma frase que Carlos Rodrigues Brand\u00e3o reproduziu no livro Quest\u00f5es  Pol\u00edticas da Educa\u00e7\u00e3o Popular. Ele entrevista um lavrador e pergunta: \u2019O  que \u00e9 educa\u00e7\u00e3o?\u2019.<\/p>\n<p>E o homem responde: \u2018O senhor me faz a pergunta, mas  acho que j\u00e1 sabe a resposta. A educa\u00e7\u00e3o do senhor \u00e9 a sua, e a nossa \u00e9 a  sua\u2019.<\/p>\n<p>Enquanto a educa\u00e7\u00e3o do outro for a minha, n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como  o senhor avalia a gest\u00e3o Wagner? Sempre tivemos no governo Lula e  Wagner uma expectativa fenomenal, que n\u00e3o foi correspondida. Acho que houve  avan\u00e7os significativos no campo da Cultura. No campo da Ci\u00eancia e  Tecnologia, avan\u00e7amos muito pouco, e no campo da Educa\u00e7\u00e3o,  em fun\u00e7\u00e3o do gigantismo do sistema, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>E essa pol\u00edtica da  Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de fechar escolas? (O secret\u00e1rio) Osvaldo Barreto  teve uma frase muito feliz quando disse que era preciso fortalecer a  escola.<\/p>\n<p>Cheguei a mandar um e-mail para  ele elogiando a frase, o foco,e dizendo que n\u00e3o poderia esquecer de fortalecer  o professor. Acho que o professor tem que ser um ativista, uma  lideran\u00e7a comunit\u00e1ria. Infelizmente a gente est\u00e1 perdendo isso, com essa  massifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente.<\/p>\n<p>E infelizmente com essa  pol\u00edtica de fechamento de escolas,enturma\u00e7\u00e3o, desest\u00edmulo&#8230;  Quando uma escola est\u00e1 vazia, \u00e9 preciso concentrar todos os esfor\u00e7os para  saber por que ela est\u00e1 assim e como \u00e9 que eu boto essa juventude l\u00e1.  Precisamos das escolas abertas, cheias. Tem horas  que olho os \u00edndices de evas\u00e3o e, brincando, digo: que bom que eles n\u00e3o est\u00e3o  l\u00e1, n\u00e3o est\u00e3o aceitando&#8230; Claro que me apavora. Tenho alunos que s\u00e3o  professores e contam que come\u00e7am a dar aula com 30, 35 estudantes, e no  final frequentam oito, e n\u00e3o s\u00e3o os mesmos! Ent\u00e3o, em vez de reduzir, a  gente tinha que transformar cada escola p\u00fablica  num Ponto de Cultura. Voc\u00ea tem que ver a vibra\u00e7\u00e3o desses meninos em Irec\u00ea, no  nosso Ponto de Cultura, o Ciberparque An\u00edsio Teixeira. L\u00e1 tem r\u00e1dioweb,  os tabuleiros digitais,um programa de forma\u00e7\u00e3o de professores, tudo  integrado. Dos 50 jovens bolsistas,49sa\u00edramempregados. J\u00e1 disse para  todos os secret\u00e1rios de Ci\u00eancia e Tecnologia que quiseram me ouvir que  isso \u00e9 uma pol\u00edtica de emprego. Se voc\u00ea consegue articular Cultura,  Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia, n\u00f3s avan\u00e7amos do ponto  de vista de construir uma na\u00e7\u00e3o.Etemos que parar de dizer que a gente faz  trabalho com a juventude, com hip hop, capoeira, para tirar o menino da  marginalidade. Ele tem que aprender porque \u00e9 fundamental para a  forma\u00e7\u00e3o. Se de quebra sair da rua, do crime, do crack, \u00f3timo. Veja,  para o menino ir para a ONG, no outro turno ele tem de passar pelo  purgat\u00f3rio, que \u00e9 a escola. N\u00e3o podia tudo ser escola? Dessa turma de  Irec\u00ea, dois ou tr\u00eas montaram uma empresa de software livre e venderam  um servi\u00e7o para a C\u00e2mara Municipal de transmitir pela web as sess\u00f5es da  C\u00e2mara e deixar o \u00e1udio l\u00e1.Olha, para a democracia, que coisa maravilhosa.<\/p>\n<p>Isso  tinha que ser uma pol\u00edtica de governo, todas as c\u00e2maras terem.<\/p>\n<p>Mas  a\u00ed os novos vereadores tiraram a r\u00e1dio do ar e a empresa quebrou.<\/p>\n<p>O que  faz a Bahia ter \u00edndices t\u00e3o tr\u00e1gicos em educa\u00e7\u00e3o?  Se voc\u00ea pensar que nos governos anteriores a pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o se chamava  \u201cEducar para vencer\u201c e as escolas se chamavam \u201cescola-modelo\u201c&#8230;<\/p>\n<p>Essas  duas express\u00f5es s\u00e3o incompat\u00edveis com educa\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o muda em quatro,  oito anos. Em educa\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, todas as mudan\u00e7as s\u00e3o de longo prazo.  Falo que tem que fortalecer o professor, mas n\u00e3o tenho cren\u00e7a de que se  hoje voc\u00ea triplicar o sal\u00e1rio, vai resolver. Pegue por exemplo a quest\u00e3o  das escolas, que viraram espa\u00e7os sem espa\u00e7o. A\u00ed voc\u00ea volta na d\u00e9cada de  1960 e olha a Escola Parque. A centralidade da  escola \u00e9 um campo de futebol. Veja a genialidade. Tem l\u00e1 teatro, biblioteca, os  galp\u00f5es de trabalhos t\u00e9cnicos com pain\u00e9is magn\u00edficos de Caryb\u00e9 e  Mario Cravo. A Escola Parque \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de ci\u00eancia e  tecnologia, emprego, cultura, educa\u00e7\u00e3o, tudo ali. Quando fui conhec\u00ea-la, o  vigia chorava falando de l\u00e1. Hoje voc\u00ea entra numa escola dessas e o vigia  n\u00e3o te d\u00e1 nem bom-dia.<\/p>\n<p>E se voc\u00ea d\u00e1 o bom-dia, ele nem responde.<\/p>\n<p>T\u00e1  passando dos limites essa falta de educa\u00e7\u00e3o na Bahia. O cara abre o  carro, bota o som na maior altura e a\u00ed vem algu\u00e9m e diz que isso \u00e9 da  cultura da Bahia. N\u00e3o \u00e9, \u00e9 falta de educa\u00e7\u00e3o. Meu filho emprestado tem  uma frase fant\u00e1stica. A pr\u00f3 dele fazia transporte escolar, levava-o para  a escola. Ele tinha uns 6 anos e me contou: \u2018Minha pr\u00f3 estava tomando  iogurte e jogou pela janela.<\/p>\n<p>Voc\u00ea acredita? Imagine, uma pr\u00f3!\u2019 O  senhor se candidatou ao reitorado em 2006, foi o segundo mais votado.  N\u00e3o quis tentar novamente este ano? N\u00e3o, a gente faz maluquice uma vez  s\u00f3. A atual gest\u00e3o tem muitos m\u00e9ritos, mas tem enormes problemas na  forma como compreende a universidade. Veja como a correta pol\u00edtica de  amplia\u00e7\u00e3o foi feita, na base do rolo-compressor.<\/p>\n<p>Tivemos uma elei\u00e7\u00e3o muito pobre do ponto de vista  do debate, muito porque a universidade hoje vive um produtivismo  alucinado. Isso tem a ver com a gest\u00e3o atual da reitoria e tamb\u00e9m com as  pol\u00edticas planet\u00e1rias. Vivemos atr\u00e1s de financiamento, falamos  em\u2018capacidade de capta\u00e7\u00e3o de recursos\u2018. Isso \u00e9 uma excresc\u00eancia do que \u00e9  ser professor de uma universidade. E a\u00ed o que acontece? No fundo, a gente  est\u00e1 apagando inc\u00eandio. Parece que essa concep\u00e7\u00e3o de universidade e de  sociedade est\u00e1 dada e nos cabe apenas fazer a gest\u00e3o, para funcionar  melhor. Tenho minhas d\u00favidas se botar para funcionar n\u00e3o \u00e9 pior do que  deixar assim. Porque dessa forma h\u00e1 mais espa\u00e7o para a transgress\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>N\u00f3s  estamos pensando pequeno, e pensar tem que ser sempre grande. Fazer \u00e9  que vai ser sempre pequeno, porque as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixam fazer o  grande. \u00ab<\/p>\n<p><strong>complemento no blog da <em>Muito<\/em>:<\/strong><\/p>\n<h2><a title=\"Permanent Link to \u201cA universidade virou escol\u00e3o de terceiro  grau\u201d\" rel=\"bookmark\" href=\"http:\/\/revistamuito.atarde.com.br\/?p=5120\">\u201cA universidade virou escol\u00e3o de terceiro grau\u201d<\/a><\/h2>\n<p><strong>Quando se come\u00e7ou a discutir as cotas havia aquele  comprometimento em melhorar a escola p\u00fablica, o ensino b\u00e1sico. Como a  universidade vem contribuindo para isso?<\/strong><br \/>\nAcho que contribui primeiro com a forma\u00e7\u00e3o de professores. Outra  contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre educa\u00e7\u00e3o, sobre  cultura. N\u00f3s temos muitas experi\u00eancias de aproxima\u00e7\u00e3o da universidade  com a comunidade, em todos os campos. Acho que a universidade p\u00fablica  hoje tem dado uma significativa contribui\u00e7\u00e3o para a sociedade brasileira  e para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Se voc\u00ea me pergunta se \u00e9 suficiente,  \u00f3bvio que vou responder que n\u00e3o. Precisaria ser muito mais. Essa  expans\u00e3o da universidade, essa pol\u00edtica de cotas, s\u00e3o fundamentais, mas  demandam muito mais do que apenas permitir o ingresso. Hoje a Ufba tem  apenas 750 bolas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, para uma universidade que tem  24, 25 mil estudantes. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel isso. A indissociabilidade entre  ensino, pesquisa e extens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma mera letra na constitui\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo  absolutamente fundamental para pensar um outro padr\u00e3o de universidade.<\/p>\n<p><strong>Em entrevista recente a nova reitora da Ufba, Dora Rosa Leal,  falava que as cotas devem acabar em 2014. O senhor acha o sistema  deveria continuar?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que sim. As cotas est\u00e3o trazendo para a universidade uma  vibra\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a fundamental. Agora, tem que se constituir num  mecanismo tempor\u00e1rio, porque n\u00f3s precisamos transformar a educa\u00e7\u00e3o  b\u00e1sica desse Pa\u00eds. E na universidade tem que ter pol\u00edtica de assist\u00eancia  estudantil, para garantir que os estudantes tenham acesso a todos os  recursos tecnol\u00f3gicos. N\u00e3o entendo por que a nossa universidade n\u00e3o  pegou ainda o projeto que a Faced entrega de bandeja, que s\u00e3o os <a href=\"http:\/\/www.tabuleirodigital.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tabuleiros  digitais<\/a>, e n\u00e3o espalhou isso para a universidade inteira. N\u00f3s  estamos minguando dentro da Faced com os tabuleiros, porque a Petrobras  retirou o apoio, e a universidade n\u00e3o compreendeu que era preciso  replicar o projeto. T\u00e1 tudo formatado e \u00e9 da Ufba. Pode mudar o nome  para n\u00e3o dizer que \u00e9 projeto nosso. Mude, mas fa\u00e7a. Agora, qual \u00e9 a  dificuldade de espalhar o tabuleiro digital, na universidade, no nosso  estado? \u00c9 trabalhar com a liberdade. A\u00ed o pessoal quer logo bloquear o  orkut, bloquear n\u00e3o sei o que, a\u00ed n\u00e3o tem sentido, n\u00e3o adianta. Voc\u00ea  mata o meio. Espero que a professora Dora fa\u00e7a isso, \u00e9 minha colega de  faculdade\u2026\u00a0 \u00c9 fant\u00e1stico o que a Funda\u00e7\u00e3o Pedro Calmon est\u00e1 fazendo.  Compraram mil livros de autores baianos para distribuir pelas  bibliotecas municipais, estaduais. Agora precisamos colocar essas  bibliotecas em rede. E tem que ser com software livre.\u00a0 E tem que ter a  impressora, pro cara imprimir, porque nem todo mundo vai ter Ipad pra  sair lendo, vai ter que gastar por enquanto umas arvorezinhas, para  poder ler no \u00f4nibus\u2026\u00a0 As bibliotecas da universidade tamb\u00e9m precisam ter  isso. Tem que ter r\u00e1dios web espalhadas, equipamento de fotografia, de  \u00e1udio, de v\u00eddeo. E a\u00ed se passa a viver a universidade mais intensamnte, e  n\u00e3o como quem vai a um supermercado.\u00a0 Hoje quando n\u00e3o acontce uma aula,  vai todo mundo embora. Nem interagir, interage. Tenho uma disciplina na  gradua\u00e7\u00e3o que se chama Pol\u00eamicas Contempor\u00e2neas, para poder tratar de  temas mais amplos. \u00c9 uma disciplina aberta para toda a universidade,  para que os estudantes de diversas gradua\u00e7\u00f5es se encontrem. Diferente  dessa pol\u00edtica de n\u00e3o dar forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, acredito que \u00e9 importante  a forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica ampla. Essa disciplina \u00e9 transmitida pela r\u00e1dio,  tem twitter, tem as redes todas. A meninada \u00e9 que organiza os temas. J\u00e1  teve aborto, vai ter copa do mundo\u2026 Lembro que minha forma\u00e7\u00e3o na  universidade eu ia na escola de Teatro, para S\u00e3o L\u00e1zaro, para Educa\u00e7\u00e3o.  Hoje os alunos ficam ilhados. O pessoal do curso de pedagogia n\u00e3o sai de  l\u00e1, os estudantes de comunica\u00e7\u00e3o, a mesma coisa. Que universidade \u00e9  essa? Virou<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olhando assim, \u00e9 como se Nelson De Luca Pretto, 55, j\u00e1 tivesse chegado ao horizonte que criou, em que educa\u00e7\u00e3o, cultura, ci\u00eancia e tecnologia viram uma coisa s\u00f3. Como a engenhosidade de um dado redondo, que encontrou na Inglaterra enquanto fazia o mais recente dos seus p\u00f3s-doutorados. Ainda falta muito, mas isso n\u00e3o o desestimula. Seu lema \u00e9 pensar grande e depois fazer o que der. Professor h\u00e1 36 anos, come\u00e7ou ensinando geografia e f\u00edsica,em que se graduou.\u201cQuando comecei a dar aula, era muito menos preparado, mais r\u00edgido, porque tinha uma ideia de que a educa\u00e7\u00e3o era salvacionista, tinha que consertar. E a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem que consertar nada, tem \u00e9 que atrapalhar\u201c.Tornou-semestre em educa\u00e7\u00e3o pela Ufba e doutor em ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o pela USP. No dia 1\u00ba, Pretto lan\u00e7ou o livro Do MEB \u00e0 Web: A R\u00e1dio na Educa\u00e7\u00e3o, organizado em parceria com a professora Sandra Pereira Tosta, da PUC de Minas. Ele tamb\u00e9m est\u00e1 envolvido com a Ripe\u2013Rede de Interc\u00e2mbio de Produ\u00e7\u00e3o Educativa,que incentiva professores e alunos de cinco escolas baianas a produzirem conte\u00fados \u201cculturais e cient\u00edficos\u201c. O professor, por duas vezes diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Ufba, onde hoje ensina,espera agora seu \u201caux\u00edlio p\u00e9 na cova\u201d. \u201cEu j\u00e1 estou com tempo de aposentadoria, mas n\u00e3o vou deixar de ser um ativista\u201c.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[188,347],"class_list":["post-1677","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-em-a-tarde","tag-entrevistas","tag-politicas-publicas","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1677"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1677\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}