{"id":130,"date":"2008-05-05T15:57:00","date_gmt":"2008-05-05T15:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2008\/05\/05\/130\/"},"modified":"2008-05-05T15:57:00","modified_gmt":"2008-05-05T15:57:00","slug":"130","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2008\/05\/05\/130\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<h1 id=\"mpyq7\">A meninada sabe o que quer&#8230;  <\/h1>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"> <\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\">Nelson Pretto e Adriane Halmann (*)<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"> <\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"> <\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><a id=\"mpyq16\" name=\"tx9i\"><\/a><a id=\"mpyq17\" name=\"f.:e3\"><\/a><a id=\"mpyq18\" name=\"n3fp3\"><\/a><a id=\"mpyq19\" name=\"a-l13\"><\/a><a id=\"mpyq20\" name=\"dg1s3\"><\/a><a id=\"mpyq21\" name=\"lhkr\"><\/a><a id=\"mpyq22\" name=\"ywmq\"><\/a> Desde 2005 implantamos na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia os <i>Tabuleiros Digitais<\/i><span> (http:\/\/www.tabuleirodigital.org\/)<\/span>, projeto criado pelo nosso grupo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Tecnologia (GEC \u2013 <a id=\"mpyq25\" href=\"http:\/\/www.gec.faced.ufba.br\/\">www.gec.faced.ufba.br<\/a>) com apoio da Petrobr\u00e1s e da Secretaria de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o do governo da Bahia. Os <i>tabuleiros<\/i> ficam espalhados pelas \u00e1reas livres da Faculdade, abertos a todos e com acesso e navega\u00e7\u00e3o livres. O que nos chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, diariamente, aqueles m\u00f3veis parecidos com o das baianas que vendem seus acaraj\u00e9s e abar\u00e1s pelos quatro cantos da Bahia, est\u00e3o tomados pela meninada. Os <i>tabuleiros<\/i> s\u00e3o m\u00f3veis simples, com banquinhos de madeira, dispostos em ilhas, com quatro computadores em cada e, claro, rodando software livre, numa vers\u00e3o que adaptamos do Kurumin. Toda manh\u00e3, desde cedinho, eles j\u00e1 est\u00e3o ocupados prioritariamente por jovens entre 12 e 18 anos. O que chama sempre a aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 que esses usu\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o os alunos da Faculdade mas, muitas vezes, meninos que vestem camisa de uniforme das escolas p\u00fablicas da regi\u00e3o. Huuummm.. ser\u00e1 que esses meninos estariam faltando aula para ficar na internet? Claro que isso nos preocupa mas, ao mesmo tempo, pensamos: n\u00e3o somos n\u00f3s que temos que proibir a entrada deles, mas a escola que tem que avaliar o por qu\u00ea dessa turma deixar de ir \u00e0 escola para vir at\u00e9 os <i>tabuleiros<\/i>. Mais do que isso, pensamos que \u00e9 muito grande a responsabilidade dos futuros professores que est\u00e3o aqui na Faculdade sendo formados. De cara, estes professores em forma\u00e7\u00e3o se deparam com um novo desafio posto: como atuar com essa meninada para compreender melhor o que est\u00e1 acontecendo se, de fato, eles faltam aulas para navegar na internet?  <\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\">Por outro lado, quanto \u00e0s escolas, notamos que muitas delas possuem laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica, s\u00f3 que, muitas vezes, eles est\u00e3o trancados ou, quando abertos, com um n\u00famero t\u00e3o grande de regrinhas que \u00e9 como se fossem fechados. S\u00e3o grades e cadeados engaiolando um mundo poss\u00edvel que passa a ser virtual &#8211; que existe apenas em potencialidade! &#8211; para aquele contexto e aquela meninada. Um mundo desconhecido para a maioria dos que habitam aquele tempo-espa\u00e7o, inclusive seus professores, que tamb\u00e9m n\u00e3o podem apropriar-se dele, ou n\u00e3o notam a necessidade de envolverem-se com isso.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\"><a id=\"mpyq31\" name=\"l0fs\"><\/a><a id=\"mpyq32\" name=\"qb6e\"><\/a> Vivemos em um tempo-espa\u00e7o onde fazemos tudo agora, ao mesmo tempo, tempo precioso, que voa. Chamamos essa turminha desse tempo alucinado, de <i>gera\u00e7\u00e3o alt-tab<\/i>, numa refer\u00eancia \u00e0s duas teclinhas do computador que, quando apertadas juntas, colocam para a frente, uma das diversas janelas dos programas de computador, abertas simultaneamente. Diferente dos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais, especialmente a televis\u00e3o, que nos fornecem informa\u00e7\u00f5es de maneira dirigida, sem nos dar alternativas a n\u00e3o ser a de n\u00e3o v\u00ea-las, na internet, a coisa pode ser um bocado diferente. No caso da tv, somos consumidores das informa\u00e7\u00f5es. No caso da internet \u2013 que agora s\u00f3 escrevemos com o <span><i>&#8220;i&#8221;<\/i><\/span> min\u00fasculo \u2013 com os blogs, os fotoblogs e programas de bate-papo, podemos assumir um outro papel: o de produtores de informa\u00e7\u00f5es, conhecimentos e culturas. S\u00e3o as tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, que chamamos de TIC, modificando nossa forma de comunicar e abrindo novas e enormes potencialidades criativas, onde, potencialmente, qualquer um pode produzir e veicular a informa\u00e7\u00e3o que for do seu agrado, usando a palavra escrita, digitada, mas tamb\u00e9m sons e imagens. \u00c9 um mundo de informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o damos conta, e nem poder\u00edamos, afinal, n\u00e3o somos enciclop\u00e9dias ambulantes! Exatamente aqui volta \u00e0 cena o professor e seus novos desafios. Por que ter acesso a tudo isso e o que fazer com tanta informa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\">Pensamos, e em nosso grupo de pesquisa trabalhos exatamente nas investiga\u00e7\u00f5es sobre essas possibilidades, que esse conjunto de informa\u00e7\u00f5es e tecnologias servem justamente para ajudar a criar uma nova compreens\u00e3o da realidade, na busca de promovermos profundas transforma\u00e7\u00f5es no contexto em que vivemos. Essas transforma\u00e7\u00f5es ser\u00e3o poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0s informa\u00e7\u00f5es criadas em contextos cada vez mais espec\u00edficos e disponibilizadas publicamente para serem re-escritas a cada dia por outros sujeitos. Pensamos portanto, em resgatar para a educa\u00e7\u00e3o a perspectiva de colabora\u00e7\u00e3o que foi, cada dia mais, sendo afastada pela forte presen\u00e7a de uma l\u00f3gica neo-liberal de pensar a educa\u00e7\u00e3o e a escola como mercadoria. Talvez o grande exemplo do momento sejam os s\u00edtios wikis na internet, locais onde v\u00e1rias pessoas se re\u00fanem para constru\u00e7\u00f5es colaborativas, fazendo com que cada um desses meninos ou adultos possam criar um t\u00f3pico interessante e, outro dia, outra pessoa, tenha um complemento, uma provoca\u00e7\u00e3o ou uma resposta para enriquecer o seu t\u00f3pico inicial. Existem v\u00e1rios mas lhe sugerimos visitar o wikispace para voc\u00ea ter uma id\u00e9ia dessas possibilidades (<a id=\"x0-g8\" href=\"http:\/\/www.wikispaces.com\/\">http:\/\/www.wikispaces.com<\/a>). Aproveite, entre nesse texto que voc\u00ea est\u00e1 lendo aqui impresso e j\u00e1 o postamos l\u00e1 no wikispace exatamente para que voc\u00ea possa modific\u00e1-lo. Escreva sobre ele e, juntos, vamos  descobrir outras possibilidades de produ\u00e7\u00e3o colaborativa (<a title=\"http:\/\/nelsonpretto.wikispaces.com\/NHnaescola\" href=\"http:\/\/nelsonpretto.wikispaces.com\/NHnaescola\" id=\"i3x:\">http:\/\/nelsonpretto.wikispaces.com\/NHnaescola<\/a>).<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\">Como muito bem disse M\u00e1rio Prata em um delicioso livro, <span><i>Minhas tudo<\/i><\/span>, &#8220;nunca uma gera\u00e7\u00e3o de jovens brasileiros leu e escreveu tanto na vida. Se ele fica seis horas por dia ali, ou ele est\u00e1 lendo ou escrevendo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\">Portanto, escrever, produzir, criar. E tamb\u00e9m ir ao encontro das informa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que as possibilidades s\u00e3o in\u00fameras. Que tal fazer uma visitinha a um museu interativo durante a aula de f\u00edsica? Ou quem sabe bater um papo com alunos do Paraguai para entender como foi a elei\u00e7\u00e3o do seu novo Presidente e como isto afeta a nossa produ\u00e7\u00e3o de energia? Quem sabe buscar projetos de educa\u00e7\u00e3o ambiental e, com isso, articular sua comunidade para modificar o contexto local, al\u00e9m de produzir uma nova p\u00e1gina na wikip\u00e9dia atualizando os dados destas iniciativas? Claro que n\u00e3o acreditamos que dar receitas do que e como fazer seja o nosso papel e, al\u00e9m disso, \u00e9 se apropriando das tecnologias, no cotidiano da sua escola, que cada professor, no coletivo, vai descobrindo novas e interessantes maneiras de usar a internet, o computador e todas as tecnologias que deveriam estar dispon\u00edveis para a escola.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\">Acreditamos que, articulando de forma intensa o uso e dando mais liberdade de navega\u00e7\u00e3o para a meninada, teremos uma maior abertura para o que h\u00e1 de interessante no ciberespa\u00e7o e, com isso, poderemos transformar o curr\u00edculo escolar, a escola e seus agentes. Agir de forma criativa, animados e integrando todas as possibilidades \u00e9, seguramente, uma importante frente a ser aberta na educa\u00e7\u00e3o. Para isto, \u00e9 necess\u00e1rio que estejamos abertos \u00e0s novas pr<br \/>\n\u00e1ticas poss\u00edveis, novos espa\u00e7os a serem explorados, tendo a meninada como aliada desses grandes desafios.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\">Foi este mundo que aqueles garotos que encontramos no <span><i>Tabuleiro Digital<\/i><\/span> ganharam ao descobrir que podiam quebrar o muro da escola, questionar o que lhe foi colocado. Eles descobriram que poderiam n\u00e3o s\u00f3 sentar no banco escolar, mas construir um outro mundo poss\u00edvel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-BR\">(*) Nelson Pretto, professor, e Adriana Halmann, doutoranda, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia. www.pretto.info  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A meninada sabe o que quer&#8230; Nelson Pretto e Adriane Halmann (*) Desde 2005 implantamos na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia os Tabuleiros Digitais (http:\/\/www.tabuleirodigital.org\/), projeto criado pelo nosso grupo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Tecnologia (GEC \u2013 www.gec.faced.ufba.br) com apoio da Petrobr\u00e1s e da Secretaria de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o do governo da Bahia. Os tabuleiros ficam espalhados pelas \u00e1reas livres da Faculdade, abertos a todos e com acesso e navega\u00e7\u00e3o livres. O que nos chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, diariamente, aqueles m\u00f3veis parecidos com o das baianas que vendem seus acaraj\u00e9s e abar\u00e1s pelos quatro cantos da Bahia, est\u00e3o tomados pela meninada. Os tabuleiros s\u00e3o m\u00f3veis simples, com banquinhos de madeira, dispostos em ilhas, com quatro computadores em cada e, claro, rodando software livre, numa vers\u00e3o que adaptamos do Kurumin. Toda manh\u00e3, desde cedinho, eles j\u00e1 est\u00e3o ocupados prioritariamente por jovens entre 12 e 18 anos. O que chama sempre a aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 que esses usu\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o os alunos da Faculdade mas, muitas vezes, meninos que vestem camisa de uniforme das escolas p\u00fablicas da regi\u00e3o. Huuummm.. ser\u00e1 que esses meninos estariam faltando aula para ficar na internet? Claro que isso nos preocupa mas, ao mesmo tempo, pensamos: n\u00e3o somos n\u00f3s que temos que proibir a entrada deles, mas a escola que tem que avaliar o por qu\u00ea dessa turma deixar de ir \u00e0 escola para vir at\u00e9 os tabuleiros. Mais do que isso, pensamos que \u00e9 muito grande a responsabilidade dos futuros professores que est\u00e3o aqui na Faculdade sendo formados. De cara, estes professores em forma\u00e7\u00e3o se deparam com um novo desafio posto: como atuar com essa meninada para compreender melhor o que est\u00e1 acontecendo se, de fato, eles faltam aulas para navegar na internet? Por outro lado, quanto \u00e0s escolas, notamos que muitas delas possuem laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica, s\u00f3 que, muitas vezes, eles est\u00e3o trancados ou, quando abertos, com um n\u00famero t\u00e3o grande de regrinhas que \u00e9 como se fossem fechados. 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Essas transforma\u00e7\u00f5es ser\u00e3o poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0s informa\u00e7\u00f5es criadas em contextos cada vez mais espec\u00edficos e disponibilizadas publicamente para serem re-escritas a cada dia por outros sujeitos. Pensamos portanto, em resgatar para a educa\u00e7\u00e3o a perspectiva de colabora\u00e7\u00e3o que foi, cada dia mais, sendo afastada pela forte presen\u00e7a de uma l\u00f3gica neo-liberal de pensar a educa\u00e7\u00e3o e a escola como mercadoria. Talvez o grande exemplo do momento sejam os s\u00edtios wikis na internet, locais onde v\u00e1rias pessoas se re\u00fanem para constru\u00e7\u00f5es colaborativas, fazendo com que cada um desses meninos ou adultos possam criar um t\u00f3pico interessante e, outro dia, outra pessoa, tenha um complemento, uma provoca\u00e7\u00e3o ou uma resposta para enriquecer o seu t\u00f3pico inicial. Existem v\u00e1rios mas lhe sugerimos visitar o wikispace para voc\u00ea ter uma id\u00e9ia dessas possibilidades (http:\/\/www.wikispaces.com). Aproveite, entre nesse texto que voc\u00ea est\u00e1 lendo aqui impresso e j\u00e1 o postamos l\u00e1 no wikispace exatamente para que voc\u00ea possa modific\u00e1-lo. Escreva sobre ele e, juntos, vamos descobrir outras possibilidades de produ\u00e7\u00e3o colaborativa (http:\/\/nelsonpretto.wikispaces.com\/NHnaescola). Como muito bem disse M\u00e1rio Prata em um delicioso livro, Minhas tudo, &#8220;nunca uma gera\u00e7\u00e3o de jovens brasileiros leu e escreveu tanto na vida. Se ele fica seis horas por dia ali, ou ele est\u00e1 lendo ou escrevendo.&#8221; Portanto, escrever, produzir, criar. E tamb\u00e9m ir ao encontro das informa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que as possibilidades s\u00e3o in\u00fameras. Que tal fazer uma visitinha a um museu interativo durante a aula de f\u00edsica? 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