{"id":118,"date":"2008-03-09T21:59:00","date_gmt":"2008-03-09T21:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/abobrinhasdepretto.wordpress.com\/2008\/03\/09\/118\/"},"modified":"2008-03-09T21:59:00","modified_gmt":"2008-03-09T21:59:00","slug":"118","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/2008\/03\/09\/118\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<h1>Lixo, barulho e educa\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p style=\"margin-bottom:0\">Nelson Pretto \u2013 Professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. www.pretto.info<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:0\"><\/p>\n<p style=\"margin-bottom:0\">Segunda feira, seis e meia da manh\u00e3. Rio Vermelho. O sol ilumina a praia com os seus barquinhos que no \u00faltimo dia dois de fevereiro prestaram homenagem \u00e0 rainha do mar. Estamos na semana de in\u00edcio das aulas na rede p\u00fablica e a meninada caminha pelos passeios em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas. A cena \u00e9 graciosa. No rosto dessa gente mi\u00fada transparece a alegria do retorno \u00e0 escola, ao espa\u00e7o de conviv\u00eancia com os colegas, \u00e0s traquinagens e, claro, tamb\u00e9m \u00e0s aulas e aos professores. Estes, nos \u00faltimos dias, nas reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas de planejamento, pensavam a melhor forma de conduzir as aulas das diversas mat\u00e9rias, de modo a envolver a meninada em todo o processo educacional. Para tanto, fazem das tripas cora\u00e7\u00e3o, pois se deparam, na maioria das vezes, com condi\u00e7\u00f5es de trabalho muito aqu\u00e9m das necess\u00e1rias e, como de sempre, com sal\u00e1rios que n\u00e3o lhes permitem uma dedica\u00e7\u00e3o integral \u00e0 escola e, muitas vezes, nem mesmo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, esfor\u00e7am-se para introduzir quest\u00f5es mais amplas, dentre as quais sempre merece destaque o tema da cidadania e do ambiente. Justo nesses campos, encontram os professores uma concorr\u00eancia quase que desleal, bem no caminho da escola. Na v\u00e9spera, a alegria que caracteriza a cultura baiana, ocupara as ruas e pra\u00e7as do Rio Vermelho, com baianas de acaraj\u00e9 mais famosas enchendo as burras de dinheiro e deixando um rastro de sujeira que deveria envergonhar a qualquer um. Meninas e meninos que passam por esse lindo peda\u00e7o da cidade convivem, tamb\u00e9m, com uma infernal m\u00fasica vinda da suntuosa academia ao lado da pra\u00e7a, onde um instrutor imagina expulsar as gordurinhas dos malhadores matinais aos gritos. Triste Bahia, que considera &#8220;naturais&#8221; esses comportamentos displicentes, que v\u00e3o do som alto da academia ao ato de jogar no ch\u00e3o tampinha de cerveja, restos de vatap\u00e1, papel de acaraj\u00e9 e copinhos pl\u00e1sticos, como se os impostos que s\u00e3o pagos para a limpeza da cidade fossem destinados \u00e0 limpeza da sujeira deixada por esses empreendimentos comerciais. Estes, em alguns casos com lucros astron\u00f4micos, a exemplo das baianas de acaraj\u00e9 mais famosas da cidade, que, agora, possuem at\u00e9 \u201cfranquias\u201d, inclusive em posto de gasolina (pasmem, fritar acaraj\u00e9 em posto de gasolina!).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:0\">Desviar do lixo deixado, caminhar na dire\u00e7\u00e3o da escola com o ru\u00eddo ensurdecedor das m\u00fasicas das academias e gritos dos instrututores, tudo isso poderia ser toler\u00e1vel se fossem situa\u00e7\u00f5es pontuais, mas o fato \u00e9 que se repetem cotidianamente e marcam de forma indel\u00e9vel cada uma dessas crian\u00e7as, que amanh\u00e3 ser\u00e3o os adultos que, num moto perp\u00e9tuo, estar\u00e3o com os porta-malas de carros abertos com sons ensurdecedores, jogando, dos \u00f4nibus, carros e janelas das casas, os restos do que \u00e9 produzido pela nossa sociedade &#8211; lixo material e cultural.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:0\">Nas escolas, nos primeiros dias letivos, professoras esperam os meninos e meninas com alegria, e sabedores de que o seu maior desafio n\u00e3o est\u00e1 somente no trato dos conte\u00fados das diversas mat\u00e9rias, mas, sim, na forma\u00e7\u00e3o de uma juventude capaz de compreender que a responsabilidade pela nossa cidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos pol\u00edticos e das pol\u00edticas p\u00fablicas, cada vez menos atentos a essas coisas, mas de cada um de n\u00f3s individualmente e de todos coletivamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lixo, barulho e educa\u00e7\u00e3o Nelson Pretto \u2013 Professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. www.pretto.info Segunda feira, seis e meia da manh\u00e3. Rio Vermelho. O sol ilumina a praia com os seus barquinhos que no \u00faltimo dia dois de fevereiro prestaram homenagem \u00e0 rainha do mar. Estamos na semana de in\u00edcio das aulas na rede p\u00fablica e a meninada caminha pelos passeios em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas. A cena \u00e9 graciosa. No rosto dessa gente mi\u00fada transparece a alegria do retorno \u00e0 escola, ao espa\u00e7o de conviv\u00eancia com os colegas, \u00e0s traquinagens e, claro, tamb\u00e9m \u00e0s aulas e aos professores. Estes, nos \u00faltimos dias, nas reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas de planejamento, pensavam a melhor forma de conduzir as aulas das diversas mat\u00e9rias, de modo a envolver a meninada em todo o processo educacional. Para tanto, fazem das tripas cora\u00e7\u00e3o, pois se deparam, na maioria das vezes, com condi\u00e7\u00f5es de trabalho muito aqu\u00e9m das necess\u00e1rias e, como de sempre, com sal\u00e1rios que n\u00e3o lhes permitem uma dedica\u00e7\u00e3o integral \u00e0 escola e, muitas vezes, nem mesmo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, esfor\u00e7am-se para introduzir quest\u00f5es mais amplas, dentre as quais sempre merece destaque o tema da cidadania e do ambiente. Justo nesses campos, encontram os professores uma concorr\u00eancia quase que desleal, bem no caminho da escola. Na v\u00e9spera, a alegria que caracteriza a cultura baiana, ocupara as ruas e pra\u00e7as do Rio Vermelho, com baianas de acaraj\u00e9 mais famosas enchendo as burras de dinheiro e deixando um rastro de sujeira que deveria envergonhar a qualquer um. Meninas e meninos que passam por esse lindo peda\u00e7o da cidade convivem, tamb\u00e9m, com uma infernal m\u00fasica vinda da suntuosa academia ao lado da pra\u00e7a, onde um instrutor imagina expulsar as gordurinhas dos malhadores matinais aos gritos. Triste Bahia, que considera &#8220;naturais&#8221; esses comportamentos displicentes, que v\u00e3o do som alto da academia ao ato de jogar no ch\u00e3o tampinha de cerveja, restos de vatap\u00e1, papel de acaraj\u00e9 e copinhos pl\u00e1sticos, como se os impostos que s\u00e3o pagos para a limpeza da cidade fossem destinados \u00e0 limpeza da sujeira deixada por esses empreendimentos comerciais. Estes, em alguns casos com lucros astron\u00f4micos, a exemplo das baianas de acaraj\u00e9 mais famosas da cidade, que, agora, possuem at\u00e9 \u201cfranquias\u201d, inclusive em posto de gasolina (pasmem, fritar acaraj\u00e9 em posto de gasolina!). Desviar do lixo deixado, caminhar na dire\u00e7\u00e3o da escola com o ru\u00eddo ensurdecedor das m\u00fasicas das academias e gritos dos instrututores, tudo isso poderia ser toler\u00e1vel se fossem situa\u00e7\u00f5es pontuais, mas o fato \u00e9 que se repetem cotidianamente e marcam de forma indel\u00e9vel cada uma dessas crian\u00e7as, que amanh\u00e3 ser\u00e3o os adultos que, num moto perp\u00e9tuo, estar\u00e3o com os porta-malas de carros abertos com sons ensurdecedores, jogando, dos \u00f4nibus, carros e janelas das casas, os restos do que \u00e9 produzido pela nossa sociedade &#8211; lixo material e cultural. Nas escolas, nos primeiros dias letivos, professoras esperam os meninos e meninas com alegria, e sabedores de que o seu maior desafio n\u00e3o est\u00e1 somente no trato dos conte\u00fados das diversas mat\u00e9rias, mas, sim, na forma\u00e7\u00e3o de uma juventude capaz de compreender que a responsabilidade pela nossa cidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos pol\u00edticos e das pol\u00edticas p\u00fablicas, cada vez menos atentos a essas coisas, mas de cada um de n\u00f3s individualmente e de todos 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