{"id":666,"date":"2010-03-18T14:57:16","date_gmt":"2010-03-18T17:57:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=666"},"modified":"2023-04-11T00:21:48","modified_gmt":"2023-04-11T03:21:48","slug":"um-baiano-dos-pampas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/home\/um-baiano-dos-pampas\/","title":{"rendered":"Um baiano dos pampas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ga\u00facho Nelson Pretto, 47 anos, recebe o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o de Salvador<\/strong><\/p>\n<p><em>Elieser Cesar<\/em><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/03\/repo11.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-667\" title=\"repo11\" src=\"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/files\/2010\/03\/repo11.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"153\" \/><\/a>Nelson Pretto: &#8220;A dimens\u00e3o do professor \u00e9, acima de tudo, uma dimens\u00e3o pol\u00edtica, porque ele ajuda a refletir sobre a realidade&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Com o gosto apimentado do acaraj\u00e9 e o long\u00ednquo sabor do chimarr\u00e3o, a baianidade do professor ga\u00facho Nelson Pretto, diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (Faceb\/Ufba), ser\u00e1 legitimada, na pr\u00f3xima quinta-feira. Nesta data &#8211; 38 anos depois dele ter se radicado na terra do ax\u00e9 &#8211; a C\u00e2mara Municipal de Salvador outorgar\u00e1 a Nelson Pretto, nascido em Porto Alegre, h\u00e1 47 anos, o t\u00edtulo de cidad\u00e3o soteropolitano. Uma justa homenagem a quem, em 28 anos de magist\u00e9rio, fez muito pela educa\u00e7\u00e3o na Bahia e a um homem que se identifica mais com a espontaneidade e o jeito festivo do baiano do que com o tradicionalismo e a sisudez dos estancieiros dos pampas. De origem ga\u00facha e esp\u00edrito baiano, Nelson de Lucca Pretto \u00e9 daquela terra sem fronteira do &#8220;atcx\u00e9&#8221;, como algu\u00e9m que costuma jogar o ax\u00e9 dos terreiros de candombl\u00e9 da Bahia no churrasco suculento dos ga\u00fachos.<\/p>\n<p>&#8220;O t\u00edtulo \u00e9 uma gentileza muito grande, um motivo de honra para mim, porque eu sempre me considerei um cidad\u00e3o de Salvador&#8221;, agradece o professor. Formado em f\u00edsica pela Ufba, Nelson Pretto tem em comum, com a disciplina em que se graduou, o gosto pelo movimento. No caso do professor, uma vida irrequieta, marcada por uma intensa atividade, do corpo e da mente. Basta dizer que dentre outras ocupa\u00e7\u00f5es, ele (jogador perna-de-pau) j\u00e1 foi juiz de futebol e at\u00e9 escoteiro. &#8220;Como n\u00e3o sabia jogar bola, acabei como juiz&#8221;, reconhece, enquanto inspeciona as obras de reforma do Centro Esportivo da Ufba, em Ondina, para onde ser\u00e1 transferido o Departamento de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, hoje funcionando na Faced.<\/p>\n<p>Ch\u00e3o da f\u00e1brica<\/p>\n<p>Nelson Pretto chegou \u00e0 Bahia em 1966, em companhia do pai, um engenheiro que ajudou a fundar o Centro Industrial de Aratu. Estudava no Col\u00e9gio Ant\u00f4nio Vieira, mas, como lembra quatro d\u00e9cadas depois, passava as f\u00e9rias &#8220;no ch\u00e3o da f\u00e1brica&#8221;. Com uma diferen\u00e7a dos oper\u00e1rios: era filho do patr\u00e3o, o que n\u00e3o impediu, mais tarde, de se engajar em diversas causas populares, principalmente na alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos e nos embates pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos contra a ditadura militar.<\/p>\n<p>O professor foi cursar f\u00edsica, mas estava com uma outra fus\u00e3o em mente, ao inv\u00e9s da do \u00e1tomo: conciliar as ci\u00eancias exatas com as humanas. E isso conseguiu realizar. J\u00e1 no primeiro semestre da faculdade, dava aulas em escolas secund\u00e1rias. &#8220;O educador preponderou o tempo inteiro&#8221;, reconhece. E se sobrep\u00f4s tanto que, com o objetivo de poder lecionar, o estudante concluiu o curso de licenciatura, em lugar de bacharelado em f\u00edsica.<\/p>\n<p>Ainda nos bancos da gradua\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, Nelson Pretto implantou um projeto de alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos no bairro de Cosme de Farias. Sintom\u00e1tica a escolha do local, que traz o nome do velho r\u00e1bula e major que dedicou toda a vida ao combate ao analfabetismo. Torcedor do Internacional de Porto Alegre, o estudante Nelson Pretto dirigiu o gr\u00eamio. Mas n\u00e3o h\u00e1, aqui, nenhuma apostasia futebol\u00edstica: n\u00e3o foi o time de futebol, arquiinimigo do colorado ga\u00facho, mas um gr\u00eamio estudantil.<\/p>\n<p>No come\u00e7o dos anos 80, ajudou a organizar, em Salvador, a hist\u00f3rica 33\u00aa Reuni\u00e3o da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), um encontro democr\u00e1tico e pluralista, em pleno regime ditatorial, que contou com a participa\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo e escritor Darcy Ribeiro, dentre outros intelectuais. Professor em permanente movimento, Nelson Pretto n\u00e3o parou. No Rio de Janeiro, ajudou a montar a pe\u00e7a Galileu Galilei, de Brecht. Em Salvador, ajudou a retomar o Sindicato dos Professores e a promover &#8220;lutas hom\u00e9ricas pela melhoria da qualidade do ensino e valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio&#8221;. &#8220;A dimens\u00e3o do professor \u00e9, acima de tudo, uma dimens\u00e3o pol\u00edtica, porque ele ajuda a refletir sobre a realidade e, a partir da\u00ed, promover mudan\u00e7as&#8221;, sublinha.<\/p>\n<p>Abad\u00e1 e bombachas<\/p>\n<p>Toda essa vitalidade em prol da educa\u00e7\u00e3o fez com que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura convidasse o &#8220;baiano dos pampas&#8221; a coordenar o Instituto Nacional de Estudos e Projetos (Inep). Nelson Pretto trabalharia ainda, durante um ano e meio, como superintendente de projetos especiais da Funtv, quando produziu programas de TV e v\u00eddeos ligados \u00e0s TVs Educativas.<\/p>\n<p>Mesmo fazendo o mestrado em educa\u00e7\u00e3o, o professor encontrou tempo para participar das atividades da Associa\u00e7\u00e3o dos Professores Universit\u00e1rios da Bahia (Apub), inclusive no comando de greves, e continuar dando aulas. &#8220;A pior coisa para o profissional de uma universidade \u00e9 fazer o mestrado e o doutorado na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma loucura conciliar tantas coisas&#8221;, diz, com a experi\u00eancia de quem soube compartilhar uma gama de atividades e n\u00e3o despregar os p\u00e9s da sala de aula.<\/p>\n<p>Ao defender a tese de doutoramento Pol\u00edtica audiovisual nas universidades, Nelson Pretto estava antecipando a discuss\u00e3o sobre a globaliza\u00e7\u00e3o, quando o assunto n\u00e3o era massificado como atualmente. Quando se dedicava ao doutorado, o professor foi &#8220;atropelado pela internet, uma ferramenta inserida num espa\u00e7o maior, o ciberespa\u00e7o&#8221;. &#8220;O mundo contempor\u00e2neo \u00e9 o da comunica\u00e7\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o. Hoje, voc\u00ea tem que demonstrar a capacidade de operar mais tecnologias&#8221;, define.<\/p>\n<p>Na Faced, Nelson implantou o Grupo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Tecnologia, com cursos de mestrado e doutorado, cinco professores doutores e 12 estudantes. O maior problema da educa\u00e7\u00e3o no Brasil? O professor responde: &#8220;A dist\u00e2ncia entre as pol\u00edticas no papel e a pr\u00e1tica cotidiana, o que sempre vem colocando o professor em segundo plano&#8221;. Nelson Pretto tem uma filha de 22 anos, fruto do casamento com a jornalista Nadja Argollo. De ga\u00facho tem o gosto pela carne. De baiano&#8230;Bem, de baiano, tem quase tudo. S\u00f3 faltava mesmo o t\u00edtulo de cidad\u00e3o soteropolitano, que Nelson poderia receber com abad\u00e1 e bombachas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ga\u00facho Nelson Pretto, 47 anos, recebe o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o de Salvador Elieser Cesar Nelson Pretto: &#8220;A dimens\u00e3o do professor \u00e9, acima de tudo, uma dimens\u00e3o pol\u00edtica, porque ele ajuda a refletir sobre a realidade&#8221; Com o gosto apimentado do acaraj\u00e9 e o long\u00ednquo sabor do chimarr\u00e3o, a baianidade do professor ga\u00facho Nelson Pretto, diretor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (Faceb\/Ufba), ser\u00e1 legitimada, na pr\u00f3xima quinta-feira. Nesta data &#8211; 38 anos depois dele ter se radicado na terra do ax\u00e9 &#8211; a C\u00e2mara Municipal de Salvador outorgar\u00e1 a Nelson Pretto, nascido em Porto Alegre, h\u00e1 47 anos, o t\u00edtulo de cidad\u00e3o soteropolitano. 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Em Salvador, ajudou a retomar o Sindicato dos Professores e a promover &#8220;lutas hom\u00e9ricas pela melhoria da qualidade do ensino e valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio&#8221;. &#8220;A dimens\u00e3o do professor \u00e9, acima de tudo, uma dimens\u00e3o pol\u00edtica, porque ele ajuda a refletir sobre a realidade e, a partir da\u00ed, promover mudan\u00e7as&#8221;, sublinha. Abad\u00e1 e bombachas Toda essa vitalidade em prol da educa\u00e7\u00e3o fez com que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura convidasse o &#8220;baiano dos pampas&#8221; a coordenar o Instituto Nacional de Estudos e Projetos (Inep). Nelson Pretto trabalharia ainda, durante um ano e meio, como superintendente de projetos especiais da Funtv, quando produziu programas de TV e v\u00eddeos ligados \u00e0s TVs Educativas. Mesmo fazendo o mestrado em educa\u00e7\u00e3o, o professor encontrou tempo para participar das atividades da Associa\u00e7\u00e3o dos Professores Universit\u00e1rios da Bahia (Apub), inclusive no comando de greves, e continuar dando aulas. &#8220;A pior coisa para o profissional de uma universidade \u00e9 fazer o mestrado e o doutorado na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma loucura conciliar tantas coisas&#8221;, diz, com a experi\u00eancia de quem soube compartilhar uma gama de atividades e n\u00e3o despregar os p\u00e9s da sala de aula. Ao defender a tese de doutoramento Pol\u00edtica audiovisual nas universidades, Nelson Pretto estava antecipando a discuss\u00e3o sobre a globaliza\u00e7\u00e3o, quando o assunto n\u00e3o era massificado como atualmente. Quando se dedicava ao doutorado, o professor foi &#8220;atropelado pela internet, uma ferramenta inserida num espa\u00e7o maior, o ciberespa\u00e7o&#8221;. &#8220;O mundo contempor\u00e2neo \u00e9 o da comunica\u00e7\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o. Hoje, voc\u00ea tem que demonstrar a capacidade de operar mais tecnologias&#8221;, define. Na Faced, Nelson implantou o Grupo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Tecnologia, com cursos de mestrado e doutorado, cinco professores doutores e 12 estudantes. O maior problema da educa\u00e7\u00e3o no Brasil? O professor responde: &#8220;A dist\u00e2ncia entre as pol\u00edticas no papel e a pr\u00e1tica cotidiana, o que sempre vem colocando o professor em segundo plano&#8221;. Nelson Pretto tem uma filha de 22 anos, fruto do casamento com a jornalista Nadja Argollo. De ga\u00facho tem o gosto pela carne. De baiano&#8230;Bem, de baiano, tem quase tudo. 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