{"id":573,"date":"2010-03-12T17:11:55","date_gmt":"2010-03-12T20:11:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=573"},"modified":"2010-03-12T17:11:55","modified_gmt":"2010-03-12T20:11:55","slug":"lixo-barulho-e-educacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos-de-divulgacao\/lixo-barulho-e-educacao\/","title":{"rendered":"Lixo, barulho e educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&lt;img title=&#8221;a tarde&#8221; src=&#8221;http:\/\/twiki.ufba.br\/twiki\/pub\/Pretto\/PrettoArtigos\/atradelogo.gif&#8221; alt=&#8221;&#8221; width=&#8221;208&#8243; height=&#8221;54&#8243; \/&gt;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A Tarde, , pag. 03, 2008 <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"> Nelson Pretto &#8211; Professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; www.pretto.info <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Segunda-feira, sete da manh\u00e3. Rio Vermelho. O sol ilumina a praia e seus barquinhos, que, no dia 2 de fevereiro, homenageiam a rainha do mar. A meninada caminha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas, numa graciosa cena. No rosto dessa turma, a alegria do caminho da escola, ao encontro dos colegas, \u00e0s traquinagens e, claro, tamb\u00e9m \u00e0s aulas e aos professores. Estes, na labuta muitas vezes solit\u00e1ria de planejar suas aulas, pensam na melhor forma de conduzi-las de modo a envolver a meninada em todo o processo educacional, independente da mat\u00e9ria lecionada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Para tanto, fazem das tripas cora\u00e7\u00e3o, pois geralmente se deparam com deficientes condi\u00e7\u00f5es de trabalho e, como sempre, com sal\u00e1rios que n\u00e3o lhes permitem uma dedica\u00e7\u00e3o integral \u00e0 escola. Esfor\u00e7am-se, mesmo assim, para introduzir quest\u00f5es mais amplas, dentre as quais o tema da cidadania e do ambiente e, justo aqui, encontram uma concorr\u00eancia quase que desleal, bem no caminho da escola. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Na v\u00e9spera, a alegria que caracteriza a cultura baiana ocupara as pra\u00e7as do Rio Vermelho, onde as baianas de acaraj\u00e9 mais famosas ganham muito dinheiro e deixam um rastro de sujeira que deveria envergonhar a qualquer um. A meninada que passa por esse lindo peda\u00e7o da cidade convive, tamb\u00e9m, com uma infernal m\u00fasica vinda da suntuosa academia ao lado da pra\u00e7a, onde um instrutor imagina expulsar as gordurinhas dos malhadores matinais aos gritos. Triste Bahia, que considera &#8220;naturais&#8221; esses comportamentos displicentes, que v\u00e3o do som alto da academia ao jogar no ch\u00e3o tampinhas, restos de vatap\u00e1, acaraj\u00e9 e copos pl\u00e1sticos, como se os impostos que s\u00e3o pagos para a limpeza da cidade fossem destinados \u00e0 limpeza da sujeira deixada por esses empreendimentos comerciais, que, de t\u00e3o bem-sucedidos, agora possuem at\u00e9 &#8220;franquias&#8221;, inclusive em posto de gasolina (pasmem, fritar acaraj\u00e9 em posto de gasolina!). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Desviar do lixo, caminhar para a escola com o ru\u00eddo ensurdecedor das m\u00fasicas e os gritos vindos das academias, tudo isso poderia ser toler\u00e1vel se fossem situa\u00e7\u00f5es pontuais. Mas n\u00e3o o s\u00e3o, elas se repetem cotidianamente e marcam de forma indel\u00e9vel cada uma dessas crian\u00e7as, amanh\u00e3 os nossos adultos, que, num moto perp\u00e9tuo, estar\u00e3o com os porta-malas de carros abertos com sons tamb\u00e9m ensurdecedores, jogando, dos \u00f4nibus, carros e janelas das casas, os restos do que \u00e9 produzido pela nossa sociedade \u2013 lixo material e cultural. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Cotidianamente, nas escolas, os professores comprometidos \u2013 e s\u00e3o muitos! \u2013 esperam os meninos com alegria e sabedores de que o seu maior desafio n\u00e3o est\u00e1 somente no trato dos conte\u00fados das diversas mat\u00e9rias, mas, sim, na forma\u00e7\u00e3o de uma juventude capaz de compreender que a responsabilidade pela nossa cidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos pol\u00edticos e das pol\u00edticas p\u00fablicas, cada vez menos atentos a essas coisas, mas de cada um de n\u00f3s individualmente e de todos coletivamente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"> Reproduzido no Jornal da Ci\u00eancia Hoje, edi\u00e7\u00e3o de 27\/03\/2008. <a href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/Detalhe.jsp?id=55116\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja aqui<\/a> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&lt;img title=&#8221;a tarde&#8221; src=&#8221;http:\/\/twiki.ufba.br\/twiki\/pub\/Pretto\/PrettoArtigos\/atradelogo.gif&#8221; alt=&#8221;&#8221; width=&#8221;208&#8243; height=&#8221;54&#8243; \/&gt; A Tarde, , pag. 03, 2008 Nelson Pretto &#8211; Professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA &#8211; www.pretto.info Segunda-feira, sete da manh\u00e3. 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Esfor\u00e7am-se, mesmo assim, para introduzir quest\u00f5es mais amplas, dentre as quais o tema da cidadania e do ambiente e, justo aqui, encontram uma concorr\u00eancia quase que desleal, bem no caminho da escola. Na v\u00e9spera, a alegria que caracteriza a cultura baiana ocupara as pra\u00e7as do Rio Vermelho, onde as baianas de acaraj\u00e9 mais famosas ganham muito dinheiro e deixam um rastro de sujeira que deveria envergonhar a qualquer um. A meninada que passa por esse lindo peda\u00e7o da cidade convive, tamb\u00e9m, com uma infernal m\u00fasica vinda da suntuosa academia ao lado da pra\u00e7a, onde um instrutor imagina expulsar as gordurinhas dos malhadores matinais aos gritos. Triste Bahia, que considera &#8220;naturais&#8221; esses comportamentos displicentes, que v\u00e3o do som alto da academia ao jogar no ch\u00e3o tampinhas, restos de vatap\u00e1, acaraj\u00e9 e copos pl\u00e1sticos, como se os impostos que s\u00e3o pagos para a limpeza da cidade fossem destinados \u00e0 limpeza da sujeira deixada por esses empreendimentos comerciais, que, de t\u00e3o bem-sucedidos, agora possuem at\u00e9 &#8220;franquias&#8221;, inclusive em posto de gasolina (pasmem, fritar acaraj\u00e9 em posto de gasolina!). Desviar do lixo, caminhar para a escola com o ru\u00eddo ensurdecedor das m\u00fasicas e os gritos vindos das academias, tudo isso poderia ser toler\u00e1vel se fossem situa\u00e7\u00f5es pontuais. Mas n\u00e3o o s\u00e3o, elas se repetem cotidianamente e marcam de forma indel\u00e9vel cada uma dessas crian\u00e7as, amanh\u00e3 os nossos adultos, que, num moto perp\u00e9tuo, estar\u00e3o com os porta-malas de carros abertos com sons tamb\u00e9m ensurdecedores, jogando, dos \u00f4nibus, carros e janelas das casas, os restos do que \u00e9 produzido pela nossa sociedade \u2013 lixo material e cultural. Cotidianamente, nas escolas, os professores comprometidos \u2013 e s\u00e3o muitos! \u2013 esperam os meninos com alegria e sabedores de que o seu maior desafio n\u00e3o est\u00e1 somente no trato dos conte\u00fados das diversas mat\u00e9rias, mas, sim, na forma\u00e7\u00e3o de uma juventude capaz de compreender que a responsabilidade pela nossa cidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos pol\u00edticos e das pol\u00edticas p\u00fablicas, cada vez menos atentos a essas coisas, mas de cada um de n\u00f3s individualmente e de todos coletivamente. 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