{"id":456,"date":"2010-03-09T12:01:03","date_gmt":"2010-03-09T15:01:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=456"},"modified":"2010-03-09T12:01:03","modified_gmt":"2010-03-09T15:01:03","slug":"a-linguagem-dos-jovens-na-contemporaneidade-aplausos-ou-censura","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos_academicos\/a-linguagem-dos-jovens-na-contemporaneidade-aplausos-ou-censura\/","title":{"rendered":"A linguagem dos jovens na contemporaneidade: aplausos ou censura?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nelson Pretto<\/strong><\/p>\n<p>..<\/p>\n<p>..<\/p>\n<p>Para Licia Beltr\u00e3o, competente na articula\u00e7\u00e3o das linguagens contempor\u00e2neas, com carinho.<\/p>\n<p>Aplausos, claro&#8230; alguma d\u00favida?<br \/>\nA primeira raz\u00e3o para essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: n\u00e3o devemos pensar nunca em censura, tanto para este tema como para qualquer outro. Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 di\u00e1logo. \u00c9 conversa, muita conversa, conversa boa que respeita o interlocutor. Temos que tratar de compreender, no caso da linguagem dos jovens, o que ela significa e como foi assim se constituindo, mesmo porque nada disso acontece do nada. Essa gera\u00e7\u00e3o nascida no digital, tem outra forma de se relacionar com as tecnologias e com o mundo.<br \/>\nPor outro lado, essa outra (nova?) linguagem est\u00e1 intimamente relacionada com as tecnologias que s\u00e3o desenvolvidas historicamente pela humanidade. Somos parte desse processo de produ\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o dessas e de tantas outras tecnologias e culturas. Claro que as condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas dos pa\u00edses e dos diversos grupos sociais fazem com que esse envolvimento e apropria\u00e7\u00e3o se d\u00ea de forma muito diferenciada. Assim, ao nos apropriarmos das tecnologias, ao tempo em que a utilizamos a transformamos, e \u00e9 justo isso o que a juventude vem fazendo, criando novas linguagens e novas formas de express\u00e3o.<br \/>\nChamamos essa turma de <em>gera\u00e7\u00e3o Alt+Tab<\/em> (PRETTO, 2008), numa refer\u00eancia \u00e0s duas teclinhas do teclado que possibilitam que sejam abertas v\u00e1rias telas do computador ao mesmo tempo, possibilitando que diversas coisas possam ser feitas simultaneamente. Assim, num mesmo momento, a meninada recebe informa\u00e7\u00f5es e produz tantas outras, elabora conhecimentos e, principalmente, cria. E eles criam e re-criam muito. Inventam e re-inventam. Remixam tudo. Criam nas vestimentas, no uso dos adere\u00e7os e utens\u00edlios pendurados no corpo (RUSKHOFF, 1999), na forma de ouvir e fazer m\u00fasica, na forma de riscar e rabiscar as telas, papeis e muros. Em outras palavras, trabalham com diversas linguagens, aquelas j\u00e1 institu\u00eddas e as novas que v\u00e3o nascendo dessa rela\u00e7\u00e3o com as tecnologias.<br \/>\nO soci\u00f3logo argentino Luis Alberto Quevedo acredita que esses meninos &#8220;v\u00e3o criar as linguagens deles [e por isso] temos que admitir que existe uma multiplicidade de linguagens e que a escola deve estar atenta a essas linguagens&#8221;. (Quevedo, 2008). Ao fazer esse coment\u00e1rio ele se referia ao uso dos telefones celulares, que hoje possibilitam uma comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, formando verdadeiras redes.<br \/>\nOs celulares, mas n\u00e3o s\u00f3 estes, foram criados, apropriados e transformados por diversos mecanismos que t\u00eam, potencialmente, favorecido um outro tipo de escrita, assim como os blogues, wikis e twitter. Este, ao condicionar uma escrita de at\u00e9 140 caracteres, obriga ao uso de uma linguagem mais enxuta. Nos celulares, por sua vez, com os SMS (do ingl\u00eas <em>Short Message Service<\/em> &#8211; servi\u00e7o de mensagens curtas), os textos precisam ser mais ainda reduzidos, obrigando o uso daquelas abrevia\u00e7\u00f5es que irritam tanto professores e pais.<br \/>\nSistemas como os wikis &#8211; para quem n\u00e3o sabe, espa\u00e7os na internet onde textos podem ser criados coletivamente &#8211; v\u00eam estimulado o crescimento de uma escrita colaborativa, algo que vinha sendo posto de lado nesta sociedade de competi\u00e7\u00e3o generalizada. O mais conhecido wiki \u00e9 a enciclop\u00e9dia on line Wikipedia, que j\u00e1 est\u00e1 traduzida em mais de 260 l\u00ednguas e possui cerca de 3 milh\u00f5es de verbetes em ingl\u00eas e quase 500 mil em portugu\u00eas, escritos de forma colaborativa, tudo isso, usando o wiki.<br \/>\nEste texto que voc\u00ea est\u00e1 lendo impresso nesta revista, por exemplo, est\u00e1 tamb\u00e9m dispon\u00edvel num wiki p\u00fablico brasileiro chamado Wikispace, de forma que voc\u00ea pode continuar a (re)escrev\u00ea-lo (<a rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/nelsonpretto.wikispaces.com\/Revista+Presente\">http:\/\/nelsonpretto.wikispaces.com\/Revista+Presente<\/a>), ampliando a rela\u00e7\u00e3o autor-leitor, de forma colaborativa.<br \/>\nPara a educa\u00e7\u00e3o, o fazer colaborativo tem imenso valor e precisa ser resgatado, juntamente com a generosidade, ambos em estreita rela\u00e7\u00e3o com o que ficou conhecido como &#8220;\u00e9tica hacker&#8221;, a \u00e9tica dessa turma que criou a internet e que est\u00e1 produzindo e fazendo circular informa\u00e7\u00f5es de forma aberta e livre pelo mundo afora. Os meios para tanto s\u00e3o in\u00fameros e justo neles temos as recria\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas que, se de um lado merecem todo o nosso aplauso, de outro realmente demandam esfor\u00e7os para a sua compreens\u00e3o.<br \/>\nA partir do uso dessas tecnologias na escola e da compreens\u00e3o de que o seu significado n\u00e3o se limita ao seu uso instrumental (PRETTO, 1996, 2008), podemos compreender na pr\u00e1tica que as linguagens utilizadas est\u00e3o associadas ao seu suporte, ou seja, \u00e0 tecnologia espec\u00edfica que se lan\u00e7ou m\u00e3o (l\u00e1pis, papel, tela, gravador, r\u00e1dio, v\u00eddeo, computador) no processo criativo.<br \/>\nEssa rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia na maioria das vezes \u00e9 um pouco complicada. Num passado recente, que ainda \u00e9 muito presente, faz\u00edamos cr\u00edtica ao uso da televis\u00e3o para educar atrav\u00e9s de aulas televisioanadas, com um professor falando para uma c\u00e2mera. Esses projetos de educa\u00e7\u00e3o pela televis\u00e3o, com esse formato, na verdade o que fazem \u00e9 destruir a caracter\u00edstica fundante do fazer televisivo e os resultados, na maioria das vezes, s\u00e3o aqueles programas muito chatos e que, para nosso azar s\u00e3o chamados de <em>educativos<\/em>.<br \/>\nNo que diz respeito \u00e0s outras tecnologias de que aqui estamos tratando, temos que ter os mesmos procedimentos e cuidados, ou seja, \u00e9 importante tratar do tema com a juventude, no sentido de faz\u00ea-la compreender a natureza de cada um dessas linguagens e dos suportes que s\u00e3o utilizados para produzi-las.<br \/>\nPor\u00e9m, para aqueles que imaginam que essa discuss\u00e3o se restringe aos jovens, vale resgatar o trabalho de Karin Knorr Cetina e Urs Bruegger (2002), no qual analisam o que chamaram de &#8220;microestruturas globais&#8221;, a partir da observa\u00e7\u00e3o das transa\u00e7\u00f5es interbanc\u00e1rias planet\u00e1rias, a partir da conversa de dois operadores do mercado de valores mundial. Nas telas dos seus computadores interligados, o tipo de escrita utilizado pode parecer esquisito neste texto, mas l\u00e1 nada de estranho sinaliza, a n\u00e3o ser o fato de que bilh\u00f5es e bilh\u00f5es de d\u00f3lares circulavam da conversa entre eles, o que, quem sabe, j\u00e1 era o pren\u00fancio da crise financeira atual. Mas a crise n\u00e3o \u00e9 o nosso tema aqui, apesar de estar mexendo com todos. O que importa agora, \u00e9 ver a tela com a conversa dos dois operadores, um em Zurique, na Su\u00ed\u00e7a, e outro em Londres, na Inglaterra:<\/p>\n<p>1 FROM GB3 &lt;Name of Bank&gt;INTL LONDON * 1301GMT 251196*\/3514<br \/>\n2 Our terminal: GB2Z Our user : &lt;Name of Spot Dealer&gt;<br \/>\n3 # TEST BACK LOWER RATES NOW&#8230;..<br \/>\n4 #<br \/>\n5 #INTERRUPT#<br \/>\n6 CAN I GIVE YOU 15 MIO USDCHF PLS<br \/>\n7 # SURE 83<br \/>\n8 GTEATEE TREE GREAT. TKS<br \/>\n9 # WELCOME&#8230;.<br \/>\n10 # BUYING DM SFR HERE&#8230;.<br \/>\n(CETINA e BRUEGGER, 2002, p. 943)<\/p>\n<p>Dez linhas e uma negocia\u00e7\u00e3o de 15 milh\u00f5es de d\u00f3lares. O importante para nos \u00e9 constatar que a linguagem ali utilizada foi absolutamente adequada para o meio e para os seus fins.<br \/>\nContudo, os exemplos econ\u00f4micos \u00e0s vezes s\u00e3o muito \u00e1ridos. Outro tipo de apropria\u00e7\u00e3o das tecnologias, mais especificamente da internet, \u00e9 o dos blogues, tamb\u00e9m este um fen\u00f4meno mundial n\u00e3o apenas para os jovens. Com rigor na ponta da l\u00edngua ou melhor, do dedo, o escritor portugu\u00eas Jos\u00e9 Saramago mant\u00e9m o seu blogue (que hoje \u00e9 o delicioso livro <em>O Caderno<\/em>, da editora Caminho, Portugal), para por na &#8220;p\u00e1gina infinita da internet suas id\u00e9ias sobre o mundo&#8221; (pag. 19).<br \/>\nCaetano Veloso manteve por um tempo determinado o seu rigorosamente bem escrito blog <em>Obra em Progresso<\/em>, durante o per\u00edodo de cria\u00e7\u00e3o do seu disco <em>zii e zie<\/em>, lan\u00e7ado em abril de 2009 (e o blog fechado, para tristeza de muitos seguidores!). Ali\u00e1s, \u00e9 desse blog de Caetano que pego o mote para continuar a discuss\u00e3o aqui proposta. Em um dos seus <em>posts<\/em>, ele publicou um belo longo texto, que suscitou uma grande pol\u00eamica, sobre a import\u00e2ncia da l\u00edngua culta e da educa\u00e7\u00e3o (VELOSO, 2009). E \u00e9 este justo o nosso <em>X da quest\u00e3o<\/em>, pois n\u00e3o tenho d\u00favida de que necessitamos de uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o para a juventude, o que somente dar-se-\u00e1 se, ao mesmo tempo, fortalecermos essas linguagens &#8211; inclusive recriando-a e estimulando a escrita <em>a la<\/em> &#8220;blz, to aki lgdo en vc&#8221; &#8211; e possibilitarmos um di\u00e1logo profundo com a l\u00edngua culta.<br \/>\nPenso que n\u00e3o podemos desconsiderar essa forma de express\u00e3o mais aligeirada que, mais do que real, \u00e9 fundamental, pois, como j\u00e1 disse, est\u00e1 associada ao meio tecnol\u00f3gico na qual \u00e9 utilizada. Mais ainda, isso tudo articula-se a outras linguagens que tamb\u00e9m est\u00e3o presentes e se intensificam de forma vertiginosa, como a dos v\u00eddeos, \u00e1udios, a produ\u00e7\u00e3o multim\u00eddia e todas as demais formas de express\u00e3o contempor\u00e2nea.<br \/>\nAssim, podemos falar em forma\u00e7\u00e3o da juventude &#8211; e aqui temos que falar explicitamente em forma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o em treinamento &#8211; quando articulamos de forma intensa todas essas linguagens com a rica produ\u00e7\u00e3o cultural hist\u00f3rica da humanidade.<br \/>\nE para que tudo isso aconte\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 melhor lugar do que a escola. Escola enquanto espa\u00e7o f\u00edsico mesmo, espa\u00e7o do encontro das pessoas, das gentes que se tocam e se encantam umas com as outras. S\u00f3 que, para tanto, temos que retomar um do meus temas preferidos: o papel dos professores. Essa escola a que nos referimos necessita de professores qualificados, bem remunerados, com adequadas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e animados para que, tamb\u00e9m eles inseridos no universo da cibercultura, possam dialogar intensamente com as tecnologias e a juventude.<br \/>\nProfessores e estudantes, numa negocia\u00e7\u00e3o permanente de linguagens e culturas, v\u00e3o, assim, produzindo mais conhecimentos e mais culturas, relacionando o saber produzido naquele espa\u00e7o espec\u00edfico com o que fora produzido historicamente. Desse modo, de mera consumidora de informa\u00e7\u00f5es, a juventude passa \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de intensa produtora de culturas e conhecimentos.<br \/>\nTenho usando, de forma recorrente, um delicioso texto do escritor M\u00e1rio Prata, no seu livro <em>Minhas Tudos<\/em>, que conta o seu envolvimento com a internet e sobre a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria dos jovens.<br \/>\nMario Prata:<\/p>\n<p>Quando eu ouvia um pai ou m\u00e3e dizendo \u201cmeu filho fica horas na Internet\u201d, todo preocupado, eu tamb\u00e9m ficava. At\u00e9 que, por for\u00e7a do meu trabalho, comecei a navegar pela dita suja.<br \/>\nE descobri, muito feliz da vida, que nunca uma gera\u00e7\u00e3o de jovens brasileiros leu e escreveu tanto na vida. Se ele fica seis horas por dia ali, ou ele est\u00e1 lendo ou escrevendo. E mais: conhecendo pessoas. E amando essas pessoas.<br \/>\nJamais, em tempo algum, o brasileiro escreveu tanto. E se comunicou tanto. E leu tanto. E amou tanto.<br \/>\n[&#8230;]<br \/>\nEssa gera\u00e7\u00e3o vai dar muitos e muitos ESCRITORES PARA O Brasil. E muita gente vai se apaixonar pelo texto e no texto.<br \/>\nExiste coisa melhor para um escritor do que concluir isso? (PRATA, 2001, p. 14-16)<br \/>\nBlz.. opppsss&#8230; Beleza, acho que aqui n\u00e3o temos mais nada a dizer. Deixemos que o di\u00e1logo se estabele\u00e7a.<\/p>\n<h2 id=\"toc1\"><a name=\"A linguagem dos jovens na contemporaneidade: aplausos ou censura?-Refer\u00eancias\"><\/a>Refer\u00eancias<\/h2>\n<p>CETINA, Karin Knorr e BRUEGGER, Urs. Global Microstructures: The Virtual Societies of Financial Markets, <em>American Journal of Sociology<\/em>, 2002 107:4, 905-95.<br \/>\nPRATA, M\u00e1rio <em>Minhas Tudo<\/em>, Editora Objetiva, 2001.<br \/>\nQUEVEDO, Luis Alberto El tel\u00e9fono m\u00f3vil se est\u00e1 transformando en un medio de comunicaci\u00f3n, <em>Educared<\/em>, <a class=\"wiki_link_ext\" rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.educared.org.ar\/biblioteca\/dialogos\/entrevistas\/entrevista_aquevedo.asp\">http:\/\/www.educared.org.ar\/biblioteca\/dialogos\/entrevistas\/entrevista_aquevedo.asp<\/a>, 2008, acesso em 16.05.2009.<br \/>\nPRETTO, Nelson De Luca. Uma escola sem\/com Futuro: educa\u00e7\u00e3o e multim\u00eddia, Campinas, Pairus, 1999.<br \/>\n_ <em>Escritos sobre educa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e cultura<\/em>, Campinas, Pairus, 20089.<br \/>\nRUSHKOFF, Douglas. <em>Um jogo chamado futuro<\/em>: como a cultura dos garotos pode nos ensinar a sobreviver na era do caos, Revam, 1999.<br \/>\nSARAMAGO, Jos\u00e9. <em>O Caderno<\/em>, Lisboa, editora Caminho, 2008.<br \/>\nVELOSO, Caetano <em>Obra em Progresso<\/em>, <a class=\"wiki_link_ext\" rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/www.obraemprogresso.com.br\/2009\/02\/21\/carnaval\">http:\/\/www.obraemprogresso.com.br\/2009\/02\/21\/carnaval<\/a>, acesso em 25\/02\/2009.<\/p>\n<p>Agradecimento especial a Ivone Sombra, pela colabora\u00e7\u00e3o na discuss\u00e3o do tema e cuidadosa revis\u00e3o do texto final.<\/p>\n<p>P\u00f3s-escrito<br \/>\nAo terminar de escrever esse artigo, recebi a indica\u00e7\u00e3o desse belo trabalho <em>A<\/em> <a class=\"wiki_link_ext\" rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/e-livros.clube-de-leituras.pt\/elivro.php?id=arevoltadaspalavrasdigitais\">revolta das palavras digitais<\/a> (em <a class=\"wiki_link_ext\" rel=\"nofollow\" href=\"http:\/\/e-livros.clube-de-leituras.pt\/elivro.php?id=arevoltadaspalavrasdigitais\">http:\/\/e-livros.clube-de-leituras.pt\/elivro.php?id=arevoltadaspalavrasdigitais<\/a>), que complementa bem o nosso texto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nelson Pretto .. .. Para Licia Beltr\u00e3o, competente na articula\u00e7\u00e3o das linguagens contempor\u00e2neas, com carinho. Aplausos, claro&#8230; alguma d\u00favida? A primeira raz\u00e3o para essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: n\u00e3o devemos pensar nunca em censura, tanto para este tema como para qualquer outro. Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 di\u00e1logo. \u00c9 conversa, muita conversa, conversa boa que respeita o interlocutor. Temos que tratar de compreender, no caso da linguagem dos jovens, o que ela significa e como foi assim se constituindo, mesmo porque nada disso acontece do nada. Essa gera\u00e7\u00e3o nascida no digital, tem outra forma de se relacionar com as tecnologias e com o mundo. Por outro lado, essa outra (nova?) linguagem est\u00e1 intimamente relacionada com as tecnologias que s\u00e3o desenvolvidas historicamente pela humanidade. Somos parte desse processo de produ\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o dessas e de tantas outras tecnologias e culturas. Claro que as condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas dos pa\u00edses e dos diversos grupos sociais fazem com que esse envolvimento e apropria\u00e7\u00e3o se d\u00ea de forma muito diferenciada. Assim, ao nos apropriarmos das tecnologias, ao tempo em que a utilizamos a transformamos, e \u00e9 justo isso o que a juventude vem fazendo, criando novas linguagens e novas formas de express\u00e3o. Chamamos essa turma de gera\u00e7\u00e3o Alt+Tab (PRETTO, 2008), numa refer\u00eancia \u00e0s duas teclinhas do teclado que possibilitam que sejam abertas v\u00e1rias telas do computador ao mesmo tempo, possibilitando que diversas coisas possam ser feitas simultaneamente. Assim, num mesmo momento, a meninada recebe informa\u00e7\u00f5es e produz tantas outras, elabora conhecimentos e, principalmente, cria. E eles criam e re-criam muito. Inventam e re-inventam. Remixam tudo. Criam nas vestimentas, no uso dos adere\u00e7os e utens\u00edlios pendurados no corpo (RUSKHOFF, 1999), na forma de ouvir e fazer m\u00fasica, na forma de riscar e rabiscar as telas, papeis e muros. Em outras palavras, trabalham com diversas linguagens, aquelas j\u00e1 institu\u00eddas e as novas que v\u00e3o nascendo dessa rela\u00e7\u00e3o com as tecnologias. O soci\u00f3logo argentino Luis Alberto Quevedo acredita que esses meninos &#8220;v\u00e3o criar as linguagens deles [e por isso] temos que admitir que existe uma multiplicidade de linguagens e que a escola deve estar atenta a essas linguagens&#8221;. (Quevedo, 2008). Ao fazer esse coment\u00e1rio ele se referia ao uso dos telefones celulares, que hoje possibilitam uma comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, formando verdadeiras redes. Os celulares, mas n\u00e3o s\u00f3 estes, foram criados, apropriados e transformados por diversos mecanismos que t\u00eam, potencialmente, favorecido um outro tipo de escrita, assim como os blogues, wikis e twitter. Este, ao condicionar uma escrita de at\u00e9 140 caracteres, obriga ao uso de uma linguagem mais enxuta. Nos celulares, por sua vez, com os SMS (do ingl\u00eas Short Message Service &#8211; servi\u00e7o de mensagens curtas), os textos precisam ser mais ainda reduzidos, obrigando o uso daquelas abrevia\u00e7\u00f5es que irritam tanto professores e pais. Sistemas como os wikis &#8211; para quem n\u00e3o sabe, espa\u00e7os na internet onde textos podem ser criados coletivamente &#8211; v\u00eam estimulado o crescimento de uma escrita colaborativa, algo que vinha sendo posto de lado nesta sociedade de competi\u00e7\u00e3o generalizada. O mais conhecido wiki \u00e9 a enciclop\u00e9dia on line Wikipedia, que j\u00e1 est\u00e1 traduzida em mais de 260 l\u00ednguas e possui cerca de 3 milh\u00f5es de verbetes em ingl\u00eas e quase 500 mil em portugu\u00eas, escritos de forma colaborativa, tudo isso, usando o wiki. Este texto que voc\u00ea est\u00e1 lendo impresso nesta revista, por exemplo, est\u00e1 tamb\u00e9m dispon\u00edvel num wiki p\u00fablico brasileiro chamado Wikispace, de forma que voc\u00ea pode continuar a (re)escrev\u00ea-lo (http:\/\/nelsonpretto.wikispaces.com\/Revista+Presente), ampliando a rela\u00e7\u00e3o autor-leitor, de forma colaborativa. Para a educa\u00e7\u00e3o, o fazer colaborativo tem imenso valor e precisa ser resgatado, juntamente com a generosidade, ambos em estreita rela\u00e7\u00e3o com o que ficou conhecido como &#8220;\u00e9tica hacker&#8221;, a \u00e9tica dessa turma que criou a internet e que est\u00e1 produzindo e fazendo circular informa\u00e7\u00f5es de forma aberta e livre pelo mundo afora. Os meios para tanto s\u00e3o in\u00fameros e justo neles temos as recria\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas que, se de um lado merecem todo o nosso aplauso, de outro realmente demandam esfor\u00e7os para a sua compreens\u00e3o. A partir do uso dessas tecnologias na escola e da compreens\u00e3o de que o seu significado n\u00e3o se limita ao seu uso instrumental (PRETTO, 1996, 2008), podemos compreender na pr\u00e1tica que as linguagens utilizadas est\u00e3o associadas ao seu suporte, ou seja, \u00e0 tecnologia espec\u00edfica que se lan\u00e7ou m\u00e3o (l\u00e1pis, papel, tela, gravador, r\u00e1dio, v\u00eddeo, computador) no processo criativo. Essa rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia na maioria das vezes \u00e9 um pouco complicada. Num passado recente, que ainda \u00e9 muito presente, faz\u00edamos cr\u00edtica ao uso da televis\u00e3o para educar atrav\u00e9s de aulas televisioanadas, com um professor falando para uma c\u00e2mera. Esses projetos de educa\u00e7\u00e3o pela televis\u00e3o, com esse formato, na verdade o que fazem \u00e9 destruir a caracter\u00edstica fundante do fazer televisivo e os resultados, na maioria das vezes, s\u00e3o aqueles programas muito chatos e que, para nosso azar s\u00e3o chamados de educativos. No que diz respeito \u00e0s outras tecnologias de que aqui estamos tratando, temos que ter os mesmos procedimentos e cuidados, ou seja, \u00e9 importante tratar do tema com a juventude, no sentido de faz\u00ea-la compreender a natureza de cada um dessas linguagens e dos suportes que s\u00e3o utilizados para produzi-las. Por\u00e9m, para aqueles que imaginam que essa discuss\u00e3o se restringe aos jovens, vale resgatar o trabalho de Karin Knorr Cetina e Urs Bruegger (2002), no qual analisam o que chamaram de &#8220;microestruturas globais&#8221;, a partir da observa\u00e7\u00e3o das transa\u00e7\u00f5es interbanc\u00e1rias planet\u00e1rias, a partir da conversa de dois operadores do mercado de valores mundial. Nas telas dos seus computadores interligados, o tipo de escrita utilizado pode parecer esquisito neste texto, mas l\u00e1 nada de estranho sinaliza, a n\u00e3o ser o fato de que bilh\u00f5es e bilh\u00f5es de d\u00f3lares circulavam da conversa entre eles, o que, quem sabe, j\u00e1 era o pren\u00fancio da crise financeira atual. Mas a crise n\u00e3o \u00e9 o nosso tema aqui, apesar de estar mexendo com todos. O que importa agora, \u00e9 ver a tela com a conversa dos dois operadores, um em Zurique, na Su\u00ed\u00e7a, e outro em Londres, na Inglaterra: 1 FROM GB3 &lt;Name of Bank&gt;INTL LONDON<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":268,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-2col-left.php","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-456","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/456"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/456\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}