{"id":430,"date":"2010-03-09T10:11:20","date_gmt":"2010-03-09T13:11:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=430"},"modified":"2010-03-09T10:11:20","modified_gmt":"2010-03-09T13:11:20","slug":"a-educacao-e-as-redes-planetarias-de-comunicacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos_academicos\/a-educacao-e-as-redes-planetarias-de-comunicacao\/","title":{"rendered":"A educa\u00e7\u00e3o e as redes planet\u00e1rias de comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000\">Publicado em <strong><a href=\"http:\/\/cedes-gw.unicamp.br\/\">Revista Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade<\/a><\/strong> n\u00famero 51. <\/span><span style=\"color: #ff0000\">S\u00e3o Paulo: CEDES e Papirus, ano XVI, ago.95, pp. 312-323.<\/span><\/p>\n<p><strong>Nelson De Luca Pretto<\/strong><\/p>\n<p>..<\/p>\n<p>..<\/p>\n<p>Alucina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>O mundo contempor\u00e2neo, \u00e0s v\u00e9speras de entrar no novo mil\u00eanio, sofre transforma\u00e7\u00f5es estruturais significativas. O processo hist\u00f3rico do desenvolvimento da ci\u00eancia e da tecnologia universalizou o homem moderno, criando condi\u00e7\u00f5es objetivas para que ele seja, ao mesmo tempo, universal e tribal (n\u00e3o-local e local). Segundo o fil\u00f3sofo italiano Gianni Vattimo, &#8220;vivemos o mundo da comunica\u00e7\u00e3o generalizada, da sociedade do mass media, com uma multiplica\u00e7\u00e3o de valores locais&#8221;. Com isto, perde sentido a exist\u00eancia de uma hist\u00f3ria unit\u00e1ria, com um sentido privilegiado. Ainda de acordo com Vattimo, o fim da concep\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria de Hist\u00f3ria, da hist\u00f3ria com um sentido privilegiado, esta ligado a impossibilidade de se ver o passado com um \u00fanico conjunto de imagens. Para ele &#8220;existem imagens do passado propostas de pontos de vistas diversos&#8221; e &#8220;\u00e9 ilus\u00f3rio pensar que exista um ponto de vista supremo, globalizante, capaz de unificar todos os outros (como seria A Hist\u00f3ria, que engloba a Hist\u00f3ria da Arte, da Literatura, da Guerra, da sexualidade etc.)&#8221; (VATTIMO, s\/d, p.11).<\/p>\n<p>Para ele, esta concep\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria de hist\u00f3ria induzia, como consequ\u00eancia, a id\u00e9ia de progresso. Id\u00e9ia de que o futuro nos chega sempre como um processo evolutivo linear, como uma melhora daquilo que foi o passado. Com a presen\u00e7a generalizada dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a conseq\u00fcente possibilidade de uma multiplica\u00e7\u00e3o de valores locais, multiplicam-se as possibilidades de se contar hist\u00f3rias e, com isso, esvazia-se de sentido esta concep\u00e7\u00e3o de progresso.<\/p>\n<p>Come\u00e7a a surgir uma nova percep\u00e7\u00e3o espacial que modifica, tamb\u00e9m, o conceito de Geografia, agora n\u00e3o mais baseada apenas no espa\u00e7o mas sim, vinculada ao espa\u00e7o-tempo. Como diz Paul Virilio, &#8220;a geografia do dia da velocidade e n\u00e3o mais a geogr\u00e1fica do dia meteorol\u00f3gico.&#8221; Para ele, j\u00e1 agora, &#8220;quando voc\u00ea volta a Paris de Los Angeles ou de Nova Iorque, em certas \u00e9pocas voc\u00ea pode ver, atrav\u00e9s da janela, passando sobre o p\u00f3lo, o sol poente e o sol nascente. Voc\u00ea tem o amanhecer e o anoitecer numa \u00fanica janela. Estas imagens estereosc\u00f3picas mostram bem o al\u00e9m da cidade geogr\u00e1fica e o advento da concentra\u00e7\u00e3o humana no tempo da viagem. Esta cidade do al\u00e9m, \u00e9 a Cidade do Tempo Morto&#8221;(VIRILIO, 1984, p. 17).<\/p>\n<p>Estas transforma\u00e7\u00f5es aceleradas est\u00e3o intrinsecamente vinculadas a este mundo de comunica\u00e7\u00e3o generalizada. Mas, o que, efetivamente, significa esse mundo, com esta presen\u00e7a marcante dos meios eletr\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o? Para Vattimo, isto significa a emancipa\u00e7\u00e3o. Uma emancipa\u00e7\u00e3o que tem a ver com a possibilidade de desenraizamento, com a possibilidade de liberta\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as e de multiplicidade de racionalidades &#8216;locais&#8217;. Com isso, vive-se a possibilidade de uma conviv\u00eancia (muitas vezes n\u00e3o pac\u00edfica!) entre culturas diferentes, localizadas em lugares distantes. Um novo lugar, agora n\u00e3o mais f\u00edsico, n\u00e3o mais geogr\u00e1fico, assume o papel de lugar p\u00fablico. Este novo lugar \u00e9 a tela da televis\u00e3o e\/ou o espa\u00e7o virtual das redes telem\u00e1ticas de computadores. Para Vir\u00edlio, \u00e9 a &#8220;imagem televisiva do jornal das oito (que) est\u00e1 se transformando num espa\u00e7o p\u00fablico. (Antes), o espa\u00e7o p\u00fablico era a pra\u00e7a, era a esquina onde os homens se encontravam para dialogar, para se manifestar publicamente, para lutar ou para festejar. Hoje em dia, \u00e9 vis\u00edvel que o cruzamento, o espa\u00e7o em que os homens se encontram \u00e9 o jornal das oito. Alguns anos atr\u00e1s, em Paris, os atentados terroristas eram programados de modo a serem noticiados no jornal das oito. V\u00ea-se tamb\u00e9m nesse caso, efetivamente, que h\u00e1 uma ruptura, a arquitetura antiga constru\u00eda espa\u00e7os p\u00fablicos, pra\u00e7as, jardins, parques e vias de acesso, avenidas etc. Hoje em dia, \u00e9 a imagem que se torna p\u00fablica. No caso da televis\u00e3o, h\u00e1 unidade de tempo, no jornal das oito, mas n\u00e3o h\u00e1 unidade de lugar. Estamos pois, juntos diante de uma imagem p\u00fablica, que substitui a pra\u00e7a p\u00fablica, mas separados, cada qual em sua casa (VIRILIO, 1989, p.134 &#8211; grifo meu).<\/p>\n<p>Estas transforma\u00e7\u00f5es vivenciadas pela humanidade neste final de mil\u00eanio est\u00e3o intimamente vinculadas, como j\u00e1 dito, com o desenvolvimento das novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o que, mais recentemente, ganham incremento a partir do movimento de aproxima\u00e7\u00e3o entre as diversas ind\u00fastrias (de equipamentos, eletr\u00f4nica, inform\u00e1tica, telefone, cabos, sat\u00e9lites, entretenimento e comunica\u00e7\u00e3o). Este movimento, que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o objetiva para o aperfei\u00e7oamento destas tecnologias, faz com que, potencialmente, aumentem as possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas. No entanto, como em todo momento de transi\u00e7\u00e3o, ainda convivem, neste mesmo tempo, valores deste mundo em transforma\u00e7\u00e3o com os valores antigos, vinculados aos velhos paradigmas da sociedade moderna. A concentra\u00e7\u00e3o do capital \u00e9 um destes elementos da modernidade presente no momento atual. Esta concentra\u00e7\u00e3o, que se d\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de imp\u00e9rios de comunica\u00e7\u00e3o, gera uma centraliza\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o das imagens, das not\u00edcias e da informa\u00e7\u00e3o. Para o jornalista Washington Novaes, no Brasil, na verdade, temos mais que a propriedade dos meios, temos a propriedade da informa\u00e7\u00e3o (NOVAES, 1988, p. 95). Em fun\u00e7\u00e3o disso, a democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, objetivo perseguido por todos os povos desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, \u00e9 ainda algo a ser conquistado por muitos.<\/p>\n<p>As diversas ind\u00fastrias do setor, da eletr\u00f4nica \u00e0 cultural, passando pela poderosa ind\u00fastria da comunica\u00e7\u00e3o, v\u00e3o associando-se, constituindo-se em grandes conglomerados de atividades complementares. A velocidade deste desenvolvimento exige uma reflex\u00e3o e um conhecimento sobre as caracter\u00edsticas dos novos produtos que est\u00e3o sendo colocados no mercado, sobre os seus poss\u00edveis usos, em todas as \u00e1reas, inclusive na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta articula\u00e7\u00e3o das diversas ind\u00fastrias est\u00e1 intimamente vinculada \u00e0 articula\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios produtos. Produtos como telefones, v\u00eddeos, televis\u00e3o, videogames, computadores, antes produzidos para um uso individual e isolado e, agora, sendo produzidos de forma integrada, j\u00e1 sugerindo, intrinsecamente, o seu uso integrado. Dos v\u00e1rios medias, das multi medias passamos \u00e0 multimedia, como sugere a publica\u00e7\u00e3o inglesa Screen Digest. Mas, estes novos produtos n\u00e3o s\u00e3o apenas novos produtos. S\u00e3o muito mais. Eles constituem- se, na verdade, em um novo conceito. &#8220;Agora, multimedia come\u00e7a a significar um conceito convergente espec\u00edfico, que engloba todo o espectro audiovisual&#8221; (SCREEN DIGEST, 1992, 239).<\/p>\n<p>Este conjunto de transforma\u00e7\u00f5es vai introduzindo novos valores na humanidade com as redes planearias de comunica\u00e7\u00e3o, ganhando especial destaque a INTERNET, a n\u00edvel internacional, e a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Redes Planearias de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O desenvolvimento tecnol\u00f3gico, hoje fruto da associa\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias antes concorrentes, tem se dado de forma bastante acelerada, com o aperfei\u00e7oamento das m\u00e1quinas que possibilitam a comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas. S\u00e3o os computadores, telefones, fax, televis\u00f5es, agora interativas, que, numa velocidade quase que alucinante, v\u00e3o introduzindo novos h\u00e1bitos e valores no cotidiano da sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Os computadores passam a fazer parte do cotidiano das pessoas e Institui\u00e7\u00f5es, constituindo-se n\u00e3o s\u00f3 como uma importante, muitas vezes indispens\u00e1vel, ferramenta de trabalho mas, cada dia mais, como portador, ele mesmo, de uma nova maneira de pensar e de trabalhar, inclu\u00edndo a\u00ed o ato de pesquisar e de educar.<\/p>\n<p>Com o tempo, foi-se observando a sua incorpora\u00e7\u00e3o nas atividades cotidianas dos Centros de Pesquisas, Universidades, ind\u00fastrias, exigindo cada vez mais o estabelecimento de uma comunica\u00e7\u00e3o entre estes equipamentos. Come\u00e7ou-se, ent\u00e3o, a viabilizar-se a articula\u00e7\u00e3o entre estes diversos computadores de tal forma que fosse poss\u00edvel a conversa entre eles de forma transparente. Com isso, nasceu uma grande rede de computadores que possibilitou a comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas localizadas em diferentes partes do mundo. A Internet surge para possibilitar a conex\u00e3o entre estas diversas m\u00e1quinas e, com isso, permitir a troca de arquivos, a discuss\u00e3o dos resultados de pesquisa, o acesso a informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis nos bancos de dados internacionais, espalhados por diversas Institui\u00e7\u00f5es no mundo todo. A Internet constitui-se, na verdade, numa meta-rede, uma vez que a sua fun\u00e7\u00e3o foi a de interligar todas as outras redes existentes no mundo como a Bitnet, Eunet, Janet, de tal forma que os diversos computadores pudessem falar entre si, mesmo utilizando sistemas operacionais diversos.<\/p>\n<p>O nascimento da Internet se d\u00e1 em 1969 quando o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, atrav\u00e9s de pesquisas conduzidas pela ARPA (Advanced Research Project Agency), desenvolve um projeto para interconectar uma rede de quatro n\u00f3s (da\u00ed seu nome, de InterNetwork), com um sistema seguro de conex\u00e3o e, principalmente, sem um centro f\u00edsico, definido. O modelo, surgido em plena guerra fria, transformou-se no ponto principal que incentivou o crescimento espantoso da rede. A partir de ent\u00e3o, Internet assumiu a lideran\u00e7a destas redes, permitindo uma inter-conex\u00e3o de forma transparente entre os diversos computadores (hosts) espalhados pelo mundo. Hoje, in\u00fameros projetos s\u00e3o desenvolvidos coletivamente com pessoas distantes milhares de quil\u00f4metros, enviando-se mensagens atrav\u00e9s de computadores dos Centros de Pesquisas e Universidades, assim como diretamente das suas casas, bastando possuir um programa de comunica\u00e7\u00e3o de dados, linha telef\u00f4nica e modem. O correio eletr\u00f4nico permite estabelecer contato com pessoas em diversas partes do mundo. A id\u00e9ia de se construir um espa\u00e7o virtual, onde as pessoas pudessem encontrar-se sem estar presentes foi antecipada em 1984 pelo escritor americano William Gibson no seu romance Neuromante, onde ele concebeu o chamado Cyberspace (GIBSON, 1991).<\/p>\n<p>Pesquisa do pr\u00f3prio sistema, indica que somente no \u00faltimo ano, o n\u00famero de hosts interligados \u00e0 rede passou de 1.776.000 (jul.93) para 3.212.000 (jul.94), registrando um crescimento de 81%. Destes, 16.610 hosts est\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e, 5.896 no Brasil, correspondendo 0,18% de toda a rede Internet. Atualmente 137 pa\u00edses est\u00e3o interligados) \u00e0 rede e, durante os primeiros noves meses de 1993 foram publicados em jornais e revistas, mais de 2.300 artigos sobre o assunto.<\/p>\n<p>\u00c9 nos Estados Unidos, onde a Internet nasceu, que encontramos o maior n\u00famero de usu\u00e1rios, distribu\u00eddos entre Institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, educacionais, governamentais, militares, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) e comerciais. A entrada na rede de institui\u00e7\u00f5es com fins comerciais est\u00e1 mudando um pouco o perfil da pr\u00f3pria Internet . Fora as quest\u00f5es pol\u00eamicas como a discuss\u00e3o em torno da publicidade na rede, muito tem se discutido sobre a pr\u00f3pria mudan\u00e7a de filosofia da Internet. Dados publicados pela RNP indicavam que, de 1991 a 1993, houve um crescimento muito grande da presen\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es comerciais e educacionais, &#8220;embora as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa ainda continuem na lideran\u00e7a em n\u00famero de redes.&#8221;<\/p>\n<p>Tabela 1<\/p>\n<p>Um dos usos mais freq\u00fcentes s\u00e3o as chamadas listas de discuss\u00f5es tem\u00e1ticas. Existem hoje, cerca de 5 mil destas listas que possibilitam um aprofundamento de assuntos como a p\u00f3s- modernidade, guerra do Golfo, novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o, futebol, homossexualismo, games, entre outros temas, contemplando, com isso, praticamente todas as \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<p>Muitos problemas ainda existem para uma plena utiliza\u00e7\u00e3o desta rede. Um dos aspectos que se busca aperfei\u00e7oar \u00e9 a possibilidade de transfer\u00eancia de imagens via Internet e, com isso a viabiliza\u00e7\u00e3o de um maior uso da multimedia. Al\u00e9m das dificuldades de compatibilidades entre os sistemas em uso, existe o problema da velocidade de transmiss\u00e3o dos dados para estas transfer\u00eancias. Com a infra-estrutura atual, utilizando-se as conex\u00f5es normais, que permitem uma velocidade de transfer\u00eancia m\u00e9dia de 56 Kb\/seg, um filme de 30 minutos levaria 21 horas para ser transferido. Num outro tipo de liga\u00e7\u00e3o, chamado T3 (45 Mb\/seg), que j\u00e1 \u00e9 dispon\u00edvel mas n\u00e3o muito difundido, os mesmos 30 minutos seriam transferidos em 96 segundos. Com a interliga\u00e7\u00e3o por cabos de fibra \u00f3tica (1 Gigabyte\/seg) esta transfer\u00eancia levar\u00e1 apenas 4,3 segundos (VIRTUAL, 1993).<\/p>\n<p>O Brasil caiu na Rede<\/p>\n<p>A presen\u00e7a destas redes no Brasil leva-nos a apenas 6 anos atr\u00e1s, mais precisamente a 1988, quando a FAPESP, em S\u00e3o Paulo, LNCC e UFRJ, no Rio de Janeiro, come\u00e7am a interligarem-se diretamente com os Estados Unidos e a participarem conseq\u00fcentemente das redes Bitnet e Hipnet. Como aconteceu em todo o mundo, rapidamente as principais institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa associaram-se a estas pioneiras Institui\u00e7\u00f5es e passaram a integrar as grandes redes internacionais.<\/p>\n<p>Ainda em 1988, &#8220;o CNPq deflagrou um estudo que objetivava organizar as redes de \u00e2mbito nacional, garantindo o crescimento ordenado desses embri\u00f5es em cada Estado&#8221; e, em 1990, foi lan\u00e7ado o projeto da REDE NACIONAL DE PESQUISA (RNP), da Secretaria de Ci\u00eancia e Tecnologia, executado pelo CNPq.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, a RNP consolidou-se nos principais estados brasileiros, numa articula\u00e7\u00e3o que envolveu, em quase todo o Brasil, as Universidades, Centros de Pesquisas, Governos Estaduais e Municipais e que, hoje, aproxima-se tamb\u00e9m da iniciativa privada. Em fevereiro de 1993, a espinha dorsal da Rede Nacional de Pesquisa no Brasil j\u00e1 interligava praticamente todo o Brasil, conforme o esquema a seguir.<\/p>\n<p>Figura 1<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui, este crescimento se deu de forma vertiginosa. Segundo dados do pr\u00f3prio sistema Internet , de julho de 1991 (quando apenas 111 hosts principais estavam interligados) at\u00e9 os dias de hoje (jul.94), a RNP teve um incremento de mais de 5.000%, contando hoje com uma rede de 11.455 hosts interligados cobrindo praticamente todo o territ\u00f3rio nacional. Isto corresponde a apenas 0,18% da Internet como um todo mas, em termos regionais, o Brasil \u00e9 respons\u00e1vel por 35,47% da rede no total da Am\u00e9rica Latina e 51,47% no total da Am\u00e9rica Latina somada \u00e0 Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que ampliam-se as conex\u00f5es f\u00edsicas para que, de qualquer parte do planeta se possa estar ligado aos bancos de dados, computadores remotos, pessoas e Institui\u00e7\u00f5es que desenvolvem pesquisas nas mesmas \u00e1reas, alguns aspectos legais come\u00e7am a ser discutidos, visando facilitar o acesso \u00e0 rede, em especial para projetos ligados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Visando ampliar esta possibilidade, foi assinado em 8\/12\/93 o Decreto 1.005\/93, que permitiu a aplica\u00e7\u00e3o de uma tarifa especial, equivalente a dez por cento da tarifa comercial, para as comunica\u00e7\u00f5es integradas ao projeto Televias para a Educa\u00e7\u00e3o. Este projeto, ainda em elabora\u00e7\u00e3o, envolve os Minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o, a Embratel, Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), a Uni\u00e3o Nacional de Dirigentes Municipais de Educa\u00e7\u00e3o (UNDIME) e o F\u00f3rum de Secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Televias para a Educa\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o mas j\u00e1 se prenuncia a possibilidade de um maior uso desta rede nas atividades educacionais das escolas brasileiras, em todos os n\u00edveis<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado em Revista Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade n\u00famero 51. S\u00e3o Paulo: CEDES e Papirus, ano XVI, ago.95, pp. 312-323. Nelson De Luca Pretto .. .. Alucina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es O mundo contempor\u00e2neo, \u00e0s v\u00e9speras de entrar no novo mil\u00eanio, sofre transforma\u00e7\u00f5es estruturais significativas. O processo hist\u00f3rico do desenvolvimento da ci\u00eancia e da tecnologia universalizou o homem moderno, criando condi\u00e7\u00f5es objetivas para que ele seja, ao mesmo tempo, universal e tribal (n\u00e3o-local e local). Segundo o fil\u00f3sofo italiano Gianni Vattimo, &#8220;vivemos o mundo da comunica\u00e7\u00e3o generalizada, da sociedade do mass media, com uma multiplica\u00e7\u00e3o de valores locais&#8221;. Com isto, perde sentido a exist\u00eancia de uma hist\u00f3ria unit\u00e1ria, com um sentido privilegiado. Ainda de acordo com Vattimo, o fim da concep\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria de Hist\u00f3ria, da hist\u00f3ria com um sentido privilegiado, esta ligado a impossibilidade de se ver o passado com um \u00fanico conjunto de imagens. Para ele &#8220;existem imagens do passado propostas de pontos de vistas diversos&#8221; e &#8220;\u00e9 ilus\u00f3rio pensar que exista um ponto de vista supremo, globalizante, capaz de unificar todos os outros (como seria A Hist\u00f3ria, que engloba a Hist\u00f3ria da Arte, da Literatura, da Guerra, da sexualidade etc.)&#8221; (VATTIMO, s\/d, p.11). Para ele, esta concep\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria de hist\u00f3ria induzia, como consequ\u00eancia, a id\u00e9ia de progresso. Id\u00e9ia de que o futuro nos chega sempre como um processo evolutivo linear, como uma melhora daquilo que foi o passado. Com a presen\u00e7a generalizada dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a conseq\u00fcente possibilidade de uma multiplica\u00e7\u00e3o de valores locais, multiplicam-se as possibilidades de se contar hist\u00f3rias e, com isso, esvazia-se de sentido esta concep\u00e7\u00e3o de progresso. Come\u00e7a a surgir uma nova percep\u00e7\u00e3o espacial que modifica, tamb\u00e9m, o conceito de Geografia, agora n\u00e3o mais baseada apenas no espa\u00e7o mas sim, vinculada ao espa\u00e7o-tempo. Como diz Paul Virilio, &#8220;a geografia do dia da velocidade e n\u00e3o mais a geogr\u00e1fica do dia meteorol\u00f3gico.&#8221; Para ele, j\u00e1 agora, &#8220;quando voc\u00ea volta a Paris de Los Angeles ou de Nova Iorque, em certas \u00e9pocas voc\u00ea pode ver, atrav\u00e9s da janela, passando sobre o p\u00f3lo, o sol poente e o sol nascente. Voc\u00ea tem o amanhecer e o anoitecer numa \u00fanica janela. Estas imagens estereosc\u00f3picas mostram bem o al\u00e9m da cidade geogr\u00e1fica e o advento da concentra\u00e7\u00e3o humana no tempo da viagem. Esta cidade do al\u00e9m, \u00e9 a Cidade do Tempo Morto&#8221;(VIRILIO, 1984, p. 17). Estas transforma\u00e7\u00f5es aceleradas est\u00e3o intrinsecamente vinculadas a este mundo de comunica\u00e7\u00e3o generalizada. Mas, o que, efetivamente, significa esse mundo, com esta presen\u00e7a marcante dos meios eletr\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o? Para Vattimo, isto significa a emancipa\u00e7\u00e3o. Uma emancipa\u00e7\u00e3o que tem a ver com a possibilidade de desenraizamento, com a possibilidade de liberta\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as e de multiplicidade de racionalidades &#8216;locais&#8217;. Com isso, vive-se a possibilidade de uma conviv\u00eancia (muitas vezes n\u00e3o pac\u00edfica!) entre culturas diferentes, localizadas em lugares distantes. Um novo lugar, agora n\u00e3o mais f\u00edsico, n\u00e3o mais geogr\u00e1fico, assume o papel de lugar p\u00fablico. Este novo lugar \u00e9 a tela da televis\u00e3o e\/ou o espa\u00e7o virtual das redes telem\u00e1ticas de computadores. Para Vir\u00edlio, \u00e9 a &#8220;imagem televisiva do jornal das oito (que) est\u00e1 se transformando num espa\u00e7o p\u00fablico. (Antes), o espa\u00e7o p\u00fablico era a pra\u00e7a, era a esquina onde os homens se encontravam para dialogar, para se manifestar publicamente, para lutar ou para festejar. Hoje em dia, \u00e9 vis\u00edvel que o cruzamento, o espa\u00e7o em que os homens se encontram \u00e9 o jornal das oito. Alguns anos atr\u00e1s, em Paris, os atentados terroristas eram programados de modo a serem noticiados no jornal das oito. V\u00ea-se tamb\u00e9m nesse caso, efetivamente, que h\u00e1 uma ruptura, a arquitetura antiga constru\u00eda espa\u00e7os p\u00fablicos, pra\u00e7as, jardins, parques e vias de acesso, avenidas etc. Hoje em dia, \u00e9 a imagem que se torna p\u00fablica. No caso da televis\u00e3o, h\u00e1 unidade de tempo, no jornal das oito, mas n\u00e3o h\u00e1 unidade de lugar. Estamos pois, juntos diante de uma imagem p\u00fablica, que substitui a pra\u00e7a p\u00fablica, mas separados, cada qual em sua casa (VIRILIO, 1989, p.134 &#8211; grifo meu). Estas transforma\u00e7\u00f5es vivenciadas pela humanidade neste final de mil\u00eanio est\u00e3o intimamente vinculadas, como j\u00e1 dito, com o desenvolvimento das novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o que, mais recentemente, ganham incremento a partir do movimento de aproxima\u00e7\u00e3o entre as diversas ind\u00fastrias (de equipamentos, eletr\u00f4nica, inform\u00e1tica, telefone, cabos, sat\u00e9lites, entretenimento e comunica\u00e7\u00e3o). Este movimento, que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o objetiva para o aperfei\u00e7oamento destas tecnologias, faz com que, potencialmente, aumentem as possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas. No entanto, como em todo momento de transi\u00e7\u00e3o, ainda convivem, neste mesmo tempo, valores deste mundo em transforma\u00e7\u00e3o com os valores antigos, vinculados aos velhos paradigmas da sociedade moderna. A concentra\u00e7\u00e3o do capital \u00e9 um destes elementos da modernidade presente no momento atual. Esta concentra\u00e7\u00e3o, que se d\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de imp\u00e9rios de comunica\u00e7\u00e3o, gera uma centraliza\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o das imagens, das not\u00edcias e da informa\u00e7\u00e3o. Para o jornalista Washington Novaes, no Brasil, na verdade, temos mais que a propriedade dos meios, temos a propriedade da informa\u00e7\u00e3o (NOVAES, 1988, p. 95). Em fun\u00e7\u00e3o disso, a democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, objetivo perseguido por todos os povos desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, \u00e9 ainda algo a ser conquistado por muitos. As diversas ind\u00fastrias do setor, da eletr\u00f4nica \u00e0 cultural, passando pela poderosa ind\u00fastria da comunica\u00e7\u00e3o, v\u00e3o associando-se, constituindo-se em grandes conglomerados de atividades complementares. A velocidade deste desenvolvimento exige uma reflex\u00e3o e um conhecimento sobre as caracter\u00edsticas dos novos produtos que est\u00e3o sendo colocados no mercado, sobre os seus poss\u00edveis usos, em todas as \u00e1reas, inclusive na educa\u00e7\u00e3o. Esta articula\u00e7\u00e3o das diversas ind\u00fastrias est\u00e1 intimamente vinculada \u00e0 articula\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios produtos. Produtos como telefones, v\u00eddeos, televis\u00e3o, videogames, computadores, antes produzidos para um uso individual e isolado e, agora, sendo produzidos de forma integrada, j\u00e1 sugerindo, intrinsecamente, o seu uso integrado. Dos v\u00e1rios medias, das multi medias passamos \u00e0 multimedia, como sugere a publica\u00e7\u00e3o inglesa Screen Digest. Mas, estes novos produtos n\u00e3o s\u00e3o apenas novos produtos. S\u00e3o muito mais. Eles constituem- se, na verdade, em um novo conceito. &#8220;Agora, multimedia come\u00e7a a significar um conceito convergente espec\u00edfico, que engloba todo o espectro<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":268,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-2col-left.php","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-430","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/430\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}