{"id":424,"date":"2010-03-08T17:49:57","date_gmt":"2010-03-08T20:49:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=424"},"modified":"2010-03-08T17:49:57","modified_gmt":"2010-03-08T20:49:57","slug":"bibliotecas-digitais-e-internet-em-busca-da-producao-coletiva-de-conhecimento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos_academicos\/bibliotecas-digitais-e-internet-em-busca-da-producao-coletiva-de-conhecimento\/","title":{"rendered":"Bibliotecas digitais e Internet: em busca da produ\u00e7\u00e3o coletiva de conhecimento"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000\">Artigo publicado na <\/span><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"color: #ff0000\">Re<\/span>vista An\u00e1lise &amp; Dados, Salvador\/Bahia: SEI v. ago.99 <\/span><\/p>\n<p><a href=\"mailto:cserra@e-net.com.br\">Cristiana Serra<\/a> *<\/p>\n<p><a href=\"mailto:pretto@ufba.br\">Nelson (De Luca) Pretto<\/a> **<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>&#8230; come\u00e7a aqui meu                     desespero de escritor.(&#8230;); como transmitir                     aos outros o infinito Aleph, que minha                     t\u00edmida mem\u00f3ria mal e mal abarca? Os                     m\u00edsticos, em transe semelhante, gastam os                     s\u00edmbolos: para significar a divindade, um                     persa fala de um p\u00e1ssaro que, de algum modo,                     \u00e9 todos os p\u00e1ssaros; Alanus de Insulis fala                     de uma esfera cujo centro est\u00e1 em todas as                     partes e a circunfer\u00eancia em nenhuma;                     Ezequiel fala de um anjo de quatro asas que,                     ao mesmo tempo, se dirige ao Oriente e ao                     Ocidente, ao Norte e ao Sul. (N\u00e3o \u00e9 em v\u00e3o                     que rememoro essas inconceb\u00edveis analogias;                     alguma rela\u00e7\u00e3o elas t\u00eam com o Aleph.)<\/p>\n<p>Jorge Luis                     Borges, O Aleph<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Talvez nos dias de hoje Borges n\u00e3o tivesse tanta dificuldade em encontrar uma met\u00e1fora para descrever o Aleph. Todas as analogias sugeridas pelo escritor argentino nos remetem \u00e0 configura\u00e7\u00e3o do ciberespa\u00e7o, esse grande hiperm\u00eddia planet\u00e1rio onde n\u00e3o existe gest\u00e3o centralizada. Um espa\u00e7o ca\u00f3tico, polidirecional e auto-organizante. Uma esp\u00e9cie de raiz sem centro ou, quem sabe, de muitos centros, que se expande para todos os lados de forma complexa. Cada ponto da rede nos conecta a outros pontos que, por sua vez, tamb\u00e9m nos conectam indefinidamente a outros tantos. Navegar n\u00e3o \u00e9 mais escolher um plano, program\u00e1-lo e simplesmente execut\u00e1-lo. O ato de navegar \u00e9, em si mesmo, um ato impreciso. De m\u00faltiplas conex\u00f5es e possibilidades.<\/p>\n<p>Fala-se em milh\u00f5es de p\u00e1ginas na Internet. At\u00e9 mesmo este n\u00famero \u00e9 dif\u00edcil de precisar, em fun\u00e7\u00e3o da velocidade com que se pode colocar um conjunto de informa\u00e7\u00f5es na rede, publicando-as imediatamente em diversos s\u00edtios p\u00fablicos, gratuitamente. Nem mais conhecimento da linguagem denominada HTML (HyperText Markup Language) \u00e9 necess\u00e1rio. Um s\u00edtio de muitas p\u00e1ginas pode ser constru\u00eddo quase que simplesmente como se estiv\u00e9ssemos escrevendo um artigo num computador, usando um processador de textos qualquer.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Os s\u00edtios que abrigam                     p\u00e1ginas gratuitas proliferaram na rede nos                     \u00faltimos anos. S\u00e3o servi\u00e7os                     disponibilizados para aqueles usu\u00e1rios que                     j\u00e1 t\u00eam acesso \u00e0 rede atrav\u00e9s de algum                     computador e que desejam publicar suas                     p\u00e1ginas sem sofrer nenhum tipo de controle                     do dono do provedor, seja ele p\u00fablico ou                     privado. O pioneiro foi o Geocities                     &lt;http:\/\/www.geocities.com&gt; e hoje j\u00e1                     encontramos tantos outros como o Yahoo                     &lt;http:\/\/www.yahoo.com&gt;, Excite                     &lt;http:\/\/www.excite.com&gt;, TerraAvista                     &lt;http:\/\/www.terravista.pt&gt;, Cad\u00ea                     &lt;http:\/\/www.cade.com.br&gt;, ZipMail                     &lt;http:\/\/www.zipmail.com.br &gt;<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Mas, enfim, qual o n\u00famero de p\u00e1ginas na rede? Chegar a este dado pode ser uma simples curiosidade, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante para provedores, usu\u00e1rios e pesquisadores que tenham o objetivo de entender um pouco mais o comportamento da Web. Mas a tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A organiza\u00e7\u00e3o W3C &lt;http:\/\/www.w3.org&gt; desenvolve pesquisas, analisando o comportamento da parte gr\u00e1fica da Internet, conhecida como World Wide Web ou simplesmente Web ou W3. Uma de suas pesquisas foi justamente verificar o crescimento do n\u00famero de usu\u00e1rios da rede. Durante a primavera de 1998, dois grupos, Research Institute (NEC) e Systems Research Center (DEC) trabalharam nessa pesquisa e empregaram a mesma base t\u00e9cnica, mas chegaram a diferentes n\u00fameros. Segundo a NEC, existem na rede 320 milh\u00f5es de p\u00e1ginas, enquanto que, de acordo com a DEC, este n\u00famero \u00e9 de 275 milh\u00f5es.<sup>(1)<\/sup><\/p>\n<p>A diferen\u00e7a encontrada \u00e9 significativa e demonstra claramente a complexidade de an\u00e1lise do comportamento da Web. Para n\u00f3s, no entanto, mais significativa \u00e9 a an\u00e1lise da diversidade da WEB. Este mesmo grupo, pesquisando &#8220;onde nos levam os cliques na Internet,&#8221; chegou a uma conclus\u00e3o que &#8220;pode surpreender voc\u00ea&#8221;, como eles mesmos ressaltaram em seu relat\u00f3rio: &#8220;50% dos cliques levam apenas 1% de s\u00edtios visitados e 80% dos cliques levam a apenas 26% dos s\u00edtios&#8221;.<sup>(2)<\/sup><\/p>\n<p>O gr\u00e1fico a seguir, extra\u00eddo desse documento, apresenta o comportamento dos cumulativos &#8220;cliques&#8221; e o n\u00famero de s\u00edtios encontrados nessa pesquisa, possibilitando uma melhor visualiza\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www2.ufba.br\/%7Epretto\/textos\/grafico1.gif\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"474\" height=\"263\" align=\"left\" \/><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.w3.org\/TR\/NOTE-WCA<\/p>\n<p>Mais do que surpreendente, tal resultado \u00e9 preocupante. Preocupante porque a Internet tende a se tornar o maior reposit\u00f3rio do conhecimento humano, embora ainda mantendo o mesmo estilo de concentra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento e na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es dos chamados tradicionais meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa. N\u00e3o chegamos a afirmar que temos o mesmo sistema de broadcasting, de distribui\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es via meios centralizados, como vemos no caso dos sistemas de televis\u00e3o. No entanto, nos parece um importante indicador para que possamos pensar na pouca diversidade de s\u00edtios sendo localizados por estas buscas, indicando-nos, consequentemente, a necessidade de um repensar a sistem\u00e1tica de produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de s\u00edtios que expressem as diferentes culturas e valores locais.<\/p>\n<p>Mesmo assim, achamos na rede informa\u00e7\u00f5es sobre um universo muito amplo de temas e assuntos. Encontramos, embora talvez n\u00e3o sendo os mais procurados e divulgados, desde s\u00edtios sobre massas de ar na \u00c1sia meridional \u00e0 teologia na Idade M\u00e9dia, de paleontologia \u00e0 poesia concreta, da arte indiana \u00e0s teorias anarquistas. Fica claro que esse crescimento vertiginoso de p\u00e1ginas e usu\u00e1rios gera ansiedade e nos leva a perguntar se n\u00e3o estar\u00edamos nos afogando nesse oceano informacional. Ao mesmo tempo que nos leva a pensar sobre a pretens\u00e3o iluminista de abarcar todos os saberes da humanidade na busca de grandes s\u00ednteses, pensamos tamb\u00e9m, como Pierry L\u00e8vy, que &#8220;a emerg\u00eancia do ciberespa\u00e7o n\u00e3o significa em absoluto que \u2018tudo\u2019 esteja enfim acess\u00edvel, mas que tudo est\u00e1 definitivamente fora de alcance.&#8221; (L\u00e8vy, 1999).<\/p>\n<p>A Internet est\u00e1 muito longe da id\u00e9ia de enciclop\u00e9dia imaginada por Diderot e D\u2019Alembert. Poder\u00edamos at\u00e9 pens\u00e1-la como uma &#8220;enciclop\u00e9dia aberta&#8221;, apesar do evidente paradoxo a\u00ed presente. O car\u00e1ter de abertura e n\u00e3o-totaliza\u00e7\u00e3o contradiz a etimologia desse termo, que surge do desejo de exaurir todo o conhecimento do mundo, encerrando-o em um c\u00edrculo, em um mesmo espa\u00e7o f\u00edsico.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Bilbioteca = [Do                     gr. biblioth\u00e9ke, pelo lat. bibliotheca.] S.                     f. 1. Cole\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou privada de livros                     e documentos cong\u00eaneres, organizada para                     estudo, leitura e consulta. 2. Edif\u00edcio ou                     recinto onde se instala essa cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Novo Dicion\u00e1rio                     da L\u00edngua Portuguesa Aur\u00e9lio                     Buarque de Holanda Ferreira<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Exatamente por conta desse universo de informa\u00e7\u00f5es que se amplia e se transforma a cada dia \u00e9 que L\u00e8vy questiona: &#8220;O que salvar do dil\u00favio? O que colocaremos na arca?&#8221;. Imaginar que pud\u00e9ssemos construir uma arca que contivesse o &#8220;essencial&#8221;, segundo esse autor, seria justamente ceder \u00e0 ilus\u00e3o de totalidade. Ele diz: &#8220;\u00e0 imagem da grande arca, devemos substituir a flotilha de pequenas arcas, botes ou sampanas, uma mir\u00edade de pequenas totalidades, diferentes, abertas e provis\u00f3rias, segregadas por filtragem ativa, perpetuamente retomadas pelos coletivos inteligentes que se cruzam, se chamam, se chocam ou se misturam nas grandes \u00e1guas do dil\u00favio informacional&#8221; (L\u00e8vy, 1999) Dil\u00favio, urge que reiteremos, ainda centrado nos grandes e poucos produtores.<\/p>\n<p>Buscar informa\u00e7\u00f5es espalhadas na rede era, at\u00e9 bem pouco tempo, um processo de tentativa e erro. Este processo de busca e acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es foi denominado de navega\u00e7\u00e3o. Navega\u00e7\u00e3o por mares de poucos horizontes, onde pode n\u00e3o haver ponto de partida nem porto de chegada definidos a priori. Cada usu\u00e1rio, cada navegante, segue seu pr\u00f3prio rumo e toma diversos atalhos. Mas optar por permanecer \u00e0 deriva n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Procura-se, ent\u00e3o, encontrar &#8211; e, na sua aus\u00eancia, criar &#8211; far\u00f3is, sinalizadores, mapas e b\u00fassolas, que possam servir de guia nesse oceano informacional. Como os velhos marinheiros, aventureiros que sa\u00edam em busca do desconhecido, com informa\u00e7\u00f5es imprecisas sobre a rota a ser percorrida e o desejo do novo presente. Ao navegarem, ao descobrirem, criavam e alimentavam os mapas. O in\u00edcio das navega\u00e7\u00f5es, do surfar na Internet, tamb\u00e9m era caracterizado pela absoluta imprecis\u00e3o. Isso sem falar na inicial falta de informa\u00e7\u00f5es em outra l\u00edngua que n\u00e3o o ingl\u00eas, uma vez que o que se via nos prim\u00f3rdios da Internet era, praticamente, s\u00edtios somente em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Desvendar, criar mapas, orientar as navega\u00e7\u00f5es, estas eram \u2013 e ainda s\u00e3o! \u2013 palavras-chave nos prim\u00f3rdios da Internet. Foram assim sendo desenvolvidos in\u00fameros instrumentos para auxiliar esse processo. O objetivo, como sempre, era o de sistematizar dados. O primeiro passo foi a cria\u00e7\u00e3o de ferramentas de busca autom\u00e1tica, como o Yahoo!, Cad\u00ea, Altavista, que cada vez mais se sofisticaram e passaram a dar origem a outros mecanismos para a localiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es na Web. Mecanismos que usam as pr\u00f3prias ferramentas de busca como sua base, numa esp\u00e9cie de metabusca. Nesta categoria temos o pioneiro no Brasil, Metaminer (mineiro mesmo, mas que segundo os seus autores deve ser lido como se fosse em ingl\u00eas!), o Start Point TM, 37.com, entre outros. Aqui, em um mesmo s\u00edtio, pode-se realizar a busca usando um conjunto de outros instrumentos de busca, simultaneamente.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Yahoo                     &lt;http:\/\/www.yahoo.com&gt;<\/p>\n<p>Cad\u00ea                     &lt;http:\/\/www.cade.com.br&gt;<\/p>\n<p>AltaVista                     &lt;http:\/\/www.altavista.com\/ &gt;<\/p>\n<p>Metminer                     &lt;http:\/\/miner.uol.com.br\/ &gt;<\/p>\n<p>Start Point                     &lt;http:\/\/www.stpt.com\/ &gt;<\/p>\n<p>37.com                     &lt;http:\/\/37.com&gt;<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Esses instrumentos de busca ajudam na descoberta dos s\u00edtios, mas tamb\u00e9m se constituem em elementos auxiliares para se perseguir o ideal de racionaliza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado dispon\u00edvel na rede. As chamadas bibliotecas virtuais s\u00e3o criadas, ent\u00e3o, como mais um passo na busca de facilitar essas navega\u00e7\u00f5es e podem ser identificadas como &#8220;a flotilha de pequenas arcas, botes ou sampanas&#8221; de que nos fala L\u00e8vy. A partir de agora, passamos a examinar e caracterizar com um pouco mais de detalhes, essa mir\u00edade de pequenas totalidades que come\u00e7am a surgir na superf\u00edcie n\u00e3o-totaliz\u00e1vel do ciberespa\u00e7o.<\/p>\n<p>Cibercopistas e ciberbibliotec\u00e1rios<\/p>\n<p>Duas tend\u00eancias v\u00e3o marcar o aparecimento das bibliotecas virtuais. De um lado, a inicial cataloga\u00e7\u00e3o do material existente nas bibliotecas, formando os bancos de dados que, em seguida, passam a ser disponibilizados na rede. De outro, o in\u00edcio da digitaliza\u00e7\u00e3o de livros e textos impressos j\u00e1 dispon\u00edveis nas bibliotecas tradicionais.<\/p>\n<p>O surgimento da imprensa, inventada por Gutemberg (1397-1468) no s\u00e9culo XV, a partir de v\u00e1rias outras descobertas t\u00e9cnicas que estavam sendo feitas nesta \u00e1rea, foi &#8220;estimulando e incentivando a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e cient\u00edfica, uma vez que aumentava a rapidez de impress\u00e3o e, consequentemente, de circula\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es&#8221; (Pretto, 1996, p. 55). Desde ent\u00e3o, a informa\u00e7\u00e3o passou a ser divulgada e, principalmente, produzida num ritmo exponencial que nos leva a imaginar que as bibliotecas tradicionais est\u00e3o \u00e0 beira do seu limite de satura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>&#8220;Estima-se que as                     maiores bibliotecas do mundo est\u00e3o                     duplicando de tamanho a cada 14 anos, a uma                     taxa de 14.000 por cento a cada s\u00e9culo. No                     in\u00edcio dos anos 1300, a Biblioteca da                     Sorbonne, em Paris, continha 1228 livros e                     era considerada a maior da Europa. Hoje,                     existem v\u00e1rias bibliotecas com um acervo bem                     superior a 8 milh\u00f5es de livros cada                     uma.&#8221; (Wurman, 1991, p. 222)<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Cada dia que passa as bibliotecas deixam de ser lugares quase sacros para o dep\u00f3sito de materiais preciosos e passam a incorporar novas m\u00eddias, ampliando de forma consider\u00e1vel seu acervo e acesso. A pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o espacial est\u00e1 sendo transformada. As bibliotecas v\u00eam-se tornando espa\u00e7os abertos, onde o(a) leitor(a) vive intimamente com os livros, discos, CDs, fitas, mapas, slides.<\/p>\n<p>Umberto Eco, em O Nome da Rosa \u2013 o livro e depois o filme \u2013 descreve com detalhes a biblioteca de uma abadia no s\u00e9culo XIII, onde os livros eram guardados a sete chaves. Os crimes temperam a descri\u00e7\u00e3o do ambiente. Malaquias, o bibliotec\u00e1rio, cuida do raro e valioso acervo. O velho cego, Jorge de Burgos, completa a cena. O monge Guilherme de Baskerville &#8211; no filme interpretado por Sean Connery \u2013 chega com o novi\u00e7o Adson von Melk \u2013 no filme, interpretado por Christian Slater \u2013 e encanta-se com o que v\u00ea. \u00c9 o acesso aos livros, o acesso ao saber, que estimula o novi\u00e7o a refletir sobre a hist\u00f3ria de sua ordem e sobre o destino dos livros:<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Eis, eu me disse, as         raz\u00f5es do sil\u00eancio e da escurid\u00e3o que circundam a         biblioteca, ela \u00e9 reserva de saber, mas pode manter esse         saber intacto somente se impedir que chegue a qualquer         um, at\u00e9 aos pr\u00f3prios monges. O saber n\u00e3o \u00e9 como a         moeda, que permanece fisicamente \u00edntegra mesmo atrav\u00e9s         das mais infames trocas: ele \u00e9 antes como um h\u00e1bito         bel\u00edssimo, que se consome atrav\u00e9s do uso e da         ostenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 assim de fato o pr\u00f3prio livro,         cujas p\u00e1ginas esfarelam-se, as tintas e os ouros se         tornam opacos, se muitas m\u00e3os o tocam? (Eco, 1983,         p.217)<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>P\u00e1ginas que trazem emo\u00e7\u00f5es, informa\u00e7\u00f5es, provoca\u00e7\u00f5es e, at\u00e9 mesmo, veneno, como no caso do romance de Umberto Eco. Preciosas p\u00e1ginas que estimulam o curioso pensamento de Adson. Para ele, a preserva\u00e7\u00e3o do saber estava condicionada \u00e0 sua n\u00e3o-dissemina\u00e7\u00e3o. E, hoje, com o recurso da digitaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 fica aumentada a possibilidade de circula\u00e7\u00e3o, como tende a desaparecer esse princ\u00edpio de raridade. C\u00f3pia e original se confundem. Inverte-se portanto, o racioc\u00ednio do novi\u00e7o: as obras s\u00e3o digitalizadas inicialmente por raz\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e, logo, passam a viabilizar a sua socializa\u00e7\u00e3o. No entanto, isso n\u00e3o se d\u00e1 de forma direta, linear e autom\u00e1tica. O movimento \u00e9 complexo aqui tamb\u00e9m e, inclusive, exige a presen\u00e7a de novos profissionais para trabalharem com este novo campo, encarregados agora da tarefa de transformar os &#8220;\u00e1tomos em bits&#8221; e armazenar o conhecimento produzido para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es: os cibercopistas.<\/p>\n<p>De um lado, as maiores bibliotecas do mundo est\u00e3o tendo seus acervos digitalizados, como \u00e9 o caso da Biblioteca do Congresso Americano, da Biblioteca Nacional da Fran\u00e7a e da Biblioteca do Vaticano.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Biblioteca do Congresso                     Americano                     &lt;http:\/\/www.lcweb.loc.gov\/homepage\/lchp.html&gt;<\/p>\n<p>Biblioteca Nacional da                     Fran\u00e7a &lt;http:\/\/www.bnf.fr&gt;<\/p>\n<p>Biblioteca do Vaticano                     &lt;http:\/\/www.vatican.va\/biblioteca_vatic\/index.html&gt;.<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Outras iniciativas locais v\u00e3o aumentando este espectro. No caso da Bahia, podemos constatar que boa parte das principais universidades p\u00fablicas baianas j\u00e1 est\u00e1 disponibilizando na Internet as refer\u00eancias de seu acervo bibliogr\u00e1fico tradicional.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>O processo de                     informatiza\u00e7\u00e3o do sistema de bibliotecas da                     Universidade Federal da Bahia demandou um                     trabalho coletivo, envolvendo a                     administra\u00e7\u00e3o central, a biblioteca central                     e todas as demais bibliotecas                     descentralizadas. O processo teve in\u00edcio em                     1995, ocorrendo paralelamente ao processo de                     informatiza\u00e7\u00e3o de toda a UFBA. Um dos                     primeiros e dif\u00edceis passos foi a                     defini\u00e7\u00e3o da plataforma que seria                     utilizada, evitando-se com isso a repeti\u00e7\u00e3o                     de alguns equ\u00edvocos j\u00e1 identificados em                     outras universidades do pa\u00eds.                     Simultaneamente come\u00e7aram a ocorrer a                     qualifica\u00e7\u00e3o de pessoal e o re-pensar de                     pr\u00e1ticas acad\u00eamicas e administrativas no                     campo das bibliotecas. O acervo come\u00e7ou a                     ser cadastrado na nova base de dados e j\u00e1                     pode ser acessado interna e externamente \u00e0                     UFBA, atrav\u00e9s da Biblioteca Central<\/p>\n<p>&lt;http:\/\/www.ufba.br\/instituicoes\/ufba\/orgaos\/biblioteca_central&gt;,                     com links para as demais unidades,                     &lt;http:\/\/www.bib.ufba.br\/scripts\/odwp090c.dll?proflist&gt;.<\/p>\n<p>Antes disso, o                     cat\u00e1logo da Universidade Estadual de                     Feira de Santana &lt;http:\/\/www.uefs.br&gt; j\u00e1 estava                     dispon\u00edvel para consulta em                     &lt;http:\/\/200.223.167.3\/scrpts\/odwp000b.dll?DBLIST=uefs_por&gt;e                     a Universidade do Estado da Bahia &lt;http:\/\/www.uneb.br&gt; tamb\u00e9m                     providencia a disponibiliza\u00e7\u00e3o do seu banco                     de dados bibliogr\u00e1ficos.<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>De outro lado, merecem destaque alguns projetos internacionais que avan\u00e7am na recupera\u00e7\u00e3o de livros hist\u00f3ricos, paralelamente \u00e0 grande discuss\u00e3o sobre o direito de autor (copyright). O Projeto Gutemberg \u00e9 um destes e, talvez, o mais importante, com milhares de livros cadastrados e digitalizados &lt;http:\/\/www.gutenberg.net&gt;. Tamb\u00e9m nesta linha h\u00e1 o Bibliofind &lt;www.bibliofind.com&gt;, que, segundo a jornalista Maria Erc\u00edlia, da Folha de S\u00e3o Paulo, &#8220;chega a dar vertigem, com seus nove milh\u00f5es de livros usados e raros&#8221;.<sup>(3)<\/sup><\/p>\n<p>Outros grandes bancos de dados come\u00e7am a surgir ampliando o conceito de biblioteca. Podemos destacar o caso dos dicion\u00e1rios, que tem como grande exemplo o Web of Online Dictionaries, com links para 800 dicion\u00e1rios, em 160 l\u00ednguas. Se ampliamos para outras m\u00eddias como filmes, CDs, v\u00eddeos, encontramos, por exemplo, o Internet Movie Database, o Humanities Media Center, Film and Video Library, entre uma infinidade de outros exemplos.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Web of Online                     Dictionaries &lt;http:\/\/www.facstaff.bucknell.edu\/rbeard\/diction.html&gt;<\/p>\n<p>Internet Movie                     Database &lt;http:\/\/www.imdb.com&gt;<\/p>\n<p>Humanities Media                     Center &lt;http:\/\/128.59.207.236:591\/video\/filsearch&gt;<\/p>\n<p>Film and Video                     Library &lt;http:\/\/www.lib.umich.edu\/libhome\/FVL.lib\/fvl.html&gt;<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>No entanto, esse conjunto de s\u00edtios at\u00e9 aqui mencionados ainda se constitui numa transposi\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 est\u00e1 impresso e dispon\u00edvel, publicado nos chamados meios tradicionais. Outro importante aspecto desta quest\u00e3o \u00e9 a grande quantidade de artigos e peri\u00f3dicos eletr\u00f4nicos j\u00e1 produzidos exclusivamente para a rede. Assim, a atividade tipicamente gutemberguiana de cataloga\u00e7\u00e3o, indexa\u00e7\u00e3o e compila\u00e7\u00e3o, estende seus dom\u00ednios e ganha novas possibilidades na Internet. Junto aos cibercopistas, teremos agora ciberbibliotec\u00e1rios.<\/p>\n<p>Bibliotecas?<\/p>\n<p>Assistimos, portanto, a uma sinfonia de v\u00e1rios movimentos, que vai ampliando de forma consider\u00e1vel a informa\u00e7\u00e3o disponibilizada no mundo todo. Como j\u00e1 dito anteriormente, o primeiro movimento foi \u2013 e ainda est\u00e1 sendo! \u2013 o de simplesmente transpor o mundo n\u00e3o-digital para rede. Criaram-se cursos on-line, que reproduzem escolas reais, construindo-se s\u00edtios onde encontramos portarias, secretarias, audit\u00f3rios, salas de aula e, claro, bibliotecas. Estas \u00faltimas, espa\u00e7os onde os livros est\u00e3o depositados. S\u00f3 que agora os espa\u00e7os s\u00e3o medidos em bytes e n\u00e3o em metros quadrados. E os livros n\u00e3o s\u00e3o mais as mat\u00e9rias e os \u00e1tomos, mas elementos de informa\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros 0 e 1, on ou off, que comp\u00f5em a unidade computacional bin\u00e1ria. O segundo movimento \u2013 adagio? &#8211; j\u00e1 em andamento, embora de modo um tanto incipiente, \u00e9 o da produ\u00e7\u00e3o de novos textos, hipertextos, hiperm\u00eddias, com uma l\u00f3gica diferenciada, ainda em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como uma esp\u00e9cie de submovimento, de intermezzo, surgiram as chamadas bibliotecas virtuais. Sem d\u00favida, um nome que precisa ser repensado neste novo contexto.<\/p>\n<p>O que entendemos por biblioteca virtual \u00e9 algo diferente do que costumamos definir como biblioteca desde a Antiguidade. Esse termo n\u00e3o \u00e9 o mais apropriado, mas terminou sendo adotado, quase que universalmente, como um nome fantasia para aquilo que entendemos ser mais adequadamente um centro de refer\u00eancia digital.<\/p>\n<p>No caso das bibliotecas tradicionais, o que prevalece \u00e9 a id\u00e9ia de cole\u00e7\u00e3o, ou seja, de ac\u00famulo de informa\u00e7\u00e3o, por acr\u00e9scimo de novos exemplares. O conte\u00fado presente na rede, no entanto, est\u00e1 em constante muta\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito comum encontrar em v\u00e1rios s\u00edtios a express\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o, que, pela pr\u00f3pria natureza da Internet, \u00e9 uma express\u00e3o incoerente. N\u00e3o faz sentido dizer que o s\u00edtio est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o, uma vez que \u00e9 absolutamente evidente que, por ser um s\u00edtio na rede, ele, potencialmente, estar\u00e1 sempre em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um livro, depois de publicado e adquirido pelo leitor passa a ser sua propriedade. O autor nada mais pode fazer sobre o que nele est\u00e1 escrito. Na rede tudo \u00e9 diferente. Hoje encontra-se um texto que amanh\u00e3 pode estar modificado, no exato mesmo lugar. Algumas vezes, sem nem sequer uma refer\u00eancia da modifica\u00e7\u00e3o. A din\u00e2mica, portanto, n\u00e3o se d\u00e1 somente por simples acr\u00e9scimo, mas pela renova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. O pr\u00f3prio ato de citar um documento lido na rede exige novas normatiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em discuss\u00e3o permanente. Um dos aspectos fundamentais nestas normas, que est\u00e3o em processo de elabora\u00e7\u00e3o, \u00e9 o da necessidade de se citar a data do download, da c\u00f3pia do documento, quando sua origem \u00e9 a Internet.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>A longo dos anos                     buscou-se estabelecer crit\u00e9rios acad\u00eamicos                     e editoriais para o referenciamento e                     cita\u00e7\u00e3o de obras em outros trabalhos.                     V\u00e1rias normas internacionais s\u00e3o adotadas                     e, no caso do Brasil, a Associa\u00e7\u00e3o                     Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT)                     &lt;http:\/\/www.abnt.org.br\/ &gt; possui um                     sistema de referimento e orienta\u00e7\u00e3o para a                     quest\u00e3o, com v\u00e1rios comit\u00eas t\u00e9cnicos                     trabalhando permanentemente no tema.<\/p>\n<p>Com a Internet e a                     quantidade cada vez maior de documentos que                     citam documentos da rede, alguns autores                     come\u00e7am a buscar novos elementos e regras                     para estas cita\u00e7\u00f5es. No texto A Internet                     como ambiente de pesquisa: problemas de                     valida\u00e7\u00e3o e normaliza\u00e7\u00e3o de documentos                     online, Marcos Pal\u00e1cios                     (palacios@ufba.br) aponta alguns destes                     elementos.<\/p>\n<p>&#8220;A cita\u00e7\u00e3o de                     arquivos dispon\u00edveis na WWW deve conter:<br \/>\nNome do autor;<br \/>\nT\u00edtulo completo do documento, entre aspas;<br \/>\nT\u00edtulo do trabalho no qual est\u00e1 inserido,                     em it\u00e1lico (quando aplic\u00e1vel);<br \/>\nData (m\u00eas e ano) da disponibiliza\u00e7\u00e3o ou da                     \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o (quando dispon\u00edvel);<br \/>\nO endere\u00e7o (URL) completo, entre par\u00eanteses                     angulares;<br \/>\nA data de acesso, entre par\u00eanteses.&#8221;                     (Pal\u00e1cios, 1996, p. 53)<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Tudo \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo. Como em todo per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, tendemos a utilizar os conceitos antigos, mesmo que n\u00e3o correspondam propriamente \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m assim aconteceu com o programa PROSSIGA do CNPq &lt;http:\/\/www.prossiga.br\/rei.html&gt; ao criar as &#8220;bibliotecas virtuais&#8221; que, mesmo mantendo essa denomina\u00e7\u00e3o, foram concebidas segundo uma perspectiva mais abrangente. Nos s\u00edtios do Prossiga encontramos informa\u00e7\u00f5es sobre cursos, eventos, projetos realizados e em andamento, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e uma s\u00e9rie de refer\u00eancias que n\u00e3o estariam normalmente dispon\u00edveis em uma biblioteca convencional. Mais do que isso, no projeto de uma das bibliotecas, a Biblioteca Virtual de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (BVEAD), coordenada pelo nosso grupo, buscou-se criar um espa\u00e7o maior, que viabilizasse a produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de documentos e informa\u00e7\u00f5es de forma mais coletiva. Isso, potencialmente, \u00e9 o objetivo das Pol\u00eamicas Contempor\u00e2neas.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p>A Biblioteca                     Virtual de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia (BVEAD)                     &lt;http:\/\/www2.prossiga.br\/edistancia\/index.html&gt;                     \u00e9 um projeto integrado ao Programa PROSSIGA                     do CNPq em pareceria com a Universidade                     Federal da Bahia (UFBA), atrav\u00e9s da                     Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e do Instituto de                     Ci\u00eancias da Informa\u00e7\u00e3o. Como parte da                     BVEAD, as Pol\u00eamicas                     Contempor\u00e2neas se                     constituem em um espa\u00e7o reservado para                     discuss\u00e3o de textos e quest\u00f5es relativos                     \u00e0s diversas vertentes da tem\u00e1tica da                     biblioteca. A discuss\u00e3o \u00e9 encaminhada a                     partir de um texto escolhido previamente e                     ocorre em uma lista espec\u00edfica, a polemicaead@ufba.br.<\/p>\n<p>Para se inscrever na                     lista basta mandar uma mensagem para                     listproc@ufba.br, sem subject, e no                     corpo da mensagem colocar apenas                     &#8220;SUBSCRIBE POLEMICAEAD Seu Nome&#8221;                     (sem as aspas). Cada usu\u00e1rio deve substituir                     &#8220;Seu Nome&#8221; pelo seu pr\u00f3prio nome.                     Espera-se, com isso, poder ter uma produ\u00e7\u00e3o                     mais coletiva de conhecimento, uma vez que                     est\u00e1 no objetivo da BVEAD a sistematiza\u00e7\u00e3o                     destas discuss\u00f5es e a sua incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0                     pr\u00f3pria biblioteca.<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Neste sentido \u00e9 que dizemos que o conceito de biblioteca virtual \u00e9 limitante, pois, de certo modo, imagina a utiliza\u00e7\u00e3o da Internet exclusivamente como uma fonte para a consulta a bancos de dados e listas bibliogr\u00e1ficas. No entanto, imaginamos a Internet como sendo muito mais que apenas um meio de informa\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 \u2013 ou melhor, deveria ser! \u2013 um meio para a troca de informa\u00e7\u00f5es, ou seja, um ambiente comunicacional. E \u00e9 por isso que pensamos na possibilidade de amplia\u00e7\u00e3o deste conceito e na constitui\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o que n\u00e3o s\u00f3 permita o acesso ao material de pesquisa de uma determinada \u00e1rea, mas tamb\u00e9m que possibilite o interc\u00e2mbio de experi\u00eancias, a a\u00e7\u00e3o conjunta e a produ\u00e7\u00e3o coletiva do conhecimento.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico do PROSSIGA, tenta-se avan\u00e7ar nesta dimens\u00e3o comunicacional, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de interfaces abertas que permitam a intera\u00e7\u00e3o com e entre os usu\u00e1rios. Al\u00e9m do espa\u00e7o j\u00e1 referido das Pol\u00eamicas Contempor\u00e2neas da BVEAD, todas as demais Bibliotecas trabalham com essas ferramentas, sendo a mais b\u00e1sica de todas o sistema de correio eletr\u00f4nico, que pode se usado para enviar cr\u00edticas, sugerir links e manter uma comunica\u00e7\u00e3o com a equipe respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o do s\u00edtio. Tamb\u00e9m est\u00e3o disponibilizadas salas de chats e listas de discuss\u00e3o, buscando estimular as pessoas que compartilham os mesmos interesses &#8211; mesmo estando em espa\u00e7os geogr\u00e1ficos distantes &#8211; a formarem grupos e interagirem conjuntamente no ciberespa\u00e7o, propondo novos textos e novas refer\u00eancias.<\/p>\n<p>Separar o joio do trigo?<\/p>\n<p>Na rede n\u00e3o h\u00e1 fronteiras. Nem reais, estabelecidas pelos limites f\u00edsicos, nem virtuais. Um link acessado em uma biblioteca virtual nos leva instantaneamente a outro lugar, que, por sua vez, tamb\u00e9m \u00e9 um n\u00e3o-lugar. O grande diferencial do hipertexto informatizado \u00e9 justamente a velocidade e a perda da no\u00e7\u00e3o espacial. A passagem de um ponto a outro ocorre automaticamente ao clique do mouse. Ao contr\u00e1rio do que acontece quando consultamos os tradicionais \u00edndices remissivos, a refer\u00eancia \u00e9 imediata e, em princ\u00edpio, o texto vem at\u00e9 n\u00f3s onde quer que estejamos.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 dito, a Internet soluciona o problema do armazenamento de informa\u00e7\u00e3o. No entanto, h\u00e1 muito o que se resolver no que se refere aos mecanismos de processamento. A cria\u00e7\u00e3o de bibliotecas virtuais est\u00e1 sendo, em nossa perspectiva, um primeiro passo nesse sentido. Sem mapas que apontem para determinados caminhos, achar uma informa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na rede \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil como encontrar uma agulha em um palheiro. Mesmo dividindo o grande palheiro informacional (a Internet) em pequenos palheiros (as bibliotecas virtuais), ainda assim n\u00e3o resolvemos o problema de como acharemos nossas agulhas.<\/p>\n<p>Palheiros \u00e0 parte, a primeira tarefa \u00e9 separar o joio do trigo, sem, obviamente, considerar que necessariamente todo joio \u00e9 ruim e todo trigo \u00e9 bom. A id\u00e9ia b\u00e1sica de que todos possam disponibilizar e acessar o que desejarem leva a extremos, ou seja, significa termos um conjunto de informa\u00e7\u00f5es que tende ao infinito. Dessa forma, essas bibliotecas virtuais podem ser utilizadas como um artif\u00edcio para facilitar a navega\u00e7\u00e3o daqueles que n\u00e3o querem, a todo momento, percorrer tudo outra vez. Seguindo-se alguns percursos por outros j\u00e1 realizados, poupa-se energia e economiza-se tempo.<\/p>\n<p>Muitos autores consideram que existe na rede muito lixo informacional. O que \u00e9 esse lixo informacional? Trata-se de uma discuss\u00e3o dif\u00edcil, mas podemos fazer alguns exerc\u00edcios de aproxima\u00e7\u00e3o. N\u00e3o resta d\u00favida, nos parece, que s\u00edtios que cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es imprecisas, est\u00e1ticas, que n\u00e3o s\u00e3o submetidas a uma freq\u00fcente atualiza\u00e7\u00e3o ou, ainda, aqueles que possuem informa\u00e7\u00f5es simplesmente copiadas de outros m\u00eddias, talvez possam ser enquadrados nesta classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos at\u00e9 afirmar que a fun\u00e7\u00e3o das bibliotecas virtuais seria justamente &#8220;garimpar&#8221; este lixo informacional. A\u00ed nos deparamos com um grande problema. Afinal, a filtragem de informa\u00e7\u00f5es pode ser tamb\u00e9m um meio empregado para privilegiar determinados interesses, priorizar certos pontos de vista, confundindo-se em alguns casos com a censura. N\u00e3o devemos reproduzir na rede os convencionais mecanismos de legitima\u00e7\u00e3o do conhecimento e muito menos estabelecer crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o que definam o que \u00e9 bom ou ruim para o pesquisador ou para o simples usu\u00e1rio. O que se pretende \u00e9 fornecer mais detalhes, de modo a possibilitar que o navegador saiba que tipo de informa\u00e7\u00e3o encontrar\u00e1 pela frente. Assim ele pode evitar determinadas rotas e n\u00e3o perder tempo visitando ilhas ou continentes que n\u00e3o lhes pare\u00e7am interessantes.<\/p>\n<p>Os recursos de busca por palavras-chave, h\u00e1 muito utilizados nos fich\u00e1rios das bibliotecas tradicionais, s\u00e3o extremamente necess\u00e1rios, mas n\u00e3o suficientes quando transpostos para a rede. O resultado de uma busca, atrav\u00e9s da palavra &#8220;computador&#8221;, por exemplo, levar\u00e1 a um conjunto muito grande de informa\u00e7\u00f5es que certamente n\u00e3o ajudar\u00e1 em nada o usu\u00e1rio. Criar categorias espec\u00edficas pode ser \u00fatil para aqueles que n\u00e3o sabem exatamente o que querem procurar. Neste sentido, tomando como exemplo a Biblioteca Virtual de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia, as informa\u00e7\u00f5es foram classificadas e categorizadas. As categorias est\u00e3o subdivididas por separadores e a todas, inclusive \u00e0s subdivis\u00f5es, s\u00e3o aplic\u00e1veis as chamadas palavras-chave. Na BVEAD podemos encontrar, por exemplo, as categorias artigos, cursos, dicas de financiamento, eventos, institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, legisla\u00e7\u00e3o, entre outras. Dentro destas categorias existem separadores, em diversos n\u00edveis, sendo o primeiro o que distingue s\u00edtios brasileiros e estrangeiros. Vejamos alguns exemplos: na categoria evento, o ano de realiza\u00e7\u00e3o funciona como um separador. Dentro de legisla\u00e7\u00e3o temos as seguintes subdivis\u00f5es: municipal, estadual ou federal. Dessa forma, o usu\u00e1rio pode, atrav\u00e9s da busca, chegar mais perto das refer\u00eancias necess\u00e1rias para seguir seu pr\u00f3prio fluxo. Ao chegar \u00e0 refer\u00eancia, uma breve descri\u00e7\u00e3o do s\u00edtio \u00e9 apresentada, de tal forma que, mais uma vez, o usu\u00e1rio pode analisar se interessa ou n\u00e3o fazer a conex\u00e3o com as p\u00e1ginas propostas. Pensamos que, com isso, amplia-se o espectro de acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es e, assim, podemos contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de uma nova tipologia para a Internet.<\/p>\n<p>Quem sabe o ciberespa\u00e7o realmente possa materializar a utopia da &#8220;intelig\u00eancia coletiva&#8221; proposta por L\u00e8vy. &#8220;Uma intelig\u00eancia distribu\u00edda por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobiliza\u00e7\u00e3o efetiva das compet\u00eancias.&#8221; (L\u00e8vy, 1998, p.28) As bibliotecas virtuais podem dar sua parcela de contribui\u00e7\u00e3o a essa proposta, na medida em que se consolidem como centros de refer\u00eancia digital sobre aquilo que vem sendo produzido em determinada \u00e1rea de conhecimento. E, para isso, todo saber precisa ter o seu valor, seja ele o saber do especialista ou o do cidad\u00e3o comum. A produ\u00e7\u00e3o do conhecimento deve ser o resultado de um processo cr\u00edtico, p\u00fablico e comunal, no qual todos tenham participa\u00e7\u00e3o. A rede pode representar, portanto, a possibilidade concreta de otimiza\u00e7\u00e3o desse processo.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1 Documento dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.w3.org\/TR\/1999\/NOTE-WCA-19990319&gt;. (Download em 11\/05\/99).<\/p>\n<p>2 &lt;http:\/\/www.w3.org\/TR\/NOTE-WCA\/&gt; Tradu\u00e7\u00e3o nossa. (Download em 11\/05\/99).<\/p>\n<p>3 Folha de S. Paulo, Coluna Netvox: O fim do vendedor de enciclop\u00e9dias. Maria Ercilia. 17\/3\/99<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/p>\n<blockquote><p>BORGES, Jorge Lu\u00eds. O Aleph.     Trad. Fl\u00e1vio Jos\u00e9 Cardoso. 11. ed. S\u00e3o Paulo: Globo, 1997.<\/p>\n<p>ECO, Umberto. O nome da rosa.     Trad. Aurora Bernadini e Hoemo Freitas de Andrade. Rio de     Janeiro: Nova Fronteira, 1983.<\/p>\n<p>LEVY, Pierre. A intelig\u00eancia     coletiva. Por uma antropologia do ciberespa\u00e7o. Trad.     Luiz Paulo Rouanet. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1998.<\/p>\n<p>_______. Educa\u00e7\u00e3o e Cibercultura.     &lt;http:\/\/portoweb.com.br\/PierreLevy\/educaecyber.html&gt;     (01\/06\/99).<\/p>\n<p>PRETTO, Nelson. Uma escola com\/sem     futuro. Campinas: Papirus, 1996.<\/p>\n<p>PAL\u00c1CIOS, Marcos. A Internet como     ambiente de pesquisa: problemas de valida\u00e7\u00e3o e     normaliza\u00e7\u00e3o de documentos on-line. Revista da FAEEBA. Salvador:     UNEB\/Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, v. 5, n. 6, jul.\/dez. 1996.<\/p>\n<p>SCHRAMM, Wilbur, PORTER, William apud WURMAN, Richard S. Ansiedade de informa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o     Paulo: Cultura Editores Associados, 1991.<\/p><\/blockquote>\n<p>____________________<\/p>\n<blockquote><p>* Cristina Serra \u00e9 Jornalista e     Mestranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e     Cultura Contempor\u00e2neas da UFBA.<\/p>\n<p>E.mail: cserra@e-net.com.br<\/p>\n<p>** Nelson (De Luca) Pretto \u00e9 professor     da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA. Doutor em Ci\u00eancias     (Comunica\u00e7\u00e3o) pela USP. P\u00f3s-Doutoramento no Centre for     Cultural Studies\/Goldsmiths College (ago.98-jul99)     &lt;http:\/\/www.goldsmiths.ac.uk\/cultural-studies&gt;.     Bolsista do CNPq. Home-page     &lt;http:\/\/www.ufba.br\/~pretto&gt; Email: pretto@ufba.br<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado na Revista An\u00e1lise &amp; Dados, Salvador\/Bahia: SEI v. ago.99 Cristiana Serra * Nelson (De Luca) Pretto ** &#8230; come\u00e7a aqui meu desespero de escritor.(&#8230;); como transmitir aos outros o infinito Aleph, que minha t\u00edmida mem\u00f3ria mal e mal abarca? Os m\u00edsticos, em transe semelhante, gastam os s\u00edmbolos: para significar a divindade, um persa fala de um p\u00e1ssaro que, de algum modo, \u00e9 todos os p\u00e1ssaros; Alanus de Insulis fala de uma esfera cujo centro est\u00e1 em todas as partes e a circunfer\u00eancia em nenhuma; Ezequiel fala de um anjo de quatro asas que, ao mesmo tempo, se dirige ao Oriente e ao Ocidente, ao Norte e ao Sul. (N\u00e3o \u00e9 em v\u00e3o que rememoro essas inconceb\u00edveis analogias; alguma rela\u00e7\u00e3o elas t\u00eam com o Aleph.) Jorge Luis Borges, O Aleph Talvez nos dias de hoje Borges n\u00e3o tivesse tanta dificuldade em encontrar uma met\u00e1fora para descrever o Aleph. Todas as analogias sugeridas pelo escritor argentino nos remetem \u00e0 configura\u00e7\u00e3o do ciberespa\u00e7o, esse grande hiperm\u00eddia planet\u00e1rio onde n\u00e3o existe gest\u00e3o centralizada. Um espa\u00e7o ca\u00f3tico, polidirecional e auto-organizante. Uma esp\u00e9cie de raiz sem centro ou, quem sabe, de muitos centros, que se expande para todos os lados de forma complexa. Cada ponto da rede nos conecta a outros pontos que, por sua vez, tamb\u00e9m nos conectam indefinidamente a outros tantos. Navegar n\u00e3o \u00e9 mais escolher um plano, program\u00e1-lo e simplesmente execut\u00e1-lo. O ato de navegar \u00e9, em si mesmo, um ato impreciso. De m\u00faltiplas conex\u00f5es e possibilidades. Fala-se em milh\u00f5es de p\u00e1ginas na Internet. At\u00e9 mesmo este n\u00famero \u00e9 dif\u00edcil de precisar, em fun\u00e7\u00e3o da velocidade com que se pode colocar um conjunto de informa\u00e7\u00f5es na rede, publicando-as imediatamente em diversos s\u00edtios p\u00fablicos, gratuitamente. Nem mais conhecimento da linguagem denominada HTML (HyperText Markup Language) \u00e9 necess\u00e1rio. Um s\u00edtio de muitas p\u00e1ginas pode ser constru\u00eddo quase que simplesmente como se estiv\u00e9ssemos escrevendo um artigo num computador, usando um processador de textos qualquer. Os s\u00edtios que abrigam p\u00e1ginas gratuitas proliferaram na rede nos \u00faltimos anos. S\u00e3o servi\u00e7os disponibilizados para aqueles usu\u00e1rios que j\u00e1 t\u00eam acesso \u00e0 rede atrav\u00e9s de algum computador e que desejam publicar suas p\u00e1ginas sem sofrer nenhum tipo de controle do dono do provedor, seja ele p\u00fablico ou privado. O pioneiro foi o Geocities &lt;http:\/\/www.geocities.com&gt; e hoje j\u00e1 encontramos tantos outros como o Yahoo &lt;http:\/\/www.yahoo.com&gt;, Excite &lt;http:\/\/www.excite.com&gt;, TerraAvista &lt;http:\/\/www.terravista.pt&gt;, Cad\u00ea &lt;http:\/\/www.cade.com.br&gt;, ZipMail &lt;http:\/\/www.zipmail.com.br &gt; Mas, enfim, qual o n\u00famero de p\u00e1ginas na rede? Chegar a este dado pode ser uma simples curiosidade, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante para provedores, usu\u00e1rios e pesquisadores que tenham o objetivo de entender um pouco mais o comportamento da Web. Mas a tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A organiza\u00e7\u00e3o W3C &lt;http:\/\/www.w3.org&gt; desenvolve pesquisas, analisando o comportamento da parte gr\u00e1fica da Internet, conhecida como World Wide Web ou simplesmente Web ou W3. Uma de suas pesquisas foi justamente verificar o crescimento do n\u00famero de usu\u00e1rios da rede. Durante a primavera de 1998, dois grupos, Research Institute (NEC) e Systems Research Center (DEC) trabalharam nessa pesquisa e empregaram a mesma base t\u00e9cnica, mas chegaram a diferentes n\u00fameros. Segundo a NEC, existem na rede 320 milh\u00f5es de p\u00e1ginas, enquanto que, de acordo com a DEC, este n\u00famero \u00e9 de 275 milh\u00f5es.(1) A diferen\u00e7a encontrada \u00e9 significativa e demonstra claramente a complexidade de an\u00e1lise do comportamento da Web. Para n\u00f3s, no entanto, mais significativa \u00e9 a an\u00e1lise da diversidade da WEB. Este mesmo grupo, pesquisando &#8220;onde nos levam os cliques na Internet,&#8221; chegou a uma conclus\u00e3o que &#8220;pode surpreender voc\u00ea&#8221;, como eles mesmos ressaltaram em seu relat\u00f3rio: &#8220;50% dos cliques levam apenas 1% de s\u00edtios visitados e 80% dos cliques levam a apenas 26% dos s\u00edtios&#8221;.(2) O gr\u00e1fico a seguir, extra\u00eddo desse documento, apresenta o comportamento dos cumulativos &#8220;cliques&#8221; e o n\u00famero de s\u00edtios encontrados nessa pesquisa, possibilitando uma melhor visualiza\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno. Fonte: http:\/\/www.w3.org\/TR\/NOTE-WCA Mais do que surpreendente, tal resultado \u00e9 preocupante. Preocupante porque a Internet tende a se tornar o maior reposit\u00f3rio do conhecimento humano, embora ainda mantendo o mesmo estilo de concentra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento e na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es dos chamados tradicionais meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa. N\u00e3o chegamos a afirmar que temos o mesmo sistema de broadcasting, de distribui\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es via meios centralizados, como vemos no caso dos sistemas de televis\u00e3o. No entanto, nos parece um importante indicador para que possamos pensar na pouca diversidade de s\u00edtios sendo localizados por estas buscas, indicando-nos, consequentemente, a necessidade de um repensar a sistem\u00e1tica de produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de s\u00edtios que expressem as diferentes culturas e valores locais. Mesmo assim, achamos na rede informa\u00e7\u00f5es sobre um universo muito amplo de temas e assuntos. Encontramos, embora talvez n\u00e3o sendo os mais procurados e divulgados, desde s\u00edtios sobre massas de ar na \u00c1sia meridional \u00e0 teologia na Idade M\u00e9dia, de paleontologia \u00e0 poesia concreta, da arte indiana \u00e0s teorias anarquistas. Fica claro que esse crescimento vertiginoso de p\u00e1ginas e usu\u00e1rios gera ansiedade e nos leva a perguntar se n\u00e3o estar\u00edamos nos afogando nesse oceano informacional. Ao mesmo tempo que nos leva a pensar sobre a pretens\u00e3o iluminista de abarcar todos os saberes da humanidade na busca de grandes s\u00ednteses, pensamos tamb\u00e9m, como Pierry L\u00e8vy, que &#8220;a emerg\u00eancia do ciberespa\u00e7o n\u00e3o significa em absoluto que \u2018tudo\u2019 esteja enfim acess\u00edvel, mas que tudo est\u00e1 definitivamente fora de alcance.&#8221; (L\u00e8vy, 1999). A Internet est\u00e1 muito longe da id\u00e9ia de enciclop\u00e9dia imaginada por Diderot e D\u2019Alembert. Poder\u00edamos at\u00e9 pens\u00e1-la como uma &#8220;enciclop\u00e9dia aberta&#8221;, apesar do evidente paradoxo a\u00ed presente. O car\u00e1ter de abertura e n\u00e3o-totaliza\u00e7\u00e3o contradiz a etimologia desse termo, que surge do desejo de exaurir todo o conhecimento do mundo, encerrando-o em um c\u00edrculo, em um mesmo espa\u00e7o f\u00edsico. Bilbioteca = [Do gr. biblioth\u00e9ke, pelo lat. bibliotheca.] S. f. 1. Cole\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou privada de livros e documentos cong\u00eaneres, organizada para estudo, leitura e consulta. 2. Edif\u00edcio ou recinto onde se instala essa cole\u00e7\u00e3o. Novo Dicion\u00e1rio da L\u00edngua Portuguesa Aur\u00e9lio Buarque de Holanda Ferreira Exatamente por conta desse universo de informa\u00e7\u00f5es que se amplia e se transforma a cada dia \u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":268,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-2col-left.php","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-424","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/424"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/424\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}