{"id":417,"date":"2010-03-08T17:38:53","date_gmt":"2010-03-08T20:38:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=417"},"modified":"2010-03-08T17:38:53","modified_gmt":"2010-03-08T20:38:53","slug":"educacao-e-inovacao-tecnologica-um-olhar-sobre-as-politicas-publicas-brasileiras","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos_academicos\/educacao-e-inovacao-tecnologica-um-olhar-sobre-as-politicas-publicas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: um olhar sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000\">Artigo publicado na Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o, Mai\/Jun\/Jul\/Ago 1999 n\u00b0 11.<\/span><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>Nelson Pretto &#8211; FACED\/UFBA<\/strong><\/p>\n<p>Texto produzido a partir das pesquisas do autor Educa\u00e7\u00e3o e Novo mil\u00eanio: as novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o e Tecnologias da Comunica\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o durante o p\u00f3s-doutoramento do autor no Centre for Cultural Studies\/Goldmiths College [http:\/\/www.goldsmiths.co.uk\/cultural-studies].Ambas com apoio financeiro do CNPq. Meu especial agradecimento a Mar\u00edlia Gouveia (Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o\/UFG) pelas fundamentais cr\u00edticas \u00e0 vers\u00e3o inicial deste texto.<\/p>\n<p>Nelson Pretto \u00e9 professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela USP (1994). E.mail: <a href=\"mailto:pretto@ufba.br\">pretto@ufba.br<\/a> Home-page: http:\/\/www.ufba.br\/~pretto Fax: + 55 (0)71 235 2228<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: um olhar sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras<\/p>\n<p>Resumo<\/p>\n<p>Transforma\u00e7\u00f5es significativas est\u00e3o ocorrendo em todas as \u00e1reas do conhecimento com um desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico que aproxima de forma inexor\u00e1vel pot\u00eancias humanas e m\u00e1quinas. Os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o ganham especial impulso com este desenvolvimento e passamos a viver numa sociedade da comunica\u00e7\u00e3o generalizada, numa sociedade rede. Este texto analisa o conceito de rede, rede sociocultural e tecnol\u00f3gica, que passa a ser fundamental para ampliar a nossa compreens\u00e3o do mundo contempor\u00e2neo e dos reflexos no sistema educacional.<\/p>\n<p>Num segundo momento do texto, \u00e9 feita uma an\u00e1lise do discurso governamental sobre os projetos de implanta\u00e7\u00e3o das tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o \u2013 especialmente televis\u00e3o e computadores &#8211; no sistema educacional brasileiro.<\/p>\n<p>Palavras-chaves: educa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o; Internet; inform\u00e1tica educativa; telem\u00e1tica; tecnologia educacional; pol\u00edticas p\u00fablicas;<\/p>\n<p>Um mundo em transforma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Vivemos um momento especial da hist\u00f3ria da humanidade. Grandes transforma\u00e7\u00f5es est\u00e3o ocorrendo em todo o planeta, com grande velocidade e dif\u00edcil dimensionamento.<\/p>\n<p>Um dos conceitos chaves deste mundo contempor\u00e2neo \u00e9 conceito de rede. Este n\u00e3o \u00e9 um conceito novo que surge somente neste final de mil\u00eanio. No entanto, \u00e9 a partir da segunda metade deste s\u00e9culo ele passa a ganhar uma dimens\u00e3o mais planet\u00e1ria, ampliando-se de forma consider\u00e1vel. \u00c9 importante aprofund\u00e1-lo articulando-o com o desenvolvimento crescente das tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o para, com isso compreendermos sua rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia da primeira m\u00e1quina que possibilitasse o processamento de dados de forma mais veloz vem do in\u00edcio do s\u00e9culo, quando, em 1925, foi desenvolvida no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, a primeira m\u00e1quina de calcular eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 somente a partir da segunda metade deste s\u00e9culo que este intenso movimento de transforma\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas se manifestam com mais intensidade, a partir da inven\u00e7\u00e3o do transistor, em 1947 por John Bardeen, Walter Houser Bratain e William Bradford. Esta novas descoberta come\u00e7ou a revolucionar o mundo das m\u00e1quinas e dos equipamentos e, alguns anos depois, deu-se in\u00edcio \u00e0 chamada miniaturiza\u00e7\u00e3o das tecnologias, promovendo um grande impulso em todo o desenvolvimento dos sistemas de comunica\u00e7\u00e3o em informa\u00e7\u00e3o, com especial \u00eanfase para a televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Com este impulso, novas formas de comunica\u00e7\u00e3o foram introduzidas e, hoje, discute-se a televis\u00e3o segmentada, a televis\u00e3o interativa, o telecomputer, a automa\u00e7\u00e3o dos sistema informacionais, as sinergias e megafus\u00f5es de grandes empresas do mercado audiovisual e de comunica\u00e7\u00e3o. Estes intensos movimentos de transforma\u00e7\u00f5es fazem com que atualmente uma \u00fanica gera\u00e7\u00e3o seja capaz de acompanhar o nascimento e a morte de uma tecnologia. Geroge Gilder e Nelson Hoineff s\u00e3o dois autores que fazem uma interessante retrospectiva deste alucinado movimento e s\u00e3o leituras indispens\u00e1veis para aqueles que querem compreender o que nos espera em termos de equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as tentativas de sistematiza\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica no mundo das comunica\u00e7\u00f5es. A inven\u00e7\u00e3o do transistor e o conseq\u00fcente desenvolvimento dos sistemas computacionais s\u00e3o sempre apontados como marcos importantes neste universo. Para Leila Dias , podemos analisar este recente desenvolvimento em tr\u00eas fases. A primeira, durante \u00e0 d\u00e9cada de 70, fez com que a inform\u00e1tica fosse sendo gradativamente introduzida na sociedade mas, ainda como algo traumatizante, mais pr\u00f3ximo da alquimia, com os computadores de grande porte (main frame), geralmente instalados em salas especiais, isoladas, centralizadas, com pessoal altamente especializado. A palavra b\u00e1sica que representaria este momento \u00e9 a de um sistema basicamente centralizado. Quando em 1970 \u00e9 lan\u00e7ado pela Canon no Jap\u00e3o o Pocktronic &#8211; o primeiro computador de bolso &#8211; percebe-se um movimento de transforma\u00e7\u00e3o muito forte surgindo, durante esta d\u00e9cada, o microprocessador (micro processing unit) e a CPU (Central Processing Center), conhecida como o c\u00e9rebro do computador. Definitivamente, este cen\u00e1rio come\u00e7ou a ser transformado. Nasce assim a micro inform\u00e1tica, constituindo-se na chamada segunda fase do recente desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Implantam-se as redes, conectando computadores em tempo real. Ao longo da d\u00e9cada de 80 instala-se a chamada terceira fase, com o aumento da capacidade de an\u00e1lise instant\u00e2nea de dados paralelamente ao barateamento dos equipamentos.<sup> <\/sup>Este aumento de processamento dos dados e as pesquisas com vistas a uma maior integra\u00e7\u00e3o dos computadores que cada dia mais se espalhavam pelo mundo, foi mais uma vez, mudando este cen\u00e1rio, dando especial impulso \u00e0 hist\u00f3ria da humanidade. Novos atores entram em cena. Fala-se, ent\u00e3o, em descentraliza\u00e7\u00e3o dos sistema, em redes interativas, em conex\u00f5es em tempos reais.<\/p>\n<p>A enorme diminui\u00e7\u00e3o dos custos dos equipamentos eletr\u00f4nicos foi dando outro significativo impulso na \u00e1rea, com reflexos em toda a sociedade. Simultaneamente desenvolvem-se os equipamentos de conex\u00f5es (comutadores, hubs, fibras, modens) e a ind\u00fastria do software tamb\u00e9m busca atingir outro patamar e desenvolve-se de forma acelerada, dando especial \u00eanfase ao desenvolvimento de programas para serem usados nas redes.<\/p>\n<p>A Internet passa a fazer parte da realidade do mundo acad\u00eamico e, rapidamente, vai se despontando como importante elemento de conex\u00e3o entre equipamentos e, com isso, introduzindo novas formas de se produzir conhecimento e cultura. Ao estabelecer estas conex\u00f5es entre equipamentos, estas redes come\u00e7am, tamb\u00e9m, a estabelecer os links entre diferentes culturas que agora passam a ter a possibilidade, pelo menos potencial, de se comunicar, se expor, de intercambiar multi-rela\u00e7\u00f5es entre sujeitos e m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>O conceito de rede passa a ser um elemento chave deste momento e est\u00e1 sendo objeto de an\u00e1lise em diversos campos do saber. Ele ganha import\u00e2ncia no mundo contempor\u00e2neo mas, como afirma Leila Dias, ele n\u00e3o \u00e9 recente. Em eu texto Redes: emerg\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o ela recupera a trajet\u00f3ria deste conceito desde a segunda metade do s\u00e9culo XIX, onde rede passa a assumir importante papel como elemento de organiza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios, em fun\u00e7\u00e3o da implanta\u00e7\u00e3o das grandes malhas ferrovi\u00e1rias que cortam os Estados Unidos da Am\u00e9rica de costa \u00e0 costa, introduzindo novos elementos culturais, com reflexos na organiza\u00e7\u00e3o de todo o sistema social.<\/p>\n<p>No mundo contempor\u00e2neo, novamente, as redes, agora n\u00e3o mais malhas ferrovi\u00e1rias mas malhas \u00f3ticas e eletromagn\u00e9ticas, voltam a se constituir em elementos estruturadores de territ\u00f3rios, de novas formas de agir, pensar, sentir. Alguns elementos deste conceito de rede precisam ser aprofundados porque, assim como Castells, acredito que vivenciamos o nascimento de uma sociedade rede (Castells, 1996). Para a perspectiva deste trabalho considerarei como b\u00e1sico o texto de Castells A Era da Informa\u00e7\u00e3o: economia, sociedade e cultura, e o trabalho de sistematiza\u00e7\u00e3o feio por Tamara Benakouche em sua pesquisa sobre o papel das telecomunica\u00e7\u00f5es na cria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano. Benakouche considera como caracter\u00edstica b\u00e1sica das redes de telecomunica\u00e7\u00f5es a conexidade, a conectividade, homogeneidade, isotropia e nodalidade. A conexidade \u00e9 a propriedade essencial de uma rede pois \u00e9 ela quem garante a rela\u00e7\u00e3o entre os subsistemas que comp\u00f5em a rede. \u00c9 ela que garante, portanto, a coes\u00e3o do sistema. Para ela, um exemplo de uma rede fortemente conexa seria a rede vi\u00e1ria dos pa\u00edses desenvolvidos. A conectividade \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o entre os elementos deste sistema, que nos remete \u00e1 id\u00e9ia de circula\u00e7\u00e3o. &#8220;Uma forte conectividade conduz a uma esp\u00e9cie de supra-conexidade, ampliando as malhas da rede e refor\u00e7ando seu car\u00e1ter solid\u00e1rio vis-a-vis do sistema&#8221; (Dupuy apud Benakouche, 1995). Outra caracter\u00edstica das redes \u00e9 a homogeneidade, &#8220;envolve a id\u00e9ia de correla\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal e traduz a coer\u00eancia no tempo ou em um espa\u00e7o das entradas e sa\u00eddas entre os elementos do sistema.&#8221; A isotropia \u00e9 a caracter\u00edstica que nos possibilita ver a rede enquanto um conjunto homog\u00eaneo e, portanto, tamb\u00e9m tem a ver com esta correla\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal. &#8220;De uma maneira geral, isotropia (ou grau de isotropia) da rede significa que todas as liga\u00e7\u00f5es da rede s\u00e3o equivalentes do ponto de vistas das rela\u00e7\u00f5es estabelecidas entre os elementos do sistema (ou com o meio ambiente)&#8221; (Dupuy apud Benakouche, 1995 \u2013 grifo meu). Por \u00faltimo, a nodalidade que \u00e9 a caracter\u00edstica da rede que &#8220;permite caracterizar os n\u00f3s da rede do ponto de vista de sua capacidade relacional para o sistema&#8221; (Benakouche 1995).<\/p>\n<p>Castells analisa a presen\u00e7a das tecnologias na sociedade contempor\u00e2nea buscando compreender melhor quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas que constituem o cora\u00e7\u00e3o do paradigma da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Para ele, s\u00e3o cinco estas b\u00e1sicas caracter\u00edsticas. A primeira \u00e9 que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria mat\u00e9ria bruta deste paradigma tecnol\u00f3gico. Um segundo elemento carater\u00edstico \u00e9 a &#8220;penetra\u00e7\u00e3o dos efeitos das novas tecnologias&#8221;. Para ele, &#8220;porque a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 parte integral de toda atividade humana, todos os processos de nossa individual ou coletiva de exist\u00eancia s\u00e3o diretamente afetados (embora certamente n\u00e3o determinados) pelos novos meios tecnol\u00f3gicos&#8221; (p.62). A terceira caracter\u00edstica, que \u00e9 umas das mais fundamentais para a perspectiva deste texto, \u00e9 a exist\u00eancia de uma l\u00f3gica pr\u00f3pria das redes de comunica\u00e7\u00f5es. As demais caracter\u00edsticas s\u00e3o a flexibilidade e a converg\u00eancia das tecnologias espec\u00edficas num sistema altamente integrado, no qual, cada tecnologia separadamente, torna-se absolutamente indistingu\u00edvel (p.62).<\/p>\n<p>Todas estas caracter\u00edsticas s\u00e3o apontadas como fundamentais por estes autores e, aqui, destaco a import\u00e2ncia da id\u00e9ia de equival\u00eancia. Ela \u00e9 fundamental no atual contexto mundial uma vez que n\u00e3o podemos imaginar a implanta\u00e7\u00e3o destes modernos e velozes complexos de comunica\u00e7\u00e3o digital se continuarmos a pensar que estas redes se instalam sobre espa\u00e7os vazios. Ao contr\u00e1rio, como afirma Dias, as redes se instalam sobre uma realidade complexa e n\u00e3o em espa\u00e7os virgens (158). Neste sentido, torna-se urgente compreender que a implanta\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o destas redes de comunica\u00e7\u00e3o, pressup\u00f5e a exist\u00eancia de n\u00f3s fortalecidos (valores\/culturas locais) e, principalmente, com alto n\u00edvel de visibilidade e flexibilidade. Visibilidade e flexibilidade estas que s\u00f3 ser\u00e3o conseguidas se, al\u00e9m da necess\u00e1ria presen\u00e7a dos elementos t\u00e9cnicos b\u00e1sicos (fios, cabos, linhas telef\u00f4nicas, sat\u00e9lites, trasnponders, televis\u00f5es, computadores, centrais de comunica\u00e7\u00e3o), tivermos ao mesmo tempo os elementos culturais produzidos e amplificados a partir das culturas locais.<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, fundamental estabelecer uma mais ampla compreens\u00e3o deste conceito e destas rela\u00e7\u00f5es, agora introduzindo uma nova e b\u00e1sica rela\u00e7\u00e3o, uma rela\u00e7\u00e3o entre o que chamo de local e n\u00e3o-local (*). Considero-a b\u00e1sica para a compreendermos o papel da escola nesta virada de mil\u00eanio uma vez que entendo s\u00f3 ser poss\u00edvel sobreviver com autonomia e independ\u00eancia num mundo de conex\u00f5es como a que estamos a nos referir at\u00e9 aqui, aqueles povos e culturas que conseguirem estabelecer relacionamentos com o conjunto da rede de forma intensa e com valores culturais locais potencialmente fortes para serem disponibilizados e interagirem com o conjunto. Isso porque, como afirma Castells, &#8220;as redes constituem a nova morfologia social de nossas sociedades e a difus\u00e3o desta l\u00f3gica de rede modifica substancialmente os processos e os resultados de produ\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia, poder e cultura&#8221; (Castells, 1996, p. 467). Obviamente acrescento aqui a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Impasse para a educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Estes novos paradigmas tecnol\u00f3gicos, com a informatiza\u00e7\u00e3o veloz e quase generalizada da sociedade est\u00e1 presente em todo o mundo e, mesmo em pa\u00edses como o Brasil, onde as desigualdades sociais e regionais s\u00e3o muito grandes, ele \u00e9 determinante, principalmente em termos de mercado de trabalho nos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como o Brasil, vivem contradi\u00e7\u00f5es profundas em seus sistemas sociais ao mesmo tempo que est\u00e3o inseridos plenamente nos mercados planet\u00e1rios, em determinadas e espec\u00edficas \u00e1reas. Sem d\u00favida, o exemplo mais significativo em todo o mundo est\u00e1 relacionado aos sistemas de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o a isso, o Brasil est\u00e1 plenamente inserido neste mercado planet\u00e1rio, estando o maior grupo de comunica\u00e7\u00e3o brasileiro &#8211; a Rede Globo de Televis\u00e3o &#8211; associado a um dos cinco maiores conglomerados de comunica\u00e7\u00e3o do mundo. A Rede Globo de Televis\u00e3o &#8211; m\u00eddia eletr\u00f4nica do conglomerado da fam\u00edlia Roberto Marinho &#8211; est\u00e1 associada ao grupo liderado pelo magnata australiano Rupert Murdoch, integrando um complexo multimedi\u00e1tico que inclui o The New York Post, The Times, BSkyB, Delphi Internet, Twentieth Century-Fox, Harper Collins (Editora),a Sky Latin America International Broadcast Center, TCI (uma das operadoras l\u00edderes de TV a cabo e telefonia nos Estados Unidos), entre outros.<\/p>\n<p>Obviamente quando pensamos no sistema educacional, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente diversa. Esta dist\u00e2ncia entre o mundo da inform\u00e1tica e da comunica\u00e7\u00e3o com o mundo da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande, induzindo-nos a pensar na quase exist\u00eancia de um impasse. Tem sentido continuarmos investindo neste sistema que n\u00e3o consegue dar conta destas transforma\u00e7\u00f5es? Est\u00e1 claro que necessitamos de muito mais do que simplesmente aperfei\u00e7oar o sistema educacional. O momento exige a sua profunda transforma\u00e7\u00e3o estrutural deste sistema. Uma transforma\u00e7\u00e3o, que passa, necessariamente como venho expondo aqui, pela sua maior articula\u00e7\u00e3o com os sistemas de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isto porque, neste contexto de mudan\u00e7as, somos verdadeiramente empurrados para pensar e refletir mais profundamente como pode se sustentar este sistema, ainda centrado em velhos paradigmas, muitas vezes enfatizando apenas a forma\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3o de obra, sem nem mesmo perceber que esta mudando o conceito de m\u00e3o de obra, num movimento de velocidade muito intensa.<\/p>\n<p>Como afirmava Francisco de Oliveira na abertura de a reuni\u00e3o anual da ANPEd em 1990:<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Num mundo que corre com esta         velocidade, com transforma\u00e7\u00f5es que n\u00e3o esperam         amanhecer o dia para serem anunciadas, uma inser\u00e7\u00e3o         r\u00e1pida da economia brasileira no sistema internacional,         com estes crit\u00e9rios seguramente vai nos conduzir n\u00e3o         mais para uma explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra barata, porque         n\u00e3o se est\u00e1 mais atr\u00e1s disso: tecnologia de ponta n\u00e3o         se faz com m\u00e3o de obra barata (Oliveira, 1990, p.12).<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Passados mais de oito anos desta fala de Francisco de Oliveira, continuamos a perceber um caminhar nesta dire\u00e7\u00e3o. Ana Leda Barreto, analisando os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais, um das principais bandeiras do governo de Fernando Henrique Cardoso, elaborados sob forte cr\u00edtica da comunidade acad\u00eamica nacional, refor\u00e7ava-se a necessidade de um s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o, como sendo b\u00e1sica para a transforma\u00e7\u00e3o deste sistema. Segunda ela,<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel em mais uma         proposta de governo ser &#8220;esquecida&#8221; a         obriga\u00e7\u00e3o dos dirigentes da na\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o         s\u00f3lida e continuada dos principais formadores de         mentalidade do pa\u00eds. Tal esquecimento nos faz pensar que         a desqualifica\u00e7\u00e3o das professoras e professores foi \u00e9         um dos mecanismos &#8216;para mant\u00ea-los fracos e dispon\u00edveis         \u00e0 manobras e conchavos pol\u00edticos-burocr\u00e1ticos&#8217;         (Arroyo, 1985, p. 9) formando outros cidad\u00e3os e cidad\u00e3s         fracos e dispon\u00edveis \u00e0s mesmas manobras e conchavos (Barreto,         1996, p. 4).<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Assim, a transforma\u00e7\u00e3o do sistema educacional passa, necessariamente, pela transforma\u00e7\u00e3o do professor. N\u00e3o podemos continuar pensando em formar professores com teorias pedag\u00f3gicas que se superam quotidianamente, centradas em princ\u00edpios totalmente incompat\u00edveis com o momento hist\u00f3rico. Nossos curr\u00edculos, programas, materiais did\u00e1ticos, incluindo os novos e sofisticados multim\u00eddias, softwares educacionais, v\u00eddeos educativos, continuam centrados em tr\u00eas grandes fal\u00e1cias, como afirmou Emilia Ferreiro para a Revista TV Escola. Segundo ela, insistimos ainda que a aprendizagem deve se dar sempre do concreto para o abstrato, do pr\u00f3ximo para o distante e do f\u00e1cil para o dif\u00edcil (MEC 1996). Mantendo esta perspectiva, evidentemente n\u00e3o conseguimos compreender as transforma\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas que est\u00e3o modificando todos os campos, do trabalho, do lazer, do social, do saber e, seguramente, tamb\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Continuar adotando esta perspectiva \u00e9 desconhecer completamente as transforma\u00e7\u00f5es que estamos vivendo no mundo contempor\u00e2neo e os novos elementos que est\u00e3o fazendo parte da realidade de nossos jovens e adolescentes.<\/p>\n<p>Precisamos compreender mais de que forma esta gera\u00e7\u00e3o X (novas tribos) convive simultaneamente com os v\u00eddeo-games, televis\u00f5es, Internet, esportes radicais, tudo simultaneamente, de forma m\u00faltipla e fragmentada, tudo ao mesmo tempo. Esta gera\u00e7\u00e3o j\u00e1 relaciona-se com as novas medias de forma diversa e j\u00e1 existem sinais de um novo processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, ainda desconhecido pela escola.<\/p>\n<p>Para Douglas Rushkoff, ao analisar como a cultura das crian\u00e7as nos ensina a prosperar na era do caos, essa gera\u00e7\u00e3o se utiliza das diversas m\u00eddias n\u00e3o \u00e0 procura de respostas mas sim de perguntas. Elas entendem a discontinuidade e o que ela significa e conseguem estabelecer com ela uma rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. &#8220;Para a audi\u00eancia jovem, a discontinuidade das m\u00eddias n\u00e3o uma exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 a regra&#8221; (Rushkoff, 1996, p. 14).<\/p>\n<p>Estas transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que tomaram grande impulso justamente com o desenvolvimento nos idos da d\u00e9cada de 60 dos videogames &#8211; jogos eletr\u00f4nicos que se utilizavam de velhos consoles conectados a antigos televisores \u2013 toma impulso e passa a impulsionar, simultaneamente, o pr\u00f3prio desenvolvimento cient\u00edfico, como j\u00e1 foi apontado no in\u00edcio deste texto. Mas tamb\u00e9m este desenvolvimento, n\u00e3o se d\u00e1 e n\u00e3o se deu de forma estanque e isolada.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia moderna, que no in\u00edcio do s\u00e9culo sofre os abalos das teorias da relatividade de Einstein, desde este momento come\u00e7a a trabalhar com base em outros paradigmas.<\/p>\n<p>Passa-se a trabalhar na perspectiva de compreender a complexidade do mundo contempor\u00e2neo, sem a preocupa\u00e7\u00e3o da unifica\u00e7\u00e3o, das meta-unifica\u00e7\u00f5es. Segundo o f\u00edsico Italiano Marcello Cini o que vemos hoje, olhando a evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, \u00e9 uma grande mudan\u00e7a de concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Passou-se, em vez disso, a uma         concep\u00e7\u00e3o de mundo em que, em vez de se tentar reduzir         tudo \u00e0 ordem, regularidade e continuidade, emergem         categorias e perspectivas completamente opostas.         Estudam-se a desordem, a irregularidade, os fen\u00f4menos         que n\u00e3o se repetem, em vez de tentar unificar fen\u00f4menos         muito diferentes pela explica\u00e7\u00e3o resultante de uma         \u00fanica lei fundamental. A individualidade come\u00e7a a ser         reconhecida, por exemplo, no fato de que sistemas         estruturalmente id\u00eanticos podem revelar comportamentos         radicalmente diferentes, ocasionados apenas por         pequen\u00edssimas diferen\u00e7as que, at\u00e9 ent\u00e3o, todos         consideravam como sendo n\u00e3o essenciais.(Cini,         1998)<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Compreender os novos processos de aquisi\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do conhecimento \u00e9 b\u00e1sico para tentarmos superar este impasse. Esta compreens\u00e3o, por outro lado, empurra-nos necessariamente para considerar como fundamental a introdu\u00e7\u00e3o das chamadas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o nos processos de ensino-aprendizagem.<\/p>\n<p>No entanto, a pura e simples introdu\u00e7\u00e3o destas tecnologias n\u00e3o \u00e9 garantia desta transforma\u00e7\u00e3o. Esta introdu\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria mas n\u00e3o suficiente para que tenhamos um sistema educacional compat\u00edvel com o momento hist\u00f3rico. Desta forma, introduzir estas tecnologias exige compreender de forma mais ampla a necessidade de fortalecer os n\u00f3s &#8211; as unidades escolares que por sua vez articulam-se intensamente com os valores locais &#8211; de tal forma a dar maior visibilidade aos n\u00f3s desta rede, aumentando concomitantemente a conectividade entre estes n\u00f3s, estabelecendo-se com isso as rede de conex\u00f5es que est\u00e3o sendo referidas ao longo deste texto. E, mais ma vez, n\u00e3o basta apenas a rede f\u00edsica.<\/p>\n<p>A escola, conectada, interligada, integrada, articulada com o conjunto da rede, passa a ser mais um elemento vital deste processo coletivo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Nesta navega\u00e7\u00e3o, portanto, percorremos caminhos ilimitados, sem fronteiras. Como diz Pierre L\u00e8vy,<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Navegar no ciberespa\u00e7o eq\u00fcivale a         passear um olhar consciente sobre a interioridade         ca\u00f3tica, o ronronar incans\u00e1vel, as banais futilidades e         as fulgura\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias da intelig\u00eancia coletiva.         O acesso ao processo intelectual do todo informa o de         cada parte, indiv\u00edduo ou grupo, e alimenta em troca o do         conjunto. Passa-se ent\u00e3o da intelig\u00eancia coletiva         para o coletivo inteligente. (L\u00e8vy, 1996, p. 117         \u2013 grifo meu)<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Como j\u00e1 dito, esta passagem n\u00e3o corresponde apenas \u00e0 um aperfei\u00e7oamento do sistema educacional. Ela exige uma transforma\u00e7\u00e3o profunda, impondo, consequentemente, a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas educacionais coerentes com as transforma\u00e7\u00f5es da sociedade como um todo e n\u00e3o simplesmente articulados com uma perspectiva de moderniza\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p>Um olhar sobre os projetos governamentais<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recente da educa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 repleta de projetos governamentais que exigem uma leitura um pouco mais atenta dos imbricados movimentos que relacionam as pol\u00edticas educacionais, culturais, cient\u00edficas, tecnol\u00f3gicas e de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o est\u00e1 no escopo deste texto aprofundar estas an\u00e1lises em todas as suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es mas sim resgatar alguns elementos significativos para o entendimento de como estas pol\u00edticas est\u00e3o \u2013 ou deveriam estar! &#8211; afetando diretamente a escola.<\/p>\n<p>O governo Fernando Henrique Cardoso avan\u00e7a de forma decidida e veloz na privatiza\u00e7\u00e3o de estatais, destacando-se a\u00ed a \u00e1rea das telecomunica\u00e7\u00f5es. Paralelamente, desde o final da d\u00e9cada passada, vem se implantando no pa\u00eds um sistema de rede, atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, com a cria\u00e7\u00e3o da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), introduzindo de forma definitiva a Internet no pa\u00eds. In\u00fameros decretos foram promulgados com o objetivo de identificar e estimular poss\u00edveis usos na \u00e1rea educacional deste sistema de rede. O mesmo foi feito d\u00e9cadas atr\u00e1s com o sistema de comunica\u00e7\u00e3o via sat\u00e9lites geoestacion\u00e1rios. \u00c9 da mem\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o brasileira o pioneiro Projeto SACI, desenvolvido no Rio Grande do Norte no final de d\u00e9cada de 60, j\u00e1 analisado por Laymert Garcia dos Santos em seu livro Desregulagens . \u00c0quela \u00e9poca, pensava-se em introduzir um sistema de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, com aulas sendo transmitidos via sat\u00e9lite, num projeto desenvolvido pelo Instituo Nacional de Pesquisa Espaciais, o INPE, com forte articula\u00e7\u00e3o com o governo americano.<\/p>\n<p>Alguns anos depois (1986), como j\u00e1 descrevi anteriormente o governo federal tenta novamente implantar um projeto como o SACI, instituindo uma Comiss\u00e3o Interministerial para estudar a viabilidade de implanta\u00e7\u00e3o de um sistema de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica via sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, o atual governo vem implantando dois grandes projetos: o TV Escola e o Projeto de Informatiza\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas brasileiras (PROINFO). N\u00e3o cabe aqui, fazer uma longa descri\u00e7\u00e3o destes projetos mas acho importante destacar alguns aspectos dos mesmos analisando o discurso oficial que busca respaldar te\u00f3rica e politicamente a introdu\u00e7\u00e3o destas novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o. Considerarei para esta an\u00e1lise basicamente as declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Ministro e de seus Secret\u00e1rios, aos \u00f3rg\u00e3os de imprensa nacional e tomando como base o artigo do pr\u00f3prio Ministro, publicado no jornal Folha de S\u00e3o Paulo em 2 de mar\u00e7o de 1997. No referido artigo o Ministro propunha-se analisar o caso de sucesso do Projeto TV Escola e, assim fazendo, exp\u00f4s de forma clara o que considero um dos pontos que mereceria uma profunda revis\u00e3o nesta \u00e1rea. O pr\u00f3prio t\u00edtulo do artigo, TV Escola: construindo um caso de sucesso, j\u00e1 mereceria uma an\u00e1lise mais profunda. No entanto, \u00e9 no conjunto do texto que percebemos a insist\u00eancia no uso de palavras como recurso e treinamento e que, somado a outras manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do MEC, indica-nos claramente a perspectiva instrumental da introdu\u00e7\u00e3o destas novas tecnologias. O artigo do ministro buscava analisar o TV Escola e exatamente ao fazer a refer\u00eancia ao outro grande projeto para a \u00e1rea, o de informatiza\u00e7\u00e3o, deixava evidente a perspetiva equivocada desta pol\u00edtica educacional. Vejamos as palavras do ministro:<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>neste sentido deste o in\u00edcio do         governo Fernando Henrique que tra\u00e7amos a estrat\u00e9gia de         m\u00e9dio prazo que contemplou, inicialmente, o uso da         televis\u00e3o como recurso para a atualiza\u00e7\u00e3o de         professores e para o apoio ao seu trabalho na sala de         aula.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 a introdu\u00e7\u00e3o         do computador das escolas p\u00fablicas de 1\u00b0 e 2\u00b0 graus.         Trata-se, entretanto, de dois programas totalmente         distintos em seus objetivo, abrang\u00eancia e metodologia de         implanta\u00e7\u00e3o (Souza, 1997, grifos meus).<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Os trechos grifados s\u00e3o destaques que gostaria de comentar aqui. A utiliza\u00e7\u00e3o como recurso, a meu ver, indica claramente esta perspectiva instrumental que me referi anteriormente, uma vez que parte do pressuposto, impl\u00edcito, de que o sistema educacional est\u00e1 com seu caminho definido faltando portanto apenas atualizar os professores. Percebe-se claramente a exist\u00eancia de uma l\u00f3gica linear de prioridades e n\u00e3o de simultaneidade, evidenciado no segundo par\u00e1grafo acima citado. Ao tratar os dois projetos, o TV Escola e o PROINFO, como projetos &#8220;distintos em objetivo, abrang\u00eancia e metodologia&#8221;, o MEC atesta com todas as letras, letras de seu ministro e grande mentor destas transforma\u00e7\u00f5es, o seu equivoco. Entende, claramente, as tecnologias como suporte, como instrumento, como material de apoio a um processo que est\u00e1 com suas bases te\u00f3ricas comprometidas. N\u00e3o consegue o MEC perceber a necessidade de interdepend\u00eancia destes projetos e deste com outros, como o projeto da Funda\u00e7\u00e3o Roquete Pinto para o Um salto para o Futuro. Novamente aqui vemos a dicotomia presente nestes projetos, uma vez que no lugar de se fortalecer os sistema de televis\u00e3o p\u00fablica brasileira, insiste-se em segmentar, em partir, em tratar como distintos e diversos coisas que s\u00e3o, pela pr\u00f3pria natureza, parte de um processo maior e, principalmente, integrado e integrador. O exemplo do Salto \u00e9 gritante. Pega-se o canal do sat\u00e9lite (transponder) usado pelo sistema de TVs Educativas, divide-o em dois, diminuindo claramente a qualidade do sinal gerado e recebido tanto pelo sistema de TVs Educativas como pelo TV Escola e, coloca-se no ar uma programa\u00e7\u00e3o de apenas tr\u00eas horas, repetidas incansavelmente ao longo do dia com o argumento de que os professores possam gravar e montar as videotecas escolares. Das oito da noite \u00e0s oito da manh\u00e3 temos simplesmente 12 horas de um canal de sat\u00e9lite completamente sem uso. Se \u00e9 apenas este o objetivo &#8211; tr\u00eas horas de programa\u00e7\u00e3o! &#8211; porque n\u00e3o garantir com as TVs Educativas a sua veicula\u00e7\u00e3o, que inclusive \u00e9 em boa parte j\u00e1 produzida e veiculada p\u00f4r elas mesmas, em hor\u00e1rios alternativos, canalizando o conjunto dos recursos para o fortalecimento deste sistema de televis\u00e3o que, potencialmente, garantiria a produ\u00e7\u00e3o de imagens com a verdadeira cara do pa\u00eds. Imagens e informa\u00e7\u00f5es que estariam colocando os lugares n\u00e3o virgens em permanente troca com as regi\u00f5es do pa\u00eds. Paralelamente, estar\u00edamos colocando os postos do Salto, interligados \u00e0 Internet e, com isso, garantindo de fato, a tal interatividade tanto falada e t\u00e3o pouco vivenciada neste projeto.<\/p>\n<p>Se, por outro lado, adotamos como estrat\u00e9gia a divis\u00e3o do transponder para implanta\u00e7\u00e3o de um canal exclusivo para a educa\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o para o Minist\u00e9rio!) porque n\u00e3o disponibilizar estas 12 horas vazias para grupos e associa\u00e7\u00f5es de educadores, universidades, associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, sindicatos ou mesmo porque n\u00e3o ocup\u00e1-lo com uma programa\u00e7\u00e3o cultural articulada com o Minist\u00e9rio da Cultura com filmes e programas de maneira a fortalecer nas escolas, em todo o pa\u00eds, a perspectiva de transform\u00e1-las em espa\u00e7o vivo de produ\u00e7\u00e3o de cultura e de conhecimento, estimulando uma maior integra\u00e7\u00e3o com a comunidade.<\/p>\n<p>Integrar todos estes projetos e, com eles, fortalecer a escola e os professores n\u00e3o \u00e9 , tenho certeza, tarefa simples. Principalmente porque estes projetos nasceram como fruto de a\u00e7\u00f5es quase antag\u00f4nicas. Antag\u00f4nicas a n\u00edvel do pr\u00f3prio MEC e tamb\u00e9m deste com os demais minist\u00e9rios como o da Cultura, Comunica\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo aspecto \u00e9 interessante retomar a quest\u00e3o da rede, analisando um pouco mais o processo de privatiza\u00e7\u00e3o da telefonia brasileira. Este processo de privatiza\u00e7\u00e3o foi regulado pela Lei 9.472, a Lei Geral das Telecomunica\u00e7\u00f5es (LGT)(<a href=\"http:\/\/www2.ufba.br\/%7Epretto\/textos\/rbe11.htm#%28**%29\">**<\/a>) de julho de 1997. Nesta lei, de forma t\u00edmida, \u00e9 verdade, estava previsto, no artigo 81, a cria\u00e7\u00e3o do Fundo de Universaliza\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7o de Telecomunica\u00e7\u00f5es (FUST). De acordo com o texto da lei, o FUST \u00e9 um &#8220;fundo especificamente constitu\u00eddo para essa finalidade, para o qual contribuir\u00e3o prestadoras de servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es nos regimes p\u00fablico e privado, nos termos da lei&#8221; a partir de uma regulamenta\u00e7\u00e3o que tramita de forma lenta e que n\u00e3o ocorreu, como era de se esperar, antes da venda das empresas.<\/p>\n<p>Este fundo, em teoria, tem como fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica possibilitar que camadas que n\u00e3o tenham recursos pr\u00f3prios para ter acesso \u00e0 telefonia e acesso \u00e0 Internet de forma privada e direta, possam ter acesso atrav\u00e9s de mecanismos sociais mais amplos. Como afirma Tadao Takahashi, ex-coordenador da RNP no Brasil em artigo que circulou na lista EAD,(<a href=\"http:\/\/www2.ufba.br\/%7Epretto\/textos\/rbe11.htm#%28***%29\">***<\/a>) &#8220;\u00e9 evidente que, na pol\u00edtica de telecomunica\u00e7\u00f5es de um pais, \u00e9 desej\u00e1vel ter formas de induzir determinados servi\u00e7os para, extrapolando a fria l\u00f3gica comercial, buscar atingir fins socialmente \u00fateis. Por exemplo, aumentar o acesso a telefonia por parte das classes D e E&#8221; (Takahashi, 1997).<\/p>\n<p>Ampliar este acesso \u00e9 fundamental e neste sentido, a conex\u00e3o das escolas, bibliotecas e postos de sa\u00fade p\u00fablicos, poderiam se constituir, como em outros pa\u00edses, numa forma de propiciar esta universaliza\u00e7\u00e3o do acesso.<\/p>\n<p>E novamente Takahashi quem exemplifica isso com a situa\u00e7\u00e3o americana.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>O Telecommunications Act de 1996         nos EUA definiu a obriga\u00e7\u00e3o de universaliza\u00e7\u00e3o de         acesso a servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s         regulamenta\u00e7\u00e3o, a coisa resultou em um subs\u00eddio para         acesso mais barato por parte de escolas e bibliotecas \u00e0         servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es (especialmente Internet),         at\u00e9 um limite de $2.25 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais!(Takahashi,         1997) .<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>No Brasil, as mobiliza\u00e7\u00f5es e articula\u00e7\u00f5es visando uma maior democratiza\u00e7\u00e3o do acesso n\u00e3o se iniciaram com a LGT. Em verdade, desde o in\u00edcio da implanta\u00e7\u00e3o da rede nacional de pesquisa, este sempre foi um dos pontos presentes. N\u00e3o cabe aqui, fazer um percurso hist\u00f3rico desde o C\u00f3digo Brasileiro das Telecomunica\u00e7\u00f5es de 1962. No entanto, \u00e9 no interior da pr\u00f3pria documenta\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional das Telecomunica\u00e7\u00f5es (ANATEL) que podemos ver, em apenas dois par\u00e1grafos, este percurso, escrito por Murilo Cesar Ramos, professor da Universidade de Bras\u00edlia e mobilizador do grupo de trabalho da Ag\u00eancia, respons\u00e1vel pela discuss\u00e3o e acompanhamento do processo de transforma\u00e7\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es brasileiras e sua rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>O que se depreende do longo hiato entre         a Lei n\u00ba 4.117\/62 e o primeiro Decreto, de 93, e,         depois, da r\u00e1pida saraivada de decretos para tratar de         t\u00e3o singelo, ainda que fundamental, assunto para os         destinos do pa\u00eds, \u00e9 que at\u00e9 os dias de hoje o desafio         da Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi acolhido, mesmo que minimamente,         pelo setor de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Isto vai ficar ainda mais evidente com         a aprova\u00e7\u00e3o, em julho de 1997, da Lei Geral de         Telecomunica\u00e7\u00f5es que, apesar da sua sofistica\u00e7\u00e3o         normativa, ignorou totalmente a tarifa especial         oportunamente criada pelo legislador de 1962. E, ainda         que se possa argumentar que a quest\u00e3o est\u00e1 contemplada         no projeto do Fundo de Universaliza\u00e7\u00e3o das         Telecomunica\u00e7\u00f5es, a pol\u00eamica que j\u00e1 come\u00e7a a cercar         a tramita\u00e7\u00e3o do referido projeto no Congresso Nacional         sinaliza a continuidade do descaso com que o setor de         telecomunica\u00e7\u00f5es tratou, at\u00e9 hoje, a quest\u00e3o da         Educa\u00e7\u00e3o.(Ramos, 1998)<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Esta vis\u00e3o panor\u00e2mica da quest\u00e3o possibilita pensar nas necessidade de uma articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos educadores, tamb\u00e9m no \u00e2mbito das pol\u00edticas de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar na quest\u00e3o das conex\u00f5es. Mas isso n\u00e3o basta. As quest\u00f5es conceituais que sustentariam uma pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o que contemplasse esta dimens\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento e de cultura aqui referida, exige uma outra postura pol\u00edtica. Exemplo antag\u00f4nico poderia ser a entrevista do ministro Paulo Renato de Souza ao programa Hiperm\u00eddia do Canal GNT, em julho de 1997. Falando sobre o PROINFO, o ministro mais uma vez afirmava a dificuldade de conex\u00e3o das escolas \u00e0 Internet e acenava como promissor futuro esta conex\u00e3o com o objetivo dos professores acessarem um grande banco de dados do Minist\u00e9rio para receberam materiais did\u00e1ticos.(<a href=\"http:\/\/www2.ufba.br\/%7Epretto\/textos\/rbe11.htm#%28****%29\">****<\/a>)<\/p>\n<p>Como vemos, mais uma vez, a problem\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo, n\u00e3o \u00e9 mais somente objeto de an\u00e1lise exclusivo do pr\u00f3prio sistema educacional ou da comunidade acad\u00eamica espec\u00edfica da \u00e1rea. A quest\u00e3o amplia-se de forma muito grande, e n\u00e3o se pode pensar que a simples presen\u00e7a de equipamentos \u2013 ainda que necess\u00e1ria e louv\u00e1vel enquanto iniciativa \u2013 associada a um programa de treinamento de professores dar\u00e3o conta desta transforma\u00e7\u00e3o. Muito mais do que isto, \u00e9 urgente perceber a necessidade da montagem desta estrutura de rede, que ainda \u00e9 muito t\u00edmida nas pol\u00edticas governamentais para a educa\u00e7\u00e3o. E isto, numa forte articula\u00e7\u00e3o com outras \u00e1reas, tanto de governo quanto acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>Um conclus\u00e3o, ainda que provis\u00f3ria<\/p>\n<p>Estas reflex\u00f5es procuram dar conta de um processo em andamento. Tenho acompanhado e vivenciado a exist\u00eancia de espa\u00e7os para corre\u00e7\u00f5es de rota nestes projetos. Lamentavelmente eles est\u00e3o sendo tocados sem o grande envolvimento das universidades p\u00fablicas que muito tem refletido sobre estas tem\u00e1ticas. Existe hoje no pa\u00eds, uma massa cr\u00edtica razo\u00e1vel de pesquisadores e pesquisas que j\u00e1 apontam alguns indicadores sobre o tema. Caberia ao governo fazer um esfor\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o destas diversas vertentes, incorporando as cr\u00edticas, de forma a corrigir a rota destes projetos e, de fato, construir um caso de sucesso na educa\u00e7\u00e3o brasileira. N\u00e3o apenas nas palavras e nos n\u00fameros mas na pr\u00e1tica, atuando no pa\u00eds como um todo, que clama p\u00f4r transforma\u00e7\u00f5es estruturais em diversas \u00e1rea. Este \u00e9, sem d\u00favida, o nosso grande desafio e estas novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o podem vir a se constituir em importante elemento destas transforma\u00e7\u00f5es se pudermos v\u00ea-las em outra perspectiva que n\u00e3o a de simples instrumentos metodol\u00f3gicos mais modernos e que podem ser implantados de forma isolada e desarticulada, mantendo as crian\u00e7as, jovens, adolescentes e professores como mero consumidores de um conhecimento pronto que passa agora a circular e ser entregue via as ditas novas tecnologias. Em oposi\u00e7\u00e3o a isso, se pensamos nas tecnologias a servi\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e de cultura, podemos pensar na inser\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no mercado mundial dito globalizado, numa outra perspectiva. Um perspectiva de efetiva cidadania.<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote><p>Barreto, A. L.(1996) An\u00e1lise da proposta         Par\u00e2metros Curriculares Nacionais (PCN).Revista         de Educa\u00e7\u00e3o-AEC. Ano 25, abr\/jun, 1996, p.134\/41.<\/p>\n<p>Benakouche, T.(1995) Redes de Infra-estrutura         t\u00e9cnica e a Cria\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o Urbano: o que se pode         esperar das telecomunica\u00e7\u00f5es. UFSC: Programa de         P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia Pol\u00edtica. Cadernos de         Pesquisa n\u00b0 6, novembro de 1995.<\/p>\n<p>Castells, M.(1996) The Rise of the Network Society, v. I, Oxford, UK: Blackwell..<\/p>\n<p>Cini, M. (1998) Un Pradiso Perduto &#8211; dall&#8217;universo         delle leggi naturali al mondo dei processi evolutivi (Paraiso Perdito &#8211; do universo das leis naturais ao mundo         dos processos evolutivos). Entrevista \u00e0 Revista da         Ci\u00eancia Hoje n\u00famero 138, http:\/\/www.sbpcnet.org.br.<\/p>\n<p>Dias, L. (1995). Redes: emerg\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o in Castro, J. E et al (org) Geografia:         conceitos e temas. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil.<\/p>\n<p>Gilder, G. (1994). Life after Televison, W.W.         Norton &amp; Company.<\/p>\n<p>Hiperm\u00eddia. Dire\u00e7\u00e3o de Celso Freitas.         Programa de televis\u00e3o veiculado pelo Canal GNT em         2\/7\/97.<\/p>\n<p>Hoineff, N. (1991). TV em expans\u00e3o, Rio de         Janeiro:, Record.<\/p>\n<p>Hoineff, N. (1996). A nova televis\u00e3o:         desmassifica\u00e7\u00e3o e o impasse das grandes redes, Rio         de Janeiro: Relume Dumar\u00e1.<\/p>\n<p>L\u00e8vy, P. (1996). O que \u00e9 o virtual?, S\u00e3o         Paulo: Editora 34.<\/p>\n<p>MEC (1996.) Revista da TV Escola, Bras\u00edlia\/DF:         n\u00b0 2, mar\/abr.96.<\/p>\n<p>Oliveira, F. d. (1990) Armadilha neoliberal e as         perspectivas da educa\u00e7\u00e3o. 13\u00aa reuni\u00e3o anual ANPED,         Belo Horizonte\/MG.<\/p>\n<p>Pretto, Nelson De Luca Uma escola sem\/com Futuro:         educa\u00e7\u00e3o e multim\u00eddia. Campinas: Papirus, 1996.<\/p>\n<p>Ramos, M. C. (1998) Documento conceitual n\u00ba 1 da         ANATEL &#8211; Comit\u00ea Nacional da Infraestrutura de         Informa\u00e7\u00f5es &#8211; C-INI\/Educa\u00e7\u00e3o. http:\/\/www.anatel.org\/.<\/p>\n<p>Rushkoff, D. (1996) Playing the future: how kid&#8217;s         culture can teach us to thrive in an age of chaos,         New York:, Harper Collins Publishers.<\/p>\n<p>Santos, L. G. d. (1981) Desregulagens, S\u00e3o         Paulo: Brasiliense.<\/p>\n<p>Souza, P. R. d. (1997) TV Escola; construindo um caso         de sucesso. Folha de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo: p. 3.<\/p>\n<p>Takahashi, T. (1997) LGT: Universaliza\u00e7\u00e3o de         servi\u00e7os, educa\u00e7\u00e3o e Internet. lista EAD         (ead@cr-df.rnp.br<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Notas<\/p>\n<p>(*) <a name=\"(*)\"><\/a>Aprofundo mais esta quest\u00e3o em outro trabalho meu: Uma escola sem\/com futuro &#8211; educa\u00e7\u00e3o e multim\u00eddia, Campinas: Papirus, 1996.<\/p>\n<p>(**)<a name=\"(**)\"><\/a> Toda a documenta\u00e7\u00e3o relativa a esta processo encontra-se no s\u00edtio da ANATEL \u2013 Ag\u00eancia nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es no endere\u00e7o: <a href=\"http:\/\/www.mc.gov.br\/Biblioteca\/Legislacao\/LeiGeral\/\">http:\/\/www.anatel.gov.br\/biblioteca<\/a><\/p>\n<p>(***)<a name=\"(***)\"><\/a> Lista EAD. E.mail: ead@cr-df.rnp.br Mensagem distribu\u00edda por Leonardo Lazarte (UnB) em 04\/09\/97<\/p>\n<p>(****) <a name=\"(****)\"><\/a>Hiperm\u00eddia. Dire\u00e7\u00e3o de Celso Freitas. Veiculado pelo Canal GNT em 2\/7\/97<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado na Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o, Mai\/Jun\/Jul\/Ago 1999 n\u00b0 11. . Nelson Pretto &#8211; FACED\/UFBA Texto produzido a partir das pesquisas do autor Educa\u00e7\u00e3o e Novo mil\u00eanio: as novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o e Tecnologias da Comunica\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o durante o p\u00f3s-doutoramento do autor no Centre for Cultural Studies\/Goldmiths College [http:\/\/www.goldsmiths.co.uk\/cultural-studies].Ambas com apoio financeiro do CNPq. Meu especial agradecimento a Mar\u00edlia Gouveia (Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o\/UFG) pelas fundamentais cr\u00edticas \u00e0 vers\u00e3o inicial deste texto. Nelson Pretto \u00e9 professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela USP (1994). E.mail: pretto@ufba.br Home-page: http:\/\/www.ufba.br\/~pretto Fax: + 55 (0)71 235 2228 Educa\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: um olhar sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras Resumo Transforma\u00e7\u00f5es significativas est\u00e3o ocorrendo em todas as \u00e1reas do conhecimento com um desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico que aproxima de forma inexor\u00e1vel pot\u00eancias humanas e m\u00e1quinas. Os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o ganham especial impulso com este desenvolvimento e passamos a viver numa sociedade da comunica\u00e7\u00e3o generalizada, numa sociedade rede. Este texto analisa o conceito de rede, rede sociocultural e tecnol\u00f3gica, que passa a ser fundamental para ampliar a nossa compreens\u00e3o do mundo contempor\u00e2neo e dos reflexos no sistema educacional. Num segundo momento do texto, \u00e9 feita uma an\u00e1lise do discurso governamental sobre os projetos de implanta\u00e7\u00e3o das tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o \u2013 especialmente televis\u00e3o e computadores &#8211; no sistema educacional brasileiro. Palavras-chaves: educa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o; Internet; inform\u00e1tica educativa; telem\u00e1tica; tecnologia educacional; pol\u00edticas p\u00fablicas; Um mundo em transforma\u00e7\u00e3o Vivemos um momento especial da hist\u00f3ria da humanidade. Grandes transforma\u00e7\u00f5es est\u00e3o ocorrendo em todo o planeta, com grande velocidade e dif\u00edcil dimensionamento. Um dos conceitos chaves deste mundo contempor\u00e2neo \u00e9 conceito de rede. Este n\u00e3o \u00e9 um conceito novo que surge somente neste final de mil\u00eanio. No entanto, \u00e9 a partir da segunda metade deste s\u00e9culo ele passa a ganhar uma dimens\u00e3o mais planet\u00e1ria, ampliando-se de forma consider\u00e1vel. \u00c9 importante aprofund\u00e1-lo articulando-o com o desenvolvimento crescente das tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o para, com isso compreendermos sua rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o. A id\u00e9ia da primeira m\u00e1quina que possibilitasse o processamento de dados de forma mais veloz vem do in\u00edcio do s\u00e9culo, quando, em 1925, foi desenvolvida no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, a primeira m\u00e1quina de calcular eletr\u00f4nica. Mas \u00e9 somente a partir da segunda metade deste s\u00e9culo que este intenso movimento de transforma\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas se manifestam com mais intensidade, a partir da inven\u00e7\u00e3o do transistor, em 1947 por John Bardeen, Walter Houser Bratain e William Bradford. Esta novas descoberta come\u00e7ou a revolucionar o mundo das m\u00e1quinas e dos equipamentos e, alguns anos depois, deu-se in\u00edcio \u00e0 chamada miniaturiza\u00e7\u00e3o das tecnologias, promovendo um grande impulso em todo o desenvolvimento dos sistemas de comunica\u00e7\u00e3o em informa\u00e7\u00e3o, com especial \u00eanfase para a televis\u00e3o. Com este impulso, novas formas de comunica\u00e7\u00e3o foram introduzidas e, hoje, discute-se a televis\u00e3o segmentada, a televis\u00e3o interativa, o telecomputer, a automa\u00e7\u00e3o dos sistema informacionais, as sinergias e megafus\u00f5es de grandes empresas do mercado audiovisual e de comunica\u00e7\u00e3o. Estes intensos movimentos de transforma\u00e7\u00f5es fazem com que atualmente uma \u00fanica gera\u00e7\u00e3o seja capaz de acompanhar o nascimento e a morte de uma tecnologia. Geroge Gilder e Nelson Hoineff s\u00e3o dois autores que fazem uma interessante retrospectiva deste alucinado movimento e s\u00e3o leituras indispens\u00e1veis para aqueles que querem compreender o que nos espera em termos de equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muitas as tentativas de sistematiza\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica no mundo das comunica\u00e7\u00f5es. A inven\u00e7\u00e3o do transistor e o conseq\u00fcente desenvolvimento dos sistemas computacionais s\u00e3o sempre apontados como marcos importantes neste universo. Para Leila Dias , podemos analisar este recente desenvolvimento em tr\u00eas fases. A primeira, durante \u00e0 d\u00e9cada de 70, fez com que a inform\u00e1tica fosse sendo gradativamente introduzida na sociedade mas, ainda como algo traumatizante, mais pr\u00f3ximo da alquimia, com os computadores de grande porte (main frame), geralmente instalados em salas especiais, isoladas, centralizadas, com pessoal altamente especializado. A palavra b\u00e1sica que representaria este momento \u00e9 a de um sistema basicamente centralizado. Quando em 1970 \u00e9 lan\u00e7ado pela Canon no Jap\u00e3o o Pocktronic &#8211; o primeiro computador de bolso &#8211; percebe-se um movimento de transforma\u00e7\u00e3o muito forte surgindo, durante esta d\u00e9cada, o microprocessador (micro processing unit) e a CPU (Central Processing Center), conhecida como o c\u00e9rebro do computador. Definitivamente, este cen\u00e1rio come\u00e7ou a ser transformado. Nasce assim a micro inform\u00e1tica, constituindo-se na chamada segunda fase do recente desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Implantam-se as redes, conectando computadores em tempo real. Ao longo da d\u00e9cada de 80 instala-se a chamada terceira fase, com o aumento da capacidade de an\u00e1lise instant\u00e2nea de dados paralelamente ao barateamento dos equipamentos. Este aumento de processamento dos dados e as pesquisas com vistas a uma maior integra\u00e7\u00e3o dos computadores que cada dia mais se espalhavam pelo mundo, foi mais uma vez, mudando este cen\u00e1rio, dando especial impulso \u00e0 hist\u00f3ria da humanidade. Novos atores entram em cena. Fala-se, ent\u00e3o, em descentraliza\u00e7\u00e3o dos sistema, em redes interativas, em conex\u00f5es em tempos reais. A enorme diminui\u00e7\u00e3o dos custos dos equipamentos eletr\u00f4nicos foi dando outro significativo impulso na \u00e1rea, com reflexos em toda a sociedade. Simultaneamente desenvolvem-se os equipamentos de conex\u00f5es (comutadores, hubs, fibras, modens) e a ind\u00fastria do software tamb\u00e9m busca atingir outro patamar e desenvolve-se de forma acelerada, dando especial \u00eanfase ao desenvolvimento de programas para serem usados nas redes. A Internet passa a fazer parte da realidade do mundo acad\u00eamico e, rapidamente, vai se despontando como importante elemento de conex\u00e3o entre equipamentos e, com isso, introduzindo novas formas de se produzir conhecimento e cultura. Ao estabelecer estas conex\u00f5es entre equipamentos, estas redes come\u00e7am, tamb\u00e9m, a estabelecer os links entre diferentes culturas que agora passam a ter a possibilidade, pelo menos potencial, de se comunicar, se expor, de intercambiar multi-rela\u00e7\u00f5es entre sujeitos e m\u00e1quinas. O conceito de rede passa a ser um elemento chave deste momento e est\u00e1 sendo objeto de an\u00e1lise em diversos campos do saber. Ele ganha import\u00e2ncia no mundo contempor\u00e2neo mas, como afirma Leila Dias, ele n\u00e3o \u00e9 recente. Em eu texto Redes: emerg\u00eancia e<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":268,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-2col-left.php","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-417","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/417"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=417"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/417\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}