{"id":395,"date":"2010-03-08T17:14:29","date_gmt":"2010-03-08T20:14:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=395"},"modified":"2010-03-08T17:14:29","modified_gmt":"2010-03-08T20:14:29","slug":"desafios-da-educacao-na-sociedade-do-conhecimento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos_academicos\/desafios-da-educacao-na-sociedade-do-conhecimento\/","title":{"rendered":"Desafios da educa\u00e7\u00e3o na sociedade do conhecimento"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000\">Artigo publicado na Revista Presente! n\u00famero 38, Setembro &#8211; 2002.<\/span><\/p>\n<p><strong>Nelson De Luca Pretto <\/strong><\/p>\n<p>A mundializa\u00e7\u00e3o da economia, evidente em todos os recantos, tem levado, muitas vezes, a generaliza\u00e7\u00f5es sobre o processo de globaliza\u00e7\u00e3o nem sempre coerentes com outros movimentos fora da \u00e1rea econ\u00f4mica. Percebe-se, conforme j\u00e1 afirmou Gianni Vattimo (1991), uma tamb\u00e9m multiplica\u00e7\u00e3o de valores e culturas locais, mesmo com a grande concentra\u00e7\u00e3o de capital e de empresas no mundo da m\u00eddia.<\/p>\n<p>O desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico que estamos experimentando tem exigido das na\u00e7\u00f5es programas espec\u00edficos visando a sua inser\u00e7\u00e3o e sua intera\u00e7\u00e3o nesse mundo de m\u00faltiplas e velozes conex\u00f5es. Esses programas, denominados de Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 foram definidos em muitos pa\u00edses, e agora, encontra-se em andamento no Brasil.<\/p>\n<p>Os sistemas educacionais t\u00eam sido profundamente questionados por n\u00e3o buscarem fundamentos que possibilitem a efetiva\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0s novas compet\u00eancias para o cidad\u00e3o planet\u00e1rio. O desafio da universaliza\u00e7\u00e3o do ensino e da forma\u00e7\u00e3o continuada imp\u00f5e um racioc\u00ednio que, a meu ver, n\u00e3o aborda a quest\u00e3o por uma via aceit\u00e1vel. Um dos aspectos que vem chamando a aten\u00e7\u00e3o ao longo da \u00faltima d\u00e9cada \u00e9 a \u00eanfase que se tem dado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia como sendo a grande possibilidade de supera\u00e7\u00e3o desses desafios educacionais contempor\u00e2neos. Mais do que isso, o que percebemos \u00e9 que as quest\u00f5es nessa \u00e1rea s\u00e3o interpretadas como simples conseq\u00fc\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o das tecnologias, mais precisamente da evolu\u00e7\u00e3o da computa\u00e7\u00e3o. Penso que n\u00e3o estamos percebendo que o desafio que est\u00e1 sendo posto vai muito al\u00e9m da simples incorpora\u00e7\u00e3o dessas tecnologias como novas interfaces comunicacionais.<\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o de uso das Tecnologias de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o (TICs) tem sido experimentada em v\u00e1rias pa\u00edses do mundo e j\u00e1 come\u00e7amos verificar um certo descaso sobre a sua verdadeira efic\u00e1cia. J\u00e1 est\u00e1 virando senso comum afirmar-se que a incorpora\u00e7\u00e3o dos computadores na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser mera repeti\u00e7\u00e3o dos tradicionais cursos ou aulas, estando as mesmas, no entanto, ainda centradas na superada e tradicional concep\u00e7\u00e3o das tecnologias educacionais, associadas \u00e0 pr\u00e1ticas de instru\u00e7\u00f5es programadas t\u00e3o conhecidas dos educadores algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Numa outra dimens\u00e3o, tamb\u00e9m j\u00e1 quase senso comum, \u00e9 entender que o uso dessas tecnologias ser\u00e1 um fracasso, sem d\u00favida, se insistirmos na sua introdu\u00e7\u00e3o como ferramentas, apenas como mero auxiliares do processo educacional, de um processo &#8220;caduco&#8221;, que continua sendo imposto ao cotidiano das pessoas que vivem um outro movimento hist\u00f3rico<span style=\"color: #0000ff\">.<\/span> Em todas essas situa\u00e7\u00f5es, a distin\u00e7\u00e3o entre a educa\u00e7\u00e3o presencial ou a dist\u00e2ncia, faz pouco sentido pois estando essas tecnologias presentes, mudam as dimens\u00f5es espa\u00e7o-tempo e, com isso, essa distin\u00e7\u00e3o presencial &#8211; a dist\u00e2ncia esvazia-se de sentido.<\/p>\n<p>O problema posto na mesa, agora, \u00e9 a necessidade de considerar que esse movimento contempor\u00e2neo proporciona a oportunidade sem igual de aproximar novas (e velhas!) tecnologias ao processo educativo como uma possibilidade \u00fanica de superar as fal\u00e1cias dos sistemas tradicionais de ensino \u2013 as conhecidas Pedagogias da Assimila\u00e7\u00e3o partindo para compreendermos a educa\u00e7\u00e3o enquanto processo que se constr\u00f3i-se a partir da diferen\u00e7a, instituindo o que estamos chamando de Pedagogias da Diferen\u00e7a.(Pretto, 2000). Mais do que isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que os educadores fiquem esperando que as outras \u00e1reas (comunica\u00e7\u00e3o, inform\u00e1tica e engenharias, para citar os exemplos mais conhecidos no Brasil) ocupem <strong>sozinhas<\/strong> esse espa\u00e7o, que \u00e9 eminentemente um espa\u00e7o pedag\u00f3gico. Esse n\u00e3o \u00e9 um argumento corporativista pois n\u00e3o se est\u00e1 defendendo, que os educadores ocupem sozinhos esses espa\u00e7os. A primeira e mais evidente raz\u00e3o para a n\u00e3o ado\u00e7\u00e3o dessa vis\u00e3o corporativa \u00e9 a de que isso nem \u00e9 mais poss\u00edvel. O exemplo da produ\u00e7\u00e3o educativa para a televis\u00e3o j\u00e1 foi bastante evidente e essa dicotomia entre aqueles que sabem televis\u00e3o e os chamados conteudistas tem-se mostrado completamente superada, tanto do ponto de vista te\u00f3rico como pratico. O momento exige que tenhamos uma maior integra\u00e7\u00e3o entre aquelas \u00e1reas que antes eram chamadas apenas de \u00e1reas meios com aquelas chamadas de \u00e1reas de conte\u00fado. Instala-se assim, obrigatoriamente, um processo de negocia\u00e7\u00e3o permanente entre as mais diversas \u00e1reas, com especial \u00eanfase \u00e0 Internet, e \u00e0 toda uma forma\u00e7\u00e3o da comunidade escolar (estudantes, professores, dire\u00e7\u00e3o, comunidade vizinha) para o uso pleno das tecnologias.<\/p>\n<p>Essa \u00eanfase na negocia\u00e7\u00e3o, segundo relaciona-se \u00e0 Intelig\u00eancia Coletiva e seu aspecto participativo, socializante, emancipador, necess\u00e1rios ao entendimento da complexidade que perpassa o simples reproduzir conte\u00fados pelo processo de mudan\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o cooperativa e conectiva do saber-fazer \u00e0s compet\u00eancias humanas.<\/p>\n<p>O desafio que se coloca, nesse sentido, \u00e9 o de viabilizar uma pol\u00edtica que considere a escola \u2013 e nosso objetivo aqui \u00e9 falar da escola mesmo, da educa\u00e7\u00e3o dita formal, aquela que acontece e continuar\u00e1 acontecendo no espa\u00e7o escolar! \u2013 como sendo um novo espa\u00e7o, um espa\u00e7o aberto \u00e0s intera\u00e7\u00f5es, s\u00f3 que agora, pegando emprestado da f\u00edsica, <strong>um espa\u00e7o aberto de intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o lineares<\/strong>.<\/p>\n<p>Para a viabiliza\u00e7\u00e3o de um projeto pol\u00edtico como esse, torna-se necess\u00e1rio pensar nas <strong>escolas conectadas<\/strong>. A conex\u00e3o passa a ser, consequentemente, a palavra de ordem primordial e significa simultaneamente acesso \u00e0s tecnologias em si e \u00e0 infra estrutura de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para isso j\u00e1 existe no pa\u00eds uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, faltando, no entanto, a sua regulamenta\u00e7\u00e3o e, com isso, viabilizar a sua implanta\u00e7\u00e3o. A Lei Geral das Telecomunica\u00e7\u00f5es (LGT) ao ser promulgada, em 1997, instituiu o Fundo de Universaliza\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os das Telecomunica\u00e7\u00f5es (FUST), projeto de lei que busca dar suporte \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de redes p\u00fablicas que est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de projetos educacionais. De 1997, quando a lei foi promulgada, at\u00e9 os dias de hoje, esse fundo n\u00e3o foi regulamentado e, consequentemente, n\u00e3o est\u00e1 sendo aplicado, gerando, de um lado, uma perda consider\u00e1vel de recursos e, de outro, um enorme atraso na possibilidade de desenvolver uma pol\u00edtica educacional que tenha outras bases, n\u00e3o a da simples transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples pois a viabiliza\u00e7\u00e3o desse fundo envolve somas consider\u00e1veis de recursos. Para se ter uma id\u00e9ia, e de acordo com o senador L\u00facio Alc\u00e2ntara, &#8220;pelas estimativas, se o fundo fosse aprovado neste ano [1999], ter\u00edamos, no ano de 2000, uma expectativa de receita da ordem de 760 milh\u00f5es, para chegarmos ao ano de 2003 com uma receita prevista de 280 milh\u00f5es. Isso ocorreria por uma raz\u00e3o muito simples: grande parte dessa receita decorre de privatiza\u00e7\u00f5es e de parcelas que est\u00e3o sendo amortizadas do processo de privatiza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Com o n\u00e3o recolhimento, esses recursos ficam de posse dos pr\u00f3prios operadores do sistema telef\u00f4nico e, com isso, ficamos praticamente tr\u00eas anos sem poder usar mais recursos para poder avan\u00e7ar nessa quest\u00e3o. Essa perda aparece como um fator relevante \u00e0 n\u00e3o expans\u00e3o das TICs na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Paralelamente, desde 1999 vem sendo constru\u00eddo o Programa Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o [http:\/\/www.socinfo.org.br], lan\u00e7ado pelo Presidente da Republica em dezembro de 1999, que \u00e9 de estrat\u00e9gica import\u00e2ncia para essas transforma\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. A metodologia de implanta\u00e7\u00e3o do Programa prev\u00ea a elabora\u00e7\u00e3o, ao longo desse primeiro semestre de 2000, do chamado <em>livro verde<\/em> que est\u00e1 sendo produzido por cerca de 13 GTs, cada qual com, em m\u00e9dia, 10 componentes, que representam diversas inst\u00e2ncias da sociedade civil, do governo, de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, empresas, ind\u00fastrias. Esse livro cont\u00e9m as bases iniciais para que se possa promover a discuss\u00e3o dos princ\u00edpios ali expostos e, a partir de ampla discuss\u00e3o com a sociedade, pretende-se preparar o <em>livro branco <\/em>onde dever\u00e3o estar definidos aspectos fundamentais da rela\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o brasileira com as tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Grupo de Trabalho de Educa\u00e7\u00e3o tem pautado sua atua\u00e7\u00e3o no sentido de fortalecer a id\u00e9ia de que este programa \u00e9 muito mais que um programa da sociedade <strong>de<\/strong> informa\u00e7\u00e3o, constituindo-se numa proposta de constru\u00e7\u00e3o de um <strong>projeto de sociedade<\/strong>. Para esse GT, a linha de a\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 a &#8220;forma\u00e7\u00e3o para a cidadania&#8221;, devendo ser ela o eixo fundamental de todo o processo. O Programa dever\u00e1, ent\u00e3o, explicitar de forma clara e contundente o objetivo de que a sociedade disponibilize para todos seus cidad\u00e3os o acesso \u00e0s possibilidades de desenvolvimento integral como ser humano, em suas dimens\u00f5es individual e social, objetiva e subjetiva. Ainda nesse sentido, insistimos que isso somente \u00e9 poss\u00edvel se, no m\u00ednimo, duas quest\u00f5es b\u00e1sicas foram consideradas. De um lado, a conectividade f\u00edsica das escolas, conforme j\u00e1 nos referimos. De outro, a prepara\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os para esse mundo tecnol\u00f3gico. Precisamos, nessa linha, estar atentos tanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos professores que est\u00e3o nas universidades ou em cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores, como \u00e0queles que est\u00e3o em servi\u00e7o, j\u00e1 atuando no sistema. Essas duas quest\u00f5es s\u00e3o primordiais e fundamentais \u00e0 busca de compet\u00eancias necess\u00e1rias a forma\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os nessa sociedade &#8220;glocal&#8221;, que busca a expans\u00e3o e a efetiva\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o cibern\u00e9tico como espa\u00e7o de saber resignificado.<\/p>\n<p>Nessa simultaneidade de a\u00e7\u00f5es n\u00e3o se pode imaginar que seja poss\u00edvel continuar a trabalhar com projetos\/programas que insistam na l\u00f3gica da simples passagem de conte\u00fados para os alunos. Muito menos, podemos no <em>contentar <\/em>com a perspectiva de um mera prepara\u00e7\u00e3o para o mundo do trabalho. Usando relat\u00f3rios de OCDE de 1987, Boaventura de Sousa Santos descreve as expectativas de empres\u00e1rio ingleses sobre a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. A pesquisa da OCDE revela que o que se espera \u00e9 que a &#8220;acima de tudo que a universidade os submeta [os jovens] a experi\u00eancias pedag\u00f3gicas que, independentemente do curso escolhido, criem flexibilidade, promovam o desenvolvimento pessoal e agucem a motiva\u00e7\u00e3o individual&#8221;. (Santos, 1997, p. 198). Ou seja, que o sistema educacional proporcione a valoriza\u00e7\u00e3o e a busca de compet\u00eancias que o aluno desejar, pois o desejar depende muito desta flexibiliza\u00e7\u00e3o instituinte.<\/p>\n<p>Temos, portanto, uma oportunidade sem igual pois podemos ter, simultaneamente, a escola atuando na sua dimens\u00e3o local mais pr\u00f3xima e numa outra dimens\u00e3o, planet\u00e1ria, fazendo com que a escola deixe de ser apenas uma repassadora de informa\u00e7\u00f5es. A mudan\u00e7a dessa concep\u00e7\u00e3o exige uma escola centrada num amplo programa de conex\u00e3o \u2013 montagem de redes tecnol\u00f3gicas \u2013, onde a forma\u00e7\u00e3o se d\u00ea de forma continuada, num misto de presen\u00e7a e dist\u00e2ncia. Essa concep\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o possibilitaria a in\u00fameras pessoas estarem participando, trocando, discutindo e descobrindo novas formas de fazer e validar compet\u00eancias e experi\u00eancias singularizadas.<\/p>\n<p>O que temos visto, no entanto, \u00e9 a falta de algo mais arrojado no sentido do estabelecimento de efetivas redes de comunica\u00e7\u00f5es. J\u00e1 come\u00e7amos a ver uma certa unanimidade quando se fala da incorpora\u00e7\u00e3o das TICs na educa\u00e7\u00e3o. Muito se fala de transforma\u00e7\u00f5es profundas, do importante papel do professor, da necessidade de considerar os r\u00edtimos e velocidades dos alunos, nas transversalidades e interdiscplinaridades mas, na pr\u00e1tica, continuamos, na operacionaliza\u00e7\u00e3o dessas propostas te\u00f3ricas, reproduzindo as velhas pr\u00e1ticas, m\u00e9todos e sistemas. Percebe-se um descompasso entre o que se prop\u00f5e do ponto de vista te\u00f3rico e o que se configura como sendo a operacionaliza\u00e7\u00e3o das propostas, ou seja a proposta te\u00f3rica desenvolvida por autores-educadores, n\u00e3o consegue adentrar os port\u00f5es da escola e proporcionar, na pr\u00e1tica, \u00e0quele menino ou menina a participarem da sociedade da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fortalecimento de um conjunto de a\u00e7\u00f5es mais continuadas com o uso de tecnologias contempor\u00e2neas de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o no cotidiano da escola tem que se dar a partir da articula\u00e7\u00e3o intensa de a\u00e7\u00f5es com a perspectiva de associar a montagem da rede tanto no sentido f\u00edsico como no sentido te\u00f3rico, de forma a fortalecer uma nova concep\u00e7\u00e3o de curr\u00edculo que n\u00e3o mais se constitua numa grade \u2013 em sentido estrito e em sentido figurado tamb\u00e9m \u2013 com um elenco de disciplinas e ementas soltas, que passam a se encaixar na grade, formando o todo, estando as disciplinas elencadas e arrumadas em seq\u00fc\u00eancia hier\u00e1rquica, uma sendo pr\u00e9 requisito para as demais, que se somariam linearmente.<\/p>\n<p>A escola, numa nova perspectiva, passa a ter um papel muito mais forte, um papel significativo na forma\u00e7\u00e3o das novas compet\u00eancias, que n\u00e3o sejam necessariamente compet\u00eancias vinculadas \u00e0 perspectiva de mercado que domina hoje toda a sociedade. Que n\u00e3o seja, enfim, uma simples prepara\u00e7\u00e3o para o mercado, mas que sejam capazes de produzir uma sinergia entre compet\u00eancias, informa\u00e7\u00f5es e novos saberes.<\/p>\n<p>Valores como solidariedade, trabalho coletivo, \u00e9tica, passam a ser recuperados nesse contexto, a partir de um trabalho mais abrangente que tenha as novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o como elementos estruturantes desse novo pensar e viver. (Pretto, 1996)<\/p>\n<p>Para encerrar, creio que seja importante recuperar um mensagem recebida de uma monitora do Movimento dos Sem Terra (MST), durante um curso do PRONERA, na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, em janeiro de 1999.<\/p>\n<p>Permeando as aulas que ministr\u00e1vamos de portugu\u00eas, matem\u00e1tica, ci\u00eancias, Internet e produ\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos, os monitores participaram de um debate sobre o FUST e a LGT. Durante os momentos em que os 60 monitores praticavam inform\u00e1tica fomos recebendo os primeiros e-mails dessa popula\u00e7\u00e3o que sempre caracterizou-se pela palavra SEM. Est\u00e1vamos trabalhando para diminuir as possibilidades de, num futuro bem pr\u00f3ximo, eles tamb\u00e9m passarem a ser SEM-conex\u00e3o e SEM-alfabetiza\u00e7\u00e3o digital necess\u00e1ria para o mundo contempor\u00e2neo. O que se destacou desse conjunto de primeiras mensagens recebidas foi a evid\u00eancia do espirito de solidariedade que preside o Movimento dos Sem Terra e que estava tamb\u00e9m presidindo o nosso curso e consequentemente, quase todas as mensagens recebidas. A preocupa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica era com o companheiro que ficou no assentamento e n\u00e3o apenas com o crescimento pessoal de cada monitor. Creio que essa \u00e9 a maior li\u00e7\u00e3o que eu podia ter recebido ao longo de toda minha vida profissional. Para encerrar, vejam o que me disse Suzy, quase como sendo a manifesta\u00e7\u00e3o dos 60 ali presentes.<\/p>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Courier New\"> <\/span><span style=\"font-family: Courier New\">From: suzysuzart [suzysuzart@bol.com.br]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Courier New\"> <\/span><span style=\"font-family: Courier New\">Sent: Ter\u00e7a-feira, 1 de Fevereiro de 2000 11:52<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Courier New\"> <\/span><span style=\"font-family: Courier New\">Subject: mensagem<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Courier New\"> <\/span><span style=\"font-family: Courier New\">Nelson e um momento muito gratificante para nos pois esse curso e       maravilhoso onde estamos aprendendo informatica coisa que ainda nao       conheciamos e agora vem o mais dificil que e <span style=\"text-decoration: underline\">passar para os nossos       alunos poder dividir esse momento seria muito importante para eles fica       suplica de quem sabe um dia levar a internet para os assentamentos <\/span>desde       ja agradecemos ao Pronera a forma\u00e7\u00e3o para nossos alunos. E Seria um       sonho ter internet nos assentamento quem sabe o pronera realizar esse       sonho de conhecimento. beijos suzysuzart SUCESSO &#8230;. PRONERA. [destaque       meu]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Courier New\"> <\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-family: Courier New\"> <\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-family: Courier New\"> <\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>Um sonho, talvez! Mas poss\u00edvel de ser concretizado se pensarmos numa transforma\u00e7\u00e3o profunda nesse sistema que possibilita leis como a do FUST fiquem sem regulamenta\u00e7\u00e3o tanto tempo. Mudan\u00e7as nessas pol\u00edticas podem ser um passo na dire\u00e7\u00e3o de, um dia, construirmos um pa\u00eds mais justo, menos desigual e mais feliz.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Arial\">Bibliografia<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Pretto, Nelson De. Luca Uma escola sem\/com Futuro: educa\u00e7\u00e3o e multim\u00eddia. Campinas\/SP, Papirus, 1996.<\/p>\n<p>Pretto, Nelson De Luca Construindo um escola sem rumo &#8211; documentos da gest\u00e3o. Salvador, encarte, 2000.<\/p>\n<p>Santos, Boaventura d. S.. Pela m\u00e3o de Alice: o social e o pol\u00edtico na p\u00f3s-modernidade. S\u00e3o Paulo, Cortez, 1997.<\/p>\n<p>Vattimo, Gianni A sociedade transparente. Rio de Janeiro, Edi\u00e7\u00f5es 70, 1991.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado na Revista Presente! n\u00famero 38, Setembro &#8211; 2002. Nelson De Luca Pretto A mundializa\u00e7\u00e3o da economia, evidente em todos os recantos, tem levado, muitas vezes, a generaliza\u00e7\u00f5es sobre o processo de globaliza\u00e7\u00e3o nem sempre coerentes com outros movimentos fora da \u00e1rea econ\u00f4mica. Percebe-se, conforme j\u00e1 afirmou Gianni Vattimo (1991), uma tamb\u00e9m multiplica\u00e7\u00e3o de valores e culturas locais, mesmo com a grande concentra\u00e7\u00e3o de capital e de empresas no mundo da m\u00eddia. O desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico que estamos experimentando tem exigido das na\u00e7\u00f5es programas espec\u00edficos visando a sua inser\u00e7\u00e3o e sua intera\u00e7\u00e3o nesse mundo de m\u00faltiplas e velozes conex\u00f5es. Esses programas, denominados de Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 foram definidos em muitos pa\u00edses, e agora, encontra-se em andamento no Brasil. Os sistemas educacionais t\u00eam sido profundamente questionados por n\u00e3o buscarem fundamentos que possibilitem a efetiva\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0s novas compet\u00eancias para o cidad\u00e3o planet\u00e1rio. O desafio da universaliza\u00e7\u00e3o do ensino e da forma\u00e7\u00e3o continuada imp\u00f5e um racioc\u00ednio que, a meu ver, n\u00e3o aborda a quest\u00e3o por uma via aceit\u00e1vel. Um dos aspectos que vem chamando a aten\u00e7\u00e3o ao longo da \u00faltima d\u00e9cada \u00e9 a \u00eanfase que se tem dado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia como sendo a grande possibilidade de supera\u00e7\u00e3o desses desafios educacionais contempor\u00e2neos. Mais do que isso, o que percebemos \u00e9 que as quest\u00f5es nessa \u00e1rea s\u00e3o interpretadas como simples conseq\u00fc\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o das tecnologias, mais precisamente da evolu\u00e7\u00e3o da computa\u00e7\u00e3o. Penso que n\u00e3o estamos percebendo que o desafio que est\u00e1 sendo posto vai muito al\u00e9m da simples incorpora\u00e7\u00e3o dessas tecnologias como novas interfaces comunicacionais. Essa concep\u00e7\u00e3o de uso das Tecnologias de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o (TICs) tem sido experimentada em v\u00e1rias pa\u00edses do mundo e j\u00e1 come\u00e7amos verificar um certo descaso sobre a sua verdadeira efic\u00e1cia. J\u00e1 est\u00e1 virando senso comum afirmar-se que a incorpora\u00e7\u00e3o dos computadores na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser mera repeti\u00e7\u00e3o dos tradicionais cursos ou aulas, estando as mesmas, no entanto, ainda centradas na superada e tradicional concep\u00e7\u00e3o das tecnologias educacionais, associadas \u00e0 pr\u00e1ticas de instru\u00e7\u00f5es programadas t\u00e3o conhecidas dos educadores algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s. Numa outra dimens\u00e3o, tamb\u00e9m j\u00e1 quase senso comum, \u00e9 entender que o uso dessas tecnologias ser\u00e1 um fracasso, sem d\u00favida, se insistirmos na sua introdu\u00e7\u00e3o como ferramentas, apenas como mero auxiliares do processo educacional, de um processo &#8220;caduco&#8221;, que continua sendo imposto ao cotidiano das pessoas que vivem um outro movimento hist\u00f3rico. Em todas essas situa\u00e7\u00f5es, a distin\u00e7\u00e3o entre a educa\u00e7\u00e3o presencial ou a dist\u00e2ncia, faz pouco sentido pois estando essas tecnologias presentes, mudam as dimens\u00f5es espa\u00e7o-tempo e, com isso, essa distin\u00e7\u00e3o presencial &#8211; a dist\u00e2ncia esvazia-se de sentido. O problema posto na mesa, agora, \u00e9 a necessidade de considerar que esse movimento contempor\u00e2neo proporciona a oportunidade sem igual de aproximar novas (e velhas!) tecnologias ao processo educativo como uma possibilidade \u00fanica de superar as fal\u00e1cias dos sistemas tradicionais de ensino \u2013 as conhecidas Pedagogias da Assimila\u00e7\u00e3o partindo para compreendermos a educa\u00e7\u00e3o enquanto processo que se constr\u00f3i-se a partir da diferen\u00e7a, instituindo o que estamos chamando de Pedagogias da Diferen\u00e7a.(Pretto, 2000). Mais do que isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que os educadores fiquem esperando que as outras \u00e1reas (comunica\u00e7\u00e3o, inform\u00e1tica e engenharias, para citar os exemplos mais conhecidos no Brasil) ocupem sozinhas esse espa\u00e7o, que \u00e9 eminentemente um espa\u00e7o pedag\u00f3gico. Esse n\u00e3o \u00e9 um argumento corporativista pois n\u00e3o se est\u00e1 defendendo, que os educadores ocupem sozinhos esses espa\u00e7os. A primeira e mais evidente raz\u00e3o para a n\u00e3o ado\u00e7\u00e3o dessa vis\u00e3o corporativa \u00e9 a de que isso nem \u00e9 mais poss\u00edvel. O exemplo da produ\u00e7\u00e3o educativa para a televis\u00e3o j\u00e1 foi bastante evidente e essa dicotomia entre aqueles que sabem televis\u00e3o e os chamados conteudistas tem-se mostrado completamente superada, tanto do ponto de vista te\u00f3rico como pratico. O momento exige que tenhamos uma maior integra\u00e7\u00e3o entre aquelas \u00e1reas que antes eram chamadas apenas de \u00e1reas meios com aquelas chamadas de \u00e1reas de conte\u00fado. Instala-se assim, obrigatoriamente, um processo de negocia\u00e7\u00e3o permanente entre as mais diversas \u00e1reas, com especial \u00eanfase \u00e0 Internet, e \u00e0 toda uma forma\u00e7\u00e3o da comunidade escolar (estudantes, professores, dire\u00e7\u00e3o, comunidade vizinha) para o uso pleno das tecnologias. Essa \u00eanfase na negocia\u00e7\u00e3o, segundo relaciona-se \u00e0 Intelig\u00eancia Coletiva e seu aspecto participativo, socializante, emancipador, necess\u00e1rios ao entendimento da complexidade que perpassa o simples reproduzir conte\u00fados pelo processo de mudan\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o cooperativa e conectiva do saber-fazer \u00e0s compet\u00eancias humanas. O desafio que se coloca, nesse sentido, \u00e9 o de viabilizar uma pol\u00edtica que considere a escola \u2013 e nosso objetivo aqui \u00e9 falar da escola mesmo, da educa\u00e7\u00e3o dita formal, aquela que acontece e continuar\u00e1 acontecendo no espa\u00e7o escolar! \u2013 como sendo um novo espa\u00e7o, um espa\u00e7o aberto \u00e0s intera\u00e7\u00f5es, s\u00f3 que agora, pegando emprestado da f\u00edsica, um espa\u00e7o aberto de intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o lineares. Para a viabiliza\u00e7\u00e3o de um projeto pol\u00edtico como esse, torna-se necess\u00e1rio pensar nas escolas conectadas. A conex\u00e3o passa a ser, consequentemente, a palavra de ordem primordial e significa simultaneamente acesso \u00e0s tecnologias em si e \u00e0 infra estrutura de comunica\u00e7\u00e3o. Para isso j\u00e1 existe no pa\u00eds uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, faltando, no entanto, a sua regulamenta\u00e7\u00e3o e, com isso, viabilizar a sua implanta\u00e7\u00e3o. A Lei Geral das Telecomunica\u00e7\u00f5es (LGT) ao ser promulgada, em 1997, instituiu o Fundo de Universaliza\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os das Telecomunica\u00e7\u00f5es (FUST), projeto de lei que busca dar suporte \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de redes p\u00fablicas que est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de projetos educacionais. De 1997, quando a lei foi promulgada, at\u00e9 os dias de hoje, esse fundo n\u00e3o foi regulamentado e, consequentemente, n\u00e3o est\u00e1 sendo aplicado, gerando, de um lado, uma perda consider\u00e1vel de recursos e, de outro, um enorme atraso na possibilidade de desenvolver uma pol\u00edtica educacional que tenha outras bases, n\u00e3o a da simples transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples pois a viabiliza\u00e7\u00e3o desse fundo envolve somas consider\u00e1veis de recursos. Para se ter uma id\u00e9ia, e de acordo com o senador L\u00facio Alc\u00e2ntara, &#8220;pelas estimativas, se o fundo fosse aprovado neste ano [1999], ter\u00edamos, no ano de 2000, uma expectativa de receita da ordem de 760 milh\u00f5es, para chegarmos ao ano de 2003<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":268,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-2col-left.php","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-395","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/395"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/395\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}