{"id":388,"date":"2010-03-08T16:39:52","date_gmt":"2010-03-08T19:39:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=388"},"modified":"2010-03-08T16:39:52","modified_gmt":"2010-03-08T19:39:52","slug":"politicas-publicas-educacionais-no-mundo-contemporaneo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos_academicos\/politicas-publicas-educacionais-no-mundo-contemporaneo\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas p\u00fablicas educacionais no mundo contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000\">Artigo publicado na Liinc em Revista. , v.02, p.10 \u2013 27, 2006<\/span><\/p>\n<p><strong>Nelson De Luca Pretto<\/strong><\/p>\n<p>A partir de cenas distantes mais de um s\u00e9culo, que descrevem aspectos educacionais e<br \/>\ntecnol\u00f3gicos, o artigo analisa as pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras em educa\u00e7\u00e3o relacionando-as com<br \/>\nas pol\u00edticas de cultura, telecomunica\u00e7\u00f5es e ci\u00eancia e tecnologia. As profundas transforma\u00e7\u00f5es<br \/>\ntrazidas pelas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o trazem para a educa\u00e7\u00e3o desafios muito<br \/>\ngrandes, especialmente com a internet, ao contribu\u00edrem com as profundas modifica\u00e7\u00f5es na forma<br \/>\nde ser e de pensar da humanidade. Destaca-se a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de ado\u00e7\u00e3o de software<br \/>\nlivre no Governo Federal, do incentivo da cultura digital e da discuss\u00e3o sobre o sistema<br \/>\nbrasileiro de TV Digital sendo que, no entanto, pouco se faz no campo da forma\u00e7\u00e3o de<br \/>\nprofessores. A l\u00f3gica linear de curr\u00edculo n\u00e3o d\u00e1 conta desses desafios e propomos uma outra<br \/>\nconcep\u00e7\u00e3o de curr\u00edculo inserido na l\u00f3gica hipertextual.<br \/>\nPalavras-chave<\/p>\n<p>tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, tecnologia educacional, internet, curr\u00edculo, pol\u00edticas<br \/>\np\u00fablicas<br \/>\nAbstract<\/p>\n<p>The paper begins describing educational and technological scenes apart centuries.<br \/>\nBrazilian education policies are analyzed within the context of culture, telecommunications,<br \/>\nscience and technology policies. The great transformations that have taken place in the realms of<br \/>\ninformation and communication technologies (ICT) \u2013 Internet in particular &#8211; bring great<br \/>\nchallenges to education, because these technologies contribute to the transformation of the way<br \/>\nof we think and behave. The paper highlights the open source movement inside the Federal<br \/>\nGovernment, promotion of a digital culture and discussion about a Brazilian Digital Television<br \/>\nSystem, however little is being done at the level of teacher training and development. The linear<br \/>\nrationale of curriculum is unable to deal with these challenges and we propose another curricular<br \/>\napproach, based on hypertextual logic.<br \/>\nKeywords information technology, educational technology, internet, curriculum, public policies<\/p>\n<p>Cena 1 \u2013 parte 1<br \/>\nO Dr. Winter era diferente. Nunca ficava parado dentro da casa com o<br \/>\naluno. Levava-o para passear pelo campo, explicava-lhe que a Terra era<br \/>\nredonda como uma laranja e achatada nos p\u00f3los. Apontava \u00e0 noite para<br \/>\nas estrelas e dizia-lhes os nomes e as dist\u00e2ncias que se encontravam da<br \/>\nTerra. E quando dava li\u00e7\u00f5es de Bot\u00e2nica era mostrando as plantas de<br \/>\nverdade e n\u00e3o apenas gravuras dos livros. Tinha uma magn\u00edfica lente de<br \/>\ncabo madrep\u00e9rola com a qual fazia o aluno examinar flores e folhas, talos<br \/>\nde relva ou gomos de laranjas e bergamotas. De que s\u00e3o feitas as nuvens?<br \/>\nPor que \u00e9 que quando a gente solta um livro que tem na m\u00e3o o livro cai?<br \/>\nComo \u00e9 que a \u00e1gua se transforma em gelo? Por que \u00e9 que existem o dia, a<br \/>\nnoite e as esta\u00e7\u00f5es do ano? O Dr. Winter explicava todas essas coisas a<br \/>\nLicurgo, que as achava fant\u00e1sticas, imposs\u00edveis (VER\u00cdSSIMO, 1962, p.<br \/>\n494)<br \/>\nCena 1 &#8211; parte 2<br \/>\nNos fandangos j\u00e1 n\u00e3o dan\u00e7am tanto a chimarria, o tatu e a meia-canha: o<br \/>\nque querem \u00e9 valsa, ch\u00f3tis, mazurca, polca, essas bobagens<br \/>\nestrangeiradas.Se h\u00e1 coisa que me da quiz\u00edlia \u00e9 ver esses tais postes do<br \/>\ntel\u00e9grafo, quando ando viajando pela campanha.Se eu fosse governo<br \/>\nmandava derrubar tudo.Onde j\u00e1 se viu passar bilhete pra outra pessoa por<br \/>\num arame?Isso \u00e9 at\u00e9 uma pouca vergonha, porque se eu quero dar algum<br \/>\nrecado, justo um chasque, arranjo um pr\u00f3prio ou vou eu mesmo<br \/>\n(VER\u00cdSSIMO, 1962, p. 546).<br \/>\nCena 2 \u2013 parte 1<br \/>\nComo j\u00e1 descrevi em outro artigo (PRETTO, 1999), cena2 que<br \/>\ndescrevo aqui, aconteceu em junho de 1999, numa pequena cidade<br \/>\nno interior da Bahia, Brasil. Numa sala de aula de um curso de<br \/>\nespecializa\u00e7\u00e3o em um munic\u00edpio do interior na Bahia, uma dezena<br \/>\nde professores e professoras. Uma das caracter\u00edsticas deste<br \/>\nmunic\u00edpio \u00e9 ter resolvido parcialmente o problema de forma\u00e7\u00e3o do<br \/>\nprofessorado: l\u00e1, praticamente todos possuem curso de magist\u00e9rio<br \/>\ne passaram por um concurso p\u00fablico bastante rigoroso.<br \/>\nNo meio de uma discuss\u00e3o sobre desigualdades sociais, uma<br \/>\nprofessora-aluna afirma que, no s\u00e9culo passado, a classe<br \/>\ndominante brasileira viajava para a Europa de trem, ao contr\u00e1rio do<br \/>\nque acontece atualmente quando os ricos s\u00f3 viajam de avi\u00e3o. A<br \/>\nprofessora que ministrava o curso, construtivista por natureza e<br \/>\npreocupada com esta afirmativa, tenta empurrar a turma para<br \/>\ndiscutir um pouco mais a afirma\u00e7\u00e3o. A discuss\u00e3o avan\u00e7a e um<br \/>\nnovo argumento surge: isso n\u00e3o poderia ser verdade porque no<br \/>\nfinal do s\u00e9culo passado ainda n\u00e3o existiam trens. Mais press\u00e3o da<br \/>\nprofessora e algu\u00e9m, meio encabulado, balbucia que isso n\u00e3o era<br \/>\nposs\u00edvel por causa da \u00e1gua que existe entre o Brasil e a Europa.<br \/>\nChegando-se \u00e0 esta conclus\u00e3o, a professora tenta puxar da turma o<br \/>\nnome do oceano. Surge, ent\u00e3o, o oceano Pac\u00edfico.<br \/>\nCena dois &#8211; parte 2<br \/>\nMe sentei no banco da pra\u00e7a, abri o notebook e me conectei \u00e0 internet de<br \/>\nbanda larga sem fio, gratuitamente \u2013 e livre do risco de ter meu<br \/>\nequipamento roubado. N\u00e3o, eu n\u00e3o estava no Jap\u00e3o, nos Estados Unidos<br \/>\nou num outro pa\u00eds rico. Esse lugar fica no Brasil, numa cidade chamada<br \/>\nSud Mennucci, que fica no interior de S\u00e3o Paulo e tem apenas 7.363<br \/>\nhabitantes. De t\u00e3o pequena, Sud Mennucci permite dispensar o carro. [&#8230;]<br \/>\nPor que uma cidade t\u00e3o buc\u00f3lica avan\u00e7ou t\u00e3o rapidamente na tecnologia<br \/>\nde acesso \u00e0 internet? [&#8230;] Hoje, 120 das 1.714 casas da cidade j\u00e1<br \/>\ndesfrutam do benef\u00edcio, sem pagar nada. Se para a maioria das pessoas<br \/>\nWi-Fi \u00e9 sin\u00f4nimo de internet m\u00f3vel, em Sud Mennucci significa inclus\u00e3o<br \/>\ndigital (ARIMA, 2005).<br \/>\nAs transforma\u00e7\u00f5es que estamos vivendo no mundo contempor\u00e2neo s\u00e3o de tamanha magnitude<br \/>\nque nos parece curioso as tais estrangeiradas descritas no antol\u00f3gico O tempo e o vento de Erico<br \/>\nVer\u00edssimo, no final do s\u00e9culo XIX, ao se falar do rec\u00e9m criado tel\u00e9grafo (Cena 1 \u2013 parte 2). As<br \/>\ntransforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas s\u00e3o de tal monta que hoje, em praticamente todos os lugares do<br \/>\nplaneta, o chamado fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 objeto de cr\u00edticas contundentes em praticamente<br \/>\ntodos os cantos! (Cf. PRETTO, 2001) \u2013 chega aos mais remotos locais atrav\u00e9s de alguma<br \/>\nconex\u00e3o tecnol\u00f3gica. Os benef\u00edcios (e os estragos, claro!) n\u00e3o s\u00e3o pequenos e, para enfrent\u00e1-los,<br \/>\nnecessitamos de pol\u00edticas p\u00fablicas, particularmente para a \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, que modifiquem<br \/>\nradicalmente as cenas com que estamos acostumados a ver quando nos referimos ao sistema<br \/>\neducacional, de ontem e de hoje, trazendo para o nosso cotidiano um verdadeiro impasse. As<br \/>\ntecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (TIC), especialmente a rede internet, ao contribu\u00edrem<br \/>\ncom as profundas modifica\u00e7\u00f5es na forma de ser e de pensar da humanidade, tamb\u00e9m<br \/>\npossibilitam novas formas de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da juventude. A meninada foi para rua,<br \/>\nem Salvador (PRETTO, 2006) e em Madrid3, mas tamb\u00e9m em diversos outros cantos do mundo,<br \/>\narticulando-se atrav\u00e9s das redes, tecnol\u00f3gicas ou n\u00e3o. Esses movimentos apresentaram resultados<br \/>\nvis\u00edveis em v\u00e1rios pa\u00edses, em diversos campos, da cultura \u00e0 pol\u00edtica, passando pela ci\u00eancia e<br \/>\ntecnologia. Desenvolve-se, meio na marra, \u00e9 bem verdade, a uma certa cultura tecnol\u00f3gica,<br \/>\nligada diretamente \u00e0 emerg\u00eancia dessas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o, que nos<br \/>\nimp\u00f5e pensar as pr\u00e1ticas educativas em estreita articula\u00e7\u00e3o com diversos outros campos do<br \/>\nsaber.<br \/>\nAo longo dos mais de tr\u00eas anos de governo Lula, percebemos diversas modifica\u00e7\u00f5es na<br \/>\ncomposi\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios minist\u00e9rios, entre os quais da Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00f5es e Ci\u00eancia &amp;<br \/>\nTecnologia, todos de elevada import\u00e2ncia para a \u00e1rea educacional. A mudan\u00e7a de seus titulares,<br \/>\nequipes e pol\u00edticas trouxe-nos \u00e0 tona, como de sempre, a possibilidade (e a esperan\u00e7a!) de<br \/>\nimplanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que superassem a vis\u00e3o esquizofr\u00eanica de poder que tem<br \/>\ncaracterizado a pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>No campo das pol\u00edticas para a educa\u00e7\u00e3o, a cultura, a ci\u00eancia e a tecnologia, ainda estamos vendo<br \/>\npropostas que n\u00e3o se articulam, como se cada minist\u00e9rio fosse respons\u00e1vel pela solu\u00e7\u00e3o dos<br \/>\nproblemas brasileiros a partir de uma atua\u00e7\u00e3o isolada em cada \u00e1rea. Urge pensarmos o Brasil de<br \/>\nforma mais global, coerente com o mundo contempor\u00e2neo e o que pretendo aqui \u00e9 fazer um<br \/>\nexerc\u00edcio em torno de meia d\u00fazia de pontos, buscando apresentar algumas pistas para a<br \/>\nimplementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas integradas e integradoras para a \u00e1rea educacional, sem, no<br \/>\nentanto, ficar prisioneiro desta.<br \/>\nMesmo com as desarticula\u00e7\u00f5es dessas pol\u00edticas, percebemos alguns avan\u00e7os nestes \u00faltimos anos<br \/>\ne gostaria de destacar a pol\u00edtica de introdu\u00e7\u00e3o do software livre (softwares n\u00e3o-propriet\u00e1rios ) na<br \/>\nadministra\u00e7\u00e3o federal, com particular destaque para a a\u00e7\u00e3o do MEC em lan\u00e7ar edital do Proinfo<br \/>\n(Programa Nacional de Inform\u00e1tica na Educa\u00e7\u00e3o) para compra de computadores incluindo a<br \/>\npossibilidade do software livre, o que era praticamente impens\u00e1vel num passado bem recente.<br \/>\nTamb\u00e9m merece destaque o processo de migra\u00e7\u00e3o da desej\u00e1vel plataforma de EAD e-Proinfo<br \/>\npara software livre, mesmo estando esse processo marcado por enorme lentid\u00e3o, e sem ainda a<br \/>\ntotal disponibiliza\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo fonte.<br \/>\nNo \u00e2mbito do Minist\u00e9rio da Cultura, foi criada uma assessoria especial para a cultural digital e<br \/>\nlan\u00e7ado um corajoso edital, hoje j\u00e1 na segunda edi\u00e7\u00e3o, de apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de jogos eletr\u00f4nicos<br \/>\nnacionais (JOGOS BR, 2006), inicialmente previsto para ser apenas com software livre, hoje em<br \/>\nm\u00faltiplas plataformas, algo de grande import\u00e2ncia para a educa\u00e7\u00e3o, a cultura, a ci\u00eancia e a<br \/>\ntecnologia nacional. Iniciativas como essas se constituem em marcante valoriza\u00e7\u00e3o da nossa<br \/>\ncultura, a digital ou a anal\u00f3gica! Em paralelo, estamos vendo a implanta\u00e7\u00e3o dos Pontos de<br \/>\nCultura do programa Cultura Viva (2006), espa\u00e7os para a produ\u00e7\u00e3o multim\u00eddia digital, o qual j\u00e1<br \/>\nimplantou em todo o Brasil, em sua primeira fase, iniciada em 2005, em torno de 300 pontos<br \/>\natrav\u00e9s do lan\u00e7amento de editais, viabilizando assim a instala\u00e7\u00e3o de est\u00fadios multim\u00eddia para<br \/>\nserem geridos pelos pr\u00f3prios jovens aglutinados em torno das ONGs, associa\u00e7\u00f5es e<br \/>\nuniversidades que apresentaram as propostas. Esses pontos, articulados nacionalmente usando<br \/>\ndiversos recursos tecnol\u00f3gicos, dentre os quais o s\u00edtio Convers\u00ea (2006), t\u00eam possibilitado grande<br \/>\nmovimenta\u00e7\u00e3o das comunidades locais visando a produ\u00e7\u00e3o de sons e imagens e, o que \u00e9 mais<br \/>\nimportante, a produ\u00e7\u00e3o colaborativa de conhecimento e o estabelecimento de novas redes de<br \/>\nrelacionamentos.<br \/>\nNa Casa Civil da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o<br \/>\n(ITI), autarquia federal, tem importante papel na constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de software livre no<br \/>\nGoverno Federal, que, atrav\u00e9s Decreto de 29 de outubro de 2003, criou oito comit\u00eas t\u00e9cnicos<br \/>\ncom o objetivo de coordenar e articular o planejamento e a implementa\u00e7\u00e3o de software livre e<br \/>\ninclus\u00e3o digital, entre outras a\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 \u00e1rea, sendo hoje o ITI coordenador do Comit\u00ea<br \/>\nT\u00e9cnico de Implementa\u00e7\u00e3o de Software Livre. Tamb\u00e9m sob sua responsabilidade est\u00e1 o Projeto<br \/>\nCasas Brasil (2006), com o objetivo de \u201clevar inclus\u00e3o digital, cidadania, cultura e lazer \u00e0s<br \/>\ncomunidades de baixa renda\u201d.<br \/>\nNo Minist\u00e9rio do Planejamento, a Secretaria de Log\u00edstica e Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o (SLTI),<br \/>\ncoordenadora do programa de governo eletr\u00f4nico, com pol\u00edticas de inclus\u00e3o e a pol\u00edtica de<br \/>\nmigra\u00e7\u00e3o para software livre do Governo Federal, publicou um guia para facilitar esse processo.<br \/>\nEssas experi\u00eancias e pol\u00edticas, ricas por sua pr\u00f3pria natureza, carecem, no entanto, de uma mais<br \/>\nforte intera\u00e7\u00e3o (entre si, mas que n\u00e3o \u00e9 objeto deste texto) e, principalmente, carecem de uma<br \/>\nmaior intera\u00e7\u00e3o com os sistemas de educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa busca de minimizar essa dist\u00e2ncia entre as pol\u00edticas propostas, estamos, modestamente,<br \/>\ntentando fazer essa integra\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio de Irec\u00ea, na Bahia, atrav\u00e9s do ponto de cultura<\/p>\n<p>Ciberparque An\u00edsio Teixeira (2006), um projeto que inclui os nossos Tabuleiros Digitais4, onde<br \/>\nbuscamos articular essas experi\u00eancias com um programa de forma\u00e7\u00e3o de professores implantado<br \/>\nno munic\u00edpio pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA, o qual tem uma proposta curricular<br \/>\ncentrada em bases diferenciadas dos chamados curr\u00edculos tradicionais (Cf. PRETTO, 2005), do<br \/>\nque voltaremos a tratar mais adiante.<br \/>\nEsses movimentos do Governo Federal nesta \u00e1rea s\u00e3o, sem d\u00favida, significativos mas, no meu<br \/>\nentendimento, ainda n\u00e3o atacamos um dos pontos mais cr\u00edticos para a educa\u00e7\u00e3o brasileira: a<br \/>\nforma\u00e7\u00e3o de professores. N\u00e3o podemos continuar a pensar em pol\u00edticas que busquem<br \/>\nsimplesmente trein\u00e1-los e, muito menos, certific\u00e1-los atrav\u00e9s de cursos de forma\u00e7\u00e3o,<br \/>\nnormalmente aligeirados. No in\u00edcio deste governo chegou-se a pensar na id\u00e9ia, absolutamente<br \/>\nlament\u00e1vel, de implanta\u00e7\u00e3o de mecanismos de certifica\u00e7\u00e3o de professores que indicavam, desde<br \/>\na sua g\u00eanese, como um de seus princ\u00edpios, o est\u00edmulo \u00e0 competi\u00e7\u00e3o entre os profissionais da<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de pagamento de bolsas de incentivo. Parece que a l\u00f3gica do ranking e da<br \/>\ncompeti\u00e7\u00e3o terminou sendo inculcada em nossa sociedade, de tal forma que as pol\u00edticas p\u00fablicas<br \/>\nterminam, tamb\u00e9m elas, sendo vistas como competidoras entre si.<br \/>\nA desarticula\u00e7\u00e3o do sistema de educa\u00e7\u00e3o nacional tem sido a marca mais forte dos tempos atuais,<br \/>\nsendo que a expans\u00e3o desordenada e o est\u00edmulo \u00e0 entrada do setor privado na educa\u00e7\u00e3o superior<br \/>\nlevaram o conjunto de faculdades e universidades brasileiras a adotarem estrat\u00e9gias de marketing<br \/>\nque se assemelham \u00e0 venda de t\u00edtulos de clubes sociais ou blocos de carnaval (Cf. PRETTO,<br \/>\n2006b).<br \/>\nSabemos que o sistema p\u00fablico de ensino superior possui in\u00fameros problemas que precisam ser<br \/>\natacados. Mesmo com todas as dificuldades, ainda encontramos espa\u00e7o para fortalecer a id\u00e9ia de<br \/>\nque \u00e9 fun\u00e7\u00e3o da universidade pensar sobre o seu pr\u00f3prio futuro e n\u00e3o simplesmente sair correndo<br \/>\natr\u00e1s da produ\u00e7\u00e3o de artigos e publica\u00e7\u00f5es de qualquer tipo para acumular pontos num sistema de<br \/>\navalia\u00e7\u00e3o que mais se parece com um tax\u00edmetro marcando o valor de uma corrida. Uma corrida<br \/>\npelos n\u00fameros! O que tem destru\u00eddo, quase cotidianamente, a universidade p\u00fablica brasileira \u00e9<br \/>\nessa id\u00e9ia de considerar que o mercado resolve tudo, instalando-se uma l\u00f3gica \u2013 perversa! &#8211; de<br \/>\nranking, estimulando a competi\u00e7\u00e3o e o individualismo. Na Bahia chegou-se ao extremo disso<br \/>\nquando a pr\u00f3pria Universidade Federal \u2013 a UFBA \u2013 caiu nessa armadilha e, a partir da avalia\u00e7\u00e3o<br \/>\nrealizada por um \u00f3rg\u00e3o de imprensa, foi para as ruas com um outdoor proclamando ter \u201ca melhor<br \/>\ngradua\u00e7\u00e3o do Norte e Nordeste\u201d. Esta id\u00e9ia de competi\u00e7\u00e3o, de estar na frente, n\u00e3o condiz,<br \/>\nobviamente, com aquilo que entendemos ser o ethos universit\u00e1rio, com o fato de uma<br \/>\nuniversidade ser p\u00fablica justamente pela sua fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e pela sua obriga\u00e7\u00e3o de criar<br \/>\nconceitos e n\u00e3o de ser uma mera reprodutora de l\u00f3gicas de mercado.<br \/>\nA presen\u00e7a das tecnologias e as transforma\u00e7\u00f5es do curr\u00edculo<br \/>\nA internet \u00e9 uma rede mundial de comunica\u00e7\u00e3o e de processamento de dados e informa\u00e7\u00f5es, cujo<br \/>\nsuporte material \u00e9 de redes de conex\u00f5es digitais entre diversos computadores espalhados pelo<br \/>\nmundo inteiro, estando diretamente associada ao conjunto de transforma\u00e7\u00f5es no modo de pensar<br \/>\ne conviver da humanidade. Para isso, necess\u00e1rio se faz, obviamente, garantir o acesso a todos,<br \/>\nprofessores, alunos e a sociedade em geral, mas tamb\u00e9m compreender a l\u00f3gica de funcionamento<br \/>\ndos novos meios de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, e isso exige uma profunda transforma\u00e7\u00e3o das<br \/>\npr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em vigor no sistema formal de ensino. A novidade dessas novas tecnologias<br \/>\npara o \u00e2mbito educacional reside, justamente, no fato do desenvolvimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico<br \/>\nimplicar no rompimento de padr\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o e de funcionamento da vida social, bem<br \/>\ncomo dos modelos de representa\u00e7\u00e3o dessa realidade, exigindo de cada um de n\u00f3s, professores, a<br \/>\nindispens\u00e1vel problematiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, passando, necessariamente, pelo<br \/>\nredimensionamento da concep\u00e7\u00e3o e pelo desenvolvimento do curr\u00edculo. Dos curr\u00edculos! A l\u00f3gica<br \/>\nlinear de curr\u00edculo, seja a antiga grade ou as j\u00e1 n\u00e3o t\u00e3o modernas matrizes, n\u00e3o d\u00e1 conta desses<br \/>\ndesafios. Como j\u00e1 me referi, o que estamos propondo nos projetos de forma\u00e7\u00e3o de professores<br \/>\nque est\u00e3o sendo implantados na UFBA pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma outra concep\u00e7\u00e3o de<br \/>\ncurr\u00edculo inserido na l\u00f3gica hipertextual. Pensamos, portanto, no curr\u00edculo como um hipertexto,<br \/>\ncomo um verdadeiro labirinto. Dentro desta perspectiva, ele assume a fun\u00e7\u00e3o de uma interface,<br \/>\nporque \u00e9 um elemento estrat\u00e9gico para propiciar a mobiliza\u00e7\u00e3o integral de todos os envolvidos<br \/>\ncom a produ\u00e7\u00e3o\/difus\u00e3o do conhecimento. Ou seja, o curr\u00edculo n\u00e3o estaria \u00fanica e rigidamente<br \/>\nvoltado para o desenvolvimento racional, com base no pensamento abstrato, mas para a<br \/>\nintegra\u00e7\u00e3o raz\u00e3o-emo\u00e7\u00e3o, revalorizando, na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e na representa\u00e7\u00e3o do<br \/>\nreal, a articula\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio com a abstra\u00e7\u00e3o, da subjetividade com a objetividade, do<br \/>\ntrabalho com o prazer &#8211; a integra\u00e7\u00e3o do lado direito com o lado esquerdo do c\u00e9rebro.<br \/>\nPor outro lado, o curr\u00edculo como uma interface se refere ao seu compromisso com a<br \/>\ninteratividade, de modo a coloc\u00e1-lo como meio\/fim estrat\u00e9gico para a produ\u00e7\u00e3o coletiva do<br \/>\nconhecimento, para o pensar coletivo. Nesse sentido, a organiza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados pedag\u00f3gicos<br \/>\nn\u00e3o se pode dar de maneira linear, geralmente vertical, mas de modo a ser, o curr\u00edculo, um<br \/>\narticulador das diversas disciplinas, flex\u00edvel, \u00e1gil, din\u00e2mico, interativo, integrado, heterog\u00eaneo,<br \/>\nsimult\u00e2neo, \u00e0 maneira pr\u00f3pria do pensar coletivo, atendendo \u00e0s demandas da comunidade<br \/>\nescolar, da sociedade em geral, da produ\u00e7\u00e3o cultural, dos questionamentos te\u00f3ricos e<br \/>\nmetodol\u00f3gicos do fazer pedag\u00f3gico na contemporaneidade.<br \/>\nTentando dar uma maior visibilidade a esta nova concep\u00e7\u00e3o de curr\u00edculo, articulamos, no<br \/>\nPrograma de Forma\u00e7\u00e3o de Professores da Faced\/UFBA, atrav\u00e9s dos projetos de forma\u00e7\u00e3o para<br \/>\nprofessores de Irec\u00ea e de Salvador, de modo integrado e simult\u00e2neo, \u00e1reas de conhecimento que<br \/>\npossam ser combinadas de acordo com os interesses dos estudantes e pesquisadores,<br \/>\ncontemplando a multiplicidade de olhares sobre os objetos do conhecimento. O que se quer \u00e9<br \/>\nfortalecer a heterogeneidade do grupo, buscando um caminhar coletivo que respeite e considere<br \/>\nessas diferen\u00e7as. As diferen\u00e7as enquanto elementos fundadores desses processos, e n\u00e3o apenas<br \/>\ncomo ilustradores das diversidades. Ou seja, aqui, o que se busca \u00e9 o enaltecimento da diferen\u00e7a<br \/>\ne n\u00e3o a sua simples aceita\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAssim, passam os professores a (re)assumir o papel de lideran\u00e7as educacionais \u2013 e<br \/>\nconseq\u00fcentemente pol\u00edticas &#8211; que articulam um movimento maior de revaloriza\u00e7\u00e3o das culturas<br \/>\nlocais, uma vez que estas passam a estar, cada dia mais, disponibilizadas pelos velozes meios de<br \/>\ncomunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica. Essa \u00e9 uma demanda que exige pol\u00edticas p\u00fablicas pensadas no conjunto,<br \/>\ncom o objetivo de fortalecer a forma\u00e7\u00e3o e o trabalho docente.<br \/>\nPol\u00edticas p\u00fablicas de forma\u00e7\u00e3o<br \/>\nAs pol\u00edticas p\u00fablicas para a viabiliza\u00e7\u00e3o destas concep\u00e7\u00f5es de curr\u00edculo exigem a\u00e7\u00f5es das mais<br \/>\ndiversificadas e n\u00e3o limitadas apenas a um ou dois Minist\u00e9rios. Para a educa\u00e7\u00e3o, que todos<br \/>\nconsideram como sendo fundamental para a supera\u00e7\u00e3o das gritantes desigualdades sociais<br \/>\npresentes em todo o planeta, precisamos de a\u00e7\u00f5es que envolvam, no m\u00ednimo, os Minist\u00e9rios mais<br \/>\nligados ao tema: Educa\u00e7\u00e3o, Cultura, Esportes, Comunica\u00e7\u00f5es e Ci\u00eancia &amp; Tecnologia.<br \/>\nA t\u00edtulo de exemplo, poder\u00edamos pensar que o Minist\u00e9rio da Cultura, com o seu potencial em<br \/>\ntermos de museus, acervos e patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, com a sua pol\u00edtica de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o<br \/>\naudiovisual, poderia associar-se ao da Educa\u00e7\u00e3o num programa de incentivo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de<br \/>\nprofessores, de modo que estes ampliem o conhecimento das diversas culturas presentes no pa\u00eds.<br \/>\nNossos professores n\u00e3o v\u00e3o ao cinema, ao teatro, a museus, e usam muito pouco as bibliotecas &#8211;<br \/>\nquando elas existem e s\u00e3o decentemente equipadas&#8230; Parece coisa simples, mas torna-se<br \/>\nnecess\u00e1rio atacar essa quest\u00e3o de forma urgente e global, com a implanta\u00e7\u00e3o de mecanismos de<br \/>\nincentivo e catalisadores de a\u00e7\u00f5es nesse sentido, como, por exemplo, o estabelecimento de um<br \/>\ngeneroso programa de apoio \u00e0 ida de professores a eventos, a partir de uma negocia\u00e7\u00e3o mais<br \/>\nampla com os produtores e distribuidores.<br \/>\nDe outro lado, para que a\u00e7\u00f5es como essas e tantas outras sejam poss\u00edveis, precisamos de<br \/>\nprofessores qualificados desde a sua forma\u00e7\u00e3o inicial, sendo fundamental o envolvimento das<br \/>\nFaculdades de Educa\u00e7\u00e3o, em especial aquelas das universidades p\u00fablicas. Vejo como<br \/>\nfundamental, para uma radical transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, uma intensifica\u00e7\u00e3o do uso das<br \/>\ntecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o e, em especial, o desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o a<br \/>\ndist\u00e2ncia (EaD). Para tanto, necess\u00e1rio se faz pensar em pol\u00edticas que garantam o pleno<br \/>\nenvolvimento dos estudantes das Faculdades de Educa\u00e7\u00e3o em programas que adotem plenamente<br \/>\nessas tecnologias na sua forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ser\u00e3o eles os futuros professores dos sistemas<br \/>\neducacionais.<br \/>\nAs dificuldades enfrentadas pelo governo na busca de uma reforma no sistema universit\u00e1rio<br \/>\nbrasileiro n\u00e3o podem ser impeditivo para que a\u00e7\u00f5es possam ser desencadeadas no sentido de<br \/>\napoiar e considerar as Faculdades de Educa\u00e7\u00e3o do sistema p\u00fablico universit\u00e1rio, como parceiras<br \/>\ndo MEC nessa empreitada. Torna-se urgente buscar a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que<br \/>\narticulem de forma intensa as Faced, de modo a incentiv\u00e1-las e apoi\u00e1-las para a realiza\u00e7\u00e3o de<br \/>\nprogramas e projetos de interven\u00e7\u00e3o, visando uma profunda transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o em suas<br \/>\nregi\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o. As Faced se constituem num potencial humano e intelectual incomensur\u00e1vel.<br \/>\nN\u00e3o resta a menor d\u00favida que tamb\u00e9m elas sofrem de todas as conhecidas mazelas do sistema<br \/>\np\u00fablico de ensino superior e, justamente por isso, precisam estar envolvidas de forma efetiva.<br \/>\nN\u00e3o s\u00e3o poucas as experi\u00eancias que poderiam ser estimuladas atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es concretas dos<br \/>\nminist\u00e9rios, no sentido de modificar radicalmente a atual forma\u00e7\u00e3o dos futuros profissionais da<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o. S\u00e3o in\u00fameras as possibilidades, e gostaria aqui de destacar apenas algumas. Por<br \/>\nexemplo, um programa de fortalecimento das suas bibliotecas &#8211; com livros, v\u00eddeos, filmes da<br \/>\nliteratura brasileira e estrangeira e computadores conectados -, apoiado simultaneamente pelos<br \/>\nMinist\u00e9rios da Cultura e da Educa\u00e7\u00e3o, poderia representar um salto significativo na forma\u00e7\u00e3o de<br \/>\nprofessores conhecedores e leitores cr\u00edticos da cultura nacional, que, desse modo, estimulariam<br \/>\nseus alunos a um maior contato com os elementos culturais do pa\u00eds e do planeta. Em paralelo,<br \/>\ncom o objetivo de atender ao ensino presencial e, principalmente, a educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia, torna-<br \/>\nse necess\u00e1rio disponibilizar na internet obras de autores brasileiros, e tamb\u00e9m estrangeiros, por<br \/>\nexemplo, atrav\u00e9s de articula\u00e7\u00f5es entre os Minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o, Cultura, Ci\u00eancia &amp;<br \/>\nTecnologia e Comunica\u00e7\u00f5es, e destes com a iniciativa privada, mediante uma ampla negocia\u00e7\u00e3o<br \/>\ncom as editoras, visando a produ\u00e7\u00e3o de livros eletr\u00f4nicos (e-books), atendendo indiretamente,<br \/>\ntamb\u00e9m, toda a comunidade lus\u00f3fona, que cada dia mais se articula atrav\u00e9s da internet. J\u00e1 \u00e9 um<br \/>\navan\u00e7o em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas o Portal Dom\u00ednio P\u00fablico (2006). elaborado pelo MEC<br \/>\n(em software livre, diga-se de passagem) e lan\u00e7ado em 2004 com 500 t\u00edtulos, j\u00e1 possuindo,<br \/>\nconforme sua p\u00e1gina na internet, 14 mil t\u00edtulos entre textos, v\u00eddeos, imagens e sons<\/p>\n<p>De outro lado, e cada vez mais, torna-se necess\u00e1ria a intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o regionalizada de<br \/>\nprogramas de televis\u00e3o e v\u00eddeo, como, ali\u00e1s, j\u00e1 se discute no \u00e2mbito das telecomunica\u00e7\u00f5es. J\u00e1<br \/>\nn\u00e3o s\u00e3o poucas as universidades p\u00fablicas brasileiras que possuem verdadeiros canais de<br \/>\ntelevis\u00e3o, sem apoio para a produ\u00e7\u00e3o e com uma capacidade ociosa relativamente grande. \u00c9,<br \/>\nportanto, urgente incentivar experi\u00eancias envolvendo, por exemplo, as Faculdades de<br \/>\nComunica\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o e os canais universit\u00e1rios, que fortalecidos, poderiam estar tamb\u00e9m<br \/>\nproduzindo programas para uma alimenta\u00e7\u00e3o mais descentralizada da TV Escola e das emissoras<br \/>\ndo sistema p\u00fablico de televis\u00e3o educativa. Al\u00e9m disso, em todas as cidades \u201ccabeadas\u201d para TV<br \/>\npor assinatura, est\u00e3o sendo montados, ou j\u00e1 existem, canais universit\u00e1rios que utilizam uma<br \/>\nprograma\u00e7\u00e3o realizada precariamente \u2013 exceto provavelmente nos maiores centros urbanos<br \/>\n(como de costume!) \u2013 e com uma sub-utiliza\u00e7\u00e3o do tempo dispon\u00edvel para as emiss\u00f5es, tempo<br \/>\nesse que poderia ser aproveitado a partir do incentivo a outras produ\u00e7\u00f5es de forma a atender a<br \/>\nsociedade em geral, e para as escolas e universidades, em particular. E, aqui, n\u00e3o estamos<br \/>\nfalando em programa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica ou educativa, com aquela velha l\u00f3gica da infantiliza\u00e7\u00e3o da<br \/>\nlinguagem, mas de produtos culturais plenos, para serem usados e aproveitados \u2013 e por que n\u00e3o<br \/>\nmanipulados e modificados! &#8211; por cidad\u00e3os tamb\u00e9m plenos.<br \/>\nMais uma vez, \u00e9 lament\u00e1vel a dificuldade que o MEC tem em atender as institui\u00e7\u00f5es formadoras<br \/>\nda mesma forma que busca atender as escolas. No processo de migra\u00e7\u00e3o do TV Escola para o TV<br \/>\nEscola Digital e DVD Escola, novamente n\u00e3o foi previsto disponibilizar \u00e0s Faculdades de<br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o o mesmo material que foi fornecido \u00e0s escolas do ensino b\u00e1sico e, com isso,<br \/>\npossibilitar que os futuros professores possam estar preparados para trabalhar com o material que<br \/>\neles v\u00e3o encontrar nas suas pr\u00e1ticas cotidianas em sala de aula. No governo passado, quando da<br \/>\nimplanta\u00e7\u00e3o do TV Escola, sentimos falta e isso foi objeto de muita cr\u00edtica (Cf. BARRETO,<br \/>\n2001) e, atualmente, com a migra\u00e7\u00e3o para a chamada TV Escola Digital\/DVD Escola esse<br \/>\nproblema poderia ter sido sanado e, no entanto, n\u00e3o houve nenhuma aten\u00e7\u00e3o por parte do MEC<br \/>\nno sentido de modificar esta rela\u00e7\u00e3o com as FACED. Para se ter uma id\u00e9ia, foram atendidas,<br \/>\nsegundo o MEC, \u201c50 mil escolas p\u00fablicas de ensino b\u00e1sico com um aparelho de reprodu\u00e7\u00e3o de<br \/>\nDVD e uma caixa com 50 m\u00eddias DVD, contendo, aproximadamente, 150 horas de programa\u00e7\u00e3o<br \/>\nproduzida pela TV Escola\u201d, ao passo que n\u00e3o houve nenhum trabalho com as institui\u00e7\u00f5es<br \/>\np\u00fablicas formadoras de professores.<br \/>\nMais uma vez, essas s\u00e3o pequenas a\u00e7\u00f5es que podem contribuir para a cria\u00e7\u00e3o de uma massa<br \/>\ncr\u00edtica de alunos e professores que possam atuar de forma plena no mundo contempor\u00e2neo,<br \/>\nconstruindo-o de forma coletiva e com intensa participa\u00e7\u00e3o de todos. Em quase todos os casos<br \/>\nanteriormente referidos, n\u00e3o resta d\u00favida que necess\u00e1rio se faz garantir o acesso e, para isso, as<br \/>\npol\u00edticas de inclus\u00e3o s\u00e3o fundamentais.<br \/>\nInclus\u00e3o sociodigital<br \/>\nQuando se fala em acesso, imediatamente nos vem \u00e0 mente a chamada inclus\u00e3o digital. No<br \/>\nentanto, isso \u00e9 muito mais do que ter acesso \u00e0s m\u00e1quinas. \u00c9 o exerc\u00edcio da cidadania na intera\u00e7\u00e3o<br \/>\ncom o mundo da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o. As m\u00e1quinas e a conex\u00e3o s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es<br \/>\nnecess\u00e1rias, claro, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Por isso, as pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras precisam<br \/>\nestar voltadas para esses dois aspectos desse \u00fanico processo, sem desprezar a qualifica\u00e7\u00e3o dos<br \/>\nprofissionais que atuam na \u00e1rea. Nesse campo, temos que retomar a tem\u00e1tica do financiamento e,<br \/>\ncom isso, reafirmar o absurdo de estarmos, h\u00e1 mais de quatro anos, sem usar os mais de quatro<br \/>\nbilh\u00f5es de reais do FUST (Fundo de Universaliza\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os das Telecomunica\u00e7\u00f5es), por<br \/>\nconta de imbr\u00f3glios jur\u00eddicos que refletem a luta de interesses do grande capital internacional e<\/p>\n<p>que s\u00f3 beneficiam a pol\u00edtica econ\u00f4mica apoiada pelo FMI. Os recursos do FUST t\u00eam servido<br \/>\nquase que exclusivamente para aumentar o super\u00e1vit fiscal do Governo, uma vez que eles t\u00eam<br \/>\nsido sistematicamente contingenciados pelo Tesouro. O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU)<br \/>\nrealizou uma auditoria buscando compreender o porque desses recursos n\u00e3o estarem sendo<br \/>\nutilizados. Segundo esse Relat\u00f3rio, na proposta or\u00e7ament\u00e1ria encaminhada ao Congresso<br \/>\nNacional pelo Governo Federal para o exerc\u00edcio de 2006, \u201cquase todos os recursos do FUST \u2013 a<br \/>\narrecada\u00e7\u00e3o anual m\u00e9dia do fundo \u00e9 de cerca de R$650 milh\u00f5es \u2013 estavam contingenciados\u201d<br \/>\n(RELAT\u00d3RIO&#8230;, 2006, p. 34). Ainda de acordo com o Relat\u00f3rio, o TCU recomenda que a Casa<br \/>\nCivil seja a respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o dos recursos do FUST e dos programas<br \/>\nde inclus\u00e3o digital. Por\u00e9m o Presidente da Rep\u00fablica, atrav\u00e9s do decreto no 5581, de 11 de<br \/>\nnovembro de 2005, definiu novas atribui\u00e7\u00f5es do Minicom, dando-lhe a responsabilidade de<br \/>\ncoordenar as a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o digital do Governo Federal (F\u00d3RUM NACIONAL PELA<br \/>\nDEMOCRATIZA\u00c7\u00c3O DA COMUNICA\u00c7\u00c3O, 2006), gerando, mais uma vez, apreens\u00e3o para<br \/>\naqueles que atuam nas pol\u00edticas de inclus\u00e3o digital. A coordena\u00e7\u00e3o dos programas de inclus\u00e3o do<br \/>\nGoverno, teoricamente, deveria estar com o Comit\u00ea de Inclus\u00e3o Digital do Governo Eletr\u00f4nico,<br \/>\nligado ao Minist\u00e9rio do Planejamento. A revista Arede (2005), em seu n\u00famero de dezembro de<br \/>\n2005, numa mat\u00e9ria de capa sobre inclus\u00e3o digital (tamb\u00e9m dispon\u00edvel na internet), apresentou<br \/>\numa tabela com todos os projetos do Governo Federal e das estatais para a \u00e1rea. Em 2005 foram<br \/>\naplicados (efetivamente empenhados) R$ 213,38 milh\u00f5es em programas e projetos de inclus\u00e3o<br \/>\ndigital, sendo 18 programas ou a\u00e7\u00f5es, de \u00e2mbito nacional, regional ou setorial, desenvolvidos por<br \/>\noito minist\u00e9rios, uma secretaria, quatro empresas estatais e uma funda\u00e7\u00e3o. Ao total, diz a<br \/>\nmat\u00e9ria, s\u00e3o mais de 4,4 mil telecentros em todo o Brasil. Mesmo com todos esses esfor\u00e7os, os<br \/>\nn\u00fameros, no caso espec\u00edfico da internet, s\u00e3o ainda muito preocupantes, apesar de j\u00e1 constatarmos<br \/>\numa grande modifica\u00e7\u00e3o em termos de acesso. Pesquisa do N\u00facleo de Informa\u00e7\u00e3o e<br \/>\nCoordena\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Gestor da Internet (2006) mostra-nos que apenas 16,6% dos domic\u00edlios<br \/>\nbrasileiros t\u00eam computadores de mesa, enquanto 95,7% tem aparelhos de TV e 91,6% r\u00e1dio.<br \/>\nSegundo a pesquisa, pouco menos de 10% dos brasileiros utilizam a internet diariamente sendo<br \/>\nque 67,8% dos pesquisados nunca usaram a internet. Todos os dados apontam claramente para a<br \/>\nmesma estratifica\u00e7\u00e3o social dos demais indicadores da sociedade brasileira e, com a internet, a<br \/>\nregra \u00e9 seguida: apenas 11,96% dos entrevistados da Classe A nunca usaram a internet enquanto<br \/>\nque nas Classes D e E esse percentual \u00e9 de 87,56 %.<br \/>\nOs movimentos de inclus\u00e3o digital crescem, mas precisamos urgentemente qualificar essa<br \/>\nchamada inclus\u00e3o, n\u00e3o a reduzindo ao fornecimento de aulas de planilhas eletr\u00f4nicas ou<br \/>\nprocessadores de texto e, o pior, com treinamentos para o uso de software propriet\u00e1rio, num<br \/>\nverdadeiro adestramento que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, causa depend\u00eancia, como em tudo que<br \/>\nfazemos sem um apurado senso cr\u00edtico. Al\u00e9m disso, se n\u00e3o tomarmos cuidado, as fundamentais<br \/>\nexperi\u00eancias vividas em muitos telecentros ou similares poder\u00e3o n\u00e3o contribuir<br \/>\nsignificativamente para a imers\u00e3o dos jovens na cultura digital, uma vez que, em muitos casos,<br \/>\napesar da boa vontade e do grande envolvimento dos participantes desses projetos, algumas das<br \/>\nexperi\u00eancias s\u00e3o cercadas de tantos cuidados e sen\u00f5es, que n\u00e3o possibilitam uma verdadeira<br \/>\nimers\u00e3o na cibercultura. De novo, corremos o risco de alimentar o fosso entre pobres e ricos, j\u00e1<br \/>\nque os jovens que possuem o acesso individualizado em casa \u2013 muitas vezes em banda larga \u2013<br \/>\ninteragem plenamente com a cibercultura vivendo, em seus quartos fechados, todas as<br \/>\npossibilidades, da c\u00f3pia e manipula\u00e7\u00e3o de m\u00fasica (com os j\u00e1 famosos mp3 e ogg), v\u00eddeos, bate<br \/>\npapos e s\u00edtios de toda natureza. Enquanto isso, aos filhos dos pobres&#8230; aulas de inform\u00e1tica!!!<br \/>\nJ\u00e1 se fala no analfabeto digital, aquele que n\u00e3o possui qualquer familiaridade com o mundo da<br \/>\ninform\u00e1tica, e tal designa\u00e7\u00e3o expressa a import\u00e2ncia que cada vez mais \u00e9 atribu\u00edda ao<br \/>\ncomputador e \u00e0s suas m\u00faltiplas formas de uso, a ponto de se estabelecer uma analogia com a<br \/>\nincapacidade de ler e escrever, car\u00eancia esta que nem de longe pode ser tolerada. Tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9<br \/>\nquase consenso que a exclus\u00e3o digital \u00e9 \u00f3bice para que se alcance a cidadania plena.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Fust \u2013 brevemente j\u00e1 referido \u2013 outra grande possibilidade que se vislumbra est\u00e1 ligada<br \/>\n\u00e0s potencialidades da televis\u00e3o digital. O tema j\u00e1 vem sendo bastante analisado tanto pol\u00edtica<br \/>\ncomo academicamente5, mas creio que ainda \u00e9 pouco discutido no meio educacional. No in\u00edcio<br \/>\ndo governo Lula, uma profunda mudan\u00e7a de rota foi introduzida a partir do Decreto 4.901, de<br \/>\n26\/11\/2003, que instituiu o Sistema Brasileiro de Televis\u00e3o Digital \u2013 SBTVD (BRASIL, 2003).<br \/>\nA quest\u00e3o fundamental que se colocou quando da edi\u00e7\u00e3o deste Decreto e a mudan\u00e7a de rumo<br \/>\nreferida \u00e9 que, a partir de ent\u00e3o, o governo brasileiro passou a trabalhar n\u00e3o mais na perspectiva<br \/>\nda escolha entre os sistema dispon\u00edveis \u2013 o norte-americano (ATSC), o europeu (DVB) e o<br \/>\njapon\u00eas (ISDB) \u2013, mas, sim, na busca de uma defini\u00e7\u00e3o mais precisa sobre o que efetivamente<br \/>\nqueremos com a televis\u00e3o digital no Brasil. O que se busca \u00e9 evitar cair na solu\u00e7\u00e3o de<br \/>\nsimplesmente investir no aperfei\u00e7oamento das tecnologias de transmiss\u00e3o com o objetivo de<br \/>\naumentar a qualidade de transmiss\u00e3o do que se produz. Isso n\u00e3o basta porque, obviamente, n\u00e3o<br \/>\npossibilitaria que novas e importantes express\u00f5es da cultura brasileira, mescladas e interagindo<br \/>\ncom a planet\u00e1ria, pudessem ter mais espa\u00e7o, \u201cde forma a garantir a primazia do interesse p\u00fablico<br \/>\nem detrimento de interesses privados\u201d (INTERVOZES, 2006, p. 13).<br \/>\nO Movimento Intervozes tem tido uma marcante atua\u00e7\u00e3o nessa discuss\u00e3o e trago aqui as<br \/>\nreflex\u00f5es propostas no documento divulgado em janeiro de 2006, com uma importante<br \/>\ncontribui\u00e7\u00e3o exatamente porque considera, assim como temos enfatizado em nosso grupo de<br \/>\npesquisa, a import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas que considerem o interesse p\u00fablico acima do<br \/>\nprivado e que busquem, cotidianamente, a forma\u00e7\u00e3o de um cidad\u00e3o pleno, produtor de cultura e<br \/>\nconhecimento e n\u00e3o um mero consumidor. No caso da TV Digital, essa perspectiva educacional<br \/>\n\u00e9 fundamental j\u00e1 que n\u00e3o podemos permitir que TV aberta brasileira &#8211; n\u00e3o custa repetir: uma<br \/>\nconcess\u00e3o p\u00fablica a ser explorada por tempo determinado! &#8211; n\u00e3o se torne \u201cprioritariamente uma<br \/>\nferramenta de indu\u00e7\u00e3o do consumo\u201d (INTERVOZES, 2006, p. 14).<br \/>\nMais uma vez, como nos referimos no caso das televis\u00f5es universit\u00e1rias e educativas, a quest\u00e3o<br \/>\nda produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado torna-se fundamental para a TV Digital e, principalmente, para a<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o. Isso porque a rela\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o digital com a educa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a despontar como<br \/>\nsendo uma das grandes possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e, para isso, a escola<br \/>\nprecisa se apropriar das tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o, mas de forma n\u00e3o instrumental (PRETTO,<br \/>\n1996).<br \/>\nMestres do amanh\u00e3<br \/>\nTodas essas tecnologias, portanto, precisam estar presentes na escola, concorrendo para que esta<br \/>\ndeixe de ser mera consumidora de informa\u00e7\u00f5es produzidas alhures e passe a se transformar \u2013<br \/>\ncada escola, cada professor e cada crian\u00e7a! &#8211; em produtora de cultura e conhecimento. Cada<br \/>\nescola, assim, passa a ser um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o, amplifica\u00e7\u00e3o e multiplica\u00e7\u00e3o de culturas,<br \/>\napropriando-se das tecnologias e, contemporaneamente, compreendendo que essa incorpora\u00e7\u00e3o<br \/>\npassa por uma outra batalha &#8211; e aqui falo no sentido literal da palavra \u2013 que \u00e9 a da ado\u00e7\u00e3o do<br \/>\nsoftware livre como elemento estimulador e propiciador de uma l\u00f3gica colaborativa,<br \/>\ncaracter\u00edstica fundamental desse movimento. Nesse aspecto, e aqui n\u00e3o vou me deter no tema<br \/>\napesar de ach\u00e1-lo de fundamental import\u00e2ncia, os diversos grupos que se aglutinam em torno do<br \/>\nProjeto de Software Livre (2006) t\u00eam desenvolvido importantes a\u00e7\u00f5es, auxiliando escolas,<br \/>\nprefeituras, governos, ONGs no sentido de favorecer a migra\u00e7\u00e3o do software propriet\u00e1rio para o<br \/>\nsoftware livre.<br \/>\nIsso tudo \u2013 e em paralelo \u2013 est\u00e1 associado \u00e0 urgente necessidade de se redefinir o marco<br \/>\nregulador para a \u00e1rea, nos possibilitar\u00e1 garantir que n\u00e3o tenhamos essa absurda concentra\u00e7\u00e3o na<br \/>\npropriedade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o &#8211; todos eles, anal\u00f3gicos e digitais -, passando pelo r\u00e1dio,<br \/>\ntelevis\u00e3o, imprensa, editoras e gravadoras. Do ponto de vista tecnol\u00f3gico, o que vislumbramos<br \/>\npara um futuro que j\u00e1 \u00e9 presente, \u00e9 a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam \u00e0s escolas e<br \/>\ngrupos comunit\u00e1rios, o acesso a esses equipamentos \u2013 cada vez menores, mais poderosos e com<br \/>\nmenores custos \u2013 de forma a transformar as escolas em verdadeiras emissoras de r\u00e1dio e<br \/>\ntelevis\u00e3o. An\u00edsio Teixeira j\u00e1 dizia e queria isso desde a d\u00e9cada de 60. \u00c9 emblem\u00e1tico o seu artigo<br \/>\nMestres de Amanh\u00e3, dispon\u00edvel na Biblioteca Virtual An\u00edsio Teixeira (2006) do Prossiga. An\u00edsio<br \/>\nse perguntava sobre a import\u00e2ncia desses recursos tecnol\u00f3gicos e ele mesmo indicava as<br \/>\npossibilidades:<br \/>\nPorque s\u00e3o extraordin\u00e1rios os recursos tecnol\u00f3gicos que ter\u00e1 para se<br \/>\nfazer um mestre da civiliza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, podendo para isto utilizar o<br \/>\ncinema como forma descritiva e narrativa e a televis\u00e3o como forma de<br \/>\nacesso a mestres maiores que ele. O mestre seria algo como um operador<br \/>\ndos recursos tecnol\u00f3gicos modernos para a apresenta\u00e7\u00e3o e o estudo da<br \/>\ncultura moderna, e como estaria, assim, rodeado e envolvido pelo<br \/>\nequipamento e pela tecnologia produzida pela ci\u00eancia, n\u00e3o lhe seria<br \/>\ndif\u00edcil ensinar o m\u00e9todo e a disciplina intelectual do saber que tudo isso<br \/>\nproduziu e continua a produzir. A sua escola de amanh\u00e3 lembrar\u00e1 muito<br \/>\nmais um laborat\u00f3rio, uma oficina, uma esta\u00e7\u00e3o de televis\u00e3o do que a<br \/>\nescola de ontem e ainda de hoje. (TEIXEIRA, 1963).<br \/>\nAn\u00edsio antevia, na d\u00e9cada de 1960, o papel das tecnologias dispon\u00edveis \u00e0 \u00e9poca. Hoje, elas<br \/>\nganharam o mundo e est\u00e3o mexendo com o nosso cotidiano, especialmente se nos referimos \u00e0s<br \/>\ntecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, trabalhando com softwares livres. Torna-se<br \/>\nnecess\u00e1rio e urgente que os educadores possam experimentar mais as possibilidades de criar<br \/>\nemissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o geradas a partir de um ou dois computadores com meia d\u00fazia de<br \/>\nequipamentos para produ\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o, oferecendo alternativa aos assustadores<br \/>\nn\u00fameros de audi\u00eancia da TV comercial brasileira, que faz com que cerca de 85% da popula\u00e7\u00e3o<br \/>\nbrasileira assista diariamente a um \u00fanico e mesmo canal, para ver a mesma coisa! Aos<br \/>\neducadores cabe tamb\u00e9m assumir mais efetivamente a discuss\u00e3o sobre a TV Digital no pa\u00eds, uma<br \/>\nvez que o grande desafio para o desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Televis\u00e3o Digital \u00e9<br \/>\nbuscar implantar um sistema que possibilite a interatividade no sentido pleno, com participa\u00e7\u00e3o<br \/>\ntamb\u00e9m plena de cada cidad\u00e3o, na defini\u00e7\u00e3o coletiva dos rumos dos acontecimentos, e n\u00e3o<br \/>\napenas na possibilidade de escolhas predeterminadas, tamb\u00e9m definidas longe de cada contexto.<br \/>\nPara a educa\u00e7\u00e3o e a cultura, a busca de um sistema de televis\u00e3o digital assim como as pol\u00edticas<br \/>\nde ado\u00e7\u00e3o do software livre passam a ser estrat\u00e9gicas, incluindo a\u00ed a necess\u00e1ria ado\u00e7\u00e3o do digital<br \/>\ncomo elemento da cultura. As a\u00e7\u00f5es j\u00e1 referidas do Minist\u00e9rio da Cultura t\u00eam muito contribu\u00eddo,<br \/>\nmas \u00e9 b\u00e1sico a sua integra\u00e7\u00e3o com o sistema educacional, em todos os n\u00edveis, de tal forma que a<br \/>\nimplanta\u00e7\u00e3o desses est\u00fadios multim\u00eddias (Pontos de Cultura) pelo Brasil afora possa significar,<br \/>\ntamb\u00e9m, o envolvimento de professores e estudantes num continum de produ\u00e7\u00e3o cultural que nos<br \/>\npossibilite vislumbrar, para um futuro bem pr\u00f3ximo, tais tecnologias n\u00e3o apenas dispon\u00edveis aos<br \/>\nj\u00e1 privilegiados das classes m\u00e9dia e alta.<\/p>\n<p>Queria, como j\u00e1 fiz outras vezes, trazer as palavras de Gilberto Gil, Ministro de Estado da<br \/>\nCultura, sobre o tema:<br \/>\nO que est\u00e1 implicado aqui \u00e9 que o uso da tecnologia digital muda os<br \/>\ncomportamentos. O uso pleno da internet e do software livre cria<br \/>\nfant\u00e1sticas possibilidades de democratizar os acessos \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao<br \/>\nconhecimento: maximizar os potenciais dos bens e servi\u00e7os culturais,<br \/>\namplificar os valores que formam o nosso repert\u00f3rio comum e, portanto,<br \/>\na nossa cultura e potencializar a produ\u00e7\u00e3o cultural, criando, at\u00e9, novas<br \/>\nformas de arte. A tecnologia sempre foi instrumento de inclus\u00e3o social,<br \/>\nmas, agora, adquire novo contorno, n\u00e3o mais como incorpora\u00e7\u00e3o ao<br \/>\nmercado, mas como incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 cidadania e ao mercado, garantindo o<br \/>\nacesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e barateando os custos dos meios de produ\u00e7\u00e3o<br \/>\nmultim\u00eddia atrav\u00e9s das novas ferramentas que ampliam o potencial<br \/>\ncr\u00edtico do cidad\u00e3o. Somos cidad\u00e3os e consumidores, emissores e<br \/>\nreceptores de saber e informa\u00e7\u00e3o, seres, ao mesmo tempo, aut\u00f4nomos e<br \/>\nconectados em redes, que s\u00e3o a nova forma de coletividade. (GIL, s.i)<br \/>\nParece que essa l\u00f3gica de espalhamento de informa\u00e7\u00f5es (broadcasting), que o tempo inteiro<br \/>\npermeou o tradicional sistema de comunica\u00e7\u00e3o, marcou-nos de forma muito forte tanto em<br \/>\ntermos da produ\u00e7\u00e3o cultural como de educa\u00e7\u00e3o. Os movimentos de resist\u00eancia a essa perspectiva<br \/>\nsempre existiram e se fortalecem, entre tantas outras raz\u00f5es, pela express\u00e3o do movimento do<br \/>\nsoftware livre, particularmente com os Wikis 6 e todos os softwares que possibilitam uma<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o coletiva de conhecimento. Tudo isso, est\u00e1 mexendo violentamente com nossa forma de<br \/>\npensar, produzir e, principalmente, pensar sobre o que produzimos.<br \/>\nPara encerrar, creio ser importante mencionar a quest\u00e3o dos direitos autorais, do copyleft (2006),<br \/>\ndo CreativeCommons (2006), pol\u00edtica dos arquivos e publica\u00e7\u00f5es abertas (2006), enfim, de todo<br \/>\nesse universo de produ\u00e7\u00e3o que pensa mais no coletivo do que no individual, de tal forma que<br \/>\nesses princ\u00edpios possam, proliferando-se, interferirem de forma mais contundente na defini\u00e7\u00e3o<br \/>\ndos novos marcos regulat\u00f3rios para o setor e tamb\u00e9m para o desenvolvimento cient\u00edfico e<br \/>\ntecnol\u00f3gico da \u00e1rea.<br \/>\nEstamos convencidos de que a escola contempor\u00e2nea, e junto com ela todos os espa\u00e7os de<br \/>\naprendizagem, em qualquer que seja o n\u00edvel, n\u00e3o pode ficar indiferente e se furtar ao exame das<br \/>\npossibilidades de uso dessas tecnologias no espa\u00e7o pedag\u00f3gico, enquanto elemento estruturante<br \/>\nde novos processos educacionais, trazendo para o cen\u00e1rio da escola a forma\u00e7\u00e3o de produtores de<br \/>\nproposi\u00e7\u00f5es, de culturas e conhecimentos e n\u00e3o de simples consumidores de informa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPara n\u00f3s, falar em inclus\u00e3o \u00e9 articular temas como acesso \u00e0s m\u00e1quinas, conex\u00e3o, software livre,<br \/>\nuniversaliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o, cidadania plena e transforma\u00e7\u00e3o da escola em<br \/>\nespa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de cultura, em cada contexto na qual ela se insere. Ou seja, falamos de<br \/>\ninclus\u00e3o sociodigital.<br \/>\nEsses pontos, e muitos outros, configuram uma concep\u00e7\u00e3o horizontal, sem centro e cooperativa<br \/>\nde pol\u00edticas p\u00fablicas, que apontam, potencialmente, para a implanta\u00e7\u00e3o de processos educativos<br \/>\nconsistentes com a contemporaneidade.<\/p>\n<p>1<br \/>\nEste artigo \u00e9 resultado parcial da pesquisa Pol\u00edticas P\u00fablicas Brasileiras em Educa\u00e7\u00e3o, Tecnologia da<br \/>\nInforma\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o, e conta com a participa\u00e7\u00e3o de Darlene Almada Soares, bolsista de IC\/CNPq.<br \/>\nCoordenador do Grupo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Tecnologias [http:\/\/www.faced.ufba.br\/gec]<\/p>\n<p>2<br \/>\nRelato de Maria Inez Carvalho, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFBA.<\/p>\n<p>3<br \/>\nRefer\u00eancia ao movimento dos jovens espanh\u00f3is a partir da manipula\u00e7\u00e3o governamental a partir do ato<br \/>\nterrorista na esta\u00e7\u00e3o de Atocha, em 19 de outubro de 2004.<\/p>\n<p>4<br \/>\nOs Tabuleiros Digitais foram desenvolvidos pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o como sendo m\u00f3veis de forte<br \/>\ninspira\u00e7\u00e3o com a cultura da Bahia, com computadores rodando software livre, constituindo-se em espa\u00e7o livre para<br \/>\nas navega\u00e7\u00f5es na rede, de forma r\u00e1pida, espalhados pelas \u00e1reas livres da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade<br \/>\nFederal da Bahia. Ver Tabuleiros Digitais (2006).<\/p>\n<p>5<br \/>\nEntre tantas outras refer\u00eancias, destaco o livro M\u00eddias digitais: converg\u00eancia tecnol\u00f3gica e inclus\u00e3o social<br \/>\n(BARBOSA FILHO, et al., 2005).<\/p>\n<p>6<br \/>\nDefini\u00e7\u00e3o de wiki (2006) e exemplo de um pode ser encontrado num dos melhores exemplos de produ\u00e7\u00e3o<br \/>\ncolaborativa da internet, a Wikipedia.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<br \/>\nAREDE. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.arede.inf.br\/&gt;. Acesso em: 20 dez. 2005.<br \/>\nARIMA, Katia. Um cantinho Wi-Fi no interior de SP. O Estado de S. Paulo, S\u00e3o Paulo, n. 695,<br \/>\n21 fev. 2005.<br \/>\nBARBOSA FILHO, A. et al. M\u00eddias digitais: converg\u00eancia tecnol\u00f3gica e inclus\u00e3o social. S\u00e3o<br \/>\nPaulo: Paulinas, 2005.<br \/>\nBARRETO, R. G. (Org.). Tecnologias educacionais e educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia: avaliando pol\u00edticas<br \/>\ne pr\u00e1ticas. Rio de Janeiro: Quartet, 2001.<br \/>\nBIBLIOTECA VIRTUAL AN\u00cdSIO TEIXEIRA. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n&lt;http:\/\/www.prossiga.br\/anisioteixeira\/&gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nBRASIL. Decreto n. 4.901, de 26 de novembro de 2003. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, DF:<br \/>\nImprensa Nacional, p. 7, 27 nov. 2003. Se\u00e7\u00e3o 1.<br \/>\nCIBERPARQUE AN\u00cdSIO TEIXEIRA. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n&lt;http:\/\/www.twiki.ufba.br\/twiki\/bin\/view\/CiberParque&gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nCOMIT\u00ca GESTOR DA INTERNET. N\u00facleo de Informa\u00e7\u00e3o e Coordena\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: &lt;<br \/>\nhttp:\/\/www.nic.br\/indicadores&gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nCONVERS\u00ca. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.converse.org.br\/&gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nCOPYLEFT. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.gnu.org\/copyleft\/copyleft.pt.html&gt;. Acesso em: 3 fev.<br \/>\n2006.<br \/>\nCREATIVECOMMONS. Dispon\u00edvel em:&lt;http:\/\/creativecommons.org\/&gt;. Acesso em: 3 fev.<br \/>\n2006.<br \/>\nF\u00d3RUM NACIONAL PELA DEMOCRATIZA\u00c7\u00c3O DA COMUNICA\u00c7\u00c3O. Inclus\u00e3o digital:<br \/>\ncoordena\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o saiu do papel. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n&lt;http:\/\/www.fndc.org.br\/internas.php?p=noticias&amp;cont_key=3490&gt;. Acesso em: 20 jan. 2006.<br \/>\nINTERVOZES. Coletivo Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o Social. TV digital: princ\u00edpios e propostas para<br \/>\numa transi\u00e7\u00e3o baseada no interesse p\u00fablico: uma contribui\u00e7\u00e3o do Intervozes ao debate sobre o<br \/>\nmodelo de TV digital a ser adotado no pa\u00eds. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.intervozes.org.br&gt;.<br \/>\nAcesso em: 31 jan. 2006.<br \/>\nJOGOS BR. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/www.jogosbr.org.br&gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nPONTOS DE CULTURA. Programa Cultura Viva. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n&lt;http:\/\/www.cultura.gov.br\/programas_e_acoes\/cultura_viva\/index.html&gt;. Acesso em: 3 fev.<br \/>\n2006.<br \/>\nPRETTO, N. L. Os meninos na rua. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n&lt;http:\/\/www3.faced.ufba.br\/rascunho_digital\/textos\/273.htm&gt;. Acesso em: 25 jan 2006a.<br \/>\n______. Pol\u00edticas p\u00fablicas educacionais: dos materiais did\u00e1cticos aos materiais multim\u00e9dia.<br \/>\nRevista de Educa\u00e7\u00e3o, Lisboa, v. 10, n. 1, p. 5-20, 2001.<br \/>\n_______. Pol\u00edticas p\u00fablicas educacionais: dos materiais did\u00e1ticos aos multim\u00eddias. In:<br \/>\nREUNI\u00c3O ANUAL DA ASSOCIA\u00c7\u00c3O NACIONAL DE P\u00d3S-GRADUA\u00c7\u00c3O E PESQUISA<br \/>\nEM EDUCA\u00c7\u00c3O, 22., 1999, Caxambu. Anais eletr\u00f4nicos&#8230;[S. l.]: Anped, 1999.<br \/>\n______. Publicidade e educa\u00e7\u00e3o. A Tarde, p. 2, 25 jan. 2006b.<br \/>\n_______. (Org.). Tecnologia e novas educa\u00e7\u00f5es. Salvador: Edufba, 2005.<br \/>\n______. Uma escola sem\/com futuro: educa\u00e7\u00e3o e multim\u00eddia. Campinas: Papirus, 1996.<br \/>\nPOL\u00cdTICA DE ARQUIVOS E PUBLICA\u00c7\u00d5ES ABERTAS. Dispon\u00edvel em: &lt;<br \/>\nhttp:\/\/www.ibict.br\/openaccess\/&gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nPORTAL DOM\u00cdNIO P\u00daBLICO. Dispon\u00edvel em: &lt;<br \/>\nhttp:\/\/www.dominiopublico.gov.br\/Missao\/Missao.jsp &gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nPROJETO CASA BRASIL. Dispon\u00edvel em: &lt;<br \/>\nhttp:\/\/www.iti.br\/twiki\/bin\/view\/Main\/CasaBrasil&gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nPROJETO DO SOFTWARE LIVRE. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/www.softwarelivre.org.br\/&gt;.<br \/>\nAcesso em: 3 fev. 2006.<br \/>\nRELAT\u00d3RIO do TCU tira o Fust da geladeira. Arede, S\u00e3o Paulo: Momento Editorial, ano 1,<br \/>\nn.10, jan. 2006.<br \/>\nTABULEIROS DIGITAIS. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.tabuleirodigital.org&gt;. Acesso em: fev.<br \/>\n2006.<br \/>\nTEIXEIRA, A. Mestres de amanh\u00e3. Revista Brasileira de Estudos Pedag\u00f3gicos, Rio de Janeiro,<br \/>\nv. 40, n. 92, p.10-19, out.\/dez. 1963.<br \/>\nVER\u00cdSSIMO, E. O tempo e o vento 1: o continente. Porto Alegre: Globo, 1962. t. 2.<br \/>\nWIKI. Wikip\u00e9dia. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Wiki&gt;. Acesso em: 3 fev. 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado na Liinc em Revista. , v.02, p.10 \u2013 27, 2006 Nelson De Luca Pretto A partir de cenas distantes mais de um s\u00e9culo, que descrevem aspectos educacionais e tecnol\u00f3gicos, o artigo analisa as pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras em educa\u00e7\u00e3o relacionando-as com as pol\u00edticas de cultura, telecomunica\u00e7\u00f5es e ci\u00eancia e tecnologia. As profundas transforma\u00e7\u00f5es trazidas pelas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o trazem para a educa\u00e7\u00e3o desafios muito grandes, especialmente com a internet, ao contribu\u00edrem com as profundas modifica\u00e7\u00f5es na forma de ser e de pensar da humanidade. Destaca-se a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de ado\u00e7\u00e3o de software livre no Governo Federal, do incentivo da cultura digital e da discuss\u00e3o sobre o sistema brasileiro de TV Digital sendo que, no entanto, pouco se faz no campo da forma\u00e7\u00e3o de professores. A l\u00f3gica linear de curr\u00edculo n\u00e3o d\u00e1 conta desses desafios e propomos uma outra concep\u00e7\u00e3o de curr\u00edculo inserido na l\u00f3gica hipertextual. Palavras-chave tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, tecnologia educacional, internet, curr\u00edculo, pol\u00edticas p\u00fablicas Abstract The paper begins describing educational and technological scenes apart centuries. Brazilian education policies are analyzed within the context of culture, telecommunications, science and technology policies. The great transformations that have taken place in the realms of information and communication technologies (ICT) \u2013 Internet in particular &#8211; bring great challenges to education, because these technologies contribute to the transformation of the way of we think and behave. The paper highlights the open source movement inside the Federal Government, promotion of a digital culture and discussion about a Brazilian Digital Television System, however little is being done at the level of teacher training and development. The linear rationale of curriculum is unable to deal with these challenges and we propose another curricular approach, based on hypertextual logic. Keywords information technology, educational technology, internet, curriculum, public policies Cena 1 \u2013 parte 1 O Dr. Winter era diferente. Nunca ficava parado dentro da casa com o aluno. Levava-o para passear pelo campo, explicava-lhe que a Terra era redonda como uma laranja e achatada nos p\u00f3los. Apontava \u00e0 noite para as estrelas e dizia-lhes os nomes e as dist\u00e2ncias que se encontravam da Terra. E quando dava li\u00e7\u00f5es de Bot\u00e2nica era mostrando as plantas de verdade e n\u00e3o apenas gravuras dos livros. Tinha uma magn\u00edfica lente de cabo madrep\u00e9rola com a qual fazia o aluno examinar flores e folhas, talos de relva ou gomos de laranjas e bergamotas. De que s\u00e3o feitas as nuvens? Por que \u00e9 que quando a gente solta um livro que tem na m\u00e3o o livro cai? Como \u00e9 que a \u00e1gua se transforma em gelo? Por que \u00e9 que existem o dia, a noite e as esta\u00e7\u00f5es do ano? O Dr. Winter explicava todas essas coisas a Licurgo, que as achava fant\u00e1sticas, imposs\u00edveis (VER\u00cdSSIMO, 1962, p. 494) Cena 1 &#8211; parte 2 Nos fandangos j\u00e1 n\u00e3o dan\u00e7am tanto a chimarria, o tatu e a meia-canha: o que querem \u00e9 valsa, ch\u00f3tis, mazurca, polca, essas bobagens estrangeiradas.Se h\u00e1 coisa que me da quiz\u00edlia \u00e9 ver esses tais postes do tel\u00e9grafo, quando ando viajando pela campanha.Se eu fosse governo mandava derrubar tudo.Onde j\u00e1 se viu passar bilhete pra outra pessoa por um arame?Isso \u00e9 at\u00e9 uma pouca vergonha, porque se eu quero dar algum recado, justo um chasque, arranjo um pr\u00f3prio ou vou eu mesmo (VER\u00cdSSIMO, 1962, p. 546). Cena 2 \u2013 parte 1 Como j\u00e1 descrevi em outro artigo (PRETTO, 1999), cena2 que descrevo aqui, aconteceu em junho de 1999, numa pequena cidade no interior da Bahia, Brasil. Numa sala de aula de um curso de especializa\u00e7\u00e3o em um munic\u00edpio do interior na Bahia, uma dezena de professores e professoras. Uma das caracter\u00edsticas deste munic\u00edpio \u00e9 ter resolvido parcialmente o problema de forma\u00e7\u00e3o do professorado: l\u00e1, praticamente todos possuem curso de magist\u00e9rio e passaram por um concurso p\u00fablico bastante rigoroso. No meio de uma discuss\u00e3o sobre desigualdades sociais, uma professora-aluna afirma que, no s\u00e9culo passado, a classe dominante brasileira viajava para a Europa de trem, ao contr\u00e1rio do que acontece atualmente quando os ricos s\u00f3 viajam de avi\u00e3o. A professora que ministrava o curso, construtivista por natureza e preocupada com esta afirmativa, tenta empurrar a turma para discutir um pouco mais a afirma\u00e7\u00e3o. A discuss\u00e3o avan\u00e7a e um novo argumento surge: isso n\u00e3o poderia ser verdade porque no final do s\u00e9culo passado ainda n\u00e3o existiam trens. Mais press\u00e3o da professora e algu\u00e9m, meio encabulado, balbucia que isso n\u00e3o era poss\u00edvel por causa da \u00e1gua que existe entre o Brasil e a Europa. Chegando-se \u00e0 esta conclus\u00e3o, a professora tenta puxar da turma o nome do oceano. Surge, ent\u00e3o, o oceano Pac\u00edfico. Cena dois &#8211; parte 2 Me sentei no banco da pra\u00e7a, abri o notebook e me conectei \u00e0 internet de banda larga sem fio, gratuitamente \u2013 e livre do risco de ter meu equipamento roubado. N\u00e3o, eu n\u00e3o estava no Jap\u00e3o, nos Estados Unidos ou num outro pa\u00eds rico. Esse lugar fica no Brasil, numa cidade chamada Sud Mennucci, que fica no interior de S\u00e3o Paulo e tem apenas 7.363 habitantes. De t\u00e3o pequena, Sud Mennucci permite dispensar o carro. [&#8230;] Por que uma cidade t\u00e3o buc\u00f3lica avan\u00e7ou t\u00e3o rapidamente na tecnologia de acesso \u00e0 internet? [&#8230;] Hoje, 120 das 1.714 casas da cidade j\u00e1 desfrutam do benef\u00edcio, sem pagar nada. Se para a maioria das pessoas Wi-Fi \u00e9 sin\u00f4nimo de internet m\u00f3vel, em Sud Mennucci significa inclus\u00e3o digital (ARIMA, 2005). As transforma\u00e7\u00f5es que estamos vivendo no mundo contempor\u00e2neo s\u00e3o de tamanha magnitude que nos parece curioso as tais estrangeiradas descritas no antol\u00f3gico O tempo e o vento de Erico Ver\u00edssimo, no final do s\u00e9culo XIX, ao se falar do rec\u00e9m criado tel\u00e9grafo (Cena 1 \u2013 parte 2). As transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas s\u00e3o de tal monta que hoje, em praticamente todos os lugares do planeta, o chamado fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 objeto de cr\u00edticas contundentes em praticamente todos os cantos! (Cf. PRETTO, 2001) \u2013 chega aos mais remotos locais atrav\u00e9s de alguma conex\u00e3o tecnol\u00f3gica. Os benef\u00edcios (e os estragos, claro!) n\u00e3o s\u00e3o pequenos e, para enfrent\u00e1-los, necessitamos de pol\u00edticas p\u00fablicas,<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":268,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-2col-left.php","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-388","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/388"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=388"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/388\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}