{"id":300,"date":"2010-03-04T17:57:27","date_gmt":"2010-03-04T20:57:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufba.br\/nlpretto\/?page_id=300"},"modified":"2010-03-04T17:57:27","modified_gmt":"2010-03-04T20:57:27","slug":"a-forca-da-juventude","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/publicacoes\/artigos-de-divulgacao\/a-forca-da-juventude\/","title":{"rendered":"A for\u00e7a da juventude"},"content":{"rendered":"<p>Nelson Pretto &#8211; professor associado da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o\/UFBA e visitante da Universidade Trent de Nottingham. www.pretto.info<\/p>\n<p>Daqui da Inglaterra, leio em A Tarde um belo projeto de interc\u00e2mbio de estudantes, promovido pelo Teatro Vila Velha. Aqui mesmo nesta p\u00e1gina, j\u00e1 escrevi algumas vezes sobre a necessidade de promovermos pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem os jovens &#8211; de qualquer idade, claro! &#8211; a passearem mais. Falo diretamente na palavra passear, pois \u00e9 isso que penso ser fundamental para ajudar na forma\u00e7\u00e3o dessa meninada. Conhecer novos lugares, novas cidades e seus povos, outras culturas. Mesmo compreendendo que o nosso mundo contempor\u00e2neo resolveu partir para a mesmice, onde as coisas que vejo aqui na pequena Nottingham, s\u00e3o quase todas absolutamente iguais \u00e0s que vejo a\u00ed em Salvador, creio que esses passeios e interc\u00e2mbios s\u00e3o fundamentais para a forma\u00e7\u00e3o dessa gente, inclusive para que possamos, com muita garra, lutar contra esta l\u00f3gica de tudo virar o igual. Hoje, andar de \u00f4nibus por quase todos os pa\u00edses ocidentais, \u00e9 passar pelos mesmos pontos de \u00f4nibus que temos em Salvador. A mesma empresa, o mesmo modelo, o mesmo estilo, enfim, a mesmice implantada, como uma comida fast food, que a\u00ed, ou aqui, \u00e9 sempre a mesma. Achar o diferente, requer garimpar com profundidade.<\/p>\n<p>Os filhos das classes m\u00e9dias e altas, t\u00eam a oportunidade das viagens promovidas pelas pr\u00f3prias fam\u00edlias. Conhecem museus, pra\u00e7as, cidades, estradas, ruas, enfim, se n\u00e3o ficarem nos tradicionais roteiros pr\u00e9-fabricados pela ind\u00fastria do turismo, podem integragir um pouco mais com as culturas de outros pa\u00edses. Ao filhos das classes populares, resta esperar por pol\u00edticas p\u00fablicas que favorecem essa mobilidade, que possibilitem que esta turma, possa conhecer e interagir com outras turmas de outros pa\u00edses. Projetos como esses do Vila, Ax\u00e9, Eletrocoperativa, Breje Er\u00f3, e de tantos outros grupos liderados pelas ONGs, brasileiras e estrangeiras que investem no pa\u00eds, s\u00e3o exemplos de belas oportunidades para uma juventude que pode n\u00e3o estar vendo muita esperan\u00e7a no futuro que se avizinha. Mas me pergunto: porque isso n\u00e3o faz parte das pol\u00edticas p\u00fablicas dos governos municipal, estadual e federal? Por que n\u00e3o viabilizar que alunos &#8211; e , claro, os professores &#8211; possam passar per\u00edodos em outras cidades, estados e pa\u00edses, em projetos de interc\u00e2mbio de forma mais permanente? Isso, seguramente, tamb\u00e9m traria para a Bahia, outras gentes, turmas e tribos que, interagindo com a nossa meninada, certamente fariam diferen\u00e7a no mundo de hoje. Um mundo que carece de genorisade, de companheirismo e de solidariedade. Penso que esta for\u00e7a da juventude \u00e9 \u00fanica posibilidade de uma radical transforma\u00e7\u00e3o na mesmice do mundo atual. Por\u00e9m, tais id\u00e9ias, nem sempre s\u00e3o bem acolhidas.<\/p>\n<p>Certa vez, numa festa do Bonfim, encontro um amigo querido que gosto muito de ouvir. Assim que nos vemos, ele me provoca: tenho te lido e tenho minhas d\u00favidas sobre esse seu encantamento juvenil! Fiquei muito intrigado com o coment\u00e1rio, pois respeito bastante esse meu amigo de longas datas. Com aquilo na cabe\u00e7a, e a cada manifesta\u00e7\u00e3o desta turma jovem, me perguntava mais uma vez: estou exagerando ou essa meninada est\u00e1 recuperando uma energia sufocada ao longo dos \u00faltimos anos e que, agora, volta a se manifestar como uma rebeldia necess\u00e1ria para a vitalidade do mundo?<br \/>\nRecentemente aqui na Inglaterra, uma turma de n\u00e3o mais de 30 jovens, entre 18 e 25 anos, parou um grande aeroporto para protestar contra a expans\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o, e os perigos do aquecimento global. Dois dias depois, o jornal The Guardian, publica mat\u00e9rias de p\u00e1gina inteira mostrando a gravidade do momento na voz dos cientistas que estudam o tema: a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica e sem retorno! Coincid\u00eancia? Pode ser, mas imaginar que os cientistas que estudam o ambiente se mobilizem para se acorrentarem \u00e0s grades de um aeroporto pode ser um pouco demais&#8230; Mas, para esta turma que est\u00e1 ligada ao que acontece na sua cidade e no mundo, esse ativismo &#8211; que os adultos de hoje tamb\u00e9m faziam na sua esquecida juventude, principalmente os que est\u00e3o agora no poder &#8211; \u00e9 parte do seu jeito de ser. Para essa juventude que n\u00e3o se acomada aos bancos escolares, estas a\u00e7\u00f5es radicais podem ser a \u00fanica sa\u00edda e, quem sabe, esta n\u00e3o seja a \u00fanica sa\u00edda para todos n\u00f3s.<br \/>\nArtigo publicado em A Tarde de 26\/12\/2008, pag. 03. <a href=\"http:\/\/twiki.ufba.br\/twiki\/pub\/Pretto\/ForcaJuventude\/Artigo_de_Nelson_Pretto.pdf\" target=\"_top\" rel=\"noopener\">C\u00f3pia da p\u00e1gina em pdf<\/a>.<\/p>\n<p>Publicado tamb\u00e9m no <a title=\"a for\u00e7a da juventude\" href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI3421118-EI6581,00-Forca+da+juventude.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terra Magazine de 01.01.2009<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nelson Pretto &#8211; professor associado da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o\/UFBA e visitante da Universidade Trent de Nottingham. www.pretto.info Daqui da Inglaterra, leio em A Tarde um belo projeto de interc\u00e2mbio de estudantes, promovido pelo Teatro Vila Velha. Aqui mesmo nesta p\u00e1gina, j\u00e1 escrevi algumas vezes sobre a necessidade de promovermos pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem os jovens &#8211; de qualquer idade, claro! &#8211; a passearem mais. Falo diretamente na palavra passear, pois \u00e9 isso que penso ser fundamental para ajudar na forma\u00e7\u00e3o dessa meninada. Conhecer novos lugares, novas cidades e seus povos, outras culturas. Mesmo compreendendo que o nosso mundo contempor\u00e2neo resolveu partir para a mesmice, onde as coisas que vejo aqui na pequena Nottingham, s\u00e3o quase todas absolutamente iguais \u00e0s que vejo a\u00ed em Salvador, creio que esses passeios e interc\u00e2mbios s\u00e3o fundamentais para a forma\u00e7\u00e3o dessa gente, inclusive para que possamos, com muita garra, lutar contra esta l\u00f3gica de tudo virar o igual. Hoje, andar de \u00f4nibus por quase todos os pa\u00edses ocidentais, \u00e9 passar pelos mesmos pontos de \u00f4nibus que temos em Salvador. A mesma empresa, o mesmo modelo, o mesmo estilo, enfim, a mesmice implantada, como uma comida fast food, que a\u00ed, ou aqui, \u00e9 sempre a mesma. Achar o diferente, requer garimpar com profundidade. Os filhos das classes m\u00e9dias e altas, t\u00eam a oportunidade das viagens promovidas pelas pr\u00f3prias fam\u00edlias. Conhecem museus, pra\u00e7as, cidades, estradas, ruas, enfim, se n\u00e3o ficarem nos tradicionais roteiros pr\u00e9-fabricados pela ind\u00fastria do turismo, podem integragir um pouco mais com as culturas de outros pa\u00edses. Ao filhos das classes populares, resta esperar por pol\u00edticas p\u00fablicas que favorecem essa mobilidade, que possibilitem que esta turma, possa conhecer e interagir com outras turmas de outros pa\u00edses. Projetos como esses do Vila, Ax\u00e9, Eletrocoperativa, Breje Er\u00f3, e de tantos outros grupos liderados pelas ONGs, brasileiras e estrangeiras que investem no pa\u00eds, s\u00e3o exemplos de belas oportunidades para uma juventude que pode n\u00e3o estar vendo muita esperan\u00e7a no futuro que se avizinha. Mas me pergunto: porque isso n\u00e3o faz parte das pol\u00edticas p\u00fablicas dos governos municipal, estadual e federal? Por que n\u00e3o viabilizar que alunos &#8211; e , claro, os professores &#8211; possam passar per\u00edodos em outras cidades, estados e pa\u00edses, em projetos de interc\u00e2mbio de forma mais permanente? Isso, seguramente, tamb\u00e9m traria para a Bahia, outras gentes, turmas e tribos que, interagindo com a nossa meninada, certamente fariam diferen\u00e7a no mundo de hoje. Um mundo que carece de genorisade, de companheirismo e de solidariedade. Penso que esta for\u00e7a da juventude \u00e9 \u00fanica posibilidade de uma radical transforma\u00e7\u00e3o na mesmice do mundo atual. Por\u00e9m, tais id\u00e9ias, nem sempre s\u00e3o bem acolhidas. Certa vez, numa festa do Bonfim, encontro um amigo querido que gosto muito de ouvir. Assim que nos vemos, ele me provoca: tenho te lido e tenho minhas d\u00favidas sobre esse seu encantamento juvenil! Fiquei muito intrigado com o coment\u00e1rio, pois respeito bastante esse meu amigo de longas datas. Com aquilo na cabe\u00e7a, e a cada manifesta\u00e7\u00e3o desta turma jovem, me perguntava mais uma vez: estou exagerando ou essa meninada est\u00e1 recuperando uma energia sufocada ao longo dos \u00faltimos anos e que, agora, volta a se manifestar como uma rebeldia necess\u00e1ria para a vitalidade do mundo? Recentemente aqui na Inglaterra, uma turma de n\u00e3o mais de 30 jovens, entre 18 e 25 anos, parou um grande aeroporto para protestar contra a expans\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o, e os perigos do aquecimento global. Dois dias depois, o jornal The Guardian, publica mat\u00e9rias de p\u00e1gina inteira mostrando a gravidade do momento na voz dos cientistas que estudam o tema: a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica e sem retorno! Coincid\u00eancia? Pode ser, mas imaginar que os cientistas que estudam o ambiente se mobilizem para se acorrentarem \u00e0s grades de um aeroporto pode ser um pouco demais&#8230; Mas, para esta turma que est\u00e1 ligada ao que acontece na sua cidade e no mundo, esse ativismo &#8211; que os adultos de hoje tamb\u00e9m faziam na sua esquecida juventude, principalmente os que est\u00e3o agora no poder &#8211; \u00e9 parte do seu jeito de ser. Para essa juventude que n\u00e3o se acomada aos bancos escolares, estas a\u00e7\u00f5es radicais podem ser a \u00fanica sa\u00edda e, quem sabe, esta n\u00e3o seja a \u00fanica sa\u00edda para todos n\u00f3s. Artigo publicado em A Tarde de 26\/12\/2008, pag. 03. C\u00f3pia da p\u00e1gina em pdf. Publicado tamb\u00e9m no Terra Magazine de 01.01.2009<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"parent":297,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"page-1col.php","meta":{"pgc_meta":"","_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"class_list":["post-300","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"pgc_meta":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/300"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=300"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/300\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufba.br\/nelsonpretto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}